Jily - How I met you escrita por ChrisGranger


Capítulo 30
Após muito tempo corrompida


Notas iniciais do capítulo

Olá pessoal! Desculpem a demora!! Agora, como vocês preferem, vou fazer capítulos menores para demorar menos :)) !!!!! Boa leitura!!



– Poção polissuco… poção polissuco… por que o professor iria querer uma poção polissuco? - indagava Sirius, já exausto de pensar.

– Não faço ideia… - disse Pedro, deixando seu livro de poções cair tediosamente. O garoto estava tentando estudar fazia mais de duas horas, porém ele não conseguira sair nem mesmo da primeira página.

– Eu quero jogar quadribol - murmurou Tiago, esfregando os olhos depois de procurar qualquer informação que poderia ajudá-los, num grosso livro sobre poções.

– Vocês realmente odeiam a biblioteca - disse Remus, chocado.

– Remus, olhe pela a janela. Quem precisa de livros quando há um enorme campo de quadribol esperando para ser utilizado? - indagou Sirius, apontando para uma das janelas da biblioteca que tinha uma perfeita vista do campo de quadribol.

– Além disso, nós já vemos muitos livros todos os dias em todas as aulas… aumentar esse número de vezes vindo para uma biblioteca? Nada legal… - disse Tiago, dando de ombros.

– Mas é importante! Nós podemos achar algo aqui sobre a Poção Polis…

– Ah… olá pessoal - saudou-os Mia, interrompendo Remus.

– Oi… - respondeu Sirius, esboçando um sorrisinho malicioso para Mia. Porém, quando o garoto percebera que quem a acompanhava era Abbey, sua boca se entreabriu e ele a encarou sem expressão.

Os olhos de Abbey demonstravam o mais puro vazio e ela evitava olhá-los diretamente o máximo possível.

– O que você quer? - perguntou Remus, erguendo as sobrancelhas.

– Ora, ora, ora… Lupin você está começando a se tornar cada vez mais interessante… - disse Mia, sentando-se ao lado deles, sem ao menos pedir permissão.

Abbey permanceu parada, olhando para todos os lugares possíveis, exceto para os quatro garotos.

– Abbey! Sente-se aqui comigo - chamou Mia, indicando um lugar ao lado dela. Abbey se direcionou relutante para a mesa e sentou-se completamente sem graça. - Agora… o que estamos procurando?

– O que você quer dizer? - retrucou Tiago.

– Ora, vocês estão na biblioteca, não é mesmo? Isso é algo que deveria ir para um livro! - disse Mia, sorrindo de desdém.

– Os exames estão chegando… temos que nos preparar. - respondeu Sirius, secamente.

– Oh… claro. Eu esperava que vocês estivessem atrás de informações. Vocês sabem, o professor Augustus anda guardando muitos segredos atualmente, não é?

Os garotos ficaram pálidos, assombrados com o que a garota havia acabado de dizer.

– Eu não acredito nisso… - murmurou Sirius, levantando-se e se dirigindo à Abbey, que estava da mesma cor dos garotos. - Como você pôde?

– Eu não fiz nada, Sirius, eu juro… - disse Abbey baixinho.

– Nós confiamos em você! Então, de repente você enlouquece? Simplesmente nos dá as costas e ainda por cima fica do lado da Miandra? Foi você quem a contou sobre o Oswell, não foi? - Sirius praticamente gritava de frustração.

Abbey encarava-o tristemente e balançava a cabeça de um lado para o outro.

– Fique longe de nós… - disse ele, friamente.

Sirius se afastou fervorosamente e se dirigiu para fora da biblioteca.

– Uau… isso foi… dramático - falou Mia, parecendo não dar nenhuma importância para os olhos marejados de Abbey.

– Escuta, não tem nada acontecendo com o professor Ausgustus, ok? Nada - disse Tiago, impaciente.

– Você acha que eu não sei a história toda? Do que ele anda fazendo? - questionou Mia, aproximando-se mais de Tiago.

– Para ser sincero, Miandra, acho. Eu acho que você não sabe de absolutamente nada - respondeu Tiago, erguendo as sobrancelhas levemente.

Miandra deu uma leve risada de desdém.

– Então você está enganado, Potter… - replicou ela, afastando as mechas loiras de seu rosto.

– É mesmo? - perguntou ele, cruzando os braços. - Então me diz tudo o que você sabe.

– Eu… eu sei que o professor quer… am… - Mia parecia encabulada, e não era capaz nem mesmo de formular uma frase completa. - Argh! Potter, acredite, eu posso não saber a história nem saber o que ele quer, mas eu vou descobrir!

A garota se levantou, puxando Abbey logo atrás dela.

– Ah… Potter - chamou Mia, antes de sair da biblioteca. -, espero que esteja feliz pelo Zac e pela sua queridinha sangue-ruim!

Tiago a encarou fervorosamente e estreitou os olhos, fazendo com que Mia esboçasse um sorrisinho malicioso e saísse da biblioteca, como Sirius havia acabado de fazer alguns segundos atrás.

***

Um riso ecoou pelo vestiário e Frank levantou os olhos aborrecido. Toda a esquipe de quadribol estava reunida, exceto por dois artilheiros que pareciam ter chegado, afinal.

– Onde vocês estavam? - perguntou Frank, secamente.

– Nós… estávamos nos jardins - explicou Caius, segurando a mão de Alice.

– Desculpe a demora, Frank. Não acontecerá novamente - disse Alice, com um sorrisinho sem graça.

– Espero que não, Alice. Falta somente um mês para o último jogo. Somente um mês para ganharmos a taça. Mas, como podemos perceber o nosso time esse ano não está dos melhores. A Corvinal está na liderança. - contou Frank, meio desgostoso.

– É… eles tem o Zac. Ele é o melhor apanhador de todos! - exclamou uma menina animada.

– Claro… - murmurou Frank, meio incrédulo. - mas nós temos um time! Um time que unidos são capazes de vencer.

– Nós precisamos de estratégias, cara… algo que possa surpreender o time adversário - interrompeu Caius, apoiado em sua própria vassoura.

– É, isso também… eu tenho umas ideias. - disse Frank, meio irritado com a sugestão do garoto. - Agora vamos treinar.

Enquanto os alunos se aqueciam antes de subir em suas vassouras e inciarem o treino, Frank fitava Alice e Caius, lembrando-se do momento em que os dois chegaram à sala comunal com um sorriso no rosto e de mãos dadas.

O garoto nunca sentira uma sensação tão ruim em toda a sua vida e ele tinha certeza que aquilo contava com a vez em que sua mãe dera-lhe uma paulada na cabeça após chegar em casa coberto de lama.

– Certo pessoal! Vamos começar! - gritou ele, aproximando-se com a sua própria vassoura e irrompendo o céu numa velocidade que teria sido considerada absurda se eles estivessem no mundo dos trouxas.

Logo no começo, Alice conseguira arrancar a goles de David Wood e avançou rapidamente por entre os jogadores, desviando-se de cada um deles. Frank guardava os três aros gigantescos e a encarou desafiadoramente assim que a garota se aproximou.

– Isso vai ser moleza! - gritou ela.

– Eu não teria tanta certeza! - respondeu ele, rindo.

Alice atirou a bola com o máximo de força que conseguiu e acertou no aro da esquerda fazendo com que todos da equipe a aplaudissem.

– Mesmo, Frank? Porque eu acabei de detonar você! - gritou Alice, rindo.

Frank pareceu meio envergonhado, mas estava rindo como não ria há dias. Após o treino longo e cansativo, os garotos retornaram para o castelo, e Frank, Caius e Alice caminharam lado a lado, como eles não faziam há muito tempo.

***

– Isso não faz nenhum sentido! Nós não chegamos a contar nada para a Abbey! - exclamou Lílian, chocada.

– Mas parece que ela contou para a Mia que sabia que estávamos sabendo de algo relacionado ao Oswell - murmurou Remus.

Lílian deu um muxoxo e fechou seu livro de feitiços abalada.

– Eu não consigo estudar mais nada! Com tudo o que está acontecendo, é impossível se concentrar em algo. E a Abbey de repente passa a agir de uma maneira totalmente diferente e começa a andar com a... - Lílian parou repentinamente no meio de sua frase. Uma ideia acabara de lhe surgir. Ela fitou Remus como se tivesse acabado de descobrir que os pais do garoto eram duas aranhas gigantes.

– Lílian? - chamou Remus, confuso.

– Remus... é isso. A Abbey está andando com a Mia! - disse Lílian, transtornada.

– Sim... eu percebi isso - murmurou Remus, com as sobrancelhas erguidas.

Lílian batera com algumas folhas de seus pergaminhos na cabeça de Remus.

– Remus! Acorda! A Mia está obrigando a Abbey a fazer isso! - exclamou Lílian, levantando-se de um salto da mesa da sala comunal. - Nós temos que encontrá-la!

– Líly, isso não faz nenhum sentido! Como a Mia poderia obrigar a Abbey a fazer qualquer coisa? - indagou Remus, balançando a cabeça.

– A Miandra está tentando me atingir desde sempre. Ela já tinha me avisado que algo aconteceria com os meus amigos se eu não me afastasse do Zac.

– E como a Mia poderia te ameaçar através da Abbey? - questionou Remus, cruzando os braços.

Lílian pensara por um tempo, vasculhando em sua mente o que Miandra poderia ter dito ou feito à Abbey para que esta fosse obrigada a fazer o que vinha fazendo.

– Ela pode ter algo contra mim... ou contra outra pessoa - murmurou Lílian.

– O que você quer dizer? - disse Remus, esboçando uma careta e a encarando atrás de respostas.

Mas a garota não o olhava. Ela fitava um outro garoto, rindo ao lado de duas alunas terceiranistas. Lílian fizera um aceno para Remus, indicando o que ela queria dizer. E os dois passaram a encarar Sirius Black.

***

– O Zac decidiu adiantar alguns testes… se ele continuar sendo o capitão do time da Corvinal ano que vem, ele disse que já irá querer ter alguma ideia de seus melhores jogadores. - contou Thomas, animado.

– Isso é ótimo! Tenho certeza de que você vai se sair bem! - apoiou Belle, tentando ao máximo disfarçar sua expressão nervosa.

Thomas sorriu e pegou sua vassoura de um dos armários do vestiário do time de quadribol da Corvinal.

– Foi tudo graças a você, Belle - disse ele, com o rosto escarlate. - se você não tivesse me dado essa força… eu não sei se conseguiria.

Belle olhou para o chão, tentando encontrar forças dentro de si que diziam que ela deveria conta-lo tudo sobre como ele fora expulso do time de quadribol ano passado.

– Não, não foi graças a mim. Você tem um talento natural, Thomas. Você só conseguiu percebê-lo. E eu estou feliz por tê-lo feito - disse Belle, tentando soar o mais normal possível.

Thomas riu e sentou-se num dos banquinhos do vestiário. Ele parecia mais nervoso do que nunca.

– Eu não acredito que eu vou mesmo fazer o teste agora… falta quase um mês para o terceiro ano acabar e mesmo assim, parece que eu sou o mesmo garoto do segundo ano que foi expulso do time por não conseguir agarrar nenhuma goles no último jogo. - desabafou Thomas.

Belle entendia exatamente como o garoto se sentia. O que esperar do futuro? Como saber o que estava previsto para eles? Seria uma derrota do passado que os assombraria por anos a fio até os garotos compreenderem que o tempo da vitória já havia sido perdido?

– Thomas, eu quero que você me prometa que, não importa o que vir a acontecer, você saberá sempre que é um vencedor - disse Belle, sentando-se ao lado do garoto. - dentro e fora do campo de quadribol.

Thomas a fitou por uns instantes e a segurou pela mão.

– Belle, você me ensinou a fazer isso desde o dia em que te conheci - replicou Thomas. - e eu já me considero um vencedor por ter me tornado alguém que merecia ser amigo de Belle Farah.

Belle acenou com a cabeça, sem graça.

– E… como você sempre foi honesta comigo eu tenho que te contar uma coisa - acrescentou Thomas, relutantemente. - Eu e Andressa… bem, nós estamos nos dando uma chance.

– O quê? - balbuciou Belle, sua cor mudando de vermelho para branco num tempo que teria sido considerado um recorde.

– Bem, ela melhorou bastante desde ano passado. Se tornou uma pessoa melhor - continuou Thomas, ainda segurando a mão da amiga.

– Mas… há quanto tempo vocês… - começou Belle, baixinho.

– Bem, nós iremos conversar hoje à noite. Ela disse que tinha algo importante para me falar - contou Thomas, rindo. - parece que as coisas estão finalmente dando certo.

Belle arregalou os olhos e largou a mão de Thomas, sabendo que a qualquer momento, o garoto iria notar a sua tremedeira.

– Ela tem… algo para te contar? - esganiçou Belle, levantando-se de um salto.

– Hum… sim, pelo menos foi o que ela disse. Belle, qual é o problema? - questionou Thomas.

– Eu tenho que… ir a um lugar - murmurou ela, sem olhar nos olhos do garoto.

– Mas e quanto ao teste? Você não vai me assistir? - disse Thomas, soando meio decepcionado.

Belle congelara no lugar onde estava e fechou os olhos por um instante. Ela suspirou e acenou com a cabeça lentamente.

– Claro que vou, Thomas - começou ela, virando-se hesitante em direção a ele. - mas… por favor não vá encontrar a Andressa hoje à noite.

Thomas a encarara por alguns instantes sem nenhuma expressão. Ele simplesmente não fazia ideia do que dizer.

– O quê? - disse ele, balançando a cabeça.

– Não se encontre com ela, por favor. - pediu Belle, aproximando-se dele.

– Mas, eu preciso que você me diga o porquê…

– Porque eu não quero - respondeu Belle, rapidamente.

Thomas ergueu as sobrancelhas e cruzou os braços.

– Belle, tudo o que eu acabei de dizer… tudo o que você acabou de me dizer - replicou Thomas, incrédulo. - não serviu para nada? Você não quer que eu seja feliz?

– Claro que quero! Mas… não do lado dela – respondeu a garota.

– Aparentemente muito menos do seu lado! Belle… você não é assim. Pessoas mudam - começou Thomas, parecendo bastante desapontado.

– Eu sei… - respondeu Belle, com lágrimas preenchendo seus olhos e ameaçando a cair a qualquer segundo. - mas você não entende…

– Eu realmente não entendo - retrucou Thomas, meio seco. A garota nunca havia visto o garoto parecer tão bravo desde que o conhecera.

– Thomas, ela não quer nada com você, ela só joga joguinhos com todos que vê! - disse Belle, extremamente irritada. - Ela é igualzinha a Miandra, de todos os jeitos...

Thomas permanecera parado em frente à ela por alguns segundos, sem pronunciar mais nenhuma palavra.

– Eu quero que você saia - pediu ele, friamente.

– Thomas… não faça isso…

– Por favor, Belle. É como você disse. Hoje, eu irei jogar por mim. E eu não me perdoaria se eu saísse do campo sabendo que eu perdi as minhas chances em quadribol por sua culpa. - disse ele, caminhando em direção à porta do vestiário e a abrindo para que Belle saísse. - Eu não quero que você me veja jogando.

Belle deixara as lágrimas que segurava caírem e se arrastou até a porta do vestiário. Ela permanecera lá por alguns instantes, somente olhando nos olhos de Thomas esperando que um milagre pudesse acontecer para salvá-la daquela situação. Todavia, uns segundos mais tarde, ela saiu pela porta e quando isto acontecera, ela sentira todas as borboletas em seu estômago irem embora sem nem ao menos dar adeus.

***

Após um dia longo e cheio de surpresas, os garotos se reuniram mais uma vez na sala comunal, esperando que alguém pudesse ter descoberto algo. Diferentemente de outros dias, à medida que os exames se aproximavam para os alunos de Hogwarts, cada vez mais quantidade de alunos se amontoavam nas salas comunais, estudando o máximo que podiam enquanto os assustadores exames ainda não chegavam. Assim, os colegas tentavam conversar o mais baixo possível para que ninguém os ouvisse.

– Eu o segui o dia todo - disse Tiago, irritado. - e não consegui descobrir absolutamente nada.

– Eu nem cheguei a ver o professor Augustus hoje. - contou Lílian, pega de surpresa com aquele assunto. Ela havia quase esquecido de que eles deveriam supostamente tentar descobrir algo relacionado ao professor de DCAT. - Mas eu consegui descobrir uma outra coisa, que eu acho que é do interesse de vocês.

A garota contara tudo sobre o que ela achava ter sido a causa do repentino afastamento de Abbey. Todos ouviram com bastante atenção, exceto pelos momentos em que Tiago fazia um comentário desnecessário e esboçava um sorrisinho convencido destes ou quando Pedro fazia algum barulho com sua caixa de chocolates inseparável.

– Por isso eu acredito que a Miandra deve tê-la chantageado de algum jeito. Ela provavelmente sabe algo relacionado a mim… - nesse ponto Lílian virou-se para Sirius, como se este fosse a resposta do problema. - e algo relacionado a você, Sirius.

– Algo relacionado a mim?– indagou Sirius, incrédulo.

– Quando a Miandra me ameaçou, ela disse que não só eu iria sofrer, mas que meus amigos também. A Abbey não se afastou somente de mim. Ela fez questão de se afastar de você. - respondeu Lílian.

Sirius pareceu ainda meio desconcertado e seus olhos escuros que faziam muitas garotas babarem, pareciam estar mais inexpressivos do que nunca. Não importava o que as pessoas diziam, mas Sirius Black era alguém que sabia como esconder o que estava lhe passando.

– Certo, mas por que ela iria aceitar essa chantagem? - questionou Sirius.

– Abbey se importa mais com você do que você pensa, Sirius - disse Belle baixinho.

Sirius ergueu as sobrancelhas meio surpreso e virou sua cabeça para trás, fitando Abbey do outro lado da sala, enfurnada por trás do livro de tranfiguração. Ela parecia bastante confusa e vidrada em cada palavra.

– Eu a ajudei a estudar Transfiguração, não foi nada demais - murmurou ele.

– Ela é sua amiga, amigos protegem um ao outro - disse Lílian, com um sorrrisinho meio triste. - e acredito que seja isso que ela tem feito por nós…

– Durante esse tempo todo… - murmurou Belle, parecendo bastante abalada. - ela poderia ter nos contado.

– Às vezes manter em segredo algo para proteger vocês, foi a maneira mais fácil para fazê-lo - disse Remus, fazendo com que Belle sentisse um aperto no coração, lembrando-se de Thomas.

– Eu queria saber o que a Miandra disse para a Abbey - disse Tiago, que permanecera calado durante toda a conversa.

– O que ela teria contra nós… - continuou Lílian, curiosa.

– Vejamos… o Sirius joga quadribol e é perseguido por dezenas de alunas. É acho que não é tão difícil alguém se irritar com ele. - disse Tiago, rindo. - Apesar de que eu sou melhor nos dois requisitos e…

– Tudo bem, não precisamos de detalhes - cortou-o Lílian.

Tiago deu de ombros com um sorrisinho maroto e olhara maliciosamente um grupo de garotas que fofocavam num canto da sala.

– Hum… parece que vamos ter que perguntar para ela o que foi então - concluiu Sirius, inquieto.

Os garotos se levantaram e se encaminharam em direção à Abbey como se tivessem esperado a vida toda para fazê-lo.

– Abbey, podemos falar com você? - perguntou Lílian, com um sorriso solidário.

A garota levantou o rosto, fechando o livro de transfiguração diante de si.

– Na verdade, eu estava estudando… - resmungou ela, dando de ombros. - mas sem problemas. O que foi?

Os colegas se entreolharam sem saber por onde começar.

– Achamos que… você já passou tempo demais afastada - continuou Lílian. -, está na hora de você voltar.

Abbey erguera as sobrancelhas incrédula.

– O que você quer dizer? - perguntou ela.

– Nós sabemos, Abbey. Da razão de você ter se afastado de nós. - concluiu Belle.

– Vocês sabem?– balbuciou Abbey, sua pele tornando-se pálida como cera.

– Com o que a Miandra te chantageou? - indagou Sirius.

Abbey encarou o chão inconsolável. Parecia ser bastante difícil para a garota tocar nesse assunto.

– Quando o Sirius foi me procurar naquele dia para estudarmos, alguém foi me procurar antes. - começou Abbey, fitando cada um de seus colegas. - Mia tinha aparecido, contando uma história de que ano passado ela e alguns amigos tinham adicionado algo no copo do Thomas para que ele não conseguisse agarrar nenhuma goles no último jogo. Entre eles, estava a Andressa.

Belle parecia ter acabado de receber uma notícia de que todos os fantasmas do mundo mágico iriam atacar o castelo. Ela estava pálida e parecia mais espantada do que nunca.

“Aparentemente essa poção é uma das mais complicadas de se fazer contando que, uma pequena parte dela seria considerada magia negra. Assim, quando Miandra veio a mim, ela me mostrou que ainda tinha guardado uma pequena parcela da poção.”

Os garotos se viraram para Sirius, que continha uma expressão que ninguém saberia decifrar.

– Ela ameaçou usá-la contra o Sirius. Para que ele não entrasse no time ou pelo menos, para que nas aulas de voo as pessoas vissem que ele supostamente não tinha talento - concluiu Remus, chocado.

Abbey afirmou com a cabeça, um pouco envergonhada.

– Mas não seria suficiente… afinal você poderia muito bem contar a qualquer um de nós ou ir diretamente até o Sirius, alertando-o para que não bebesse qualquer coisa que o oferecessem. - disse Tiago, estreitando os olhos.

– Exatamente. - continuou Abbey - Acontece que, naquela época, a Belle ainda não sabia que o Thomas havia sido expulso do time por que alguém o havia feito ter sido expulso. Miandra não só ameaçou contar isso a Belle, como também ameaçou fazer com que sua prima, Andressa, que havia partido seu coração ao ter se apaixonado loucamente pelo Thomas ano passado, fizesse com que ele esquecesse Belle e ficasse com ela.

Belle congelou no lugar e deixou-se tombar na poltrona ao lado de Abbey. Ela sentia como se o chão havia caído e seu coração se partido em milhares de partículas.

– Oh meu Deus… - sussurrou ela, fechando os olhos como se estivesse tentando acordar de um terrível pesadelo.

– Parece que ela já fez isso - disse Lílian, tristemente. - Andressa não quis perder tempo.

– Sim, é verdade. Miandra e Andressa são bastante coladas e parecidas, e têm pouquíssimas diferenças. No fundo, são idênticas. Andressa ajudou no plano de derrubar Thomas no último jogo do ano passado em parte porque queria se vingar por Thomas tê-la deixado de lado. Mia e Andressa tentam atrair atenção ou pelo menos ser amadas por qualquer um que seja. Mia faria qualquer coisa para recuperar o Zac e Andressa qualquer coisa para recuperar o Thomas. Quando Mia propôs o seu plano à sua prima, ela não contou com a parte de que tudo fazia parte de me ameaçar. Andressa simplesmente tomou conta do plano por si própria - contou Abbey.

– Andressa conseguiu o que queria. Thomas deve estar com ela nesse exato minuto. - disse Belle, inconsolável.

– Mas algo deu errado. Ryan admitiu inesperadamente que seu irmão fez parte do plano de derrubar Thomas no último jogo. Então, Andressa não soube o que fazer. Ela foi rapidamente procurar Mia, para que esta a ajudasse. Eu estava junto dela nesse dia e Miandra a aconselhou a continuar com o plano. Já esperando que Belle não iria contar a Thomas tão cedo sobre o que sabia, Andressa planejou conta-lo e dizer ainda por cima que ela descobriu no mesmo momento que você, Belle.

Belle encarou a amiga horrorizada. Seu rosto já estava manchado de lágrimas e seus olhos indicavam um imenso vazio.

– Eu tenho que ir atrás dele - murmurou ela, por entre as lágrimas. - agora. Ela vai contar agora.... talvez ele já saiba… talvez...

Lílian e Abbey se entreolharam com o mesmo pensamento estampado em seus olhos. Elas tinham que ajudar a amiga. As duas abraçaram Belle solidariamente, no fundo felizes de enfim reunirem-se novamente.

– Quer que eu termine de contar tudo ou quer procurá-lo agora? - perguntou Abbey, gentilmente.

– Pode terminar… - pediu Belle, afastando as lágrimas de seu rosto.

– Bom, quanto à Líly, é simples. O mesmo plano que o do Halloween. Ela queria te incriminar por utilizar poção do amor em vários garotos e não seria tão difícil, contando que dessa vez, só o que ela precisaria fazer era plantá-la em algum lugar do nosso dormitório e adiciona-la nas bebidas de alguns meninos - terminou Abbey, suspirando.

Os colegas se entreolharam sem saber o que dizer. Cada um deles sentia algo diferente, pensava algo diferente e queria dizer algo diferente. Mas todos tinham algo em comum. Uma simples pergunta que não os abandonava: por quê? Por que Miandra fora motivada a fazer tudo aquilo? Seria somente pelo amor à Zac?

– Você contou mesmo à Miandra sobre o Oswell? - questionou Sirius, quebrando o silêncio constrangedor que havia se formado.

Abbey esboçou um mísero sorriso e balançou a cabeça lentamente.

– Não, claro que não - disse ela. - eu nunca faria nada disso com nenhum de vocês. Miandra ouviu a nossa conversa naquela noite. Ela queria ter certeza de que eu iria quebrar todas as ligações que eu tinha com vocês. E naquela noite, eu disse para todos nós nos afastarmos.

Os outros suspiraram aliviados pela primeira vez na noite e simplesmente riram. Com toda aquela tensão formada nos últimos dias, eles sentiram que precisavam sorrir. Pois apesar de tudo que passaram, de todas as descobertas, surpresas e notícias dos últimos dias, era maravilhoso saber que, depois de muito tempo, eles estavam bem. A amizade afinal havia sido mantida, depois de tanto tempo tendo sido corrompida.

***

Belle corria apressadamente pelo corredor, dirigindo-se à segunda torre mais alta de Hogwarts. Aquela onde em seu topo, situava-se o salão comunal da Corvinal.

Após subir o grande lance de escadas em espiral, Belle finalmente se encontrara com o que deveria ser, a entrada para o salão comunal da Corvinal. Uma grande aldrava em forma de águia encontrava-se diante dela, talhada totalmente a ouro.

Belle tapeara o gigantesco objeto sem nada encontrar e quando foi experimentar dizer alguma senha uma voz profunda soou em seus ouvidos:

“O que seria pior do que um escuro somb…” a voz, de que Belle percebera pertencer à águia, parara abruptamente quando um garoto empurrara a porta da sala comunal pelo lado de dentro, e deparara-se com Belle.

A garota sentira suas mãos tremerem e suarem ao mesmo tempo ao ver Thomas. Ele parecia cansado e um vazio se hospedava em seus olhos como Belle os havia visto naquela mesma manhã.

– O que você está fazendo aqui? - perguntou ele. Sua voz, diferentemente do que Belle estava esperando, não carregava nada. Nem tristeza, nem felicidade, nem decepção. Somente um grande vazio, assim como seus olhos.

– Vim ver você - respondeu ela, dando um passo à frente.

Thomas emitira um pequeno ruído no fundo de sua garganta, como se fosse um riso disfarçado de desdém.

– Eu entrei, Belle. Já sou parte do time ano que vem. - contou ele, não soando nada animado. - Mas agora eu acabo de descobrir que eu nunca deveria ter saído dele.

Belle cobrira a boca com as mãos, não querendo mais pensar em tudo isso por nem mais um segundo. Ela simplesmente não conseguia lidar mais com aquele assunto.

– E eu acabo de descobrir ao mesmo tempo, que aquela que se dizia minha amiga sabia de tudo - continuou ele, parecendo estar dizendo tudo no automático. Thomas nunca parecera mais distante.

– Thomas… eu queria te contar. Eu só não consegui… nossa amizade começou no momento em que você desabafou suas piores memórias... dizendo que foi expulso do time. E eu disse que você conseguiria vencer aquilo, passar por tudo. Eu só… não consegui acreditar que você não precisou de todos os treinos, ou de todas as dicas de quadribol. Você nunca precisou. E… eu acho que parte de mim ainda queria acreditar que você simplesmente não foi bem no último jogo do que saber que você na verdade nunca precisou de mim. - Belle nunca fora mais sincera em toda a sua vida. Ela só esperava que Thomas a perdoasse, pois ela achava que nunca poderia ser capaz de perdoar a si mesma.

– Eu podia até não precisar de alguém para me ajudar em quadribol, mas eu precisava de alguém que me encorajasse e me desse forças para voltar ao campo. E você foi essa pessoa, Belle. Mas eu nunca imaginei que essa pessoa que se tornou uma das mais importantes para mim, fosse acabar escondendo algo tão importante. Algo que eu seria capaz de esquecer se você estivesse ao meu lado.

– Thomas… me desculpe… - começou Belle, entre soluços, porém Thomas levantou a mão pedindo que ela não falasse mais nada.

– Eu posso ter sido expulso do time por causa de alguns alunos. Mas eu seria de bom grado expulso mais mil vezes se isso significasse que você ficaria ao meu lado. Para sempre. - disse ele, tristemente. - Adeus, Belle.



Notas finais do capítulo

O que acharam?? :)