About Sirius Black escrita por Ster


Capítulo 72
Depois - 1993


Notas iniciais do capítulo

Capítulo gerado do rascunho escrito por Agatha: http://fanfiction.com.br/u/128710/



FIRST BREATHE AFTER COMA

1993

EMMELINE’S HOUSE

Algo que aprendi é que você nunca deve olhar para trás.

O passado está morto e enterrado. Não há nada vivendo lá. O que importa é o presente. Mas estive tendo esses sonhos... Neles nada é real. Nada é sólido, tudo é fantasia. Tudo é fodido. Tudo ilusão. Nesses sonhos, sou uma vida que já se passou. O presente não significa nada. É apenas um fantasma que está me assombrando. Estou no fim do mundo, no abismo das coisas. E eu penso em largar tudo isso.

Meu nome é Sirius Black.

Eu fiz algo uma vez, meus fantasmas não me deixam esquecer disso.

– Por que não comeu? – Eu sei que deveria estar tão... Agradecido, mas eu simplesmente não conseguia respirar normalmente após tanto tempo em coma. Eu não estava satisfeito. A sede de vingança, a raiva oscilando em meu peito não me deixava em paz um segundo sequer. Eu queria guerra, e terão. Mas se quiserem paz... Eu quero em dobro. Emmeline mudou muito em doze anos, ela já não era tão magra e seus olhos pareciam maiores do que já eram. – Sirius, está ouvindo?

Sim, eu queria responder.

Mas o silêncio me consumia lentamente. Eu ainda estava pensando em tudo que eu tinha feito apenas há um anos atrás. Eu fugi de Azkaban, literalmente fugi. Eu nadei até a costa como cachorro (você não tem ideia do quanto é difícil nadar em forma animaga), andei milhas e milhas... Cego, completamente cedo de vingança. Mas o que me mais intrigava era como maldito seja Remo, que não notara que aquele rato asqueroso nos braços do pirralho dos Weasley não era Pedro... Como?!

– Docinho, eu sei que é difícil porque você ficou anos sem comer descentemente, mas... Você realmente precisa comer. – Olhei de relance para o anelar de Emmeline, com uma aliança que parecia fazer parte de seu dedo. Ela escondeu sua mão rapidamente, erguendo o queixo. Ótimo, continua arrogante... O que eu mais amava. – Sirius, coma agora.

Continuei refletindo, sem me incomodar em ignorar Emmeline. Eu sentia medo em confiar em James, mas não em Emmeline? Por que não contei a ele que estou salvo em uma casa e sim nas ruas como animago? Cartas podem ser extraviadas, vigilância constante. Eu queria saber como eu iria viver agora. Enjaulado em Azkaban e fora dele também. Como eu provaria que sou inocente? Não basta apenas Remo e James, aliás, James é uma criança.

Oh céus, eu quase infarto quando vi o pirralho. Era um fantasma com um defeito proposital para deixar a vaga lembrança da mãe. James, muito bem esculpido. Nos livramos do maldito e ele deixa uma cópia idêntica! Snape deve pirar todo santo dia olhando para aquela criatura... Eu queria tanto poder... Sentar-me com ele e conversar por dias. Queria lhe contar tudo que James e eu já fizemos, nossas brincadeiras (idiotas), aventuras, piadas... Sobre a inteligência de Lílian, sobre a vez que ela jogou seu anel de noivado no bosque, ah, como ele ia rir!

– Se não quer comer, pode tomar banho? – ela estava ficando impaciente. Já fazia exatamente uma semana que eu estava sentado ali. Com medo de um meteoro simplesmente cair sobre nós, ou pior, um Auror. Irônico, eu estava sendo abrigado por uma Auror. Eu sequer comia direito, apenas beliscava, ainda imundo, desde Hogwarts. – Sirius!

– Eu quero ir embora. – minha voz quase não saiu pelo desuso.

– Você não vai a lugar nenhum, você vai tomar banho. – Emmeline simplesmente agarrou meu braço e arrastou-me pela casa. Tentei soltar-me, mas eu estava inutilmente fraco.

– Me solte! – segurei-me na porta do banheiro como uma das mãos, sujando tudo. – ME SOLTA, ME SOLTA AGORA!

– PARE DE GRITAR, EU NÃO VOU VIVER COM ALGUÉM FEDENDO NA MINHA CASA, SOLTA ESSA PORTA AGORA! – Emmeline deu um último puxão, o que me jogou direto para o box, já com a varinha em mãos ela ligou o chuveiro, e a ducha fria caiu sobre mim como pedra. Tentei fugir novamente, mas continuamos lutando dentro do box, enquanto ela também se molhava.

– ME LARGA, ME LARGA! – berrei, tentando me soltar.

– NÃO, EU NÃO POSSO! – Emmeline começou a chorar, e aquilo me atingiu como um soco no estomago. – Eu não posso te largar, eu não consigo soltar você! Foi difícil pra você? Eu também sofri, essa também é minha vida!

O chuveiro era o único som, se juntando ao choro de Emmeline.

[][][]

Eu gosto de pensar que Hogwarts é o lugar onde tudo descansa desde que minha infância morreu. Emmeline me contou tudo que acontecera desde 81. Falou das sete vezes que tentou entrar com uma ação para me tirar de Azkaban, mas sempre incapacitada por falta de provas.

– Por que você não aceitou? – Emms juntou as sobrancelhas, tomando seu chá. Estávamos em sua cama, sentados um de frente para o outro, com os cabelos ainda molhados por conta do episódio do banheiro.

– Aceitou o que? – questionou ela.

– Que eu era um assassino. – ela sorriu.

– Docinho, eu te conheço melhor que você mesmo. E qualquer pessoa que também conheça, sabe que você não matou ninguém. – Mas Remo acreditou, por todos aqueles malditos anos, ele acreditou que eu era o assassino.

– Você não conheceu Harry de verdade em todos esses anos? – ela maneou a cabeça negativamente, quase sorrindo. Agora haviam rugas ao redor de seus olhos. Quando foi que nós envelhecemos dessa forma? Parecia ter sido ontem que corríamos pelos corredores de Hogwarts, correndo e gritando apenas pelo belo prazer em incomodar. Ah, isso era algo especifico de Emmeline e James.

– Eu tenho medo. Meu coração dispara só de olhá-lo. – ela colocou o chá no chão. – Só fico o observando de longe, ele nunca me notou. Eu acho.

– Você iria gostar dele, é igual a James. E aquela garota, Hermione, ohhhh, ela é a cara de Lily! – nós rimos como se estivéssemos falando de algo proibido. – Tem uma inteligência assustadora! Aposto que vão acabar juntos.

– Você acha? – sorriu Emms. Nossos sorrisos simplesmente se desestruturaram. Falar sobre pessoas que já morreram era estranho. Não falamos também sobre o dia em que Pedro e eu duelamos. Não há necessidade de falar sobre isso, porque a verdade do que se diz está no que se faz. Continuamos nos fitando, por minutos intermináveis. Gravando a sangue em nossa mente, o rosto um do outro, como se aquilo pudesse simplesmente preencher todo o vazio de doze longos anos.

– Eu nunca te disse como me sinto sobre você. – Emmeline sorriu docemente, como ela raramente fazia.

– E precisa ser dito?

[][][]

THE CINEMATIC ORCHESTRA - ARRIVAL OF BIRDS

O que pode ser pior? Viver como um monstro ou morrer como um homem bom?

Se eu tivesse matado Pedro, aquilo traria o que eu procurava? Vingança. Pois Remo disse que aquilo não me traria paz, mas a paz nunca foi a questão. Eu desconheço a paz. Eu já não tinha uma família, uma esposa, filhos... Nada. Tudo ficou morto no passado, e não há nada de bom lá.

Às vezes, Emmeline faz seu mochilão e nós vamos juntos até a montanha mais alta de Hogwarts, eu como animago, é claro. Nós vamos andando, e é uma viagem prazerosa. Passamos por lindas paisagens, cachoeiras enormes onde eu posso voltar ao normal enquanto descansamos e tomamos banho. Ela estava tão sozinha quanto eu.

E eu sempre tive facilidade em reconhecer minha solidão nos outros.

Quando finalmente chegamos a Hogwarts, o sol está sempre nascendo ou se pondo. E eu gosto de imaginar que este é o local onde tudo que eu perdi desde a minha infância está guardado. Digo a mim mesmo, se isso fosse verdade, e eu esperei o tempo suficiente... Em seguida, uma pequena figura aparece no horizonte através do campo e gradualmente se torna maior... Até eu notar que é James.

Ele acena. E talvez me chame.

Gosto de agradecer por ter tempo o suficiente com ele antes dele partir. E depois de todos esses anos, a única lição que consegui absorver... É que somos todos mortais. E talvez, essa geração nunca venha a entender o que nós vivemos e sinta que não tivemos tempo os suficiente.

Talvez eu pensei igual a eles.



Notas finais do capítulo

Nossa, eu nem sei mais que desculpa dar pela demora.

Eu simplesmente to empacada, parei pra pensar e: Cara, o que eu escrevo? A fanfic acabou praticamente, eu vou ter que mastigar muita coisa pra não ficar cansativo, o maior ano vai ser 95 mesmo, então em 94 eu vou só ficar me arrastando porque a ação mesmo, os melhores capítulos, mais animados, tristes, engraçados, estão em 95, não em 94 hahahahahahahah Ok, isso é frustração minha, ignorem.
Estou escrevendo mais ones, então para os que gostam das minhas curtas histórias: Estão vindo várias.
Eu queria que vocês me falassem que personagens vocês acham interessantes e são esquecidos, menos o Moody e a Ninfadora.
Bem, é isso.
Novamente, desculpa pela demora, ah, e eu cortei toda aquela cena de PdA (CRIME!) porque todo mundo já leu aquilo, sabe de toda aquela história, por que eu vou repetir, certo? Já basta as que eu vou ser obrigada a repetir.
E vocês viram que o Sirius não tá pra brinks né?
Pois é, god saves Emmeline hahahahaha
MUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH



Hey! Que tal deixar um comentário na história?
Por não receberem novos comentários em suas histórias, muitos autores desanimam e param de postar. Não deixe a história "About Sirius Black" morrer!
Para comentar e incentivar o autor, cadastre-se ou entre em sua conta.