The Choices Of Life... escrita por Natyh Chase Jackson


Capítulo 31
Tarde Demais


Notas iniciais do capítulo

Oieee...
Sei que não querem me ouvir falar, por isso...
Boa leitura.



Percy estava, mais uma vez, embasbacado com a paisagem que se estendia a sua frente. E, convenhamos, não era para menos. A ilha era um pequeno pedaço do paraíso na Terra, e ninguém parecia discordar disso.

Já passava das cinco da tarde e o sol iniciava aos poucos o seu se pôr. O céu já possuía matizes alaranjadas que em breve se tornariam roxas, estas por sua vez, cerca de uma hora depois, já teriam se convertido na noite estrelada de Noronha, outra paisagem digna de se perder o fôlego.

Na verdade, tudo ali era digno de tal reação, pelo menos ao ver do rapaz que novamente admirava o pôr do sol, ato que se tornara parte indispensável de sua rotina desde que chegara ao pequeno arquipélago, cerca de duas semanas atrás.

— Sabia que te encontraria aqui! – uma voz alegre exclamou e o moreno rapidamente olhou para cima assustado, não se surpreendendo ao encontrar Mike com o seu sorriso sempre despojado.

— Que susto, cara! – o moreno de olhos verdes resmungou com a mão sob o exato local em que seu coração batia descompassado. E o rapaz limitou-se a rir.

Michael Jones, ou apenas Mike, como ele gostava de ser chamado, era um rapaz alto e ruivo, de feições bem desenhadas e sorriso alegre que cativava todos à sua volta e que no meio tempo que o Jackson estava na ilha se tornara um bom amigo.

O rapaz fora um dos outros dois selecionados para o programa de estágio de biólogo marinho do Centro de Pesquisas Marítimas. E enquanto, o ruivo aparentava ser a pessoa mais feliz do mundo a outra selecionada, no entanto, poderia ser considerada a encarnação do capeta na Terra. Claro, tudo isso do ponto de vista do Jackson, que não fora nenhum pouco com a cara de Alexia Dawson.

— Você estava me procurando? – o Jackson perguntou curioso, já recuperado do susto e o rapaz, que agora estava sentado ao seu lado na areia, o fitou franzindo o cenho.

— Como? – o ruivo perguntou sem entender e Percy revirou os olhos.

— Você disse que sabia onde me encontrar... – o moreno deixou sua frase no ar e esperou cerca de dois segundos, quando o ruivo arregalou os olhos e o fitou um tanto quanto alarmado.

— Cara! A Lexi estava te procurando. – Mike murmurou lembrando-se o porquê estava atrás do Jackson.

— E o que o capeta quer comigo? – Percy perguntou depois de revirar os olhos e Mike o encarou divertido. Nem mesmo o rapaz conseguia simpatizar com a colega de estágio.

— Creio que seja algo relacionado à catalogação das espécies.

— De novo? – o moreno questionou incrédulo e o rapaz ao seu lado engoliu o riso que estava louco para sair e fez cara de pena. – Eu já arrumei aqueles catálogos três vezes, só essa semana. – o Jackson resmungou desgostoso e Mike riu da cara do mais velho.

— Isso é o que se ganha por chamá-la de capeta. – o ruivo soltou divertido e Percy distorceu sua feição em um careta de descontentamento.

Dois dias depois de chegar a Noronha, o Dr. Fisher resolveu escolher um dos três como seu primeiro assistente e Alexia fora a grande escolhida, para a tristeza dos rapazes, visto que assim que a sua “promoção” fora anunciada a imitação do capeta achou-se no direito de mandar e desmandar nos outros dois e isso já estava enchendo-lhes a paciência.

Um dia depois do ocorrido, por exemplo, Percy estava super irritado com o fato de ter ficado na base arrumando o catálogo de espécies ao invés de ir para o mar e analisar de fato os diversos animais que ali se encontravam e tudo porque a assistente Alexia achava importante que alguém organizasse a catalogação.

E quando Mike chegou falando o quão incrível tinha sido o mergulho e mais um monte de adjetivos para a sua experiência com os peixes e corais, Percy acabou resmungando algo sobre Alexia ser o capeta em forma de gente, e nesse exato minuto a Dawson estava entrando na pequena base de pesquisas.

A morena apenas direcionou-lhe um olhar atravessado, como se o desafiasse a repetir o que acabara de dizer e Percy, sabiamente, limitou-se a engolir em seco e mandar-lhe um sorriso amarelo como se nada demais estivesse acontecendo.

A Dawson ergueu a sobrancelha em desafio e deixou, ou melhor, fingiu deixar aquele pequeno apelido passar em branco, visto que depois de analisar todos os catálogos, a garota disse:

— Essa catalogação está errada. – Alexia murmurou desgostosa, enquanto negava com a cabeça.

Percy arregalou os olhos abismado e Mike engoliu uma risada.

O ruivo sentia a tensão formada pelos colegas de estágio e sabia que nada de bom sairia daquele embate. Pelo menos, não para Percy.

— Não está. – o Jackson resmungou começando a se irritar. Ele passara o dia inteiro verificando datas e dados, era impossível ter alguma ficha fora de ordem.

Além de que, estava claro que ela queria implicar com ele por conta do apelido.

— Está sim! – A Dawson atacou em cima, não deixando que Percy emendasse nenhuma palavra a mais em sua fala. – Eu pensei que você a organizaria por ordem alfabética, não por descobrimento. Se fosse assim, nada precisaria ser arrumado, Jackson.

— Mas...

— Você precisa arrumar isso. Agora!

Percy a encarou com raiva, mas engoliu sua frase malcriada e resmungou descontente:

— O jantar já vai ser servido. – o rapaz estava morrendo de fome e acreditava piamente que morreria caso não comesse logo.

— Você prefere fazer isso depois do jantar? – a morena perguntou olhando-o nos olhos e o rapaz hesitou um pouco antes de responder.

— Na verdade, depois do jantar... Eu ia ligar para a minha família. Para saber como estão as coisas por lá. – o rapaz comentou como quem não queria nada e a garota o fitou por um longo minuto.

— Okay. – o Jackson soltou um suspiro aliviado, mas para a sua infelicidade Alexia logo completou – Amanhã você arruma.

— Mas...

— Bom, você não quer arrumar agora e nem depois do jantar. – a garota deu de ombros e rapidamente deixou a base de pesquisas.

Percy grunhiu irritado e Mike permitiu-se rir escandalosamente, deixando o moreno ainda mais nervoso.

— Se ferrou, Jackson!

E no outro dia, como Alexia mandara, o rapaz ficara novamente na base arrumando todos os catálogos. E dessa vez em ordem alfabética, atividade que fora um tanto quanto difícil para o Jackson, visto que sua dislexia gostava de pregar-lhe algumas peças, fazendo-o ter de olhar mais de duas vezes para cada simples nome, algo que acabava por tornar seu trabalho duas vezes mais complicado.

Percy, no entanto, não reclamara nenhum minuto sequer da atividade que lhe fora designada, visto que assim prendera sua atenção em algo que não fosse o casamento de Annabeth e Luke. Algo que já era certeza de que aconteceria, visto que fora a própria Chase quem lhe garantira, ainda que desgostosa, quando se falaram na noite anterior.

— Mas ela é o capeta. – Percy resmungou ao balançar a cabeça em uma vã tentativa de afastar as memórias do começo da semana.

— É, mas você não precisa ficar lembrando-a disso. – Mike soltou risonho levantando-se junto do moreno. – Ou ela ainda vai fazer você limpar o barco de cabo à rabo. – O ruivo garantiu cheio de si, e o moreno tremeu dos pés a cabeça só de pensar na possibilidade.

— Ela não seria capaz! – Percy soltou incrédulo, enquanto dava uma breve olhada em seu celular.

— Vai brincando com a sorte, então! – o ruivo disse passando um de seus braços sobre os ombros do mais velho e levemente arrastando-o de volta as pequenas construções da ilha.

Percy, antes de deixar-se ser arrastado por Mike, pegou a prancha que lhe fora emprestada por um dos surfistas locais e a sua camiseta que estava junto a ela.

— Você podia me ensinar a surfar. – o ruivo resmungou voltando a passar seu braço envolta de Percy e o rapaz o olhou de esguelha.

— Agora? – o moreno perguntou incrédulo, visto que só tinham mais dois dias em Noronha. – Não dá tempo.

— Eu aprendo rapidinho. – Mike garantiu e Percy jogou a cabeça para trás em uma risada escandalosa.

— Do jeito que você é atrapalhado, vai demorar, no mínimo, uma semana para você conseguir ficar em pé na prancha.

— Não seja exagerado, Jackson! – Mike resmungou revirando os olhos para a brincadeira do mais velho.

— Estou falando sério, Mike. – o rapaz soltou e deu mais uma olhadela em seu celular.

— É uma pena, então. – o mais novo soltou com falsa tristeza e Percy voltou sua atenção para o rapaz. – Parece que os surfistas fazem sucesso entre a mulherada. – com essa o ruivo direcionou um olhar maroto para Percy, fazendo o moreno corar, algo que não era do seu feitio.

A brincadeira de Mike apenas servira como um lembrete sobre todas as mulheres que notaram o Jackson nas últimas duas semanas. E vale ressaltar que não foram poucas. Algo que Percy fazia questão de fingir que não viu.

— Cara, é sério! Eu não sei como você consegue resistir a tantas mulheres. – Mike soltou exaltado, e até um pouco inconformado.

O ruivo também fizera sucesso com seu sorriso alegre e músculos definidos na medida, e até tinha conseguido algumas aventuras entre seus horários de mergulho e análise de amostras, mas seus números não se comparavam com o número de mulheres que davam em cima de Perseu. E, o mais importante, ele não dava a mínima atenção. Algo que o ruivo não entendia.

— Eu só não quero misturar as coisas, Mike. Estou aqui para trabalhar e apenas isso. – o rapaz resmungou ao revirar os olhos e o mais novo bufou indignado.

Percy não queria que ninguém soubesse de Annabeth, pois caso soubessem perguntas seriam feitas e respostas teriam de ser dadas e falar sobre a sua atual situação era a última coisa que Percy queria no momento.

— Um pouco de lazer nunca matou ninguém, Jackson. – o rapaz garantiu com um leve tom de malícia e Percy voltou a revirar seus lindos orbes verdes.

O moreno estava impressionado com o número de besteiras que seu colega era capaz de falar em tão pouco tempo.

— Tenho dó de você quando estiver apaixonado. – Percy garantiu com tom de sabedoria imprimida apenas nas lições de morais dada pelos mais velhos. E Mike riu da brincadeira.

— Que Deus não queira isso para mim, amém! – o rapaz soltou olhando para o céu, fazendo Percy rir. – Estou muito bem com as brasi...

— Jackson! – antes que Mike concluísse a sua fala, Alexia gritou chamando a atenção dos dois.

Percy levantou seu olhar e a encarou sério, como se perguntasse o que ela queria consigo.

— Sim?

— Preciso do seu relatório sobre as amostras colhidas hoje de manhã. – a garota demandou tentando fazer com que seu olhar se firmasse no rosto do rapaz, e não no corpo bronzeado e bem desenhado que estava à sua frente.

— Não é para amanhã? – o rapaz perguntou confuso e a morena rapidamente negou com a cabeça suavizando aos poucos a expressão de poucos amigos.

— O Dr. Fisher quer analisá-los ainda esta noite. – a garota respondeu em um tom mais suave e o rapaz assentiu, desvencilhando-se de Mike.

— O seu também, Jones. – a garota soltou voltando ao seu tom mandão e o ruivo bateu continência para logo em seguida responder:

 - Sim senhora, Sargento Dawson. – Alexia limitou-se a revirar os olhos.

Jones era muito brincalhão para o seu gosto.

...

Percy estava com dificuldades para finalizar seu relatório, parte por conta de sua dislexia e outra causada pela conversa de Mike e Alexia, que naquele momento discutiam a nível acadêmico, ou nem tanto assim, qual era a melhor espécie existente na face da terra e Percy não acreditava, ainda mais vindo de dois futuros biólogos, que eles estavam baseando seus argumentos no que eles gostariam de ser.

— Fala sério, Lexi... Pense bem, se você fosse uma pássaro conseguiria ir para aonde quisesse! – Mike exclamou ultrajado com o desejo dela de ser um golfinho.

— Nada a ver. Pinguins são aves e não voam. Assim como emas e avestruzes. – a morena rebateu revirando os olhos e nesse momento Percy estancou.

Até aquele momento seu coração não o tinha lembrado de que Annabeth se casaria com Luke no dia seguinte, fato que ele vinha tentando ignorar desde que acordara. Mas, a simples menção ao animal ao qual se comparara no seu último encontro com a loira, fizera com que a realidade o acertasse como um tapa, deixando-o até mesmo desnorteado.

Mike e Alexia continuaram a discutir baseados em achismos, quando o ruivo deu por falta das risadas que Percy soltava com os comentários mais absurdos e rapidamente olhou para o amigo, encontrando-o parado feito uma estátua, e encarando um ponto fixo em sua bancada.

— Hey, Percy? – o mais novo chamou com o cenho franzido e rapidamente se aproximou – Cara, você está bem? – o ruivo questionou ao perceber a leve careta de dor que o mais velho fazia.

— Jackson? – Alexia também se aproximou estranhando o comportamento do rapaz. – Jackson! – a Dawson bateu na mesa, fazendo-o pular sobressaltado e assustado. – Viu algum fantasma, querido? – perguntou ela sarcástica e estranhou o fato dele não olhá-la torto.

— O que aconteceu, cara? – Mike perguntou um tanto quanto preocupado com a palidez do moreno, este que rapidamente limpou a garganta e se recompôs.

— Hum... Não foi nada demais. Não precisam se preocupar. – Percy resmungou em meio a um gaguejar e Mike o fitou atravessado - É sério, eu estou bem! – o rapaz voltou a garantir, visto que o Jones não parecia tão certo daquilo.

Mike se afastou assentindo, enquanto Alexia o fitava com cautela.

A morena só voltou a se manifestar, quando o Jackson fitou seu celular, um tanto quanto aflito. Ela sabia o que estava acontecendo, e queria ajudá-lo.

— Você deveria tentar impedir.

— O quê? – Percy perguntou assustado por ela ainda estar ao seu lado e por, aparentemente, saber o que estava acontecendo em sua vida.

— Você deveria impedi-la de se casar com... Ele é o que dela mesmo? – a morena perguntou com o cenho franzido e Percy a fitou incrédulo.

— Do que você está falando? – o rapaz perguntou começando a ficar transtornado, ninguém naquela ilha sabia o que estava acontecendo em sua vida, a não ser... – O que o Dr. Fisher te contou?

— Hum... Então, é verdade? – a garota resmungou para si mesma. A morena não acreditara quando Fisher lhe pedira que não fosse tão dura com o Jackson, visto que este vinha enfrentando grandes problemas em casa.

Curiosa, Alexia questionou o que se passava e o homem, sem perceber, contara tudo que Percy lhe segredara por telefone.

— Ele não tinha o direito de fazer isso! – Percy soltou irritado e ao mesmo tempo ultrajado, afinal, quando partilhara aquela informação com seu chefe, esperava que ele mantivesse sigilo e não saísse comentando com seus colegas de trabalho.

— Calma, nervosinho. Ele só queria ajudá-lo.

— Ajudar? Faça-me rir! – o rapaz soltou passando as mãos sobre o cabelo, em um claro sinal de nervosismo - Não vejo como ficar fofocando sobre a minha vida pode me ajudar. – o moreno devolveu sarcástico e extremamente rude. Fazendo com que o sangue de Alexia fervesse de raiva.

— Ele só pediu para que eu ficasse de olho em você, por conta dos últimos acontecimentos, ele estava preocupado com o que você poderia fazer, seu estúpido. – Alexia respondeu irritada com o comportamento do rapaz – E eu, trouxa, só queria ajudar.

—  Ei, ei, ei. – Mike, que estava um pouco afastado, voltou a se aproximar da bancada de Perseu tentando fazer com que eles não partissem para uma guerra. Bom, pelo menos era essa a leitura que o Jones tinha diante daquela troca de acusações – Calma, pessoal! Vamos conversar.

— Não tem o que conversar, Mike. – Percy resmungou vermelho de raiva e saiu rapidamente do pequeno recinto, deixando um ruivo preocupado e uma morena possessa para trás.

O Jackson não pensou muito quando se dirigiu para o ponto mais afastado da praia, naquele momento o rapaz só queria estar o mais longe possível de tudo e todos.

A raiva parecia queimar em suas veias e pensamentos bombardeavam sua cabeça, deixando-o ainda mais estressado. Um dos motivos para que ele escondesse o que estava acontecendo em sua vida pessoal, era diminuir os palpites do que deveria ser feito. Coisa que Alexia fizera sem nem ao menos saber se podia ou não. Se nem mesmo seus amigos puderam opinar naquela situação, com que direito ela o fazia?

Sua paz, no entanto, não durou muito tempo, pois cerca de meia hora depois Mike e Alexia sentaram-se lado a lado com o moreno.

— O que vocês estão fazendo aqui? – o tom do Jackson não possuía mais tanta raiva quanto antes, apesar de não ter sido muito tempo sozinho, fora o suficiente para que o rapaz ao menos se acalmasse e refletisse sobre o fato de que seus dois colegas não precisavam sofrer com sua raiva ante toda aquela situação. Aquele era um problema único e exclusivo dele.

— Lexi, me contou sobre o que está acontecendo com você e... Cara, eu não tinha a mínima noção. – Mike resmungou contido e Percy olhou de esguelha para Alexia, esta que encolheu os ombros envergonhada. – Por isso que você não pega ninguém.— o ruivo soltou mais para si do que para os demais e quando percebeu que os outros dois tinham lhe ouvido corou até ficar da cor de seu cabelo, fato que fez Percy sorrir, ainda que contido, e Alexia revirar os olhos mesmo querendo rir ante a brincadeira.

— Desculpa. – o ruivo pediu depois de um segundo e Percy deu de ombros com indiferença.

O silêncio reinou por um longo minuto, quando Mike decidiu se manifestar:

— Concordo com a Alexia. Você devia, pelo menos, tentar impedir.

Percy não se mexeu, apenas continuou a fitar o mar que se estendia a sua frente. A noite já se fazia presente, e até os matizes roxas já havia sumido, denunciando que já era tarde.

O rapaz suspirou longamente e desejou que tudo fosse tão simples quanto parecia aos olhos de seus colegas.

— É o que eu mais quero no momento. – o rapaz segredou quando Mike já não esperava mais uma resposta, e os dois voltaram seus olhares para o moreno. – Mas não é tão fácil assim.

— Não é, ou é você quem está colocando obstáculos? – Alexia perguntou certeira, a garota não gostava de meios termos.

— Se ela não se casar vai perder a empresa e a guarda do Peter.

— É um e se, Percy. – Lexi resmungou desgostosa – Existem várias outras possibilidades.

— Verdade! – Mike concordou, e Alexia logo emendou.

E se vocês conseguem reverter a situação na justiça. E se esse cara muda de ideia. E se vocês fazem um acordo com ele... Está vendo? São diversas hipóteses. – a morena concluiu – E da mesma forma que existem possibilidades caso esse casamento não aconteça, existem outras caso ele se realize.

— Verdade! – Mike voltou a concordar e Alexia o fuzilou, porém ele nem percebeu e logo emendou sem noção do que falava – E se eles voltam a se entender. E se eles percebem que ainda se gostam. E se eles resolvem continuar jun...

— Cala a boca, Mike. – Alexia resmungou brava ao perceber quão distorcida estava a expressão de Percy.

Só de pensar nessas possibilidades, o Jackson se colocava louco. E não era para menos, visto que nitidamente essa era a intenção de Luke. Ele queria Annabeth para si e estava lutando com tudo o que tinha, enquanto ele... Enquanto ele estava abrindo mão dela e de Peter para o bastardo filho de uma puta.

Diante tal constatação, o moreno teve um estalo.

— Eu preciso ir embora. – Percy se levantou em um rompante, assustando os outros dois e Alexia sorriu ao perceber que o moreno precisava ir embora de Noronha.

— Não deve ter nenhum barco saindo agora de noite. – a morena constatou seguindo o rapaz de volta para o hotel.

Mike que ainda se levantava não estava entendendo absolutamente nada.

— Hey, cara! Vai com calma. – o ruivo pediu e Percy pareceu não escutá-lo, continuando seu caminho com urgência.

— Tenta ligar para ela, Percy. – Alexia resmungou tentando manter o mesmo ritmo que o rapaz, embora isso parecesse impossível.

O moreno a ouviu, e rapidamente sacou o celular do bolso, mas estava sem sinal, fato que o fizera bufar e apertar o passo.

Não demorou muito para que eles chegassem ao hotel onde estavam hospedados, Mike, na verdade, levou alguns segundos a mais, e ficou pela recepção mesmo tentando recuperar o fôlego da pequena corrida. O ruivo não era tão atlético quanto aparentava.

 Percy, no entanto, logo estava em seu quarto arrumando toda a bagunça que fizera cerca de uma hora depois da camareira deixá-lo naquela manhã, e enquanto socava suas roupas de volta na mala, se amaldiçoava por ser tão desorganizado.

— Tentou ligar? – Lexi perguntou arfando um pouco e o rapaz pouco lhe deu atenção, apenas respondendo que não havia sinal. – Me dá o seu celular. – a morena pediu e o rapaz franziu o cenho, não entendendo. – Vou tentar, enquanto você arruma as suas coisas.

O moreno jogou o aparelho para a garota, esta que rapidamente o pegou e logo se pôs a chamar pelo número da Sabidinha, sem grandes resultados.

— Eu preciso de um barco até o continente. – Percy resmungou, enquanto fechava a sua última mala.

— Vai ser difícil. – Lexi murmurou atenta às chamadas do outro lado da linha, que logo em seguida foram interrompidas pelo aviso de falta de sinal. – Não tem como você mandar uma mensagem?

— Tenta aí, por favor. – o rapaz pediu dando uma rápida olhada no cômodo, a fim de saber se não estava esquecendo-se de algo.

— Percy?

O moreno gelou por um momento ao ouvir a voz do Dr. Fisher. Se ele estava ali era porque já sabia que Percy estava deixando tudo para trás, até mesmo a sua vaga como estagiário. O moreno, no entanto, logo voltou a respirar aliviado, pois quando olhou para porta, encontrou o senhor, já com certa idade, sorrindo em sua direção.

— Achei que não fosse fazer nada a respeito, Jackson. – o homem resmungou com um quê de satisfação presente em sua voz, e logo completou – Tem uma barca saindo com alguns turistas em dez minutos. Vamos se apresse.

Percy arregalou os olhos e rapidamente deixou seu quarto par trás, seguindo seu chefe hotel a fora.

Quando chegaram ao pequeno cais local, Percy não se surpreendeu ao encontrar Mike tentando atrasar a partida da barca, e tal fato já atraía alguns olhares atravessados para o ruivo.

— Vocês, finalmente, chegaram! – Mike suspirou aliviado, visto que já estava vendo o momento que alguém o empurraria na água por atrasá-los.

Percy rapidamente subiu a bordo e brevemente conversou com o condutor da barca, tirando alguns reais do bolso e pagando assim a sua passagem.

— Boa sorte, Percy. – Mike gritou já no cais e ao seu lado Dr. Fisher e Alexia acenavam desejando-lhe o mesmo.

— Obrigado por abrirem meus olhos. – Percy gritou em resposta, quando a barca começou a se afastar.

O moreno sabia que aquele era apenas o primeiro de muitos obstáculos. Ele ainda teria que chegar ao aeroporto e encontrar algum voo com vagas para Nova Iorque, o mais rápido possível, visto que Annabeth se casaria em menos de vinte e quatro horas.

Ele tinha que estar lá antes dela assinar os papéis, pois uma vez que estes estivessem com a sua assinatura, somente depois de um ano ele poderia voltar a chamá-la de sua.

Sentindo a necessidade de avisar alguém de que estava voltando para impedir toda aquela loucura, o moreno tateou seu bolso a procura de seu celular e somente depois de dez minutos caçando-o entre as suas coisas fora que ele percebera que o mesmo tinha ficado em Fernando de Noronha.

Com Alexia Dawson para ser mais exato.

Naquele momento, Percy estava em outro país, tentando voltar para casa e completamente incomunicável. A única coisa que o moreno poderia fazer, era torcer.

Torcer para que todos os deuses estivessem do seu lado.

...

Thalia estava largada sobre o sofá, quando a seguinte mensagem chegou:

[4:33 PM]

Vai fazer alguma coisa hj a noite???

Embora possa negar veemente e até a sua morte, Thalia sentiu um certo frio percorrer sua barriga, fazendo-a encarar a mensagem por mais tempo do que o necessário, somente quando percebeu que talvez o rapaz estivesse a esperar uma resposta, a morena devolveu:

[4:35 PM]

Além de mofar no sofá e comer tudo o que a Maria fizer, não há nada planejado.

[4:35 PM]

Hum...

[4:35 PM]

Pq???

Thalia sabia muito bem o porquê de Nico estar interessado em sua agenda para aquele sábado, e até confessava que não estava inclinada a negar o que ele queria lhe propor, só que enquanto sentia-se bem em aceitar, a morena também se sentia estranha em o fazer, visto que a última vez que estiveram juntos fora no aniversário de casamento de seus pais, antes de dividirem algo tão íntimo quanto o que acontecera na casa do moreno algumas semanas antes.

E o que quer que seja que eles tinham, não havia espaço para compartilhar momentos íntimos.

Aquilo a assustava. E Thalia não gostava daquela sensação.

[4:37 PM]

Quer sair comigo hoje?

Um sorriso quase que instantâneo abriu-se nos lábios da morena, e esta se repreendeu por isso. Por conta disso, ela digitou:

[4:37 PM]

O q vc tem pra me oferecer, q seja melhor que o sofá da minha casa, Di Ângelo?

[4:38 PM]

Vc sabe o que eu quero te oferecer, Grace ;)

E que é muuuuuuito melhor que o seu sofá.

A morena sentiu-se quente com aquele comentário, mas resolveu manter-se como indiferente ante a proposta do rapaz.

[4:38 PM]

Preciso pensar nos prós e contras da sua oferta.

Thalia queria se fazer de difícil, mesmo sabendo que em menos de cinco minutos e algumas insistências do rapaz cederia facilmente, e assim teria acontecido se a porta da sala não tivesse sido aberta e fechada com uma ignorância ímpar.

— Seu pai é marceneiro por acaso? – a morena nem se dignara a olhar para a pessoa que entrara tão desesperadamente em sua casa, talvez fosse algum de seus amigos, provavelmente Clarisse por tamanha delicadeza.

Thalia só resolveu fazer alguma coisa quando ouviu a pessoa subir as escadas, como se fosse de casa.

Quando olhou, a morena se assustou ao perceber que a pessoa era Percy, até porque era para ele estar em Noronha, não era?

— Hey, o que você está fazendo aqui? – o rapaz, aparentemente, não a ouviu e se o fez fingiu que não, deixando-a um tanto quanto ultrajada. – Perseu, volta aqui agora!

Sem ao menos lhe direcionar um olhar, o rapaz seguiu seu caminho e quando chegou ao seu quarto bateu a porta com força, fazendo com que Maria, que estava na cozinha, viesse para a sala assustada.

 - Meus deuses, quem chegou tão estressado? – a mulher tinha as mãos sujas de massa de bolo e os olhos arregalados pelo susto.

— O Percy. – Thalia murmurou ligando alguns pontos. Até porque, se o rapaz estava em Nova Iorque e tão estressado assim, só poderia significar algum problema – Acho que ele fez merda.

— De que tipo? – Maria perguntou também fazendo algum tipo de relação, e Thalia pensou um pouco antes de responder:

— Das grandes. Vou lá falar com ele. – a morena de olhos azuis elétricos logo se levantou e subiu as escadas, seguindo o caminho feito por seu irmão.

Thalia respirou fundo um par de vezes, antes de tentar abrir a porta, está que felizmente estava aberta.

— Hey! – a morena murmurou ao encontrar o rapaz largado sobre a cama, com um dos braços sobre os olhos.

— Me deixa sozinho, Thals, por favor! – o moreno pediu, e Thalia não soube dizer se a voz dele estava embargada por conta do choro ou só estava abafada.

— Só depois de você me dizer o porquê de estar aqui e assim. – e com cautela ela se aproximou.

A garota sentou ao lado dele e o observou por um momento. Sua barba estava por fazer e um tanto quanto grande, algo que não fazia o estilo do rapaz, seu cabelo estava seguindo o mesmo caminho. Suas malas estavam jogadas ao pé da cama e sua roupa parecia com aquelas que ele passava o dia na praia, algo que causou estranheza na garota.

— Pensei que você só voltasse amanhã. – a morena soltou quando percebeu que ele não lhe responderia.

Ainda que contrariado, Percy tirou o braço dos olhos e a encarou firmemente, como se perguntasse se ela realmente o obrigaria a falar. E ela devolveu seu olhar na mesma intensidade, praticamente garantindo que não sairia de ali até ter a informação que fora buscar.

Típica comunicação entre irmãos.

Percy bufou, sabendo que teimar não adiantaria de nada e a morena abriu um sorriso de lado, reconhecendo sua vitória.

— Eu voltei para tentar impedir que a Annabeth se casasse. Satisfeita? – o rapaz respondeu e logo voltou a cobrir seus olhos.

Thalia estava surpresa com a resposta. A morena esperava algo parecido com “Gritei com meu chefe e ele me demitiu” ou até mesmo “Fui surfar na hora do serviço e meu chefe me demitiu”, mas saber que ele tinha voltado para tentar impedir o casamento fazia com que toda a raiva ante aquela situação voltasse ainda mais forte.

— Como? – a morena perguntou e uma certo tom de pena transpareceu em sua fala, fazendo com que o rapaz bufasse de raiva.

Era por conta daquele sentimento que ele não queria que ninguém soubesse o que ele tentara fazer.

— É, mas obviamente eu não consegui. – Percy murmurou contrariado e com o rosto ainda coberto, visto que nesse momento seus olhos se encheram de lágrimas.

Em algum momento de sua louca aventura, Percy chegou a pensar que conseguiria impedir o casamento, e tudo parecia trabalhar ao seu favor, pois assim que chegara ao aeroporto de Recife, conseguira uma passagem para Nova Iorque em um voo que sairia dali uma hora e meia, o moreno só não esperava que o mesmo fosse fazer tantas escalas.

E o fato de estar incomunicável o atrapalhara ainda mais, já que ele não sabia se Alexia tinha conseguido ou não falar com alguém sobre ele estar voltando a fim de impedir toda aquela loucura.

— Mas porque você não avisou que estava voltando, Perseu? Eu poderia ter ido lá fazer um barraco, enquanto você não chegava ou... – Thalia murmurou ainda não acreditando que seu irmão estava ali. – Na verdade, o que te fez mudar de ideia?

— Meus colegas ficaram sabendo o que estava acontecendo e ontem me convenceram a voltar para impedir que o Luke conseguisse o que ele queria... – Percy contou detalhadamente tudo o que aconteceu e Thalia o ouviu atentamente.

— Você viajou sem celular? – a morena perguntou abismada e o rapaz assentiu cabisbaixo. – Você é louco. E se algo te acontecesse? Como ficaríamos sabendo?

— Quando cheguei aqui, peguei o primeiro táxi que vi na minha frente e corri para o cartório. – Percy continuou a contar com olhar desfocado, pouco se importando com o que Thalia estava lhe perguntando.

Naquele momento o rapaz estava revivendo o sentimento de impotência que sentira, quando viu os dois saindo do cartório mais importante da cidade, já casados.

Luke tinha um sorriso que atravessava o seu rosto por completo, e até parecia um noivo que acabara de casar com a mulher que mais amava no mundo, e se a noiva estivesse da mesma maneira qualquer um diria que só se separariam quando a morte quisesse, mas Annabeth não estava assim, na verdade a loira estava bem longe de estar sorrindo.

Percy sentiu seu coração bater acelerado, quando seu olhar pousou sobre Annabeth. A mesma parecia deslocada no meio de tantas pessoas bem vestidas, que aparentemente ela nunca vira na vida desejando-lhe parabéns pelo casamento. Ela apenas assentia, e parecia agir no automático.

A Chase só sorriu de verdade, quando Sally se aproximou com Peter no colo. Naquele momento, a loira esticou os braços e agarrou o pequeno Chase nos braços como se sua vida dependesse de estar ao lado dele, e naquele momento essa era a única verdade na vida de Annabeth, esta que resumia-se a estar ao lado do pequeno, visto que ela estava abrindo mão de tudo que construiu para mantê-lo consigo.

— A mãe e o pai estavam lá. – Percy soltou aleatoriamente, e Thalia até se assustou quando ele voltou a falar. Fazia quase dez minutos que ele ficara quieto, e pensativo.

— Eles não quiseram deixar que ela fosse sozinha. – a morena contou e Percy assentiu feliz com a decisão de seus pais. Os Castellan precisavam saber que ela não estava só.  – O Nico também foi.

— Creio que por conta do contrato, não é? – o moreno resmungou e rapidamente olhou para sua irmã, esta que assentiu e lhe direcionou um sorriso morno.

— Você não foi. Por quê? – Percy perguntou e se arrumou na cama, buscando uma posição melhor para se deitar.

— Você, realmente, acha que eu assistiria à essa palhaçada quieta? – o rapaz logo abriu um sorriso debochado, e Thalia retribuiu com uma expressão travessa.

— Esqueci-me do seu temperamento, Cara de Pinheiro.

— Isso não pode acontecer, Peixinho. – a morena resmungou e meio que sem jeito se pôs a fazer um cafuné nos cabelos negros de seu irmão. Naquele momento, ele estava precisando de carinho, e só ela poderia fazer isso por ele. – Isso não pode sair daqui. Ouviu?

O Jackson soltou uma risada sarcástica, e assentiu com os olhos marejados.

O rapaz fechou os olhos e se permitiu ser cuidado por Thalia, esta que rapidamente esqueceu-se do mundo quando seu celular voltou a tremer em seu bolso.

[5:29 PM]

Já entendi o recado!

Pode deixar que já arranjei outra companhia para a noite.

Desculpa por te incomodar.

Tchau.

Os sentimentos que invadiram o coração da morena não poderiam sequer existir, pelo menos não na relação que ela estabelecera com Nico, e tal acontecimento a assustara por demais. Só que naquele momento ela pouco se importara com as coisas que sentira, pois o ciúme estava corroendo-a por dentro, e ela sabia disso. Num estalo, a morena percebeu que alguns limites tinham sido ultrapassados. E, talvez, não tinha como voltar atrás.

— Sentimentos são uma droga. – a garota murmurou jogando seu celular.

— Concordo plenamente. – Percy resmungou quase dormindo, e Thalia riu por conta do pequeno filete de baba que começava a sair da boca de seu irmão.

...

Já era quase meia noite, e Annabeth não via a hora de se livrar daquele maldito vestido branco que, pasmem, Hermes escolhera para aquele show de horrores. Depois de assinarem os papéis no cartório, Annabeth e Luke tiveram que sustentar a mentira de casamento em uma festa para os maiores empresários de Nova Iorque, onde ficara bem nítida as intenções de Hermes, visto que ali ele expandia seus contatos milionários, e praticamente apresentava a sua empresa para a nata Nova Iorquina. Só ali, a Chase entendera o porquê de eles fazerem tanta questão para que a festa de casamento acontecesse.

— Finalmente, chegamos. – o mais velho dos Castellan resmungou ao abrir a porta de seu mais novo apartamento.

Finalmente, as malditas reformas tinham se findado, e o italiano poderia aproveitar de sua mais recente aquisição, e sair da casa de sua ex-mulher. Esta que já estava quase que enlouquecendo-o.

— Sinta-se em casa, Annabeth. – o homem falou com um sorriso sarcástico, e a loira limitou-se a rolar os olhos. – Bom, agora que vocês estão de fato casados, e assim ficarão por pelo menos um ano preciso informa-lhes de alguns planos que tenho para vocês.

Hermes desabotoou o seu paletó e se sentou no elegante sofá de sua sala com uma postura que exprimia poder, fazendo com que Annabeth se arrepiasse e segurasse Peter um pouco mais forte em seus braços.

— O senhor deveria ter dito algo antes de assinarmos aquela porcaria de contrato. – Annabeth protestou sentindo medo do que estava por vir.

— Não precisa levantar sua armadura, Chase. – Hermes logo reconheceu a atitude defensiva da garota e tratou de rechaçá-la. – Creio que o que tenho para propor beneficiará a nós todos.

— O senhor não me disse nada disso, pai. – Luke logo se manifestou sentando-se em uma das poltronas que tinha pela ampla sala, e Annabeth preferiu ficar em pé. Não sentia-se confortável o bastante para sentir-se em casa.

— Se eu não te contei foi porque tive motivos, Luke. – Hermes o cortou rapidamente, e o loiro pouco se importou, afinal já tinha se acostumado com o tratamento que recebia do mais velho.

— Desculpe-me interromper o maravilhoso momento pai e filho, mas eu quero dormir. Se o senhor fosse mais objetivo, eu agradeceria. – Annabeth logo se meteu com um tom sarcástico, que durante as últimas duas semanas ela aprendera que irritava Hermes.

O homem, para provocá-la, se levantou e foi até o bar que fora uma de suas exigências na reforma, e com a maior calma do mundo encheu um copo de whisky, somente depois de tê-lo cheio e em mãos, o homem se pôs a falar:

— Annabeth, você voltará para a faculdade no próximo semestre. – a loira o olhou abismada, e nem soube como se expressar, apenas limitou-se a perguntar o porquê, este que logo foi justificado – Não menti quando disse que queria a sociedade entre as nossas empresas desse certo, Chase. Como eu te expliquei, isso beneficiará a nós dois e pelo visto você realmente está disposta a manter o legado da sua família de pé, e para isso acontecer é você quem tem que estar à frente dele. E para isso você precisa estar bem preparada.

Por um momento, Annabeth não soube o que dizer e pela primeira vez, desde que ouvira a proposta que Hermes lhe fizera, sentira que estava fazendo o certo para salvar aquilo que acreditava.

— Outra coisa, além de se formar quero que você e o Luke trabalhem juntos para reerguerem a Olympus Arquitetura C.O. – nesse momento os recém-casados arregalaram os olhos, e Annabeth prontamente negou tal condição.

— Eu não vou trabalhar com ele. – a loira disse taxativa. – Além de morar com ele, eu ainda terei de trabalhar? Não. Definitivamente não.

Hermes a fitou por um longo tempo e Luke logo se manifestou ante o desconforto de Annabeth:

— Eu já trabalho com o senhor, pai. Não acredito que isso seja realmente necessário.

Hermes esperou que as manifestações se findassem para retrucar:

— Eu não sei se vocês repararam, mas não perguntei a opinião de vocês. Isso é um comunicado, não uma reunião para que vocês me digam o que querem. – o homem fora curto e grosso, e quando Annabeth abriu a boca para se manifestar, este levantou a mão fazendo com que ela se mantivesse quieta. – Eu quero assim, e será assim. Ou eu fecho a sua empresa assim que eu acordar amanhã de manhã. Entendeu?

— Você é um idiota! – Annabeth resmungou sem medo, e Hermes a fitou surpreendido.

— Acredito que mudará de ideia futuramente, Chase.

— E eu duvido. – a loira resmungou sarcástica, e Peter deitou no vão entre seu pescoço e ombro, denunciando o seu sono – Se me dão licença, colocarei o Peter para dormir.

Sem esperar uma liberação ou algo do tipo, Annabeth se retirou para o quarto que lhe fora designado, assim como ela solicitara no contrato.

Enquanto subia as escadas do duplex do Castellan, a loira ainda ouviu:

— Preciso saber se você é realmente capaz de cuidar de uma empresa, Luke. Um dia tudo o que eu levantei será seu, e preciso saber se é capaz de lidar com essa responsabilidade.

A loira logo entrou em um longo corredor, e logo deixou de escutar a conversa que os dois homens mantinham na sala, por isso ela não sabia dizer se Luke retrucará ou não a fala de seu pai.

E essa informação, logo fora esquecida pela garota, esta que assim que encontrou seu quarto permitiu que tudo que vivera até então, ficasse da porta para fora.

O cômodo era simples e sem grandes adornos, afinal ela não ficaria ali por muito tempo. Por isso, tinha apenas o suficiente para se viver bem.

— Agora só faltam trezentos e sessenta e cinco dias para tudo isso acabar, Peter. – a loira resmungou analisando cada contorno do rosto de seu filho, este que estava para lá de sonolento.

Com calma e amor, Annabeth despiu seu pequeno e feliz deu banho nele, visto que pela primeira vez em duas semanas, ela estava com ele por mais de uma hora.  

— Mama! – Peter resmungou ao sair da água e a loira riu, tinha sentido falta de estar daquela forma com ele.

— Você já está ficando enrugado, meu peixinho. — a loira respondeu enrolando-o em uma toalha felpuda, e o Chase logo se enroscou na mesma, gostando da sensação.

Annabeth o levou para o quarto, e ainda quando estava sendo trocado o pequeno caiu no sono. A Chase até pensou em colocá-lo no berço que tinham instalado no cômodo, mas a saudade de tê-lo ao seu lado era tanta que não resistiu e deixou-o em sua cama.

Agora quem precisava de um banho era ela, mas antes de permite-se um minuto de paz, a loira buscou seu celular na mala que trouxera dos Jackson, e não se impressionou ao encontrá-lo sem carga alguma, rapidamente o colocou na tomada e na mesma velocidade se encaminhou para o banheiro.

Quando saiu, já dentro de um pijama, a loira ouviu uma das portas do corredor bater, denunciando que um deles, ou até mesmo os dois, já tinham ido se deitar. E como a garota estava com sede, não se fez de rogada em sair em direção a cozinha.

Infelizmente, Luke ainda estava acordado e Annabeth não demorou muito para descobrir isso, pois assim que ela terminou de descer os elegantes degraus de mármore, o loiro apareceu no batente da entrada da cozinha, assustando-o como ninguém nunca fizera até então.

— Que susto, capeta! – Annabeth murmurou com as mãos um tanto quanto trêmulas e Luke limitou-se a rir da garota.

— Não sou tão feio assim, loirinha.

— Por favor, não me chame assim. – a loira pediu ríspida, enquanto se  encaminhava para a cozinha, afinal, o fato de Luke estar ali não a impediria de beber a sua água.

O Castellan riu do nervosismo da mais nova, e quando ela entrou na cozinha, ele a seguiu de perto, muito perto.

— Você está invadindo o meu espaço. – Annabeth resmungou com a raiva fervilhando em seu sangue e o rapaz logo se afastou, até porque ela fora bem clara que não o queria próximo a menos que ela permitisse, algo que ele acreditava que aconteceria, um dia.

— Desculpe. – o loiro pediu e a garota se surpreendeu com o pedido, embora não tenha demonstrado.

— É só ficar longe. – Annabeth resmungou enquanto enchia um copo com água da geladeira.

Luke parou por um momento e ficou admirando-a. Depois de alguns segundos ele disse com um sorriso bobo:

— Não brindamos na festa. – a loira ergueu a sobrancelha como se perguntasse e daí? — Só um minuto. – Luke pediu e sumiu em direção a sala.

Annabeth negou com a cabeça e logo estava voltando para o seu quarto, quando Luke praticamente brotou na sua frente com duas taças cheias com...

— O que é isso? – a Chase perguntou com o cenho franzido e o mais velho revirou os olhos ante a pergunta.

 - Champanhe. – dessa vez quem revirou os olhos.

 - Você sabe que só brindamos a algo que gostamos ou queremos, não é? – a garota perguntou debochada e Luke empurrou a taça para ela, que se escolha teve de aceitar.

— Que nós saibamos fazer esse casamento dar certo. – Luke disse erguendo sua taça e Annabeth o olhou incrédula – Vamos, loirinha. – o rapaz insistiu.

Quando a Chase começou a erguer a mão, o Castellan realmente achou que tinha vencido a primeira, de muitas, batalhas que aquela relação traria, mas quando a garota virou todo o conteúdo em cima de sua cabeça, ele percebeu que a loira sabia muito bem como jogar.

— Só brindamos àquilo que gostamos ou queremos. E esse casamento está bem longe de ser algo que eu quero ou gosto.

Com essa frase, Annabeth deixou a cozinha, e um Luke muito puto, para trás, mas o sentimento de dever cumprido não deixava com que ela pensasse nas consequências daquela ação.

Naquela noite, a loira dormiu com um sorriso no rosto, apesar de toda a situação.



Notas finais do capítulo

Gente, sei que estou em falta com vocês, mas esse ano tá foda. Tô fazendo várias coisas ao mesmo tempo, mas estou tentando escrever nos pouco tempos livres que tenho.

Obrigado pela paciência.

Como estou ficando muito tempo fora de casa, e só com a net do celular, não consigo responder aos reviews, sendo assim quem quiser uma resposta de minha de fato, visto que eu leio todos, me manda uma MP ou me chama no grupo do Facebook, lá é mais fácil para te responder.

Link do Grupo no Facebook: https://www.facebook.com/groups/955154981174295/?ref=bookmarks

Eu tive que reescrever esse capítulo, porque me falaram que essa coisa de casamento era chata e tals, e esse capítulo ia ser o casamento, mas resolvi poupar vocês, por isso coloquei o Percy em Noronha, para vocês darem uma espiadinha e o capítulo de fato.

Creio que no próximo terá passado alguns meses, para não ficar tão maçante e teremos surpresas.

O que vocês acharam dos nosso dois novos personagens? Só figuração ou terão alguma importância relevante na história?

A Annie vai voltar para a faculdade... Tinham me perguntado sobre isso, e cá está a resposta. O Hermes fará com que ela volte O.O

E o momento de irmãos do Percy e da Thals????

E a Thalia e o Nico, mds????? Me digam o que acharam, parece que a Grace está sentindo algumas coisinhas kkkk Preciso mostrar o lado do Nico nessa história, não fiquem bravos com ele. Ok?

Enfim, me digam o que acharam.

Acho que por hoje é só.

Beijos e até mais.


Quase ia me esquecendo...
1 - Vcs preferem que eu continue postando aos poucos

OU

2- tente escrever tudo o que ainda falta e postar tudo lá pro fim do ano.

Vote abaixo kkkk

#Rumoaos1000cometários - Estou tão feliz por isso, vocês não tem noção.