Broken Flower escrita por Fleur dHiver


Capítulo 4
E aos Poucos Ela Trincou


Notas iniciais do capítulo

Olá, pessoinhas, bom dia! Como estão?
Espero que todos bem, cá estou com mais um capitulo fresquinho para vocês e curtindo a louca esse agendamento, ficaria mais feliz se pudesse agendar para o mesmo dia, mas do jeito que ta já ta bom. Não vou reclamar ;D
Agradeço imensamente aos comentários do ultimo capitulo e aos nossos novos companheiros de leitura. Beijinhos a vocês.
Agora vamos a nossa dose mensal de drama mexicano.
Eu acho esse capitulo bem triste, mas ele é bem pessoal, só tem a Sakura basicamente, espero que não fique massante. Mas ele é bem necessário.
Tive até que aumentar a classificação da história por causa dele. ;x
Boa leitura a todos.;*



Um. Dois. Três. Os botões de cima do vestido foram desabotoados. Tinha escolhido uma peça fina e delicada, para combinar com o clima primaveril e o local do casamento, mas agora aquele vestido lhe pesava uma tonelada.

“Você não pode fazer isso comigo.”

 

Quatro. Cinco. Seis, o laço sobre a cintura foi desfeito, enquanto grossas lagrimas escolhiam-lhe pelo rosto, mas não conseguiu continuar desabotoar a roupa, caiu sobre o chão, apoiou as mãos ao assoalho de madeira enquanto seu corpo inclinava-se para frente, mais e mais lagrimas eram derramadas por seus olhos.

“Os convidados, o bolo, temos toda uma cerimônia para terminar, você não pode ir assim...”.

 

“Eu não me importo.”

 

Levantou o rosto só para observar todo o trabalho que suas amigas haviam tido ao arrumar o quarto para as núpcias, pétalas vermelhas preenchiam o chão e cama de casal sobre uma mesinha que tinha ali, uma garrafa de champanhe repousava dentro de um balde de gelo com duas taças, morangos e uvas postos em uma cestinha com chocolates logo ao lado, a cama perfeitamente arrumada, a camisola comprada especialmente para ocasião escondida no baú em frente a cama. Seu coração se apertou no peito e com repulsa arrancou o vestido do corpo, erguendo-se de imediato, o frio lhe assolou, mas esse não era o pior, mesmo seminua, em seu corpo apenas a lingerie que vestia, ainda podia sentir o peso opressor sobre si, que esmagava seus ombros, e pulmões dificultando-a de respirar. No final não era mesmo culpa do vestido.

 

“Você sabia como eu era antes de aceitar esse casamento, eu deixei você fazer do jeito como queira, mas o teatro todo acaba aqui. Eu tenho uma missão para ir. E eu vou, não a nada que me impeça. Nada que me segure.”

 

“Nada que me segure...”.

 

“Nada.”

Retirou os sapatos enquanto pegava a garrafa de champanhe. Não se importou em pegar uma das taças, tomou o primeiro gole na boca mesmo, caminhou para ao banheiro da suíte, abriu a torneira da banheira que estava rodeada de sais aromáticos e uma cesta de pétalas de rosas. Não derramou nenhum dos sais, apenas se jogou nela com apenas água morna. Tomou um pouco mais da bebida enquanto todo o seu corpo parecia doer, não só o seu coração. Alguém deveria informar que um coração partido dilacera tudo no caminho, parecia que ela tinha levado uma surra.

Cenas daquela tarde voltavam lhe a cabeça, o sorriso das suas amigas, achando que ela estava apressando as núpcias, a cara de desagrado de Kakashi e Tsunade. Eles sabiam, ela teve certeza ao vê-los. Estava tão aturdida que nem ao menos viu Naruto ir embora.

Mas a viu, viu Karin pela segunda vez aquele dia, parada a porta da sua casa, dessa vez com trajes mais apropriados a uma missão, mas o sorriso presunçoso ainda continuava em seu rosto e um nó se fez presente na garganta de Sakura, a vontade que queria era de quebrar a cara dos dois, mas não o fez. No final do dia a única quebrada foi ela.

Deu a ultima golada na garrafa antes de larga-la, vazia, sobre o piso do banheiro, continuou um tempo na banheira, observando a torneira gotejar, enquanto suas lagrimas caiam, suas amigas achavam que ela estava realizando um sonho, que agora estava nos braços de Sasuke, não teve nem coragem de contar a verdade a elas. Era tão patética.

Depois eu vou querer saber todos os detalhes, sua testuda.

Afundou a cabeça na água quente, mergulhar podia lhe fazer bem, quem sabe aliviaria toda a dor que sentia e faria com que aqueles malditos pensamentos sumissem.

Nós preparamos a suíte para vocês, não esqueça onde está a camisola especial.

 

Tudo tem que ser perfeito, Sakura-chan. Vocês vão ser felizes.

 

...Felizes...

 

Emergiu quando não conseguia mais prender a respiração, não conseguiu afastar nenhum de seus fantasmas, apoiou uma das mãos a beirada de mármore erguendo o tronco de uma vez, parou ao sentir uma pequena zonzeira e tudo a sua volta girar por uns instantes, talvez tenha bebido o champanhe rápido demais, levou uma das mãos a cabeça enquanto levantava de vagar, saiu do banheiro escorando-se nas paredes.

Jogou-se na cama sem se importa de está nua e molhando os lençóis. Fechou os olhos para ver se ao menos dormindo conseguira fazer passar todas essas incomodas sensações e sentimentos.

x

 

— Você não acha esquisito isso? – Perguntou coçando a cabeça.

Sakura o ignorou por um instante pegando mais uma das rosas, cheirando a bela tulipa lilás sobre suas mãos, todas as flores eram tão lindas e perfeitas que era até difícil escolher.

— Por que eu deveria achar?

— Sei lá, você e o teme nem ao menos namoraram. Ou namoraram escondido? – Questionou o loiro analisando sua melhor amiga.

Sakura sorriu, maneando a cabeça e abraçando seu melhor amigo. Era tão fofo ver Naruto se preocupando com o seu bem está.

— Você sabe como o Sasuke é, como as coisas funcionam para ele. Ele é diferente. Para ele não tem porque esperar, já está decidido mesmo, vamos casar e temos até a data marcada para... Namorar. –O sorriso em seus lábios aumentou, sem conseguir se conter de tanta euforia.

— Você está mesmo feliz? Quer dizer ele está te fazendo feliz? – Sakura sentiu suas bochechas corarem.

— Não é como se ele fosse me levar para passear no parque e se declarar publicamente, mas ele passa na minha casa todos os dias e nós até conversamos algumas coisas. Eu estou feliz, mais que feliz. – Naruto abaixou a cabeça um pouco amuado.

— Eu estou vendo, mas o meu medo é você está tão feliz com a festa e tudo mais que nem ao menos consegue ver o que tudo isso implica e enxergando as razões do próprio teme. – Sakura olhou para ele um pouco aturdida.

— Não estou entendendo aonde quer chegar com isso. – Naruto encarou os belos olhos claros de sua amiga e suspirou, abanando as mãos.

— Nada. Nada. Escolha logo as flores, se não Hinata me mata se passar aqui e me ver fazendo isso com você. Já que eu fugi no dia da escolha das flores para o nosso casamento. – E a Haruno só pode rir um pouco mais de seu amigo atrapalhado.

 

x

 

 

Abriu os olhos um pouco grogue, a claridade incomodando seus olhos, levantou uma das mãos tapando-os, virou-se sobre a cama, observou em volta e demorou um pouco para reconhecer o quarto. Sentou-se sobre o colchão, sua cabeça reclamando, seu corpo também, mas não tardou a lembrar do que tinha acontecido no dia anterior e o lugar vazio ao seu lado só servia como um alerta de que suas lembranças não eram falsas, nem um pesadelo. Tinha passado sua núpcia sozinha. Para melhorar tinha tido aquela maldita lembrança, não queria pensar muito em nada disso.

Levantou da cama e pegou o robe de seda que fazia par com sua camisola, o vestiu saindo do quarto. Desceu alguns lances de escada, passou pela sala e ao chegar a cozinha viu algumas caixas sobre o balcão, as abriu e descobriu que dentro de uma delas estava garrafas de champanhe e sobre o balcão um bilhete do Buffet que dizia que aquilo era o que tinha sobrado da festa por terem terminado mais cedo do que o previsto. Largou o papel, pegando duas garrafas de dentro da caixa, sem se importar da bebida está quente, estourou a primeira e começou a beber novamente, voltando para o quarto.

Na noite passada a garrafa que tinha tomado deixara tão zonza que os pensamentos e a dor se esvaíram por um misero instante, então tomaria mais um pouco para voltar a ter a mesma sensação de entorpecimento, para suportar ter que passar um dia inteiro dentro daquele mausoléu.

Foi com certa ironia que gargalhou ao lembrar que antes se sentia em casa andando por aqueles corredores vazios e agora cada pedaço daquela casa lhe fazia lembrar-se do que tinha ocorrido, sussurravam que ela não pertencia aquele lugar, que ela não era desejada, que ela não faria falta.

Voltou a tomar mais um gole, largou uma garrafa sobre a cama, sentando-se ao seu lado, segurando a outra, dobrou os joelhos, apoiando as costas no encosto da cama. Apoiou a garrafa em seu abdômen, escorando-a em suas pernas, virando seu rosto para a janela entreaberta que deixava alguns raios de sol invadir o quarto.

Chegou a pensar em sair e ver algumas coisas, terminar de trazer outras, mas sair significava ver pessoas, que fariam perguntas e ela poderia mentir, é claro, mas quem acreditaria que na noite seguinte de suas núpcias ela estaria andando pela vila em busca de caixas e não em casa curtindo seu marido. Era melhor ficar, sozinha, do que ter que contar a todos que foi abandonada, não precisava da piedade de ninguém, nem das reprimendas.

Quando as lagrimas teimaram em querer sair por seus olhos novamente virou a garrafa de champanhe, sem parar de beber até, perder o fôlego, parou e sentiu a cabeça já latejando, tomou mais um pouco e deitou-se, a sonolência voltou fazendo com que pegasse no sono, derrubando a garrafa em suas mãos no chão.

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Chegou exaurido, a missão não tinha sido tão difícil, era bem imbecil, mas o desgaste físico e mental tinha sido bem grande, a semidiscussão com Naruto, Kakashi, Sakura, o caminho com Suigetsu e Karin, além do que ele se esforçou ao máximo para terminar aquilo logo e voltar para casa, sua equipe era complicada demais para ele querer passar muito tempo com eles, principalmente Karin, principalmente depois de um casamento que lhe tirara do sério.

Não dormira nada e agora a única coisa que desejava era uma boa cama. Chegou à vila com sua habitual mascara ANBU entregou o relatório da missão e foi para casa, mas não sem antes avistar Naruto, que o reconheceu, tinha certeza. Naruto conhecia sua mascara perfeitamente, mas antes que o loiro armasse um escândalo, pegou um atalho e rumou para casa, torcendo que Sakura estivesse dormindo, ou que nem estivesse lá, talvez o que ocorreu ontem a tenha feito ir para outro lugar, seria melhor assim, essa noite precisava de paz.

O silêncio total tomava sua casa, assim que entrou o Uchiha caminhou até a cozinha vendo as caixas espalhadas pelo balcão, mas nem se preocupou em tentar descobrir o que era, rumou para o seu quarto, deparando-se com o corpo inerte de sua esposa.

O quarto todo decorado para o que deveria ser a núpcia deles, viu a garrafa de champanhe no chão, e o braço estirado de Sakura em direção a ela, enrugou o nariz em desaprovação, caminhou pelo aposento retirando sua mascara e colete, pegou um morango sobre a mesinha, as frutas ainda estavam boas, parando em frente a cama, pode notar como realmente sua esposa estava, com apenas um fino robe em volta de seu corpo, nua por baixo, talvez pela posição, ou pelo fato dela já ter si mexido, parte da vestimenta tinha cedido um pouco deixando a barriga lisa dela a mostra e um dos seios, perfeito como um botão.

Terminou de retirar sua roupa, ficando apenas com a cueca box  por baixo, subiu a cama, como um gato à espreita, afastando alguns objetos do seu caminho, e jogando a outra garrafa de champanhe sobre o chão, sem se importa se quebraria ou não. Com os dedos calejados tocou a lateral do rosto dela, descendo até o início do colo e voltando a subir. O toque a fez se remexer na cama, despertando-a aos poucos. Abriu os olhos apenas para se deparar com os olhos negros a encarando intensamente. Não havia um pedido de desculpas silencioso, nem culpa, nem nada. Até o desejo não era claro naquele olhar. Os lábios de Sasuke desceram sobre os dela, correspondeu com ânsia, quase desespero. Desamarrou o robe, expondo ainda mais a pele sedosa de Sakura, deixou sua mão escorregar pela lateral do corpo dela, empurrou de leve uma das pernas dela, pondo-se entre elas, um braço sobre a cintura fina o outro sobre a cama, enquanto afundava seu corpo sobre o dela, descendo sua trilha de beijos, ouvindo os suspiros baixos ecoarem pelo quarto.

            Sasuke ergueu um pouco o corpo dela, livrou-se das peças de roupas que ambos usavam e a penetrou. Ele não voltou a beija-la, o rosto afundou na curva do pescoço delicado e em todo o ato, nenhum outro olhar. Os lábios de Sasuke passeavam pela curvatura do ombro ao pescoço dela, brincava com os seios e voltava a subir. Encaixava-se perfeitamente, ao corpo dela. Sakura o abraçava com ambos os braços, dançando conforme a música, conforme o compasso dele, presa a energia de atração que Sasuke exalava. Quando o orgasmo veio, ele ergueu a cabeça e então a fitou outra vez, os olhos negros nublados, o rosto caiu sobre o dela, a boca tão perto da sua que se ela quisesse o beijaria, a respiração fazendo cocegas em sua bochecha.

            Ele ergueu parte do tronco, prendendo uma das mechas rosada entre os seus dedos. Sakura mantinha sua atenção no teto, ansiosa, pois sentia o olhar dele queimando sobre ela, quando enfim resolveu encara-lo se arrependeu. Porque perdesse nos olhos negros de Sasuke era uma experiencia agradável e desagradável na mesma medida. Era entrar no mar, sentir as ondas, apreciar o oceano e se ver a deriva, sem praia, sem barco, sem bote. Ela sempre se perdia. Fitaram-se em silêncio por um tempo, até ele deslizar para o lado e cair na cama, de costas para ela.

            Sakura ainda fitou as costas largas e fortes do Uchiha, enquanto sentia um bolo subir-lhe a garganta, talvez fosse à raiva, talvez a magoa por ter sido abandonada na sua noite de núpcias, talvez fosse o cheiro de Karin que conseguia sentir nele, leve e fraco, porém presente. Queria uma razão para o vazio que ainda a dominava, mas a explicação era uma só, esperou fazer amor, ser embalada, beijada como se o ato só fosse melhor pela presença dela. Só que eles apenas transaram, uma troca de fluidos que nada tinha a ver com sentimentos, uma troca que poderia ser arranjado com qualquer outra pessoa.



Notas finais do capítulo

Choraram? Não? Ainda não alcancei meu objetivo. ;x
SHAUSHAUSAHSUAH Mas me falem o que acharam? Sasuke foi bem filho da pi em chegar e mandar uma dessas, pobre Sakura.
Bem, comentem, opinem, critiquem e elogiem.
Eu volto logo, logo com surpresitas. Beijões e até!