Jily - How I met you escrita por ChrisGranger


Capítulo 31
Cordas de Marionete


Notas iniciais do capítulo

Olá meus maravilhosos leitores!! Bom, mais uma vez: escola! Eu sei que vocês já devem estar cansados de ouvir isso de mim, então vamos ao ponto: espero que gostem :) :)



– Ela não sai do dormitório há dias… - sussurrou Abbey, parecendo preocupada.

– Temos que dar um tempo para ela - disse Lílian, mesmo não gostando da situação em que sua amiga se encontrava.

Abbey deu de ombros tristemente e adentrou o dormitório, encontrando uma Belle completamente arrasada sentada em sua cama lendo um livro.

– Hum… olá Belle! Acordou agora? - indagou Lílian, com um sorriso estampado no rosto.

Belle afirmou com a cabeça, sem desgrudar os olhos do livro.

– Esse já não é o sexto livro da semana? - sussurrou Abbey.

– Sobre o que é este livro, Belle? - questionou Lílian, sentando-se ao lado da amiga e ignorando o comentário de Abbey.

– É sobre a amizade de dois jovens… a garota gostou demais de um garoto e para protegê-lo, ela escondeu um segredo que ela acreditava ser melhor não revelar. O garoto descobriu por meio de uma outra garota esse segredo, e ele brigou com a melhor amiga. Mesmo a melhor amiga não tendo culpa. - explicou Belle, ainda sem desviar seus olhos das páginas do livro.

– Onde foi que eu ouvi essa história antes? - disse Abbey, rindo solidariamente para a amiga.

– Belle… você tem que sair desse dormitório. Você não pode continuar fugindo da realidade, mesmo que ela seja ruim. - aconselhou Lílian, abraçando a amiga.

– Mas eu não quero, Líly. Mesmo, eu prefiro ficar aqui até Thomas enxergar o quão venenosa a Andressa é!

– Ele sabe, Belle! Thomas não está com ela, afinal ela também não o contou sobre o que aconteceu no último jogo quando ela descobriu. Na verdade, ela já sabia, não é, considerando que ela participou de tudo...

– O Thomas não sabe que ela participou de tudo, sabe? - perguntou Belle, tristemente.

As amigas balançaram a cabeça, sem saber o que dizer para reconfortar Belle. Porém, todos sabiam que Lílian era a melhor nisso.

– Escuta, Belle. Nós somos suas melhores amigas! E nós te conhecemos desde o primeiro dia de aula de Hogwarts. Olha só onde já estamos… falta muito pouco tempo para as aulas terminarem, e veja o quanto você mudou. Se tornou alguém forte, que encara os problemas e luta contra eles em todos os momentos. Alguém que nos ajudou em todos os nossos desafios. E alguém que sei, que tem forças para se levantar dessa cama e encarar o Thomas. Além de mostrá-lo o quanto você se importa. - disse Lílian, com um sorrisinho brincalhão nos lábios.

Belle parecera meio insegura e hesitara um pouco antes de se convencer completamente por meio das insistentes amigas. Ela se levantou de um salto, tentando ignorar o fato de que ela poderia começar chorar a qualquer momento. E isso era o que mais a machucava. Belle nunca se sentira tão indefesa, tão fraca. Ela sentia como se todos pudessem atacá-la ou ofendê-la de alguma maneira, e essa era a pior sensação que a garota já sentira.

– Tudo bem… mas só porque vocês pediram - disse Belle, dirigindo-se à porta do dormitório. - à propósito, como está indo o caso “Professor Augustus”?

– Bem, o Potter começou a ficar sem paciência e está entrando o tempo todo na sala do professor, tentando descobrir alguma coisa - contou Lílian.

– Mas isso é bastante arriscado, não é? - comentou Belle, já descendo as escadas do dormitório feminino.

– É sim, mas é o único jeito de arrancar algo do professor que pensamos até agora… - disse Abbey.

Belle deu de ombros e suspirou.

– Tudo bem, gente, acho que eu preciso encarar isso tudo sozinha. Eu vou dar uma volta, depois eu volto para a sala comunal.

– Tem certeza de que você está bem? - perguntou Lílian.

Belle abaixou os olhos e balançou a cabeça de um lado para o outro.

– Não… mas eu vou ficar - disse Belle, com um mísero sorriso. - eu consigo fazer isso.

– Nós sabemos que sim - falou Abbey, apoiando uma de suas mãos no ombro de Belle.

– Obrigada - agradeceu Belle, um pouco mais animada agora. - vocês são incríveis, sério.

– Nós sabemos… - replicou Abbey, rindo.

As três se abraçaram e Belle abrira a porta da sala comunal, depois de cinco dias sem tê-lo feito.

***

– O que diabos isso quer dizer? - murmurou Abbey, tacando a varinha na mesa de um modo indelicado.

Ela passara os últimos vinte minutos tentando avançar pelo menos uma página naquele livro de Transfiguração e não conseguira entender absolutamente nada.

– Quer dizer que você realmente é horrível em Transfiguração - disse Sirius, surgindo de repente e assustando-a. O garoto se sentou ao lado dela e a fitou com um sorrisinho maroto.

– Amm… isso não é transfiguração - respondeu Abbey, tentando esconder o título do livro.

– É… claro que não - replicou Sirius, arrancando sem nenhum esforço o livro das mãos da garota.

– Tá, tudo bem. E daí que é o livro de transfiguração? Eu estou tentando estudar, ora! - retrucou Abbey.

Sirius ergueu levemente as sobrancelhas e devolveu-a o livro lentamente.

– Você… já falou com a Miadra? - perguntou Sirius, fechando a cara.

Abbey balançou a cabeça, meio nervosa.

– Eu a estou evitando - contou Abbey, relutante. - e ela só não notou porque estava muito ocupada tentando convencer o Zac a voltar com ela. Por isso a Líly mal tem o visto ultimamente.

– E o que você vai fazer quando ela realmente notar? - indagou Sirius, estreitando os olhos.

– Eu não sei… - murmurou ela.

– Você está com medo? - questionou ele, incrédulo.

Abbey balançou a cabeça, soltando um leve riso.

– Não, claro que não. Eu só… fico imaginando se ela tentará nos atingir novamente de alguma outra forma.

– Ela vai - interrompeu Sirius, fazendo uma careta.

– E quando isso ocorrer - continuou Abbey. - eu sei que me sentirei culpada por quem quer que sofra.

– Você se sente culpada pelo que aconteceu entre a Belle e o Allen? - disse Sirius.

– Não, eu não disse isso…

– Mas você se sente. Eu sei que sim - cortou-a Sirius.

Abbey se encolhera um pouco, sentindo-se completamente indefesa.

– Como você sabe? - perguntou ela.

Sirius deu de ombros, como se não fosse um fato importante.

– Você não precisa se sentir culpada. Quem é culpado é aquele bando de alunos com uma aparente falta de autoestima e uma grande dose de covardia que fez com que Thomas perdesse aquele último jogo. Você não teve culpa de nada - disse Sirius.

– Mas… se a Miandra não tivesse me chantageado e apresentado esse plano para a Andressa, a Belle nunca acabaria completamente destroçada, como ela está agora.

– Nós podemos ajudá-la. De alguma forma. Bom, vocês meninas vão pensar em algo. - replicou Sirius, rindo. - Tudo bem, pode contar com a minha ajuda.

Abbey riu e o empurrou levemente.

– Agora, vai me ajudar em transfiguração ou eu vou ter que continuar te mandando indiretas? - indagou Abbey.

– Eu achava que você queria “acabar com a amizade que nós tínhamos”, de acordo com as suas palavras - retrucou Sirius, com um sorrisinho de lado.

– As regras mudaram - replicou Abbey, abrindo seu livro de transfiguração, tentando segurar-se de gargalhar ali mesmo.

– Mesmo? Quais são as novas? - perguntou Sirius.

– Só existe uma regra agora. Me ajude a passar em transfiguração.

– E o que eu ganho com isso? - disse ele, rindo.

Abbey pensou por uns instantes, sem fazer ideia do que dizer.

– Você ganha… o prazer e a alegria de me ajudar a estudar - respondeu ela, convencida.

– Não tenho certeza quanto a isso… - replicou ele.

– Então o que você quer? - indagou Abbey, com as sobrancelhas erguidas.

Sirius se aproximara um pouco mais, com um sorriso maroto estampado no rosto.

– Eu saberei. Algum dia, Hastins. Algum dia - respondeu ele. -, mas por enquanto você pode começar me apresentando algumas de suas amigas…

– Nem pensar - cortou ela, tentando segurar o riso.

– Ah… que pena - disse Sirius, parecendo bastante desapontado - parece que alguém vai repetir o primeiro ano.

Abbey suspirou pesadamente e abriu o livro de transfiguração irritada.

– Tudo bem - cedeu ela, balançando a cabeça. - negócio fechado.

– Hum… isso está parecendo aqueles filmes trouxas, não é? Negócio fechado…

– Pare de reclamar e me ajuda nessa coisa! - exclamou Abbey.

– Certo, daqui há uns anos você irá me agradecer por ter feito esse “negócio” comigo - murmurou Sirius, concentrando-se no livro da garota.

– Mesmo? E por que? - perguntou Abbey, curiosa.

– Ora, eu não sei - disse Sirius, dando de ombros. - é só uma intuição.

***

Tiago empurrou a porta da sala de DCAT silenciosamente e se infiltrou na sala do professor Augustus. A aparência daquela sala, Tiago percebia, piorava a cada dia. Folhas de pergaminhos e de livros espalhados em todos os cantos, criaturas mágicas empilhadas desordenadamente numa das estantes e trabalhos e mais trabalhos sem demonstrar nenhuma aparência de que algum dia seriam corrigidos ou verificados.

Tiago observava em volta sem fazer a mínima ideia de por onde começar. Decidiu-se por uma pilha de cartas na mesa do professor, que estava quase que desaparecida.

“Emily Richens”. “Finn Hughes”. “Amelia Oswell”.

Tiago fitou uma das cartas com um nome apertado e meio borrado escrito. Amelia Oswell. Ele a abriu rapidamente, e correu os olhos por toda a carta, porém percebeu que ela fora radicalmente cortada ao meio.

Amelia,

já foi-se o tempo em que eu podia conversar com você ou te mandar cartas. Foi-se e temo que nunca voltará. Mas acho que não conseguirei me desprender enquanto não puder tê-la em meus braços novamente. O que sei que é bastante difícil. Estou lutando Amelia. Muito. Aquele que te tirou de mim para sempre também tenta tirar o meu bem mais precioso novamente. E você bem sabe, que nunca deixarei que ele tire o que sempre foi nosso. E ele está com ele nas mãos, o nosso bem…

A carta terminava nesse ponto. O final dela parecia tão incerto que Tiago teve que relê-la várias vezes para entender o que este pequeno fragmento significava.

– Onde está a última parte? - murmurou Tiago, irritado por afinal ter encontrado algo mas algo que não o contava nem metade do que ele queria saber.

Ele rodou a sala por mais uma hora, remexendo cada entulho, cada estante e cada gaveta. Porém levantou-se arfante após ter permanecido os últimos minutos revirando os papéis debaixo da mesa. Nada encontrara. Ele suspirou profundamente, agarrou o fragmento da carta que encontrara e saira da sala, procurando pelos outros.

– Tiago! - gritou Sirius, correndo em direção ao amigo. - Cara… você tem que ver as garotas que a Abbey me apresentou!

– Mesmo? São de que ano? - Tiago balançou a cabeça, forçando-se a retornar seus pensamentos para a carta que Augustus escreveu. - Sirius, eu estava mesmo procurando por você. Achei uma coisa...

Sirius ergueu as sobrancelhas curioso e fitou a carta presa nas mãos de Tiago.

– Os papais mandaram? - provocou Sirius, fingindo um sorrisinho afetado.

– Não, idiota, é do Oswell! - retrucou Tiago, enfiando o fragmento da carta nas mãos do amigo.

Sirius passara os olhos rapidamente por toda a carta sem pronunciar uma única palavra ou mudar sua expressão. Diferentemente de Tiago, Sirius somente lera uma vez.

– O cara sofre sérios problemas… - disse ele, depois de ler o pequeno fragmento.

Tiago revirou os olhos.

– Por que? Ele perdeu a mulher, e parece que agora está perdendo mais alguma coisa.

– Claro, escrever poeminhas e cartas que nunca serão mandadas para aqueles que já se foram é uma ótima maneira de lidar com isso.

– De qualquer jeito… isso explica muita coisa! - replicou Tiago, ignorando Sirius. - Tom Riddle a matou. E agora ele está com mais alguma coisa de Oswell…

– O que quer que seja, essa deve ser a única coisa que ainda o mantém vivo - murmurou Sirius.

– Será que dá para levar as coisas a sério uma vez, Sirius? - disse Tiago, impaciente. - Eu preciso de ajuda, temos que encontrar o resto da carta, e rápido! Um mês já se passou a poção já deve estar pronta. Temos que descobrir o que Tom pegou do Oswell.

– Deixe-me adivinhar. Você vai bolar um daqueles planos loucos só para gente conseguir ir para a sala do Oswell no meio da noite e pegar o resto da carta?

Tiago permanecera uns segundos calado, avaliando as palavras do amigo.

– Você resumiu bem - respondeu ele, após um tempo.

Sirius esboçou um sorriso maroto.

– Estou dentro.

***

Belle sentia um cheiro extremamente podre e seu cabelo começava a dar sinais de ensopamento devido a umidade daquele lugar. Ela estava no estádio de quadribol, assistindo ao treino do time da Corvinal. Porém ela se escondera embaixo dos bancos da arquibancada, onde sua vista era perfeita e ninguém podia vê-la. Porém ela tinha certeza de que mais tarde teria que tomar banho algumas vezes para pelo menos conseguir livrar-se do mal cheiro.

Ela se perguntava o porquê de estar ali. Qual era a razão? Thomas a odiava e ela o havia perdido. Não havia mais nada que ela pudesse fazer. Mas parte dela ainda acreditava que no fundo, Thomas a perdoaria.

– Por que? - sussurrou ela, para si mesma, perdida nos próprios pensamentos. - Por que ele me perdoaria depois de tudo? Eu menti.

Depois de dias sem sair do quarto, Belle entendera que a única maneira de vencer aquilo tudo era enfrentando aquilo tudo. Os meses de amizade perdidos por uma informação. E ela precisava vê-lo. Pelo menos mais uma vez, admitindo que ela o queria ao seu lado, assim como ela ficou ao lado dele quando ele enfrentou seu medo.

– Não o suficiente - disse ela para si mesma, mais uma vez.

– O que não é o suficiente? - questionou uma voz, vindo de cima. Belle pulou assustada.

– Quem é você? - balbuciou ela, encabulada.

A voz tranquila riu e Belle sentiu a cadeira de um dos lados onde estava, afundar.

– Frank Longbottom - disse ele, e Belle pôde finalmente perceber seus traços rebeldes e seus arranhões de uma adolescência extremamente agitada.

– Hum… oi? - murmurou ela, meio confusa.

– Então… por que a tristeza? Ela faz mal, sabia? - disse ele, olhando para o campo, onde os jogadores discutiam diversas táticas de jogo. Thomas passara os olhos de relance pelos dois e Belle se arrepiou, apesar de saber que ele só podia enxergar Frank.

– Algo aconteceu. - resumiu ela simplesmente.

– Não pude deixar de notar… você e o Allen têm passado por uns bocados, não é?

– Não mais. Não existe mais eu e ele. Só existe eu passando por uns bocados igual uma idiota - contou ela.

Frank ficara um tempo em silêncio, ainda observando o amplo campo de quadribol. Seus olhos indicavam uma tranquilidade invejável. A maneira como encarava a vida e sentia-se feliz a cada segundo eram simplesmente emocionantes.

– Alice diz que nós somos como marionetes. Puxados de um lado para o outro, sem saber onde vai parar. Você só espera que seja um lugar melhor de onde você já foi. E que você encontre alguém que te segure em um lugar para você nunca mais ser puxado.

– Teoria interessante… - murmurou Belle, avaliando aquelas palavras.

Frank suspirou pesadamente e pareceu pela primeira vez, e pela surpresa de Belle, triste.

– Eu acreditava que a Alice seria a minha marionete. Que nós iríamos nos segurar em algum momento e não deixar mais nada, nem ninguém, nos puxar. - disse ele, parecendo distante.

Belle estava se segurando para não cair no choro ali mesmo. Havia se lamentado tanto pela sua briga com Thomas, que às vezes nem percebia que existia muitas outras pessoas em volta, talvez até em estados piores do que ela.

– Ela é - disse ela, olhando para Frank - sua marionete, quero dizer. Vocês só não querem se deixar serem puxados uma última vez. Por vocês mesmos.

Frank a fitou, avaliando mentalmente o que a garota acabara de dizer. Seus olhos escuros e profundos pareciam estar vivendo num outro momento, num momento em que só existiam ele e Alice.

– Levante-se, Belle - pediu ele, calmamente.

– Hã?

– Levante-se. Deixe Thomas saber que você está aqui. Deixe ele ver que você se importa.

Belle observou Frank e depois virou-se para Thomas, sem saber o que fazer. Todo o seu corpo a dizia para não se levantar, mas seu coração nunca estivera mais certo do que ela precisava fazer.

Lentamente, ela dobrou seus joelhos e se apoiou nas duas cadeiras entre ela. Com um grande esforço, conseguira sair daquele lugar apertado e ficar de pé, de um modo que todo o campo poderia vê-la. O mais surpreendente era que ela se sentiu sorrir.

Imaginou como sua aparência devia estar. Olhos cansados, acarretados por noites não dormidas, cabelos emaranhados e meio oleosos e a roupa amarrotada. Mas ela não conseguia deixar de esconder um sorriso.

Finalmente podia vê-lo. Ver os cabelos loiros e seus penetrantes olhos azuis meio estreitos graças à luz do Sol. Vê-lo concentrado no jogo, parecendo não se importar com nada naquele momento. Parecendo livre.

– Ele conseguiu sabe… ser feliz, vencer - disse ela, mais para si mesma do que para Frank.

– Não - replicou Frank, com um sorrisinho estampado no rosto. - Ele não está feliz. Não sem você.

Belle o fitou por alguns segundos.

– Sabe, eu achava que você era um arrogante metido. - disse ela, meio risonha. - Obrigada por me mostrar que eu estava errada.

– Sempre que precisar - respondeu ele, acenando prontamente com dois dedos.

– Agora, você também tem que lutar. Atrás da sua marionete.

– Acho que… eu já a perdi - replicou ele, com uma depressão no olhar.

Belle balançou a cabeça.

– Duvido disso - disse ela, dando de ombros. - e afinal, nós temos que nos arriscar, não é? Ser felizes. Você pode tentar e levar um fora que o fará sentir vontade de cortar as cordas da marionete ou… você pode vencer e ser feliz.

Frank fitou o chão por alguns segundos, mexendo em seus cabelos nervoso. Belle percebera que tanto ele, quanto Alice, sempre mexiam nos cabelos quando estavam indecisos.

– Eu e Alice… somos muito complicados - contou ele, rindo. -, mas você e Thomas… têm uma grande chance de serem felizes. Mesmo que como amigos. Vocês precisam um do outro.

Belle sorriu. Ela se aproximou e apoiou uma de suas mãos em seu ombro, apesar de ser pelo menos uma cabeça mais baixa do que ele.

– Obrigada - disse ela. - nós iremos conseguir Frank. Sei que sim.

Frank sorriu e acenou para ela, voltando pelo caminho de onde veio.

– Mesmo que eu queira cortar a corda? - gritou ele, já há metros de distância dela.

– Mesmo assim - respondeu Belle. E naquele exato momento, ela vira Thomas a observando.

Não havia raiva em sua expressão. Nem aborrecimento e nem tristeza. Eles se encararam por alguns segundos e Belle sentira seu coração disparar. Thomas, depois de algum tempo, desviou o olhar e voltou-se a se concentrar no treino. Mas parecia estranhamente feliz.

– É um começo - sussurrou Belle, sentindo todo o peso de seus ombros irem embora.

***

– Ninguém se interessou em pegar a capa de invisibilidade? - sibilou Lílian.

– Assim fica mais legal - respondeu Tiago, com os olhos brilhando de desafio. -, passear pelos corredores no meio da noite sem a capa.

– Mas não é arriscado? - sussurrou Abbey, encolhendo-se contra a parede.

– O que é arriscado é perigoso. O que é perigoso é demais. - concluiu Sirius, iluminando o caminho dos amigos em direção à sala do professor. - Chegamos.

Todavia, nenhum deles percebeu a baixa iluminação da sala antes de abrirem a porta. E quando a abriram, arrependeram-se. O professor Augustus levantou a cabeça com um pequeno frasco apertado na mão. Seus olhos estavam frios e ao mesmo tempo, temerosos. Ele pegou a varinha largada em sua mesa num tempo considerado incrivelmente rápido e apontou para os garotos.

– Sinto muito que tenham vindo aqui essa noite, crianças - disse ele, num tom levemente triste e desgostoso.

Da ponta de sua varinha um feitiço já estava sendo formado, porém naquele instante, um estampido forte veio do corredor. Um estampido que fez todos os quatro se entreolharem assustados e caírem diante do efeito do feitiço. Eles ouviram mais um forte estalo e tudo ficou negro, e o ar, repleto de fumaça.

E os quatro fecharam os olhos, tentando proteger-se ao máximo, da escuridão que os envolvia por todos os lados.



Notas finais do capítulo

E aí gostaram? :) :)