Jily - How I met you escrita por ChrisGranger


Capítulo 26
Não há como resistir a um Potter


Notas iniciais do capítulo

Olá pessoal!! Desculpem a demora!! Agradeço incondicionalmente à todos os reviews! Vocês são demais, sério! Boa leitura!!



– Acordou cedo hoje, não é? - disse Frank, abaixando o livro e revelando seu rosto diante da luminosidade da lareira da sala comunal.

– Frank! Você me assustou! - balbuciou Alice, pálida como cera.

– Achava que era quem? Caius? - indagou Frank, com uma voz meio irritada.

Alice ficara escarlate e abaixara um pouco a cabeça, nervosa.

– Amm… não. - disse ela, baixinho. - Mas você sabe onde ele está?

– Está dormindo. - respondeu Frank, desgostosamente.

Alice assenou com a cabeça, mexendo em alguns fios de seu cabelo que já batia nos ombros.

– Tem alguma coisa para me dizer, Alice? - disse ele, levantando-se da poltrona e caminhando em direção à ela.

Alice o encarou confusa por alguns segundos e estreitou os olhos.

– Não. Você já sabe. - respondeu ela, dando um passo na direção do amigo.

– Ora, é claro que eu sei, Alice! - exclamou ele, mexendo em seus cabelos escuros rebeldes, assim como Alice acabara de fazer. Os dois haviam pego a mesma mania de mexer nos cabelos sempre que ficavam nervosos. - Ele é meu melhor amigo!

– Ele também é meu amigo! Sempre juntos, lembra? Então por que se assustar tanto? Você também já ficou com várias garotas e eu nunca me importei… quero dizer, nunca fiquei assim!

Frank parecia prestes a desmaiar. Seu rosto vermelho, indicava temor e seus olhos imploravam por algo.

– Vocês… vocês… se beijaram? - perguntou ele, temeroso.

Alice suspirou e seus olhos percorreram o rosto do amigo, parecendo mais solitário do que nunca.

– Você realmente acha que eu sou uma menininha, não é? - disse ela. Sua voz não demonstrava raiva ou ressentimento. Demonstrava tristeza.

Frank parecera cansado e sua voz saíra rouca, como se estivesse se segurando para não gritar com o mundo.

– Não, Alice… eu te acho a garota mais incrível do mundo… você me aguenta, me ajuda, e acho que até gosta de mim pelo que eu sou e não pelas minhas ações ou qualidades. - disse Frank, olhando nos olhos da garota. - É só que… eu sinto… necessidade de proteger alguém assim. Alguém como você.

– Alguém como sua irmã, você quer dizer? Porque de acordo com você eu sou a sua irmã. - disse Alice, baixinho. Lágrimas rolavam vagarosamente por seu rosto e tudo que ela queria agora era um abraço de seu amigo. Mas, infelizmente seu amigo estava agora muito chateado com ela para realizar tal feito.

Frank balançou a cabeça tristemente e a olhou nos olhos, aproximando-se um pouco mais. Ele inclinou lentamente sua cabeça em direção ao rosto da garota e somente o que Alice sentia, era seu coração acelerado, pulsando apressadamente em seu peito. Quando os rostos dos dois estavam a centímetros de distância, Alice vizualizara de relance uma cabeleira clara descendo as escadas do dormitório masculino.

Frank se distanciou da amiga, parecendo chateado e encarou Caius, sem expressão. Alice queria apenas cavar um buraco no chão e nunca mais sair dele.

– Hum… vocês dois estão bem? - perguntou Caius, esboçando uma careta.

“Ele não viu…” pensava Alice, com milhares de pensamentos percorrendo sua mente.

– Estamos ótimos - respondeu Frank, secamente.

– Então, Alice er… vamos? - chamou Caius, com um sorrisinho em seu semblante.

Alice virou seu olhar para Frank, que parecia prestes a amaldiçoar Caius, apesar de seus olhos escuros e profundos percorrerem todo o rosto de Alice. Eles permaneceram se olhando por alguns segundos, sentindo um terrível desespero de voltar no tempo e congelar os segundos em que seus rostos estavam a centímetros de distância.

Frank limpou a garganta e se inclinou para a poltrona de onde acabara de se levantar. O garoto recolheu o solitário livro e se virou para os amigos.

– Hum… vocês já vão sair? - disse ele, erguendo as sobrancelhas.

– É… vamos para os jardins - revelou Caius, parecendo feliz.

– Vamos? - disse Alice, um pouco desanimada.

Caius assentiu e a segurou pela mão, puxando-a em direção ao buraco do retrato.

– Você pode me esperar lá fora? Eu tenho que falar com o Frank. - pediu Caius, encarando Alice. - Não vai demorar nada, prometo.

Alice avaliou Caius desconfiada e deu de ombros, empurrando o retrato para o lado e saindo do salão comunal.

Frank já havia retornado a leitura, porém Caius duvidava desse fato, pois o amigo segurava o livro de cabeça para baixo e seus olhos se focavam somente num único ponto.

– Frank? Posso falar com você? - disse Caius, esperando qualquer reação do amigo.

– O que você quer? - indagou Frank, ainda fingindo estar entretido na leitura.

– Er… bem, eu só gostaria de te agradecer. - começou Caius, parecendo estar meio nervoso. - Você me apresentou à Alice.

Frank abaixou o livro, com as sobrancelhas ligeiramente erguidas.

– O que você quer dizer? - disse Frank, impaciente.

Caius sorriu animado e deu de ombros.

– Acho que estou apaixonado por ela - respondeu ele.

Frank encarou o amigo sem expressão.

– Enfim… somos amigos desde o primeiro ano, mas eu ainda me lembro que foi você quem me apresentou à ela. - continuou o garoto, esperando alguma resposta de Frank.

Frank continuara encarando o amigo, sem fazer ideia do que dizer. Ele não conseguia definir a quantidade de sentimentos que sentia naquele momento e tudo o que ele pudera ser capaz de dizer foi:

– Legal… boa sorte.

Frank continuou mantendo o contato visual com Caius, que o avaliava seriamente. O garoto, parecendo bem desconfiado somente deu de ombros e se dirigiu para o buraco do retrato.

– Caius - chamou Frank, antes que o amigo saísse da sala comunal. -, só… não a machuque.

Caius estreitou os olhos e deu um sorrisinho de lado.

– Eu nem sonharia. - respondeu o amigo, deixando Frank sozinho na sala comunal, imerso em seus angustiantes pensamentos.

***

– Pare de comer essa coisa, Pedro! Ela vai acabar nos ouvindo! - sibilou Tiago, escondido atrás de uma pilastra ao lado de seus três amigos.

Pedro guardou sua caixa de bombons tristemente no bolso das vestes e Tiago apontou a varinha para a garota de cabelos ruivos no fim do corredor, conversando tranquilamente com Severo Snape.

– “Wingardium Leviosa”– disse Tiago, apontando para o cabelo da garota, fazendo suas medeichas avermelhadas flutuarem.

Lílian agarrou o cabelo confusa e olhou para os lados desconfiada. Sirius, com um rápido movimento da varinha, fizera com que Severo tropessasse em suas próprias vestes e caísse com o traseiro no chão, vermelho de vergonha.

Os garotos revelaram sua identidade quando os quatro não conseguiram conter as risadas diante da cena.

– Potter! - gritou Lílian, marchando em direção ao garoto furiosa.

Tiago tentava desesperadamente recuperar o ar, diante das risadas que não terminavam.

– Evans! - disse ele, saindo de trás da pilastra.

– Você está me irritando demais essa semana! Ainda acha que eu vou querer que você me ensine Defesa Contra as Artes das Trevas? - questionou Lílian, cruzando os braços.

– Eu posso te ensinar, Líly… - disse Severo, postando-se ao lado dela.

– Você? - disse Tiago, caindo na gargalhada. - Tudo bem ranhoso, se você quiser que a Evans repite de ano, fique à vontade, mas eu acho que não é isso que ela quer…

– Cala a boca, Potter! - respondeu Severo, vermelho de raiva.

– Cuidado ranhoso… pare de ser estúpido e nos dê licença, antes que acabemos com você. - disse Sirius.

– Parem, todos vocês! - ralhou Lílian. - Parecem crianças no jardim de infância!

– Quem disse que o seboso não é? - disse Tiago, sorrindo marotamente.

– Argh! Potter, calado! - ordenou Lílian.

– Se deixar eu te ensinar, eu até posso pensar… - pressionou Tiago.

Lílian, com um rápido movimento da varinha, acertou uma azaração em Tiago, que ficara com o rosto inchado no mesmo instante.

– O que você fez? - disse ele, indignado.

Os outros, inclusive Sirius, Remus e Pedro riram diante da cena que se formara.

– Viu só? Não preciso da sua ajuda! - disse Lílian convencida, dando às costas aos garotos e desaparecendo no fim corredor, ao lado de Severo.

– Como ela pôde? - murmurou Tiago, sentindo dormência em todo o rosto.

– Isso é melhor do que ter que se transformar toda noite de lua cheia num lobisomem. - sibilou Remus, dando uma risadinha.

– Pode acreditar, isso é horrível, Lupino! É humilha… - começou Tiago, interrompendo sua própria fala e escondendo-se atrás de Pedro ao ouvir passos pelo corredor.

– Olá! - chamou Jane, dirigindo-se em direção aos garotos animada. - Ti… já te vi, pode sair já de onde você está!

Tiago continuara parado atrás de Pedro, escondendo seu rosto.

– Não é a Evans, pode sair… - sussurrou Sirius, rindo.

– Eu sei que não é! - murmurou Tiago, contrariado.

– O que tem a Evans? - perguntou Jane, desgostosa.

– Nada… absolutamente nada! - respondeu Tiago. - O que você quer?

– Bem, nada demais… eu estava pensando em ir até a Torre de Astronomia esta noite. Está afim?

Tiago franziu a testa e não respondeu nada.

– Vamos, será divertido… tenho que te contar muitas coisas - continuou Jane, com um sorrisinho estampado no rosto.

– Anda Tiago… aceita - sussurrou Sirius, arregalando os olhos.

Tiago deu de ombros e aceitou o convite, fazendo com que Jane pulasse animada e se despedisse deles.

– Se deu bem… - elogiou Sirius.

– Mas ela é bem idiota… - acrescentou Remus.

– Mas também é linda - disse Pedro.

– Concordo com todos. Por isso vou arriscar… - disse Tiago, dando um sorrisinho maroto.

***

Naquela noite, Lílian caminhava tranquilamente em direção ao salão comunal, depois da ida à biblioteca e da longa conversa com Zac sobre livros. A amizade dos garotos aumentava cada vez mais e Lílian já começava a ficar sem opções de quais livros emprestar para Zac.

De repente, passos ecoaram no corredor e Lílian virou-se para trás surpresa. “Quem poderia ser a essa hora da noite?” A resposta para sua própria pergunta tinha longos cabelos escuros, mechas loiras e olhos maliciosos repletos de ódio.

Lílian nem tivera tempo para pensar direito quando vira Mia levantar a varinha em sua direção.

Petrificus Totalus! - gritou ela, fazendo com que, com o impacto do feitiço, Lílian tombasse no chão, congelada. Seus músculos não se moviam e ela caíra em cima de sua perna esquerda, que já começava a doer diante do peso.

– Você fica bem melhor assim, sangue-ruim… - disse Mia, aproximando-se de Lílian. - eu disse que você não se safaria facilmente.

Lílian, com os olhos arregalados, a observava sem entender o sentido daquilo tudo.

– Escute… você terá que se afastar do Zac. Tem que parar de falar com ele, parar de pensar nele e parar de vê-lo.

Lílian revirou os olhos. Mia estava dando uma de patricinha dos filmes que ela via com Petúnia. Patricinha maléfica.

– Eu não estou brincando… isso é só o começo. Acha que te paralisar resolve tudo? Eu vou ter o Zac de volta, Evans, por bem ou por mal… - continuou Mia, levantando-se e se afastando. - se você não largar dele, não será somente você que vai sofrer. Será suas amiguinhas, seus amiguinhos… todos eles.

Miandra sumira pelo corredor e deixara Lílian largada no chão escuro e frio. Ela lutava com todas as suas forças para conseguir mexer um músculo sequer, mas seu próprio corpo não a obedecia e continuava paralisado.

Novamente passos ecoaram pelo corredor e Lílian suspirou aliviada, esperando que alguém a salvasse daquela maldição. Ela forçou seu olhar no escuro, distinguido duas pessoas bem próximas. Lílian ficara extremamente envergonhada quando percebeu que estas estavam muito mais do que somente próximas. Eram Tiago e Jane, mas o que deixara a garota mais surpresa ainda, foi que os dois estavam se agarrando no meio do corredor. Lílian admirou-se ao perceber que, coisa pior do que ser azarada era ser salva por Potter e Jane. “Pelo amor de Deus, aqui é lugar para isso?” pensava ela, contrariada.

A garota gemeu quando Tiago sem perceber, pisara em sua mão e pulara assustado.

– O que houve? - perguntou Jane, acariciando os cabelos rebeldes de Tiago.

O garoto olhou para o chão e fitou Lílian por alguns instantes, com a boca entreaberta e os ombros caídos.

– Lílian? - disse ele incrédulo, abaixando-se e murmurando um contrafeitiço.

– Ah… Evans - disse Jane, parecendo irritada.

Lílian sentiu seu rosto ruborizar. Aquela era de longe, a maior humilhação de sua vida. Ela sentiu seus músculos recuperarem os movimentos e, com muito esforço, se levantou, com a perna esquerda latejando de dor.

– O que aconteceu? - indagou Tiago, pálido.

– Hum… nada demais. - respondeu Lílian, limpando a garganta. - Obrigada por me ajudar. Podem… voltar para o que quer que estavam fazendo.

Tiago ainda a examinava parecendo meio tenso e seu rosto ficara escarlate, após o que Lílian dissera.

– Ótimo! Já pode ir, Evans - disse Jane, impaciente.

Lílian ergueu as sobrancelhas e deu de ombros.

– Com prazer… - a garota virou à direita no corredor, deixando Tiago e Jane sozinhos novamente.

Jane puxou Tiago para perto de si, porém o garoto estava paralisado.

– Agora não, Jane - disse Tiago, desvencilhando-se da garota.

– Esquece ela, Ti… - pediu Jane, indignada.

Todavia, Tiago não a ouviu. O garoto já se encontrava à metros de distância de Jane, correndo pelos corredores em direção ao salão comunal da Grifinória.

– Batatinhas assadas! - disse Tiago impacientemente, para o quadro da Mulher Gorda.

A mulher esbelta e com aparência grosseira assenou e girou o quadro, revelando a acolhedora e aconchegante sala comunal. Tiago se apressou adentrando-a e se dirigindo à poltrona que Lílian se encontrava tentando realizar um feitiço, sem nenhum sucesso.

– Vai me contar o que aconteceu ou eu serei obrigado a te azarar pela segunda vez hoje? - perguntou ele, apoiando as mãos nos braços da poltrona da garota.

– Não existe azaração para isso. - explicou Lílian, irritada. - Eu já li que, para obrigar alguém a revelar a verdade, é necessário uma poção bastante compli…

– Tudo bem livrinho, não é isso que eu quero saber. - interrompeu Tiago. - Eu quero saber o que aconteceu hoje à noite.

Lílian suspirou profundamente e com muita relutância o revelou o que acontecera.

– Mia? Aquela metida louca? - disse Tiago após a garota terminar de contar tudo. Ele esboçou uma careta. - É Evans, você terá que estudar bastante, a situação é mais grave do que eu imaginava…

Lílian o empurrou irritada, não exercendo nenhum reação em Tiago, que continuara parado.

– Eu estava despreparada - garantiu ela.

Tiago franziu a testa e deu um sorrisinho maroto.

– Então… admite que você precisa da minha ajuda?

Lílian o encarou, parecendo estar lendo sua mente para avaliar seus verdadeiros propósitos.

– Tudo bem, lesma! Se você ainda estiver disposto a me… ajudar, eu tenho algumas condições. - cedeu Lílian.

– Já sei, não quer que eu fique com a Jane, não é? - disse Tiago, com um sorriso estampado no rosto.

– Não, eu não ia dizer isso. Você pode ficar com quem você quiser, eu não me importo. - respondeu Lílian, bufando. - Eu ia dizer que você tem que parar de irritar o Severo.

– Sem chance… - murmurou Tiago, fazendo uma careta.

Lílian se levantou, contrariada.

– Então, não temos um acordo. - disse ela.

Tiago parecia relutante e lutava para encontrar uma solução no meio de seus pensamentos.

– Tudo bem, eu deixo o ranhoso em paz por uma semana. - propôs ele.

– De jeito nenhum! Um mês pelo menos, Potter! - protestou Lílian.

– Três semanas? - sugeriu Tiago, parecendo desesperado.

– Três semanas e meia…

– Evans, você quer melhorar em Defesa Contras as Artes das Trevas, ou não? - indagou Tiago.

Lílian cruzou os braços. A garota tentava encontrar uma solução assim como Tiago fizera há segundos atrás.

– Tudo bem, Potter. Três semanas…

Tiago deu um sorrisinho maroto.

– Fechamos com duas e deixo ele em paz, mesmo se a minha vida dependesse disso!

– Potter! - disse Lílian, exasperada. - Tudo bem, duas semanas, mas sem brincadeirinhas estúpidas.

– Eu nem sonharia… - murmurou Tiago, rindo.

Lílian o encarou seriamente.

– Eu acho bom - disse ela, dando às costas para o garoto e subindo as escadas do dormitório feminino.



Notas finais do capítulo

O que acharam? :)) Beijocas!!