O Segredo das Sombras escrita por Alison Adams


Capítulo 3
Capítulo 2 - Um Sonho


Notas iniciais do capítulo

Já cá está outro capítulo!! Ultimamente ando inspirada xD




Jéssica levantou-se bruscamente e disse, ainda muito assustada:

– Vou chamar uma ambulância.

– Não é preciso – disse-lhe ainda com a voz fraca – Eu estou bem.

– Estás bem!? – exaltou-se a Jéssica – Olha à tua volta! Está tudo cheio se sangue! Que raio é que se passa contigo?

Senti as mãos a tremer e ainda via as coisas a andarem um pouco à roda.

– Cila... – murmurou a Jéssica – O que é que se passa?

Eu não sabia o que lhe responder porque não sabia porque é que aquilo tinha acontecido. Mas eu não estava assustada. Era como se sentisse alguém a olhar por mim. Continuei a fitar o canto da parede onde eu vira aquela sombra. Eu sei que poderia parecer uma grande loucura, mas algo me prendia a ela. Levantei-me, apoiando-me no lavatório ensanguentado, e respondi:

– Preciso de descansar. Não chames ninguém, por favor.

Cambaleei um pouco, a Jéssica aparou-me e ajudou-me a ir para o meu quarto.

Deitei-me de barriga para cima na cama. Estava muito cansada após aquele episódio na casa de banho. E acho que a Jéssica se apercebeu disso porque aproveitou o momento, antes que eu adormecesse, para me perguntar:

– O que é que estava na parede? Ficaste a olhar para ela durante imenso tempo.

Eu poderia mentir mas eu nunca lhe faria isso:

– Uma sombra.

– Do quê?

– Sinceramente, não sei. Mas eu ia jurar que era de uma pessoa.

– Não estava mais ninguém, para além de nós, na casa de banho.

– Eu também não vi mais ninguém.

Ela ficou calada. Provavelmente a achar que eu tinha ficado louca, mas não me importei porque foi nesse momento que eu adormeci.

Poderia ter sido um sono descansado para eu reaver as minhas forças, mas não.

“Estava uma noite de luar, onde tudo apontava para uma noite tranquila.

Eu conseguia ver os seus olhos verdes a me fitarem com tanto amor, que transbordava dos mesmos em forma de lágrimas. Foi nessa altura que me apercebi que aquelas lágrimas que escorriam por um rosto tão belo simbolizavam tristeza. Todavia ainda sabia a sua razão.

Foi nesse momento que eu senti. Algo negro que se aproximava. Um pressentimento de que algo sombrio se avizinhava. Era como se tudo à minha volta me estivesse a avisar de que as trevas estavam a chegar.

O ambiente ficou pesado. A senhora dos grandes olhos verdes e cabelos castanhos escuros com largos caracóis desfeitos abraçou-me com força contra o seu peito.

Levantou-se e, antes de abrir a porta, disse-me:

– Eu não queria que isto terminasse assim. Mas... às vezes o que dói mais é o melhor a fazer. Eu amo-te, meu amor. Não importa onde eu esteja.

Eu não conhecia aquela mulher, mas tudo nela mexia comigo. Os seus olhos, a sua voz, o seu toque, o seu cheiro…

Comecei a ver sombras à nossa volta, como aquela da casa de banho. E um choro de um bebé soou.

Ela saiu de casa quase a correr. E de repente parou. O seu rosto estava branco e ela não conseguia respirar. Comecei a desesperar. Ela tinha que respirar. Ela não podia morrer assim.

Ela caiu por terra tentando aparar a minha queda também. Ela murmurou algo, mas eu não queria saber disso. Os seus olhos verdes agora demonstravam um tom azulado e foi aí que senti umas mãos a tirarem-me dos seus braços.

Uma senhora com um véu que lhe tapava o rosto levou-me. Os seus olhos azuis, a única parte do seu corpo que eu conseguia ver, eram-me estranhamente familiares.

Ficámos escondidas entre as árvores enquanto ela via tudo o que acontecia.

A senhora de olhos verdes estava a morrer lentamente. Cuspia sangue para o chão e as pessoas fugiam. Arrepiei-me quando um senhor de barba grisalha a tentou ajudar e caiu morto por terra.

E, quando já quase ninguém sobrava, um homem apareceu no meio de toda aquela confusão. O seu rosto ao olhar para a senhora demonstrava uma doçura inconfundível e depois apenas tristeza. Foi nesse momento que eu percebi que ela tinha morrido.”

Acordei sobressaltada. As paredes brancas e aquela cama de grades eram inconfundíveis. Eu estava no hospital. Sentia o suor a escorrer-me pela testa e reparei que a Jéssica estava sentada numa cadeira mesmo ao meu lado.

– Desculpa, Cila... Mas tu começaste a arder em febre e eu não te conseguia acordar. Eu entrei em pânico...

– Está tudo bem – disse-lhe, tentando acamá-la.

Os meus pais estavam já debruçados sobre a cama.

– Como é que te sentes? – perguntou a minha mãe. Os seus cabelos loiros, curtos e lisos, e os seus olhos azuis acalmavam-me sempre.

O meu pai de cabelos castanhos e olhos azuis demonstravam preocupação. Ele não era muito alto e já tinha um pouco de barriguinha. Vi-o a sair do quarto e ouvi-o a chamar uma enfermeira.

A enfermeira entrou juntamente com o médico.

– Dói-lhe alguma coisa? – perguntou o médico.

– A cabeça dói-me um pouco – confessei e perguntei de seguida – Quando posso ir para casa?

Já estava farta daquele lugar. Eu nunca gostara de hospitais e o seu cheiro deixava-me mal disposta.

– Só temos de fazer mais uns testes mas, se estiver tudo bem, talvez amanhã ao final da tarde. Desde que descanse durante os próximos dois dias, no mínimo.

Ao olhar para o médico percebi uma incerteza por detrás dos seus olhos.

– O senhor não faz a mínima ideia do que eu tenho – conclui.

– É provavelmente do nervosismo – disse ele, mas eu detetei hesitação na sua voz.

– Ambos sabemos que o nervosismo não nos faz quase cuspir os pulmões pela boca – disse-lhe num tom seco – E eu não estava minimamente nervosa. Até acordara bastante feliz...

– Acho que precisa de descansar – disse o médico – Dar-lhe-emos algo para a dor de cabeça.

E saiu do quarto um pouco atrapalhado enquanto a enfermeira me dava um medicamento.

Olhei pela janela e, como já tinha escurecido, perguntei:

– Quanto tempo estive inconsciente?

– Umas quantas horas – disse o meu pai ainda a ponderar sobre o que eu dissera sobre o médico.

Ao fitar a minha mãe reparei no seu cansaço devido a toda aquela espera até eu acordar. E uma ponta de alívio por eu ter despertado.

– Pai, leva a mãe a casa. Ela não parece muito bem. Devia tomar um banho e ir dormir.

– Mas eu quero ficar aqui ao pé da minha pequena – disse ela.

– A Jéssica fica até o pai voltar – disse eu – Ele parece estar com melhor cara.

Ela sorriu-me e deu-me um beijo na bochecha e disse:

– Obrigada.

O meu pai também se despediu e olharam uma última vez para mim a partir da porta. O olhar da minha mãe deu-me um arrepio que me percorreu a espinha e o qual eu ignorei. Devia ser dos medicamentos que me tinham administrado.

– Como te sentes? – perguntou a Jéssica – Para além da dor de cabeça.

Encolhi os ombros para não ter que lhe mentir. Eu estava um pouco assustada com aquele sonho e sentia-me esquisita, num sentido um pouco bizarro. Eu nunca fora muito boa a perceber o que as outras pessoas estavam a sentir através do seu rosto e das suas expressões. Mas quando eu vira a face daquele médico, era como eu estivesse a ler um livro e aquilo fossem apenas palavras. Era fácil.

– Cila? Enquanto tu dormiste... – disse a Jéssica hesitando.

– Sim?

– Eu ia jurar que estavas em constante sofrimento.

– Porque é que dizes isso? – perguntei vendo a sua dúvida e curiosidade.

– Porque por vezes gemias e mexias-te muito – desviei o olhar e ela continuou: - Com o que é que estavas a sonhar?

Não lhe respondi.

– Tu sabes que podes confiar em mim – disse ela.

Engoli em seco e, ainda um pouco hesitante, disse-lhe:

– O meu sonho foi muito sinistro e estranho.

– Eu não te vou julgar.

E contei-lhe tudo, mas a parte que eu me lembrava melhor eram os olhos verdes um pouco azulados daquela senhora e as suas palavras: “Ás vezes o que dói mais é o melhor a fazer.”.

– Isso é de loucos – disse a Jéssica quando acabei de lhe contar.

– Eu sei – respondi-lhe.

Vi que a Jéssica me queria perguntar algo mas estava indecisa se o devia fazer ou não.

– Pergunta – disse-lhe.

– Quem eras tu nesse sonho?

Hesitei. Ainda não tinha pensado muito bem nisso apesar de saber a resposta.

– O bebé – respondi num fio de voz.



Notas finais do capítulo

Não se esqueçam das reviews!!



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