P.s.: Eu Te Amo escrita por Dreamy


Capítulo 30
Mágoas do passado


Notas iniciais do capítulo

Oiii
Então... esse capítulo esclarece muitas coisas sobre James, espero que vocês gostem e não deixem de comentar!
Bjos ^^



Capítulo 30 – Mágoas do passado

Aparatei em um declive, me desequilibrando e caindo de joelhos, xinguei mentalmente me levantando, pegado a varinha e me limpando. Dei alguns passos em silêncio ouvindo o barulho das minhas botas em contato com a grama seca. Parei olhando em volta, eu já estava toda encharcada de suor quando avistei a casa que procurava. A Toca. Eu sabia que eles estariam ali, por que dias antes Lily tinha me confessado que assumiria o namoro com Hugo no almoço na Toca naquele sábado. Bem, a informação, que na ocasião eu achara bastante tola, me veio muito a calhar; eu sabia que para Lily contar a família isso, provavelmente todos estariam presentes, na realidade a única pessoa que eu queria que estivesse presente era James. Bem, James e Helena. Mas se eu tinha que enfrentar todos, eu podia fazer isso.

Continuei andando e pela primeira vez eu estava certa do que estava fazendo, não quis ir embora correndo, estava decidida a ir até as últimas consequências. Isso não queria dizer que eu não estava com medo, muito pelo contrário, eu estava morrendo de medo de que podia acontecer, mas eu estava pronta. Estava preparada para ir ate o final. Cheguei em um ponto, que supus ser o começo dos jardins, escutei vozes não muito distante da onde eu me encontrava. Meu coração batia tão rápido que chegava a ser bobo, disparava no meu peito, dando a sensação que estava prestes a sair pela boca. Parei respirando fundo algumas vezes para me controlar, guardei minha varinha, não iria precisar dela mesmo. Passei as mãos pelos cabelos fazendo uma nota mental de cortá-los segunda-feira. Respirei fundo mais uma vez e fui em direção as vozes.

“Merlin que me ajude!”

Estavam todos reunidos em volta de uma mesa, bem, não todos na verdade. Via-se gente espalhados em todos os lugares, alguns correndo de dentro para fora de casa, outros mais afastados em grupos de dois ou três, alguns voavam, percebi ao olhar para cima. Não reconheci James, apesar de ter quase certeza que ele estava jogando. Me senti uma intrusa, me senti desnecessária ali, mas continuei. Só parei quando escutei meu nome ser chamado, nessa altura eu quase todos já tinham notado minha presença, alguns se aproximaram, os que jogavam desciam. Eu era o centro das atenções e ao escutar meu nome meu coração parou. Parou por que era a voz dele. Parou por que ele estava a poucos metros de mim com Helena nos braços saindo de dentro da casa.

–Hestia...

... ... ... ... ... ... ...

–James... – sussurrei olhando para ele e ignorando toda a família dele a nossa volta. Eu não ligava se era indesejada por todos ali, não ligava se eu não tinha o direito de estar ali e definitivamente não ligava como que podia acontecer, a única coisa que de fato importava era a menina nos braços de James. Quando se tratava de Helena eu já tinha passado a muito tempo dos limites, ou melhor, quando se tratava dela eu não tinha limites.

–Vá embora daqui Hestia e não se aproxime mais da minha filha.

O que eu poderia fazer? Como eu poderia contradizê-lo quando eu não tinha o menor direito sobre ela? Eu não era nada dela, a não ser uma estranha, louca e provavelmente obcecada por ela. Oh Merlin eu estava realmente louca!

–James – começou Rose se colocando ao meu lado.

–Não se mete Rose. – rosnou ele.

Helena esperneava, ela já sustentava o próprio tronco sozinha, sempre quando ouvia minha voz de alguma forma ela reconhecia e esperneava até que eu a pegasse no colo, ninguém nunca fazia objeções em entregá-la a mim, ninguém a não ser o pai dela.

–Eu não devia ter me aproximado dela, mas eu me aproximei, por favor, James... você não é cruel, vai me machucar tirá-la de mim. – murmurei e lá se foi o resto da minha dignidade por água a baixo.

–Você não me engana Hestia. Eu te conheço melhor que ninguém.

–Eu mudei. – eu queria dar um soco na minha boca e me mandar calar a boca, isso só piorava a situação.

–Mudou uma ova. Vá. Embora.

Helena parecia ter um senso de oportunidade anormal. Sempre que a situação piorava para mim, ela parecia fazer questão de mostrar que era dela que falávamos, eu sei, é completamente maluco, mas seu choro aumentou como o volume de um rádio quando a coisa toda começou a dar errado. E o choro dela sempre me lembrava que era por minha causa que ela não tinha mãe, me lembrava que eu tinha matado a mãe dela e isso me desesperava. Era mais que uma obrigação ou uma necessidade recompensá-la pelo meu erro, pela minha falha. Era a única coisa na vida que eu queria.

–Eu quero conversar com você, cinco minutos que seja – pedi me sentindo uma tola – Por favor.

–Eu te dou cinco minutos para sumir da minha frente. – James gritou. Eu me encolhi por dentro, Helena começou a chorar.

Ginny mais uma vez tirou Helena dos braços do pai e dessa vez sussurrou alguma coisa para o filho, apesar de não tê-lo acalmado, James pareceu voltar a si. Enquanto James se aproximava de mim eu tremia por dentro, eu não sabia ao certo o que iria acontecer, mas sabia que não sairia dali sem conversar com James, sem poder ver Helena. Ele pegou meu braço me sacudindo, tamanha a raiva que sentia e começou a me arrastar para dentro da casa. Escutei alguém protestar atrás de nós, mas nem mesmo reconheci a voz, James sequer hesitou. Entrou em casa subindo as escadas e me levando para um quarto no terceiro andar. Quando entramos ele soltou meu braço com tanta violência que me desequilibrei.

–Você esta ficando louco? – gritei.

–Cala a boca. – ele gritou mais alto ainda. – Cala a droga da sua boca Hestia.

James pegou a varinha e apontou para a porta. Em seguida jogou – isso mesmo – ele jogou a própria varinha em um canto do quarto e avançou para mim. Imaginei que ele tivesse lançado na porta um abaffiato e que pela expressão no rosto dele eu iria no mínimo levar um tapa, mas ele pegou meus braços me sacudindo novamente e gritando.

–O que você quer de mim? – seu olhar era louco – O que você quer Hestia?

Eu nunca o tinha visto tão descontrolado em toda a minha vida. Nem quando terminei com ele, nem quando ele descobriu que eu tinha matado Olívia, nem quando descobriu que eu via Helena escondida. James nunca tinha ficado tão transtornado.

–James calma! – pedi.

–Calma o caralho Hestia. – ele continuou gritando e apertando meu braço. – Eu não quero ficar calmo. Quero saber o que você quer comigo? O que você quer de mim?

–James eu só quero ver Helena... – falei tentando acalma-lo.

–Mentirosa. – meu braço começava a doer pelo seu aperto. – Você não mudou nada, continua a mesma pessoa ambiciosa e prepotente de sempre.

–Isso não é verdade – tentei argumentar – eu mudei sim James, você veria se si permitisse enxergar através da imagem pré-concebida que você tem de mim e...

–CALA A BOCA. – sua raiva era tanta que não tive coragem de desobedecê-lo. – Eu mudei, mas você... você continua a mesma. Você só mudou por fora, eu mudei por dentro. Você ainda é a mesma pessoa mesquinha, arrogante e estúpida que era em Hogwarts.

–Não...

–Eu mandei calar a boca. – ele disse. – Como você acha que eu me senti quando você simplesmente me trocou pela droga da sua ambição? – apesar de não estar mais gritando ele ainda tremia.

Foi ai que eu percebi qual o motivo de toda aquela raiva. Era uma raiva acumulada de anos.

–Eu era uma adolescente. –tentei me defender em vão.

–Eu também era. – ele disse com raiva. – Eu daria tudo pra você Hestia. Eu tinha tudo, dinheiro, fama, beleza e eu daria tudo pra você, mas nada, nada do que eu tinha era suficiente pra você. Todo o meu amor não era suficiente pra você. E eu te amei Hestia, tanto que pensei que nunca fosse te esquecer, tanto que estava disposto a reatar tudo com você na nossa formatura, mas você não quis. Você tem noção de como eu me senti?

–James...

–Eu nunca me senti tão pequeno, tão humilhado, tão estupido em toda a minha vida. Você fez eu me sentir um nada Hestia. E eu não merecia isso.

–James eu não podia, eu simplesmente não podia estar com você naquela época, eu tinha que provar a mim mesma que eu era capaz e... – mais uma vez ele me interrompeu.

–Capaz de que Hestia? – tinha tanta dor nos olhos dele – De conseguir fortuna? De conseguir status? Parabéns você é uma das medicas mais bem pagas e reconhecidas no mundo bruxo. – ele disse amargo.

–Eu não podia ser apenas a namorada do James Sirius Potter. – consegui falar.

–Não, você não podia, então você resolveu acabar com ele. – notei que James estava falando de si mesmo em terceira pessoa o que não era bom. – Eu tinha tudo Hestia e você me deixou sem nada, sem vontade de nada.

–Eu não queria que você se sentisse assim, não foi minha culpa. – disse me sentindo estúpida por isso.

–Foi sim – ele gritou – culpa sua.

–O que você quer? – percebi que também estava gritando – Um pedido de desculpas?

–Desculpas? – ele rosnou – Eu não quero as suas desculpas, não quero o seu arrependimento, não quero nada de você. A única coisa que eu quero é que você suma da minha vida.

–James... – falei.

–Eu estava conseguindo, eu ia ter uma família e você fez o favor de matar a minha mulher. – em meio a nossa discussão eu corei – Agora o que você quer? A única coisa que eu tenho de valor? A minha filha? A única coisa que eu não estou disposto a dar a você. Some. Da. Minha. Vida.

Olhei para ele contendo as lágrimas, eu não ia chorar na frente dele, não ia me humilhar ainda mais, mesmo que ele nunca tivesse sido tão cruel comigo e ainda assim ele nunca esteve tão bonito, eu não iria chorar.

–Você não precisa me dar ela, por que ela já é minha. – falei determinada – Mesmo que você jamais aceite, ela é minha. Eu a amo mais que tudo, mais do amo você, mais do que amo a mim mesma. Helena é minha filha de uma forma que ninguém, nem mesmo você, pode tirá-la de mim.

–Então eu só posso sentir muito, por que você não vai voltar a vê-la. – ele disse finalmente soltando meus braços.

–Eu vou ate o inferno atrás dela. – respondi.

–Desista. – ele falou.

–Eu não posso. – respondi sentando na cama com vendo o provável hematoma que formaria nos meus braços.

–Por quê? – James perguntou. Levantei o rosto e vi que ele me encarava do outro lado do quarto.

–Por que eu a amo, e não posso imaginar como poderia amá-la mais, mesmo se ela tivesse saído de dentro de mim. – respondi.

–Você disse que a ama mais do que ama a mim? – ele riu sem humor – Você me ama? – ele zombou.

–Achei que soubesse disso desde que eu respondi sobre efeito da Veritaserum. – respondi.

James voltou a ficar calado. Eu voltei a olhar pro nada, e ficamos em silêncio, sabe-se lá por quanto tempo.

–Eu não posso permitir que você a tire de mim. – ele disse finalmente.

–Eu não quero tirá-la de você. – respondi, a vontade de chorar tinha acabado graças a Merlin. – Eu só quero dar a ela o meu amor.

–Eu não quero te ver. – ele disse e foi pior que um tapa, foi pior que se ele tivesse me torturado com cruciatus. – Não posso ver você.

–Não precisa. – falei franzindo o cenho para controlar uma nova onda de lágrimas que estavam chegando. – Pode ser do mesmo jeito que eu venho fazendo nos últimos meses.

–Na casa dos meus pais. – ele esclareceu.

–Sim. – respondi e então uma ideia louca surgiu em minha mente me deixando em pânico. – Ou você esta pensando em levá-la para morar com você?

–Estou. – respondeu ele simplesmente.

–Ela é um bebê – falei tentando manter a calma. – precisa de cuidados.

–Ela é minha filha, vai ficar junto comigo. – ele respondeu não me deixando lacunas para argumentar.

–Talvez se você fizer um esforço para voltar a Grã- Bretanha todas as noites e morar aqui, ela possa ficar sob os cuidados da sua mãe ou de uma babá de confiança e...

–E você pode vê-la. – ele terminou por mim.

Era incrível que estivéssemos conversando tão calmamente, sendo que há alguns minutos estávamos gritando um com o outro. Ou talvez não fosse tão incrível assim, não quando se tratava de James e eu.

–Sim. – respondi.

–Os finais de semana sempre tem jogos, eu não acho que poderia voltar todas as vezes. – ele murmurou como se estivesse falando consigo mesmo.

–Eu posso ficar com ela nos finais de semana. – falei esperançosa. – Ela tem um quarto na minha casa de qualquer forma. Eu posso cuidar dela enquanto você esta jogando.

–Você tem um quarto pra ela? – ele perguntou em choque.

–Bem, sim. – respondi. – Foi ideia de Olívia.

–Eu não sei Hestia. – ele admitiu.

–Por favor, James. – pedi. – Pelo menos vamos tentar, se você achar que não dá eu desisto. – falei, mesmo sabendo que jamais desistiria.

–Eu não sei. – ele repetiu.

–Que mal pode fazer? – perguntei e me arrependi logo em seguida.

–Pode fazer mal a mim, a você, principalmente a Helena. – ele respondeu.

–James... – falei, na verdade implorei e então finalmente entendi como Clay pode colocar o orgulho de lado ao pedir várias vezes que eu o desse uma chance – me dá uma chance.

–Eu estou tentando. – ele respondeu e eu fiquei calada. – Mas é difícil permitir que você se aproxime da única coisa de valor que eu tenho. Eu não consigo deixar de pensar que isso é apenas mais uma artimanha sua e eu não posso deixar que você a magoe.

–Eu jamais a magoaria. – eu disse.

–Você disse a mesma coisa a mim uma vez. – ele disse e eu me surpreendi que ele se lembrasse de um fato tão remoto.

–Então confie em mim. – pedi pela milionésima vez. – Eu nunca vou abandonar Helena.

–Como vou saber se você esta falando a verdade? – ele meio que perguntou.

–Me dê o benefício da dúvida. – pedi.

–Se você a machucar... – ele disse depois de um tempo – Hestia se você a magoar eu juro por Merlin que você vai se arrepender.

–Eu preferiria desistir de toda a magia do meu sangue a sequer pensar em magoá-la. – disse.

–Eu ainda não sei – respondeu James.

–Eu sumo da sua vida. Juro para você que eu sumo da sua vida se isso não der certo. – falei tentando convence-lo – Helena não vai sair magoada, ela é só um bebê, não vai sequer se lembrar de mim. E quanto a nós dois... não existe nós dois e vai continuar assim.

James me encarou por vários minutos e eu fiquei sem saber o que mais podia falar para convencê-lo. Eu só sabia que não podia, não iria desistir de Helena, mas como convencê-lo? James tinha todos os motivos do mundo para me odiar, todos e mais um pouco. E ele odiava, eu podia apostar que odiava. Eu, como ele tinha dito, era apenas uma assassina. Meu Merlin, o que eu estava fazendo? Eu tinha matado Olívia, é claro que eu não tinha direito de chegar perto da Helena; eu não devia estar aqui, não devia estar implorando para que ele me permitisse ver a menina, eu tinha simplesmente que ir embora e sumir para sempre da vida do James. Mas como? Como sair da vida do James? Se antes já era complicado e doloroso demais deixá-lo, agora era quase impossível. Eu podia deixar James, mas não Helena. Eu simplesmente não podia abrir mão dela.

Eu estava no meu limite, esticara a corda ao máximo e estava a ponto de arrebentar. Eu não conseguia mais, não conseguia mais me humilhar, me testar, simplesmente era demais para mim.

–Acho que a gente pode tentar. – ele disse com a voz cansada me surpreendendo. Eu quase chorei de alívio. Fechei os olhos por alguns segundos, oh Merlin era real mesmo. Ele estava me permitindo ver Helena!

–Temos um acordo? – perguntei me levantando e ficando na frente dele estendendo a mão.

–Temos um acordo. – ele pegou minha mão e mesmo sem querer, meu coração acelerou com o toque dele.



Notas finais do capítulo

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