Perdoar E Esquecer? escrita por Melanie


Capítulo 1
Capítulo único




TRIIIIIIM, TRIIIIIMM, TRIMMMM, TRIIIIIM

Mais um dia começa. Não consigo me lembrar da última vez em que eu ansiava por acordar. Na verdade eu me lembro. Era quando ele ainda estava por aqui. Eu, Haruno Sakura, ainda não consegui esquece-lo. Patético não acha? Justo ele, que sempre me esnobou, me maltratou...

A guerra havia terminado, por ter se voltado contra Madara no último minuto e ajudado Naruto, Tsunade não tinha sido tão cruel em sua pena. Ela entendeu que, por mais que tenha sido do jeito errado, Sasuke só havia feito o que fez por causa dos anciões da vila. Eles tiveram suas respectivas punições, e Sasuke apenas foi preso. Prisão domiciliar por 1 ano.

Hoje seria o dia em que ele sairia pela primeira vez na vila. Por isso, justamente hoje, eu não estou nem um pouco animada em ir ao hospital. Quando ele voltou e foi preso, não fui a sua casa um único dia, sempre que Naruto me chamava eu arranjava uma desculpa, seja ter que ir ao hospital por uma emergência, ou estar cansada demais para ir visita-lo. Claro que Naruto percebia que era mentira, mas ele nunca tentou me convencer do contrário, e eu sempre seria grata por isso. Não estava preparada para vê-lo, nem sei se hoje estaria. Claro, isso se eu o visse, nada garantia que eu iria encontra-lo na vila hoje, e nada me impedia de passar mais tempo do que o necessário no hospital. Mas eu sabia que não podia fugir para sempre, porém alguém podia me culpar? Eu o amava, e ele me abandonou, eu o amava e ele tentou me matar. Eu estava tão errada assim em não querer vê-lo?

Mas não adianta nada continuar pensando sobre isso. O jeito é levantar e esperar não cruzar com ele no caminho do hospital e muito menos na volta.

Com esses pensamentos, levantei e fui em direção ao banheiro me arrumar. Quando terminei, fui em direção a cozinha preparar um café. Sai de casa rápido, não morava mais com meus pais, então não precisava me preocupar com minha mãe dizendo que eu precisava me alimentar melhor no café da manhã.

Eu andava distraidamente pelas ruas, andava de cabeça baixa, confesso que estava com medo de levantar a cabeça e vê-lo cercado por várias mulheres oferecidas. Mesmo que alguns moradores ainda tenham medo dele, vários, como as mulheres, já estavam contando os dias para vê-lo novamente andando pela aldeia. Não é ciúmes, por favor, ele não é nada meu, acho que está mais pra irritação, isso só vai aumentar o ego dele, e fazê-lo achar que está tudo bem, que todos já esqueceram o que ele fez. E não é bem assim. Eu ainda não esqueci.

Cheguei ao hospital e a primeira coisa que vejo ao entrar é uma loira escandalosa vindo em minha direção.

– Testudinha, você já tá sabendo da última?

– Ino, eu acabei de chegar, por favor, menos escândaloa, ok?– Eu disse, indo a recepção ver o que tinha hoje para fazer.

– Ok, ok, desculpa, mas eu estou animada. De qualquer maneira deixa eu te falar logo então. Hoje o pessoal vai fazer uma festa, não é bem uma festa, tá mais pra uma reunião, porque tipo, você sabe que hoje o Sasuke sai daquela casa, então o Naruto teve a ideia maravilhosa de sairmos pra comemorar.– Como ela consegue falar tão rápido sem respirar? Isso não importa, tenho que inventar uma desculpa para não ir. – Sem desculpas, você vai e ponto final. Já até falei com sua mãe, e ela me deu total permissão pra arrastar você pra lá a força se você não quiser ir. Vamos Saky, você precisa sair mais. Casa, hospital, hospital, casa, você não vai ter uma vida assim. Não aceito não como resposta. Saímos juntas daqui, então vamos pra sua casa nos arrumar. Entendeu?

– Ino, não quero sair, ainda mais porque ele vai estar lá. Eu só quero ir pra casa dormir. Por favor, Ino... – Estou praticamente implorando.

– Sem por favor, Ino. Nós vamos e pronto. Me espere aqui quando sair, e se eu sair e você não estiver aqui eu vou até a sua casa. Não tem por onde fugir, Saky. Estou fazendo isso para o seu bem e você sabe.

– Aah tudo bem. Eu te espero aqui. Mas eu vou ficar só alguns minutos, ouviu bem? Primeiro porque seria muito ruim com o Naruto, segundo porque quero ver como ele e a Hina estão e terceiro porque não tem como fugir de você.– Eu falei rindo. A Ino é uma figura, realmente, e eu teria que vê-lo cedo ou tarde, melhor que seja agora, assim ninguém percebe que estou fugindo dele, e posso voltar a minha rotina sem mais interrupções.

– Perfeito. Nos vemos mais tarde, testudinha.– Ela falou já se distanciando.

– Até, porquinha.– Falei e em seguida fui começar a trabalhar.

...

Não, não, não, não. Pensei que eu já tivesse passado dessa fase. Não é a primeira vez que eu perco um paciente, mas algo naquela criança mexeu comigo. A primeira coisa que Tsunade deixou bem claro era o fato de médicos não misturarem sua emoções com o trabalho, não se ligarem tanto a pacientes terminais, e não misturarem vida pessoal com vida profissional. E eu aprendi a controlar minhas emoções graças a isso, mas aquela criança... Ela não merecia morrer, mas eu não consegui salvá-la na cirurgia, e agora estou me culpando. A culpa não foi minha, eu sei que fiz tudo o que podia para salvá-la, mas então porque me sinto culpada? Vida de médico não é fácil, definitivamente.

– Doutora Haruno?– Umas da enfermeiras bateu na porta, me fazendo impedir que lágrimas caíssem, estou muito sentimental ultimamente. – Está ocupada?

– Na verdade não, pode entrar Midori.– Disse tentando ficar mais apresentável.

– Desculpe atrapalha-la doutora, mas estamos tendo um problema com um dos pacientes. Ele se recusa a ser atendido por outros médicos, quer que a senhorita o atenda.

– E quem seria? – Naruto não era, com certeza, ele não precisa disso, ele geralmente invade minha sala para que eu o atenda. E as enfermeiras sabem que eu sempre o atendo.

– O senhor Uchiha, doutora.– O QUÊ? Eu ouvi direito? Sasuke está no hospital e quer que eu o atenda?

– Como é, Midori?– Eu perguntei tentando manter a calma. Não podia aparecer nervosa, não com ele, nunca mais.

– Isso mesmo. O senhor Uchiha está machucado e se recusa e ser atendido por outros médicos. A recepção está começando a ficar bagunçada, doutora.

– Tudo bem, se ele quer que eu o atenda, então eu irei. Obrigada Midori, pode se retirar e voltar a seus afazeres.– Muito bem, está sendo controlada, ótimo Sakura, agora continue assim, faça o que tem que fazer e pronto. Esse será o seu teste. Se passar, se sairá bem hoje na festa.

– Quer que eu o chame doutora?

– Pode deixar que eu faço isso. Sei que está ocupada, e não quero atrasá-la. Ele está na recepção, certo?– Perguntei já me levantando.

– Está sim. E já que não precisa mais de mim, estou saindo. Com licença, doutora.– Midori disse abrindo a porta e em seguida se retirando. Acenei com a cabeça concordando e saindo também.

É agora. Depois de um ano sem vê-lo, esse é o momento. Respirei fundo e virei o corredor que dava para a recepção e a primeira coisa que vi foi ele. Estava mais lindo ainda, se é que isso era possível. O cabelo preto estava um pouco maior, quase não dava para notar. Ele estava mais forte. Não sei o que fazia em sua casa, mas para o corpo dele estar daquele jeito devia ter sido muita coisa. Concentração Sakura. Ele está ferido, e precisa ser curado. Leve-o até sua sala, seja direta, cure-o e pronto. As meninas estavam ao seu redor tentando convencê-lo a ser atendido por outro médico, mas ele continuava sendo firme em sua decisão de querer que eu o atendesse. Realmente, estava começando a virar uma bagunça.

– Muito bem meninas, podem deixar que eu resolvo isso, voltem ao trabalho. Vamos.– Eu era a médica chefe, então obviamente todas me obedeceram. – Senhor Uchiha, o senhor solicitou que eu o atendesse, então, por favor, venha comigo.– Muito bem Sakura, continue assim.

Me virei sem esperar para ver se ele me seguia, mas se ele fez tanto alvoroço para que eu o atendesse então ele viria atrás de mim. Por isso quando entrei em minha sala, ele entrou em seguida.

– Por favor senhor Uchiha, sente-se ali para que eu lhe examine. – Disse apontando para uma maca que havia em minha sala. Porém sem olha-lo nos olhos.

Ele se encaminhou até a maca como eu pedi e sentou.

– Agora, por favor, tire a camisa.– Ele tirou e eu tive muito que me concentrar apenas em seus machucados. Que corpo, meu deus. Que corpo! Devia ser pecado ser tão lindo, viu? – O que aconteceu? – Perguntei enquanto curava os ferimentos. Eram apenas cortes, poucos eram profundos, a maioria era superficial, os profundos não causariam nenhum tipo de problema. Nada sério, acredito que tenho sido alguma luta.

– Naruto. Estávamos treinando. Estou meio fora de forma.– Assim que ouvi sua voz, um arrepio percorreu meu corpo. Vamos Sakura, deixe de ser tão estúpida. Foco. Você já está terminando.

– Eu já imaginava.– Que droga, sem conversa. Sem conversa.

– Hm.– Eu podia sentir seus olhos em mim. Em cada movimento que eu fazia. Não comece a tremer, Sakura. Não seja fraca na frente dele.

– Pronto. Acabei. Pode se vestir e se retirar, por favor. – Isso, já está quase terminando Sakura. Continue assim.

Estava retirando minhas luvas e me virando quando ele segurou em meu pulso e me impediu de virar. Uma corrente elétrica passou pelo meu corpo com esse pequeno toque. Pelo amor de deus, se controle mulher!

– Até quando vai fazer isso, Sakura?– Ele estava me fazendo uma pergunta? Isso mesmo?

– Não sei do que está falando, agora se o senhor já está bem, não há motivos para continuar em minha sala. Por favor, se retire agora, senhor Uchiha.– Fria e direta. Obrigado Tsunade! Muito obrigado mesmo por ter me ensinado a controlar minhas emoções.

– Pare com senhor Uchiha, Sakura. Pare de me tratar assim.

– Estou te tratando como trato todos os meus pacientes. Eu não misturo vida pessoal com profissional. Agora, se retire da minha sala.

– Não mistura? Eu não acho que você trate Naruto por senhor. Na verdade, eu tenho certeza que você o trata da mesma maneira como o trata fora deste hospital. – Ele estava certo, mas não precisa saber disso, tenho meu orgulho. Além do mais, não há nenhuma chance de que eu o trate de formal carinhosa. Estou magoada, e ele não merece nada disso.

– Não se compare ao Naruto, senhor Uchiha. Vocês dois não tem nada de parecido.

– Sakura, é sério, pare de me tratar assim, pare de fugir de mim, pare de fingir que eu não existo.

– Que diferença faz o modo como eu te trato, Sasuke?– A não, tratamento pelo primeiro nome, isso não é nada bom. – Já chega, se não sair agora da minha sala, eu irei chamar os seguranças do hospital.– Estou perdendo a cabeça, não posso. Foco Sakura, foco.

– Não precisa, eu sei o caminho.– Ele então me soltou e se levantou. Eu andei até a minha mesa e fiquei de costas para ele. Mas já da porta ele parou e voltou a falar comigo.– Mas isso ainda não acabou, Sakura. Não gosto de ser ignorado.– Então eu ouvi a porta batendo.

Me joguei na cadeira praticamente, meu deus, o que foi isso? Que tipo de consulta foi essa? O que acabou de acontecer? Desde quando ele se preocupa com o modo que eu o trato? Desde quando ele se importa com qualquer coisa que eu faço?

Depois da pequena visita de Sasuke o resto do dia passou até que rápido. Não sai pra almoçar, com medo de encontrar com ele de novo, o que é pra lá de ridículo. Digo, não posso ter medo dele pra sempre. Vou ter que encará-lo cedo ou tarde, mas sinceramente, quanto mais tarde melhor. E por tarde eu quero dizer até hoje de noite. Já que ele vai estar na própria festa e eu prometi a Ino que iria. E se eu não for, Naruto nunca irá me perdoar. Mas voltando, hoje após o almoço, eu tive mais três cirurgias, e em todas ela eu obtive sucesso. É tão boa a sensação de salvar vidas. Eu me sinto tão útil... Mas agora, já é hora de sair. Tenho que esperar Ino.

– Até que enfim testudinha, já estava indo de buscar na sua sala. Não saber ver as horas não?– Lá estava ela sendo escandalosa.

– Sem drama porquinha, não estou tão atrasada assim. Eu só estava terminando de arrumar uns papéis.– Disse assim que parei ao seu lado na recepção, ela já estava me esperando.

– Que seja. Vamos ou iremos ser as últimas a chegar, não que eu ache isso ruim, se formos as últimas todos irão olhar pra nós quando chegarmos e eu não vejo problema nenhum em ser o centro da atenções, principalmente porque o Gaara-kun vai estar lá e eu não me importaria mesmo se ele me olhasse, na verdade...– Ela começou a me puxar em direção a minha casa e não parava de falar. Como essa loira gosta de falar, viu? Será que eu era assim?

– Ino, eu já entendi. Você ta a fim do kazekage-sama. – Tive que corta-la ou ela não pararia de falar mais.

– Mas você pode me culpar? Ele é tão lindo, tão carinhoso, tão gentil, tão, tão, tão...

– Perfeito?

– Exatamente!– Ela falou e eu não aguentei, comecei a rir. – Ei, para com isso, Saky! Não tem graça. Eu preciso que ele me note.

– Ele vai. Todo mundo te nota, Ino.

– Ele não é todo mundo. Ele é a única pessoa que eu realmente quero que me note. Você não percebe, Saky? Eu estou apaixonada! Pelo kazekage de Suna! Isso é horrível. O que ele vai querer comigo? Uma médica de Konoha? Eu respondo. Absolutamente nada! Ai amiga... – Eu nem percebi quando chegamos na minha casa.

– Ino, isso não é um motivo. Se ele tiver um pingo de inteligência, ele vai ver a mulher incrível que você é. Não importa quem ele seja, e nem no que você trabalha. Ele já é um cara de sorte por ter você gostando dele. Agora respira fundo, entre nessa casa, se arrume, vá até essa festa e conquiste ele. Você é Ino Yamanaka, um cara não vai te abalar.– Quando terminei de dizer isso ela me abraçou.

– Aaaaaah Saky, você é impossível, sabia? E isso é um elogio. Agora se eu vou lá arrasar, você também vai. Pensa que não sei que o Uchiha foi até o hospital hoje? E fez o maior alvoroço porque queria que você atendesse ele? Pois eu fiquei sabendo, assim como fiquei sabendo que você foi lá e o atendeu. Então você também vai entrar nessa casa e vai se arrumar comigo, e quando chegar lá vai deixar o Uchiha de boca aberta. Entendeu?– Ela perguntou já me arrastando pra dentro.

– Não tem sentido o que você falou. Não quero ele interessado em mim, na verdade não quero nem encontra-lo hoje.– Não tinha contado o que aconteceu antes dele sair e nem pretendia.

– Claro, claro. Mesmo assim, se não quer ele interessado, então que tal o Kiba?

– Ino! Kiba é meu amigo, além do mais, você sabe que a Aya, a nova médica, gosta dele. Não vou fazer algo assim com ela.

– Ok, ok, ok, você venceu, então ao menos vá lá hoje pra deixar os outros homens de boca aberta. Que tal?– Ela literalmente começou a jogar várias roupas em cima de mim.

– Você não presta, Ino. – Falei balançando a cabeça negativamente. E ela apenas riu e continuou pegando mais roupas minhas.

Algum tempo depois, nós duas estávamos prontas. Devo admitir, Ino se superou. Ela estava usando um vestido roxo, mas nada muito chamativo. O vestido era de alcinha, e a parte do busto era a única com brilho, então descia com alguns babados. Seu sapato de salto alto era preto. E o seu cabelo estava preso em coque, com alguns fios soltos, sua franja continuava solta. Ela estava linda. Se Gaara não a olhar é porque tem problemas mentais.

Agora eu usava um vestido vermelho, que se prendia ao meu pescoço, deixando um decote em forma de X. Não possuía brilho, mas era apertado no busto então descia solto. Realmente lindo. Nos pés eu também usava um sapato de salto alto preto. Já no meu cabelo, por não estar batendo no ombro, Ino o havia ondulado, desse jeito ele ficava um pouco abaixo do meu pescoço.

A maquiagem minha e de Ino era fraca. Uma sombra fraca, rímel, lápis para realçar nossos olhos, um pouquinho de blush, e brilho labial. Simples, mas muito bonito.

– Pode dizer testudinha, eu mandei muito bem, não foi?

– Aham, nossa, sem palavras. Espera, eu tenho sim, estamos muito atrasadas. Vamos Ino, para de se olhar no espelho. Desse jeito vamos chegar e todo mundo já vai estar indo embora. – Não esperei ela responder. Peguei no braço dela e a puxei para sairmos.

Chegamos no bar que estava acontecendo a festa. Não era bem um bar, mas também não podia ser considerado um restaurante. Preciso dizer que quando eu e Ino entramos todo mundo, TODO MUNDO mesmo, se virou pra olhar pra gente? Odeio ser o centro das atenções, e até a Ino pareceu incomodada, e quando olhei mas pra frente pude entender o motivo, o kazekage estava olhando pra ela. Olhando mesmo, e tenho certeza que ela percebeu, porque além de estar sem graça ela estava corando. Inacreditável.

– Sakura-chan!– Naruto começou a acenar da mesa, e eu acenei de volta, tive que puxar Ino para que ela saísse do lugar.

Estava nervosa, e enquanto me aproximava da mesa sentia o nervosismo aumentando e simplesmente porque eu sentia que Sasuke estava seguindo cada passo meu. Por que ele repentinamente começou a se importar?

– Desculpem a demora. Ino se empolgou um pouco. – Disse quando já estávamos próximas o suficiente da mesa em que o pessoal estava.

– Valeu a pena esperar.– Suigetsu disse olhando diretamente pra mim. Ele estava dando em cima de mim? Era isso mesmo? Mas ele não estava com a Karin?

– É melhor não fazer o que eu acho que você vai fazer Suigetsu. Vamos Sakura-chan, senta aqui do meu lado.– Naruto como sempre achando que não sei cuidar de mim mesma.

– Claro.– Disse sorrindo, mas era um sorriso forçado porque quem estaria sentado na minha frente se eu me sentasse lá era o Sasuke. Com Karin do seu lado, e uma vadia que é amiga da Karin do outro lado dele. Emi.

Me sentei tentando não olhar para ele, mas eu sentia que ele me olhava. Cumprimentei todos na mesa e me virei para conversar com Naruto e Hinata, Ino já estava conversando com Gaara.

A conversa fluía normalmente, e Sasuke continuava me olhando, ás vezes ele participava da conversa mas sem nunca desviar os olhos de mim, o que realmente estava me irritando. Mas então as pessoas começaram a levantar para irem dançar e Emi começou a se jogar pra cima dele, Karin tinha ido dançar com Suigetsu. Emi passava a mão no braço de Sasuke em uma tentativa de atrair sua atenção. Ai que ódio dessa garota, atrevida.

– Naruto, já está tarde e amanhã vou fazer hora extra no hospital. É melhor eu ir.– Disse já me levantando. Não tinha que ver ela alisando o Sasuke. Isso eu não era obrigada a aturar.

– Não acha que está trabalhando demais, Sakura-chan? – Naruto me perguntou.

– É verdade Saky-chan, anda trabalhando demais. Ino-chan também.– Hinata disse.

– Mas Hina, eu estou aqui me divertindo não estou? Além do mais, nesse último ano eu sai bem mais que a Saky, e eu peguei o dia de amanhã de folga. Diferente dela.– Ino estava praticamente no fim da mesa, na maior conversa com Gaara e ainda se intrometia. – O que me lembra doutora, por que não tira uma folga amanhã? Você é a chefe de tudo aquilo. O que você fala lá é lei. Pode muito bem não ir amanhã. Você praticamente vive naquele hospital, uma dia sem ir não vai fazer diferença.

– Ino, você sabe que não é bem assim. Tenho que ir amanhã. Não vou discutir isso com você. Tchau Naruto, Hina-chan.– Me despedi dos dois e em seguida me virei pro resto da mesa. – Tchau pessoal.

– Tchau Sakura.

–Tchau Saky.

– Tchau Sakura-chan.

Acenei para todos e comecei a andar para a saída. Não me despedi de ninguém em particular.

A noite estava linda, eu sempre gostei de caminhar a noite e olhar para as estrelas. Hoje era noite de lua cheia, irônico se eu fosse parar pra pensar. A noite em que ele foi embora era noite de lua cheia, e a noite em que ele vai recomeçar sua vida aqui também é noite de lua cheia. Estava tão concentrada em meus pensamentos que não percebi que estava sendo seguida. Só fui perceber quando meu perseguidor segurou em meu pulso. E qual foi a minha surpresa ao me virar e ver quem era?

– Sasuke? O que está fazendo aqui?– Perguntei surpresa. – Me solta, Sasuke. – Dsse puxando meu pulso para que ele soltasse.

– Eu disse que não tínhamos terminado nossa conversa quando sai da sua sala.

– E por causa disso você me segue e me dá esse susto? Qual o seu problema, Uchiha?– Comecei a andar, já estava perto da minha casa, mais um pouco e poderia fechar a porta na cara dele.

– Eu não teria te assustado se você não estivesse distraída.

– Então a culpa agora é minha?– Já consigo ver minha casa, vamos Sakura. Quase lá. Finalmente. Agora é só pegar a chave e...

–Será que dá pra você me ouvir? Que droga Sakura, eu estoy tentando falar com você. – Ele puxou meu braço pra me impedir de abrir a porta.

– Não temos nada pra falar, agora me solta Uchiha, me solta ou eu vou começar a gritar. É sério.

– Não, você vai ouvir o que eu tenho a te dizer, e quando eu terminar, se você quiser continuar fugindo de mim pode continuar.

– Continuar fugindo? Eu não estou fugindo de você. O tempo de conversar acabou Uchiha, vai emb...– Não pude terminar de falar porque Sasuke me interrompeu, mas se fosse só falando tudo bem, porém não, ele me interrompeu porque me beijou. Isso mesmo, Uchiha Sasuke me beijou!

Eu tentei me debater, tentei me soltar, mas ele tinha segurado meus braços, e quem eu quero enganar? Eu não queria me soltar. Comecei a relaxar e a retribuir. E ele percebeu, porque me soltou. Eu passei meus braços ao redor do pescoço dele, e comecei e mexer em seu cabelo. Macios, como eu pensei. Ele passou os braços ao redor da minha cintura e me puxou pra mais perto. A sensação de ter seus lábios nos meus, de ter o corpo dele colado ao meu, eu queria que nunca parasse, não queria ter que soltá-lo. Mas o oxigênio se tornou necessário e tivemos que nos separar. Porém não tive coragem de abrir os olhos. Não tenho coragem de olha-lo nos olhos, não depois te termos nos beijado.

– Será que agora você pode parar de falar e me ouvir? – Eu ia responder, mas ele não me deixou falar. Continuei de olhos fechados esperando ele continuar falando e eu pude sentir quando ele começou a passar os dedos na minha bochecha, um carinho que eu nunca o imaginei fazendo.– Tenho tentado falar com você desde que voltei, mas você não foi um dia sequer na minha casa. E quando eu sai você não estava lá com o baka do Naruto, então eu fui até o hospital...

– Espera.– O interrompi porque acabei pensando em uma coisa. Então tive que abrir os olhos e me arrependi. Ele continuava muito perto. Perigosamente perto. – Você disse que tinha ido ao hospital porque estava machucado. Eu curei você, vi seus machucados. Vocês dois não estavam treinando?

– É um pouco mais complicado, Sakura. De qualquer jeito, não era sobre isso que eu ia falar com você no hospital. Eu...– Dessa vez eu não o interrompi, ele não concluiu a frase mesmo. Parecia nervoso.

– O que você foi falar comigo Sasuke?

– Você tem que saber que não é algo muito comum pra mim. Talvez eu não me saia tão bem, porque acho que nunca fiz isso, mas eu preciso.– Ele estava mesmo nervoso. Isso realmente era inacreditável. – Eu queria me desculpar Sakura. Por tudo que eu te fiz, por todas as coisas que eu te disse e que eu sei que te magoaram, por todas as vezes que eu agi feito um idiota com você. Eu sinto muito, Sakura. Sinto muito mesmo por ter tentado te matar. Se Naruto e Kakashi não tivessem me impedido, hoje eu estaria arrependido. Eu estava cego pelo ódio e pelo desejo de vingança. E espero que você realmente possa me perdoar, um dia.

Eu estou sem palavras. Sasuke estava se desculpando por tudo que já me fez? E como se não bastasse, ele falou tudo isso ainda acariciando meu rosto e ainda estava com o braço ao redor da minha cintura. Eu sei que disse mil vezes, depois de todas as noites em que chorei por ele, que jamais o perdoaria, mas ele me beijou e se desculpou dessa maneira. Pareceu tão sincero. E mesmo que ele tenha me beijado apenas para que eu parasse de falar, ainda foi um beijo...

– Aqui, olhando nos seus olhos, eu tenho certeza de que você está arrependido. Como posso não te perdoar se você está aqui, se desculpando e sendo tão sincero? Como Sasuke? – Eu disse sorrindo, enquanto continuava mexendo em seu cabelo.

– Isso quer dizer que você me perdoa?

Eu continuava sorrindo e acenei a cabeça positivamente. Ele me beijou de novo. E esse beijo foi diferente. Foi intenso. Eu podia sentir o desejo dele, explorava minha boca como urgência, e eu o acompanhava. A muito tempo eu queria beijá-lo. Quando nos separamos eu podia ver o desejo em seus olhos e acho que os meus não estavam diferentes. Eu o queria. Aqui e agora. Embora nunca tivesse feito isso antes, eu não estava nervosa. Surpreendentemente, eu confiava nele.

– Eu quero você, Sasuke.– Eu estava ofegante.

– Se eu começar, não vou conseguir mais parar. Tem certeza, Sakura? – Ele também estava.

Como resposta eu o beijei novamente. Ele me levantou e eu entrelacei minhas pernas ao redor de sua cintura. Não entramos pela porta. Sasuke entrou pela janela do meu quarto. Não faço ideia de como ele sabia onde ficava meu quarto. Ele me pôs no chão sem deixar de me beijar e eu comecei a tirar sua camisa...

(...)

Sol. O Sol invadia meu quarto. Ai que dor de cabeça. Isso que dá beber, Sakura. Você sabe que é fraca pra bebidas e mesmo assim insiste em tomar um ou dois copos. Patético. Olhei no relógio e eram... 10hrs??????????

– Não acredito que estou atrasada. Eu nunca me atraso. Sakura, sua idiota...– Parei de falar quando tentei me levantar e senti dois braços me prendendo possessivamente. Eu me virei e dei de cara com Sasuke dormindo. Por pouco tempo porque ele estava acordando.

As lembranças da noite passada me atingiram com tudo. Nós dormimos juntos! Eu dormi com Sasuke. Eu! Mas você não pensou em como olharia na cara dele no dia seguinte, não é? E agora? Pensa, pensa, pensa. Finja que esta dormindo. Isso!

Me virei novamente e fechei os olhos. Precisava de um pouco mais de tempo para organizar meus pensamentos. Tá legal, ele me seguiu, e me impediu de entrar em casa pra pedir desculpas. Eram desculpas sinceras, isso eu sei. Mas por que eu dormi com ele? Ele podia estar alterado, ele também bebeu, mas na hora ele parecia tão sóbrio. AAAAAARGH que confusão. Ele já deve estar acordado. Tudo bem Sakura, se vire, e...

– Sei que está acordada, Sakura.– Eu me virei lentamente, e quando o vi apoiado na cama usando o braço, me esqueci totalmente do que iria fazer. Se bem que acho que eu não fazia ideia do que iria fazer antes dele falar comigo.

– Como sabia que eu estava acordada?– Uma pergunta? Brilhante Sakura.

– Quando acordou, acabou me acordando.– Ele falava olhando diretamente nos meus olhos. Estava óbvio que ele queria ver qual seria minha reação, mas sinceramente? Nem eu mesma sei como agir.

– Desculpe, não era minha intenção. – Eu olhava pra todos os lugares do meu quarto, menos pra ele. De repente a janela atrás dele tinha se tornado muito interessante.

Mas eu desviei minha atenção da janela quando senti sua mão em meu rosto me fazendo olhar para ele. Olhos nos olhos. Isso nunca terminava bem.

– Escute, Sakura...

Não Sasuke, não vamos falar disso, eu... eu acho que... eu acho que o que aconteceu aqui deve ser esquecido. – Não o deixei terminar de falar e o interrompi. Não podia deixa-lo falar que havia sido um erro. Seria pior se eu o ouvisse falar isso. Então eu mesma falei. Me sentei na cama e falei. Sem olhar em seus olhos. Segurei firmemente o lençol em frente ao meu corpo. Estava nervosa.

– É isso mesmo que você acha? Porque eu acho que você esta mentindo.– Ele também se sentou. Eu ainda não olhava pra ele, mas sentia que ele me olhava.

– Do que importa o que eu acho ou deixo de achar, Sasuke? Isso é o que você acha. Só estou tornando mais fácil falando isso pra que você não precise dizer. – Agora sim eu olhei para ele. E me arrependi no mesmo instante. Ele ficava ainda mais lindo quando acordava. O cabelo mais bagunçado, dava vontade de passar a mão. Eu ainda o amava, sabia disso, sabia que nunca tinha deixado de amar. Mas ele não precisava saber. Por que ele simplesmente não me deixou acordar sozinha na cama? Aposto como ele fez isso com todas as outras com quem dormiu.

– Irritante. Você continua a mesma irritante de sempre. – E o que o maldito fez quando terminou de falar? Isso mesmo, esse desgraçado sorriu. O mesmo sorriso de canto que faz com que minhas pernas fiquem moles. Eu ia falar, mas ele não deixou. – Tem que perder essa mania, sabia? Parar de interromper as pessoas e deixa-las terminar de falar. Não faz ideia de como isso irrita.

– Você quer falar? Ótimo, então fale.– Me virei novamente olhando para a frente. Eu o ouvi respirar fundo, parecia estar tomando coragem. Hora de ouvir a realidade, Sakura.

– Eu te amo, Sakura.– Mas a realidade não me preparou pra ouvir isso. Eu estava em choque, ele havia mesmo dito que me amava? Me virei pra olhar pra ele e ele estava me olhando com expectativa, com... Amor? Não, não, não, isso é impossível. Não tem como ele me amar. Não esse Sasuke.

– O..o..o que? – Não era bem essa reação que ele esperava, porque ele abaixou a cabeça, respirou fundo, levantou a cabeça de novo e voltou a falar.

– Eu sabia que não ia ser fácil fazer você acreditar em mim, e eu não levo muito jeito com isso então...– Ele riu nervoso, é a primeira vez que eu o vejo rindo porque estava nervoso. Mas ele continuou mesmo assim. – Eu acho que sempre te amei Sakura, é engraçado como eu nunca admiti isso pra mim mesmo. Nunca tive coragem. Sempre senti algo por você, algo que estava além da minha compreensão, e por não entender eu guardei esses sentimentos o mais fundo que conseguia. Mas sempre que você estava por perto, ou alguém falava de você, eles voltavam, e isso me irritava profundamente. Você me irritava, ainda me irrita e acho que sempre vai me irritar. – Eu não falei nada, esperava que ele continuasse, porque nesse momento eu não fazia ideia do que falar, e eu acho que ele entendeu, porque continuou falando. – É irritante o modo como eu me sinto perto de você Sakura, o modo como eu reajo sempre que escuto seu nome, ou o modo como eu me preocupo com você, é irritante o fato de que desde que voltei eu penso em você todo minuto de cada dia. Até em meus sonhos você me irrita Sakura. Eu sonho com você desde que sai da vila. E... – Ele parou de falar quando eu o abracei. Não consegui mais ouvir o que ele falava e continuar só ouvindo. Tinha que fazer algo. E já que estava nervosa demais pra falar o jeito era demonstrar. Ele retribuiu meu abraço e algumas lágrimas começaram a cair. Eu não queria chorar, mas não consegui. Me separei dele antes que ele percebesse que eu estava chorando.

– Me.. me desculpe, eu.. eu não queria estar chorando, eu.. – Eu não consegui terminar de falar, não conseguia parar de chorar. Tentei limpar as lágrimas que teimavam a cair.

– Tudo bem.– Ele se aproximou, e com uma mão pôs uma mecha do meu cabelo que estava caindo no meu rosto atrás da orelha, e com a outra limpou algumas lágrimas. Me senti mais calma na hora, e comecei a parar de chorar. – Olha, eu não espero que você diga que ainda me ama, já faz tanto tempo, e eu nunca fiz nada para que você me amasse, mesmo assim eu tinha que falar com você. Eu esperava me desculpar quando voltasse, mas você não apareceu no quarto de hospital em que eu estava. Enquanto estava na prisão domiciliar você também nunca foi até minha casa. Eu perguntava por você ao Naruto e ele dizia que você estava ocupada demais com o hospital, mas eu sabia que era mentira. Sabia que você não queria me ver, e não faz ideia de como isso me machucou. Saber que você estava me evitando. Isso só me fez pensar que você não sentia mais nada por mim, e então quando eu sai a primeira coisa que fiz foi falar ao Naruto para irmos treinar. Deixei com que ele me machucasse para que eu tivesse uma desculpa para ir ao hospital, então...

– Espera, eu ouvi direito? Você se deixou machucar para ter uma desculpa pra falar comigo?– Isso foi idiotice até mesmo pra ele. Mas confesso que gostei de saber disso.

– Você não me deixaria machucado no hospital, pelo menos era o que esperava. Mas eu não tinha tanta certeza e eu não sabia como agir caso você se negasse a me atender. Se isso acontecesse significava que você não sentia mais nada por mim, então você apareceu e eu continuei tendo esperança, só que você se dirigiu a mim tão friamente, que quase toda esperança que eu ainda tinha se dissipou. Você nunca havia me tratado tão formalmente, nunca havia me chamado pelo sobrenome. Eu nunca tinha me sentido daquele modo. E não é algo pelo qual eu quero passar de novo. – Talvez eu tivesse sido um pouco fria com ele, agora que eu pensava melhor, mas eu tinha meus motivos. – Mas na sua sala, eu pude ver o quanto você estava nervosa, o modo como você hesitava em se aproximar pra me curar. Aquilo deixou bem claro pra mim que você ainda me amava. Embora sua boca dissesse o contrário, seu corpo agia de outro modo, e eu sabia que se olhasse em seus olhos teria certeza, mas você tentava evitar contato visual de qualquer jeito, e essa foi a minha certeza. – Ele voltou a acariciar minha bochecha, eu não conseguia mais desviar meus olhos dos seus. Eram como uma imã.– Eu decidi então fazer a sua vontade e ir embora. No caminho pra sair do hospital, eu encontrei Hinata e pedi para ela falar com Ino e garantir que você fosse naquela festa idiota que o Naruto estava arrumando. Ela não perguntou o motivo do meu interesse em que você fosse, e eu agradeci mentalmente, não sabia o que responder caso ela perguntasse, ela apenas disse que falaria com Ino pra que você fosse nem que amarrada. – Ele sorriu e continuou falando. – Quando a noite chegou e você não aparecia com Ino, eu pensei que você não fosse mais.

– Estávamos atrasadas.– Eu falei sem pensar e percebi que tinha interrompido ele de novo. – Mas isso eu já tinha falado... Desculpe.– Ele balançou a cabeça negativamente sorrindo e voltou a falar.

– Tive que aturar Naruto gritando no meu ouvido, falando sobre como o namoro dele com Hinata estava ótimo, e eu já estava ficando sem paciência.– Ele deu uma pausa e entrelaçou nossas mãos e ficou mexendo com meus dedos. – Então vocês chegaram e todos pararam pra ver. Claro, eu só tinha olhos pra você, você estava linda, e infelizmente não fui o único a notar isso. Pude ouvir os outros homens do bar dizendo como as mulheres que chegaram eram lindas. Eu não me importei muito com Ino, Gaara já estava de olho nela a um bom tempo. Mas quando ouvi eles falando de você, eu fiquei cego de ciúmes. E eu admito. Porque pela primeira vez o pensamento de que você já estivesse com alguém me apareceu, e o medo me invadiu. Eu nunca havia pensado na possibilidade de que você não tivesse me esperado. E a incerteza só me deixava pior.– Ele abaixou a cabeça novamente. Dessa vez eu não podia mais ficar sem falar nada só ouvindo. Eu soltei minhas mãos que ele ainda segurava e segurei seu rosto o levantando para que ele me olhasse.

– Eu não tinha motivos pra te esperar. Eu estava magoada. Você me abandonou em um banco, Sasuke. Você tentou me matar. Qualquer outra teria seguido em frente. – Agora era eu quem acariciava seu rosto. Ele tentou falar mas eu não deixei. Coloquei um dedo de leve em seus lábios para impedi-lo. Mas sem tirar a mão de seu rosto.– Eu sei que você já pediu desculpas. E eu desculpei, mas estou explicando meu ponto de vista. O que estou tentando dizer é que nada mais disso importa, Sasuke. Eu não sou como qualquer outra já que não conseguir seguir em frente. Não consegui te esquecer. Eu ainda te amo, Sasuke. Nunca deixei de te amar, e duvido que um dia deixarei. – Assim que terminei de falar, Sasuke sorriu e me puxou. Ele me beijou, e eu retribui. Agora eu tinha certeza. Ele me amava. Sasuke pediu passagem com a língua e eu prontamente deixei. Nossas línguas travavam uma batalha silenciosa e deliciosa. Sasuke mordeu meu lábio inferior quando nos separamos e eu não pude evitar sorrir.– Você nunca fez nada para que eu te amasse, e isso é verdade. Acho que você vai ter muito trabalho daqui pra frente Uchiha, eu te amei por um bom tempo sem ser correspondida. Você vai ter que recompensar todo esse tempo ouviu?– Perguntei sorrindo. Como resposta ele me beijou de novo, um beijo rápido.

– Eu vou fazer isso, Sakura. Eu te amo, nunca se esqueça disso. Vou compensar, prometo.– Eu o beijei de novo. Tentei colocar todo o meu amor por ele nesse beijo.

– Eu também te amo, mas eu estava brincando. Não preciso ser compensada. Só não me deixe de novo e fique longe da Emi, que vou ficar bem.– Não podia me esquecer dela, agora ela vai ficar bem longe do Sasuke ou eu não irei responder por mim. E ele teve a coragem de rir.

– Você fica ainda mais linda com ciúmes, sabia?– Ele colocou uma mecha do meu cabelo atrás da orelha, de novo, e eu inclinei a cabeça na direção da mão dele pra apreciar melhor esse carinho.

– Vai falar que não notou ela se jogando pra cima de você? Por favor Sasuke, até um cego veria. Que raiva dela, qualquer coisinha era um motivo pra passar a mão em você. Te alisar... Eu juro que se ela fizer isso de novo eu não respondo por mim. Quem ela pensa que é pra dar em cima do meu...do meu.. – O que o Sasuke era meu? Nós dormimos juntos, ele disse que me amava, mas não tínhamos nada concreto. Ele percebeu que eu não conclui a frase, porque não sabia o que falar.

– Do seu...? – Ele queria que eu dissesse, ele estava me incentivando, mas o que ele queria que eu falasse? Eu tenho que arriscar.

– Namorado?– Eu perguntei incerta em vez de afirmar. E ele sorriu, com aquele sorriso de canto que eu amo, me fazendo sorrir também.

– Acho que considerando a noite passada nada mais justo não acha? Na verdade por mim, já nos casávamos. Mas acho que seus pais não concordariam muito com isso. Além do mais, eu disse que compensaria por todos esses anos, e estaríamos apressando as coisas. O que acha?– Ele fez uma pausa. –Quer namorar comigo, Sakura?

Como descrever o que eu senti nesse momento? Acho que estou sonhando. Mas não, Sasuke está na minha cama, me pedindo em namoro depois de dizer várias vezes que me amava. Não tem como descrever o que estou sentindo. Felicidade ainda é pouco.

– Você ainda quer que eu responda? Óbvio que sim Uchiha, na verdade achei que nunca pediria.– Respondi brincando e o beijei. Ele retribuiu na hora, dessa vez eu pedi passagem com a língua. Quando nos separamos ele ainda me deu mais um beijo rápido.– Mas, você não está fazendo isso só porque me levou pra cama, não é?–Claro que eu estava brincando, e ele percebeu.

– É isso que acha de mim, Sakura? Não importa, se for, vou ter o prazer de mostrar que está errada. Vou ter o prazer de demonstrar o quanto te amo de hoje em diante.– Ele me jogou na cama e eu gritei. Ele se deitou por cima de mim e me beijou de novo. – E vou ter o prazer de torturar e matar qualquer idiota que dê em cima de você, ouviu bem?

– A é? Você é tão ciumento assim, Uchiha? – Eu perguntei, e ele me beijou de novo.

– Você nem faz ideia, Haruno. Eu cuido muito bem do que é meu, e de hoje em diante você é minha, ouviu? Só minha.– Eu ri, não aguentei. Ele acariciou minha bochecha de novo. Poderia me acostumar com isso. – Adoro o som da sua risada. – Ele comentou como quem não quer nada e eu o olhei com carinho. Ele era só meu. O que mais eu poderia pedir? – No que está pensando?

– Estou pensando que de agora em diante você também é meu. Só meu. E que eu não poderia pedir mais nada.– Minha mão estava em torno do pescoço dele, brincando com seu cabelo, e ele deu um rápido beijo no meu braço.– E eu também cuido do que é meu, ouviu bem Uchiha?– Resolvi usar as mesmas palavras que ele.

– Nunca pensei que você fizesse o tipo ciumenta, Haruno. Você é tão ciumenta assim? – Ele entrou na brincadeira.

– Não faz ideia.– Eu terminei de dizer e então o puxei para um beijo. Um beijo lento e apaixonado. Eu o amava, e sabia que Sasuke também me amava. Quem diria que a noite de ontem terminaria assim? Acho que tenho que agradecer a Ino por ter me arrastado para quela festa de boas-vindas ao Uchiha. Falando em Ino... – Aaan...– Não pude evitar um gemido quando o senti massageando meu seio direito por cima do lençol. Ele começou a beijar meu pescoço. Beijos suaves, tão bom. – Sas..sasuke... espera.– Tentei para-lo, eu precisava avisar alguém do hospital de que não iria hoje.

– O que?– Ele falou mas continuou beijando meu pescoço. Intercalando entre beijos e suaves chupões. Foco Sakura.

– Eu.. eu tenho que..que.. AAAH.– Ele passou a massagear meus dois seios, só que dessa vez sem o lençol. Sasuke estava me enlouquecendo. – Eu tenho que avisar ao hospital de que não irei hoje.– Falei rápido, se não iria gemer novamente.

Ele levantou a cabeça para que eu pudesse vê-lo.

– A essa hora já devem ter percebido. Relaxa Sakura. Você não quer que eu pare, quer? – Ele tinha razão, a essa hora já devem ter notado, além do que, um dia de folga não me mataria. Sasuke viu que eu estava indecisa e para "ajudar" na minha decisão abocanhou meu seio direito.

– AAAH!– Sentia sua língua rodeando meu mamilo, que já estava inchado, ele mordia e as vezes chupava, eu não queria mesmo que ele parasse. Não podia fazer nada se não gemer descontroladamente seu nome. Isso porque ele nem havia começado.

– Viu? Você não quer que eu pare.

– Você pode ser bem persuasivo quando quer.

Ele riu e se aproximou do meu ouvido. Falando com uma voz rouca e sexy.

– Você não faz nem ideia, meu amor.– Em seguida ele mordeu o lóbulo. Eu dei um fraco gemido.

– Vou ter muito tempo para descobrir...– Me aproximei de seu ouvido, e falei com a voz mais sexy que consegui. – Meu amor. – Em seguida mordi seu pescoço.

Ele me empurrou na cama novamente e prendeu meus dois braços acima da minha cabeça.

– Eu te amo, Sakura.– Falou olhando em meus olhos.

– Eu também te amo, Sasuke.

Então ele me beijou, e eu percebi que, por mais que eu tivesse sofrido sem ele, de agora em diante, eu não sofreria mais. Sasuke estaria ao meu lado. Me protegendo, me amando... Ele seria tudo aquilo que achasse que precisasse. E eu sabia, que levaria muito tempo até que eu conseguisse fazer com que ele percebesse, que ele não precisava fazer nada, só continuar ao meu lado.



Notas finais do capítulo

Epílogo?



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