Recomeçar escrita por Mayara Baldin


Capítulo 18
Capítulo 18




Quatro anos se passaram rapidamente. O calendário marcava onze de setembro. Um dia muito triste para a história dos Estados Unidos, principalmente para a cidade de Nova York. Mel deixou Hazel na escolinha e foi para o trabalho. Mais tarde, o laboratório participaria de um evento em memória a todos os policiais e bombeiros que morreram na tentativa de salvar as tantas vítimas do atentado.

- Oi Lindsay. – Melanie disse.

- Oi Mel, como vai?

- Bem.

- Hoje é um dia ruim.

- É sim. Parece que foi ontem que aconteceu tudo aquilo.

- Pois é. – elas foram para uma cena de crime. Uma adolescente foi encontrada morta dentro do armário do zelador de um colégio interno no Queens.

- A vítima é Catherine Harper, dezessete anos. – começou Flack. – as colegas de quarto estranharam quando ela não foi para a aula e pediram ao zelador para que as ajudasse a procurá-la. – Melanie entrou na pequena sala e olhou para a bela garota negra com uniforme de líder de torcida. – foi ele quem a encontrou.

- Sem ferimentos à bala, sem sangramento. Marcas no pescoço, o que sugere que ela foi estrangulada. Marcas nos pulsos e nas mãos, o que sugere luta. Você já pegou as fitas das câmeras de segurança?

- Acabei de pedir ao segurança que cuida disso recolhê-las.

- Muito bem, detetive. – ela sorriu e começou a tirar fotos da cena. Recolheu uma garrafa de vidro com refrigerante feito à base de cola e outras evidências e as embalou para análise. Quando saiu da sala, viu muito alunos e professores parados na frente de um armário. Os alunos haviam feito um memorial para Catherine. Muitos choravam, outro apenas balançavam a cabeça. Outros não expressavam qualquer tipo de reação. Depois, voltou ao laboratório. Lindsay e Danny analisaram as roupas da vítima e ela e Adam analisaram o resto das evidências. Quando o resultado do conteúdo da garrafa de refrigerante saiu, ela ficou abismada.

- Ai meu Deus, o que isso está fazendo ai? – ela disse olhando para o papel.

- O que foi? Está falando sozinha? – perguntou Jo.

- Você não vai acreditar, eu encontrei um nível altíssimo de H3AsO4 misturado ao refrigerante da garrafa.

- Ácido Arsênico? Ela foi envenenada?

- Provavelmente. – o celular de Jo tocou.

- Oi Sid.

- Preciso falar com vocês. Podem vir até aqui um instante?

- Já estamos descendo. – ela desligou o celular e as duas foram até a autópsia.

- Oi garotas. Acho que vocês querem saber que ela não morreu estrangulada. Ela foi envenenada primeiro.

- Ácido Arsênico. – disse Jo.

- Exato. As marcas do pescoço consistem com esta corda que a Melanie recolheu da cena.

- Não encontrei nenhuma digital.

- Sabe o que isso me lembra? – Sid perguntou.

- Não. – elas responderam.

- Chicago.

- O musical?

- Exato, Mel.

- Não entendi. Eu sou péssima para lembrar os clássicos musicais da Broadway.

- I fixed him his drink as usual. You know, some guys just can't hold their arsenic. – Sid começou a cantarolar.

- Ah, Cell Block Tango. – Jo disse.

- A minha preferida. – Mel disse.

- A minha também.

- Okay, já chega de Broadway por hoje. – disse Jo.

- Tudo bem. – as duas subiram e Melanie foi até a sala dos detetives, procurar por Flack. Ele não estava, então sentou-se na mesa dele e pegou as fichas de todos as pessoas que ele conversou.

- Esse negócio das pessoas invadirem o espaço das outras não está nada certo. – Flack disse cruzando os braços.

- Ah, eu sinto muito detetive Flack, da próxima vez, eu juro que peço uma autorização. – ela riu.

- O que você tem para mim?

- Bom, nós encontramos H3AsO4 no organismo da vítima.

- Hã? Dá pra traduzir pra mim? Eu tirava notas péssimas em química.

- Ácido Arsênio. Ela ingeriu isso.

- É muito perigoso?

- Foi o que a matou. – ela disse olhando para fora.

- O que foi?

- Nada, eu só estava pensando.

- Em quê?

- Neste dia.

- Onde você estava?

- Na faculdade. Savanah, Tyler e eu estávamos assistindo algum reality show bobo quando escutamos um barulho terrível. A programação foi interrompida e nós vimos o primeiro avião atingindo a primeira torre e...

Flashback.

- Ai meu Deus que diabos está acontecendo? – disse Tyler ao ver a terrível cena na TV.

- Que acidente terrível. – disse Savanah. Logo em seguida, o segundo avião atingiu a segunda torre.

- Acho que isso não é um acidente, pessoal. – disse Mel, se levantando.

- O que é então?

- Um atentado terrorista, provavelmente.

- Se for nós temos que ir ajudar. – disse Savanah.

- Então vamos, não podemos ficar paradas. Deve ter muita gente ferida. Meu pai já deve estar lá. – as duas saíram correndo e foram para o lugar onde aconteceu a tragédia.

Fim do Flashback.

- É uma cena que nunca sairá da minha cabeça. Parecia uma daquelas cidades destruídas por guerras.

- Eu sei. E o que vocês fizeram depois?

- A Savanah ajudou com os feridos e eu me juntei à brigada para a remoção dos escombros. Eu não podia ficar parada, eu tinha que fazer alguma coisa. Foi ai que eu decidi de verdade que queria ir para a polícia. Sabe, antes do onze de setembro, eu tinha um pouco de fé na humanidade. Depois, eu tirei essa ideia da minha cabeça. Os seres humanos nunca vão agir como gente.

- Sabe, os religiosos dizem que Deus vai voltar e acabar com tudo. Eu não acredito nisso. Quem vai acabar com o mundo somos nós.

- Eu também acho. – ela sorriu e voltou para a análise.

- Quem é o cara mais sensacional deste laboratório? Me digam! – disse Adam com empolgação.

- Suponho que seja você, Adam.

- Acertou Sra. Flack.

- O que você encontrou?

- Duas pessoas de todas que nós conversamos tinham resquícios de H3AsO4 em seus pertences. O professor de Química e diretor da escola, Eric Sparks e uma das alunas, companheira de quarto de Catherine, Clarice Sparks. Eles são pai e filha.

- Olha, pelo que eu sei, os professores de Química, não podem levar este tipo de elemento para a sala de aula. É altamente perigoso. – disse Danny.

- Será que eles têm alguma coisa a ver com isso?

- Novidades. Se tinha uma pessoa que odiava Catherine Harper era essa garota aqui. – disse Flack entrando na sala e colocando a foto de Clarice Sparks em cima da mesa. – segundo os colegas de sala elas eram inimigas mortais. Catherine era a capitã das líderes de torcida, namorava o capitão do time de basquete, era linda, rica, tirava boas notas e já estava praticamente dentro de Harvard, todos a amavam. A garota perfeita. Clarice, por outro lado, não faz parte das líderes de torcida, não namora um cara bonito, não era tão linda, boa aluna, não era rica, afinal, ela era filha do professor. Todos a odiavam.

- Isso pra mim se chama inveja. – disse Danny.

- Temos que conversar com essa menina. – disse Lindsay.

- Aproveita e traz o pai dela também. – disse Don.

Uma hora depois, os dois principais suspeitos estavam na sala de interrogatório. Melanie e Flack ficaram com Clarice e Danny e Lindsay, com Eric.

- Oi Clarice, sou a detetive Flack. – disse Melanie, se sentando ao lado de Don. – pode me chamar de Melanie.

- O que eu estou fazendo aqui?

- Nós queremos conversar sobre a Catherine. Como era o seu relacionamento com ela?

- Vocês estão achando que eu fiz isso?

- Ainda não.

- Ela me odiava e eu a odiava.Pronto, simples assim. Ela era metida, se achava demais.

- Não foi isso que todos os outros alunos e professores nos contaram. Eles disseram que ela era uma menina muito boa, muito simpática.

- Claro, todos eles puxavam o saco dela. Todos queriam ser ela!

- Inclusive você. – disse Don, cruzando os braços.

- Não. Eu... Eu só queria ter o reconhecimento que ela tinha. Ela ganhava todos os concursos de Física e Química. Eu sempre me esforcei tanto. Nunca ganhei nada. Todos naquele maldito colégio me odiavam só porque eu sou filha do diretor. Vocês nunca vão entender como é.

- Você tinha motivos suficientes para matá-la, Clarice. Nós encontramos indícios de Ácido Arsênico nas suas coisas.

- Eu não fiz isso. Eu nunca mataria uma pessoa, eu juro. – nessa hora, Melanie olhou nos olhos da garota e percebeu que ela estava falando a verdade.

- Eu acredito em você. – ela disse segurando a mão da menina, que chorava.

- Obrigada, Melanie. – ela sorriu e olhou para Flack que estava de braços cruzados. – porque você não acredita em mim?

- Quem? Eu? Eu não sei se eu acredito em você, sabia?

- Eu não seria capaz de fazer isso, detetive.

- Vou fingir que eu acredito em você, tá okay? – disse Flack saindo da sala.

- Don? Porque você a tratou deste jeito? – disse Melanie puxando o braço dele quando já estavam fora da sala.

- Mel, ela tá mentindo.

- Como você tem tanta certeza?

- Ela está querendo ganhar sua confiança e como você tem dó de todo mundo, você caiu no papo furado dela.

- Eu não tenho dó de todo mundo!

- Ah, tem sim.

- Tá, eu posso ser um pouco compreensiva, mas...

- Hum. – ele cruzou os braços e arqueou as sobrancelhas.

- Não faça essa cara pra mim.

- Ficou brava?

- Não.

- Ah, eu encontrei vocês. O pai confessou tudo. – disse Lindsay.

- Foi ele?

- Não, ele foi cúmplice. Quem a matou foi a Clarice.

- Como?

- Ela quem colocou o ácido arsênico na bebida de Catherine. O pai concordou com essa loucura porque não aguentava mais ver a filha sofrer tanto no colégio. Foi ele quem deu a bebida para Catherine e ele quem a colocou no armário do zelador. Depois, a Clarice foi até o armário se certificar de que o plano tinha dado certo. Ela pensou que ela estava viva ainda e arrumou uma corda para estrangulá-la. Essa menina tem sérios problemas, pessoal. Precisa se tratar.

- Eu te disse. – disse Flack olhando para Melanie e em seguida, entrando na sala e algemando a menina.

- O QUE EU FIZ? ME SOLTA SEU DEGRAÇADO!

- Fica quietinha ai.

- Não deixe ele me levar, Melanie, por favor, não deixe. – ela estava chorando.

- Você vai pagar pelo que fez, Clarice. Eu sinto muito.

Depois de encerrarem o caso, eles se arrumaram e foram para o cerimonial do onze de setembro. Quando a solenidade acabou, Melanie e Don buscaram Hazel na escola e foram para casa.





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