The Choices Of Life... escrita por Natyh Chase Jackson


Capítulo 21
Raiva


Notas iniciais do capítulo

Oieeeeee...

Tudo bem com vocês? Eu espero, do fundo do meu coração, que sim.

Bom, hoje eu estou um pouquinho triste, pois percebi que a minhas férias acabaram.

Sim, um mês inteirinho de moleza foi embora, e agora, nos últimos meses de aula o negócio vai ficar sério. Vou chorar.

Lamentações à parte, eu gostaria de agradecer a todos que deixaram reviews no capítulo anterior, apesar da maioria ser sobre a minha morte, o que não foi muito legal. Só para deixar claro Kkkk Muitíssimo obrigada por aparecerem.

Ah, dessa vez eu respondi a todos os reviews do último capítulo, e com calma responderei a todos os outros dos capítulos anteriores, só agora que eu me toquei que são muitos. Não que eu esteja reclamando, mas tem horas que a preguiça, a minha fiel escudeira, fala mais alto. E aí já viu, né?

Não tivemos recomendações nesse meio tempo. Sendo assim, dedico esse maravilhoso capítulo a todos que me acompanham. Sem exceções.

Vocês são muito importantes. De verdade.

Deixe-me ver o que mais eu tenho que falar...

Ah... Para quem lê The Brothers Of My Girlfriend, acho que vocês viram que ela será reescrita, não é mesmo? Bom, quando ela estiver pronta, eu aviso aqui quando postá-la. Pode ser?

Acho que por enquanto é só isso. Dessa forma, desejo-lhes uma boa leitura.



O suspiro de alívio que Annabeth deu assim que pegou seu filho no colo, não passou despercebido por ninguém que se encontrava na sala de estar de Meredith. E embora o silêncio tenha prevalecido, estava mais do que óbvio que os problemas que a Chase tinha ido resolver não eram os mais simples do mundo. Porque se fossem, a garota não estaria tão transtornada quanto aparentava estar.

– Annabeth? – a Chase escutou seu nome ser chamado, mas pouco se importou em responder a pessoa que queria sua atenção, a loira estava mais ocupada certificando-se que Peter ainda estava ao seu alcance e não fora dele, como Hermes ameaçou deixá-lo.

Desde que saíra do escritório e recebera a ligação de Percy, Annabeth encontrava-se mais desnorteada do que o considerado normal para qualquer pessoa, ainda mais para ela, que sempre fora reconhecida por ser uma pessoa centrada e focada em seus objetivos.

– Annie? – dessa vez a garota permitiu-se a olhar ao seu redor e dar um pequeno sorrisinho em direção a Soph, esta que a olhava um tanto quanto assustada. – Está tudo bem? – a garota perguntou ao perceber que tinha a atenção da mais velha, e tal pergunta fez com que Annabeth se situasse.

A Chase quase se bateu mentalmente ao perceber o ridículo papel que tinha acabado de fazer.

Quando chegou ao prédio em que morara com seus pais, assim que voltaram para Nova Iorque, Annabeth pouco se importou em ser educada com o porteiro, apenas pediu que fosse anunciada para Meredith e assim que sua liberação fora aceita, a loira não pensou duas vezes antes de se dirigir ao elevador e subir os andares necessários para encontrar-se com Peter.

Tudo o que ela precisava naquele momento era tê-lo em seus braços e saber que de lá, ele não sairia tão cedo. E ela faria de tudo para garantir que essa certeza se estendesse pelo maior tempo possível.

Já no andar em que Meredith e sua família moravam, Annabeth, da mesma fora que não se preocupou em ser educada com Tom, também não se preocupara em trocar algumas palavras básicas com a empregada que abrira a porta para si. Ela apenas adentrou o chiquérrimo apartamento como um furacão, e em questão de segundos estava abraçada a Peter como se ele fosse o seu porto seguro, o seu bote salva-vidas, o que não deixava de ser verdade. Só ele poderia trazer paz ao seu coração, ainda mais naquele momento, depois de ser ameaçada da forma mais descarada possível. Ele e um certo moreno de olhos verdes, para falar a verdade. No entanto, este último estava fora de alcance no momento.

– Annabeth? – dessa vez quem a chamara fora Meredith e a loira, finalmente, teve a decência de olhá-la nos olhos e respondê-la como a boa educação mandava.

– Sim?

– Está tudo bem com você? – estava claro que a mulher não tinha a mínima ideia de como abordá-la, mas estava tão óbvio o desespero de Annabeth, que ela não podia permanecer quieta. Precisava encontrar um jeito de ajuda-la, e rápido. – Carrie, querida, faça um chá de camomila para ela, por favor.

A empregada, que ainda se encontrava assustada com a súbita entrada de Annabeth, fechou a porta do hall e logo assentiu com a cabeça, sumindo pelo grande imóvel segundos depois.

– E-eu... – Annabeth iniciou sua fala, mas logo a interrompeu para pigarrear e limpar a garganta – Bom, eu gostaria de pedir desculpas por essa cena, no mínimo, patética. Mas é que...

– Você não precisa se explicar, Annabeth. Dá para perceber que algo muito sério aconteceu. – Meredith que estava com o peixe de Peter em mãos, o depositou ao seu lado no sofá e em seguida se levantou andando até a garota – Não precisa me dizer nada, mas se você quiser colocar para fora... – a mulher deu de ombros e encarou a loira nos olhos - É que está bem na cara que o que quer que tenha acontecido está te abalando, e demais.

Você não tem ideia.

Annabeth pensou em responder, mas era melhor manter aquela bomba só para si no momento, ela precisava pesar os prós e os contras daquela proposta e saber qual seria o alcance de destruição para ambas as respostas. Para o sim e para o não.

Sem contar que Meredith não tinha nada a ver com os seus dramas particulares. Annabeth poderia e iria poupá-la de toda a confusão que era a sua vida.

– Eu recebi uma notícia que eu não esperava, e ainda estou processando-a. Não é nada demais.

Mentira!

A mente de Annabeth acusou, mas a garota não desmentiu o que disse. Além de que, a única pessoa capaz de acalmá-la e afastar todos os seus medos, com certeza, ficaria mais furiosa do que ela, com as mais novas notícias.

Definitivamente, contar para Percy sobre a proposta de Hermes, não seria a coisa mais fácil que Annabeth teria que fazer naquele dia, este que mal começara, mas já tinha lhe dado dores de cabeça suficientes por uma vida.

– Mas foi algo muito grave? – a mulher de meia idade voltou a questionar e Annabeth negou, enquanto Peter balançava-se todo para descer de seu colo. A loira deu um beijo na testa do pequeno, e deixou que ele voltasse a brincar com Sophie no tapete.

Com um discreto aceno de cabeça, a mulher de meia idade pediu que Annabeth a acompanhasse, e a loira a seguiu sem delongas, ela não queria deixar Meredith preocupada consigo ou até mesmo fazer com que suas atitudes impensadas prejudicassem alguém ou tivesse alguma consequência desastrosa. Ela precisava se acalmar e começar a pensar e agir de forma clara e sensata. Ou tudo ruiria.

Quase que em um timing perfeito, a empregada que fora encarregada de fazer o chá que, supostamente, acalmaria Annabeth, estava depositando um bule quente em cima de uma bandeja de prata e obviamente iria seguir em direção à sala, se sua patroa e a visita um tanto quanto perturbada não tivessem entrando na cozinha no mesmo segundo.

– Carrie, pode deixar que eu sirvo. – Meredith tomou a dianteira e a garota de aparência hispânica assentiu com a cabeça, depositando a bandeja em cima de uma mesa localizada em um canto da enorme cozinha, e logo sumindo de vista na possível área de serviço do apartamento.

– Sente-se, Annabeth. – a mulher pediu e a Chase acatou-a sem contestar.

Meredith serviu duas xícaras de chá e deu uma para Annabeth, que agradeceu polidamente e bebericou, sem muita vontade, o líquido quente. A loira sabia que Meredith queria saber o que estava acontecendo, e exatamente por saber, foi a loira quem iniciou o diálogo, não permitindo que a amiga de sua mãe fosse por aquele caminho.

– Ele deu trabalho? – Annabeth perguntou como quem não quer nada, e Meredith logo sacou que ela queria desviar o assunto, sem poder fazer muito, a mulher aceitou aquela distração.

Se ela não queria falar, não seria ela quem a obrigaria.

– Peter é um anjo, Annie. Muito quieto, e também, muito educado. Não deu um pingo de trabalho. – a mulher de meia idade respondeu com verdadeiro encantamento, e a loira sorriu diante os elogios direcionados ao seu filho.

– Ele não chorou? – a garota perguntou, lembrando-se que quando chegara Meredith tinha o peixe de Peter me mãos.

– Não, não. Ele só quis pegar o peixe na bolsa e eu o fiz. Nada demais. – a mulher logo esclareceu e Annabeth respirou aliviada. – Soph e ele parecem amigos de longa data... – Meredith soltou uma risada divertida e a Chase a acompanhou.

– Sophie sempre fora boa em fazer amizades. – Annabeth disse e a mãe da garota assentiu com a cabeça, e com o olhar vago.

– Lembro-me de quando você chegou ao prédio, e aquele projeto de gente se apegou a você como se te conhecesse desde que nascera. – Meredith murmurou nostálgica e Annabeth assentiu lembrando-se de quando conhecera a pequena.

– Soph fora a minha primeira amiga aqui no prédio. – Annie segredou com um sorriso, e a mais velha riu divertida.

As duas logo começaram a conversar sobre o passado, mas Annabeth não permitiu que a conversa se estendesse. Ela precisava ir, pois Percy precisava de si.

Quando terminou sua segunda xícara de chá, Annabeth a depositou com calma sobre o tampo da mesa, e com um olhar de culpa murmurou:

– A conversa está muito boa, Mere... Mas eu preciso ir agora.

A mais velha até pensou em fazer algo para impedi-la de ir. Era tão bom ver o quanto Annabeth amadurecera no último ano, e de alguma forma lembrar de sua amiga que se fora tão cedo, mas apesar de querer que ela ficasse, Meredith sabia que algo a preocupava demais, e que ela não estava cem por cento consigo.

– Entendo perfeitamente, Annie. – a mulher depositou sua xícara de volta a mesa, e se levantou para acompanhar a mais nova até a sala. – Mas não posso deixar de dizer que você precisa voltar mais vezes. Como eu disse, Peter é um amor de criança, seria muito bom tê-lo aqui por mais tempo. Sem contar que é muito bom conversar com você.

– Que isso, Mere. – apesar de não demonstrar, Annabeth corou com o elogio. – Pode deixar que voltaremos mais vezes. – a garota garantiu assim que pisou na sala de estar e sorriu ao ver o quão entretido Peter aparentava estar com uma história que Sophie contava.

– Meu peixinho? – Annabeth chamou tirando a atenção do pequeno da morena e Peter a olhou no mesmo instante – Vamos? – a mulher perguntou e o garotinho pareceu entender perfeitamente o que a mãe queria dizer, já que se levantou e andou até a mesma.

– Mas já? – Sophie perguntou abismada e Annabeth lhe direcionou um sorriso culpado.

– Meu namorado está me esperando. Temos que resolver algumas coisas. – a loira respondeu e Sophie sorriu lembrando-se do namorado de Annabeth.

– É aquele loiro bonito? – a garota de cerca de treze anos perguntou inocentemente e Annabeth fechou a cara diante a menção a Luke.

Antes que respondesse de forma malcriada, Annabeth respirou fundo, enquanto repassava em pensamento que Sophie não sabia de tudo que Luke fizera para si, logo não precisava receber um esporro pela pergunta.

– Não, Sophie. Esse loiro e eu não demos certo.

– Ah. – a garota soltou envergonhada e extremamente corada, já que mesmo tentando ser educada, Annabeth deixara escapar um leve tom de rancor. – Não foi a minha intenção.

– Não tem problema, pequena. – Annabeth sorriu para a menor, que devolveu um sorriso amarelo – Agora eu namoro um moreno muito legal e bem bobo. Acho que você gostaria de conhecê-lo.

– Ele também parece um príncipe?

– Parece sim. – a loira respondeu sorrindo ao perceber o quanto a personalidade de Sophie oscilava entre a infantil e a adolescente. A temida fase de transição chegara para a garota. - E você já achou o seu príncipe? – a mais velha perguntou, fazendo a mais nova corar até parecer um tomate, já que sua mãe estava na sala.

Ao ver o quão tímida sua filha ficara, Meredith incentivou:

– E então, Soph... Achou ou não, meu anjo?

– Não, mamãe.

As duas mais velha riram da vergonha da garota, que mostrou a língua para as duas, já que estavam rindo de si.

– Estamos apenas brincando, meu amor. Não precisa ficar brava. – Meredith disse, enquanto arrumava as coisas de Peter, este que ao ver a menina com quem brincava de braços cruzados e aparentemente brava se aproximou com passos cautelosos.

Peter apoiou suas mãozinhas nos joelhos de Sophie, a fim de chamar sua atenção e conseguiu, já que a morena o pegara no colo e o enchera de beijos, fazendo-o rir gostosamente por causa do carinho inesperado.

– Só você é legal, Peter. – a garota resmungou, quando parou com o ataque e olhou de soslaio para a mãe do loiro – Sua mãe também já foi legal, mas eu acho que ela passou para o lado dos adultos e isso é muito, muito ruim.

Annabeth riu de verdade com a fala da menina, lembrando-se de quando as duas ficavam maldizendo os adultos já que não as deixavam fazer nada que queria, no caso de Annabeth era sair para uma festa no meio da semana, e no de Sophie comer chocolate o dia inteiro.

– Ela mudou de lado, Peter. E eu espero que ela não seja muito má como os outros adultos. – a garota completou com um tom conspiratório, fazendo com que Annabeth continuasse a rir.

– Acho que agora eu aprendi que chocolate o dia inteiro faz mal, e que sair em festas no meio da semana deixa os pais muito preocupados, Sophie. Acho que são as consequências de ser mãe. – Annabeth disse sentando-se ao lado da mais nova e sorrindo para a mesma.

– Ah... Bem que a mamãe fala que eu sou vou entendê-la quando tiver meus filhos.

– O que não será tão cedo, não é mesmo, Sophie? – Meredith perguntou com tom de brincadeira e a morena assentiu, concordando com a mãe.

Antes que mais alguma brincadeira pudesse ser manifestada, o celular de Annabeth tremeu no bolso, e a loira o pegou para ver quem era.

Cadê você, Sabidinha?

Já estou indo.

Annabeth respondeu Percy rapidamente, e logo em seguida se levantou.

– Bom, eu tenho mesmo que ir agora. Foi muito bom revê-las. – a loira disse, enquanto pegava a sua bolsa e a de Peter.

Soph soltou um muxoxo, mas logo deu um beijo em Peter se despedindo do pequeno, este que sorriu e devolveu o gesto, fazendo todos os presentes sorrirem.

– Estranho! Peter não costuma beijar assim, de primeira. Ele demora um pouco e só dá beijos quando conhece a pessoa. – Annabeth soltou abismada, já que Silena vinha tentando essa proeza de ganhar um beijo do Chase a um bom tempo e ainda não tinha conseguido nada do pequeno. A Barbie ficaria furiosa ao saber que outra pessoa tinha recebido um beijo de Peter com tanta facilidade. - Você que o incentivou?

– Foi! – Sophie informou feliz e Annabeth sorriu quando Peter a beijou de novo.

É, Silena odiaria saber.

A loira se despediu das duas, e riu quando Meredith também pediu um beijo para Peter, este que não se fez de rogado e a beijou sem, mas. Com promessas de que voltariam da parte da Chase e elogios da parte de Meredith, Annabeth e Peter conseguiram deixar o apartamento da mulher e quando já estavam no elevador, a loira suspirou aliviada ao apertar seu filho em um abraço que deixava claro que a intenção da garota não era se soltar dele, nunca mais se fosse possível.

– A mamãe não vai deixar que nos separem. Está bem?

Annabeth sentia-se bem em sussurrar tais palavras no ouvido do pequeno, este se afastou um pouco do aperto de ferro para olhá-la nos olhos, e quando a conexão entre o cinza e o azul opaco fora estabelecida, Peter soube muito bem que sua mãe estava com medo, e em uma forma de procurar acalmá-la, o Chase deu-lhe um beijo na bochecha, já que esta era a forma que sua mãe sempre o acalmava, quando era ele quem acordava chorando.

Ele só queria retribuir, e conseguiu, pois, Annabeth sorriu para ele com o sorriso mais sincero que existia em si.

– Eu te amo, meu peixinho. E muito. – Annabeth resmungou, enquanto o apertava mais forte. – Agora vamos ver o porquê o seu papai está tão triste. Está bem?

Papa? – Peter perguntou animado com a ideia de ver Percy, já que não o tinha visto quando acordara, e a loira revirou os olhos diante o entusiasmo do pequeno.

Ela ainda tinha se conformado pela primeira palavra do pequeno ter sido direcionada a Percy e não a ela.

– É, vamos ver aquele babão do seu papa.

Papa! – Peter bateu palmas para a ideia, e Annabeth riu antes de sair do elevador.

...

O trajeto até a casa dos Jackson, somado ao chá e a conversa distrativa que teve com Meredith foram capazes de acalmar, não completamente, mas o mínimo possível, os ânimos de Annabeth, e a loira tinha certeza de que não desabaria de primeira, caso alguém estranhasse o seu comportamento nervoso, este que ainda era facilmente notado em algumas de suas ações.

Quando a loira chegou até a casa que passara a chamar de lar, um arrepio não muito agradável subiu por sua coluna e apesar de estar se sentindo um monstro, ela torcia ardentemente para que Percy não tivesse sido aceito na vaga de estágio.

Podia ser egoísta, e Annabeth tinha certeza de que era, mas a loira não saberia o que fazer no caso de Percy viajar e deixá-la para trás, fazendo com que ela enfrentasse sozinha aquela enxurrada de problemas que se aproximavam.

Ela precisava dele, mas do que nunca imaginara precisar.

O taxista já tinha ido embora e Annabeth ainda encarava os grandes portões da residência, quando James, o porteiro, se aproximou com um olhar confuso e perguntou:

– Está tudo bem, senhorita?

– Senhorita? – a loira questionou franzindo o cenho, e James riu antes de se corrigir.

– Annabeth! Está tudo bem, Annabeth?

– Está sim, só preciso de ajuda com essa bolsa. – a loira resmungou mostrando a bolsa de Peter que a impedia de segurar o pequeno com mais firmeza.

James logo a ajudou, pegando as duas bolsas que a garota tinha em mãos, deixando-a mais confortável para carregar Peter até a entrada da casa.

Quando a garota adentrou a sala de estar teve uma surpresa e tanto ao dar de cara com Thalia e Poseidon, ambos com uma imensa cara de tédio.

O que eles estavam fazendo ali àquela hora?

– Bom dia! – a loira os cumprimentou com o cenho franzido em confusão, mas ao se lembrar do que a levara até ali, logo questionou-os esquecendo-se das boas maneiras, mais uma vez – Cadê o Percy? E o que aconteceu para ele me ligar daquele jeito? Está tudo bem com...

– Antes que você nos metralhe com perguntas, eu só gostaria de dizer que sabemos tanto quanto você, ou se já, nada. – Thalia interrompeu a enxurrada de perguntas de Annabeth e Poseidon deu de ombros, sinalizando para a nora que também estava no escuro.

– Mas cadê ele? – a loira perguntou passando Peter para o colo de Poseidon, já que ele estendera os braços para pegar o pequeno, assim que os vira entrando.

– Está trancado no quarto desde que chegou com a maior cara de bunda que eu já vi na minha vida. – Thalia resmungou, pegando o controle para trocar de canal – Minha mãe está lá tentando fazer com que ele desça, mas até agora nada. – a morena complementou e Annabeth logo se virou para seguir na direção das escadas.

– Eu vou lá ver se consigo falar com ele. – a loira murmurou mais para si do que para os outros, mas foi alto o suficiente para que os demais a ouvissem.

– Boa sorte, então. – Thalia desejou antes que Annabeth sumisse no andar de cima.

A primeira coisa que a loira viu assim que pisou no corredor dos quartos, fora Sally parada em frente a porta do quarto Perseu com uma expressão desolada e estressada ao mesmo tempo, ao que tudo indicava ela já estava ali há um bom tempo.

– Annabeth, querida! – a mulher logo se animou ao ver a nora ali – Vê se você consegue tirar esse cabeça dura de dentro desse quarto, pois eu já estou ficando estressada de tão preocupada.

A Chase se permitiu a soltar uma leve risada diante a fala da mulher, mas logo fechou a expressão para algo mais sério ao encarar a porta do cômodo aonde seu namorado se escondia.

– Cabeça de Algas? – a loira chamou depois de bater de leve e em resposta recebeu um resmungo do moreno – Cabeça de Algas, abre a porta, por favor. – Annabeth pediu e nem uma leve bufada fora obtida dessa vez.

– Perseu Jackson, abre essa porta agora ou eu mesmo a derrubo. – Sally, que já estava ali há um bom tempo, esmurrou a porta gritando.

Como mãe ela estava preocupadíssima, mas Percy também não colaborava. Custava abrir a porta?

– Eu já vou. – o moreno gritou de dentro do quarto, para logo depois completar – Esperem lá embaixo, que eu já desço.

Sally olhou para Annabeth abismada, e essa só se permitiu a rir.

– Esse garoto tem problemas. – a mãe do moreno resmungou e logo tomou a dianteira, descendo antes que a loira.

– Cabeça de Algas? Está tudo bem mesmo? Você não quer conversar antes? – a loira tentou mais uma vez, e como não obteve nenhuma resposta, achou que seria melhor esperá-lo no andar de baixo. – Eu espero que seja realmente importante, Cabeça de Algas, ou todo mundo vai querer arrancar a sua cabeça da forma mais dolorosa possível. Começando por mim. – a garota ameaçou, já que se preocupara, e demais, com o tom usado pelo mesmo ao telefone.

Antes que obtivesse uma resposta de Percy, a loira também desceu e como os outros esperou que o moreno desse o ar de sua graça, o que não demorou para acontecer.

– Até que enfim, a princesa vem ao encontro dos seus súditos. – Thalia debochou assim que viu os pés de Percy despontarem nos primeiros degraus da escada.

Infelizmente, Percy não riu da piada, e muito menos parecia bem quando terminou de descer. Sua expressão estava visivelmente abalada, seus ombros estavam caídos e ele arrastava os pés como um derrotado.

– Perseu, pelo amor de tudo que é sagrado, fala logo o que você tem. – Sally clamou pelo desabafo do moreno, e Annabeth sabia o que ela estava sentindo. Se fosse Peter com aquela cara, ela tentaria e faria de tudo para vê-lo bem.

O moreno prolongou a agonia dos demais, quando optou por sentar-se antes de começar a falar sobre o que o afligia. Peter quase saltou do colo de seu avô, quando viu seu pai, e não demorou muito para que Poseidon o soltasse, para que assim o pequeno seguisse com seus passinhos cambaleantes até Perseu.

– Dá para você falar logo? Eu não tenho todo o tempo do mundo. – Thalia alfinetou, e em troca recebeu uma cotovelada de Annabeth. – O que foi? – a morena perguntou audaciosa – Eu tenho mais coisas para fazer, do que me preocupar com o drama da princesa.

– Thalia! – dessa vez quem chamara sua atenção fora Poseidon, e apesar de seu tom não abrir margem para discussões, Thalia retrucou:

– Pai, eu só estou dizendo que tenho mais coisas para fazer, sem contar que era para o senhor e a mamãe estarem trabalhando, e não aqui lidando com os dramas do Percy. – Thalia se defendeu e logo completou – Vocês vão ver, vai acabar não sendo nada demais.

Antes que alguém mais se manifestasse, Percy pigarreou chamando a atenção para si:

– Bom, acho que todo mundo sabe que eu fui fazer a entrevista para o estágio, hoje de manhã e...

– Você não conseguiu? Meu bem, isso é muito normal, ainda mais no começo da carreira. – Sally o interrompeu com um leve tom maternal capaz de acalmar, ou até mesmo consolar, qualquer pessoa. – Não é porque você não conseguiu hoje, que você vai desistir.

A mulher caminhou até o rapaz e sentou-se ao seu lado para abraçá-lo, foi então que Poseidon começou o seu discurso:

– Filho, pode não ter sido hoje, talvez porque alguém tenha sido melhor que você, mas...

– Isso é certeza. – Thalia resmungou debochada e todos a fuzilaram com o olhar – Pelos deuses, hoje está difícil de falar nessa casa.

– Thalia! – Annabeth a advertiu, e a morena achou melhor manter-se calada.

Com um dar de ombros, a Grace deixou com que seu pai continuasse com o pequeno monólogo sobre as chances da vida e blá, blá, blá.

– Como eu ia dizendo, filho... E isso serve para os três. – Poseidon frisou olhando para Thalia, Annabeth e, obviamente, para Percy – Vocês estão apenas começando e com certeza receberão alguns, ou muitos, vai saber... Nãos na vida, mas o importante é que vocês não desistam de seus objetivos, seja eles quais forem. Então, Percy...

– A verdade é que eu fui aceito! Parto para Fernando de Noronha no sábado à noite. Isso não é demais?

De repente, Percy saiu do aperto imposto por sua mãe e com toda a animação existente no mundo deu um pulo enorme soltando aquela notícia para todas as pessoas existentes em um raio de dez metros.

E apesar da boa nova ser magnifica, para Annabeth aquilo assemelhava-se mais a uma bomba, ou melhor... A bomba que Hermes prepara ao fazer-lhe a proposta acabara de explodir com aquela notícia, já que Percy iria, sim, ficar longe dela por duas longas e intermináveis semanas, e a loira teria que enfrentar sozinha a pressão para salvar a sua empresa, a ameaça de Hermes, e para completar, a distância daquele que sempre lhe deu suporte... Oh, céus o que ela faria agora?

Ele não podia ir, mas ela também não podia impedi-lo de ir, ainda mais depois do que Sally dissera:

– Oh, meu filho, isso é incrível! – a mulher soltara feliz assim que processou a informação – É tão bom ver você construindo a sua vida da forma certa, superando tudo o que aconteceu no passado... Estou tão orgulhosa de você, Percy! Tão orgulhosa, meu filho!

Com aquilo, Annabeth não poderia competir.

Era a vida dele, e ela não podia impedi-lo de conquistar tudo aquilo que ele poderia vir a conquistar. E se ela pedisse para que ele ficasse, para ajudá-la, apoiá-la e ser o porto seguro que ele fora desde que se conheceram, ela estaria pedindo para que ele desistisse de viver a vida dele para... Para viver a dela e isso soava egoísta demais, até mesmo para a garota que desejava que ele não tivesse conseguido a vaga.

– Não vai me parabenizar?

De repente, a sombra de Percy sobre si e a voz feliz do moreno tirou Annabeth de seus devaneios e a loira acabou por encontrar seu namorado com os braços estendidos em sua direção, em um pedido mudo de abraço.

Quanto tempo ela tinha ficado fora de si?

– E então? – o moreno falou confuso com a falta de atitude de sua namorada, mas logo sorriu aliviado, quando em um rompante ela o abraçou.

– Eu disse que você conseguiria. Não disse? – Annabeth perguntou rente ao ouvido do rapaz, fazendo com que ele se arrepiasse e a apertasse mais forte. Era tão bom tê-la em seus braços. – Estou muito feliz por você. De verdade. – a loira continuou a murmurar, e quando se afastou, deu-lhe um selinho acompanhado de um sorriso.

Annabeth só não contava com o fato de que seus olhos lacrimejariam e que Percy, mais lerdo que uma porta para algumas coisas, fosse perceber.

– O que foi, Sabidinha? Você não está feliz? – o moreno perguntou com o cenho franzido em preocupação, e a Chase logo tratou de balançar a cabeça, a fim de afastar seus medos e a voz de Hermes a ameaçando, já que agora ela ecoava como uma mantra amedrontando a loira.

– Não, não! É claro que eu estou feliz, mas é que nós ficaremos longe um do outro por duas semanas e bom, desde que nos conhecemos o máximo que ficamos afastado foi algumas horas. – Annabeth contornou a situação com um discurso digno de Silena Beauregard.

Percy riu com a declaração disfarçada, e a abraçou de novo, enquanto prometia que aquele tempo passaria o mais depressa possível.

Thalia que apenas os observava estranhou o comportamento de Annabeth, já que sua melhor amiga nunca fora o tipo de namorada que chorava quando era necessário que se afastasse por um tempo do namorado. Tanto é que quando Luke sumia sem mais nem menos, Annabeth não chorava de saudades como fazia com Percy naquele momento.

Tinha alguma coisa errada ali e a morena descobriria o que era. Mas antes que ela pudesse confrontar Annabeth, Maria apareceu com um enorme sorriso, já que escutara tudo da cozinha, anunciando que o almoço estava pronto.

– Vamos, pois hoje temos o que comemorar! – Poseidon exclamou feliz, e com um abraço apertou Percy contra si, enquanto guiava-o até a sala de jantar.

...

– Você não vai tirar esse sorrisinho da cara? – Thalia perguntou no dia seguinte, quando apareceu para o café da manhã.

No dia anterior, Sally e Poseidon tinham tirado o dia de folga e ficaram paparicando Percy durante a tarde toda, e apesar de não dar o braço a torcer, a morena ficara muito feliz por seu irmão ter conseguido a vaga que tanta sonhara. Mas como estamos falando de Thalia Grace, não podemos esperar congratulações normais, a morena tinha, e ia provocá-lo até dizer chega.

– Assume logo que você está feliz por mim, Thalia. – Percy pediu, enquanto mandava um beijo para ela.

– Sonha menos e me deixa em paz, Perseu. – a garota retrucou, depois de sentada, e o moreno riu sonoramente com o mau-humor da irmã.

– Foi você quem começou a falar comigo. – o rapaz disse de boca cheia, fazendo a morena revirar os olhos.

– Tenha modos, seu porco. – a Grace resmungou, enquanto enchia seu copo com suco. Depois deu uma olhada a sua volta sentindo a falta de algumas pessoas. – Cadê o papai e a mamãe?

– Foram trabalhar, e só para constar já são onze horas da manhã.

– Hum... – a morena replicou com um resmungou, e logo completou – E a Annabeth? Achei que fizessem tudo junto?

Percy a olhou debochado, enquanto pegava mais um pedaço de bolo, e a morena lhe sorriu matreira, deixando-o saber o quão maliciosa aquela colocação tinha sido.

– Você sabe que quando dormimos aqui, ela não gosta que durmamos juntos. – Percy deu de ombros, já que achava aquela regra um tanto quanto idiota de mais, todavia, ele não discutiria com Annabeth sobre aquilo, senão seria ele quem ficaria sem aquilo.

– Só em ocasiões especiais, não é mesmo? – a morena provocou, fazendo Percy rir, mas assentir com rapidez.

– Sabe como é que são essas coisas. – o moreno deu de ombros, e a garota revirou os olhos diante a fala do irmão.

Thalia continuou a tomar o seu café da manhã em silêncio, mas logo a questão Annabeth e seu comportamento estranho, voltou a atazanar a cabeça da morena de olhos azuis.

– Mas já são onze da manhã. Já era para ela estar acordada. Não era? – a Grace perguntou confusa, e Percy, apesar de também ter estranhado o horário, logo respondeu o que achava ser a resposta para o sono de sua Sabidinha.

– Acho que Peter não dormiu durante a noite. – a moreno deu de ombros e a garota o olhou inquisidora, como de pedisse que ele continuasse com sua resposta – Hoje de manhã eu passei no quarto dela para ver se eles já estavam acordados, mas eu encontrei os dois adormecidos na cama. Achei melhor não atrapalhar.

– Na cama dela? Mas o Peter dificilmente dorme com a Annabeth. – Thalia retrucou ao não achar lógica na resposta de seu irmão.

– Ele só dorme com ela, quando passa mal ou tem dificuldade para dormir. Por isso, eu acho que eles não dormiram a noite. – Percy explicou, e Thalia assentiu desconfiada.

A Grace não acreditava muito na teoria de seu irmão, já que se Peter tivesse passado mal ou sentindo alguma coisa durante a noite, Annabeth, mesmo contrariada, o avisaria, já que ele se preocupava com o pequeno tanto quanto ela. E apesar da loira negar veemente, Percy era mais eficaz do que ela quando o assunto era fazer Peter dormir.

Sem contar, que o Chase estava perfeitamente saudável na noite anterior, ou pelo menos aparentava estar.

Tinha alguma coisa errada, e Thalia já desconfiava disso desde o momento que Annabeth entrara em casa no dia anterior. A morena precisava saber o que estava acontecendo.

– Aonde você vai? - a morena perguntou confusa ao ver Percy se levantar.

– Tenho que ver se toda a minha documentação está okay para viajar. - o rapaz respondeu, enquanto pegava mais um pedaço de bolo. Só então, Thalia percebeu que o rapaz estava vestido para sair e não de pijama como ela. - Sorte que o meu passaporte está em dia.

– Muita sorte mesmo. - Thalia debochou revirando os olhos.

– Avisa para a Annabeth que eu não demoro, e que se qualquer coisa acontecer ou caso ela precise de mim, pode me ligar que eu estou com o celular.

– Sim senhor. – Thalia bateu uma continência zombeteira, e Percy revirou os olhos, antes de passar pela garota e dar-lhe um beijo na testa, para provocar. – Vai beijar a sua mãe, Perseu!

Thalia gritou irritada, e em resposta ouviu uma sonora gargalhada, o que a deixou ainda mais irritada.

– Garoto idiota! – a morena resmungou, enquanto limpava a testa que ficara molhada coma a baba de seu irmão. – Credo!

A Grace terminou de tomar seu café silenciosamente, e enquanto o fazia trocava algumas mensagens com um certo moreno de olhos negros.

Vai na festa daquela Alpha no fim de semana? – N

Não sei. Por que quer saber? – T

Só quero saber se vou ter companhia. – N

Achei que o nosso acordo não envolvia esse tipo de coisa. - T

Só não quero ficar sozinho lá. Todo mundo que eu conheço namora, e não vai nesse tipo de festa. Você é a única encalhada que eu conheço. – N

Só por esse encalhada, eu espero que você queime no inferno. – T

Depois da resposta malcriada, Thalia riu, e deixou de responder as mensagens de Nico. A garota não tinha ficado brava, afinal gostava e muito do seu atual estado civil para se preocupar com as alfinetadas do seu caso de algumas noites.

Ao terminar com a última bolacha do pote, a morena ficou a encarar a parede por alguns minutos, decidindo-se sobre o que faria naquele dia, quando decidiu subir para o seu quarto e, procurar algumas vagas de estágio pela internet. Afinal, se Percy conseguiu um estágio com o cérebro de ameba que ele tinha, até ela conseguiria alguma coisa.

Cantarolando uma música qualquer, Thalia começou a subir as escadas pensando em algo para fazer naquelas férias de verão, já que era um tanto quanto óbvio que a morena não ficaria apenas procurando um estágio. Ela precisava promover uma viajem, talvez para a casa de campo de seus pais, ou para a praia, já que era verão.

– Preciso falar com aqueles retardados. – a morena murmurou enquanto passava na frente do quarto de Annabeth, e estacou em seu lugar ao ouvir a voz de sua amiga, um tanto quanto frágil demais.

O que eu faço, meu amor? Fala para a mamãe! – a voz de Annabeth estava embargada, e não era por conta de sono, já que aquele tom assemelhava-se mais ao choro do que a qualquer outra coisa.

Sally sempre ensinou para Thalia que escutar atrás de uma porta era uma tremenda falta de educação, mas naquele momento a morena pouco se importava para as lições que sua mãe já havia lhe dado. Ela precisava e ia ouvir atrás da porta para saber o que estava acontecendo.

A Grace se aproximou com calma, e com cautela colou sua orelha na porta, aguçando sua audição para ouvir melhor.

Eu não quero ter que me casar com ele, mas também não posso ficar longe de você, meu amor. Você é tudo que eu tenho na vida, não podem tirar você de mim. – Annabeth murmurava de forma sofrida, como se algo terrível tivesse acontecido, e Thalia estava para lá de confusa com a situação.

Quem queria tirar o Peter da Annabeth?

Que história era essa de casar?

Percy tinha pedido ela em casamento? Quando? Onde e por que raios ela não sabia?

Céus, nada do que a loira sussurrava de dentro do quarto fazia sentido.

Dessa forma, e na maior cara de pau existente na face da Terra, Thalia bateu na porta e entrou, sem ao menos ter sua entrada permitida pela dona do quarto.

– Annie, por acaso... – a morena fingiu que ia falar algo, mas assim que seus olhos dissimulados caíram sobre Annabeth, ela fingiu surpresa e como uma preocupação sincera, perguntou – Annie, o que aconteceu? Por que você está chorando?

Annabeth estava a mais de vinte minutos, olhando para Peter e perguntando para o pequeno o que ela deveria fazer, mas como já se era esperado, o Chase nada dizia, ele nem mesmo entendia o quão enrascada sua mãe, e consequentemente ele, estavam.

Foi uma imensa surpresa para a loira ouvir alguém batendo em sua porta, e antes mesmo que ela pudesse gritar uma desculpa qualquer para que esse alguém não entrasse, Thalia já tinha aberto a porta em um rompante, e em segundos estava sentada na frente de Annabeth com uma genuína expressão de preocupação.

– Eu não estou chorando. – Annabeth resmungou debilmente, enquanto secava as lágrimas que já tinham escorrido por suas bochechas vermelhas.

– Sério mesmo? – Thalia perguntou desacreditada, já que era óbvio que Annabeth estava chorando. Dava para ver na cara dela, literalmente.

– Thals...

Antes que a loira começasse a despejar uma desculpa qualquer sobre a morena de olhos azuis, a mesma a cortou dizendo:

– Annabeth Chase, ou você me conta agora o que está acontecendo, ou pode esquecer que eu sou sua amiga. – a morena sabia que estava sendo dura, mas estava na cara que Annabeth não diria o que estava lhe acontecendo nem por um decreto. Thalia precisava ser dura, ou não sairia nada da boca de sua melhor amiga.

– Thalia, não é nada demais. Eu só... Só estava preocupada com o Peter.

– Com o Peter? Por quê? – a morena perguntou olhando para o afilhado que ainda dormia com o corpo voltado para onde Annabeth estava sentada. – Ele me parece muito bem, Annabeth.

Céus, por que Thalia tem que ser tão, tão... Enxerida?

A Chase se perguntou mentalmente, enquanto buscava em sua mente uma desculpa capaz de enrolar a morena, mas antes que os pensamentos dela chegassem em algo concreto, a Grace despejou com a voz fria.

– Annabeth, eu sou a sua melhor amiga, não sou?

– É sim, Thalia. E você sabe disso. – Annabeth respondeu sem olhá-la nos olhos - Por que essa pergunta agora? Não faz o menor sentido. – a loira sussurrou ao se levantar, ainda em busca de uma forma de afastar Thalia.

– Você sabe que pode confiar em mim, não sabe? – a morena voltou a questioná-la, vendo a falha tentativa de Annabeth em fingir que estava arrumando o quarto.

– Claro que eu sei, Thals. – a loira resmungou, enquanto pegava alguns brinquedos de Peter do chão.

– Então, por favor, olha nos meus olhos e me conta o que está te incomodando. – Thalia pediu acompanhando Annabeth com o olhar, que com o pedido, um tanto quanto gentil demais para ter vindo da Grace, estacou em seu lugar, sem saber para onde correr.

Quando acordara assustada, pela enésima vez na noite, Annabeth passou a acariciar a bochecha de Peter, de forma que o pequeno se aconchegasse ainda mais ao seu corpo, e depois de alguns minutos e um pouco mais calma, a garota se permitiu a olhar ao seu redor, podendo saber que já era de manhã.

Ainda sem chão, a loira começou a contar o que tinha lhe acontecido para seu filho, buscando nele algum sinal do que ela deveria fazer para conseguir reverter a situação, e se não fosse possível, fazer com que ele desse forças para fazê-la contar para Percy sobre a conversa com Hermes. Algo que faria o moreno enlouquecer de raiva. E com motivo.

Mas, de repente, Thalia resolveu aparecer em seu quarto e tirar toda a verdade de si. Annabeth ainda não estava pronta para contar tudo o que fora dito naquela sala no centro de Nova Iorque, ela ainda precisava de tempo para digerir toda aquela história, mas ao olhar Thalia nos olhos, a Chase soube que ela não teria esse tempo. Ou ela contava naquele minuto, ou Thalia arrancaria a verdade de si.

– Você não vai desistir, não é mesmo?

– Não. Eu só quero te ajudar, Annabeth. Mas eu só posso fazer isso se você me permitir te ajudar. – Annabeth abriu a boca para protestar, mas a morena logo complementou – E não adianta falar que está assim porque o Perseu vai viajar, pois eu não sou burra como ele.

Com aquela fala, Thalia derrubou os últimos tijolos de resistência que ainda cercavam Annabeth. Com um suspiro penoso, a loira permitiu-se voltar a se sentar de frente para Thalia, e com lágrimas nos olhos ela iniciou:

– Enquanto estávamos todos reunidos para cantar parabéns para o Peter, Hermes se aproximou de mim e...

Annabeth contou absolutamente tudo.

Não se esqueceu nem mesmo de uma vírgula em seu discurso sobre a proposta que Hermes lhe fizera. E em algum momento do relato, a loira permitiu-se deitar sobre o colo de Thalia, deixando com que a morena fizesse carinho em sua cabeça e tentasse controlar o choro da Chase, mas isso parecia uma tarefa impossível.

Thalia não tinha a mínima noção do que seria aquele relato que ela ouviria, quando entrou no quarto de Annabeth. A morena esperava algo relacionado a uma briga com Percy, ou até mesmo com a família dela por conta da situação que a empresa se encontrava. Mas... Aquilo? Aquilo já era de mais.

Nem mesmo Thalia achava que Hermes e Luke, porque a morena tinha certeza que tinha o dedo, ou melhor o corpo inteiro do Castellan mais novo naquela história, mas nem mesmo ela achava que eles fossem capazes de algo tão baixo quanto aquela ameaça.

Depois de dez minutos, no máximo, Annabeth conseguiu controlar seu choro, enquanto Thalia terminava de digerir toda a informação que recebera.

– Você está me dizendo que Hermes está te chantageando?

Annabeth apenas fez um aceno positivo, ainda com a cabeça no colo de sua melhor amiga.

– Annie, isso é muito sério.

– Eu sei, Thals. E eu não sei o que fazer. – Annabeth sussurrou parecendo um tanto quanto assustada. E não era para menos.

– Como assim?

– Simples, eu não sei o que fazer. – a loira resmungou voltando a se sentar. – Se eu não me casar com Luke, a minha empresa vira pó e eles tiram o meu filho de mim, mas... Mas seu eu me casar com ele, a empresa da minha família volta à ativa, e eu sei que o Hermes é capaz de coloca-la de volta no mercado, e o meu filho continua comigo. E-eu, sinceramente, não sei o que fazer. Eu tenho duas semanas para dar a resposta, e...

– Espera um pouco! – Thalia se levantou agitada e andou de um lado ao outro tentando se acalmar e entender, de fato, o que Annabeth queria dizer. – Você não está pensando em aceitar essa barbaridade. Está?

E como quem cala consente...

– Eu não acredito nisso, Annabeth! – a morena esbravejou com os olhos fervendo em raiva. – Você não entende a gravidade dessa situação?

– É você quem não entende, Thalia. Eu tenho plena noção de tudo o que está me acontecendo. – Annabeth também se levantou, a loira tinha cansado de se fazer de fraca.

A Chase sabia exatamente o que se passava na cabeça de Thalia, e ela precisava mostrar para a morena que não era nada daquilo que ela estava imaginando.

– Eu preciso salvar o que restou na minha vida.

– Eu sei que você precisa, mas você vai fazer isso se casando com aquele idiota? Você está se escutando, Annabeth?

– Thalia...

– Não, nem começa. – a morena a interrompeu com raiva. – Você vai mesmo se casar com o cara que te abandonou com um filho na barriga. É isso mesmo o que eu estou entendo, Annabeth?

– Espera aí! Eu não disse que me casaria com ele...

– Mas você está cogitando essa ideia, o que dá no mesmo.

Annabeth esfregou a testa, tentando controlar a respiração e suas ideias. Travar uma briga naquele momento, era a última coisa que a Chase queria ainda mais contra sua melhor amiga, ela precisava de Thalia ao seu lado, aconselhando-a no que fazer, e não ao contrário.

– Casar com ele é a única solução que eu vejo para tudo o que está acontecendo. – Annabeth começou tentando manter a voz em um tom, falsamente, calmo.

– Eu não acredito que eu estou ouvindo isso. Ainda mais saindo da sua boca.

Thalia resmungou com raiva, nem um pouco interessada em acalmar seus ânimos. Annabeth estava ficando louca, e aquela era a única explicação plausível que a morena encontrava para explicar aquela conversa sem sentido.

– E se fosse com você, Thalia?

De repente, Annabeth jogou a pergunta, fazendo Thalia olhá-la confusa.

– Hein?!

– E se fosse com você? O que você faria?

Thalia a encarou debochada, e com a mesma expressão, respondeu:

– Óbvio, eu não me casava.

– Será? – Annabeth perguntou firme, e Thalia estreitou os olhos, querendo saber aonde a loira queria chegar com aquela conversa – Me responda com toda a sinceridade que há dentro de você, Thals...

Thalia engoliu em seco ao ver os olhos de Annabeth brilhando em determinação.

– E se fosse você, a pessoa que perdeu as suas maiores referências...

– Eu também perdi os meus pais, Annabeth. – a morena a interrompeu, não gostando nem um pouco do rumo que aquela conversa estava levando.

– Eu sei, mas você não se lembra deles, e nós duas sabemos que Sally e Poseidon também são seus pais, ou seja, você ainda tem as referências que eu não tenho mais. – Thalia revirou os olhos, sabendo que a garota estava certa – E se fosse você quem tivesse perdido os seus pais, na mesma época que descobrira que seria mãe e, de repente, fosse abandonada sem maiores explicações por um idiota.

“E se, de um dia para o outro, aquele bebê que você carregava se tornasse o seu bote salva-vidas, a pessoa mais importante de todo o seu mundo, a pessoa que precisa, que depende de você para continuar a viver. O que você faria para mantê-lo ao seu lado? Hein, Thalia? O que você faria – a loira questionou secando uma lágrima.

Thalia engoliu em seco, com os olhos marejados, igual a Annabeth.

– Eu... – a morena gaguejou – Eu faria de tudo para mantê-lo comigo.

– Tudo? – Annabeth perguntou para ter certeza.

– Tudo! – a morena confirmou com firmeza, fazendo a loira soltar um pequeno sorriso.

– E se a empresa que você viu Poseidon, seu pai, construir do zero com a maior dedicação do mundo, estivesse a um passo de falir e você tivesse o poder de salvá-la com apenas uma palavra. O que você faria?

A imagem de um Poseidon cansado pelo trabalho, feliz pelas conquistas da sua empresa, nervoso com as coisas que deram errado, e satisfeito com os objetivos e prestígios que alcançara, vieram na cabeça de Thalia, fazendo com que ela percebesse que Annabeth só queria manter viva a única coisa concreta que os pais dela tinham deixado.

– Se o meu pai tivesse morrido e a empresa tivesse nessa situação, eu faria de tudo para mantê-la de pé. Pois é um pedaço dele. Um pedaço que ele deixou para mim.

Annabeth suspirou aliviada ao perceber que a morena estava mais calma, e sorriu ao ouvir a resposta da sua melhor amiga.

– É exatamente isso o que eu penso, Thals. Eu não posso, simplesmente, deixar que tudo acabe em um piscar de olhos. Meu avô e os meus pais deram a vida por aquela empresa, acho que chegou a minha vez de fazer o mesmo.

– Não, Annie...

– E ainda tem o meu Peter, o meu menininho... Thals, eu não posso ficar longe dele. Ele é tudo o que eu tenho. – Annabeth resmungou chorosa, olhando para um Peter já acordado, mas silencioso por conta do medo, este causado pelos gritos. – Se o tirarem de mim, eu não sei o que vai acontecer comigo, com ele. Por isso eu não posso permitir.

As duas ficaram se encarando por alguns minutos, e Thalia se virou em um rompante deixando o quarto como um furacão e seguindo em direção as escadas. Annabeth, assustada com a atitude de sua melhor amiga, correu atrás da morena gritando:

– Thalia! Thalia, onde você vai?

– Eu vou atrás daquele desgraçado do Luke. – a morena respondeu com raiva, enquanto descia as escadas como um foguete. – Vou fazer com que ele se arrependa de ter nascido.

– Não! Thalia, volta aqui. Agora! – Annabeth ainda descia as escadas, enquanto Thalia já estava dentro de seu carro, já que Peter começara a chorar assim que a porta do quarto batera, retardando a Chase.

– Thalia, abre essa janela. – a loira batia no vidro desesperada, mas a morena não estava nem ai. – Thalia, saia de dentro desse carro agora. – a loira ordenou, mas a Grace pouco de importou.

A raiva fervia dentro do corpo da morena de uma forma tão assustadora, que até mesmo a parte racional da garota estava com medo do que poderia acontecer. Annabeth batia no carro de forma desesperada, tentando fazer com que Thalia a escutasse e desistisse de ir atrás de Luke, mas Thalia apenas ligou o carro, deu ré, saindo da garagem com rapidez, deixando uma Annabeth assustada para trás.

– James, abra o portão. – a morena ordenou assim que parou na guarita.

– Não abra, James. Não a deixe sair. – Annabeth, aparentemente recuperada do susto de ter um carro conversível saindo de perto de si em alta velocidade, berrou da garagem, deixando o pobre porteiro confuso.

– Abra essa droga agora, ou quando eu voltar, você estará demitido. – Thalia não gostava de ameaçar as pessoas daquela forma, mas ela precisava sair dali antes que Annabeth alcançasse o seu carro.

James que tinha ouvido gritos há pouco tempo, ainda estava desnorteado com a aparente briga entre Thalia e Annabeth, e não sabia o que fazer.

– Se você não abrir essa droga de portão agora, eu passo por cima. – a morena voltou a ameaçar, e James ainda sem saber o que fazer, abriu o portão por conta do medo.

Em menos de cinco segundos, Thalia já tinha acelerado o suficiente para sair da vista de Annabeth, no mesmo instante em que a loira chegava próximo ao portão.

– Por que você abriu? – Annabeth perguntou arfando. – Ela vai fazer uma loucura. – a loira sussurrou mais para si do que para o rapaz.

– Desculpe-me, senhorita. Mas a Thalia estava...

– Tudo bem, James. Tudo bem. – Annabeth soprou pensativa. Ela tinha que ir atrás de Thalia, ou a garota faria uma loucura.

Antes que Annabeth pudesse pensar em uma forma de ir atrás de Thalia, o choro de Peter voltou a se tornar prioridade, já que ecoava pelos quatro cantos da casa, fazendo-a se lembrar do pequeno que deixara para trás com o berreiro aberto.

– Droga! – a Chase xingou em alto tom, fazendo James se assustar.

...

– Atende, atende... – o dedo de Thalia batia nervosamente contra o volante, enquanto o sinal que permitia a sua passagem se encontrava fechado.

– Alô? – Nico a atendeu desconfiado, já que não era do feitio da morena ligar para ele, ainda mais por livre e espontânea vontade.

– Qual é o endereço da May? – a educação fora mandada às favas pela Grace, e nem um cumprimento descente, a morena se dignara a fazer.

– Oi para você também. – Nico debochou do outro lado da linha, e a garota bufou com raiva.

– Cala a boca e me responde.

No mesmo segundo Nico arrumou sua postura, sabendo que a Grace não estava para brincadeira.

– Por que você quer o endereço da May? – o rapaz perguntou desconfiado.

– Eu vou matar o desgraçado do Luke, e é melhor você me passar logo a porcaria do endereço, antes que eu resolva te colocar na minha lista também.

Dizer que o Di Ângelo se assustou com o que Thalia disse, era quase um eufemismo. O moreno era capaz de distinguir o quão raivosa a mesma se encontrava no momento, e como para retardá-la, o rapaz perguntou:

– O que aconteceu? – quis entender, para saber se era possível ajudar.

– Vai me dar ou endereço, ou vou ter que descobrir por minha conta?

Sabendo que não conseguiria pará-la, Nico passou o endereço da Castellan torcendo, mentalmente, para que não se tornasse cúmplice de um homicídio.



Notas finais do capítulo

E então, o que acharam? Sejam honestos. Okay?

— A Thalia saiu que nem louca atrás do Castellan Júnior, será que ela vai encontrá-lo?

— O que a Annabeth vai fazer agora?

— O que o Nico vai fazer? OMG

— Será que é no próximo capítulo que enterraremos o Luke? kkkkk

— Quem gostou da notícia do Percy?

Deixem os seus palpites, as suas frustrações... Enfim apareçam e é claro aguardem os próximo capítulos, porque a coisa só está começando kkk

Eu estava revendo as minhas fics antigas nessa semana, procurando reviews que não estivessem respondidos e bateu uma saudade de It Is The Life... e As Long As You Love Me. Acho que todos já leram a primeira, se não com certeza não estariam aqui, mas e ALAYLM? Já leu? Gostou? Não leu? Dá uma passadinha lá, acho que você não se arrependerá.

Aqui está o link, caso você se interesse:

https://fanfiction.com.br/historia/328868/As_Long_As_You_Love_Me/

Também deem uma passadinha nas ones, garanto que vocês gostarão.

E caso gostem... Sei lá, comentem e recomendem. Seria muito legal receber uma recomendação nessas histórias que já estão finalizadas.

Agora deixando de ser chata, encerro o meu contato com você por aqui.

Beijos e até o próximo capítulo, ou quem sabe, até o review.

P.S: Caso queiram entrar em contato comigo, bom, eu fiz o grupo no Facebook, é só entra lá e falar comigo.

Aqui está o link:

https://www.facebook.com/groups/955154981174295/

P.S.2: Caso tenha algum erro muito grave, me avisem. Ou até mesmo um pequeno.