Jily - How I met you escrita por ChrisGranger


Capítulo 28
Uma desculpa para grandes respostas


Notas iniciais do capítulo

Olá amores!! Muitas e muitas desculpas!! Muitas provas na escola :( !!! Por isso, preparei um capítulo grande e com muitas surpresas!!! Boa leitura!!



Os garotos se reuniram todos os dias do resto da semana para discutir opiniões e ideias sobre o que Tiago e Lílian ouviram na aula de DCAT. Mas nunca obtiveram uma resposta definitiva para essa questão que martelava em suas mentes desde aquele dia. “Por que Tom Riddle queria a espada de Godric Gryffindor?”

– Vai ver é porque ele deve achar estiloso dizer por aí que anda com uma espada de Gryffindor nos bolsos - sugeriu Sirius rindo, após mais uma reunião em frente à lareira da sala comunal.

– Não… deve ser algo ainda mais importante - refletiu Tiago, esfregando os olhos cansado. -, afinal ele está contando com a ajuda do Oswell.

– Eu não consigo acreditar que o nosso próprio professor está colaborando com esse plano de roubar uma relíquia de Dumbledore! - disse Lílian, desconcertada.

– Mas vocês disseram que ele está fazendo isso por um preço… algo que o Riddle tirou do professor. Afinal, ele disse que iria devolvê-lo algo, certo? - questionou Belle.

Tiago afirmou com a cabeça, pensativo.

– Então, ele está sendo chantageado? - indagou Remus, estreitando os olhos. - Deve ser algo sério…

– Talvez ele tenha roubado toda a comida do professor - disse Pedro, com uma expressão inconsolável. -, isso seria horrível...

Tiago deu uma risadinha e balançou a cabeça.

– O caso é que devemos contar para alguém - concluiu Belle, convencida. -, não há como esconder isso de Dumbledore!

– Não podemos… Tom Riddle tem algo do professor. Senão ele nem estaria fazendo tudo isso. Se o entregarmos a Dumbledore, não poderemos ajudá-lo! - replicou Lílian, andando em círculos.

– Mas Dumbledore pode ajudar. - disse Remus.

– Vamos ter que dar um jeito de resolver isso - disse Tiago, decidido. -, se não conseguirmos ajudar o professor, contamos a Dumbledore.

– Mas e se ele estiver mesmo trabalhando com Riddle e só estamos nos enganado em defendê-lo? - questionou Sirius, erguendo as sobrancelhas.

– Parece que vamos ter que arriscar, não é? - respondeu Lílian, sentando-se no sofá de frente para a lareira, com a cabeça enterrada nas mãos.

Os garotos concordaram num silêncio conjunto e constrangedor.

– Onde está a Abbey? - indagou Belle de repente, olhando para os lados.

Lílian deu de ombros ao mesmo tempo que Sirius fechou a cara. Abbey andava bastante ausente nos últimos dias e quando as amigas a encontravam,a garota estava na maioria das vezes, enterrada num livro ou com os pensamentos distantes.

– Eu não sei… deve estar no quarto - murmurou Lílian.

Belle fez um muxoxo, balançando a cabeça.

– Só espero que o que quer que esteja acontecendo com ela, não seja tão ruim quanto parece - sussurrou Lílian, imersa em pensamentos.

***

– Sr. Potter, suponho que saiba a resposta? - indagou o professor Augustus, esperançoso.

Porém Tiago continuara com a cabeça abaixada, totalmente alheio ao que estava acontecendo. O garoto passara a aula inteira rabiscando algo com sua pena em seu pergaminho.

– Sr. Potter? - chamou o professor, um pouco mais alto. Tiago deu um pulo e encarou o professor assustado.

– O quê? - disse ele, largando a pena que estava escrevendo, na mesa de qualquer jeito. - Amm… quero dizer, o que o senhor disse, professor?

– Eu perguntei o por que do bruxo mais poderoso da Escócia, no século passado, ter formado fortes aliados no auge de seu poder, Sr. Potter. - repetiu o professor.

Tiago fez uma careta, parecendo confuso.

– Espera essa não é aula de Defesa Contra as Artes das Trevas? Esse negócio de bruxo da Escócia é de História da Magia, não é? Professor… - disse Tiago, fazendo com que todos os alunos em volta o encarassem incrédulos. Lílian arregalou os olhos e olhou para o garoto, balançando a cabeça.

– Acontece, Sr. Potter, que o que ocorre nessa tomada de poder de Edwards Hiusten, é bastante importante para a nossa matéria - replicou Augustus, friamente. -, agora o senhor saberia me responder o por que dele ter adquirido muitos aliados?

– Ah… eu não sei, talvez porque Edwards Hiusten chantageasse a maior parte deles - retrucou Tiago, cruzando os braços.

A maior parte da turma riu, não vendo nenhum problema na resposta do garoto, porém alguns alunos daquela sala, reagiram de maneira claramente diferente. Lílian deixara sua pena cair até a mesa de Tiago, e quando a garota a abaixara para catá-la, sussurrou para ele:

– O que diabos você está fazendo, Potter?

– Respondendo a pergunta do professor, Evans - respondeu Tiago, calmamente.

Lílian o repreendeu com os olhos e voltou ao seu lugar, contrariada. Sirius, Remus, Belle e Pedro encaravam Tiago, incrédulos.

– Potter, você não deixa de estar correto. É claro que alguns aliados certamente foram… chantageados por Edwards. Todavia, a maioria deles apoiava o que Edwards mais queria: o conhecimento de toda a magia. Não podemos negar que Edwards sempre fora, em toda a sua vida, um intelectual nato. - disse o professor Augustus, após o tumulto que a resposta de Tiago causara.

– Então você está defendendo Edwards? - questionou Sirius, erguendo as sobrancelhas.

Augustus o fitou por alguns segundos, estreitando os olhos.

– Não… não foi o que eu disse, Sr. Black. Afinal, algumas pessoas não conseguem se livrar de uma vida repleta de infelicidade e sofrimento. Foi o que aconteceu com Edwards, e é o que acontece com… a maior parte dos bruxos que deseja adquirir um poder maior do que é preciso. - respondeu o professor, encerrando a aula.

– O que você fez? - questionou Lílian, caminhando ao lado de Tiago para o Saguão Principal. - De todas as coisas Potter, eu não acredito que você fez isso!

– Você me acha realmente muito mau, não é, foguinho? - perguntou Tiago, fingindo ter-se ofendido.

– Te acho repugnante! - retrucou Lílian, batendo os pés a cada passo que dava para se distanciar de Tiago.

– Qual o problema dela? - reclamou Tiago para os amigos, após a garota se afastar. - Afinal, somente o que eu fiz foi responder uma resposta.

– Eu achei o máximo. Precisava ver a cara do Oswell na hora… - apoiou Sirius, rindo.

– Você não deveria ter feito aquilo, Tiago. Só piorou as coisas - ponderou Remus.

– Caro, Lupino… eu só respondi a questão do professor. Não foi nada demais! - defendeu-se Tiago.

– É isso mesmo… mas vocês acham que agora ele sabe que você sabe do segredo dele, Tiago? - perguntou Pedro, tendo dificuldades em segurar seus livros das aulas matinais.

– Claro que não… pessoal, foi uma resposta. Só isso! - disse Tiago, piscando para Jane que passava próxima a eles.

– Certo… se você diz - disse Remus, dando de ombros.

– Além disso, não é como se eu tivesse explodi… - Tiago interrompera a própria fala, quando trombara em Abbey, que estava cabisbaixa e tentava passar o mais rápido possível por entre os garotos. - humm… desculpe, Hastins.

– Está tudo bem… - disse Abbey, fazendo um gesto displicente.

Sirius desviou o olhar, e começou a conversar com Pedro, ignorando a garota que também o ignorava constantemente. Abbey apressou-se em se afastar dos garotos, deixando-os sozinhos novamente.

– O que ela tem? Ela anda muito estranha… - comentou Tiago, virando seu olhar para Sirius.

– Como eu vou saber? Pergunte para ela, não para mim - disse Sirius, meio seco.

Tiago deu uma empurrada no amigo, rindo.

– Parece que tem alguém meio bravo… quem sabe é por causa de alguém… - provocou Tiago, fazendo com que Sirius ficasse escarlate. - começa com A e termina com Y.

– Está bem, Tiago, boa sorte em suas teorias! - cedeu Sirius, dando um sorrisinho maroto. - Porque agora, eu não estou pensando no acesso de bipolaridade da Hastins, mas sim na Jenny Goswendow da Corvinal… se me dão licença.

Sirius se afastara dos amigos, indo em direção à uma garota com cabelos e olhos escuros.

– É, bom conversar com você Sirius - disse Remus, após o amigo ter saído.

Tiago riu concordando e os garotos se dirigiram à mesa da Grifinória, já apinhada de alunos preocupados com seus trabalhos, enquanto o grupo de amigos se preocupava com o fato de que alguém tentaria adentrar a escola e roubar a espada de Godric Gryffindor da sala de Dumbledore.

***

– Está tudo uma confusão sem fim, Thomas… - Belle terminara de narrar tudo o que acontecera em relação à Abbey. Ela dissera que algo estava acontecendo entre os amigos, porém fingira não saber do que se tratava.

– Deve ser bem ruim, não é? - disse Thomas, sorrindo solidariamente para a amiga.

Belle suspirou exasperada e enterrou-se no livro de História da Magia. Os dois estavam na biblioteca já fazia uma hora, estudando para os exames que se aproximavam cada vez mais rapidamente.

– Bom, pelo menos nós temos folga hoje à tarde. Estou agradecendo mil vezes por hoje ter aquela reunião de casas ou algo assim.

– Que todos os alunos devem comparecer daqui a… quarenta minutos - completou Thomas, erguendo as sobrancelhas.

– É bem, mas isso é consequên…

– Thomas! Oi! - uma garota se dirigira à mesa de Belle e de Thomas, interrompendo a frase de Belle ao meio. Os cabelos da garota eram curtos e avermelhados e seu era nariz era arrebitado com algumas sardas bem claras compondo-o.

– Ah, Andressa... Essa é Belle - apresentou Thomas, encarando a garota.

Andressa fitou Belle por alguns segundos, parecendo meio confusa.

– Ah… eu sei quem é você! Não é aquela garota que foi ao baile com o Thomas só porque a Mia pediu? - indagou Andressa, com uma das vozes mais enjoadas que Belle já ouvira na vida.

– Amm… é, mais ou menos - confirmou Belle, secamente. - então, você conhece a Mia?

– Ah… até demais se quer saber. Ela é minha prima - disse Andressa, sentando-se ao lado de Thomas.

– Como assim, sua prima? - balbuciou Belle, arregalando os olhos.

– É querida, todos sabem disso! - replicou Andressa, dando uma piscadela para a garota. - Apesar de não termos muito em comum, sabe, Miandra é da mesma idade que eu, e fisicamente não nos parecemos muito.

Belle acenou com a cabeça, concordando.

– Agora… eu gostaria de estudar com você, Thomas. Tenho certeza de que Belle não se importará! Eu realmente preciso da sua ajuda! - disse Andressa, segurando a mão de Thomas e sorrindo docemente para este.

– Amm… claro! Fiquem à vontade! - respondeu Belle, sentindo-se na tentação de pegar sua varinha e lançar uma azaração em Andressa.

– Ótimo! Thomas, eu realmente não estou entendendo nada dessa matéria! - começou Andressa, abrindo seu livro de Astronomia.

– Hum… eu já vou indo para o encontro das casas no Saguão Principal - avisou Belle, dando um sorrisinho amarelo.

– Mas ainda falta meia hora! - protestou Thomas.

– Ah… já têm pessoas lá - acrescentou Andressa.

Belle acenou e se afastou o mais rápido possível dos dois, escarlate. Seu coração batia apressadamente e ela sentia uma raiva crescente a invadir. Uma raiva de Andressa. “Parece que há sim muitas semelhanças entre Andressa e Mia” pensou Belle, suspirando. “Deve ser de família”.

***

– Para que isso serve, afinal? - disse Sirius, caminhando tediosamente em direção ao Saguão Principal.

– Hmm... Dumbledore vai formar grupos de alunos das casas. Ele quer que nós possamos “interagir” com os outros alunos - explicou Tiago.

– Acho isso uma estratégia bem interessante na verdade... - opinou Remus. - poderemos conhecer várias pessoas de outras casas.

– Tomara que eu fique num grupo com muitas alunas... - disse Sirius, com um sorrisinho maroto.

– Eu acho isso muito chato! Afinal, se os professores não queriam dar aula hoje, para que inventar essa história de casas? - indagou Pedro, parecendo bravo.

Os amigos gargalharam diante da clara confusão de Pedro.

Quando se encontravam no Saguão de Entrada, puderam ouvir aglomerados de vozes tagarelando, enquanto aguardavam pelo início da atividade. Eles empurraram as portas pesadas talhadas a ouro e distinguiram o amplo salão, cheio de alunos em pé. As longas mesas que distinguiam a separação das casas foram retiradas e, em lugar destas, dezenas de mesinhas menores ocupavam cada canto do Salão.

– Caramba... - murmurou Sirius, estreitando os olhos.

Os garotos se dirigiram a um grupo de alunos do primeiro ano onde, dentre eles, se encontravam Belle, Lílian, Chad, Jane, Heloisa, Jennifer, Sing, Lucius, Mathew Swegell e tantos outros.

– Potter, Black... poderia dizer que é um prazer revê-los, mas não gosto da reputação de um mentiroso - disse Lucius Malfoy, friamente.

– É um sentimento recíproco, Malfoy, não se preocupe... - respondeu Tiago, com sarcasmo.

Lucius dera de ombros desdenhosamente e virara-se para conversar com outros garotos da Sonserina, entre os quais se destacavam Severo Snape.

– Então... Evans, parece que você está bem melhor em DCAT! Qual foi o milagre que te salvou? - provocou Tiago, rindo.

– A inteligência, Potter - respondeu a garota, convencida.

– Ah... claro! Até porque eu sou a mais pura inteligência, obrigado pelo elogio, pimenta. - disse Tiago.

– Espere um minuto... você a ajudou? Potter? – exclamou Chad, abismado.

Lílian afirmou com a cabeça, relutantemente.

– Seu gosto não foi dos melhores, Líly... - murmurou Chad, alto suficiente para Tiago ouvir.

– Quem é você mesmo? - indagou Tiago, impaciente.

– Chad - respondeu o garoto, cruzando os braços.

– Bem, Chad... acho que eu nunca falei com você. Parece bem crítico da sua parte fazer esse tipo de coisa. - disse Tiago, fingindo estar ofendido. - Então, eu vou fingir que me importo. Não fale esse tipo de coisa. Te faz um perdedor.

– Você falou tantos “tipo de coisa” que eu nem sei mais do que você está falando! Porque tudo que eu estava dizendo, era a verdade. - contra argumentou Chad. - Além disso, eu não preciso ser o maior gênio do mundo para saber que você não é e nunca será, um dos melhores gostos de ninguém.

– Chad! - repreendeu Lílian.

– Ah... está tudo bem, Evans. Se ele quiser achar isso, deixe ele achar... - disse Tiago, dando de ombros. - mas ele só está agindo assim porque ele acha que você gosta mais de mim do que dele. Ou pelo menos, ele está com medo disso.

– Mas isso é ridículo, Potter! Afinal, você é um arrogante, irritante, mesquinho, meti...

– Eu não preciso ouvir a lista de novo, Evans! - murmurou Tiago.

– Isso tudo é uma grande mentira! - protestou Chad, balançando a cabeça. - Viu só, como não se pode confiar nesses caras?

– Ah... está nos incluindo agora? - disse Sirius, friamente. - É eu acho melhor você avaliar melhor suas palavras...

– Vocês estão gastando tempo! - intrometeu-se Jennifer. - Tiago não perderá tempo com a Evans. E acho melhor você também não perder, Iaw.

– Você devia calar a boca às vezes... - disse, para a surpresa e incredulidade de todos, Remus.

Assim terminara a conversa tumultuada e constrangedora, que por sorte, conseguira conter-se pela chegada de Dumbledore.

– Sinto ter de interromper a sua conversa, que tenho certeza, era muito mais prazerosa do que ouvir um velho falando diante de vocês! - começou o diretor, em frente a todos. - Porém o que faremos agora, não só será uma atividade prazerosa, como também será uma iniciativa de conhecer novas pessoas e suas qualidades.

O salão estava imerso em silêncio, captando cada palavra que o professor dizia.

– Agora iremos dividi-los em grupos de quatro alunos, cada um representando uma casa diferente. Seu objetivo é aproveitar cada momento ao lado de suas novas companhias e conhecê-las ao máximo! A professora McGonagall irá designá-los aos seus respectivos grupos! Aproveitem!

Um murmúrio de diversas opiniões ecoou no Salão quando o diretor se sentara em sua cadeira de frente a todos os alunos, fitando cada um do Salão. A professora McGonagall se adiantou, tomando o lugar de Dumbledore e anunciara o grupo dos alunos. Alguns comemoravam, outros reclamavam, mas todos aceitavam os grupos, dirigindo-se a alguma mesa.

***

– Deixe-me adivinhar… Belle! - disse Andressa, quando Belle se sentou hesitante ao seu lado.

Belle afirmou, dando um sorrisinho amarelo e lançando um olhar de desespero para Lílian do outro lado do Salão.

– Eu sou Ryan… - murmurou o garoto pálido da Sonserina.

– Espere… acho que eu sei quem é você. Tiago Potter te acertou com uma azaração de furúnculos, não é? - indagou Belle, mordendo os lábios para não cair na gargalhada.

Ryan estreitou os olhos e fechou a cara, não respondendo à pergunta da garota.

– Hmm… sou Lidja Steves. - apresentou-se uma garota morena e baixinha, com cara marrenta.

– Prazer… - disseram Belle e Andressa em uníssono.

Um silêncio constrangedor perdurou no grupo, enquanto todos se entreolhavam sem saber o que dizer, com excessão de Andressa, que mandava beijinhos pelo ar, para vários alunos.

– Amm… então você e Thomas são colegas? - questionou Andressa para Belle, depois de um tempo.

– Somos amigos. Bastante, na verdade desde o baile nos tornamos muito mais próximos - respondeu Belle.

– Então, quanto ao baile… sabe o Thomas não é bem quem você pensa. Claro, a amizade de vocês começou no Halloween, mas ele também virou outra pessoa nessa mesma data… - replicou Andressa, segurando o braço de Belle.

– Eu sei… - começou Belle, puxando levemente seu braço. - ele mudou e para melhor.

Andressa levantou as sobrancelhas, fazendo uma careta. Em seguida, sua expressão mudou, tornando-se mais maliciosa quando ela disse:

– Então, vocês já… você sabe…

– O quê? - perguntou Belle, não compreendendo o que a garota dizia.

– Bem, o Thomas não perdeu tempo comigo, nem com várias outras garotas… todos o idolatravam! Mas sabe, quando ele foi expulso do time de quadribol, muitas pessoas ficaram contra ele e bem, acho que ele procurou outras pessoas para não parecer perdedor de vez… tipo você.

– Você está dizendo que… vocês dois namoraram? - perguntou Belle, parecendo ter visto um trasgo atravessar a porta de entrada.

– Ah, não! Não exatamente… mas ele já me beijou. Algumas vezes. - disse Andressa, soltando um riso estridente.

Belle parecia assombrada, e não conseguia parar de olhar para Thomas conversando com Sirius do outro lado do Salão, e Andressa que parecia mais satisfeita do que nunca.

– Vocês podem fazer o favor de parar de falar desse garoto? - disse Lidja, parecendo aborrecida.

– Claro. Já paramos… - murmurou Belle.

– Ótimo, porque o Allen já era e tudo graças ao meu irmão… - disse Ryan, com um sorriso sinistro.

– O que você quer dizer com isso? - perguntou Belle, arqueando as sobrancelhas.

– Veja bem, Farah… vocês grifinórios não podem ser tão estúpidos. Por que acha que Thomas era um astro do quadribol e de repente ele passou a ser menos que nada?

Belle arregalou os olhos e sentiu seu rosto ficar da cor de uma vela.

– Vocês fizeram com que ele fosse expulso… - concluiu Belle, encarando Ryan com raiva.

– Tecnicamente foi o meu irmão e alguns amigos, então… não acho que posso ser incluso nessa sua listinha - retrucou Ryan, friamente.

– Oh meu Deus… o Thomas tem que saber disso! - disse Andressa, com a sua voz enjoada.

Todavia Belle não os escutara. Todos aqueles últimos meses em que vinha treinando com Thomas quadribol, o início da amizade deles, o início do que eles tinham. Era tudo porque alguém o havia feito perder os últimos jogos de quadribol do ano passado.

– Eu tenho que ir… - murmurou ela, esbarrando na mesa e tropeçando. Lidja tentara ajudá-la, porém Belle já estava em pé, correndo para um lugar onde ela mesma não fazia ideia de qual era.

***

– O que eu estou fazendo aqui? - resmungou Tiago, com a cabeça entre as mãos.

– Eu também gostaria de saber o que eu estou fazendo aqui… - disse Zac, batucando sua cadeira.

Tiago levantou a cabeça e fitou seu grupo. Gill Flowre, uma garota da Sonserina com mechas rosas o encarava como se o considerasse pior que um duende. Lena Still sorria amigavelmente para ele, como se o conhecesse há anos. Zac, tentava se distrair com pequenos sons irritantes que deixavam Tiago angustiado.

– Vamos, animem-se! Não é tão ruim assim… - ponderou Lena. - eu começo! Sou mestiça… meu pai é bruxo e a minha mãe é trouxa.

– Eu sou sangue-puro - contou Zac.

– Eu também - acrescentou Tiago, automaticamente.

Os garotos esperaram alguma resposta de Gill, que os encarou impacientemente.

– Eu sou da Sonserina, não acho que eu deva dizer o que eu sou… - disse ela.

– Você pode ser mestiça, como a Lina - retrucou Zac.

– Na verdade, é Lena… - murmurou a lufana, chateada.

Tiago riu, enquanto um Zac escarlate pedia desculpas à Lena.

– Então… como vai o o seu time? - perguntou Tiago, virando-se para Zac.

– Muito bem, como sempre. Atualmente o melhor time de quadribol de Hogwarts é o da Corvinal. - respondeu Zac, estudando o peito.

– Isso vai mudar bastante ano que vem - disse Tiago, com um sorrisinho maroto.

Zac parecera confuso e perguntara do que o garoto estava falando.

– Bem, quando eu, o melhor apanhador de todos os séculos, entrar para o time da Grifinória, nós teremos um novo “melhor time”. - explicou Tiago.

Zac gargalhou, atraindo olhares de diversas pessoas ao redor da mesinha dos quatro.

– Então, ano que vem veremos quem é o melhor jogador - disse Zac, com os olhos brilhantes de desafio.

– Por que ano que vem, se podemos avaliar essa questão esse ano? - disse Tiago, ainda mais satisfeito diante do desafio.

– Então está fechado… - concluiu Zac, esboçando um sorriso.

– Vocês garotos sempre pensando em quadribol… - interrompeu Lena, revirando os olhos.

– Quadribol é uma das coisas mais importantes para a vida, Evans… - disse Tiago, arrependendo-se logo depois.

– É Lena! - protestou a garota, já brava.

– Isso, claro! Lena… desculpe. - respondeu Tiago, passando os olhos em Gill. - Você costuma falar?

Gill o encarou com os olhos revoltados e frios.

– É claro que eu sei falar, estúpido Potter! Vocês grifinórios se acham tão incríveis, se acham os melhores! Se quer saber a minha opinião, a grifinória não deveria ter esses princípios tão medíocres de nobreza e coragem… vocês só se gabam por isso!

Tiago a encarou abismado, tentando se decidir se ria ou se contra-argumentava. Ele se decidiu pela primeira opção. Os outros gargalharam junto com Tiago, enquanto Gill ficava rubra.

– Por que você nos acha metidos? - indagou Tiago, fingindo perplexidade. - Somos muito bonzinhos, ok?

– Claro, Potter… sabe, bonzinhos não ficam circulando pela floresta proibida no meio da noite - disse Gill, com um sorriso vitorioso.

A tonalidade de Tiago passou de vermelha como um pimentão, à branca como cera. O garoto engolira em seco.

– Como você sabe que fomos lá? - perguntou ele, seriamente.

– Quer dizer que vocês foram lá? Eu estava brincando! - disse Gill, sua expressão indicando que ganhara o dia. - Eu não acredito…

– Eu não disse isso… - contra argumentou Tiago, nervoso.

– Oh meu Deus… quem mais foi com você? O Black? A sangue-ruim? - começou Gill, com os olhos brilhando.

– Não a chame assim - defendeu Zac, com seu semblante repleto de perplexidade.

– Vocês foram lá mesmo? - questionou Lena, com as mãos cobrindo a boca.

Tiago não respondeu nada, e se encostou em sua cadeira. Por um lado, estava louco para admitir para todos que ele, Tiago Potter, havia passado uma noite na Floresta Proibida, lidando com lobisomens, aranhas e centauros. Por outro, ele sabia que, apesar de tudo, ele deveria proteger os amigos. E isso era, acima de tudo, uma das qualidades mais importantes de um grifinório.

– Hmm… não. É mentira - murmurou ele.

– Eu não acredito em você, Potter… sinto muito. - disse Gill, convencida, levantando-se da cadeira que estava. - Não seria incrível Hogwarts inteira descobrir que Tiago Potter e seus coleguinhas andam pela Floresta Proibida no meio da noite?

E com um simples aceno malicioso, afastou-se do grupo, sentindo-se a garota mais sortuda do mundo.

***

– Então, o que achou? - perguntou Belle para Lílian, assim que a garota chegou à sala comunal.

– Foi até legal… infelizmente, meu grupo não era dos melhores. Frederick McLeggan ficou se gabando e dando em cima das garotas, e adivinha qual era a outra garota do meu grupo? Jennifer.

Belle fizera uma careta, apoiando a amiga.

– Pelo menos o seu grupo não tinha a Andressa… - murmurou ela.

– Quem é essa?

– Você não acreditaria se eu dissesse… - diante da cara de curiosidade de Lílian, Belle a contou. - ela é prima da Mia.

Lílian arregalou os olhos e cobriu as mãos com a boca.

O que? Ela tem uma prima?– Lílian ainda não conseguira assimilar o que estava pensando naquele momento.

– E o pior, sabotaram o Thomas nos últimos jogos ano passado. Por isso ele foi expulso - disse Belle, chateada.

– Oh, meu Deus! Que horror! Sabe, às vezes eu não entendo a capacidade das pessoas de fazerem o mal. Como alguém consegue viver assim? - indagou Lílian. - Afinal, você contou ao Thomas?

– Não… ainda não. Eu só… não sei o que fazer. Vai ser um grande choque para ele, sabe - disse Belle, tristemente.

– Vai dar tudo certo… - replicou Lílian, abraçando a amiga.

– Ei Evans, ouvi dizer que você passou uma noite na Floresta Proibida - comentou Caius, surgindo ao lado de Lílian.

– Como assim, passei uma noite na floresta proibida? - perguntou Lílian, pálida.

– É, pelo que eu entendi, o Tiago acabou deixando a informação vazar… - explicou Caius. - então, como é lá à noite? Você chegou a conhecer algum centauro? Dizem que tem montes lá…

– Sinto muito, Caius, mas eu não posso falar agora. - disse Lílian, automaticamente, virando-se para Belle. - Eu vou procurar o Potter, ele deve boas explicações! Quer vir comigo?

– Não… tudo bem. Eu tenho que pensar um pouco.

Lílian assentiu sorrindo e pegou seu livro de Feitiços, jogado de qualquer jeito na poltrona da sala comunal.

– Eu já volto… - murmurou ela, atravessando o buraco do retrato.

Lílian rodara todo o castelo à procura de Tiago, imaginando onde o garoto poderia estar. No meio do caminho esbarrou em vários alunos que vinham-na bombardear de perguntas sobre a Floresta Proibida. Ela encontrara Tiago no quarto andar, sussurrando no meio do corredor co Jane.

– POTTER! Como você pôde? - gritou Lílian, aproximando-se do garoto e o esmurrando com seu livro de Feitiços.

Jane se afastara contrariada e dera espaço aos dois, que começavam a chamar atenção diante dos resmungos de Tiago e da euforia de Lílian.

– Se for por causa da Floresta… - começou Tiago, desviando-se de Lílian quando esta fora dar uma bofetada no rosto do garoto. - não foi minha culpa!

– Ah, é mesmo? E foi de quem? - indagou Lílian, desdenhosamente.

– Do… Sirius - respondeu Tiago.

Lílian ergueu as sobrancelhas, não acreditando numa só palavra do que o garoto dizia.

– Está bem, aquela garota… Gill eu acho, ela planejou contra mim. Numa hora ela estava dizendo que eu tinha ido à Floresta, depois eu perguntei como ela sabia, então ela disse estar brincando!

Lílian o encarou confusa, porém antes que pudesse dizer algo, Sirius, Remus e por incrível que parecesse, Abbey, surgiram no meio do corredor já iluminado pelas tochas nas paredes.

– Olá cabeça de papelão, estávamos justamente falando de você quando um garoto do segundo ano veio me dizer que eu sou demais por ter ido à Floresta Proibida. - disse Sirius, cruzando os braços.

– Eu… posso explicar - começou Tiago, porém se surpreendeu com o grande sorriso que Sirius abrira.

– Isso! Isso! Então, foi você? Finalmente, todos sabem que somos demais! - disse Sirius, levantando os braços e balançando-os no alto.

Os outros o encararam de modo repreensor e confuso, enquanto tentavam assimilar tudo o que ocorrera.

– Espera… o que aconteceu? - indagou Remus, virando-se para Tiago.

– Ah, por favor, não o faça explicar de novo… - pediu Lílian.

Tiago pareceu envergonhado, porém um sorrisinho maroto não abandonava seu rosto, desde que os garotos se encontraram.

– Pessoal, o que importa é que não devemos nos preocupar com isso agora. O que aconteceu na Floresta já é passado e agora temos que nos concentrar no presente. Oswell. O que faremos para descobrir o que ele está planejando? - disse Tiago, tentando desviar do assunto principal.

– Do que você está falando? - perguntou Abbey, franzindo o cenho.

Os garotos se entreolharam, sem pronunciar uma palavra sequer. Um silêncio constrangedor tomou conta do grupo, pois nenhum ali, sabia o que dizer.

– Aconteceu uma coisa… - começou Lílian. - muito, muito séria.

Abbey estremeceu e se aproximou da amiga.

– O que houve? - perguntou ela.

Lílian olhou no fundo dos olhos de Abbey, e segurou se braço.

– Eu te conto tudo. Prometo. Mas antes… eu quero que você me conte o que está acontecendo. Com você. - disse Lílian, seus olhos verde-esmeraldas fitando aquela que, ela considerava sua melhor amiga. Aquela que a apoiou desde o primeiro minuto em que se conheceram e que sempre a fazia se sentir melhor nos piores momentos.

Abbey vagarosamente puxou seu braço, desvencilhando-se de Lílian. Seu semblante demonstrava o quão triste ela estava com o que acabara de acontecer.

– Sinto muito, Líly - sussurrou ela, afastando-se da garota. - Acho melhor nos afastarmos.

Enquanto a garota desaparecia no corredor, Lílian deixava lágrimas rolarem soltas por seu rosto. Não importava agora segurá-las ou ter vergonha dos garotos que a observavam tristemente. Tudo o que importava era que acabou. Sua amizade com Abbey parecia ter chegado ao fim. E Lílian nem sabia o por quê.



Notas finais do capítulo

Gostaram? Me contem!!! :) Saudades de seus lindos reviews!! Beijocas!