Sangue Frio escrita por julythereza


Capítulo 1
Capítulo Único


Notas iniciais do capítulo

Yo!
Consegui terminar a fic a tempo!
Entre trancos e barrancos, me enfio nesse concurso!

HAha, espero que apreciem a fic.
Boa leitura!




Eu sempre ficava me perguntando se ele era confiável, uma vez ouvi uma música que dizia que não se podia confiar num homem de sangue frio e ele era exatamente esse tipo de pessoa. O engraçado é que justamente esse tipo que me atraia... Ele tinha os olhos e cabelos exóticos, os olhos eram perolados e os cabelos, a cor não era nada de diferente, mas eram super compridos e vivam presos com um elástico perto das pontas. Caras daquele tipo me atraiam e cabelos compridos também.

Eu tinha a nítida noção de que estava perdida ao me envolver com ele, sabia que ele poderia me deixar, tinha quase certeza que um dia ele o faria, mas mesmo assim ainda estava saindo com ele.

Conheci-o numa noite chuvosa, a qual me refugiara em um café próximo do centro de Tókio. Meus cabelos estavam molhados e pingavam no piso de madeira do lugar, mas mesmo assim minha presença fora aceita. Sentei-me em uma das mesas próxima da janela, ficaria esperando a chuva passar para que eu pudesse enfim ir pra casa. Aquele dia tinha sido deveras cansativo, minha editora tinha exigido o máximo de mim, eu não aguentava mais olhar para a tela de um computador ou digitar seja lá o que fosse, queria uma ducha quente e minha cama com meu cobertor favorito.

A chuva parecia que ia demorar, por isso acabei comendo por ali mesmo. Após fazer o meu pedido para uma garçonete com dois coques, um de cada lado, em sua cabeça, permiti que meus olhos vagassem o café. Sempre passei por ele, mas nunca tinha tido a curiosidade de adentrar no lugar, entretanto aquele dia eu não tive outra opção, era entrar lá ou pegar uma pneumonia, logicamente que escolhi a opção mais confortável, não podia me permitir ficar doente logo agora que estava encerrando o meu primeiro livro. Observei algumas pessoas com seus laptops, elas digitavam algo neles, algumas falavam, outras tomavam café enquanto mexiam e algumas estavam em duplas como se estivessem conversando com algum amigo ou familiar que estivesse distante. Tinham-se alguns casais e alguns grupos espalhados pelo local. Todos pareciam conversar com alguém ou entretidos com alguma coisa, apenas eu parecia estar deslocada naquele lugar, também nem era para eu estar lá...

A moça de coques trouxe a minha refeição daquela noite, sim, já estava escurecendo e eu ainda estava ali, sentada naquela cadeira de madeira, tinha pedido waffles e um pouco de leite com achocolatado. A bebida quente me aqueceu um pouco, mas ainda eu sentia frio por estar molhada, passei a me dedicar aos waffles enquanto tomava alguns goles do leite. Tudo parecia estar gostoso, tendo um sabor diferente, algo que nunca tinha provado antes, então me deliciei com aquela novidade, nunca tinha comido waffles tão gostosos como aqueles, tão deliciosos que me obrigaram a fazer repeteco.

A garçonete sorriu para mim ao me ver elogiando o prato e anotou na sua caderneta meu novo pedido, mais waffles e leite. Suspirei irritada com o tempo, mas me alegrei um pouco quando ela colocou meu prato a minha frente junto de uma caneca.

– Faça uma boa refeição. – desejou-me e eu sorri para ela.

Degustei dos novos waffles e da nova xícara de achocolatado, quando terminei de comer, a chuva pareceu dar uma trégua, afinando um pouco e eu decidi ir embora. Queria logo minha casa e cama quente, podia não pegar uma pneumonia, mas ficaria com uma gripe com certeza.

Dirigi-me ao caixa, passando por algumas mesas e um grupinho que conversava avidamente, a garçonete de coques estava com eles também. Notei um garoto loiro que se destacava naquele meio, ele falava alto e parecia ser mais energético que qualquer outra pessoa que eu já tivesse visto. Havia um ruivo também, ele tinha os olhos verdes opacos e uma tatuagem estranha na testa, um kanji. Tinha um sobrancelhudo também, uma garota com os cabelos cor de rosa, uma loira, uma bela moça com os cabelos negro-azulados e olhos perolados que brilhavam ao olhar para o rapaz que estava a sua frente, um que eu não conseguia ver por estar de costas para mim, mas ele tinha um corte diferente de cabelo, chamando a atenção para o seu cabelo negro e na ponta da mesa havia um ser exótico. Ele tinha os cabelos compridos num belo tom de marrom e os olhos perolados como os da garota, porem eles eram frios, não pareciam demonstrar nenhuma emoção e se vestia com uma camiseta branca e uma calça jeans. Ele teria passado por mim como uma pessoa comum, apenas o longo cabelo comprido marrom que o diferenciava dos outros, mas quando eu passei por eles, seus olhos perolados estavam focados em mim.

Tudo bem que eu chamava um pouco a atenção sim, meus cabelos eram vermelhos vivos, tingidos, mas meus olhos eram comuns, pretos bobos, usava um óculos lilás que conseguia destacar os meus olhos e não era gorda ou magra demais, diziam que eu estava na medida certa. Não usava roupas extravagantes, gostava de ser discreta, naquele dia eu calçava minha bota de “toc-toc” preta que ia até quase o meu joelho, vestia a minha calça jeans de lycra preferida e estava com uma jaqueta de couro preta, a qual tinha um capuz, que naquela ocasião deixei em casa, no meu guarda-roupa. Por conta dos meus cabelos vermelhos estarem molhados, eles estavam escuros e não se destacavam tanto assim, mas mesmo assim eu chamei a atenção dele.

O loiro energético perguntou alguma coisa para o garoto de cabelo comprido, não obtendo resposta do mesmo, ele dirigiu seus olhos azuis para o que distraia seu amigo. Foi então que me dei conta de que estava parada no mesmo lugar, sem continuar meu caminho para o caixa. Fechei a minha mão em punho e desviei meus olhos dos perolados que ainda estavam pousados em mim e segui meu caminho.

O garoto energético deve ter comentado alguma coisa, pois os outros integrantes do grupinho riram, mas deixei para lá. Minha casa me esperava, meu cantinho sossegado e tranquilo me esperava, isso se eu tivesse conseguido sair do café.

Fui barrada pelo loiro, ele sorriu para mim coçando a cabeça e parecendo meio desconsertado por estar ali, mas ainda sim fez uma pergunta que me deixou sem ação por três segundos.

– Como se chama? – ele me perguntou. – Eu sou Naruto, meu amigo pareceu gostar de você e como ele é ruim em tomar iniciativa com garotas, eu estou fazendo isso por ele. – riu se mostrando um pouco nervoso ao perceber que eu não mudara a minha expressão. – Você não quer se sentar com a gente um pouco? – perguntou.

Eu ainda permaneci estática. Queria apenas ir pra casa e descansar, entretanto não acreditava que a minha curiosidade estava sendo maior que o meu cansaço. Ergui meu olhar para a mesa que eles estavam, todos pareciam interessados no que estava acontecendo comigo e o loiro, porem eu tomei a minha decisão. Minha editora diria que aquilo seria uma boa coisa, me envolver com mais pessoas podia gerar mais criatividade e com isso eu escreveria mais, porem eu apenas queria ir pra casa.

– Chamo-me Mikaella. – respondi a primeira pergunta dele. – Agradeço o seu convite, mas estou exausta e precisando de um banho, quero descansar. – expliquei, ele pareceu perceber agora a minha situação e me deu um sorriso sem graça.

– Ah, desculpe... – ele pediu baixando a cabeça. – Você podia me passar seu celular ou email para marcamos um outro dia, não? – pediu.

Sorri para ele, mas neguei com a cabeça.

– Não costumo ter muito tempo livre. – aleguei sorrindo sem graça para ele. – Se for alguma coisa dos livros que escrevo, você pode falar comigo pelo site da editora Kizana. – expliquei-lhe. – Agora preciso ir, até mais. – e segui decidida para a porta.

Naquela noite eu consegui chegar em casa inteira, tomei um banho quente e me deitei relaxada em minha cama quentinha. No dia seguinte, quando cheguei na editora e liguei meu computador, lá estava o primeiro email do meu sangue frio.

Conversamos um bom tempo por email, até que resolvemos nos encontrar. Nosso primeiro encontro foi no café, logo que vi o moço de cabelos compridos e marrons, já me liguei que era ele o tal Hyuuga Neji. Naquele dia eu não estava muito extrovertida, estava até tímida pelo fato de não estar acostumada a sair com rapazes, muito menos me encontrar com eles. TenTen, a garçonete de coques, me tratou super bem, trouxe as mesmas coisas que eu havia pedido da última vez, ela sorria super feliz pelo amigo estar se dando bem com alguém. E lá, naquele mesmo café, começou nosso relacionamento conturbado.

Às vezes eu me sentia pouco amada e evitava procura-lo, então ele vinha inquisidor, me esperava na saída da editora e me levava pra casa, todo emburrado porque eu não o tinha procurado. Nesses momentos que ele me demonstrava algum afeto, apenas quando queria ou quando sentia que precisava fazê-lo. Ele era um sangue frio dos piores. Mas mesmo assim eu gostava dele como nunca gostei de ninguém, talvez fossem os momentos raros de romance que tínhamos, quando ele me demonstrava algum sentimento ou talvez fosse o sexo, intenso, fogoso, abrasador.

Chegamos ao ponto de quase sermos pegos num momento extremamente intimo, ele agiu como se não fosse nada demais, mas eu me apavorei. Depois daquele incidente, foi a primeira vez que o vi gargalhar, ele era lindo e me deixou surpreendida com aquilo, percebi que já o amava.

No final, quando eu estava com ele, me sentia viva como jamais tinha me sentido antes, tudo era intenso e bom. Mesmo com o jeito dele, eu conseguia ver que eu era um pouquinho importante na vida dele. Mas me descobri ser importante mesmo quando ele me levou para a sua casa, onde seu rígido tio e suas primas moravam.

Hyuuga Hanabi foi quem nos viu primeiro, ela se mostrou surpresa ao ver o primo trazendo alguém para casa, me olhou de cima a baixo e depois sorriu. Neji pediu que ela ficasse comigo enquanto ia chamar o tio, ficamos juntas na sala de estar enquanto ela me fazia várias perguntas.

– Há quanto tempo está com Neji onii-san? – ela quis saber se mostrando curiosa com a relação que tínhamos.

– Quase um ano. – respondi-a surpresa com a minha própria resposta, já tinha passado tanto tempo assim? Uau!

– Por isso que ele vivia sumindo sempre de casa. – ela constatou rindo. – Você é mais bonita que as outras. – a garotinha afirmou sorrindo para mim.

– Sou? – questionei-a no que ela confirmou com a cabeça. – Neji já teve outras namoradas? – perguntei me sentindo extremamente curiosa com o fato.

– Sim, teve duas. – ela me respondeu. – Uma era tão mal-encarada como ele e a outra só vivia a base dele... As duas eram chatas e estavam nem aí pra outra coisa além dele.

– Hum, entendo. – falei dando de ombros.

– Você é a única que parece ter um mundo além do que vive com ele. – ela fez essa observação sorrindo para mim. – Acho que é por isso que vão dar certo. – riu da própria conclusão que chegou.

– Eu trabalho, sou escritora. – comentei fazendo com que ela arregalasse os olhos surpresa com o meu emprego.

– Jura? Isso parece ser tão legal! – ela exclamou se levantando, pulando do sofá. – Por isso que você tem seu mundo próprio. – riu.

Depois da nossa curta conversa, conheci Hiashi-sama, tio de Neji, o qual tinha um luxo extremo com o sobrinho. Ele me fez várias perguntas também e pareceu se dar por satisfeito quando nos deixou sozinhos na sala de estar.

– Ele gostou de mim? – perguntei quando Neji se sentou ao meu lado.

– Quem não gosta de você, Mika? – Neji revidou me fazendo rir.

E me beijou, aquele beijo era como todos os beijos e toques que eu recebia dele, intensos e desejosos, que me faziam sentir viva.

E depois do beijo, eu sorri para ele, que sorriu de volta para mim, alisando meus cabelos vermelhos que ele sempre demonstrara gostar muito.

Você não pode confiar em um amante de sangue frio

Apesar de tudo eu não conseguia confiar nele ainda.

Não pode confiar em um homem de sangue frio
Ele vai te amar e deixá-la viva

Porem, apesar de todos os recados, sumiços dele e a minha falta de confiança que eu nunca demonstrava, eu o amava e sentia que ele me amava, mas principalmente, me sentia viva ao seu lado.

E isso, para mim, por enquanto bastava.



Notas finais do capítulo

A música da fic é Cold Blooded, do The Pretty Reckless, banda que curto muito.
Mika não existe, é um personagem meuzinho. Escolhi colocar um personagem original porque não achei ninguém do mundo de Naruto que se encaixasse nisso. :3

Espero que tenham gostado da fic e até breve!
Besos e quesos



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