About Sirius Black escrita por Ster


Capítulo 66
Depois - 1981




THE DAY IS COMING

1981

SETEMBRO

POV PEDRO

Sabe aquele sonho que eu costumava ter, onde as três mais belas mulheres que já conhecia tomavam banho juntas, me aguardando?

Bem, ela aconteceu uma semana antes de Marlene morrer.

Em mais uma batalha, Barty Crouch explodiu nosso abrigo, colocando fogo em metade de toda a floresta. Ele era conhecido por gostar de queimar tudo. Depois de perdermos os novos integrantes da Ordem, todos fomos para a Sede ajudando Marlene, que estava perto da explosão quando aconteceu. E eu não pude deixar de espiar as mulheres no banheiro.

As três estavam de roupas, sendo que Emmeline e Lílian praticamente carregaram Marlene com o rosto machucado e suja de pólvora. Ela mal piscava ou se movia enquanto as duas lentamente limpavam seu rosto machucado. Aquilo era o meu sonho na realidade em que vivíamos. Dei as costas para aquela cena e sai o mais rápido possível da Ordem da Fênix, apavorado.

O céu nunca ficava azul para mim.

Eu era o fiel do segredo, afinal.

James, o Grande James Potter confiou sua vida a mim. Eu era a sua escolha, e não Sirius ou Remo, eu era a escolha. E aquilo me consumia, me matava lentamente... Cortava meu coração ter pensado que nenhum deles ligava para mim, confiava em mim. E ali estava eu, guardando o maior dos segredos, algo que um Pedro consciente sabia que cairia apenas e somente nas mãos de Sirius.

Talvez James não o tenha escolhido por Sirius estar ficando louco.

E se eu fosse a Dumbledore e confessasse? O que será que eles fariam comigo? Será que ainda havia perdão para mim? Talvez se contasse para Remo que é o mais calmo... Não, Remo também estava enlouquecendo.

Irônico.

Os Marotos foram chamados de loucos por tantos anos, e isso era exatamente o que estava acontecendo com eles. Sirius louco, Remo amarguradamente louco, James possessivamente louco.

E eu... Eu sempre fui louco no fim das contas.

Calma, Rabicho, calma... James é invencível, nada irá acontecer com ele. Muito menos com Lily e Harry.

James é invencível... Todos os marotos são.

Menos você, Rabicho, menos você.

POV SIRIUS

– Olha esse velho. – um garoto de dezessete anos no máximo, com outro da mesma idade, olharam para mim e minhas roupas entre risos nada discretos.

– Você disse alguma coisa, amigo? – perguntei, abrindo os braços.

– Nada. – segurou o riso o mais magro.

– Está rindo de mim por que? Por que eu estou sozinho? – questionei. Os garotos se entreolharam.

– Não, senhor.

– SENHOR? ESTÁ ME CHAMANDO DE VELHO NA MINHA PRÓPRIA CIDADE? – berrei. Os garotos saíram correndo sem olhar pra trás e seu aproveitei que deixaram suas bolsas. Sentei-me no muro onde eles estavam e tomei a garrafa de vodka que estava na bolsa do mais gordo enquanto eu fuçava seus cadernos. O Beco Diagonal parecia o deserto de tão vazio, era tudo cinza e negro, e as lojas estavam todas em pedaços por conta dos ataques dos Comensais. Um grupo de hipsters passaram por mim quando eu joguei a garrafa vazia centímetros acima da cabeça do mais alto.

– AH! – berrou ele.

– EU ODIEI ESSA SUA CAMISETA, MOLEQUE! – urrei, apontando o dedo em sua direção. Os outros se afastavam assustados. – “KEEP UP, MOTHERFUCKER”? NÃO SE OFENDE MÃES DESSA FORMA, SEU HIPSTERZINHO NOJENTO!

– Vamos embora, Clint! – gritou uma menina.

– Sirius. – virei-me assustado, olhando para os lados, alarmado. – Pare de assustar as crianças, seu velho rabugento.

– Eu não poderia confundir esse sotaque horrível em lugar nenhum! – vodka já não tinha o mínimo efeito em mim, apesar de eu ainda trocar as pernas um pouco. Arrastei-me até Alice, enquanto as crianças fugiam assustadas. – Esses pirralhos gostam de ficar julgando todo mundo, odeio.

– Bem, você era e ainda é bem parecido. – sorriu ela. – Vamos, você precisa de um banho.

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– Ele precisa de ajuda. – eu adorava quando falavam de mim como se eu não estivesse ali. Frank e Alice sussurravam entre si, indiferentes a mim. Sem notar que eu estava ouvindo tudo. Continuei brincando com a mãozinha gorda de Neville.

– Você quer interna-lo? – perguntou Frank.

– Vamos chamar Lily e James.

– Não, eles estão protegidos, esqueceu?

– Talvez faça bem para ele ficar com eles então.

– Acho que ele é o fiel do segredo.

– James também é louco então de confiar em Sirius nesse estado. Ele quase abriu a cabeça de um garoto com uma garrafa de vodka. E esses machucados no rosto dele... Brigas, Frank.

– Talvez... Olhe, vamos falar com Dumbledore e dar a sugestão dele ficar com James por uns tempos. Talvez ajude. – a campainha tocou. Virei-me a tempo de ver Andrômeda entrar na casa e cruzar os braços para mim, raivosa. Dei-lhe meu melhor sorriso.

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– Vamos, não me odeie porque sou bonito, Andie. – continuei esparramado no sofá. Fazia tempo que eu não me encostava em um lugar confortável. Desde que minha casa explodiu, eu durmo em construções abandonadas, mesas de bar, carros de desconhecidos, telhados...

– O que vamos fazer com você, hein? – ela continuou penteando o cabelo de Ninfadora, que ficava me olhando assustada. Acho que meu rosto estava mesmo machucado. Eu sabia que tinha uns arranhados, mas devem estar pior do que eu pensava.

– O que é, Dora? Estou te assustando?

– Na verdade, está sim. O que é isso no seu rosto? – Ninfadora fez uma leve careta quando eu toquei meu rosto machucado.

– Não sei. – continuei deitado no sofá, quase imóvel quando uma coruja atravessou a janela deixando um pequeno bilhetinho em cima de mim. Abri o bilhete rapidamente me deparando com a caligrafia infantil de James:

“Vê se presta pra alguma coisa e me encontra no bosque de Godric Hollow, AGORA!

Pontas”

– Bem, chegou minha hora. – pulei do sofá e vesti minha capa ignorando os chamados de Andie enquanto eu ia até o jardim pegar minha Guzzi e posicionar minha mochila/casa em minhas costas. Dora inclinou-se na janela e continuou de cara fechada para mim. – Não pode ficar com raiva de mim, Dora, posso morrer daqui a pouco. É isso que você quer?

– Claro que não. – peguei pesado, os olhinhos dela se encheram de lágrimas. – Não quero que você morra, Bigode.

– Então fale o que tem que falar. – Andrômeda cruzou os braços para mim, com raiva por tocar no assunto “morte”

– Eu te amo, Bigode. – ela disse, ainda contrariada. Sorri antes de colocar meu capacete.

– Eu também, pirralha. Eu também. – e dei partida o mais rápido que pude.

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– Sabia que eu já poderia estar morto tamanha demora a sua? – James saiu de sua forma animaga e cobriu-se com a sua capa da invisibilidade, deixando apenas a cabeça de fora. Ele parecia transtornado enquanto olhava para os lados com um misto de nervosismo e agitação.

– Quem te mataria em um bosque? – perguntei, ainda comendo meu sorvete.

– AH, EU NÃO SEI, ALMOFADINHAS! Talvez aquele cara que está todo mundo falando sobre... Hm, Voldemort o nome dele? – ironizou James, possesso.

– Com certeza ele estaria fazendo uma trilha na floresta, se distraindo um pouco. – retruquei, irritado com a agressividade gratuita de James.

– Você é tão inconsequente, puta que pariu! – verocifou ele. – Isso é sério, não é uma colônia de férias, eu e minha família estamos correndo risco de vida, Sirius!

– EU SEI, PORRA! – berrei, jogando meu sorvete longe. – Eu sei que tem uma guerra acontecendo, EU SEI QUE VOCÊ TEM A SUA FAMÍLIAZINHA PRECIOSA PRA CUIDAR, EU SEI QUE ESTÁ TODO MUNDO MORRENDO, EU SEI CARALHO!

James engoliu seco, abaixando os olhos por alguns segundos. Assustei-me comigo mesmo e tentei controlar minhas mãos trêmulas. Qualquer coisa estava me fazendo ter aqueles ataques que prejudicavam mais a mim do que aos outros.

– Eu soube de Lene. Você está bem?

– O que você acha? – Sentei-me em uma pedra e respirei fundo novamente, tentando não cair no choro. Era horrível essa sensação de estar diferente a cada segundo que passava. Uma hora eu estava tão feliz que eu achava que todos os problemas do mundo foram resolvidos. Mas de repente uma onda de fúria me invadia e coitado do que estivesse perto de mim. E no final, eu sempre chorava feito uma criança.

– Eu sinto tanto, Sirius. – James sentou-se ao meu lado. – Lily e eu só ficamos sabendo ontem. Pedro não tem nos visitado muito, fiquei louco quando ele veio com aquela cara de tapado contando o que aconteceu. Aliás, Lily sequer sabe que estou aqui, tenho que voltar antes dela acordar. – ficamos em silêncio por alguns minutos. Metade das pessoas que eu conhecia morreram e cada dia era uma vitória. Talvez a gente não deva ser feliz. Talvez gratidão... Não tenha nada a ver com alegria. Talvez ser grato por estar vivo não quer dizer que você esteja feliz em ter deixado os outros para trás. Apreciar pequenas vitórias. Admirando a luta é preciso simplesmente sendo humano. Talvez sejamos gratos pelas coisas familiares que conhecemos. E talvez sejamos agradecidos pelas coisas que nunca saberemos. No final do dia, o fato de que temos a coragem de ainda estar de pé... É motivo suficiente para comemorar.

– Eu sinto que vou explodir a qualquer...

– Momento. – James sorriu, olhando o céu. – Eu também sinto isso quando Harry começa a berrar.

Acabei rindo.

– Como ele está?

– Ah, você sabe. Como qualquer criança de um ano. – o sorriso de James mudou – Insuportável. Ele vive enfiando o dedo...

– No seu ouvido? Ninfadora nasceu fazendo isso em mim. – recordei, saudoso. – Espere só ele começar a falar. Meu Deus, é a pior fase!

– Ele vive pra enfiar meu óculos na boca, é incrível. Nossas brincadeiras sempre acabam em choro. Dos dois. – nós rimos. Gargalhamos de verdade, como eu não fazia há... Meses. Juntei minhas mãos, tentando falar, colocar para fora algo que me consumia aos poucos. Eu perdi... Tantas pessoas. Deixei que todas elas fossem sem dizer o quanto elas eram importantes na minha vida.

HOMETOWN GLORY - ADELE

– Você não é uma estrela. – James tirou seus óculos e apertou o nariz, começando a chorar. Droga, Pontas, por que você é tão mole? Ele sorriu rapidamente, enxugando as lágrimas antes delas caírem. – Você é toda uma constelação. Preste bem atenção, você não está sozinho. Entendeu? Eu sou sua família. Sou seu irmão. Você não está sozinho.

– Ok. – minha voz falhou, fazendo-me abaixar os olhos e engolir seco.

– Lily é o amor da minha vida, mas... Você é minha alma gêmea. – sorriu James, recolocando seus óculos e levantando-se. – Preciso ir agora, essa é a hora que Harry começa a berrar.

Levantei-me também e agarrei James para um longo abraço. Mesmo quando você está cansado, mesmo quando você quer ir embora. Você não vai. Porque você é um pioneiro. Mas ninguém nunca disse que seria fácil. Quando seguimos nosso coração, quando escolhemos resolver, é engraçado, não é? Um peso cai. O sol brilha um pouco mais e por um breve momento, mesmo que seja pouco, encontramos um pouco de paz. James sorriu antes de colocar sua capa.

– Talvez você possa passar o Halloween com a gente. Harry iria gostar.

– Eu vou pedir para Dumbledore.

– Certo.

– Te escrevo alguma coisa mais tarde, pra disfarçar, sabe como é. Ultimamente eu tenho achado que Lily sabe Oclumência. – James fez uma careta que era sua marca registrada, cruzou os olhos e contorceu sua boca de horror. Acabei rindo tanto que mal percebi quando ele colocou a capa de seu pai. Olhei ao redor, para o bosque vazio. Uma estranha sensação me invadiu por um momento. Olhei para trás novamente, pensando que James estaria escondido, rindo de mim. Mas ele não estava.

Você é toda uma constelação, Sirius.

Você esqueceu que estrelas também morrem, James. Mas o que está morto não pode morrer...

E eu já morri há muito.



Notas finais do capítulo

Gente, agora é sério: O próximo capítulo já é aquilo que não deve ser nomeado. :(
Eu não estou me segurando de tristeza porque a fanfic só vai render mais o que? Quinze capítulos?
Eu realmente quero passar uma coisa real no próximo capítulo, quero descrever a dor do Sirius como a delicadeza que J.K trata a de Harry, que mesmo que não seja descrita em palavras... São tão profundas que nós conseguimos sentir a mesma dor.

Será que seria diferente se ele soubesse que foi a última vez?

Até.



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