O Lado Bom De Ser Invisível escrita por Maga Clari


Capítulo 7
Capítulo 7 - Sambando na cara dos recalcados


Notas iniciais do capítulo

Engraçado, esse foi um dos capítulos que eu mais gostei de escrever, talvez por já estar chegando no meio da história. Espero que tenham gostado tanto quanto eu. Boa leitura :)



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25 de Setembro de 1991

Querido amigo,

Eu não sei dizer direito o que estou sentindo no momento. Aconteceu tanta coisa em tão pouco tempo que ainda estou meio confusa em relação a tudo isso. E a culpa é toda minha, eu que inventei esse negócio de voltar para a escola, me sinto uma idiota agora.

Liguei para os meus pais, pedindo para me matricularem de novo, e a minha mãe riu da minha cara. Ela disse que não acreditava mais em mim e que logo mais eu desistiria de estudar. Ótimo, mãe, deu tudo errado, feliz agora???

Eu mesma fui lá na coordenação com o Charlie e o diretor sorriu e ficou feliz com meu retorno. Ele disse que ia dar tudo certo e qualquer coisa eu poderia sempre ir conversar com ele. Até aí está tranquilo.

O problema começou durante o resto das aulas, intervalos e almoço. Todo mundo apontava para mim e dava risadinhas; eu realmente começei a ficar nervosa. Alguns garotos que estudaram comigo passavam por mim e mandavam beijo à distância, caindo na gargalhada.

A gota d'água foi no refeitório durante o almoço. Estávamos eu, Charlie, Sam e Patrick, conversando quando um dos "comparsas" do tããão desejado capitão de futebol veio falar comigo:

"Já decidiu com quem vai sair hoje?", ele riu e olhou para o resto da mesa, "Ah, já sei, o cara do momento deve ser o idiota do Charlie, huh? Patrick não deve ser, a não ser que esteja tão desesperada que começou a gostar até de bichonas"

Eu levantei e dei um soco naquela cara de porco dele. Eu não aguentava mais, entende? Só que aí ele revidou e os outros caras o ajudaram também. Ainda bem que meus amigos vieram se meter na briga, ou não sei o que teria sido de mim...

Só estranhei uma coisa: Brad (o tal capitão) só entrou na briga quando começaram a espancar Patrick, muito estranho... Depois vou procurar saber o que exatamente estava acontecendo antes de eu voltar para escola. Mas em todo caso, fomos à direção, explicamos tudo, e voltamos mais cedo para casa.

Cheguei no hospital sem querer conversa com ninguém; fiquei no meu quarto o resto do dia e só levantei por agora. Me deixaram faltar hoje para me recuperar dos traumas físicos e psicológicos. Graças a Deus.

Com amor,

Noelle

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26 de Setembro de 1991

Querido amigo,

Eu odeio a minha escola.

Mas eu amo meus amigos.

Eu sei, como que alguém pode nutrir esses dois sentimentos ao mesmo tempo tão intensamente, né? Mas eu sou o Charlie, o cara das estranhisses, tudo comigo acontece diferente, é a vida.

A volta às aulas não foi lá essas coisas. Tudo bem, eu estou sendo gentil demais, não foi nada bem. Já tivemos uma briga no dia que chegamos e já ganhei uma mão e um olho roxo. Legal.

Tem uns caras implicando com a Noelle, parece que eles já faziam isso antes, quando ela estudava lá. E a coincidência é que são os mesmos que implicam comigo, principalmente por causa do Patrick. E agora que tudo ferrou.

"Mas por que tanta implicância com ele?", Noe me perguntou ontem.

"Longa história"

"A gente tem tempo"

Então eu expliquei a ela o que aconteceu. Brad e Patrick foram namorados. Um dia, o pai de Brad pegou eles juntos e espancou ele. Depois disso, Brad parou de olhar na cara do ex e voltou ao namoro de fachada com a loira líder de torcida. Resumindo, foi isso.

E para deixar o dia ainda pior, vi a Sam e o Craig juntos na saída da escola. Eu sei que preciso parar de pensar nela daquele jeito, mas é algo que sai do meu controle, sabe. Mas eu prometi pra ela, eu tenho que tentar.

Lembra quando eu disse que o pessoal estava de mal comigo? Parece que a Sam ficou preocupada com meu sumiço e resolveu me desculpar. Mas os únicos que almoçaram com a gente foram ela e Patrick, só.

Ah, antes que eu me esqueça: ontem Noe me pediu para ser o parceiro dela no teste da Brodway, mas eu disse que não queria. Tenho tanta coisa pra pensar e fazer, mais um compromisso só ia piorar as coisas. Ela disse que tudo bem, mas eu vi a tristeza no olhar dela e me sinto muito mal agora. Você acha que eu devo pedir desculpas? E mudar de ideia?

Com amor,

Charlie

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29 de Setembro de 1991

Querido amigo,

Desculpa a demora em te escrever mas é que eu estou muito ocupada ENSAIANDO PRO MEU TESTE NA BRODWAAAAAAAAAY!

Isso mesmo, consegui fazer o Charlie ser meu parceiro. Tivemos uma conversa séria sobre isso, incluindo o porquê de eu não ter chamado Craig. Ele veio me dizer que ele era sempre a segunda opção e que achava aquilo tudo um abuso da boa vontade dele e etc.

Eu disse para ele que Craig não era mais o mesmo, que ele estava um chato e que sentia falta do meu antigo amigo. Charlie me acusou de tê-lo usado como um substituto mas eu afirmei que era mentira. Sendo mentira ou não, não foi de propósito e é isso que importa, não acha?

"Quer mais um motivo para você me ajudar? Ah, olha só quem tem o endereço do namorado da Sam?"

"VOCÊ O QUÊ?!"

"Ahaaam. Você me ajuda, eu te ajudo. No fim, eu ganho o concurso, você ganha a Sam. Fechado?"

Haha eu passei tanto tempo com garotos que já conheço as manhas. Ele caiu rapidinho nessa. Agora preciso terminar logo de escrever, ele já chegou aqui na quadra onde vamos ensaiar. Te contei que o Charlie já fez sapateado? Haha esse garoto me surpreende cada vez mais!

Com amor,

Noelle

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30 de Setembro de 1991

Querido amigo,

Estou tendo a experiência mais estranha e divertida em toda a minha vida! E olhe que para eu dizer isso é porque a coisa é esquisita mesmo haha.

Acabei me convencendo a ajudar Noelle, afinal de contas, ela tem me ajudado tanto desde que a conheci... Esse é o mínimo que eu devo fazer. Claro que chegamos a discutir no meio de toda essa decisão, mas eu estava com a razão, entende? Afinal, quem ela pensa que é para me usar daquela forma?? Tudo bem que às vezes eu posso ter mania de perseguição, mas ela andou me procurando mais depois que se afastou do amiguinho dela.

Mas por outro lado, ela é tão doente quanto eu, então eu deveria ser mais paciente com ela, não é? Assim como ela também é comigo. Por incrível que pareça, Noe também consegue ser tão atenciosa quanto a Sam. Então estamos quites. Os dois estamos usando um ao outro.

Mas enfim, voltando ao que eu estava falando, estamos ensaiando todos os dias, e isso é bem legal até. Eu sou um desastre dançando, mas ela também não é lá essas coisas. Estamos aprimorando os passos juntos. Noe numa espécie de Jazz, e eu resolvi por meu cérebro para funcionar e me lembrar das aulas de sapateado que minha mãe me obrigou a fazer.

Eu tinha apenas onze anos, não pude nem reclamar.

Contei para os meus amigos o que estamos fazendo, e todo mundo nos apoiou, disseram até que querem nos assistir, imagina só! Haha. Não sei de onde vou ter que arrancar tanta coragem, eu sou muito tímido. Pelo menos, vou tentar seguir o conselho do Patrick e "sambar na cara dos recalcados que implicam com a gente". No sentido literal da palavra.

E por falar neles, começamos a almoçar nos fundos da escola, onde a gente costumava parar para fumar. Ninguém nos aborrece ali, ainda bem. O pessoal aceitou bem a Noe no grupo e estamos tentando ignorar os Bullies.

Parece que Sam e Noe tem coisas em comum, como o fato das duas terem o passado de "pegadoras da escola". Para mim não faz diferença alguma, elas são pessoas tão legais que isso não interfere em nada.

PS: Te contei que arrumei o endereço do Craig?

Com amor,

Charlie

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Notas finais do capítulo

Quem tiver ideias e sugestões pra confusões e conflitos dessa fic, favor responder nos comentários, valeu? bye bye :]



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