Broken Flower escrita por Fleur dHiver


Capítulo 5
Verdades Amargas.


Notas iniciais do capítulo

Olá, tem gente querendo me matar? ;x
Espero realmente que não. Porque eu apareci, quase dois meses depois, mas apareci.
Sorry pela demora por aqui, mas para compensar esse mês estaremos repleto de postagens de BF, quase 4 se não me engano, e a próxima é daqui a alguns dias então vamos aguentar. E me perdoar, além do que eu fiz uma capinha decente que o lindo site diminui horrores, vou ver se ajeito isso. Mas o que acharam?
Enfim esse caps vamos ver a história começar a se desenhar. Até a fatídica decisão de Sakura de ir embora. Todo mundo ta esperando para que chegue logo nessa parte, né? SHAUSHAUS
Enfim, um beijo aos meus novos leitores, a quem acompanha, favorita e comenta a fic.
Uma boa a leitura a todos vocês. ;*



Respirou fundo não precisava levantar a cabeça para saber que todos os olhares estavam sobre si, ansiosos, a espera de uma resposta que ela, definitivamente, não queria dar. Tomou um pequeno gole do chá a sua frente, colocando a pequena peça de porcelana sobre a mesa e fitou suas quatro amigas, que possuíam emoções distintas em seus semblantes.

– Bem... – Soltou um suspiro e voltou a abrir a boca para continuar a falar quando foi interrompida bruscamente por Ino.

– Ah. Pelo amor de Deus! Pare de enrolar e fale logo! – Esbravejou a loira tentando conter o seu tom. Estavam reunidas em uma cafeteria, a loira não queria fazer escândalos, mas com Sakura fazendo todo aquele drama a paciência ia para os ares. – Conte logo todos os malditos detalhes da sua noite de núpcias.

– Sim, sim. Como foi? – Nem Hinata conseguia se conter e a pele tão clara da morena, ruborizava todas as vezes que ela acabava demonstrando sua ansiedade com o assunto. – Sasuke foi carinhoso e amável? – A única que não perguntou foi Tenten, mas a curiosidade da morena estava implícita em seu olhar ou no sorriso que surgiu em seus lábios com a inocente pergunta de Hinata.

Sakura abriu a boca algumas vezes, levou as mãos a borda da saia apertando o pano enquanto fitava o olhar de cada uma das suas amigas, tão cheia de expectativas e desejos. Como ela, na noite retrasada. O que dizer? O que fazer? Deveria existir um tipo de manual para esse tipo de situação, mas não havia. Então a mais nova Senhora Uchiha fez o melhor que podia, abaixou o olhar e sorriu.

– Foi incrível. – Sua voz saiu baixa, uma pressão irregular em seu peito. – Foi com o Sasuke e ele não é romântico, ou amável. – Fitou Hinata. – Mas... Eu posso dizer que ele foi carinhoso e com toda certeza aquela é uma noite que eu nunca vou poder esquecer. – E de fato, nisso ela não estava mentindo. Nunca esqueceria sua noite de núpcias. Voltou a beber o chá buscando desviar daquele assunto.

– Ah. Não! – Esbravejou Ino, batendo o punho sobre a mesa. – Eu quero detalhes quentes e picantes. – E os olhos de Ino brilharam, enquanto Tenten revirava os dela. – Carinhoso como? Ele disse que a amava? Ele murmurou coisas fofas em seu ouvido? Ele te carregou até a cama? Quero muito mais do que você acabou de falar. – Sakura deu uma pequena tossida e suspirou.

– Quando nós ficamos a sós ele me levou até o quarto e com toda a calma do mundo retirou todo o meu vestido. – As palavras simplesmente saíram sem ela nem ao menos dar conta. – Murmurou algumas vezes que eu estava linda e... – Mas com o tempo parecia que ela ia ficando rouca que a voz ia sumindo, que um bolo se formava sobre sua garganta impossibilitando-a de falar normalmente. – Não disse que me amava, porque ele precisa de tempo, mas demonstrou... Muita coisa. – Não fitava nenhum delas, não seria capaz, estava mentindo para suas melhores amigas. Tomou outro gole de seu chá, mas ele parecia subitamente amargo. – E só, não falarei mais nada.

Aquele relato tinha uma contestação inegável. Tudo o que disse era o que ela realmente queria que tivesse acontecido. Mas essa não era a questão, não era o problema. O problema era que ela tinha notado que até em seus sonhos ele não dizia, as palavras não saiam de sua boca. Até mesmo em seus pensamentos, Sasuke não a dizia que a amava. Sempre foi assim? Tentou forçar sua mente a lembrar das ideias anteriores. Antes do casamento, durante os meses de preparação, de ‘namoro’. Foi assim que ela pensou o tempo inteiro? Não conseguia lembrar.

– Ele foi carinhoso mesmo. – Quem disse foi Tenten e quando a Uchiha ergueu a cabeça, as três garotas possuíam sorrisos doces em seus restos, ia sorrir de volta, mas algo atrás de Hinata chamou sua atenção. Uma cabeleira ruiva que ela conhecia tão bem. Karin.

A ruiva se levantou e precipitou-se até a porta não sem antes virar e olhar para Sakura com um sorriso presunçoso, movendo ligeiramente uma das sobrancelhas antes de fechar a porta. A Uchiha endureceu sobre o assento, ela tinha escutado tudo, e aquela pequena zombaria a porta do café só deixava obvio que a ruiva se divertia com a situação.

A presença de Karin, o jeito de Karin tudo fazia com que a rosada sentisse como se ambas dividissem um segredo, o que, de fato, ocorria. Karin sabia que não teve núpcias que a noite em questão ele tinha passado ao lado dela indo para um fim de mundo qualquer, ou quem sabe fazendo outras coisas, bem distante de sua esposa e seus devaneios sobre o casamento. Sakura sentiu seu peito comprimir.

– Eu... Eu... Bem, depois ele saiu em missão. – Disse em um sopro de voz, apressando-se em levantar. – E passou a noite toda fora e voltou para que nós ficássemos juntos mais um pouco. – Não fitava nenhuma delas, apertou a bolsa com força para que não vissem seus dedos nervosos e sua mão tremula. – Por isso não apareci ontem. – As meninas fitavam a rosada sem compreender a estranha mudança de comportamento. – Agora preciso ir. – Sem nem mais uma palavra, e sem deixar que as meninas falassem alguma coisa, atravessou a soleira da porta. Deu alguns passos para longe do café levando uma das mãos ao peito tentando se acalmar.

Caminhou pelas ruas abarrotadas de sua vila, pensando no que Karin poderiam aprontar. Não tinha duvidas quanto a ela ter ouvido tudo que disse. Como não tinha notado ela chegando? Era só nisso que Sakura conseguia pensar, tinha sido idiota não notando a presença dela. Agora poderia virar a piada interna do grupo Hebi, ou pior conseguia imaginar a Uzumaki contando o que tinha escutado a Sasuke, de maneira bem intima. Balançou a cabeça. Não poderia ficar pensando nisso, não era real. Não existia.

Não gostava de Karin, não gostava mesmo. E o pior, na frente de Sasuke, a errada era sempre ela, enquanto à vadia ruiva bancava a santa sempre, fazendo a parecer uma completa surtada. Provocando-a pelas costas, mas a frente do moreno agia com educação e cordialidade, que ela não possuía.

Então Sasuke sempre a fitava com olhos inquisitivos e às vezes decepcionados, como se a vilã da história fosse ela, o que era um absurdo. Karin era falsa, ele sabia disso tinha certeza, mas para Sasuke isso não importava enquanto ela tivesse utilidade em sua equipe, ou algo mais – essa ideia pesava, essa ideia doía –, ele não abriria mão e a manteria por perto não importa o quanto isso a incomode ou o quão repugnante àquela garota conseguia ser.

Sakura passava por um canto mais calmo, rumo ao clã Uchiha, aonde as ruas comerciais iam sendo deixadas para trás e um caminho mais nobre se estendia, os apartamentos mais bonitos, casas enormes e majestosas ficavam para aquele lado, incluindo o conceituado clã Hyuuga. Mas antes que chegasse perto de sua nova casa um corpo se chocou com o dela. Sakura ia se desculpar, mas ao ouvir a voz, todo o seu corpo gelou.

– Opa! Desculpe-me Sakura-chan. – Disse a garota sorrindo zombeira, e Sakura se virou apenas para ver o mesmo sorriso presunçoso nos lábios de Karin.

– Tudo bem. Não tem problema. – Voltou a olhar para frente, pensando em ignora-la e continuar a caminhar, mas a ruiva se pôs a sua frente.

– Sabe, eu achei tão, tão... Fofa... – Sorriu cheia de más intenções enquanto seu tom se tornava mais agudo. – Sua historinha na cafeteria. Suas amigas idiotas devem achar que foi bem assim que aconteceu. – Aproximou-se da rosada parando a sua frente, enquanto Sakura trincava os dentes tentando se controlar para não matar aquela maldita ali mesmo. – Mas nós duas sabemos que não foi bem assim que as coisas aconteceram. Ele passou a lua de mel de vocês... – Fez se silencio enquanto Karin se deliciava com o efeito de suas palavras. – Comigo...

– Não foi assim que as coisas aconteceram também. – Esbravejou a Uchiha, deixando que sua raiva falasse mais alto. – Foi uma missão!

– As núpcias dele em uma missão. – Karin maneou a cabeça como se pensasse na situação, ou imaginasse ela claramente. Levou um dos dedos finos e ossudos aos lábios. – Isso é esquisito, não? – E voltou a sorrir presunçosa, inclinando o corpo para frente. – Você já deveria saber. Isso era só um pretexto para ficar perto de mim na grande noite.

– Eu duvido muito. – No entanto sua voz fraquejou, já tinha pensado algo semelhante, mas essa ideia era tão absurda que preferia ignorar. Inconcebível. – Não a nada que ele queira com você.

– Você não sentiu o meu perfume na roupa dele? – Karin viu algo relampejar pelos olhos verdes de Sakura. – Aceite, é em mim que ele pensa.

– Então por que ele não casou com você? – Esbravejou, não deixaria Karin tira-la do sério. – Porque nada o impedia você se jogaria aos pés dele, como ainda se joga. Mas ele não pediu, pediu a mim. Preferiu a mim! – E Karin riu alto, dando alguns passos para trás.

– Como é boba. Ainda fala disso com tanto orgulho. – Bateu palmas, rindo de toda aquela situação. – O que? Você acha que foi a primeira opção dele? – E Sakura ficou sem palavras perante o tom maldoso da ruiva. – Você realmente achava? Que fofa! Mas não. Fui eu. – E um sorriso superior surgiu nos lábios de Karin, ao ver o choque estampado no rosto de Sakura.

– Foi a mim que ele pediu em casamento antes de falar com você, mas eu recusei. Porque eu sabia o que ele queria. – Um silêncio se fez presente enquanto Sakura esforçava-se para absorver aquelas palavras. – Uma coisinha bonitinha, bem comportada e sem vontade própria para carregar seus bebes, reconstruir seu clã e ser completamente submissa as suas vontades, ou melhor, ele se tornar o dono da pessoa. – Sorriu maneando a cabeça.

– E sabe o que eu respondi? – Sakura não a fitava, olhava para o chão e para a aliança sobre a sua mão esquerda. – Eu disse que preferia o papel da outra... – Se aproximou novamente, a rosada entorpecida demais pelas palavras da outra não fez nada para repeli-la, manteve seus lábios próximos ao ouvido de Sakura antes de recomeçar a falar. – E que era bom ele arranjar uma mulherzinha rápido. Para ninguém achar que nós formávamos um casal e ele perder as pretendentes. E foi o que ele fez, te pedindo em casamento, tão depressa. – Sakura não suportava mais ouvir nada, empertigou-se e empurrou Karin para o lado, passando direto por ela, rumo ao Distrito Uchiha.

– Cuidado, querida. – Disse a ruiva assim que Sakura passou ao seu lado. – Não deixe o Sasuke-kun te ver assim. Ele odeia mulheres chorando e fazendo escândalos. – A rosada não parou um minuto se quer para ouvi-la, mas Karin aumentou seu tom queria ser ouvida. No final estava praticamente gritando enquanto Sakura sumia de sua vista, sorria vitoriosa.

Sakura entrou como um tufão em sua casa fechou a porta e se escorou sobre a madeira deixando seu corpo deslizar até o chão, não chorava mais, mas seu rosto ainda tava molhado, levou as mãos a cabeça, pressionando o corou cabeludo.

Então era isso, ela era apenas a segunda opção. Ela foi a que aceitou. A burra. A idiota. A maldita apaixonada.

Escorou a testa no joelho, fungando baixinho. A relutância de Sasuke em se afastar de Karin, a forma como ele sempre a defendia independente do que Sakura dissesse. Tudo isso estava ali, na cara dela o tempo todo. Mas durante esses meses sempre achou que era apenas bobeira, porque tinha sido ela a escolhida, era dela que ele gostava, nem que fosse minimamente. Vã ilusão.

Sakura ouviu um farfalhar distante, mas não levantou a cabeça, manteve-se na mesma posição até ouvir Sasuke chamar o seu nome, passou a mão pelo rosto secando os resquícios de lagrimas, antes de levantar o rosto poucos centímetros e vê a silhueta do moreno parando alguns passos a sua frente.

– Onde esteve a tarde toda? – A sobrancelha dele estava erguida demonstrando o obvio espanto pela pose e até mesmo estado da rosada. – O que está fazendo sentada no chão?

– Eu... Eu... – Segurou a lateral das pernas, fitando o chão. – Eu saí com as meninas, fui tomar um chá. – Ergueu-se devagar, sem fita-lo, mantinha os olhos cravados no chão, como se buscasse algo sobre o assoalho de madeira. – Eu... Não sei o que faço no chão... Só... – E o fitou, levando as mãos aos bolsos traseiros até lembrar que usava uma saia e ela não tinha bolsos, cruzou-as em frente ao corpo depois de passa-las pelos cabelos. – Sentei. No chão. – Maneou a cabeça fitando em volta antes de se agitar. – Bem, eu vou preparar algo para nós comermos.

Forçou um sorriso passando pelo moreno, em direção à cozinha, mas assim que seu ombro roçou o dele, seu braço foi segurado e Sasuke a virou para si. Sakura, o observou, um pouco espantada e assustada pela reação inesperada do rapaz. Quanto a Sasuke manteve os olhos negros e inabaláveis sobre os dela, por um tempo. No fundo Sakura sentia que ele queria falar algo e se empertigou.

– Sasuke... Você quer que eu faça algo especial para você no jantar? – Não era isso que desejava perguntar, mas se forçou a isso. A ansiedade crescendo febril dentro dela, mas então ele desviou o olhar e o aperto no braço dela foi se desfazendo.

– Não. Não é nada. Juugo e Suigetsu estão nos fundos, e só. – A mão dele deslizou pelo braço fino dela até seus dedos roçarem minimamente e Sakura quase o segurou, quase, mas Sasuke já tinha virado, não a fitava mais, tomando seu caminho rumo ao quarto deles.

Ainda o fitou, vendo suas costas sumir sobre a escada antes de continuar seu caminho até a cozinha. Sentia-se vazia, essa era a pior sensação do mundo, muito diferente da sensação de quando ele foi embora. É um vazio diferente, naquela época a esperança reinava as palavras dele confortaram-na durante muito tempo. Mas agora não há mais nada disso, não há mais conforto, carinho, afeto, ousava ela pensar que nem mesmo Sasuke havia. Era duro enxergar que não era seu primeiro amor que dividia a vida com ela, sim um completo estranho que nada sentia, ou poderia sentir, mas não por ela.

Enquanto ela amou por tempo demais um estranho que amava outra, isso era frio, doloroso, cruel.



Notas finais do capítulo

OPA! A Karin é uma vak, mas quem acha que ela ta falando sério? Quem acha que é só intriga da oposição? Quem ta curtindo? Quem ta odiando? O que acharam da capa? Vamos, vamos falar!
Beijos pessoal, até daqui há alguns dias, e é sério, o cap já ta pronto.
Espero que tenham gostado, espero que comentem.
Beijos e até a próxima.