O Lado Bom De Ser Invisível escrita por Maga Clari


Capítulo 9
Capítulo 9 - Vamos fazer um acordo?




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9 de Outubro de 1991

Querido amigo,

Eu estou preocupada com o Charlie.

Enquanto eu estou cada vez melhor, ele está piorando; pelo menos eu acho. Estou com medo de ter auta antes que ele e eu perca mais um amigo, o que para mim é muita coisa. Se bem que eu cheguei antes, então é provável que eu saia antes, não é?

Eu não tenho certeza se os problemas na vida dele são tão piores assim que os meus, entende? Mas as crises dele estão mais frequentes e eu desconfio que ele está se drogando, mas prefiro deixar quieto. Se fosse o oposto, eu não gostaria que me dedurassem... Até porque os cigarros são escondidos também haha.

Mas eu continuo preocupada. Eu tenho tão poucas pessoas no mundo, que a perspectiva de perder alguém assim me deixa triste, sabe. E falando nisso, o Craig nunca mais atendeu meus telefonemas. Será que ele ainda está bravo por causa daquele dia? Mas eu não fiz nada demais, fiz? Será que ele está com ciúmes?

Eu estou pouco me lixando para o possível ciúmes do Craig, ele que vá lá com a Nia formar uma família feliz e nem me chamar para ser madrinha e... O que eu estou dizendo??? Enfim, eu não vou ficar me rebaixando assim, ele que me procure. Não quero voltar ao meu estágio anterior, estou gostando da minha melhora.

O que me lembra do concurso. Acredita que temos menos de um mês para estarmos lá? Patrick continua nos ajudando durante a tarde, depois da aula. Ele não deixa a Sam vir porque ele disse que ela ia estragar tudo, que ia roubar o brilho dele haha esse Patrick é uma figura!

"Mas cara, se a sua estrela não brilha, não apaga a dos outros, aff"

"De quem você está falando?", eu perguntei.

"Da Sam. ÓBVIO!"

Rimos muito. Ele estava só brincando, porque os dois são muito unidos e malucos. Ela provavelmente anda muito ocupada e não tem tempo para esse tipo de coisa, mas parece que o Charlie pediu para ela ir ver nosso ensaio de hoje. Vamos imaginar no que isso vai dar!

Com amor,

Noelle

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11 de Outubro de 1991

Querido amigo,

Meu pai me tirou à força daqui para me levar no jogo do meu irmão. Eu fiz um escândalo, dizendo que aquilo era um absurdo e que eu não queria ir contra meus princípios e que eu não dava a mínima para o placar daquele jogo idiota.

Cerca de cinco minutos depois, os médicos me doparam com qualquer coisa e eu só acordei quando já estava na arquibancada. Ótimo. Aposto que meu pai enrolou eles, dizendo que ia me levar para passear, ou sei lá. Só que quando eu descobri, já estava perto do final do jogo:

"Onde é que eu tô?" , perguntei, esfregando o cabelo.

"Calma, filhão", meu pai me deu uns tapinhas no ombro, "Já está terminando"

Eu passei os olhos ao meu redor e me dei conta de onde eu estava. Eu o encarei sem acreditar que ele realmente tinha feito aquilo; meu pai, justo o que eu achava mais centrado e normal. Eu me levantei e desci as arquibancadas, com raiva. Antes de chegar ao portão, no entanto, o time já gritava em vitória e colocava meu irmão - o artilheiro - nos ombros.

E adivinha a música que a bandinha estava cantando?! We can be herooooes, just for one day! Já deu para imaginar a merda que deu, né? Eu saí correndo, empurrando quem estivesse na minha frente e, sem querer, um dos músicos da bandinha caiu e derrubou o instrumento dele.

Me levaram para polícia.

Estou aqui esperando alguém vir me buscar. Espero que não seja o meu pai, não quero olhar na cara dele tão cedo, e com razão!

Ah, só para não dizer que não houve notícia boa, a Sam foi ao nosso último ensaio e ela adorou! Eu não sei exatamente o que ela sentiu, mas Sam estava sorrindo e no final dançamos juntos, só por diversão. Cara, eu queria muito poder gostar dela.

Ps: Tenho que ir logo, o único papel que me deram é tão pequeno que preciso apertar as letras para caberem aqui!

Com amor,

Charlie

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14 de Outubro de 1991

Querido amigo,

Me desculpa a demora em te escrever, mas eu ando muito ocupada ultimamente. Tenho mil trabalhos para entregar, alguns livros para ler na escola, além dos ensaios, claro. Dia 20 vai ser a apresentação, adoraria que você fosse, mesmo sabendo que você é fruto da minha imaginação. Mas é que somos amigos a tanto tempo que não me perdoaria se não escrevesse isso haha.

Lembra quando eu disse do estado do Charlie? Bom, ele realmente admitiu para mim o que ele usava e explicou todo o porquê, que eu nem vou entrar em detalhes já que somos amigos e não quero expor ele. Você entende, né? Eu não posso julgá-lo, porque eu não quero ser julgada também. Mas eu queria apenas ser uma boa amiga:

"Charlie, vamos fazer um acordo?"

"Diga"

"Você para de procurar o Bob e eu paro de me cortar"

"Mas você JÁ parou"

"Exatamente", eu sorri e acho que ele entendeu.

Uma vez, Craig fez esse mesmo acordo comigo e desde então eu nunca descumpri. Talvez seja uma forma de mantê-lo aqui, perto de mim. Embora ele não atenda o telefone!!! Bom, esses dias eu tive uma ideia, sabe. Eu pensei: já que tenho escrito tantas cartas para você, por que não escrever para ele também?

Ontem, eu enviei uma carta a ele e anexei um convite para a audição. Tomara que ele vá. Você acha que ele vai ao menos LER a minha carta? Eu ficaria extremamente magoada se ele não o fizesse, sabe. Apesar de tudo, ele ainda é meu amigo e sinto a falta dele.

Com amor,

Noelle

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15 de Outubro de 1991

Querido amigo,

Graças a todos os deuses ocidentais e orientas, a Merlin, Odin, a todo mundo, quem foi me buscar foi minha irmã, Candace. Ela que atendeu o telefone lá em casa. Candace, te amo!

Ela é a única pessoa no mundo que eu acho que me entende, sabe como eu funciono. Ela nunca me julga e, na maioria das vezes, fica do meu lado em qualquer situação. Eu expliquei a ela tudo que aconteceu, e então ela me deu um abraço bem forte e fomos embora. Candace me levou numa doceria para eu comer minha torta de brigadeiro favorita, ela é um amor, gente!

"Candy, posso te pedir uma coisa?"

"Qualquer coisa", ela sorriu enquanto dava uma garfada da torta dela.

"Não deixa o papai aparecer aqui de novo, por favor"

"Escuta, Charlie, eu posso tentar, mas eu não sou um G.P.S, entende? Como eu vou saber se ele disser que vai trabalhar e resolve passar aí depois?"

Ela tem razão. Eu vou desencanar com isso, mas não custa nada pedir esse favor para minha enfermeira, né?

Em todo o caso, esses foram os motivos da minha demora em te escrever, foi mal. Olha, eu prometi para Noe que pararia de procurar o Bob, então vou tentar fazer isso. Peguei um último estoque e falei que ele podia me bater se eu o procurasse de novo, sério! Ele deu risada e disse que éramos amigos e que faria isso sim.

Ah, antes que eu me esqueça de duas coisas: primeiro, dia 20 já é o dia da audição, falta pouco para eu começar a operação "Sam". Se você não fosse inventado, mandaria um convite, mas como você é...

Segundo: A Sam me disse que vai ter um outro baile de fim de ano em poucas semanas, mas é só para o terceiro ano. Por que eu não sou terceirão agora? Que saco! Eu não posso ir com ela, senão eu a chamava. Se bem que poder eu posso, mas ela não iria com um guri fracassado como eu.

Com amor,

Charlie

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