P.s.: Eu Te Amo escrita por Dreamy


Capítulo 22
Luz


Notas iniciais do capítulo

Olá...
Hoje eu estou um tanto quanto melancólica, por que esse capítulo... bem, eu vou deixar que vocês tirem suas próprias conclusões...
Não deixem de comentar e até dia 20/01. ^^



Capítulo 22 – Luz

Por um minuto inteiro eu fiquei em pânico, por um minuto eu encarei Olívia sem saber o que fazer, por uma volta completa do relógio eu me mantive inerte e totalmente apavorada.

–Luz... – disse ela me tirando do transe e a adrenalina correu por minhas veias.

–Oh meu Merlin, não vá para a luz. – disse já correndo com ela para fora do apartamento. Eu não podia aparatar com ela naquele estado e por mais leve que ela fosse eu não conseguiria carrega-la e eu não tinha a mira necessária para levita-la com magia, então a única coisa que me restava era apoia-la enquanto corríamos para a rua.

–Não... –ela sorriu – O nome, se for menina... – ela ofegou mais uma vez com a contração.

–Não, não, não desmaie – gemi lutando para não derruba-la – eu não consigo te carregar. Vamos Olívia me ajude...

–O nome... – ela falou mais uma vez.

–Ok, entendi Luz, tanto faz – o nome não me importava de verdade.

–Não Luz, mas o significado...

–Ok, tudo bem, mas agora me ajude a te levar ao St. Mungus. – começamos a andar e vários trouxas ofereceram ajuda ao ver o estado de Olívia. Por sorte minha casa era perto da entrada trouxa do hospital e em minutos nos estávamos passando por ela.

–Hestia o que é isso? – perguntou Lizzie da recepção quando me enxergou.

–Chame o curandeiro de plantão, rápido! – gritei levando ela para a primeira sala que vi desocupada no térreo.

–Nós não fazemos esse tipo de cirurgia você sabe disso. – respondeu Lizzie ainda parada.

–Mexa-se Lizzie – apontei minha varinha para ela depois de deitar Olívia na cama – Ou você faz o que eu mandei agora ou eu vou passar o resto da vida em Azkaban.

Lizzie me olhou como se eu fosse louca e saiu correndo chamando os curandeiros de plantão. Ajeitei Olívia colocando nela a roupa do St. Mungus e arrumando o máximo que eu podia a sala. Lizzie chegou minutos depois acompanhada por Clay Jensen e um estagiário; Clay estava coordenando o hospital naquele dia e era o único capacitado a me ajudar, o estagiário que se não me engano se chamava Harry Sweet, ficou como ajuda extra.

–Avise os Potter´s que Olívia Russel esta em trabalho de parto. – falei antes de fechar a porta deixando Lizzie para fora. Clay nem mesmo me perguntou o que estava acontecendo, fazendo apenas o seu trabalho.

–Por que você precisa de minha ajuda em um parto? – ele perguntou depois de dar a Olívia a poção anestesiante.

Não respondi. Olívia apertava minha mão e eu encarava um ponto qualquer da parede do quarto. Eu controlava minha respiração pensando no que eu iria fazer dali em diante, eu não estava preparada, eu pensava que estava, mas não estava. Eu queria mais tempo, contudo o tempo corria contra mim. Finalmente olhei para Olívia que ainda estava consciente, mas parecia estar com dor. Ela captou meu olhar e fitou meu rosto.

–Brian... – ela sussurrou tão baixo que tive certeza que Clay não escutou – Brian James e... – ela fechou os olhos e mordeu o lábio inferior contendo um grito. – Helena... – dessa vez seu grito saiu alto e doloroso.

Nem todos os meus 25 anos de vida me prepararam para aquele parto. Eu ainda segurava a mão de Olívia quando Clay gritou para mim que ela estava tendo uma parada cardíaca com hemorragia severa, o quadro clinico dela decaia de uma forma tão rápida que para salva-la era preciso agir imediatamente. A mão dela que apertava a minha afrouxou, mas não caiu por que eu a apertava como se si eu soltasse eu perderia, e eu nem sabia o que eu temia perder.

–Hestia eu preciso de sua ajuda. – gritou Clay – Vamos salva-la. – Clay olhou para mim em busca de apoio, mas eu permaneci imóvel.

Vendo que eu não ajudaria em nada Clay chamou pelo estagiário gritando incoerente que eles iriam conseguir salva-la se tirassem o bebê a tempo. Mas o tempo estava contra mim, não havia tempo.

–Oh meu Merlin algo se rompeu dentro dela! – Sweet murmurou em pânico. O fígado! Eram os sintomas que consegui evitar ate o bebê ficar completamente desenvolvido, com os remédios que eu dava para ela tomar, o que só adiava os sintomas, mas não curava a doença.

–Hestia eu preciso de você. – falou Clay mais uma vez – Eu não posso corta-la ou não vamos conseguir conter a hemorragia, preciso que você a imobilize ate que eu consiga controlar a parada e a hemorragia.

Ele queria manter o bebê dentro dela ate que fosse seguro para Olívia, ate que ele conseguisse controlar a hemorragia, mas a bolsa já tinha estourado, o bebê estava ficando sem oxigênio. Ele morreria se não nascesse logo. Fora para isso que Olívia pedira minha ajuda, era esse o ponto crucial da historia. Essa era minha deixa para salvar o bebê... e matar Olívia. Soltei a mão dela pegando minha varinha quando Clay não estava olhando, ele continuava muito ocupado tentando fazer o coração dela voltar a bater. Respirei fundo e segurando a varinha com todas as minhas forças murmurei o feitiço.

–Imperio. – falei apontando a varinha para Clay e em seguida para Sweet. Senti algo muito parecido com prazer ir da minha varinha, percorrer meu braço e depois se alastrar por meu corpo. Esse era o poder de uma Maldição Imperdoável. – Salvem o bebê. – disse claramente a os dois curandeiros que me olhavam atordoados. Ambos recomeçaram a trabalhar no parto, mas dessa vez com outro objetivo. Em vez de estar empenhado em salvar a mãe, eles agora salvavam o filho.

Olívia já não estava mais viva, percebi enquanto Clay cortava ela e o sangue jorrava livre. Ela se fora. Seus olhos vidrados estavam abertos encarando o teto e com delicadeza fechei seus olhos com a mão livre. Fechei os meus junto, controlando as lagrimas e a dor da perda; naquele segundo eu entendi o que eu temia tanto perder. Temia perder ela, por que, não sei como, eu começara a gostar dela de verdade, talvez ate a ama-la como uma irmã.

O choro alto e exigente que veio do bebê assim que ele saiu de dentro da mãe me tirou do transe e eu o peguei das mãos de Clay. Olhei para seu rostinho ensanguentado e ainda assim belo e notei que era uma menina. Uma menininha. A Luz da Olívia... Minha Helena. Seus grandes olhos redondos eram de um castanho tão escuto que a pupila era invisível, seus ralos cabelinhos tinham uma cor escura, tão escura quanto seus olhos. Ela ainda chorava e percebi que ela não pararia, por não tinha uma mãe para amamenta-la. A apertei contra mim, ninando a e só então me lembrei dos homens que eu enfeitiçara a poucos minutos.

Apoiei ela em um braço e pegando a varinha desfiz o feitiço.

–Hestia o que você fez? – murmurou Clay em pânico. Olhei para ele que me encarava incrédulo, mas logo em seguida ele pegou a própria varinha e apontou para Sweet.

–O que você esta fazendo? – perguntei.

–Tentando te livrar de Azkaban – respondeu Jensen realizando um feitiço mudo. – Alterei a memoria dele. – Vi com espanto ele meio minuto depois vir ate mim pegando a bebê e anotando as informações necessárias.

–Clay o que aconteceu? O que você fez? – perguntei.

–Você estava tentando salvar a criança. – respondeu ele me deixando perdida. – você não estava em condição de fazer o parto e eu não ia salvar a bebê, você usou Imperio para que eu o salvasse. Essa é a historia entendeu?

Minha boca se abriu em choque, mas fiquei calada e apena assenti.

–Aonde vamos coloca-la? – perguntou ele depois que anotou todas as informações – Aqui não tem nenhuma sala para um recém-nascido ficar.

–Deixe a em uma sala limpa enquanto eu aviso a família. – respondi.

Peguei Helena mais uma vez nos braços e a sacudi por um momento. Ela estava mais calma e já não chorava mais, adormeceu instantes depois. Entreguei ela a Clay e olhei uma ultima vez para Olívia.

–Pode deixar que eu arrumo Sweet. – disse a ele que já estava arrumando a sala e cobrindo Olívia.

Cheguei perto dela depois de arrumar toda a sala e segurei novamente a mão dela na minha. Já estava fria.

–Eu prometo que vou cuidar dela, - murmurei – ela é linda, mas não se parece com você – sorri – eu vou cuidar dela, eu vou conseguir. – Fechei os solhos por um momento e quando os abri de novo tinha uma determinação desconhecida em mim – Sua Luz vai ter uma mãe, eu prometo. – apertei a mão dela mais uma vez e então cobri seu corpo.

Sai da sala em direção a recepção com passos lentos, como se eu tivesse envelhecido 50 anos nos minutos que fiquei naquela sala. Cheguei a recepção e encontrei toda a família Potter e vários Weasley´s esperando impacientes. Todos me olhavam conforme eu me aproximava e só quando já estava chegando me lembrei que não tinha limpado o sangue que estava na minha roupa.

–Como ela esta? – perguntou James me interceptando. – Como esta a Olívia? E o meu filho? – abri a boca, mas ainda não estava pronta para falar – Hestia fala. – exigiu James.

–É uma menina, – disse – é saudável, esta muito bem. – o suspiro de alivia foi geral. James sorriu aliviado.

–E quanto a Olívia? Eu posso vê-la? – ele perguntou.

–Foi um parto complicado – comecei e vi a expressão de James se tornar seria – Olívia teve hemorragia muito severa e uma parada cardíaca. – respirei fundo – Infelizmente nós não conseguimos salva-la.

James me olhava em choque e eu escutei os lamentos da família dele. Eu o olhei sentindo meu autocontrole ceder, eu queria poder ter meu luto também.

–O que você quer dizer? – perguntou James segurando meu braço.

–Eu sinto muito James – respondi. Segundos depois eu estava nos braços dele, sem saber como, o confortando, o que era bem difícil dado o tamanho dele. Ele soluçava e eu apenas tentava conforta-lo.

Eu me separei dele e o deixei cercado peça família, Rose que estava junto com a família chegou perto de mim. Eu tinha me sentado em um banco destinado aos pacientes, exausta e querendo ter um tempo para mim mesma, para processar o que eu tinha feito. Eu não só tinha matado Olívia, como tinha usado uma Maldição Imperdoável em dois bruxos.

–Como foi? – perguntou Rose sentando ao meu lado.

–Horrível. – confessei – A pior experiência da minha vida.

–Hestia por que vocês não conseguiram salva-la? – perguntou Rose e eu soube a que ela se referia. Uma parada cardíaca? Fácil de lidar com magia. Uma hemorragia? Fácil de conter. Se o quadro dela fosse normal nos salvaríamos mãe e filho facilmente.

–Eu... – o que eu poderia falar a ela? - O quadro dela se complicou. – falei – Nem eu nem Clay conseguimos fazer nada.

–Você e Clay estavam na sala e não conseguiram salva-la? – perguntou Rose incrédula.

–Hestia Sammer. – chamou uma voz desconhecida, antes que eu abrisse a boca para responder a Rose.

Levantei-me do assento virando para a direção da voz. Um homem pequeno com uniforme do Ministério da Magia me encarava com certo receio.

–Sou eu. – respondi apesar dele já saber.

–Você... – ele pigarreou e olhando uma vez para o pai de James voltou-se para mim e falou: - Você esta presa por usar uma Maldição Imperdoável na tarde de hoje. Por favor, me acompanhe...



Notas finais do capítulo

Reviews ou lágrimas??? Nesse capítulo eu fico grata por qualquer um desses!



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