The Choices Of Life... escrita por Natyh Chase Jackson


Capítulo 32
O Segundo de Muitos


Notas iniciais do capítulo

Boa leitura!



— Vocês têm certeza disso? – Thalia perguntou incerta e Silena assentiu com a cabeça, assim como Sally e sua mãe, Afrodite.

— Ele anda tão cabisbaixo. Tenho certeza que esta festinha o animará um pouco. – a mãe da Beauregard garantiu, fazendo a morena de olhos azuis elétricos dar de ombros, não confiando muito no bom humor de seu irmão para a tal surpresa.

— Quem vocês chamaram? – a Grace perguntou, enquanto espalhava sobre a mesa alguns docinhos que sua mãe encomendara de última hora.

— Os de sempre. – dessa vez quem respondeu fora Silena. – E aqueles amigos novos dele, do centro de pesquisas. – a morena complementou, enquanto pendurava letras de feliz aniversário na parede.

— Hum... – Thalia murmurou desgostosa, seu mais novo e constante humor desde a patética união de Annabeth e Luke.

Quase um mês já tinha se passado desde o fatídico dia que a Chase e o Castellan assinaram o acordo que os unia em matrimônio por um ano. E desde então, as coisas não pareciam certas para Thalia Grace.

E não era para menos, visto que a morena sentia falta de sua melhor amiga e de seu afilhado, visto que por quase dois anos, tivera a presença constante dos dois em sua casa e, de repente, eles não estavam mais ali. Era uma sensação de perda que a morena não sabia como explicar. Ela só sabia que era muito ruim.

E a garota tinha plena ciência que não era a única a sentir a falta deles, o que colaborava para o péssimo clima que rondavam a casa dos Jackson.

Sally e Poseidon, por exemplo, pareciam perdidos quando chegavam do trabalho. Peter fazia a alegria de todos durante a noite, e a sua ausência era sentida em grandes proporções pelo casal. Mas, definitivamente, o mais afetado era o Perseu, pois desde que voltara de Noronha para impedir aquele absurdo, e fora malsucedido, o rapaz só vivia para o trabalho.

Todo o seu tempo livre era dedicado ao estágio, Thalia quase não o via durante a semana e quando ele estava em casa sempre era trancado no quarto.

As coisas ficaram ainda mais estranhas quando Annabeth ligou no dia seguinte, assustada com o número de ligações que havia em seu celular. Em algum momento entre ligar o aparelho e responder as ligações de Percy, a loira achara que algo de grave tinha acontecido com o rapaz.

E a Grace presenciara o momento em que o Jackson contara do seu fracasso ao impedi-la de se casar com Luke. Naquela manhã, os dois choraram pelo telefone, pois sabiam que não havia mais volta. Pelo menos não por um ano inteiro.

Então, desde aquele dia a morena não via Annabeth. Ela sabia que tinha permissão para ir visitá-la e o contrário também era verdadeiro, mas a Grace tinha a certeza de que se fosse até lá, não conseguiria segurar sua língua e temperamento e a Chase, aparentemente, não queria ter que se encontrar tão cedo com Percy, não depois que ele mudara de ideia sobre o acordo firmado entre a garota e o Castellan.

— Thalia? – Silena chamou, tirando-a de seus devaneios e a garota a encarou com uma pergunta muda em sua expressão. – Venha aqui! – a morena de olhos chocolates pediu e as duas se afastaram um pouco de Sally e Afrodite, estas que arrumava a sala para melhor acomodar os amigos de Perseu.

— O que foi? – a morena de olhos azuis elétricos perguntou quando já estavam distantes o suficiente, e a Beauregard a encarou por alguns segundos, decidindo-se se deveria ou não falar o que lhe afligia a mente.

— Eu visitei a Annabeth por esses dias. – Silena segredou e Thalia a encarou a espera de um complemento – E bom, eu a convidei para vir hoje.

— Você fez o quê? – a Grace perguntou assustada, pois não sabia se ficava feliz por alguém ter tido a coragem de tomar uma atitude acerca do assunto, ou ficava apreensiva com as consequências que aquilo poderia desencadear.

— Sim. Acha que fiz mal? – a moça de olhos achocolatados perguntou mordendo a ponta do dedo, em apreensão.

— De verdade? – a garota assentiu – Eu não sei. Acredito que só vendo, saberemos se foi algo bom ou não. – a morena de olhos azuis elétricos concluiu e a outra assentiu em concordância. – Só espero que o Luke não venha de brinde.

— Duvido que ele a deixe vir sozinha. – Silena constatou e Thalia assentiu ainda que a contragosto. – Ele parecia um urubu sobrevoando a carniça quando fui até lá.

— Que horror, Silena! – a morena de olhos azuis elétricos exclamou assustada com as palavras de sua prima, uma vez que tal comparação não era do feitio da garota - Só espero que isso não estrague a noite. – a Grace murmurou e logo se afastou, deixando Silena com um gosto amargo na boca.

A última coisa que a Beauregard queria era estragar o dia de seu primo, mas ela sentia, no fundo do seu coração, que aquilo era o que Percy mais queria no momento. Ter os dois ao seu lado, em uma data tão importante quanto aquela seria o maior presente que o rapaz poderia pedir, e ela se encarregaria de conseguir aquilo. Mesmo que isso pudesse render algumas dores de cabeça aos convidados.

Com tal resolução em mente, ela pegou seu celular e, rapidamente, digitou:

[5:39 PM]

Ele costuma chegar às oito da noite, esteja aqui às sete.

— Tomara que isso dê certo, meus deuses. – a morena murmurou olhando para o alto em uma pequena prece e logo se juntou às outras mulheres, terminando de organizar as coisas para a festa surpresa de Perseu.

...

Annabeth se esticou toda e massageou o pescoço cansada. Rolou rapidamente o pequeno botão do mouse, procurando saber o quanto ainda tinha que ler, e não se surpreendeu ao perceber que ainda faltava uma grande parte do relatório. Antes que a garota pudesse voltar ao trabalho, escutou leves toques em sua porta e logo soltou um sonoro:

— Entre!

Rosemary, ou simplesmente Mary, sua secretária e anteriormente a secretária de sua mãe entrou e com um sorriso pesaroso depositou sobre a mesa da garota uma pilha de documentos.

— O Sr. Castellan pediu que a senhora desse uma olhada nessa papelada. – a mulher de meia idade informou, e Annabeth a olhou incrédula. – Ele disse que não precisa ser, necessariamente, para hoje. – com essa notícia a Chase suspirou aliviada, fazendo Mary abrir um pequeno sorriso de compreensão.

— Se fosse para hoje, acho que pularia por essa janela. – a loira brincou apontando para sua esquerda e a mulher mais velha a olhou em repreensão, não gostando nem um pouco da brincadeira. – E eu já disse para me chamar de você. Pelo amor dos deuses, te conheço desde que tinha sete anos.

A mulher riu do ultraje da garota e assentiu, ainda que soubesse que não conseguiria chamá-la da forma que pedia. Estava acostumada a ser formal em seu local de trabalho, e isso não mudaria com a sua atual chefe, mesmo tendo-a visto crescer.

— Luke disse mais alguma coisa? – a Chase perguntou, enquanto analisava por cima os documentos recém-chegados. Sendo estes, relatórios e mais relatórios sobre a real e delicada situação econômica da Olympus Arquitetura C.O.

— Não. – a mulher garantiu e complementou – Mas parecia estressado. Acredito que tenha brigado com o Senhor Hermes.

Annabeth revirou os olhos ante a informação, e assentiu com pouco interesse.

— Não é como se fosse uma grande novidade, não é mesmo? – a garota perguntou com um leve deboche, e a mais velha não se permitiu reagir, mesmo que quisesse. – Você pode ir, Mary. Muito obrigada.

— A senhora não precisará de mais nada? – a morena de meia idade questionou e Annabeth negou, voltando a afirmar que seu expediente se findava ali. – Bom, até amanhã, Senhora Chase.

— Até.

Annabeth assistiu à saída de Mary de sua sala e deu uma breve olhada em seu celular. Já passava das seis horas da tarde, e a Chase não se surpreendeu com aquilo, visto que desde que assumira a presidência da empresa de sua família, juntamente com Luke, era mais do que normal ultrapassarem o horário de expediente. A situação por ali estava realmente delicada, e demandaria muito esforço dos dois para reerguer o que um dia fora a maior empresa de Arquitetura do estado, quiçá do país.

O que a surpreendeu, na verdade, foi encontrar uma mensagem de Silena, pois apesar das visitas constantes dela e de seus amigos, a morena não era dada a mensagens. A filha de Afrodite preferia o contato físico, por isso gostava de visitas surpresas e encontros inesperados.

[5:39 PM]

Ele costuma chegar às oito da noite, esteja aqui às sete.

E, aparentemente, era um desses encontros inesperados que ela planejava para aquela noite.

O coração de Annabeth pulou uma batida e sua mente logo viajou, lembrando-se da última visita que Silena fizera a ela.

Ele está tão grande, Annie.— a morena resmungou dengosa ao pegar Peter no colo. – E bonito! – ela complementou, enquanto via Luke andar de um lado para o outro. Como um verdadeiro guarda-costas.

A Chase riu, mas não negou. Pois como uma boa mãe coruja que era, concordava com cada palavra da morena a sua frente.

— E sapeca. – a loira complementou em um tom risonho – Agora, ele só quer correr para cima e para baixo. Andar? Nem de longe é uma opção.

— Eu imagino. – Silena murmurou e soltou o pequeno no chão, visto que ele já se contorcia querendo sua liberdade – Agora ele pode ir para onde quiser e sozinho. Tem coisa melhor que isso?

Annabeth negou com a cabeça e ficou admirando Peter ir atrás de seus brinquedos, para logo em seguida sentar-se aos seus pés e se divertir com sua imaginação. Com um breve olhar, a loira questionou o Castellan sobre a sua presença na sala, e graças aos deuses, o celular do mesmo tocou no mesmo instante. Fazendo-o se retirar.

— É sempre assim? – Silena indagou curiosa. E Annabeth rolou os olhos ao assentir.

— Até parece que a qualquer momento eu fugirei com Peter. - a loira resmungou desgostosa com a situação, pois todas as vezes que alguém vinha visitá-la, Luke ficava rondando a sala como um fantasma. Aquilo era, para falar o mínimo, desconfortável.

— Esse cara é muito inseguro. Pelos deuses. — Silena murmurou e logo se voltou completamente para a Chase - E então? Tem tido notícias de casa? – a morena perguntou ao se sentar no sofá e Annabeth balançou a cabeça em negação, e a garota soltou um suspirou pesaroso.

 Aquilo não estava certo.

— Desde que o Percy voltou de Noronha, não tive coragem de ir até lá. – Annabeth resmungou com certo desconforto e a Beauregard assentiu, sabendo sobre o que a Chase se referia.

Perseu também estava balançado com a situação, uma vez que ele apoiara a garota a aceitar aquele maldito acordo e depois mudara de ideia, resolvendo lutar pelo que achava ser o certo.

— Parece que ao não desistir de tudo aquilo, eu o traí. Entende? – a loira questionou com o cenho franzido e a morena assentiu, como se soubesse pelo que a garota a sua frente estava passando. – Ele tentou impedir, e eu aceitei tudo passivamente.

— Mas não foi isso o que aconteceu. E você precisa colocar isso na sua cabecinha teimosa, Annie. – a namorada de Charles afirmou e a loira assentiu, ainda que não concordasse por completo.

— Fácil falar, difícil fazer.

— Se você não pensar muito sobre, é capaz de conseguir. Sem contar que eu duvido, e muito, que o Percy tenha essa percepção sobre esse assunto. – a morena disse com convicção e Annabeth balançou a cabeça, ainda que não tivesse muito certeza sobre o que Silena falava. – É claro que ele está triste com toda a situação, por isso minha mãe e eu estamos pensando em fazer uma festa surpresa de aniversário para ele... Vamos falar com a Tia Sally ainda essa semana. Tenho certeza que ele adoraria que vocês fossem. – Silena bateu palmas animadas, enquanto seu olhar vagava entre Annabeth e Peter.

— Silena...

— Nem adianta falar nada agora. – a morena rapidamente a cortou. – Pensa com carinho e depois me avisa. Por favor!

Nesse exato momento, Luke voltara a sala e se sentou ao lado de Annabeth, enquanto brincava com Peter.

— Você sabe que eu sou hétero, não é mesmo? – Silena perguntou de repente, arqueando a sobrancelha. O Castellan a encarou com um ponto de interrogação praticamente brilhando em sua testa – É que, às vezes, tenho a leve sensação de que você acha que roubarei a Annabeth daqui. Gosto muito do Charles para tentar algo com ela.

Com esse comentário, o loiro de olhos azuis soltou uma risada incrédula, e fingiu que a garota não falava consigo. Ou pelo menos foi isso que a mente de Annabeth registrou, pois depois do pedido de Silena sua mente só conseguia ecoar as palavras da garota no que parecia um looping eterno. E o coração da Chase parecia reverberar aquele pedido, em uma forma de convencê-la de que aquilo era o certo a se fazer.

Na verdade, todas as células do corpo da loira pareciam pedir para que ela fosse até a casa dos Jackson e matasse a saudade que sentia de todos.

Aquela dorzinha chata poderia diminuir um pouco, não poderia? Ou será que ela ficaria pior ao voltar para a casa dos Castellan?

Você só vai saber indo até lá. – a consciência da Chase resmungou apelativa, e ela logo pegou o seu celular digitando uma rápida mensagem para a babá de Peter e assim decidindo-se sobre o seu destino naquela noite.

[6:27 PM]

Por favor, arrume o Peter. Iremos sair.

A Chase pegou sua bolsa e, agilmente, guardou tudo o que precisava. Antes que conseguisse sair de sua sala, no entanto, Luke rompeu pela porta com a feição preocupada e alguns papéis em sua mão.

— Você viu os documentos que pedi para Mary te entregar? – o rapaz não olhava em sua direção, ele parecia mais preocupado em decifrar o que estava escrito nos relatórios que trazia consigo.

— Você poderia bater na porta antes de entrar, não é mesmo? – a loira perguntou sarcástica e Luke a olhou debochado.

Aquele comportamento dele era constante. E a Chase sabia que ele o fazia para irritá-la, visto que na primeira vez que ele o fizera, Annabeth puxara uma briga colossal com o rapaz, e sabendo que ela tentava se segurar dentro da empresa, Luke usava e abusava de sua paciência.

— Já conversamos sobre isso, loirinha. — disse provocando, e a Chase limitou-se a revirar os olhos. Ela odiava aquele apelido com todas as suas forças.

— Também já disse para não me chamar assim. – a loira rosnou entredentes, e o Castellan abriu ainda mais seu sorriso.

Ele adorava provocá-la.

Annabeth respirou fundo três vezes seguidas e sentou-se novamente em sua cadeira.

— Pode falar, Castellan. – e com isso abriu um sorriso amarelo.

— Você fica tão linda assim. Nervosa! – o loiro galanteou e a loira sustentou o olhar dele, deixando claro que não se abalava com os elogios do rapaz. – Mas voltando ao trabalho... Você viu os documentos que mandei pela Mary?

— Dei uma olhada por cima. – a loira respondeu rapidamente, e Luke franziu o cenho.

Desde que assumiram juntos a Olympus Arquitetura C.O, Annabeth fazia de tudo para estar a par dos assuntos da empresa. Não era do feitio dela dar uma olhada por cima.

— Se você não reparou, já deu a nossa hora. – a Chase resmungou ao perceber a expressão de estranhamento dele, e Luke a encarou por alguns segundos tentando lê-la pelas entrelinhas.

— Mas já tem mais de uma semana que estamos ficando até mais tarde. – o loiro constatou, e a loira espremeu sua expressão em uma careta.

Falando daquela forma, até parecia que ela não estava interessada em salvar a empresa da sua família.

— Sei que sim, mas hoje não dá.

— Aconteceu alguma coisa com o Peter? – Luke rapidamente se preocupou, e Annabeth negou com a cabeça, satisfeita com a aparente preocupação do Castellan para com o seu filho.

 - Não, não aconteceu nada com ele. – a loira garantiu, e o rapaz respirou aliviado – Na verdade, ele está tão bem que sairemos esta noite. – a garota informou, e logo se levantou. Dando assim, mais ênfase à sua fala.

— Sairemos?

— No caso, ele e eu. – a Chase deixou claro, uma vez que a última coisa que ela queria para aquela noite era que Luke a seguisse até a casa dos Jackson.

— Posso saber aonde vão? – o rapaz perguntou atordoado, pois não sabia se seguia Annabeth ou cuidava da papelada que tinha em mãos. Um pouco estabanado, o homem deixou as pastas com o emblema da empresa em cima da mesa de Mary, enquanto a Chase chamava o elevador.

— Nos Jackson. – a garota respondeu entrando na caixa metálica, e antes que Luke pudesse raciocinar o que aquelas pequenas palavras significavam, as portas já se fechavam. – Boa noite! – a loira acenou feliz ao perceber que a informação tinha abalado o Castellan.

...

A risada que Peter deu ao ver sua mãe entrar no quarto, foi a maior alegria que Annabeth teve até aquele momento, e felizmente, ela sabia que não seria a única daquela noite, já que estava indo a casa dos Jackson, matar a saudade que sentia daquela família que a acolhera com tanto amor.

Mama! – o pequeno a saudou, e a mesma direcionou um sorriso satisfeito em direção ao pequeno.

— Oi, Annabeth. – a babá de Peter disse quando a mulher parou ao seu lado, e a loira sorriu em cumprimento – É tão bonito ver o quanto ele se anima quando a senhora chega. – a ruiva disse colocando o pequeno Chase em seu colo.

— Senhora, Liz? – Annabeth franziu o cenho e a mulher com um pouco mais de trinta anos riu com a careta da garota. – Você. Por favor! Qualquer dia desses vou juntar você e a Mary e ensiná-las a me chamar de você. – a loira brincou e Liz voltou a dar risada.

Elizabeth Jones fora uma das imposições de Hermes quando Annabeth e Luke começaram a trabalhar na Olympus Arquitetura C.O, o homem acreditava ser inadmissível que a loira levasse o pequeno Chase para o trabalho. Segundo ele, negócios e família não deveriam se misturar em níveis tão extremos, algo definitivamente contraditório, mas seu neto também não poderia ser cuidado por qualquer pessoa.

Liz, como gostava de ser chamada, já tinha experiência no ramo e diversas recomendações, assim como qualificações, em seu currículo. E embora, a Chase tenha resistido no início, uma vez que Peter nunca ficara com um estranho por tanto tempo, a garota sabia que seria muito melhor para ele ficar em casa se divertido com a sua babá, do que em uma sala de reuniões em meio a assuntos empresariais.

— Como foi o dia? – Annabeth perguntou pegando Peter em seu colo, e a ruiva riu, sabendo da preocupação da mais nova.

— Hoje foi tudo tranquilo, mamãe coruja. – a mulher brincou e a Chase a encarou com um olhar culpado. – Ele comeu direitinho, e brincou como se não houvesse amanhã. – Liz relatou, e Annabeth sorriu satisfeita com as informações. – Também fomos ao parque, e aparentemente, ele tem mesmo uma grande fascinação pela água.

— Sim. Ele ama água.

— Pensei que fosse só no banho, mas hoje ele queria entrar no lago a qualquer custo. Foi difícil fazê-lo aceitar o parquinho.

— Isso me lembra uma cena parecida, mas no meu caso foi difícil refrear o pai dele e não ele. – Annabeth riu quando recordações de um dia quente vieram a sua mente, onde Percy insistia que um mergulho no lago não era nada demais.

— O Senhor Luke não me parece um amante de água. – Elizabeth soltou alheia a situação e o sorriso da Chase rapidamente murchou.

— E ele não é. – a garota disse, e Liz franziu o cenho confusa, enquanto arrumava a mala que Peter levaria em sua saída com a mãe. – A história é longa, qualquer dia desses eu te conto.

Elizabeth não entendeu muito bem o que a loira quis dizer, mas resolveu deixar passar, visto que não era paga para entender os dramas que seus patrões viviam.

— A malinha dele já está pronta. – a mulher informou e Annabeth assentiu.

— Que horas são? – a loira questionou, perguntando-se se daria tempo de tomar um banho.

— Sete em ponto. – Elizabeth respondeu depois de uma breve olhada em seu relógio e a Chase assentiu, passando Peter para a mulher.

— Eu vou tomar um banho rápido. Dá uma olhadinha nele? – a ruiva assentiu, logo pegando o pequeno e um dos brinquedos favoritos dele.

A loira voou até o banheiro, e em menos de vinte minutos ela estava finalizando sua produção com uma borrifada de perfume e uma simples passada de batom.

— Olha como a mamãe está bonita, Peter. – Liz brincou e Annabeth riu indo até a sua escrivaninha, onde ela tinha guardado o presente de Perseu.

Embora tenha demorado para assumir a sua decisão, Annabeth sabia que, lá no fundo, ela já estava tomada, uma vez que depois da visita de Silena a loira se preocupara em comprar um presente para Percy. E como já tinha algo em mente, a tarefa não fora nenhum pouco difícil.

— Já está pronta? – Luke perguntou entrando no quarto, e Annabeth limitou-se a um revirar de olhos. – Boa noite, Liz. Boa noite, pequeno.

O loiro pegou o Chase no colo, e este sorriu feliz com a atenção. Apesar de recente, o vínculo entre os dois estava se estreitando e se fortalecendo cada vez mais. E por mais incrível que pudesse parecer, o Castellan estava realmente tentando criar laços com Peter. Aparentemente, o pequeno não era apenas uma forma de atrair a mãe.

— Eu vou com vocês. – Luke afirmou determinado, enquanto Annabeth terminava de arrumar sua bolsa, e a mesma não se surpreendeu com a fala dele.

— Ok. – ela sabia que não adiantava discutir, por isso aceitou de primeira - Só espero que você não arranje nenhuma confusão.

— Se ninguém provocar. – o rapaz murmurou e a garota o fuzilou com o olhar.

— Eu estou falando sério, Luke. – a garota murmurou, nenhum pouco a fim de brigar, mas muito menos de dar o braço a torcer. – Hoje é um dia especial, não quero estragar a noite deles. Lembre-se da última data importante que você estragou.

Liz, sentindo que o clima estava pesando, decidiu deixar o quarto silenciosamente. Afinal, não estava ali para ser plateia das brigas de seus patrões, ainda que não entendesse muito bem a relação deles, uma vez que casais recém-casados não costumassem dormir em quarto separados, como era o caso dos Castellan.

Luke, por sua vez, prometeu a si mesmo que evitaria todo e qualquer confronto. Não estava a fim de repetir a noite das bodas de Sally e Poseidon. O sermão que levara naquele dia, não seria nada comparado a briga que arranjaria com Annabeth se algo saísse dos conformes naquela noite.

— Temos um acordo, então. – o rapaz murmurou deixando o quarto com Peter, e Annabeth assentiu, logo seguindo-os.

...

Percy estava morto de cansaço, mas a sensação era melhor que o vazio que o rapaz vinha sentindo nos últimos dias. Era algo angustiante que o impedia de seguir a vida da forma que deveria, e definitivamente, ele não gostava desse sentimento.

O Jackson atribuía seu atual estado ao fato de as coisas não terem ficado claras com Annabeth, pois ao tentar impedir que o casamento acontecesse, o rapaz deixou no ar a sua insatisfação com toda a situação, e aparentemente, isso acabou por afastar a Chase e seu filho, este de quem ele sentia muitas saudades.

Percy nunca pensou que fosse sentimental ao ponto de se isolar como ele vinha fazendo, pois quando fora separado de sua família pelos seus avós, obviamente sentira falta deles, mas nada se comparava a falta que sentia de Annabeth e de Peter naquele momento. Até parecia que algo havia sido arrancado dele, e o moreno não sabia como recuperar esse pedaço que lhe fazia falta.

Ele queria dar o primeiro passo, mas não sabia se deveria.

Desistindo de pensar muito sobre o assunto, o rapaz logo desligou o carro e desceu do mesmo. Seu corpo clamava pela sua cama, e o Jackson não tardaria em atender o pedido dele.

A casa estava silenciosa, algo que ele já esperava, visto que deixara clara a sua intenção de não comemorar seu aniversário naquele ano. Pelo menos, ele acreditava que todos tinham entendido o recado.

Sendo assim, fora realmente uma surpresa quando o moreno pisou na sala e as luzes se acenderam de repente e um sonoro surpresa tomou conta de todo o espaço.

O Jackson ficou parado na porta por alguns segundos, ainda registrando o que havia acabado de acontecer, mas ao ver todos sorridentes e esperando uma reação sua, o rapaz riu e se permitiu comemorar mais um ano de vida. Eles estavam ali por ele, sendo assim, era o mínimo que ele poderia fazer.

Grover fora o primeiro a se aproximar, e antes que Percy pudesse dizer algo, o rapaz já o abraçava como se o mundo pudesse acabar a qualquer momento. O Jackson ria, ainda que não conseguisse distinguir muito bem o que o Underwood dizia, visto que a voz do mesmo estava sendo abafada pelo corpo de Perseu.

— Só queria dizer que te amo muito, cara. – Grover resmungou ao se afastar e Percy riu, abraçando-o mais uma vez. O Underwood sabia ser bem sentimental de vez em quando.

Logo depois vieram os Stolls e antes que eles pudessem enlaçar o rapaz, o mesmo buscou olhar a mão deles. Ao não ver nenhum sinal de gracinha, como os ovos do ano passado, perguntou:

— Nada de pegadinhas esse ano?

— Nada de sujar a minha sala. Isso sim! – Sally resmungou do outro lado do cômodo, fazendo todos os presentes rirem.

— Sabe como é, né... Até tentamos adiar a festa para o fim de semana, mas a tia não quis liberar a piscina. – Travis brincou e Connor riu abraçando Perseu. – Mas cuidado, Jackson. Nunca se sabe quando cairá em uma pegadinha.

— Falando assim, você até me assusta. – o rapaz brincou ao abraçar o outro gêmeo, e os demais da sala riram.

O jovem Jackson continuou a adentrar a sala e logo esbarrou em Charles e Silena, essa que pulava animada, e denunciava que aquela ideia fora dela. A morena não conseguia esconder quando queria saber se uma pessoa gostara ou não de uma surpresa sua.

— Do jeito que você está pulando feito uma rã, aposto que isso foi ideia sua. – Percy brincou ao abraçá-la, e a morena riu delicada, impressionada com o quanto seu primo a conhecia.

— E essa nem é a única surpresa. – a garota resmungou ao soltar o rapaz, e este logo entrou em estado de alerta. – E parabéns, peixinho.

Como assim, não era a única surpresa? — Seu subconsciente se perguntou, e o Jackson não teve tempo de questionar-se por mais tempo, pois logo os braços longos e fortes de Beckendorf estavam o rodeando em um abraço masculino.

— Parabéns, cara! Mais um ano para a conta. – o negro disse com um sorriso brilhante, fazendo com que o mesmo se espelhasse no rosto do Jackson.

Percy se afastou e deu uma breve olhada em todos os presentes, tentando descobrir a qual surpresa, além da festa, Silena se referia. Todos estavam com sorrisos enormes e olhares que pareciam dizer que eles sabiam de algo que o rapaz ainda não tinha conhecimento. Aquela sensação o estava matando por dentro, mas antes que pudesse perguntar qual era a outra surpresa, seu olhar pousou em duas pessoas peculiares naquele ambiente.

— Hey... Até vocês estão aqui?

Mike riu e logo abraçou o moreno, parabenizando-o mesmo que já o tenha feito no trabalho.

— Fomos convidados. – o ruivo respondeu brincalhão, e Percy assentiu não achando ruim a presença de seus colegas ali. - Casa legal, Jackson.

— Como é que vocês estão tão arrumados assim? – o Jackson perguntou abismado, ao abraçar uma Alexia completamente diferente da qual vira há cerca de uma hora e meia atrás. Depois de ajudá-lo a sair de Noronha, a relação entre os dois tinha melhorado um pouco. Embora Percy ainda achasse que a garota era o capeta na terra.

— Você acha que aquele relatório era realmente para hoje? – a morena perguntou com um sorriso travesso, e Percy a encarou abismado – Eu precisava me arrumar, Jackson. Não podia aparecer aqui com aquela roupa cheirando a peixe.

— E eu posso, não é mesmo? – o moreno perguntou ultrajado, mostrando o jaleco que estava pendurado em seu ombro. Ele sempre se esquecia de guardá-lo em seu armário no Centro de Pesquisas.

— Você é o aniversariante, ninguém vai te julgar por isso. – Alexia respondeu, e Mike assentiu como se concordasse com ela.

— Suas amigas são bem bonitas, né? – o ruivo perguntou matreiro e olhando a sua volta, e Percy limitou-se a rir.

— Elas não são para o seu bico, Jones. – o Jackson disse dando um tapa em sua nuca, e dessa vez quem riu foi o rapaz.

— Persiana, você poderia cumprimentar os outros, por favor? Eu quero sentar. – Clarisse, que estava por perto, disse apressando-o, e Percy riu caminhando até ela.

— Nunca imaginei que fosse te ver assim... – o Jackson começou brincalhão, para logo completar – Louca por um abraço meu.

Com esta última frase, a La Rue fechou a cara e deu um soco no peito do rapaz, este que ele respondeu com um grito abafado pela momentânea falta de ar. Mas enquanto o mesmo ecoava pela sala, um outro se fez presente, arrepiando Percy por completo.

Papa! – e de repente, Peter estava correndo em sua direção com seus passos não tão cambaleantes quanto aqueles que o rapaz se lembrava.

O Jackson ficou estático por um segundo, mas logo estava se ajoelhando de braços abertos para receber o seu pequeno entre eles. Quando Peter chegou perto o bastante do seu alcance, Percy o abraçou apertado, e o pequeno não se fez de rogado abraçando seu pai pelo pescoço.

Um coro de suspiros ecoou pela sala, e os olhos de Percy rapidamente se encheram de lágrimas. Tentando disfarçar, o moreno afundou seu rosto no pequeno pescoço de Peter, e aspirou o cheirinho dele, e feliz ficou ao constatar que era o mesmo ao qual estava acostumado.

— Eu até tentei fazê-lo esperar um pouco mais, mas ao ouvir a voz de Percy... – a voz de Annabeth ecoou pela sala, fazendo o coração do moreno bater descompassado. Aquilo era bom demais para ser verdade. – Não deu pra segurar. – a loira concluiu dando de ombros e Percy levantou o olhar até ela.

A loira estava linda, para dizer o mínimo. E ele estava radiante de felicidade, algo que não tinha imaginado para aquela noite.

Annabeth sorria tranquila para Perseu, enquanto seu coração batia tão forte quanto o do rapaz. Ela tinha chegado cerca de meia hora antes que ele, aparentemente a morena que ela nunca vira na vida e estava ali, tinha dado um relatório de última hora para o moreno, a fim de atrasá-lo um pouquinho.

Quando a loira chegara fora uma verdadeira festa. Sally rapidamente a abraçou, dizendo quantas saudades sentia dela, e Peter logo fora o alvo dos apertos carinhosos da Sra. Jackson. Poseidon também não se fizera de rogado ao abraçar Annabeth apertado, logo seguindo para cumprimentar o pequeno Chase, este que parecia felicíssimo em rever seus avós.

Thalia viera logo em seguida, agarrando-a em um abraço de urso, e reclamando do quanto sentira falta da loira.

— Nunca achei que fosse dizer isso, mas você é muito importante para mim, Chase. – a morena sussurrou no ouvido da melhor amiga, fazendo os olhos da mesma marejarem no mesmo instante. – Precisamos conversar antes de você ir embora. – a Grace pediu e a loira assentiu abraçando-a mais forte.

Nesse momento, Luke estava parado atrás dela como um guarda-costas. Thalia olhou para ele, mas não se incomodou em cumprimentá-lo, fingindo muito bem que o rapaz nem estava ali. Era melhor evitar o estresse.

Poseidon e Sally, no entanto, o cumprimentaram e pediram que ele se sentisse em casa, enquanto carregavam Peter no colo até onde Maria estava. A mulher também sentia falta da pequena alegria da casa.

Os amigos de Annabeth logo a cumprimentaram e rapidamente eles se fecharam em uma bolha, excluindo Luke completamente da conversa que se iniciara. Este que não pareceu atingido com a ação das pessoas que o rodeavam, visto que já esperava por algo semelhante.

— Eu não acredito que você veio mesmo! – Silena exclamou feliz, e Annabeth espelhou o sorriso da morena. – Ele vai ficar tão feliz.

— Eu espero que sim. – a Chase disse baixinho, e a Beauregard a acertou com o ombro.

— Já te disse para esquecer isso. – a morena bronqueou e antes que a loira pudesse retrucar, a campainha tocou.

— Devem ser os amigos dele. – Thalia murmurou e fora atender a porta.

— Amigos? – a loira perguntou franzindo o cenho, pois todos que eram importantes para o rapaz já estavam ali.

— Do Centro de Pesquisas. – Silena complementou a informação, e Annabeth se sentiu mal com a mesma.

Não tinha nem um mês completo que ela e Percy estavam separados, mas já tinha acontecimentos na vida do rapaz dos quais ela não tinha conhecimento. O que aconteceria dali um ano?

Mike e Alexia logo entraram e Thalia os apresentara para os demais, que os receberam muito bem, fato que fez Luke fechar a cara um pouco mais do que o habitual.

— Ele vai chegar um pouco mais tarde. – Alexia disse e todos a olharam com o cenho franzido – Passei um relatório de última hora para ele. – a morena explicou fazendo todos rirem.

— Bem que ele disse que você era o capeta em forma de gente. Relatório surpresa no aniversário dele? – Connor disse brincalhão, e Alexia o fuzilou com os olhos. – Isso é pior que prova surpresa na segunda. - Nico, que estava ao lado do Stoll, rapidamente o acertou com o cotovelo.

— Essas coisas não se falam, Connor.

— Mas foi o que Percy disse. – o rapaz se defendeu erguendo as mãos em sinal de rendição.

— Acredito que essa coisa de capeta já esteja superada entre Percy e eu. – Alexia garantiu e Annabeth não gostou da forma com a qual ela falara o nome do Jackson. Parecia íntimo demais para o seu gosto, mas antes que sua insatisfação pudesse ficar explícita, o interfone tocou e todos já começaram a se movimentar para esconderem-se.

James, o porteiro, ficara responsável por monitorar as câmeras e avisá-los quando o Jackson estivesse próximo. Aquele era o sinal.

— Se esconde ali na sala de jantar. E só apareça depois que todos já tiverem o parabenizado. – Silena disse para a loira e quando Sally vinha voltando com Peter ainda em seus braços, a morena complementou – Leve o Peter com você.

Annabeth não retrucou, pois não estava em condições de fazê-lo. Seu coração batia enlouquecido ante a perspectiva de estar na presença de Percy em questão de minutos. A última vez que o vira em carne e osso fora no aeroporto, quase que um mês e meio antes.

Luke ao ver a movimentação, achou melhor seguir Annabeth. Ele queria que quando os olhos de Percy pousassem sobre ela, ele estivesse ao lado dela. Como um pequeno lembrete.

— Ansiosa? – o Castellan perguntou ácido quando chegaram a sala de jantar, e Silena voltara para a sala.

A luz se apagou e o silêncio reinou por um tempo.

— Bonita aquela morena. Quem é ela? – Luke sussurrou venenoso, e logo completou – Nova amiga do Perseu?

— Isso não te interessa. – Annabeth cortou rapidamente, ciente que ele queria abalá-la com aquela conversa.

Logo o barulho de um carro fora ouvido, e o silêncio voltou a reinar. Annabeth fazia um esforço descomunal para manter Peter quieto e em seu colo, mas quando a porta fora aberta e todos gritaram surpresa, a tarefa se tornara ainda mais difícil. O pequeno estava louco de curiosidade em saber o porquê da gritaria.

Eles não estavam tão perto da porta que ligava os dois cômodos, por isso as vozes estavam abafadas. Annabeth não sabia o que estava acontecendo, e quando pensara em se aproximar para saber a hora que deveria aparecer, Percy soltou um grito e Peter se agitou por completo, obrigando a Chase a soltá-lo.

Papa!— o pequeno gritara e logo um sorriso rasgou o rosto da Chase de um lado ao outro.

Com um olhar vitorioso, ela se virou para Luke e murmurou:

— Parece que algumas coisas ainda continuam as mesmas. – e logo saiu de perto dele, encaminhando-se para a sala.

Quando a loira chegara ao cômodo adjacente ao que estava, se emocionou com a cena que viu. Percy estava abraçado a Peter e dali era possível ver o carinho que emanava dos dois. A loira sabia que o pequeno Chase tinha sentido a falta de Perseu assim como ele sentira do garoto, visto que em algumas noites, antes de dormir, seu peixinho ficava chamando por Perseu, seu papa.

Cena que partia em pedaços o coração da mulher.

— Feliz aniversário, Percy. – a mulher disse ao se aproximar um pouco mais, e o rapaz logo se levantou, com Peter ainda em seu colo.

Sem dizer nada, o moreno diminuiu a distância que ainda os separava e logo a abraçou. Um suspiro de alívio escapou pelos lábios de Annabeth, e logo ela estava retribuindo o aperto com a mesma intensidade com que ele fazia.

Era tão bom estar ali novamente. A sensação de se estar em casa ainda era mesma, o que tirava um grande peso dos dois corações que não sabiam o que aconteceria dali para frente. Saber que ainda parecia certo, que ali nos braços um do outro ainda era os seus lugares deixava-os aliviados e felizes.

— Oi, Sabidinha. — o moreno disse se afastando um pouco e a loira levantou a cabeça para olhá-lo nos olhos.

O verde de seus orbes continuava o mesmo, e estes sorriam para ela, fazendo seu coração errar algumas batidas.

— Oi, Cabeça de Algas. — a Chase respondeu com um sorriso, e Percy começou a se aproximar para um beijo, mas antes que a distância acabasse de fato, um pigarreio ecoou pela sala. Fazendo-os se afastarem.

O Jackson olhou para a direção da qual viera o barulho, e não se surpreendeu ao encontrar Luke ali. Com um sorriso debochado, o moreno voltou-se para Annabeth e depositou um singelo e demorado beijo na testa da mesma.

— Estou feliz que esteja aqui. – o rapaz murmurou no ouvido da Chase, fazendo-a sorrir ainda em seus braços.

— Estou feliz em estar aqui. – e para enfatizar sua fala a mesma o abraçou ainda mais forte.

E ainda que fosse a vontade de Percy ficar ali pelo resto da noite, ele sabia que não seria possível. Por isso, com mais um beijo se afastou de Annabeth, mantendo Peter em seu colo.

— Mais alguém para me desejar os parabéns? – o rapaz perguntou abusado, e os demais riram logo indo cumprimentá-lo.

Sally e Poseidon foram breves, visto que já tinham dado as devidas parabenizações naquela manhã. Thalia também fora rápida e quando tentara pegar Peter de Percy, o moreno não deixou, seguindo os cumprimentos com o pequeno em seus braços.

Todos estava ali, e Percy estava feliz por isso.

Afrodite, que já tinha falado com o Jackson mais novo, logo apareceu com um bolo em mãos e deu início a tão famosa música de aniversário.

Durante toda a cantoria Peter permaneceu no colo de Percy, e ocasionalmente deitava sua cabeça no ombro do mais velho, sinalizando que estava gostando de estar ali.

— Faça um desejo, Percy. – Afrodite disse colocando o bolo mais próximo do moreno, este que rapidamente deu uma olhada em Annabeth e em seguida soprou as velas.

Depois disso as coisas seguiram o seu rumo natural, o bolo fora levado à mesa e cortado para todos. Felizmente, ninguém quisera saber de quem seria o primeiro pedaço, e como a sua presença não era tão necessária assim, o moreno pode se ausentar do momento por alguns minutos.

— Como você está, campeão? – o rapaz perguntou ao se sentar com Peter ainda em seus braços.

Papa! — o pequeno resmungou e Percy sorriu com a fala do garoto.

— Você está enorme, peixinho. — o rapaz brincou apoiando-o em seus joelhos, a fim de que seus olhares ficassem alinhados. – Seu cabelo também está maior. – o moreno observou e sorriu feliz quando Annabeth sentou-se ao seu lado.

— Verdade! Estou pensando em cortar. – a loira murmurou passando a mão na cabeça do filho e levantando os fios cor de areia em um topete. – Assim ficaria legal, não?

O braço da Chase roçava levemente no de Perseu, e aquele contato mesmo que mínimo, arrepiava-os dos pés à cabeça.

— Senti falta de vocês. – o Jackson segredou baixinho e um suspiro contido escapou pelos lábios da garota.

— Nós também, Percy. – a Chase garantiu e o rapaz abriu um sorriso resignado.

— Como estão as coisas por lá? – ele perguntou, enquanto passava seus dedos pelos cabelos de Peter, este que parecia muito satisfeito com o carinho.

— Nós brigamos dia sim e dia também. – a garota contou e o rapaz assentiu não se surpreendendo muito. O Jackson sabia que Annabeth não facilitaria as coisas para os Castellan. – O Peter está começando a se acostumar, não demora tanto para dormir quanto antes pelo menos.

— Imagino que tenha sido difícil para ele.

— Sim... – a loira hesitou, mas por fim achou melhor contar – Ele chama por você, às vezes.

Percy respirou fundo com a informação, e seus olhos voltaram a marejar. Tentando se recompor, o rapaz deu um beijo na testa do pequeno e o abraçou apertado. Também não era fácil para o mais velho toda aquela distância.

— E a empresa? – o moreno mudou de assunto e a loira entendeu o motivo.

— A situação é bem delicada. Luke e eu estamos dando o nosso máximo para reerguê-la.

Percy pensou por um segundo, para logo em seguida perguntar:

— Vocês estão trabalhando juntos? – a ideia não o agradava nenhum pouco, pois além de morar com Annabeth, o Castellan ainda passava o dia junto dela.

— Foi uma das exigências de Hermes.

— Hum... – o moreno se calou, e ao ver quão mexido ele ficara com a novidade, a loira escorregou sua mão pelo braço do rapaz e entrelaçou os seus dedos aos dele.

— Trouxe um presente para você. – dessa vez quem mudara de assunto foi a loira.

— Desculpe-me, não tenho nada para você. – o rapaz disse com um sorriso de lado, e Annabeth negou com a cabeça.

Desde que acordara a loira vinha tentando empurrar para o fundo de sua mente que além do aniversário do moreno, o dia dezoito de agosto também marcava o início de seu namoro com o rapaz.

— Eu tinha imaginado esse dia diferente. – Percy resmungou brincando com os dedos de Annabeth, enquanto a garota pensava no quão estranho era aquela situação. Ela queria olhá-lo nos olhos e sorrir abertamente. Beijá-lo também era a sua vontade, e ela não o podia fazer, pois Luke poderia entrar naquela sala a qualquer momento.

Isso não era justo.

Nico voltou para a sala e limpou a garganta para chamar a atenção do casal, este que rapidamente soltou as mãos.

— É você! – Annabeth soltou aliviada, e o Di Ângelo abriu um sorriso amarelo.

— Não vão comer bolo? – o rapaz perguntou tentando quebrar o clima que ficara no ambiente, e nesse mesmo instante Luke voltou para a sala.

Annabeth se levantou e se dirigiu para a sala de jantar sem sequer direcionar uma olhadela para o loiro. E o Castellan a acompanhou com o olhar, até que ela sumisse de vista e depois deixou que sua atenção vagasse entre Percy e Nico. O Jackson brincava com Peter, e o Di Ângelo comia seu bolo calmamente.

— Quer bolo, Peter? – Luke perguntou e o pequeno o olhou por um momento.

Olo!

Quando o Castellan estendeu os braços para que o Chase fosse para ele, o mesmo negou e se agarrou a Percy. Por um momento, o moreno quis provocá-lo, mas resolveu, por fim, ficar quieto. Luke não valia o seu tempo.

— Como estão as coisas, Luke? – Nico perguntou e o rapaz voltou sua atenção para o seu conterrâneo.

— Bens. – o loiro respondeu curto e grosso, e o Di Ângelo arqueou uma de suas sobrancelhas surpreso com o tom utilizado.

— Okay, então.

Logo após esse momento estranho, Thalia entrou no cômodo e se sentou no sofá oposto ao de Nico. O rapaz não falava com ela desde a troca de mensagens no fatídico dia em que Percy voltara para casa, e mesmo que a morena soubesse que ele entendera tudo errado, não seria ela quem explicaria para ele a situação. Até porque, ao não receber uma resposta o rapaz rapidamente se arranjara com um outro alguém. O orgulho de Thalia não permitiria que ela se rebaixasse a esse ponto.

— Clima estranho. – a morena murmurou enquanto levava a colher à boca, e rapidamente deixou seu olhar vagar entre os três homens presentes. – Até parece que alguém morreu. – a garota constatou e logo estava sendo fuzilada por Perseu.

Com um dar de ombros, a morena se calou e pouco a pouco todos voltaram para a sala.

— Esse bolo está divino! – Mike resmungou alto o suficiente para todos ouvirem e murmúrios de concordância logo se espalharam pela sala.

— Vamos jogar videogame? – Will perguntou com a boca cheia, e rapidamente a maioria se animou ante a perspectiva de colocar o seu lado competitivo em jogo.

— Demorou! – Chris respondeu, e Grover logo tomou a liberdade de ligar a televisão, e o aparelho de Percy.

— Só limpem a mão antes de pegar no joystick. — o Jackson murmurou, enquanto dava bolo para Peter. Annabeth, quando voltara da sala de jantar, trouxera dois pratinhos. Um para Percy e outro para o pequeno Chase. – Está bom, Peter?

Otoso. — o loirinho murmurou com a boca cheia, fazendo Percy sorrir feliz com o desenvolvimento do garoto.

— Daqui algumas semanas ele já estará falando de tudo. – o moreno constatou embasbacado e Annabeth, que estava ao seu lado assentiu.

— Ele está impossível de segurar. Hoje, por exemplo, a Liz disse que ele queria pular no lago do parque. – a loira relatou, fazendo Percy rir.

Luke fechou a cara, nenhum pouco satisfeito com a situação. Annabeth não tinha o costume de lhe contar como fora o dia de Peter, como acabara de fazer com Perseu. Se ele quisesse saber de algo, tinha de perguntar para Elizabeth.

— Vejo que ainda gosta de água. – o moreno de olhos verdes disse e a loira concordou enquanto saboreava um pedaço do bolo. – Mas quem é Liz? – Percy perguntou e Luke rapidamente tomara a dianteira na conversa, visto que estava sentado próximo do Jackson e muito incomodado com o entrosamento do ex-casal.

— A babá dele. – Percy o encarou por um segundo, e o Castellan complementou – Como estamos trabalhando juntos na empresa da Annabeth, meu pai achou melhor ter uma pessoa que tomasse conta dele.

— Entendo! – o Jackson murmurou e alfinetou – É fácil ser pai com a ajuda de terceiros.

— Você deve saber bem, não é mesmo? Ou a tal de Maria nunca ajudou? – Luke devolveu a provocação, e Percy não se importou em respondê-lo, uma vez que Peter puxava sua camisa pronto para mais um pedaço de bolo.

Annabeth conseguia sentir a tensão entre os dois, mas aparentemente, nenhum deles estava disposto a perder a cabeça naquele dia, e isso era algo que ela agradecia com todas as suas forças.

— Eu vou primeiro. – Thalia exclamou erguendo a mão assim que Grover terminara de colocar um dos jogos que estava na estante.

— Eu também! – Will rapidamente se candidatou e logo depois os dois iniciavam uma partida de corrida.

— Quem perde passa a vez? – Grover perguntou e todos que estavam dispostos a jogar concordaram.

Conversas paralelas se iniciaram, alguns estavam atentos ao jogo e Percy estava dedicando-se ao máximo a Peter. Annabeth estava sentada na poltrona mais próxima do rapaz, e Luke estava praticamente ao seu lado no sofá, o que tornava aquela situação um tanto quanto claustrofóbica para o moreno.

Thalia perdera a primeira partida, e logo cedeu o controle para Chris que rapidamente iniciou uma nova rodada com Will. Insatisfeita com a derrota e nenhum pouco a fim de ficar torcendo para um dos dois, a morena de olhos azuis elétricos logo exigiu um tempo com Peter:

— Percy, você poderia deixar de monopolizar o meu afilhado. Por favor? – o rapaz a olhou com deboche e retrucou:

— A culpa não é minha se não foi para o seu colo que ele correu, Grace. – a garota o fuzilou e o rapaz limitou-se a rir. – Se ele quiser ir com você sinta-se livre para tirá-lo daqui. – o moreno afirmou e sua irmã estendera os braços, pedindo que Peter viesse com ela.

O pequeno negou com a cabeça e se aconchegou ainda mais ao Jackson. Um sorriso satisfeito tomou conta do rosto do moreno, enquanto uma careta de desgosto crescia na expressão de Thalia. Esta que não era muito diferente da que assumia lugar no rosto de Luke. O Castellan não estava gostando de todo o dengo que Peter estava demonstrando para cima de Percy.

— Eu só vou deixar passar, porque é o seu aniversário. – a morena de olhos azuis elétricos murmurou, e logo deixou a sala em busca de doces.

Annabeth, por outro lado, estava mais do que feliz com a cena. Saber que aparentemente nada tinha mudado na relação dos dois, lhe dava esperanças de que no fim de um ano inteiro as coisas poderiam voltar para o seu devido lugar.

Alexia e Mike estavam super entrosados em uma conversa com Katie, Juniper e Grover sobre preservação do meio ambiente e afins, enquanto os Stoll torciam por Chris ou Will na partida de videogame. Nico estava mais contido, enquanto esperava a sua vez, assim como Clarisse e Bianca. Estas que trocavam algumas palavras com Silena e Charles, sobre uma possível reunião no apartamento do jovem casal.

Alguns minutos se passaram assim, e Peter acabou adormecendo. Percy ao perceber o estado do pequeno, disse:

— Vou colocá-lo lá em cima. Okay?

— Na verdade, acho que já é hora de irmos. Não é mesmo, Annabeth? – Luke disse se levantando, e já estendendo os braços para pegar Peter do colo de Perseu.

A loira logo se levantou também, e não tardou a negar:

— Ainda está cedo. Deixe que o Peter durma um pouco lá em cima. – o Castellan a olhou atravessado, não gostando nenhum pouco da ideia. Annabeth, no entanto, não arredou o pé e manteve-se firme em sua decisão.

— Tudo bem! – Luke cedeu, e logo complementou – Mas o Percy vai subir sozinho.

— Nunca disse que iríamos juntos, Luke. – a loira debochou e o Jackson tentou segurar a risada ante a vermelhidão que tomara conta do rosto do Castellan – Eu vou na cozinha, conversar com a Sally.

A loira encaminhou-se em direção a sala de jantar, e Luke voltou a sentar-se desgostoso com a forma que fora tratado pela Chase. Antes de Percy subir, no entanto, Annabeth lhe direcionou um olhar cheio de significado e, por mais incrível que pareça, o rapaz entendera o recado.

O Jackson subiu rapidamente, e colocou Peter em sua cama. No momento, ele queria deitar ao lado do pequeno e matar a saudade que sentia de tê-lo daquela forma, tão perto de si. Mas uma outra saudade também o estava matando e infelizmente, ele não tinha tempo o suficiente para as duas coisas.

Por isso, depois de cercar o pequeno Chase com travesseiros e assegurar-se de que ele estava seguro o suficiente. O Jackson pegou seu celular e mandou uma mensagem no grupo que tinha com seus amigos. Fazia algum tempo que este estava quieto demais, e todos sabiam que era por conta da situação de Annabeth e Percy.

[10:02 PM]

Coloquem o Luke para jogar videogame. Preciso dele distraído.

[10:02 PM]

Silena:

Posso saber o porquê?

[10:02 PM]

Travis:

Você quer desenhado, Silena?

[10:02 PM]

Nico:

Isso vai dar merda.

[10:02 PM]

Silena:

Meu ship tá vivo!

[10:02 PM]

Travis:

Pelo amor dos deuses, menina!

Ele já tá de próximo, Percy.

[10:02 PM]

Annabeth:

Vocês são demais!

[10:03 PM]

Vocês são demais.

[10:03 PM]

Thalia:

O Luke vai ser feito de trouxa. Obrigado, forças superiores.

Estou me segurando para não dar na cara dele.

[10:03 PM]

Nico:

Já falei que isso vai dar merda?

[10:03 PM]

Thalia:

Ninguém pediu a sua opinião, Di Ângelo.

A conversa continuava, mas Percy precisava arrumar algumas coisas antes de ir se encontrar com Annabeth. E embora, ele tenha dito que não tinha nada para a garota, aquilo não era totalmente verdade, por isso ele logo caçou o pacote que havia feito, e com um beijo na testa de Peter rapidamente deixou seu quarto.

Espiando do começo da escada, o moreno de olhos verdes ouviu quando Connor chamou Luke para jogar, aparentemente, seria ele contra Chris. O Jackson esperou que o loiro estivesse envolvido no jogo para descer o mais calma e silenciosamente possível.

Por um momento, Percy teve vontade de rir do quão idiota Luke estava sendo, no entanto segurou-se ao máximo, ele tinha que se apressar ou tudo iria por água abaixo. Nico que o observava descer as escadas com cautela, negou com a cabeça, e o moreno limitou-se a um dar de ombros.

Os outros olhavam para a televisão, e ocasionalmente lhe direcionavam uma rápida olhadinha. Até mesmo Alexia e Mike perceberam o quão discreto Percy queria ser, e rapidamente fingiram que não viram nada.

— Caraca, você é muito bom. – Chris murmurou para Luke empenhando em distraí-lo ao máximo, visto que Clarisse lhe sussurrara o que estava a se suceder, e o loiro abriu um sorriso convencido, mesmo que não estivesse entendendo muito bem a inclusão repentina que os amigos de Annabeth resolveram praticar com ele.

Percy estava com um sorriso de orelha a orelha quando chegou a cozinha e Annabeth não estava muito diferente do rapaz. Sally, Poseidon, Afrodite e Maria que antes conversavam com a loira logo se deram conta do que estava acontecendo e rapidamente foram até a sala de jantar, e Thalia, que beliscava alguns docinhos, resmungou antes de sair:

— Estarei de vigia na porta!

Percy assentiu com a cabeça, mas nem acompanhara a saída de Thalia do recinto, pois no segundo seguinte a fala da morena, ele já estava envolvido em um abraço apertado com Annabeth.

— Como é bom estar assim com você. – o rapaz murmurou contra o pescoço da garota, e esta sorriu feliz por estar mais uma vez, naquela noite, entre os braços do rapaz.

— Me desculpa. – a loira pediu e Percy franziu o cenho confuso. – Você tentou impedir essa porcaria de casamento e eu não fiz nada. – a Chase murmurou com um tom de nojo, e Percy se afastou um pouco para observá-la de perto.

— Ei, ei... Não chore, por favor. – o moreno pediu ao ver os belos olhos cinzas da Chase lacrimejados. – Foi uma decisão tomada por impulso, Annie. Nós dois sabíamos e sabemos que não teria dado certo. Nós conversamos sobre a decisão que tomamos, não foi?

— Sim, mas... – Percy a interrompeu com um dedo sobre os seus lábios.

— O pessoal do estágio ficou sabendo sobre o que estava acontecendo, e me incentivaram a voltar e tentar reverter a situação. Por um segundo, eu até imaginei que conseguiria salvar o dia como qualquer super-herói de desenho animado, mas sabemos que os nossos problemas não são tão fáceis de resolver. Não é mesmo?

A loira assentiu e fungou levemente.

Eles ficaram se encarando por alguns segundos, e teriam continuado dessa maneira se o tempo deles não fosse tão curto.

— Eu te trouxe um presente. – a loira resmungou desvencilhando-se do aperto do mais alto e pegando uma pequena caixinha que estava próxima de sua bolsa. – Tenho algo que me faz lembrar da nossa promessa todos os dias, acho justo que você também tenha algo. – e com isso entregou-a para Perseu.

Enquanto o rapaz abria o pequeno embrulho, Annabeth colocou para fora de sua roupa o cordão e o pingente que Percy lhe dera no aeroporto, deixando claro ao que ela se referia.

Com calma, o rapaz pegou o que tinha na caixinha e sorriu feliz ao ver o que estava em suas mãos.

— Muito original a sua ideia, senhorita Chase. – o moreno de olhos verdes brincou e Annabeth deu um tapa em seu peito – Ouch, Sabidinha. Que mão pesada!

— Você ainda não viu nada. – a loira garantiu, fazendo Percy sorrir saudoso. Até das pequenas implicâncias ele estava sentindo falta.

Com calma, o Jackson passou a corrente pela cabeça, e pegou o pingente que ficara um pouco antes do seu tórax.

— Muito estiloso esse pinguim. – o moreno brincou ao admirar o desenho que estava grafado na pequena plaqueta de metal que formava o seu pingente.

— Imaginei que esse ficaria melhor. – a loira entrou na brincadeira, ao analisar o pinguim com um casaco jeans e um óculos escuro.

Eles se olharam por um tempo, e Percy murmurou:

— Eu quero tanto te beijar.

O sorriso que Annabeth dera fora lindo, e Percy derreteu-se por completo diante a cena. A loira se aproximou, e o abraçou fortemente, enquanto sussurrava em seu ouvido.

— Você sabe que não podemos.

— Mas ele não vai ver. – o moreno retrucou confiante, enquanto suas mãos enlaçavam a cintura da mulher.

— Não podemos brincar com a sorte, Cabeça de Algas. – a garota continuou a sussurrar e depositou um beijo no maxilar do rapaz, deixando-o inquieto. – Se te consola, também estou morrendo de vontade de te beijar.

— Não, isso não me consola, Chase. – o rapaz respondeu deixando que sua boca passeasse livremente pele da loira, vagando entre o pescoço e a bochecha.

— Eu queria tanto que hoje fosse diferente. – Annabeth murmurou perdida nas carícias do rapaz. – Só eu, você e a casa de Montauk. Seria bom, não?

— Seria maravilhoso. – Percy resmungou, beijando-a levemente na bochecha. Mas alguns segundos e ele não se seguraria mais.

— Pelo menos estamos juntos, não é mesmo? – a loira tentou se consolar nessa pequena ilusão, e Percy permitiu-se segui-la nessa armadilha.

— O segundo ano de muitos? – o rapaz perguntou e a loira assentiu olhando-o nos olhos.

— O segundo ano de muitos.

Com essa frase, Thalia entrou novamente na cozinha e com o susto Percy e Annabeth se soltaram abruptamente.

— Acredito que já deu tempo de matar a saudade. – a morena disse e o Jackson negou com a cabeça. Aquele pequeno momento estava longe de matar a saudade que sentia de Annabeth – Vocês estão brincando com a sorte, e ainda que eu goste de ver o Luke sendo feito de trouxa. Acredito que Nico esteja certo, vai dar merda se ele descobrir.

— Sabemos disso, Thals. – Annabeth garantiu e de um beijo demorado na bochecha de Percy. – Já tínhamos terminado.

— Estávamos muito longe disso, Chase. – Percy sorriu travesso, e a loira negou com cabeça. Aquele homem era louco.

— Tenho que ir agora. Amanhã tenho que estar cedo na empresa. – a loira deu um sorriso pesaroso e os dois irmãos assentiram.

— Ele ainda está distraído? – Percy perguntou para Thalia e a mesma assentiu.

— O pessoal está deixando-o ganhar.

— Então, é melhor voltarmos para a sala logo. – Annabeth disse, e os outros dois assentiram.

Mas antes que eles pudessem voltar de fato, Percy a pegou pela mão e estendeu um envelope pardo em sua direção.

— Eu disse que não tinha nada para você, mas eu menti. Feliz aniversário, Sabidinha.

Annabeth ficou sem fala por um momento, mas logo sorriu feliz com a surpresa.

— Obrigada, Cabeça de Algas. – e quando ela fora abrir para ver do que se tratava, o mesmo a impediu.

— Abre depois.

A loira assentiu e logo seguiu Thalia de volta para o cômodo onde todos os outros se encontravam.

Luke nem reparara quando Percy e Annabeth voltaram para a sala de estar. O Castellan só se tocara do tempo que ficará distraído quando a Chase lhe tocou o ombro e disse:

— Vamos?

— Hum... Claro.

— Vou pegar o Peter lá em cima. – a loira avisou e o rapaz assentiu olhando para Percy, este que conversava calmamente com Alexia e Grover.

Annabeth não demorou muito para voltar, e mais rápido ainda eles foram embora. Perseu só ficara com a lembrança da loira dando um beijo em seu pingente, enquanto entrava no carro. Ato que ele retribuirá com um sorriso no rosto.

— E aí, cara? – Nico disse aproximando-se do aniversariante, e Percy olhou-o brevemente.

— Esse só foi o segundo de muitos, Nico. – e com o mesmo sorriso que direcionara a Annabeth, o Jackson se afastou do Di Ângelo, voltando para dentro de casa.



Notas finais do capítulo

Voltei...
E aí, o que acharam?


Qualquer coisa conversamos pelos reviews.
Preciso ir dormir, que amanhã tem aula.

Entrem no grupo do Facebook:
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Acredito que voltamos à ativa, sendo assim...
Beijos e até o próximo.