About Sirius Black escrita por Ster


Capítulo 78
Depois - 1994


Notas iniciais do capítulo

Muito obrigado à Ninny e Thais Sampaio pelas recomendações, muito obrigada mesmo. E sejam bem vindas!



REFLEKTOR

1994

– Vai me matar, Harry? – não será o primeiro que tem esse desejo, quero ver se é o primeiro a conseguir. Vai me matar, Harry? Então que faça. E eu desejei que o fizesse. Se eu morresse olhando aquele rosto, sendo a última imagem a ser vista... Não é um fim tão ruim assim. Antes aqui do que lá. Se eu pudesse mostrar a Harry cada momento de minha vida em que eu fitei aquele rosto, ele sequer teria coragem de erguer uma varinha contra mim, sentiria vergonha. Mas ele foi ensinado e educado a acreditar que eu era o verdadeiro vilão.

Você quer saber algo engraçado sobre os heróis?

Ser um herói é uma consequência, um preço, e não um presente. Quando você se dá, logo perde algo.

Vai me matar, Harry?

Talvez eu goste da dor. Talvez nós estamos ligados de alguma forma. Porque sem ela, eu não sei, talvez eu não me sinta real. Pois eu não me lembro de um momento sequer da minha vida sem a constante presença da mesma. Então, você quer saber por que continuo me torturando? Porque é delicioso quando eu paro.

– Você matou meus pais.– Olhei para meu melhor amigo. Um metro e setenta e cinco de muita idiotice. Fios negros nunca penteados, olhos que nunca param de brilhar e um sorriso que nunca morre.

– Não nego que matei. – Acelerei mais ainda, mas minha moto parecia estar em câmera lenta quando uma grande casa vitoriada de frente para o bosque de Godric Hollow estava destruída. – Mas se você soubesse da história completa...

Ah Harry,

– E aí, qual seu nome? – perguntou o de óculos para mim.

– Sirius, e o seu?

– James. – ele sorriu. Ele gostava de sorrir.

Se você soubesse...

Olhei para James atrás do espelho. Olhei aquele rosto brincalhão e descontraído, o cabelo negro nunca penteado, os óculos estranhos e o castanhos esverdeado dos olhos...

– Você é meu melhor amigo. – James sorriu.

– Você é meu melhor amigo. – ele respondeu.

...De toda a história.

– Você é toda uma constelação. Preste bem atenção, você não está sozinho. Entendeu? Eu sou sua família. Sou seu irmão. Você não está sozinho.

– Ok. – minha voz falhou, fazendo-me abaixar os olhos e engolir seco.

– Lily é o amor da minha vida, mas... Você é minha alma gêmea. – sorriu James.

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– Estou com cara de adulto? – fiz a cara mais séria e concentrada possível fazendo Emmeline gargalhar em seguida. Jesus, que mulher difícil! – Emmeline, que droga, leva isso a sério por favor?

– Sirius, você não tem cara de adulto. Harry gosta de você e por respeito pensa que você é um adulto. – Ah! Isso me feriu profundamente, só para você saber sua coisinha sem coração! Virei-me dramaticamente concentrando-me para fazer o feitiço corretamente. Eu lembro que Remo adorava fazer isso nas férias, simplesmente colocar sua cara na lareira, no assustando. Era engraçado fazer isso com Pedro... Droga, odeio lembrar que ele existe. – Está pronto?

– Sim. – apliquei o feitiço e enfiei minha cara na lareira, sentindo vontade de vomitar por alguns segundos até eu estar na sala comunal da Grifinória. Meu Deus, isso é demais! A vidraça que quebrei no sexto ano ainda está quebrada? Que incompetência, Dumbledore! Olhe lá, a almofada queimada por Remo, a mancha do pudim de Pedro no teto... Será que dá pra ver daqui a pichação de James?

– Sirius, como é que você vai indo? – Ah, oi Harry! Ele mudou bastante... Estava precisando cortar o cabelo definitivamente. Vai por mim, eu convivi com uma cópia sua o suficiente para saber que cortes bem feitos vai fazer chover mulher. Ele parecia um pouco nervoso e ansioso, Jesus, é tão Remo/Lily, só foi a aparência de James mesmo.

– Eu não sou importante, como vai você. – perguntei sério. Adoro ser um adulto responsável.

– Estou... – Harry parecia profundamente incomodado. Porém, o garoto abriu a boca e não calou mais. Começou a falar que seu amigo estava o ignorando pois pensava que tinha se inscrito no Torneiro (drama adolescente aqui não, por favor), e que ninguém acreditava que ele não tinha se inscrito voluntariamente (bem, eu também não acreditaria), que Rita Skeeter (essa cadela, devia ter deixado Marlene bater nela no sexto ano) publicara mentiras sobre ele no profeta diário (Não, foi hilááááário o que ela escreveu, eu chorei de rir, apesar de Emmeline e Remo não terem achado engraçado. Depois que eu reli também não achei, talvez o ataque de riso tenha sido por causa do uísque), que Rony estava com ciúmes (Jesus Cristo...) e estava sozinho e sem ninguém para contar. – E agora Hagrid acaba de me mostrar qual vai ser a primeira tarefa, e são dragões, Sirius, e estou perdido!

Primeiramente estou te dando dois tapas na cara mentalmente. Ótimo. Agora vamos respirar fundo a analisar a situação:

1 – Mande seu amigo Rony ir se foder.

2 – Mande Rita Skeeter ir se foder.

3 – Arranje uma namorada ou algo pra fazer.

4 – Vá estudar.

5 – Até a próxima, Harry.

Claro que eu não disse nada disso, mas foi tudo o que eu pensei. Eu precisava me portar como um adulto, então tudo que fiz foi fita-lo com minha melhor expressão de preocupação. Porém, eu realmente estava preocupado. Dragões... Merlin, isso é de foder tudo. Como um garoto de quatorze anos vai fazer isso? Dumbledore realmente está louco, única explicação cabível. Senti Emmeline cutucar minhas costas, fazendo eu lembrar do que ela me mandou falar.

– Dragões a gente pode dar um jeito, Harry, mas falaremos disso em um minuto, não posso me demorar muito aqui... Arrombei a casa de bruxos para usar a lareira, mas eles podem voltar a qualquer momento. Tem coisas de que preciso alertá-lo. – Arrombando casas, isso aí, ele vai pensar que sou vivo perigosamente. Preciso manter pelo menos minha honra, já não faço mais nada de útil.

– Quais? – indagou Harry, confuso.

– Karkaroff. Harry, ele era um dos Comensais da Morte. Você sabe o que é isso, não sabe?

– Sei, ele... o quê? – PORRA, MOLEQUE! Respirei fundo, rolando os olhos rapidamente.

– Ele foi apanhado, esteve em Azkaban comigo, mas foi libertado. Aposto o que quiser que foi essa a razão de Dumbledore querer um auror em Hogwarts... – “Podia ter me escolhido!”, resmungou Emmeline atrás de mim. – ... Este ano, para ficar de olho nele. Moody foi quem pegou Karkaroff. Foi o primeiro que trancafiou em Azkaban.

– Karfkaroff foi libertado? – você é surdo ou burro? O que foi que eu acabei de dizer? Apenas fitei Harry, impressionado com a sua lerdeza. – Por que ele foi libertado?

– Ele fez um acordo com o Ministério da Magia. Ele fez uma declaração admitindo que errara e então revelou nomes... E mandou uma porção de outras pessoas para Azkaban em lugar dele... Ele não é muito popular por lá, isso eu posso afirmar. – quase sorri, lembrando do ódio que Theodore Nott falava sobre Karkaroff enquanto fazíamos nossas tatuagens. Nos poucos banhos de sol que tínhamos, eu fiz amizade com alguns russos bem divertidos, foi uma pena deixá-los para trás, mas ainda não acho que a sociedade está pronta para conviver com um bando de psicopatas. – E desde que saiu, pelo que eu sei, tem ensinado Artes das Trevas a cada estudante que passa pela escola dele. Por isso tenha cuidado com o campeão de Durmstrang também.

Não, tenha cuidado com qualquer ser humano de Durmstrang. Piper sabia fazer umas coisas que me deixa assustado até hoje.

– OK. – disse Harry devagar. Porra, menino devagar, James, pelo amor de Deus, ajuda essa criatura! – Mas... Você está dizendo que Karkaroff pôs meu nome no Cálice de Fogo – QUANDO FOI QUE EU FALEI ISSO, HARRY POTTER? – Porque se fez isso, ele é realmente um bom ator. Parecia furioso com o acontecido. Queria me impedir de competir.

– Sabemos que ele é um bom ator. – Eu não aguento a lerdeza de Harry, vou sacudi-lo mentalmente até ele acordar. – porque convenceu o Ministério da Magia a libertá-lo, não é? Agora, tenho acompanhado o Profeta Diário, Harry...

– Você e o resto do mundo. – cala a boca.

– ... E lendo nas entrelinhas do artigo que a Skeeter publicou no mês passado, Moody foi atacado na véspera de se apresentar para trabalhar em Hogwarts. É, sei que ela diz que foi mais um alarme falso – corrigi antes que ele abrisse a boca. –, mas tenho a impressão de que não foi. Acho que alguém tentou impedi-lo de chegar até Hogwarts. Acho que alguém sabia que seria muito mais difícil agir com ele por perto. E ninguém vai investigar muito. Olho-Tonto – maldito seja o apelido que Marlene inventou... – andou ouvindo estranhos, vezes demais. Mas isso não significa que tenha se tornado incapaz de identificar a coisa verdadeira. Moody foi o melhor auror que o Ministério já teve.

– Então... Que é que você está me dizendo? – Não... Não pode ser possível. SERÁ QUE ELE NÃO ENTENDEU NADA? Meu coração... Meu coração fraco não pode com tanta burrice. – Karkaroff vai tentar me matar? Mas... Por que?

Hesitei um pouco.

– Tenho ouvido coisas muito estranhas. – falei pausadamente. – Os Comensais da Morte parecem andar um pouco mais ativos do que o normal ultimamente. Mostraram-se publicamente na Copa Mundial de Quadribol, não foi? Alguém projetou a Marca Negra no céu... E, além disso, você ouviu falar na bruxa do Ministério que está desaparecida?

– Berta Jorkins? – Deixa eu te dizer algo sobre essa mulher: Burra até o inferno.

– Exatamente... Ela desapareceu na Albânia, e sem dúvida foi lá que diziam ter visto Voldemort pela última vez... E ela saberia que ia haver um Torneio Tribruxo, não é?

– É, mas... Não é muito provável que tenha dado de cara com Voldemort, ou é?

– Ouça, eu conheci Berta Jorkins. – Muito bem aliás, teve uma vez que ela seguiu James e eu até a passagem secreta das escadas, foi até Hogsmeade atrás da gente, provavelmente nos assistiu pegar umas garotas da vila e depois nos seguiu até a escola novamente e teria contado para todo mundo caso não tivéssemos visto que a sonsa estava nos seguindo o tempo todo. – Esteve em Hogwarts no meu tempo, alguns anos mais adiantados. E era uma idiota. Muito curiosa, mas completamente desmiolada. Não é uma boa combinação. Eu diria que ela poderia ser facilmente atraída para uma arapuca.

– Então... Então Voldemort poderia ter descoberto tudo sobre o Torneio? É isso que quer dizer? – nossaaaaaaa, ele entendeu alguma coisa, que milagre! – Você acha que Karkaroff poderia estar aqui por ordem dele?

– Não sei. – falei lentamente. Não faça perguntas difíceis, moleque. – Não sei... Karkaroff não me parece o tipo que voltaria para Voldemort a não ser que soubesse que o Lorde teria poder o suficiente para protege-lo. Mas quem pôs o seu nome no Cálice de Fogo fez isso de caso pensado, e não posso deixar de achar que o torneio seria uma boa ocasião para atacar você e fazer parecer que foi um acidente.

– Até onde posso ver, parece um plano muito bom. – replicou Harry, sarcástico. – Só precisam sentar-se e esperar que os dragões façam o serviço.

Ahahaha, é verdade. Digo, desculpe, claro que não Harry, pare com essas brincadeiras!

– Certo, esses dragões. – comecei rapidamente. – Tem um jeito, Harry. Não ceda a tentação de usar um Feitiço Estuporante, os dragões são muito fortes, e têm demasiado poder mágico para serem nocauteados por um único feitiço. É preciso de meia dúzia de bruxos para dominar um!

– Eu sei, acabei de ver. – disse Harry.

– Mas você pode dar conta sozinho. – fala sério, seu pai subia no dragão e ainda dançava em cima dele. – Tem um jeito... E só precisa de um feitiço simples. Basta...

Eu ia dizer que os olhos dos dragões são o ponto fraco, logo ele podia usar o feitiço Conjunctivitus, usamos no Snape no terceiro ano e ele quase ficou cego. Mas Harry ergueu a mão para me silenciar. Alguém estava descendo as escadas, porra!

– Vá! – sibilei. – Vá! Tem alguém chegando!

Tirei meu rosto da lareira rapidamente, quase morrendo sem ar. Fiquei deitado no chão de Emmeline por alguns minutos, com ela me fitando.

– Então você invadiu uma casa? – riu ela. Não enche Emmeline, o negócio tá sérissimo. Harry está me dando mais trabalho do que eu pensei que seria possível. Será que não podia ser, sei lá, excesso de detenção, pego com bebida alcoolica, quem sabe uns cigarrinhos? Continuei pensando, deitado no chão. Aos quatorze eu já sabia muitas coisas, mas não o suficiente para enfrentar um dragão. Imbecil como eu era, provavelmente eu iria de peito aberto, todo sorridente, morrendo carbonizado em seguida. Mas Harry é inteligente, filho de James e Lily, vai dar um jeito. Ele também tem aquela amiga inteligente, com certeza ela o ajudaria.

Não preciso me preocupar.

Eu acho.



Notas finais do capítulo

Tá, é divertido ter os pensamentos de Sirius durante os diálogos dele com Harry, mas não é nada legal ficar copiando todo o livro, na verdade é um saco.

E eu fiquei irritada, porque eu lembrei como eu também ficava irritada com a lerdeza do Harry. Gente, isso é muito sério, o Harry É MUITO DEVAGAR, É LENTO PRA CARALHO! Em todos os sentidos da palavra né? Não é possível, nossa... Eu fico até impressionada.

Enfim, agora eu vou tentar andar um pouco mais rápido, pois o Sirius tem destaque na história principal, cartas, encontros e essas coisas. Mais uma vez eu vejo que cometi um erro crucial.

Se eu pudesse reescrever a história...

Foi um erro colocar o Sirius na casa da Emmeline, foi desleixado, mal pensado e muito mal arquitetado. No encontro dele com Harry, ele ainda está com suas roupas de Azkaban. Dar um jeito de explicar isso, vai dar um tom imbecil pra história. Sem contar que (eu sabia que isso ia acontecer), eu me arrependi de ter pulado toda a cena de PdA, porque iria me poupar de muita coisa que vai vir.

Putz, eu sou uma completa idiota, desculpa de verdade gente, vacilei feio nas partes mais importantes da história, mil perdões. Não tem nem desculpas uma coisa assim.

Até o próximo capítulo.



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