O Segredo das Sombras escrita por Alison Adams


Capítulo 2
Capítulo 1 - Acontecimentos Sinistros


Notas iniciais do capítulo

Aqui está o primeiro capítulo!! Espero que gostem e não se esqueçam das reviews! :D




16 de Setembro de 2013

Caminhei lentamente pelo passeio com os fones nos ouvidos e o som bem alto. Hoje era o primeiro dia de aulas. Ainda era de manhã mas já estava muito calor e, consequentemente, a única coisa em que eu conseguia pensar era na praia: o mar, o sol, a areia... Uma das vantagens de se viver no Algarve é que podemos ir à praia quando nos apetecer.

Foi nesse momento que reparei que nas varandas dos prédios se encontravam corvos. Pássaros pretos que sempre me causaram arrepios. Aquele não era o ambiente deles, o que tornava aquela situação muito mais estranha e que me criou um mau pressentimento, apesar de eu não ser supersticiosa.

Sentia que estava a ser controlada, que alguém estava a olhar para mim... era como se estivesse a ser seguida. Olhei para trás de repente e não vi ninguém. Tirei os fones e guardei-os na mala para tomar mais atenção ao que acontecia à minha volta.

Ao chegar à escola, tinha acabado de tocar. Ainda pensei em apressar o passo, mas senti-me tonta e com a cabeça a latejar. Reparei que alguns já tinham sido praxados e outros ainda o estavam a ser. Afastei-me da confusão para não ser atingida sem querer, visto ser do décimo primeiro ano.

Reparei no Simão que estava com o Raul a praxarem um rapazinho do décimo ano. O Simão tinha cabelos castanhos claros, meio alourados devido ao sol. Os seus olhos eram grandes e castanhos, mas o que me prendia mais o olhar eram os seus músculos que, para a sua idade, estavam bem tonificados. Ele fazia muito exercício físico desde muito novo e era também alto.

O Raul tinha uma constituição óssea larga e era um pouco mais baixo que o Simão. Os seus cabelos eram castanhos, tal como os seus belos olhos, tendo posto aparelho nos dentes há quase dois anos. Ele era uma pessoa risonha e estava sempre muito bem disposto.

No momento em que o Simão me viu, veio logo ter comigo. Abraçou-me com força, levantando-me no ar e dando uma voltinha.

Ri-me. Ele sempre fora assim comigo: um pouco impulsivo e muito à vontade. Quando me pôs no chão dei-lhe um beijo na cara e disse:

– Bom dia!

– Olá. Então como foi Londres? – perguntou-me.

– Foi lindo! Adorei! – disse eu com muito entusiasmo lembrando-me dos melhores momentos da viagem – Para a próxima tens de vir comigo. E, por acaso, fez muito calor.

– Estranho – comentou ele – Mas para hoje também diziam que ia estar nublado e vento, no entanto está muito calor e nem sequer há uma brisa.

Encolhi os ombros por não saber o que responder e perguntei:

– A Jéssica?

– Ela passou por aqui – disse ele – Acho que entrou.

– Está bem.

E aproximei-me mais do edifício passando pelo portão e, mais tarde, pela porta principal. A escola já estava cheia e para chegar ao horário levei alguns empurrões. Após ver a sala dirigi-me até lá, sendo apanhada de surpresa pela Júlia e o Frederico, a quem todos chamam de Fred.

A Júlia era simpática mas, como tinha muito dinheiro, era um pouco mimada e egoísta. Ela tinha cabelo liso, ruivo e pelos ombros. Os seus olhos eram castanhos e ela era alta, assim como magra. O Fred era mais ou menos da altura dela, e um rapaz forte. O cabelo dele era castanho escuro e os olhos azuis.

Algo neles estava diferente naquela manhã. Conseguia detetar entre eles uma certa cumplicidade e uns quantos olhares menos discretos. Será que teria acontecido alguma coisa durante as férias?

Mas a dor de cabeça sobrepôs-se ao meu raciocínio e impediu-me de o continuar.

– Olá – cumprimentei-os.

– Então? E Londres? – perguntou o Fred.

– Fenomenal, mas tenho que ir – disse com um tom um pouco brusco e levando a mão à cabeça.

Continuei o meu caminho um pouco aos tropeções, sendo que quase caí nas escadas. Ao chegar à porta da sala de aula tomei um comprimido que tinha dentro da mala e entrei. Reparei que a Jéssica já lá estava sentada numa mesa a falar com uns quantos amigos.

O seu cabelo era naturalmente loiro e um pouco ondulado. No entanto, ela este Verão pintara-o de vermelho com as pontas um pouco alouradas. Os seus olhos eram cor de avelã e ela era também magra e alta. O seu estilo grunge era um pouco rebuscado. Basicamente, ela juntava roupas que ao princípio não combinariam e forma um conjunto que, na minha opinião, até lhe ficava muito bem. Ela adorava conviver com rapazes e, devido à sua personalidade muito característica, tinha muitos que gostavam dela. Ela também era um pouco namoradeira, mas, a menos que ela nutrisse algum sentimento pelo rapaz, ela não se envolvia com ele. Apenas gostava de namoriscar.

Eu conhecia-a desde os meus quatro anos e por isso conseguia deduzir a sua reação.

– Cila! – guinchou ela.

E veio logo dar-me um forte abraço e depois continuou:

– Senti tanto a tua falta! Conheceste algum rapaz giro?

Dei uma leve gargalhada. Eu tinha tantas saudades dela e da sua forma espontânea de ser. Tal como da sua tendência para se meter na minha vida.

– E a Alex? – perguntei ignorando a sua pergunta.

A Jéssica e a Alexandra eram as minhas melhores amigas, contudo eu confiava um pouco mais na Jéssica. Eu considerava a Alex um pouco imatura em algumas situações e carente de atenção.

– É verdade tu ainda não sabes... – disse a Jéssica baixando o tom para só eu a poder ouvir – Ela e o Fred envolveram-se na semana passada. Mas ela não quer que ninguém saiba para além de nós as três porque ele é um pouco tímido.

– Não – respondi e o resto saiu-me antes que eu me conseguisse controlar – Acho que ele anda metido com a Júlia.

– O quê? – guinchou a Jéssica – Tens a certeza?

– N-não – atrapalhei-me um pouco porque acho que já tinha falado demais – Mas encontrei-os a caminho da sala e eles pareciam muito “chegados”. A Alex está apaixonada por ele?

– Não sei. Ela diz que apenas aconteceu – disse a Jéssica.

– É melhor não lhe dizermos nada até termos a certeza.

– Concordo. Mas vá conta-me lá dessas férias e do rapaz.

Corei um pouco e disse-lhe tudo sobre a minha viagem maravilhosa. Incluindo o momento em que eu estava num dos jardins e um rapaz se meteu à conversa comigo e acabámos por lanchar juntos. Todavia tive que guardar os pormenores para mais logo porque o professor acabara de entrar na sala seguido pelos últimos alunos, como a Alex.

Fiquei radiante quando notei que só tinha aulas de manhã e por isso decidi ir para casa descansar. A dor de cabeça continuava a insistir e o comprimido não fez qualquer efeito. A Jéssica veio comigo porque desde pequenas que somos vizinhas. Ela vivia na casa em frente da minha ao pé do centro comercial.

– Estás branca, Cila! – disse a Jéssica, muito surpreendida.

– Eu não me sinto muito bem – disse – Estou com uma dor de cabeça horrível.

– Eu só vou a casa deixar as minhas coisas – disse ela – Eu depois vou para a tua casa ok?

– Está bem – respondi.

Entrei dentro de casa e deixei a porta entreaberta para a Jéssica depois entrar. Comecei a ter dificuldade em respirar e fui até à casa de banho lavar a cara. Ao começar a tossir pus a mão à frente da boca e reparei nos salpicos de sangues que ficaram nela. Fiquei preocupada principalmente porque não conseguia controlar o que me estava a acontecer. Eu sentia uma necessidade muito forte de expelir o fluído que me estava a aparecer nos pulmões. Continuei a tossir e a cuspir sangue para o lavatório em grandes quantidades.

– Cila? – ouvi a Jéssica à entrada a chamar por mim.

– A-Aqui – respondi a custo.

O lavatório estava cheio de sangue e eu senti o olhar da Jéssica. Vi a sua expressão de pavor enquanto eu continuava a tossir e deitar sangue pela boca. Era como se estivesse a cuspir os meus próprios pulmões.

– O que é que se passa? – perguntou ela a medo.

Deixei de sentir necessidade de tossir e sentei-me no chão por ter as pernas fracas. Ela pôs-se de joelhos ao meu lado, muito preocupada.

– Eu estou bem – disse-lhe.

– Não estás nada! Tu deitaste quase o teu sangue todo cá para fora!

E eu juro que numa parede vi uma sombra de uma pessoa que do nada desapareceu.



Notas finais do capítulo

Espero que tenham gostado e que continuem a ler. Ainda há muito por desvendar e muitas questões ainda se irão levantar. Continuo à espera dos vossos comentários ;)



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