The Choices Of Life... escrita por Natyh Chase Jackson


Capítulo 25
Inferno


Notas iniciais do capítulo

Oieeee,

Sei que vocês não querem ouvir minhas desculpas, por isso vamos ao capítulo.

Este é dedicado à:

— Nathy Di Angelo

Adorei a sua recomendação, de verdade.

Boa leitura, pessoal e milhões de desculpas pela demora, tudo culpa de um bloqueio.



O caminho que Annabeth fazia, não era desconhecido para Perseu, mas mesmo tendo a nítida impressão de saber aonde estavam indo, o moreno não conseguia chegar a nenhuma conclusão concreta. Por isso, entregou-se a dúvida, e questionou com a voz curiosa:

— Quer saber? Eu desisto. – o moreno cruzou os braços e armou o maior bico – Me conta para onde estamos indo? Por favor! – o rapaz resmungou voltando-se para Annabeth, esta que tinha um sorriso discreto ante a curiosidade do moreno. Curiosidade que fez com que ele se retorcesse no banco do passageiro durante toda a viagem, o que acabara por divertir a loira ao extremo.

— Não terá graça se eu te contar agora, Cabeça de Algas. – a loira respondeu sem tirar os olhos da estrada, fazendo Percy bufar.

— Mas não é para ter graça. – o moreno resmungou com a sua hiperatividade em alta, passando a mexer no porta-luvas de seu carro. Viajar quando não era ele quem estava dirigindo tornava-se uma tortura para o rapaz.  – Olha! Eu achei um dos ursinhos que você estava procurando. – Percy exclamou feliz, ao puxar um dos brinquedos de Peter pelo pé.

— Nossa, eu estive procurando isso por semanas. – a loira resmungou dando uma olhadela no objeto que Percy tinha em mãos. – Já tinha desistido de encontrar isso.

— A Silena ficaria louca se soubesse que você perdeu um dos milhões de presentes que ela já deu para o Peter. – Percy devolveu divertido voltando a colocar o brinquedo, antes desaparecido, dentro do porta-luvas. Nesse mesmo segundo uma ideia perpassou pela cabeça do moreno, fazendo-o exclamar – Já sei para onde estamos indo!

Annabeth se assustou com o grito do rapaz, assim como Peter que deu um pequeno pulo em sua cadeira, e olhou para Percy com os olhos sonolentos e assustados, mas o pequeno logo voltou a se entregar aos braços de Morfeu ao perceber que não era nada demais, deixando assim que apenas sua mãe lidasse com o ataque de Percy.

— Que susto, Perseu! – a loira resmungou tirando uma mão do volante e a colocando sobre o local onde seu coração batia descompassado.

— Desculpa, não foi minha intenção. – o moreno soltou constrangido e a loira deu de ombros, como se não importasse o escândalo do rapaz. – Mas eu descobri para onde estamos indo.

— É mesmo? – Annabeth pontuou desconfiada, e o moreno assentiu mesmo sabendo que ela não o estava vendo. – Então, qual é o nosso destino, Sr. Eu-Sei-De-Tudo?

— Nós estamos indo para a casa de campo da Silena. – Percy respondeu cheio de si, e Annabeth limitou-se a jogar sua cabeça para trás e rir da forma pomposa com que o moreno dissera aquilo. – Ei, por que você está rindo? – o rapaz questionou com falsa irritação, já que gostava de ver Annabeth rindo, mesmo que fosse às suas custas. – Essa estrada leva até lá, não é possível que eu esteja errado. – o rapaz argumentou, mas Annabeth limitou-se a continuar a rir.

Percy, ao perceber que ela não pararia tão cedo, pegou sua mais nova aquisição, a polaroid adquirida na loja próxima ao mercado, e tirou duas fotos seguidas da loira, fazendo-a engolir sua risada no exato segundo em que percebera estar sendo fotografada. Ela não gostava de ser o foco das fotografias de Percy, tal ação a constrangia, ela só não sabia que o Jackson adorava vê-la corada pela vergonha, aos olhos dele ela ficava ainda mais bonita.

— Hey! Pode parar. – Annabeth ordenou fechando a cara, e usando a mão direita, a mesma que trocava a marcha, para impedir que a lente de Percy focasse em si, novamente.

— Não é legal quando é com a gente, não é mesmo, Sabidinha? – o moreno questionou cheio de si pela segunda vez, e Annabeth mostrou-lhe a língua, ato que Percy conseguira registrar no mesmo segundo.

— Você é um chato.

— Um chato muito inteligente por sinal, já que eu descobri sozinho para aonde estamos indo. – o moreno se gabou pela segunda vez e a loira limitou-se a rolar os olhos, antes de cortar o seu momento Eu Sou Um Gênio!

— Só para deixar claro, não estamos indo para a casa da Silena.

— Como não? – o moreno questionou confuso, e antes que pudesse retrucar afirmando que aquele era o caminho para a casa de sua prima, a loira passou direito pela a entrada que deveria ser usada para chegar a propriedade da Beauregard, fazendo-o se calar por falta de argumentos. – Se não estamos indo para a casa da Silena, para aonde estamos indo, afinal?

— Surpresa! – Annabeth retrucou com falsa animação, fazendo com que o Jackson armasse um bico e cruzasse os braços descontente coma a resposta da garota.

Depois que Percy desistiu de tentar adivinhar para aonde Annabeth os estava levando, o moreno se voltou para a janela do passageiro e tirou um cochilo, seguindo assim o exemplo de Peter, este que dormira segundos depois de o carro começar a andar, ainda em Manhattan.

Desde que saíram da ilha mais importante do mundo, Annabeth sentiu seu coração se apertar a cada novo quilometro andando. A loira prometera a si mesma que não voltaria para o último lugar que seus pais estiveram ainda com vida, pois sabia que doeria como o inferno, e a única coisa que ela queria no momento era ficar em paz com Peter e Percy ao seu lado. Apenas isso, se fosse pedir demais. 

No entanto, se não fossem para a casa de campo de sua família, eles corriam o risco de terem que sair da bolha de felicidade recém-construída e encarar os problemas da vida real, algo que Annabeth não estava pronta para enfrentar de frente, pelo menos, não de imediato. Por isso, ao ver a maravilhosa construção desenhada por sua mãe apontar sob uma das colinas da região montanhosa em que estavam, a loira respirou fundo e tentou conter as lágrimas que ameaçavam despontar sob seus olhos.

— Hey, Percy? – quando terminou de estacionar em frente à casa, a loira chamou seu namorado babão, fazendo-o se remexer inquieto sobre o banco do passageiro – Percy, nós já chegamos. – a loira tentou mais uma vez, e nada do moreno acordar.

Apelando para a chantagem emocional, a loira passou a arranhá-lo na nuca e beijá-lo no pescoço, fazendo com que o rapaz soltasse pequenos suspiros deleitosos, estes que a deixavam saber que ele estava gostando do carinho.

Meu amor, nós já chegamos. – a loira sussurrou contra o lóbulo do rapaz, fazendo-o se arrepiar todo, e consequentemente acordar disposto.

Para a infelicidade do rapaz, no entanto, a loira rapidamente se afastou deixando-o saber que nada rolaria naquele momento.

— Aonde nós estamos? – Percy perguntou com os olhos pesados de sono, mas desperto a ponto de saber o que Annabeth estava fazendo consigo – E se você prometer me acordar desse jeito pelo resto da vida, eu prometo me casar com você. – o rapaz resmungou ainda fora de si, o que não permitiu que Annabeth se ativesse as suas palavras. Afinal, ele estava brincando. Não estava?

— Larga de ser dramático, Cabeça de Algas. – a loira deu-lhe um leve empurrão, e o moreno sorriu de lado antes de acompanha-la e sair do carro.

— Você ainda não me respondeu aonde estamos, Sabidinha. – o moreno a lembrou, enquanto se espreguiçava e a garota rodeava o carro até estar ao seu lado.

— Bem-vindo à casa de campo da minha família, Percy. – a loira soltou em um pequeno sussurro abraçando-o pela cintura, permitindo dessa forma que ele a envolvesse pelos ombros.

De repente, uma espécie de pisca-alerta se acendeu na cabeça do rapaz e uma antiga conversa com Thalia ganhara espaço em seus pensamentos.

— Aqui foi o último lu... – antes que ele pudesse terminar, Annabeth já assentia com a cabeça e o abraçava mais forte. – Eu sinto muito, Annie. – ele murmurou beijando seus cabelos loiros, fazendo-a fungar para deter as lágrimas.

— Eu também sinto, Percy. Eu também sinto. – ela respondeu antes de soltá-lo, e enxugar a única e teimosa lágrima que se atrevera a escorregar pela sua bochecha. – Mas não viemos aqui para remoer essas coisas. Não é mesmo? –a loira tentou sorrir, e o Jackson admirou o seu gesto.

— Vem cá. - ele a puxou pela mão direita, e a que estava livre ele permitiu que a envolvesse pela nunca trazendo-a para ainda mais perto de si. – Eu te admiro tanto, minha Sabidinha. — e com essa fala ele a beijou da forma mais apaixonada que aquele momento permitia.

Com aquele beijo, ele queria mostrar que estava ao lado dela para tudo que ela precisasse, e a Chase conseguiu captar a mensagem, visto que no meio do beijo permitiu-se abrir um sorriso e envolver o corpo do rapaz em um abraço de agradecimento.

Com selinhos e sorrisos apaixonados eles se separaram e começaram a pegar as coisas de dentro do carro, para que assim pudesse usufruir da hospitalidade da enorme casa de campo da família Chase.

Annabeth deu a chave para que Percy abrisse a enorme porta dupla de vidro que ficava na entrada da casa, e quando o rapaz foi abri-las, questionou confuso:

— Essa chave abre qual das duas? – e apontou para os dois pares de portas exatamente iguais que ficavam dispostos em lados contrários da fachada e eram separados por janelas que pareciam ser uma espécie de ligação entre as duas entradas.

— As duas fechaduras são iguais. – a loira respondeu, enquanto tirava do carro a mala que continha suas roupas, as de Percy e algumas mudas de Peter.

— Essa casa é bem bonita. – Percy soltou após um assovio admirado, assim que entrara na casa.

— Gostou? – Annabeth questionou, enquanto se aproximava com a mala de rodinhas sobre o piso de pedras que Atena insistira em colocar na frente da casa, como uma espécie de pátio. – Foi a minha mãe quem projetou. – a loira disse cheia de orgulho, e Percy sorriu ao perceber o tom usado pela garota.

O sobrado era totalmente feito de vidro e madeira. Esta última, limitando-se apenas as vigas de estruturação da casa e ao chão, visto que as paredes eram totalmente feitas de vidro.

A fachada da casa possuía uma simetria ímpar, algo que já era uma das inúmeras marcas registadas de Atena Chase. A sala de estar era o primeiro cômodo a ser visto assim que se entrava na casa, sofás aparentemente superconfortáveis estavam dispostos pelo lugar de forma elegante e convidativa à um descanso em um final de tarde fria, a lareira que ficava à direita da entrada apenas reforçava o convite, e de frente para a porta ficava uma escada dupla, esta que levava a pessoa para dois lados diferente, mas que terminavam em uma espécie de área comum, onde Percy podia avistar alguns sofás e uma enorme estante embutida cheia de livros.

— Minha mãe adorava ler ali em cima. – Annabeth apontou e explicou – a vista dali de cima é linda, sem contar que ela podia ver o meu pai do sofá encostado na parede, e assim não se sentia tão sozinha, enquanto ele assistia à algum jogo aqui embaixo. Aquela área de leitura dá em um corredor de cada lado com três quartos cada, minha mãe era um tanto quanto exagerada. – a loira deu de ombros ao explicar uma mania de sua mãe - Seguindo esse corredor aqui... – a loira apontou para a sua direita, e Percy avistou uma entrada na mesma parede aonde se encontrava a lareira – Teremos a sala de jantar e mais à frente a cozinha, e depois dela uma saída para a varada onde temos uma churrasqueira e uma piscina.

— E para aquele lado? – o rapaz questionou apontando para a sua esquerda.

— Ali temos um banheiro social, mais um quarto e mais à frente uma espécie de sala de TV mais reservada, já que meus primos e eu sempre discutíamos com os mais velhos sobre o poder da televisão, então minha mãe fez um anexo e transformou em uma espécie de cinema. Não é nada muito grande, mas dá para o gasto. – a loira respondeu dando de ombros, e Percy riu ao ver a postura dela de como se toda aquela obra-prima não fosse nada demais.

— Sua mãe projetou tudo isso sozinha? – o moreno perguntou curioso.

— Com algumas dicas do meu bom gosto, é claro. – Annabeth se gabou, sabendo que seu namorado estava achando tudo muito bonito.

— Uau! – ele respondeu simplório, visto que estava sem palavras, mas rapidamente complementou. – Pelo visto arquitetar está no sangue.

— Com certeza! – Annabeth exclamou feliz, e terminou de adentrar a casa, e antes que sumisse pelo corredor que a levaria para a sala de jantar pediu – Pega o Peter no carro, por favor?

— Claro. – o moreno bateu continência a fazendo rir e sumir casa adentro.

Percy voltou para o carro, tirou os cintos que prendiam seu pequeno à cadeirinha de uso obrigatório e o pegou no colo ainda sonolento. E enquanto o levava para dentro de casa, sussurrou admirado:

— Eu aposto que se sua avó estivesse viva, aqueles seus prédios de lego seriam coisas de outro mundo, Peter.

...

Depois de já terem descarregado todas as compras do carro e guardado em seus devidos lugares, Percy e Annabeth deixaram Peter solto pela cozinha, enquanto preparavam juntos o almoço, visto que já se passava da metade do dia e eles só tinham se dando conta desse fato quando a barriga do pequeno Chase roncou alto alertando-os sobre o horário.

— Sabidinha, você não tinha colocado essa casa para alugar? – Percy questionou em um dado momento enquanto colocava o arroz no fogo, já que se lembrava do dia em que algumas caixas chegaram em sua casa, e a Chase lhe dissera que era alguns pertences pessoais que se encontravam na casa de campo de sua família.

— Mas está para alugar. – a loira respondeu, enquanto descascava uma batata inglesa.

— Se está para alugar, a chave não deveria estar com você, mas sim com a imobiliária. – o moreno retrucou de forma que ela soubesse que a sua resposta anterior não era exatamente a que ele queria.

— Na verdade, estava na imobiliária, mas enquanto você estava no mercado e eu na “farmácia” – a loira fez aspas com a mão – Passei na imobiliária, que por sinal fica ao lado do mercado e peguei a chave dizendo que eu precisava ver as condições da casa.

— Hum! Então, quer dizer que a senhorita mentiu para mim sobre aonde estava indo, Srtª Chase. – Percy estreitou os olhos e a encarou com falsa seriedade, fazendo com que a loira soltasse risadinhas esporádicas, pois sabia que Percy não faria nada demais com a informação. – Sabia que é feio mentir? Que exemplo você está sendo para o Peter, Annabeth? – o moreno exasperou-se e a loira permitiu-se a soltar uma sonora risada, fazendo-o abrir um sorriso ladino.

— Em minha defesa, Sr. Jackson, eu menti para salvar a surpresa.

— Os fins não justificam os meios, Srtª Chase, e eu acho que você tem que pagar pelo seu erro.

Ao falar isso, Percy passou a se aproximar com passos lentos, e Annabeth estacou no lugar pagando para ver qual seria a sua punição por aquela falta.

— E qual será o meu castigo, Sr. Jackson? — a loira enrolou-se toda para dizer o sobrenome de Percy da forma mais provocativa que achara possível, fazendo o rapaz soltar uma pequena risada pela sua tentativa.

No entanto, ele logo recuperou sua expressão séria, e quando a cercou contra a pia rústica com vista para um pequeno bosque, falou com o rosto bem próximo ao de sua garota:

— O seu castigo, Chase, vai ser...

— Vai ser...? – a loira provocou, quando ele hesitou sem saber o que falar. O rapaz não tinha nada em mente, na verdade.

Então, Percy olhou para o lado e um estalo deu-lhe a brilhante ideia para o castigo de Annabeth.

— O seu castigo, minha cara Chase, será um banho refrescante.

E antes que Annabeth pudesse raciocinar o que aquilo queria dizer, Percy a pegou no colo, no melhor estilo noiva possível, e rapidamente a levou para fora da casa onde uma varada coberta se estendia e desembocava em uma esplendorosa piscina.

— Não, Percy. Por favor. – a loira berrou ao perceber quais eram as intenções do Jackson, mas nada ela podia fazer a não ser espernear, o que de fato não adiantara muito, pois assim que eles chegaram ao começo da piscina, Percy a soltou dentro da água, fazendo-a engolir bons litros de água.

Quando a loira voltou a emergir, Percy ria segurando a barriga e Peter estava ao seu lado rindo igual ao pai.

— Vocês são dois traidores. – Annabeth cuspiu tentando tirar seu cabelo agora encharcado da frente de seus olhos – Eu esperava tudo de você, Perseu. Tudo! Mas de você, Peter? – a loira negou com a cabeça e com duas braçadas se aproximou novamente da beirada da piscina onde os dois homens de sua vida riam como condenados. – Será que você pode me ajudar a sair daqui, ou é pedir demais? – a loira perguntou a Perseu, este que estava fraco por conta da risada, por isso não fora nenhum pouco difícil para Annabeth puxá-lo pelo braço e fazer com que ele também caísse na água.

— Agora quem é que está rindo, Perseu? – a loira questionou quando o rapaz emergiu sério, mas não esperou para ouvir a resposta do moreno, ela apenas se voltou para Peter, este que ameaçava pular na piscina, e estendeu seus braços para ele convidando-o a entrar. – Vem, meu pequeno, vem com a mamãe.

— Mama! – Peter bateu palma e não se fez de rogado ao pular nos braços de sua progenitora, o que a deixou imensamente feliz.

Percy rapidamente tirou sua camiseta, ficando apenas de bermuda e Annabeth seguiu seu exemplo, tirando a sua regata e a de Peter, deixando-o mais à vontade.

A loira logo de encaminhou para a lateral da piscina, onde era sua entrada, visto que possuía degraus submersos que permitiam que as pessoas fossem se adaptando a profundidade da piscina com calma, sem nenhum baque.

A Chase rapidamente subiu quatro de cinco degraus e colocou Peter sentado no segundo, onde a água cobria apenas metade de suas pernas gorduchas, dessa forma ele poderia ficar em contato com a água sem nenhum risco de se afogar.

Percy logo se aproximou dos dois e sentou-se ao lado do pequeno, Annabeth se levantou fazendo com que a água batesse no meio do seu tornozelo e Percy a olhasse com o cenho franzido:

— Onde você vai? – o moreno perguntou olhando-a de baixo, e ela sorriu antes de sair da piscina e responder:

— Vou desligar o fogo que o senhor deixou acesso, e pegar o protetor para você passar nele. Já volto. – Annabeth o respondeu e rapidamente entrou dentro da enorme construção de vidro.

A loira logo sumiu dentro da casa e Percy limitou-se a ficar de olho em Peter, este que fazia a festa por estar em contato com a água, jogando-a em várias direções diferentes, algo que ele gostava demais, já que tinha a água como uma extensão de seu corpo assim como Percy, o que acabava por deixar o moreno extremamente feliz, pois mesmo não sendo seu filho de sangue Peter, aparentemente, tinha herdado algo de si.

O pequeno Chase logo enjoou de ficar no raso e por isso levantou-se com o seu recém-adquirido equilíbrio para tentar se aprofundar na piscina, mas Percy não permitiu visto que Annabeth o mataria caso o pequeno loiro se afogasse, mas não querendo impedir a diversão do garoto, o mais velho o segurou com um braço e permitiu que seu corpo os levasse até a parte mais funda da piscina. Para a alegria do mais novo.

Papa! – Peter exclamou animado ao perceber que todo o seu pequeno e frágil corpo estava emergindo na água refrescante, o que fez Percy rir e jogar um pouco de água na cabeça do pequeno, fazendo-o rir ainda mais.

A brincadeira continuou de diversas maneiras, ora Percy o ajudava a boiar, ora o incentivava a nadar e em outras ocasiões jogava-o para o alto e o agarrava antes que o pequeno entrasse em contato com a água, para a tristeza de Peter.

Annabeth não demorou muito para voltar a área da piscina, e dessa vez a Chase trajava um biquíni azul marinho e um short jeans curto, deixando pouco para a imaginação de Percy.

— Venham aqui. – a loira pediu ainda da varanda coberta e Percy logo se apressou para sair da piscina, para a tristeza de Peter, este que logo ameaçou abrir o berreiro para não ter que sair da água.

Mama... — o pequeno resmungou choroso quando seu pai iniciou a subida dos degraus que os levariam para fora de seu paraíso.

— Calma, campeão. – Percy pediu ao perceber a agitação do pequeno Chase, para logo complementar com a promessa – Daqui a pouco nós voltamos, campeão. Viraremos peixes de tanto tempo que ficaremos nessa maravilha, você vai ver.

Os olhos de Peter continuaram marejados, mas a ameaça de um choro não pairava mais sob o garoto, para o alivio de Percy e alegria de Annabeth, já que ela não queria sair como a Bruxa Má da história só por tê-los chamado para fora da piscina. Peter podia ser pequeno, mas ele já entendia muito bem quando alguém era responsável pela sua falta de divertimento.

— Não precisa chorar, meu peixinho, eu só vou passar protetor solar em você. Senão o meu peixinho virará um camarãozinho daqui a pouco. – a loira disse enquanto o secava e trocava sua bermuda por uma sunga.

Percy também se secou com uma das toalhas que Annabeth tinha trago consigo, e rapidamente começou a espalhar o produto branco por toda a extensão do seu tronco e braços a fim de incentivar Peter a fazer o mesmo, já que nas últimas vezes que o protetor teve de ser usado o loiro tentara se esquivar do produto, e aparentemente, o incentivo do mais velho deu certo, pois o pequeno logo estendeu a mão em um pedido mudo para que sua mãe colocasse o protetor nela.

Quando Annabeth fez o que o pequeno solicitou, Peter rapidamente espalmou sua mão contra a própria barriga com um sonoro tapa e riu ao ver o produto começar a escorrer sob sua barriga e entre seus pequenos dedos. Percy e Annabeth também riram das peripécias do pequeno e Peter logo os olhou esperando que um dos dois indicasse o que deveria ser feito a seguir. O Jackson rapidamente tomou a dianteira, e esfregou sua própria barriga espalhando um pouco mais de protetor solar sob o local, e Peter rapidamente o imitou, fazendo movimentos circulares por todo o seu tronco, ou a pequena parte que ele alcançava.

Percy repetiu o movimento por seus braços, e Peter voltou a imitá-lo, para a alegria do mais velho.

— Agora você vai deixar a mamãe passar nas suas costas. – Annabeth disse e virou o pequeno sob a espreguiçadeira em que o mesmo se encontrava, deixando-o de costas para si.

 A mamãe coruja rapidamente espalhou o produto sobre as costas do seu pequeno, e pelas pernas, nem mesmo os pés do Chase foram poupados pela loira, fato que fizera Peter rir aos montes devido as cócegas que os dedos esguios de sua mãe faziam em seus pezinhos.

Peter, ao perceber que Annabeth já tinha passado protetor por todo o seu corpo, rapidamente apontou para a água deixando explicito o seu desejo de voltar para ela, imediatamente se possível. E a fim de reforçar sua vontade, murmurou:

Aga.

Você já vai voltar para lá, filho. Só um momento. – Percy pediu e Peter o olhou inquisidor. Afinal, o que faltava para ele voltar ao seu paraíso? – Passa nas minhas costas? – Percy perguntou erguendo o frasco de protetor na altura dos olhos de Annabeth, fazendo-a assentir rapidamente.

Quando a Chase começou a espalhar o produto pelas costas de seu namorado, Peter se escorou em seu pai e começou a ajudá-la, fazendo-a sorrir e Percy rir ao sentir pequenas mãozinhas espalmadas em suas costas, e a fim de ficar em uma altura justa para Peter, o mais velho sentou-se na espreguiçadeira, fazendo o pequeno rir e voltar a espalhar o produto branco e pastoso com vontade sobre a pele de seu pai.

Quando os Chase terminaram de passar o protetor em Percy, o moreno se levantou com rapidez e pegou Peter no colo, assustando o pequeno por alguns segundos, mas o susto logo se dissipou quando o mesmo passou a fazer barulhos de carro na barriga do mais novo, brincadeira que fazia cócegas, e consequentemente, fazia com que o pequeno Chase risse sem pensar em um possível amanhã.

Percy e Peter logo voltaram para a piscina, para a alegria do mais novo, e Annabeth disse que voltaria para a cozinha para que assim terminasse o almoço deles. O Jackson não se opôs, mas pediu que ela o chamasse caso precisasse de ajuda, esta que Annabeth prontamente negou e sorriu para a imagem de Peter e Percy brincando como duas crianças na água.

A loira logo sumiu para dentro da cozinha, cômodo em que Percy tinha a sua visão por completo. E que visão! Nesse momento ele agradeceu mentalmente à sua sogra pela genial ideia das paredes de vidro.

A tarde seguiu-se da mesma forma calma e alegre que os primeiros momentos naquela casa tinham sido. Cerca de meia hora depois, Annabeth terminou o almoço, e dessa vez Peter não se opusera a sair da piscina, já que a fome estava quase matando-o. Percy ajudou o pequeno a comer sua comida, esta que estava cada dia mais parecida com a dos adultos já que alimentos sólidos passaram a marcar presença constante no prato de Peter.

Depois do almoço, os dois rapazes ajudaram Annabeth na arrumação da cozinha, a loira lavava, Percy secava e Peter guardava a louça com o auxílio de seu pai, este que mostrava o local aonde cada utensílio deveria ser guardado.

Em meio à arrumação, brincadeiras se faziam presentes tornando o ambiente totalmente leve e completamente descontraído, como se nenhum problema do mundo fosse capaz de quebrar a aura de felicidade que tinha se estabelecido ali, e assim que terminaram Peter passou a demonstrar sinais de sono, visto que a sua soneca da tarde já deveria ter sido tirada há algum tempo.

— Em qual quarto ele pode dormir? – Percy perguntou pegando o pequeno no colo, este que não se fez de rogado ao se aninhar no colo do mais velho e depositar a cabeça no ombro do mesmo, não resistindo assim ao sono que sentia.

— Você pode deixá-lo no nosso... Espera um momento, pois eu tive uma ideia melhor. – Annabeth correu até o andar de cima, e quando voltou trazia uma pequena manta a qual Peter estava acostumado a dormir em dias quentes, como aquele por exemplo.

Com um aceno de cabeça a garota pediu que Percy a seguisse, e quando o rapaz a alcançou na varanda de frente a piscina, encontrou-a estendendo uma rede tamanho família entre duas colunas que sustentavam a cobertura daquela área.

— Eu quero vocês bem próximos a mim. – a loira soltou se a menor pretensão de ser ouvida, mas o rapaz o fez, e consequentemente um sorriso apaixonado surgiu nos lábios dele, visto que essa também era a sua vontade no momento.

Ao terminar de estender a rede, Annabeth pediu que Percy se deitasse, e quando ele o fez Peter acabou por ficar em cima de sua barriga, da mesma forma que ele costumava focar quando era um pouco menor que o antebraço do Jackson e tinha um pouco mais que quatro meses de idade.

— Deita aqui. – Percy pediu estendendo seu braço direito para que Annabeth o usasse de travesseiro, e a loira não se fez de rogada, na verdade, ela apenas sorriu e cedeu à vontade do rapaz, aconchegando-se um pouco mais ao tronco e perfume do moreno quando ele deu um beijo em sua testa.

O silêncio rapidamente reinou entre os dois, e cada um perdeu-se em seus próprios pensamentos.

Percy sorria de forma discreta ao lembrar-se de suas últimas vinte e quatro horas.

Naquele mesmo horário, no dia anterior, Percy ficara sabendo da proposta de Luke e a ideia de que Annabeth não era mais sua já estava impregnada em sua cabeça, e quase ganhava a luta que que estava sendo travada em seu coração, mas de repente, ao não conseguir ir até Montauk, seu lugar preferido para pensar, encontrou-a em seu apartamento completamente frágil e tão, ou até mesmo mais confusa, do que ele. E em questão de minutos os dois estavam enrolados em uma cama, mergulhados em sentimentos complementares e essenciais para suas existências.

Percy não via mais uma vida longe de Annabeth muito menos de Peter, e o contrário também era verdade, os Chase haviam se tornado dependentes do Jackson, assim como ele, deles. E a fim de coroar a certeza que os dois nutriam no mais profundo de suas almas, veio a ideia de passar um dia somente entre eles.

Com o dia que tiveram Percy conseguia com extrema facilidade imaginar-se casado com Annabeth tendo Peter como seu filho, assim como mais duas crianças, talvez mais um menino, este moreno de olhos cinzas, e uma menininha loira de olhos verdes, a sua princesinha. O rapaz também conseguia imaginá-los passando finais de semanas e feriados naquela mesma casa, como uma grande e feliz família.

As crianças correriam pela casa e pelo enorme gramado que a cercava, totalmente livres e quem sabe acompanhados de um filhote da Sra. O’Leary. A piscina também seria aproveitada ao máximo com corridas de natação e brincadeiras que Percy faria parte, e a noite quando o cansaço se abatesse sobre os três, eles dormiriam como pedras, da mesma forma que Peter dormia naquele momento sobre o seu peito, e dessa forma Annabeth e ele poderiam afundar-se no prazer que só encontravam nos braços um do outro, sem receios ou impedimentos, e no dia seguinte tudo se repetiria da melhor forma possível, sem ninguém ameaçando a felicidade deles.

Enquanto Percy imaginava o futuro perfeito, Annabeth pensava na possibilidade de viver se tê-lo ao seu lado.

Ela sabia que a proposta que Luke fizera a ela se não fosse aceita colocava muitas coisas em risco, mas imaginar-se longe de Percy fazia algumas dessas coisas perderem o sentido. A empresa, por exemplo, perdia a graça visto que a loira sempre imaginara-se chegando em casa e dividindo com seu marido o que acontecera na Olympus Arquitetura C.O durante o dia, ao se deitar na cama com ele, ela divagaria sobre projetos futuros e ele a ouviria com atenção, da mesma forma que seu pai fazia com sua mãe.

Com Luke, ela tinha certeza de que não viveria o que sempre sonhara, ele nunca prestara muita atenção em seus devaneios sobre arquitetura, e se o fizera, não fora da mesma forma que Percy, este que sempre a questionava sobre um termo e outro e chegava a devanear junto dela.

No entanto, permitir-se a perder a empresa não chegava nem perto do medo que ela tinha de perder Peter, visto que a guarda do pequeno também estava em jogo, e da mesma forma que ela achava que não poderia viver sem Percy, ela também não poderia viver sem Peter. O pequeno era o maior bem que ela possuía em sua vida, e com certeza valia mais que todos os bens deixados por seus pais como herança. Peter era inestimável, a cola que grudara todos os cacos que restaram de Annabeth quando seus pais morreram e Luke a abandonara.

No fundo de seu coração, a Chase sabia que não podia correr o risco de perdê-lo. Ela não suportaria, e isso era fato.

— Percy? – a loira chamou em um sussurro baixo e aparentemente sofrido, tirando o rapaz de seus devaneios sobre sua família perfeita.

— Oi? – o rapaz respondeu e virou a cabeça para tentar encará-la nos olhos.

— Você acha que temos chances de conseguir a guarda de Peter?

— Como assim?

— Você acha que se formos para o tribunal temos chances de ficar com ele? Ou Luke realmente ganharia a causa? – a garota se ajeitou sobre o braço do rapaz deixando suas cabeças alinhadas, facilitando assim o contato olho no olho dos dois.

— Annie, o Luke te abandonou assim que soube sobre a existência do Peter, e isso, para mim, não é uma atitude de um pai protetor, qualquer juiz concordaria comigo. Sem contar que ele nunca tivera contato com ele, seria um tanto quanto insano dar a guarda de uma criança para um estranho, pois é isto que Luke é para Peter. Um estranho, nada além disso. – o rapaz disse o que pensava sobre o assunto, e rapidamente o coração de Annabeth bateu mais aliviado.

— Então, se entrássemos em uma disputa Peter ficaria comigo? – ela perguntou a fim de garantir o posicionamento do Jackson, e ele assentiu antes de complementar:

— Com toda a certeza. Qualquer um poder ver que você o ama mais do que tudo, seria loucura tirá-lo de você.

— Você enfrentaria isso comigo? – ela questionou sem pensar muito na pergunta, e Percy assentiu sem hesitar.

— Eu nunca sairei do seu lado, meu amor. O que for seu problema, automaticamente será meu e acredito que o contrário também. – Percy especulou e Annabeth assentiu, fazendo-o sorrir – Sem contar que eu faria de tudo para mantê-lo perto de mim, pois da mesma forma que você ama ele, eu também amo. E mesmo não sendo sangue do meu sangue, ele é parte de mim. Ele é meu filho, Annabeth, e eu não deixarei que nenhum loiro de meia tigela diga o contrário. – o moreno garantiu com fervor, fazendo a loira se emocionar com suas palavras. – Por que você está chorando? Disse alguma coisa de errado? – o garoto questionou sem entender o que estava acontecendo e Annabeth riu ante a lerdeza do rapaz.

— Não é isso, Percy. É só que você é perfeito. É só isso. – a loira disse secando uma lágrima que escorrera, e Percy sorriu sem entender muito bem o que acontecera, e afim de tirar a expressão confusa do rosto do moreno, Annabeth se inclinou para beijá-lo, ato que ele aceitara de imediato.

O beijo fora calmo e apaixonado, as línguas faziam uma dança de reconhecimento como se nunca estivessem estado juntas o que tornava aquela caricia ainda mais gostosa de ser sentida. Percy acariciou a nuca da garota, fazendo-a se arrepiar e ela arranhou o pedaço do abdômen em que Peter não estava deitado, fazendo Percy grunhir de desejo.

Quando o fôlego se fez ausente, eles se afastaram, mas para o distanciamento não ser brusco demais eles se separaram com selinhos longos e esporádicos, estes que eram seguidos de sorrisos roubados e olhares apaixonados.

— Acho que esse foi um dos nossos melhores beijos, hein? – Percy brincou ao abrir um sorriso maroto, e Annabeth o acompanhou ao rir.

— Talvez tenha sido mesmo.

— Talvez? – o moreno se fez de exasperado, arrancando outra risada da Chase.

— É, talvez.

Percy negou com a cabeça e deu outro selinho roubado na garota, fazendo-a sorrir no segundo em que ele se afastara para olhá-la nos olhos.

— Por que você me perguntou sobre as nossas chances com a guarda de Peter? – Percy finalmente questionou o que martelava em sua cabeça desde o momento que ela tocara naquele assunto há alguns minutos.

— Porque... – Annabeth o olhou nos olhos e viu a expectativa brilhar nos orbes mais verdes que já vira na vida, estes que a loira queria ver sempre que acordasse – Porque eu estou disposta a lutar pela guarda dele no tribunal, Percy.

Ao dizer isso a loira esperou pela reação do rapaz, esta que demorou alguns segundos já que o Jackson era um tanto quanto lerdo em algumas ocasiões.

— Isso quer dizer que você... – antes que Percy pudesse concluir sua fala, Annabeth o fez por ele.

— Que eu não vou aceitar a proposta do Luke.

Percy congelou por alguns segundos, mas quando voltou a si um sorriso enorme tomara conta de seu rosto e este era a verdadeira imagem da felicidade.

— E-eu nem sei o que dizer, Annabeth. – a voz do moreno estava embargada, e o sorriso dele se refletia no rosto dela.

— Não tem o que dizer, Percy. – a loira murmurou roçando seus lábios nos do moreno, fazendo-o alargar ainda mais o sorriso já enorme.

— O que te fez tomar essa decisão? – o rapaz perguntou antes de beijá-la, e ela rapidamente se afastou, afinal aquela resposta tinha que ser dita olhando diretamente nos olhos que mais amava.

— Acho que em primeiro lugar o amor que eu sinto por você. – a loira fora direta, afinal não tinha motivos para dar voltas naquela resposta. – Eu te amo de uma forma que nunca amei nenhum homem na minha vida, Percy Jackson, e eu não consigo mais imaginar uma vida em que você não esteja do meu lado, não mais.

— Eu também não. – ele rapidamente acrescentou, feliz por saber que era correspondido. E logo depois roubou mais um selinho da garota, fazendo-a sorrir o que estava se tornando de praxe.

— Em segundo lugar... – Annabeth olhou a sua volta e respirou fundo – Estar de volta a essa casa me lembra todo o amor que eu presenciei aqui, meus pais, eles nunca se deixaram abater pelas adversidades que a vida colocara na frente deles. Eles sempre lutaram pelo o que acharam certo, e isso para mim foi um dos maiores ensinamentos que eles me deixaram. Sei que, talvez, eles não gostariam de ver a empresa que eles lutaram para manter de pé se desfizesse em segundos, mas eu também sei que eles não gostariam de vê-la em pé às custas da minha infelicidade, por isso eu abrirei mão dela, pela minha felicidade e... Saber que você estará ao meu lado para enfrentar essa luta que será ter a guarda de Peter para nós, faz com que eu tenha certeza de que o futuro nos reserva coisas muito boas. – a loira terminou e secou uma lágrima que escorrera quando falara de seus pais – Acho que é isso.

Percy não a respondera, ele apenas voltou a se inclinar e beijou-a com tudo que tinha dentro de si, o que era uma verdadeira salada de sentimentos, mas também eram os mais puros e bonitos que existia na face da terra. O amor e o carinho eram aqueles que predominavam, a felicidade estava em segundo plano e a certeza de que estavam fazendo o que era certo marcava presença quando o beijo ganhava força.

Os lábios de Annabeth estavam com o sabor que Percy mais amava no mundo, morango com chocolate, o mesmo gosto que sentira na primeira vez que a beijara no jardim da casa de seus pais, quando a vontade fora maior que a razão, e o mesmo sabor que sentia toda vez que seus lábios se juntavam aos dela.

Percy mordiscou o lábio inferior da garota, fazendo-a sorrir com o ato e antes que ela pudesse se afastar para recuperar o ar, o rapaz voltou a colar seus lábios roubando-lhe mais um beijo de perder o fôlego, pois naquele momento só existia os dois no mundo, e mais ninguém.

— Ei! Calma! Eu preciso respirar. – a loira murmurou quando ele deu uma brecha, e o rapaz riu deixando que sua boca roçasse pelo pescoço da loira, arrepiando-a dos pés à cabeça.

— Você não tem noção do quão aliviado eu estou, Sabidinha.

 - Talvez eu tenha uma noção, Percy. – ela murmurou e ele voltou a olhá-la nos olhos. – Sua boca está inchada. – ela sussurrou debilmente, fazendo o moreno abrir um sorriso deslumbrado.

— A sua não está muito diferente. – ele retrucou, fazendo-a abrir um sorriso.

O silêncio rapidamente voltou a preencher a varanda, e os dois pareciam conversar pelo olhar, ato que demostrava o quanto de cumplicidade havia entre os dois, um dos ingredientes mais importantes quando a receita é a de um relacionamento perfeito.

— Eu te amo. – Percy disse baixo, como se apenas a loira precisasse ouvir, o que não era uma mentira.

— Eu também te amo. – ela devolveu no mesmo tom aconchegando-se ainda mais no abraço de seu namorado.

Nesse exato momento, Peter voltou a dar um sinal de vida, visto que durante todo aquele momento ele se mantivera o mais quieto possível, quase sendo esquecido pelos próprios pais.

— Eu também amo você, pequeno. – Percy murmurou dando um beijo no topo da cabeça dourada do Chase, e Annabeth rapidamente agarrou-se a mão do garotinho, permitindo que ele envolvesse de forma apertada o seu dedo indicador.

Ninguém vai te tirar de perto de mim. Eu prometo. – a loira sussurrou para o pequeno, e dessa vez fora ela quem recebera um beijo na cabeça.

— Eu amo vocês. – o moreno sussurrou com um sorriso, e Annabeth devolveu o gracejo permitindo-se sentir feliz e protegida.

Naquele momento, nada nem ninguém poderia estragar a felicidade que os envolvia.

...

Os outros dois dias que os três passaram no que poderia ser facilmente comparado ao paraíso foram completamente tranquilos. Eles acordavam, tomavam café da manhã e faziam alguma coisa juntos, e esta atividade podia ser desde assistir um filme no cinema, local que Percy descobrira ser o máximo por conta das poltronas reclináveis, das almofadas gigantes e do projetor que descia do teto, ou até mesmo lerem algo no cantinho que Annabeth intitulara Cantinho da Dona Atena, já que era o preferido de sua mãe.

Quando a fome dava seus primeiros sinais, eles iam juntos para a cozinha e providenciavam o almoço, até Peter arriscava-se em ajudar o que acabava tornando a cozinha uma tremenda bagunça, principalmente quando Percy era o seu auxiliador. Depois de almoçarem e passados aqueles trintas minutos de praxe, Peter e Percy caiam na piscina como se não houvesse amanhã, e acabavam por arrastar Annabeth com eles, e a tarde passava assim com os três se divertindo dentro da água. A brincadeira só terminava quando o sol começava a se despedir.

O jantar normalmente era um lanche saudável e antes que eles pudessem pensar em uma outra coisa para se fazer o sono os atingia, e juntos iam para a cama. Peter ficava entre os dois e os dedos de Annabeth sempre encontravam uma forma de se enroscarem com os de Percy durante a noite.

— Percy? – Annabeth chamou quando terminou de almoçar na sexta-feira.

— Hum? – o moreno soltara distraído, já que toda sua atenção encontrava-se na colher que seguia caminho para a boca de Peter.

— Temos que arrumar as nossas coisas. – a loira soltara e Percy rapidamente voltara a olhar para ela.

— Mas já? – a Chase assentiu – Pensei que fôssemos passar o fim de semana aqui.

— Nós temos que voltar para a vida real, Cabeça de Algas. E caso você tenha se esquecido, amanhã você embarca para Fernando de Noronha com a equipe do estágio, você não pode ficar aqui nem um segundo a mais.

Percy arregalou os olhos assustado, pois tinha se esquecido por completo de seu estágio. E em questão de segundo o moreno correu até o quarto que era de Annabeth e pegou seu celular, o mesmo que ele desligara no exato segundo em que saíra de casa após brigar com a Chase por conta da proposta de Luke, fato que ocorrera na terça-feira.

— Estamos ferrados. – o moreno soltou assim que entrou na cozinha novamente.

— Por quê? – Annabeth perguntou com o cenho franzido e ele mostrou-lhe o número de chamadas que tinha em seu celular, número que girava em torno dos quinhentos. – Céus! – a loira exclamou assustada – Devem estar loucos atrás da gente. – a garota disse o óbvio e complementou – Liga para alguém e avisa que estamos bem.

— Para escutar um sermão daqueles? – o moreno questionou irônico e voltou a desligar o celular – Prefiro escutá-lo uma única vez e quando chegarmos lá.

— Eu aposto que até a polícia está a nossa procura. – Annabeth resmungou terminado de lavar a louça, e Percy concordou com um sorriso discreto nos lábios.

Depois de deixarem a cozinha completamente arrumada, Percy e Annabeth começaram a arrumar o que tinham levado, e Peter ficara observando a movimentação enquanto brincava com um de seus bonecos, e antes das duas da tarde os três já estavam dentro do carro rumo a Manhattan.

— Sentirei falta daqui. – Percy soltou enquanto ligava o carro, e Annabeth o olhou de esguelha.

— Eu também. – a loira murmurou, e sorriu lembrando-se de tudo que vivera ali.

— Foi o melhor fim de semana que tive na vida. – o moreno complementou e Annabeth sorriu, esticando-se toda para dar um beijo na bochecha do rapaz.

— Concordo com você, Cabeça de Algas.

Peter não demorou muito a cair no sono, assim como Annabeth que se encolheu no banco e dormiu como um anjo, segundo a visão de Percy. O moreno seguiu viajem sem problemas, e enquanto dirigia lembrava de tudo que ocorrera naqueles três dias, e com maior carinho lembrava-se do ápice daquelas pequenas férias do mundo real, à tarde em que Annabeth lhe dissera que não aceitaria se casar com Luke.

Ouvir aquilo fora melhor do que ouvi-la dizer que o amava, pois, querendo ou não, tratava-se de uma prova de amor e como dizem por aí atitudes valem mais do que mil palavras.

Quando chegaram em Manhattan Percy não soube exatamente para onde ir, já que preferia mil vezes voltar para seu apartamento e estender o conto de fadas que estava vivendo a ir para a casa de seus pais e ouvir quão irresponsáveis os dois tinham sido por não dar notícias e todo aquele lenga-lenga de pais preocupados.

— Annie? – o rapaz chamou fazendo carinho nos cachos da loira despertando-a de seu sono.

— Hum? – ela resmungou ainda de olhos fechados, fazendo-o sorrir para a avenida.

— Vamos para onde? Para a casa dos meus pais ou para o meu apartamento?

Annabeth abriu os olhos e espreguiçou-se ao sentar no banco do passageiro de forma correta.

— Deixe-me ver... – a loira bocejou e sorriu na direção de Percy – Vamos para casa. Seus pais devem estar preocupados.

— Okay. Mas eu só quero deixar claro que ouviremos uma bronca daquelas.

— Merecemos. – a loira devolveu e Percy deu de ombros como se pouco se importasse. – Brigamos igual dois loucos, cada um saiu afirmando que ia para um lugar, e de repente sumimos sem deixar nenhum rastro e, é claro, não demos nenhum sinal de vida durante três dias. Sally deve estar subindo pelas paredes de preocupação.

— Acho que a última bronca que eu levei dos meus pais foi quando eu cheguei bêbado depois de dois dias em uma festa.

— Festa ou rave? — Annabeth questionou erguendo a sobrancelha e o moreno revirou os olhos.

— Você entendeu!

A Chase riu e a conversa continuou de forma leve e animada, fazendo com que Peter também acordasse. Não demorou muito para chegarem a casa dos Jackson, e eles nem estranharam o carro do Departamento de Polícia de Nova Iorque parado em frente a grande propriedade, Annabeth tinha certeza de que eles já tinham acionado a polícia.

— Eu disse para você ligar e avisar que estávamos bem. – Annabeth murmurou deixando que seu sorriso morresse e Percy não soube o que responder.

— Eu não achei que eles fossem avisar a polícia. – o rapaz respondeu tentando se defender, e a loira o fuzilou com o olhar.

Percy rapidamente estacionou seu carro em frente a porta que os levaria a sala, onde todos deveriam estar preocupados com o sumiço deles. Annabeth desceu do carro e logo se encaminhou para o banco traseiro a fim de tirar Peter da cadeirinha. Percy logo juntou-se a ela, e entrelaçou seus dedos aos dela, mostrando que estava ao seu lado, independentemente da situação, e mesmo não querendo se sentir aliviada, pois tinha sua parcela de culpa, a loira se sentiu.

O Jackson não enrolou para abrir a porta, ele ao menos tentara imaginar qual era o cenário que encontraria por trás daquele pedaço de madeira, até porque ele acreditava que quanto mais rápido enfrentasse a situação, mas rápido ela se findaria. No entanto, se ele soubesse o que os esperava na sala de sua casa, o moreno, com certeza, não teria aberto aquela porta, na verdade, ele teria pegado Annabeth e Peter, os colocado dentro do carro e teria voltado para a casa de campo da família de sua namorada, e talvez, nunca mais sairia de lá.

Mas infelizmente, ele não era vidente e nem mesmo conseguiria imaginar a cena que se sucedera depois que ele abrira a porta.

— Chegamos família. – o moreno disse assim que abriu a porta e esperou os suspiros de alívio seguidos de gritos de alegria, no entanto tudo que ele recebera fora o silêncio.

Percy abriu os olhos e se assustou ao encontrar Hermes e Luke parados no meio da sala de estar da sua casa. O mais velho estava vermelho como se estivesse gritando há poucos segundos, e o mais novo tinha os cabelos revirados em uma confusão loira, como se estivesse passando as mãos por seus fios de forma desesperada.

— O que está acontecendo aqui? – o rapaz perguntou depois de analisar cada pessoa presente naquela sala.

Thalia estava com os olhos carregados de uma raiva quase que palpável, e esta, aparentemente, era destinada a Luke e Hermes. Nico, que estava ao lado da morena, demonstrava uma tristeza ímpar em sua expressão, como se tivesse feito de tudo para evitar aquele momento. Poseidon tinha um mar revoltoso dentro de seu olhar e Sally chorava copiosamente ao seu lado.

— O que está acontecendo aqui? Quem são vocês? – o moreno voltou a questionar, mas dessa vez para os dois policias, estes denunciados pelas farda, e um outro homem de aparentes cinquentas anos trajando um terno de risca de giz, que estavam ao lado de Luke e Hermes. – Me respondam! - Percy finalmente gritou e Annabeth apertou sua mão, fazendo-o se lembrar que ela estava ali, tão assustada quanto ele.

— Ali está o meu neto. – Hermes disse e apontou para algo atrás de Percy.

Annabeth rapidamente soltou a mão de seu namorado, e agarrou-se ao seu filho. Aquilo não terminaria bem, e ela conseguia sentir isso em todos as células de seu corpo.

— O que está acontecendo aqui? – Annabeth perguntou e encarou todos um a um.

Quando seu olhar pousou em Luke, a loira pôde ver o pesar no olhar de seu ex-namorado, e antes que alguém se manifestasse as lágrimas passaram a embaçar a sua visão.

Mama! – Peter resmungou e a loira afrouxou o aperto que exercia sobre o pequeno.

— Senhorita Chase? – o homem engravatado perguntou e a loira assentiu minimamente – Eu sou o Oficial de Justiça Joseph Marshall, e estou aqui para cumprir uma ordem judicial emitida na data de hoje às dez e trinta e quatro da manhã pelo Juiz Henry Peterson, que afirma que a guarda provisória do menor Peter Chase Jackson deverá ficar com o pai biológico, o Senhor Luke Castellan visto que a progenitora não compareceu a primeira audiência que ocorrera esta manhã no fórum da cidade.

— Audiência? Como assim? Eu não sabia de audiência nenhuma! – Annabeth rebateu desesperando-se e Hermes revirou os olhos antes de acusar:

— É claro que você não sabia, você e esse... – o Castellan engoliu um xingamento visto que estava à presença de um oficial da justiça – E esse rapaz fugiram com o meu neto assim que perceberam que queríamos ele ano nosso lado, como ficariam sabendo da audiência, não é mesmo?

— Isso é um absurdo! – Percy se manifestou tentando controlar seu nervosismo.

— Senhorita, eu mesmo estive aqui nos últimos três dias que se passaram com a finalidade de entregar-lhe a intimação para a audiência e a senhorita não estava presente em nenhuma das minhas visitas. – o tal de Joseph começou a explicar a situação da forma mais polida possível, e enquanto ele o fazia, as mãos de Annabeth começaram a tremer e as pernas a fraquejarem - O pedido por parte do Senhor Castellan é de caráter urgente, visto que umas das principais alegações dele é que este ambiente não é propício para a criação da criança em questão, segundo ele as pessoas que o cercam são violentas. Procede?

— Claro que não. – Thalia praticamente rosnou contra o oficial de justiça, e Hermes também resolveu se manifestar:

— É verdade, Senhor Henry. Tanto que em uma festa dada pela família o meu filho fora espancando por aquele rapaz, o Perseu, pois tentava ver o filho, temos testemunhas, e esta senhorita que acabou de falar, na segunda-feira, invadiu o nosso apartamento e também agrediu fisicamente o meu filho.

— Vocês não podem tirar o meu filho de mim. Isto não tem cabimento! – Annabeth gritou desesperada. – Eu não sabia, não tinha como eu saber. Nico, me ajuda! – a loira pediu desesperada e o moreno suspirou resignado, sabendo que nada poderia ser feito.

— Annie, ele tem um mandato do juiz. Eu não posso fazer nada no momento. Eu sinto muito.

— Você é um imprestável! – Thalia revoltou-se e deu um soco no peito de Nico, mas ele pouco se importou, pois, algumas lágrimas já escapavam dos olhos azuis da garota, logo a agressão era apenas um mecanismo de defesa da garota.

— Percy! – Annabeth resmungou com a voz embargada, e até mesmo ele já tinha os olhos marejados por lágrimas. O moreno os abraçou e beijou a testa dos dois não sabendo como agir diante daquela situação.

— Nós podemos tentar revogar a decisão do juiz? – o moreno perguntou fitando o oficial por cima da cabeça de Annabeth, esta que chorava silenciosamente contra o seu peito.

— Este processo trata-se da guarda definitiva do menor, logo ele terá continuação. Essa decisão do juiz se deu pela ausência da senhorita na audiência, sendo assim, é possível que a decisão seja revertida, mas isso pode levar alguns meses.

— Meses? – Annabeth gemeu desgostosa, e voltou a chorar contra o corpo de Percy ainda abraçada a Peter. – Eu não posso ficar sem o meu filho por meses, isso é injusto.

Sally que assistia a tudo em silêncio, resolveu se manifestar:

— Luke, pelo amor de Deus, pensa um pouco. Você quer mesmo separá-los?

— Não se meta, Sally. A decisão do juiz já foi tomada. – Hermes disse começando a ficar com raiva.

— Luke! – a mulher pressionou e o rapaz abaixou a cabeça confuso.

— Se você der para trás nesse momento, eu...

— Eu não vou dar para trás, pai. Eu quero o meu filho ao meu lado, e o juiz decidiu que seria assim. – Luke disse olhando para a forma que Annabeth estava abraçada a Percy, e aquilo fez com que a pena que ele sentia dela ficasse abaixo de sentimentos como a inveja e a raiva. – Isso não estaria acontecendo se ela tivesse aceitado a minha proposta, e ela sabia disso.

Annabeth o analisou com uma expressão de dor nítida por todo o seu rosto, e rapidamente voltou a escondê-lo no peito de Percy, este que também chorava pelo o que estava acontecendo.

Joseph caminhou até o casal que chorava ao pé da porta e estendeu os braços para Peter, este que já tinha a expressão de choro no rosto, visto que seus pais também choravam. Annabeth ao perceber a atitude do oficial de justiça agarrou-se ainda mais ao filho, negando com a cabeça.

— Senhorita, por favor, não torne o meu serviço ainda mais difícil. Eu só estou aqui para cumprir a lei. A senhorita tem que me entregar o garoto.

— E-Ele nunca ficou longe de mim, senhor. Ele não dorme sem o peixinho de pelúcia e... – Annabeth não conseguiu dizer mais nada e passou a beijar Peter, este que começava a chorar silenciosamente, como se soubesse que queriam afastá-lo de sua mãe.

— Se a senhora não me entregá-lo agora ficará ainda mais difícil conseguir a guarda dele de volta. – Joseph soltou sabendo como era difícil fazer com que uma mãe entregasse o filho por livre e espontânea vontade.

— Percy, e-eu...

— Eu sei, meu amor. Eu sei! – o moreno murmurou beijando-lhe a testa e repetiu o movimento em Peter que queria porque queria passar para o colo de seu pai.

Papa! — Peter o chamou chorando e o Jackson mais novo o pegou no colo apertando-o contra si em um abraço marcado pela saudade e impotência, já que nada poderia ser feito para impedir que ele se fosse.

— É isso mesmo, Peter. Eu sou o seu papa. Só eu. E você sabe disso, não sabe? – Percy sussurrou em meio as lágrimas contra o ouvido do pequeno, este que tinha seus pequenos braços enroscados no pescoço do mais velho.

Thalia logo se aproximou e rapidamente se juntou ao abraço de pai e filho, Sally e Poseidon não se fizeram de rogados e logo estava em volta dos três abraçando-os da mesma forma. Percy rapidamente buscou o olhar de Annabeth, e o encontrou nublado por conta das lágrimas, em um pedido mudo ele pediu que a loira se juntasse ao abraço, e ela o fez desmanchando-se ainda mais ao ter seu filho contra o peito e os braços de Poseidon sobre os seus ombros.

— Comovente essa cena, mas temos compromissos mais importantes para resolver ainda hoje, se derem para acelerar o processo ficaríamos muito gratos. – Hermes resmungou entediado, e todos o olharam com ódio.

— O garoto, por favor. – Joseph pediu e Annabeth o pegou no colo uma última vez.

— Você vão precisar de algumas coisas... eu vou arrumá-las e...

— Nós não precisaremos de nada, compramos algumas coisas e minha mãe sabe muito bem como cuidar de um bebê, mas obrigado pela intenção. – Luke disse olhando-a nos olhos.

— Senhorita. – Joseph voltou a estender os braços, e o coração de Annabeth reduziu-se a pó quando estendeu Peter para o oficial de justiça.

Mama! — o pequeno chamou e a Chase tentou reprimir o choro e a vontade de puxá-lo contra seu corpo.

Joseph pegou o pequeno Chase no colo e chamou os dois policiais com a cabeça, um deles abriu a porta, e o oficial passou por ela com um Peter chorando no colo, Hermes e Luke logo os seguiram, e quando o Castellan mais velho passou por Annabeth e Percy, murmurou:

— Eu disse que conseguiria a guarda do meu neto, você quem não quis acreditar. Agora falta apenas a sua empresa. – Hermes debochou e Percy segurou a cintura da garota, quando a mesma ameaçou partir para cima do mais velho – Você ainda pode aceitar a minha proposta, Annabeth, o seu prazo ainda não acabou.

— Eu te odeio! –a loira gritou e cuspiu contra o rosto do Castellan, mas ao invés de ficar nervoso, como qualquer ser humano normal, ele riu e disse:

— O juiz gostará de saber disso. – e se virou saindo pela porta em direção a Luke que tinha um Peter chorando no colo.

Mama! – o pequeno gritou estendendo os braços na direção da mais velha, esta que passou chorar ainda mais vendo a cena.

Em nenhum momento Hermes ou Luke olharam para trás, ao contrário de Peter que chorava horrores olhando para Percy e Annabeth e gritando por eles, e infelizmente, ele não conseguia entender o porquê de nenhum dos dois ir até o seu auxilio. O pequeno estava com medo, não queria ir com aquelas pessoas, ele queria o colo da sua mãe e as brincadeiras do seu pai, mas eles estavam parados, chorando, mas parados e isso desesperava o pequeno Chase.

Luke colocou o garoto em uma cadeirinha no banco traseiro do carro do seu pai, e rapidamente sentou no banco do passageiro e menos de um minuto depois não tinha mais nenhum rastro do carro da polícia ou dos Castellan pela propriedade, a presença deles só podia ser notada no choro de Annabeth e no grito de frustação de Percy.

— Meu bebê, Percy. – a loira resmungou agarrando-se a camiseta do rapaz, e chorando como se tivesse voltado a ser uma criancinha. – Eles levaram o meu bebê.

— Eu sinto muito, meu amor. Eu sinto muito. – o rapaz soltou angustiado ao ver o desespero contido no choro de sua amada.

— Peter! – Annabeth gritou e caiu de joelhos levando Percy consigo, e de repente a única coisa que os dois conseguiam fazer era chorar e murmurar o nome do pequeno, como se isso fosse trazê-lo de volta.

Annabeth podia afirmar com certeza de que saíra do seu paraíso e caíra sem nenhum cuidado em seu inferno particular.



Notas finais do capítulo

Não me matem, ou vocês não saberão o que acontecerá a seguir, e aí sim o Peter ficará para sempre com o Luke kkk

E aí gostaram do capítulo? Espero que sim.

Geeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeente, o que será que acontecerá agora? Tô doida para saber.

E só para constar chorei com o final.

Deixem as opiniões de vocês sobre o que ainda estar por fim, o que precisa ser melhorado e me digam se há erros. Revisei correndo, pois estou sendo pressionada kkkk

Se você ainda está lendo isso daqui depois de tanta demora, muitíssimo obrigada por não desistir da fic. Você tem um lugar especial no meu coração.

Beijos e até a próxima.

P.S.: Deixem reviews, e seja carinhosos nas ameaças de morte. Por favor kkkk