Memories Of The Future escrita por Giovanna


Capítulo 1
Capítulo único


Notas iniciais do capítulo

Minha primeira fic publicada aqui, OMG! hahaha, espero que gostem.



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Ela saiu de casa, na manhã de mais uma das tantas segundas feiras que a esperavam naquele ano, ajeitou o capuz na cabeça e segurou firmemente sua bolsa. Andou até o ponto de ônibus mais próximo, e sentou-se a espera de sua condução. Observou a mulher em pé ao seu lado, cabelos castanhos presos em um rabo de cavalo, olhos negros e profundos, pés de galinhas no final deles, sobrancelhas falhadas pelo tempo... tudo aquilo era tão popular, que as pessoas não observavam mais os detalhes uns dos outros, os rostos são tão normais no dia a dia do ser humano, que perdeu a graça.
Avistou o transporte público de longe, levantou-se dirigindo-se até a guia da calçada, ergueu um dos braços, fazendo sinal para que ele para-se, mas ele não parou, passou direto deixando-a com uma expressão de fúria no rosto, então ela voltou a se sentar, conferiu as horas no relógio e percebeu que chegaria atrasada em seu destino, fechou os olhos e tentou distrair seus pensamentos, quando os abriu, percebeu que a senhora que estava ali a pouco, havia tomado a decisão de ir caminhando até onde pretendia chegar, com seu casaco fino de cor neutra, e sua saia marrom, ela andava pela calçada a tremer de frio.
Outro ônibus estava se aproximando, ela viu um garoto correr em direção a calçada fazendo sinal para que o ônibus para-se, então finalmente ele parou, felizmente para o menino desesperado, e para a garota, que também precisava da "carona".
Depois de passar pela apertada roleta, ela avistou um lugar no fundo do veículo, andou pelo corredor se segurando para não tombar para trás, sentou-se no banco do lado da janela, e ali ficou observando em como a paisagem estava mudando, saiu de um bairro esquecido, para o centro da cidade, com lojas de roupas, produtos de beleza, sapatos e afins, e depois mudou novamente entrando em outra parte esquecida da cidade. Sentiu a presença de alguém do seu lado, era um senhor, devia ter um sessenta anos, bem arrumado, com um terno de executivo, uma pasta de coro nas mãos, e cabelos penteados para trás com um leve gel, um homem daquela idade deveria estar em casa, descansando, pensando na vida, e não trabalhando, não era preconceito e sim opinião! Seu rosto abatido e triste demonstrava que ele não queria estar ali. E ela? Ela queria estar ali? 
Assim que percebeu seu destino se aproximando, levantou-se pedindo licença ao idoso bem arrumado, apertou o botão e esperou até que o ônibus finalmente parasse para ela poder descer. Assim que colocou os pés na calçada lembrou-se do tempo em que era criança, e sempre ia ali com sua mãe e seu irmão, para brincar com seu amigo de infância, seu nome era Daniel, e ele tinha desaparecido de sua vida, misteriosamente.
Caminhou pelas ruas estreitas do bairro, sentindo o vento bater em seus cabelos negros, e aos poucos os finos raios de sol atingirem seus olhos castanhos, seus pés estavam começando a doer, quando chegou a frente à Avenida, a atravessou sem muitas dificuldades e parou em frente a um enorme prédio com vidraça azul marinho, entrou sentindo a diferença que um ar condicionado faz. Sentiu o aparelho da apple vibrar em sua bolsa, abriu delicadamente o zíper, procurando o maldito celular, continuou andando até trombar com algum ser humano sem olhos, sem neurônios, que não olha por onde anda, e extremamente... lindo. Os olhos dos dois se cruzaram e pela primeira vez em anos, Lucinda se sentiu leve, e tranquila. Percebeu que estava vidrada demais no olhar do rapaz e esquivou olhando para o chão, onde haviam vários papeis caídos.
- Desculpe - disse se agachando para pegar os papéis.
- Imagine, eu que devo pedir desculpas, estava tão distraído que nem percebi você em minha frente - respondeu com um sorriso que faria qualquer garota delirar.
Os dois levantaram, e Luce estendeu a mãos entregando o bolo de papéis para o lindo homem. Ele os pegou colocando-os dentro de uma pasta, ela observava tudo, atentamente, cada gesto, ele parecia tão... angelical.
- Prazer, Daniel Grigori! - disse estendendo a mão.
- Daniel? - Luce perguntou mais para si mesma, do que para ele - Quero dizer, você não me reconhece? Luce, Lucinda Price!
Um enorme sorriso brotou em seu rosto bronzeado, ela a puxou pela mão e a abraçou, um gesto inesperado, mas que fez o coração de Luce disparar.
- Você cresceu... está linda - disse separando seus corpos - Eu estava indo até a starbucks aqui na esquina, quer ir comigo?
- Então, eu tenho uma entrevista de emprego agora - ela respondeu fazendo uma careta.
- Seu futuro chefe não vai se incomodar, acredite, ele faz questão - Daniel disse sorridente
- E como você sabe disso? - ela sorriu sapeca, do mesmo jeito que fazia quando era criança.
- Porque eu sou seu futuro chefe - respondeu com um sorriso encantador.
Luce apenas riu, o seguindo para fora da empresa, a caminhada até starbucks, rendeu muito assunto, Luce descobriu que Daniel havia se mudado para Flórida para morar com seus avós depois que seus pais haviam morrido em um acidente de carro. Há alguns anos ele voltou para Londres, e virou um grande empresário no ramo de Marketing.

Entraram na lanchonete e fizeram seus pedidos, sentaram em uma mesa do lado da janela. Luce e janelas, amor eterno.
- Então Luce, conte-me mais sobre você - Daniel pediu - Faz anos que não nos vemos, tenho certeza que tem bastante novidade.
- Até que não - ela respondeu - eu continuo morando naquela mesma casa com minha mãe e meu irmão, faço faculdade de Administração e Marketing, e é isso.
- E você quer se tornar uma grande executiva! - exclamou dramatizando como se fosse um slogan de um comercial.
- Não, o que eu realmente queria era trabalhar no ramo de Design gráfico e Web design, fiz até um curso escondido da minha mãe, mas ela quer que eu siga essa carreira executiva, então não posso decepciona-la - respondeu mexendo o canudo dentro do café, evitando encarar Daniel.
- Temos um espaço de Design na nossa empresa - começou Daniel - Você pode trabalhar nessa área, e irá continuar sendo uma executiva.
Luce observou a boca de Daniel, e percebeu que ela formava um desenho de um beijo, olhou para seu café que mal havia tomado e o encarou novamente.
 - Melhor não, eu...
- Luce, se é isso que você quer, não deixe nada e nem ninguém te impedir é uma oportunidade única na sua vida, aproveite - Daniel disse se curvando sobre a mesa.
- Você tem razão - sorriu.
- Posso te contar um segredo? - ela balançou a cabeça positivamente - eu sempre tenho razão.
Os dois caíram na gargalhada, depois de anos, Luce riu de verdade como se não houve-se problemas, como se o mundo fosse cor de rosa, Daniel coloriu o mundo dela novamente. E agora, suas manhãs não seriam mais tão tensas, pois ela sabia que teria ele do seu lado para o que der e vier, e ambos sabiam disso.


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Notas finais do capítulo

Comenteeem!



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