A Nossa História de Amor escrita por Manu Pontes


Capítulo 16
Lembranças e Deveres..


Notas iniciais do capítulo

Oi, amores..
Estou de volta..
E para aqueles que sempre esperaram descobrir o segredo da Hinata, aqui está o capitulo que revelará.. ^^
Quero muito agradecer o Mr_Strife que mais uma vez betou o capitulo, e me ajudou com certos detalhes.. ^^ Ele deu o título ao capitulo.. ^^
http://fanfiction.nyah.com.br/mr_strife
E obrigada aos lindos reviews que vocês têm me deixado.. Muito obrigada mesmo.. ^^ Leio todos com muito carinho.. ^^



Capitulo 15 – Lembranças e Deveres..

 

A sensação de tensão gradativamente impregnava-lhe os músculos do corpo alvo após ouvir o tom de voz grave do Uzumaki. Os contornos da face antes visualmente envergonhados, tingidos por uma coloração rosada, agora demonstravam uma firmeza comparada à do loiro. Os olhos perolados pareciam travar uma disputa contra as safiras. Os lábios rosados e delicados queriam retrucar, porém a voz estava presa na garganta, agora seca.

- Nós precisamos conversar, Hinata. – repetiu o loiro. Estava ali para pôr um ponto final na situação entre eles. E não importaria o quanto a Hyuuga se pusesse relutante a isso, dali ele não sairia sem uma resposta da morena.

- E-Eu... – pausou ao sentir que as palavras não sairiam de uma forma fácil como almejava. Respirou fundo. – N-Naruto, já e-está tarde... – tentou, em vão, argumentar.

- Eu não me importo. Nós precisamos conversar agora... – disse o Uzumaki dando enfase no “agora”.

Estava claro para a Hyuuga que o loiro estava disposto a tudo para ter a tal conversa. Isso a preocupava ainda mais. Sentia-se cansada pela semana, e pressentia que a conversa seria ainda mais cansativa. O medo começava a voltar a invadir-lhe.

- E-Entre. – disse a morena,  após alguns segundos, em um tom seco, mas inseguro. O loiro se fez indiferente ao tom de voz de Hinata e adentrou o apartamento da mesma com passos firmes.

Chegaram à sala da Hyuuga. O espaço era bem amplo, com paredes em tom branco opaco que dava ao lugar uma sensação agradável. O chão era forrado com um piso de cor madeira, lembrava um forro de tábua envernizada. Havia o sofá que contornava duas paredes, do fundo e da direita da sala. No centro do cômodo havia uma mesinha de centro de madeira e de tom vinho. E unido à parede de frente, estava um requer de boa madeira e do mesmo tom da mesinha.

A Hyuuga sentou-se na extremidade direita do sofá, enquanto o Uzumaki sentou-se em seguida, não muito próximo a ela. Ambos tinham seus olhares bem direcionados um ao outro. Mas Hinata não conseguiu manter por muito tempo seu olhar, estava nervosa, e o Uzumaki parecia sereno, mas ela sabia que ele estava tão nervoso quanto ela. Suspirou.

- O que você quer c-conversar? – não sabia de onde a súbita coragem veio, mas resolveu começar logo a conversa.

- Quero conversar sobre tudo que anda acontecendo com a gente. – disse o loiro fitando a Hyuuga, esperava alguma  reação da mesma.

- Nós já conversamos sobre isso. – comentou fitando, não ao loiro, mas a mesinha à sua frente.

- Quando conversamos sobre isso? – pausou, não queria perder o controle, mas Hinata estava se portando friamente a um assunto que visivelmente a afetava diretamente. – Nós não conversamos. – continuou. – Você simplesmente quis cortar o laço que estávamos reconstruindo, e eu aceitei naquele momento.

- Você aceitou, então não tem porque reclamar ou me julgar, agora. – disse firme.

- Eu não estou te julgando. Mas precisamos resolver isso.. – pausou. – Não há como negarmos que nos amamos.

- Você não pode afirmar isso. – disse rapidamente, o que surpreendeu o loiro. Será possível que ela não o amasse mais?

- Você...? Nós dormimos juntos... – ele sentiu-se confuso com as palavras.

- Esse assunto já está esquecido. – disse ela se levantando. – Foi só aquela noite, Naruto. Eu já lhe disse isso. – ressaltou.

O Uzumaki não podia ver os orbes perolados, pois Hinata estava de costas para ele. Pois caso contrário veria o olhar da morena com um brilho de tristeza.

- Você não pode continuar com isso. Negando a si mesma tudo o que sente. – disse o loiro, não se daria por vencido por uma resposta rápida. Por uma mentira dolorosa.

- Você não manda em mim. – a voz soou trêmula, e logo o loiro se aproximou da Hyuuga. Diante de Hinata, ele viu as lágrimas reprimidas.

- Hina, confia em mim. Por favor! – a morena não aguentou mais a pressão que sentia dentro de si, duas lágrimas rolaram sua face, enquanto se via sendo abraçada por Naruto. – Não deixa esse segredo acabar com tudo. – sussurrou o loiro. A morena fechou os olhos, envolvida pelos braços do Uzumaki. – Não deixa ele acabar com o nosso amor.

- Naruto. – murmurou em meio às lágrimas. Tinha abaixado os muros entre eles, se via confusa com tudo aquilo.

- Tira esse peso de você. Dividi comigo. – pausou. - Me deixa fazer parte da sua vida. – pediu o loiro.

Naruto sofria vendo a mulher em seus braços sofrendo, chorando, carregando um duro peso consigo. Queria que ela confiasse nele, dividisse o que tanto a angustiava. Queria aliviá-la daquela dor.

Ficaram por alguns minutos em silêncio, enquanto Hinata tentava se acalmar. A Hyuuga tinha noção de que aquele momento um dia chegasse, de que um dia teria que enfrentar seu medo. Que um dia teria que contar seu segredo, seu erro à Naruto. E aquele momento era o dia.

Com calma se afastou do loiro, e direcionou uma das mãos à face do mesmo, acariciou levemente o rosto bronzeado. Naruto apreciou a mão suave e de pele fria tocá-lo com delicadeza. Depois do rápido carinho, Hinata voltou a sentar. O loiro também repetiu o gesto, e se sentou próximo a morena.

- Eu... – respirou fundo. – Eu tinha de 14 para 15 anos quando tudo começou.  Nessa época eu comecei a trabalhar como modelo. Eu sempre amei as passarelas. – por um pequeno momento os olhos brilharam um brilho de alegria. – Mas nunca tinha tido coragem de pedir ao meu p-pai que me ajudasse com essa carreira, eu tinha receio quanto à reação dele. Mas quando um olheiro me encontrou, e me ofereceu uma oportunidade em uma agencia de Boston, eu fiquei extasiada, encantada como qualquer adolescente que tem a chance de realizar seu sonho. Diferente do que eu imaginava, papai reagiu da melhor forma possível, e me apoiou. – sorriu levemente com a lembrança do pai. – Na agência, eu aprendi muito sobre a carreira, fiz muitos trabalhos e conheci muitas pessoas. Mas eu era muito ingênua, e isso me gerou muitos problemas. – fitou o loiro por um momento, não sabia como seria sua convivência com Naruto a partir daquele momento. Com certeza o medo e a insegurança, o receio que a envolvia agora faria com que ela nunca se esquecesse dessa noite. – Eu fiquei tão encantada com esse mundo de passarelas que me dedicava ao máximo que podia na profissão, logo no primeiro ano me tornei a modelo com mais contratos para os mais diversos eventos de moda. Em um desses eventos eu conheci o D-Daiki. Ele também trabalhava com moda, mas diferente de mim ele não era modelo, mas sim fotógrafo. Bom de papo, rico de simpatia e charme. – sorriu, um sorriso tristeza. Enquanto Naruto sentiu os punhos se fecharem com força. – Eu me apaixonei por ele, ao menos eu pensava isso. Uma garota de 15 anos sendo envolvida pelo charme de um homem de 21 anos, não era algo tão incomum. Mas ele retribuir aos meus olhares era quase uma ilusão para mim. Depois de alguns meses, Daiki passou a trabalhar para a minha agência, nos víamos constantemente. E o jogo de trocas de olhares persistiu, até que um dia ele me convidou para tomar sorvete. Conversamos, trocamos telefones. Beijamos-nos. Com o tempo, ele me pediu em namoro, eu me senti tão feliz. Minha vida estava perfeita. Eu tinha uma carreira que crescia cada vez mais, e tinha um namorado belíssimo e encantador. Mas Papai não sabia do meu envolvimento com ele, na verdade ninguém sabia. Encontrávamo-nos em segredo. Esse foi o começo do meu erro. – pausou. Respirou fundo de olhos fechados. O coração estava acelerado. – Daiki dizia que papai não o aceitaria, eu mesma também acreditava nisso. Como não queria perdê-lo continuei com aquele relacionamento escondido de todos. Menti diversas vezes para me encontrar com ele, freqüentava o apartamento dele para não nos vissem juntos na rua. Mas eu sempre me mantive pura junto a ele. Mas sabia que isso não iria durar por muito tempo. Ele era homem, dizia me amar e que esperaria eu estar pronta para um passo como aquele. – uma lágrima rolou a face da Hyuuga mesmo de olhos fechados. Naruto sentiu o corpo tremer, estava nervoso, mas procurou segurar uma das mãos da morena, dando-lhe apoio para que continuasse a contar seu passado. – Um dia, eu cheguei ao apartamento, mais um de nossos encontros. Na verdade um almoço romântico para comemorar seis meses de namoro. Assim que eu cheguei meus olhos brilharam ao ver uma linda mesa com flores, duas taças, e vinho. Almoçamos e bebemos. – Hinata apertou a mão do Uzumaki e respirou fundo, sugando o ar a procura de força. – Depois do almoço ficamos conversando e namorando na sala, eu me sentia um pouco tonta. Não estava muito acostumada a beber líquidos alcoólicos, ao menos fora isso que eu pensei. – soluçou.

- Calma. –murmurou o loiro. Secava as lágrimas da Hyuuga, desejando que todo aquele sofrimento evaporasse assim que pronunciado pelos lábios rosados, e agora trêmulos.

- Começamos a nos beijar. – continuou. - Eu senti que tudo estava indo rápido demais, eu não estava preparada. Eu pedi para que ele parasse, mas ele era forte demais. Eu comecei a ficar assustada, Daiki nunca tinha agido de forma rude ou violenta comigo. Tonta e com medo, eu tentei resistir, me debatia e-entre as m-mãos dele. – o choro reprimido foi liberto e grossas lágrimas banharam o rosto lívido de Hinata. - Mas eu estava tonta demais e acabei desmaiando nos braços dele. Acordei horas depois, nua, exposta no sofá da sala. Minha mente estava confusa e demorei alguns minutos para entender o que havia acontecido. Senti nojo e medo. Percebi que Daiki não estava por perto, coloque meu vestido e saí correndo daquele lugar. Não queria ver aquele homem próximo a mim. Estava com raiva, medo, nojo. Extremamente confusa. Fui para um lugar que eu sabia que ele não me encontraria. Um lugar que só alguém de minha família conhecia.

 

Flashback on:

 

Era noite, o céu estava nublado, o que impossibilitava de ver as lindas e brilhantes estrelas do céu de Boston. O clima estava frio, e a simples brisa era congelante. Os galhos das árvores balançavam junto à aragem, e emitiam um som quase inaudível diante aos soluços da garota agachada, encolhida sobre o banco da praça. A praça antiga de um bairro humilde estava esquecida pela população das proximidades. Os brinquedos, muitos enferrujados, e/ou quebrados, destruídos pelo tempo de abandono. As poucas flores e as grandes árvores cresciam em meio ao mato, antes grama aparada pela prefeitura.

Era em um lugar assim que a adolescente sentia-se mais próxima da mãe, que ainda viva a levava para brincar em tardes de primavera. Naquele instante, as lembranças eram como refúgio para as suas magoas. A menina que tremia, abraçava o próprio corpo enquanto chorava murmurando monossílabos sem nexo. Revivia confusa, a lembrança dos últimos dolorosos acontecimentos, misturados às lembranças da doce mãe. O que havia feito para sofrer tanto? Porque Daiki havia feito aquilo com ela? Ele não havia dito que a esperaria até ela estar pronta? Ele não havia dito que a amava?

- Por quê? – balbuciou baixinho, enquanto o corpo balançava para frente e para trás, e as lágrimas banhavam sua bochecha rosada de choro. A morena estava absorta em meio às lembranças que não percebeu que alguém se aproximava vagarosamente de si.

- Hinata?

A Hyuuga ouviu seu nome ser chamado. O coração pareceu parar de bater, e o medo a apavorou ainda mais. Não queria levantar a cabeça e fitar a pessoa que estava ali. A desordem em sua cabeça dificultava lembrar-se de a quem a voz pertencia. Mas sentiu-se ser coberta por uma manta e abraçada em seguida por braços frios, mas acolhedores.

_ Hina...? Prima, o que houve com você? – indagava Neji com um tom aflito diante do estado da prima. Desde as vinte horas, Hiashi o avisara de que Hinata estava “desaparecida”. De inicio achara ser algo normal para uma adolescente, mesmo Hinata, que sempre fora muito responsável. Mas com as horas a se passarem resolvera sair à procura da prima, e já era meia noite quando a encontrara em prantos numa praça deserta. O último lugar que pensara em procurá-la, mas o mais provável de encontrá-la, levando em conta as lembranças da tia geradas ali.

- N-Ne-Neji. – murmurou a morena ao reconhecer a voz do primo. Dentro de si, um leve conforto apoderou de seu coração, mas se sentia aturdida demais para reagir aos chamados constantes do primo.

- Hinata...? – ouviu mais uma vez a voz do primo, na verdade a última coisa que ouvira antes de sentir os olhos pesarem, e tudo começar a ficar embaçado. Depois disso não vira mais nada.

 

Flashback of.

 

- Depois que desmaiei nos braços do Neji, ele ligou para o papai que veio nos buscar. – soluçou. – No meio da madrugada eu acordei no meu quarto, meu pai estava sentado ao lado da minha cama me olhando preocupado. De inicio eu não me lembrava de nada, mas depois tudo veio em minha mente como uma tempestade violenta.

 

Flashback on:

 

A garota piscava os olhos e fitava o pai, confusa. Sentia a cabeça latejar. O corpo alvo e delgado estava enfraquecido, sem forças. Tudo parecia desfocado ao seu redor, mas em um segundo, diversas imagens surgiram como cascata em sua mente que estava sobrecarregada. Eram tantos momentos, que um dia desejou que alguns durassem eternamente, e que outros nunca houvessem ao menos serem imaginados.  As lágrimas desciam grossas e rápidas dos olhos de íris tão clara como uma pérola e rolavam o rosto de semblante triste, magoado, até umedecerem a coberta lilás e branca que envolvia o corpo da jovem.

- P-P-Pai. – murmurou soluçando. Hiashi se aproximou da filha, sentando-se sobre a extremidade do colchão, e puxando devagar a filha para um abraço.

- Shi... Calma! – disse calmamente. – Hina, querida, eu estou aqui. – completou. Hiashi aparentemente demonstrava uma calma e serenidade que despistavam o que realmente o Hyuuga sentia. Estava nervoso, sentia uma forte raiva que o revirava em seu interior. Alguém havia feito Hinata, sua doce filha, chorar e sofrer como agora, e isso era imperdoável. Hinata sempre fora uma menina responsável, uma excelente filha e cuidava com o máximo de amor que alguém poderia ter para com a sua caçula, Hanabi. O que houvesse acontecido à sua menina, ele teria o prazer de ele meso mostrar que ninguém faz uma de suas filhas sofrer.

- P-Pai.. M-Me des-culpa. – sibilava a adolescente. - E-Ele... E-Eu não que-queria. – disse chorosa, enquanto mais lágrimas e soluços urgiam do pequeno corpo alvo, que abraçava com o máximo de força que tinha o corpo do pai em busca de acolhimento.

- Hinata, o que houve? O que fizeram com você, filha? – indagou já não aguentando ver o estado de Hinata.

- P-Pai. – engoliu um soluço, e encolheu-se ainda mais nos braços do pai. A verdade é que além de confusa, tinha medo do que o pai acharia quando contasse o que houve. Afinal, durante muito tempo ela mentira. Seria tudo aquilo um castigo por não ter sido uma boa filha?

 

Flashback off.

 

Hinata apertou os olhos, tentando evitar as duras lembranças que se aglutinavam cada vez mais aos  seus  pensamentos.

Naruto sentia-se inútil enquanto ouvia todo o sofrimento pelo qual a Hyuuga passara. O que mais desejava era ter estado ao lado daquela mulher, e poder acolhê-la, como tentava a acolher agora. Abraçou-a com todo o amor que tinha por ela, tentando sugar as lembranças ruins que a rondavam.

- Naruto. – murmurou apertando-se mais ao abraço do Uzumaki.

- Hina. Se você não quiser conti...

- Não. – chorou. – Eu vou continuar. Eu preciso que saiba toda a verdade. – murmurou.

- Certo. – disse afagando com carinho os cabelos negro-azulados da morena, tentado tranquilizá-la um pouco para que prosseguisse.

- Naquela noite, eu não contei para o meu pai. Eu não tinha condições, e mesmo angustiada eu consegui adormecer novamente. Depois daquele dia, eu mal comia, chorava todos os dias, parei de ir à escola e à agência. Tinha medo de encontrar com o Daiki. Mas ninguém conseguia descobrir o que havia acontecido comigo. E isso já estava preocupando até a Hanabi, mesmo eu sempre evitando sair do meu quarto, ela ouvia meu choro. Eu não queria ver ninguém. E mais de uma semana se passara, até que Tia Kenia, como uma boa mãe que conhece a filha me fez desabafar com ela. Eu me senti constrangida, suja perante a minha família. Afinal, eu... – Hinata não conseguiu pronunciar as palavras para definir o ato monstruoso pelo qual passara. – Eu só queria esquecer, apagar tudo o que eu vivi. Mas isso foi impossível. Um mês e meio depois, eu descobri que estava grávida, após vários enjôos e finalmente um teste de gravidez. Minha vida parecia que desmoronava cada vez mais. Eu me perguntava se eu realmente merecia isso. Pois eu carregava um fruto de um ato.. – chorou. Naruto se sentiu uma revolta dentro de si ao ver o choro da Hyuuga. – Eu não sabia o que fazer. Eu tinha 16 anos. Como poderia ser mãe? Foi aí que cometi mais um erro, do qual mais me arrependo. – grossas lágrimas banharam a face lívida. – Eu tinha duas alternativas para escolher. – pausou. – Abortar ou ter o bebê. – tanto o corpo do loiro quanto o da morena foi envolvido por uma tensão após a palavra “aborto” ser pronunciada. – Eu não tinha coragem para tirar a vida de um ser indefeso e que não tinha culpa de ter sido gerado de uma maneira tão asquerosa. – cuspiu a palavra com raiva de tudo que passara. – Então me restava ter o bebê, mas eu era nova, não queria ser mãe, estava muito confusa, tinha medo de ver o rosto do Daiki. – Naruto sentiu os músculos ficarem ainda mais enrijecidos, tanta era a raiva que sentia só em ouvir o nome de um merda que fez tanto mal a Hinata. – No meu bebê, me lembrando toda vez o que me havia acontecido. Então eu e papai decidimos dar uma família a essa criança. Demos-lhe um pai, e lhe tiramos uma mãe. Nós lhe demos a nossa família.

Hinata se afastou dos braços do loiro, e o fitou ainda próxima ao mesmo. A Hyuuga olhou cada detalhe do rosto másculo. Os traços fortes e firmes, a pele bronzeada, os lábios atrativos de um tom avermelhado, os olhos de um azul profundo, e os cabelos de mechas douradas e espetadas. Delineou delicadamente com os dedos cada detalhe do rosto do loiro, gravaria a imagem do loiro mais uma vez em sua alma, pois o que seria dali para frente era incógnita para a morena.

- Hina...! – disse o loiro sentindo a pele lívida e fria se afastar da sua.

- Eu passei oito messes em Las Vegas, nas graciosas casas do deserto, acompanhada pela Tia Kenia. Fiz todo o pré-natal durante a gestação. Comprei até roupinhas. – disse com um leve sorriso, lembrando-se de quando comprara, escondida, um par de pequenos e delicados sapatinhos de crochê branco. Mas logo a face alva perdeu seu pequeno sorriso. – Não foi fácil me afastar do meu pai, da Hana e do Neji. Foi difícil saber que um serzinho crescia cada dia mais no meu ventre. Foram meses... Que eu certamente nunca me esquecerei. – pausou sentindo um novo sorriso surgir nos lábios rosados, e Naruto viu os olhos perolados brilharam. – No dia vinte e três de novembro, às vinte e uma horas e quarenta minutos eu tive o meu bebê. – algumas lágrimas voltaram a rolar a face da Hyuuga. – A criança mais fofa desse mundo. – a imagem do bebê recém nascido veio à mente, os olhinhos acinzentados demonstravam que ela teria os olhos de um Hyuuga, olhos como pérolas, além da pele levemente rosada e dos poucos fios negros do cabelo lisinho. - Mas o mais importante de tudo, ela tinha uma ótima saúde. Ela era uma menina perfeita e linda. – Hinata verdadeiramente sorriu, desde o início daquela noite ao se lembrar da bebê pequenina em seus braços. Naruto também sorriu de canto,  ao ver o sorriso da mulher. – Eu vivi duas semanas, vinte e quatro horas por dia em prol do bebê, cuidando daquele serzinho tão indefeso e fofinho, até que meu pai viesse nos buscar, eu voltaria para Boston. – novamente o lindo e doce sorriso se perdera. - Pois papai já havia posto todo o nosso plano em prática desde que fui para Las Vegas, em Boston todos acreditavam que eu estava estudando e tentando carreira na Inglaterra. Papai também já havia anunciado a todos que em breve nossa família iria ganhar um novo membro, e assim foi. Papai voltou para Boston junto com o bebê, eu também voltei, mas ninguém soube da minha volta, só um mês depois que todos acreditaram que havia voltado para conhecer minha... – a voz falhou. – Para c-conhecer minha... – respirou fundo. – Minha i-irmã. – a morena voltou ao choro, os olhos fitavam o chão, sem coragem de olhar diretamente para o loiro. Naruto deveria estar sentido nojo, repugnância de alguém como ela, imaginava. Mas foi pasmada ao sentir os braços fortes de Naruto envolvê-la mais uma vez naquela noite.

 Naruto estava certamente confuso, conhecer os detalhes do passado doloroso da Hyuuga era um tipo de choque, que o fazia sentir-se incapaz. Trincava os dentes com força, cerrando os olhos, tentando controlar a raiva que sentia enquanto observava, em seus braços, a Hyuuga de cabeça baixa, deixando as lágrimas molhar com pingos o hobby e camisa branca do loiro. Tão frágil e trêmula. Aquela mulher que ele conhecia, de figura tão forte, construída sobre uma grande dor. E havia a menina, Yurika, uma criança inocente no meio de toda aquela teia de tragédia repugnante. Agora mais do que nunca cuidaria em cumprir sua promessa à Hiashi.

Passaram alguns minutos em silencio enquanto Hinata soluçava ainda de cabeça baixa, agora sobre o ombro do loiro. Sua mente estava cansada e atordoada com tantos pensamentos e revelações. No fim, conseguira contar ao loiro tudo sobre seu passado, já não havia mais segredos. A mente já tão abalada da Hyuuga devido aos últimos momentos questionava os sentimentos de Naruto, poderia ele estar considerando-a como um monstro? Assim como ela mesma si julgava?

- O que aconteceu depois que voltaram para Boston? – a pergunta de Naruto fez o corpo de Hinata gelar sob os braços do mesmo, a voz dele estava calma, diferente do que ela imaginou que fosse estar.

- Eu cuidei dela sempre que pude, amamentei-a até os oito meses, nunca lhe neguei o alimento que era necessário para a saúde dela. Mas sempre fiz tudo a ela em segredo. E a cada dia que se passava, eu mais amava aquela pequenina. – Hinata ainda mantinha a cabeça inclinada sobre o ombro do Uzumaki, evitava encarar as safiras.  - Sempre a ensinei a me chamar de irmã. E quando ela realmente me chamou assim, eu... Eu senti que meu mundo acabara. Eu havia perdido a minha filha por medo, e não havia como voltar atrás. Então depois de uma conversa com o Papai, eu me mudei para New York, eu tentaria me reerguer no mundo da moda, também estudaria noite e dia a fim de continuar o meu caminho. Minhas decisões e erros já haviam sido efetivados, me cabia naquele momento aceitar as conseqüências. Foi depois de dois meses em New York que eu lhe conheci... - pausou, respirando profundamente. – A partir daí você conhece toda a história.

- Hinata... Você me escondeu isso por tanto tempo. – era notório que o Uzumaki se sentia magoado pelo tempo em que a morena manteve esse segredo entre eles. E Hinata dessa vez podia sentir dor na voz do loiro. – Eu... Neste momento eu tenho ideia do quanto você sofreu, mas...

- Naruto, me perdoe. – murmurou baixa, mas audível para que o loiro fosse interrompido. – Mas eu não tinha coragem de lhe contar. - ergueu vagarosamente a face encarando em seguida o olhar do loiro. – Sei que cometi mais um erro ao me envolver com você, sabendo que não poderia lhe retribuir, eu não poderia me casar com você. Eu não poderia construir uma f-família ao seu lado, enquanto minha f-filha estava longe dos meus braços, porque eu mesma a afastei. – as lágrimas desciam a face inchada pelo choro, os orbes perolados estavam avermelhados. – Me perdoe Naruto.

- Mas você se envolveu... – suspirou. Bem no fundo, o loiro chegava a se culpar com a possibilidade de ter aumentado ainda mais o sofrimento da morena.

- Eu te amei Naruto, eu não deveria, mas eu te amei... – confessou com toda a força que lhe restava.

- Mas isso não era suficiente para você.  – retrucou o loiro, amargo. Hinata se sentiu ainda mais triste. Ele perecia ter entendido tudo de forma errada, ou talvez não. Talvez ele estivesse certo em julgá-la, mas ela tinha certeza do sentimento que sentira pelo loiro.

Já Naruto não sabia o que estava acontecendo a ele. Hinata era vítima de toda aquela história, ela é que realmente havia sofrido com tudo aquilo.

- Desculpe- me, Hinata. Eu... Desculpe-me. – ele carinhosamente a apertou mais em seus braços. – Você não é um monstro. Você é a mulher mais encantadora que eu conheci em toda minha vida.  – pausou, sentindo os braços leves envolvê-lo também ao abraço.

- Naruto. – murmurou.

Eles continuaram abraçados por um longo tempo, do qual eles não tiveram ideia de quanto durara. Só se afastaram quando ouviram alguns passos se aproximarem. Hinata imaginou que fosse Yurika que pudesse ter acordado.

- Yurika! – levantou-se com o coração de Hinata pulsando rapidamente, mas acalmou-se ao ver que os passos vinham de Hanabi, que acabara de chegar.

- Hinata? Naruto? O que houve? Por que você está com os olhos tão inchados? – indagou já aflita.

- Calma, Hana. Hinata está bem. – Naruto se pôs ao lado de Hinata. - Ela só está cansada. – concluiu. A Hyuuga caçula fitou o Uzumaki ainda um pouco nervosa. Algo havia acontecido, ela tinha certeza. O estado abatido de Hinata era notório, e olhar abatido de Naruto também não negava. Mas preferiu não comentar nada, visto que Hinata já estava, provavelmente, mais calma.

- C- Certo.

- Bem, eu vou ir para o meu apartamento. – disse o loiro, que em seguida direcionou seu olhar a Hinata. – Err... Amanhã eu volto, combinei com Yurika que a levaria para passear.

- E-Está b... – a voz falhou ao sentir-se novamente envolvida pelos braços do loiro. Hanabi que via a cena, também se surpreendeu, mas se sentira feliz com o que estava vendo.

- Sempre ti amei, minha fada. – Hinata sentiu que não conseguiria respirar, e isto realmente acontecera por uns quatro segundos. Naruto... Ele realmente dissera que a amava, ou estava imaginando? Não. O arrepio que sentira, era realmente provocado pelo sussurro do Uzumaki.  Fada. Ele a chamara de fada. Assim como a chamava desde que a conhecera.  Quando Hinata despertara dos seus devaneios, Naruto já estava atravessando a porta indo para o apartamento ao lado.

 

...

 

Tum.

Tum.

Tum.

O único barulho que se ouvia era o som dos batimentos do coração, que guiavam o sangue pelo corpo. O mesmo corpo tenso que repousava no chão frio do terraço do edifício. O vento estava forte e agitado na madrugada, a temperatura caía a cada hora, anunciando uma possível chuva logo pela manhã. A pressão que sentia nas têmporas pouco incomodava, enquanto a mente era entorpecida de lembranças das últimas horas.

“- Tira esse peso de você. Dividi comigo. – pausou. - Me deixa fazer parte da sua vida. – pediu o loiro.”

Tum.

“-... Eu pedi para que ele parasse, mas ele era forte demais. Eu comecei a ficar assustada, Daiki nunca tinha agido de forma rude ou violenta comigo. Tonta e com medo, eu tentei resistir, me debatia e-entre as m-mãos dele.”

Tum.

“- Ela era uma menina perfeita e linda.”

Tum.

“- Eu te amei Naruto, eu não deveria, mas eu te amei... – confessou com toda a força que lhe restava.”

Tum.

O céu que antes exibia lindas estrelas brilhantes estava sendo revestido de nuvens  condensadas. A chuva se aproximava. Os olhos não tinham foco certo, as íris azuladas procuravam olhar detalhadamente dentro da própria mente confusa, observando antigas lembranças.

 

Flashback on:

  

Vários papéis estavam sobre a mesa. No extremo canto ao lado direito, uma pilha de papéis organizados entre tantas outros que estavam espalhados - esperando ser lidos – já haviam sido lidos e revisados, além de possuírem a assinatura do presidente do Escritório de Advocacia Uzumaki. O relógio pregado na parede atrás da cadeira presidencial indicava ao som de tic-tac que eram oito horas e dezessete minutos. Envolto a leitura dos documentos, o homem loiro pode ouvir passos adentrando sua sala.

- Pensei que não viesse mais. – disse o homem loiro, fitando quem acabara de chegar.

- Desculpe, estive ocupado. – disse o homem, pondo uma das mãos atrás da nuca enquanto sorria.

- Não se preocupe com isso, filho. – sorriu. – Mas me diga o que houve para que viesse até aqui, Naruto? – indagou.

- Pai. – suspirou, enquanto se sentava de frente à Minato. – Minha vida...

- Houve algo com Hinata? – o loiro mais velho logo interrompeu, e sorriu ao ver a careta de Naruto. – Sua vida se resume a ela, filho. – explicou.

- Sinceramente, eu não sei mais o que fazer. – confessou o jovem.

- Inúmeras vezes eu o aconselhei a aproveitar as chances de tê-la ao seu lado novamente. – relembrou Minato.

- Ela não confia em mim. – argumentou, o fato no fundo feria seu orgulho.

- Você confia nela? Ela sabe sobre tudo o que você faz? – questionou. As perguntas foram mais que diretas à Naruto, que se pôs a refletir.

Não era  nenhum poeta, mas sabia dizer que a morena mudara a sua vida, desde que a conhecera... Trouxera-lhe amadurecimento. Seu jeito meigo e firme. Seus orbes perolados, brilhantes, envolvidos numa sombra enigmática. Os doces lábios rosados, sempre foram um convite para a sua irracionalidade. Mas que uma beleza vistosa, Hinata possuía, e ainda mantinha um jeito delicadamente tímido e uma coragem e inteligência admiráveis. Lembrava-se que quando a conhecera simplesmente ficara fascinado pela morena de pele lívida e sedosa, e íris cinzentas. Em pouco tempo já se apaixonara pela fada doce. E prometeu que faria a Hyuuga a mulher mais feliz. Protegê-la-ia de todos que pudessem lhe causar mal. Sempre fora assim. Sempre tentou protegê-la, ao seu modo.

- Acredito que você já tenha encontrado respostas para as suas dúvidas. – disse Minato, analisando o filho, tirando-o de seus devaneios. Naruto sorriu, sim, ele havia encontrado o que estava oculto dentro de si próprio.

- Obrigada, pai.

- Fico feliz que eu ainda sirva para aconselhar silenciosamente o meu filho. – disse, em seguida riu junto com o loiro mais novo. Não importava a idade, o filho, fruto do imenso amor por Kushina, seria sempre o maior tesouro de Minato Uzumaki.

 

Flashback off.

  

As lembranças continuavam em tráfego sob sua mente, refletia tudo que fizera até o momento. A dor crua que Hinata lhe mostrara criou uma confusão em seus pensamentos. A verdade exposta entre palavras e banhada em grossas lágrimas, o feriram mais que qualquer outra palavra já ouvida. A dor de ver a mulher que prometera proteger e fazer feliz lhe fizeram sentir-se mais que impotente. Trouxeram-lhe culpa, e raiva. Mas a promessa ressurgira com mais vigor. Traria felicidade a Hinata. Devolvê-la-ia a confiança que ela depositara nele. Tudo ao seu tempo.



Notas finais do capítulo

Me digam o que acharam do capitulo, sim?
Todos que lerem, por favor, deixem reviews.. Isso é muito importante para mim..

Mais uma vez, agradecendo o Mr_Strife.. ^^
http://fanfiction.nyah.com.br/mr_strife
Leiam a FanFiction dele.. É perfeita, e muito bem escrita.. ^^
http://fanfiction.nyah.com.br/historia/80828/Reminiscencias

E sim, meus amores estamos nos últimos capitulos..
Acredito que chegaremos até o capitulo 17 ou 18, dependendo de como for a minha escrita nos próximos capitulos.. XD
Eu já estou quase chorando só de pensar em me despedir de vocês.. *olhos marejados*
Mas confesso que já tenho novos projetos em mente.. ^^
No meu perfil tem meu MSN, quem quiser pode me adicionar.. Amo conversar.. ^^