About Sirius Black escrita por Ster


Capítulo 61
Depois - 1980




DISAPPEAR

1980

CASA DO SIRIUS

– O que está fazendo? – Remo continuou arrumando suas coisas tranquilamente. Ele nunca teve muitas roupas e pertences, então sua vida toda cabia dentro da mochila remendada mil vezes durante seu período escolar. Me perguntei se não tinha comido algo seu, ou mijado em cima, já que eu estava passando muito tempo como animago. Ele suspirou e dobrou uma calça, enfiando na mochila em seguida.

– Estou fazendo a mala. – respondeu ele com aquela voz morta de sempre.

– Eu sei, caralho!

– Sirius, você tem noção que metade de suas frases são com um palavrão?

– Você fica contando? – ele soltou um risinho. – REMO, INFERNO!

– Sirius, vai acordar Emmeline...

– Foda-se Emmeline! Você achou que ia sair e eu nem iria notar? – corri para fechar a janela e as portas. Aquele lobisomem não iria fugir novamente. Remo era tão calmo que chegava a me irritar. Simplesmente continuou arrumando as coisas passivamente como se eu não tivesse dito absolutamente nada. – Pare de me tratar como uma criança, por favor.

– Eu não te trato como se fosse uma criança, eu só estou esperando sua histeria terminar para podermos conversar.

– AH, O QUE? – berrei.

– Tipo isso. – sorriu Aluado.

– Pra onde você vai?

– Eu não sei, é uma missão. – Ele fechou sua mala e a colocou no chão. – No mínimo três meses.

– TRÊS MESES?

– Sirius...

– Mas... Mas aonde? O que? Onde você vai? Como assim mínimo.... Quanto tempo pode durar eu... Mas... – Puta merda, eu odeio esse lugar, essa vida e cada ser vivo da terra. Mais um amigo que eu perderia? Todas as missões do Dumbledore estavam sendo suicidas. Começou com Cadaroc, depois não parou mais levando Fabian, Gideon e os outros. Agora Remo... Ele suspirou e soltou um sorriso doloroso, aproximando-se para um abraço.

– Não precisa se preocupar, eu sei me cuidar. – Não dava pra confiar em Remo, ele estava sempre triste, como eu sempre disse, Remo pensa demais. E para ele cometer uma loucura em um momento de tristeza não levaria mais que segundos.

– Precisa me jurar que não vai morrer.

– Sirius, sinceramente, é mais fácil você morrer antes de mim. Você corre risco de vida respirando. – sorriu ele, me soltando para pegar sua mochila. – Acho que isso vai ficar um pouco gay, mas... Eu amo você.

– Ai cara, retira o que você disse. – fiz cara de nojo.

– Não. – sorriu Remo. – Adeus, Sirius.

E aparatou, deixando uma estranha sensação de vazio, por mais cheia que a casa estivesse.

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– Charlus é o pior nome que já vi. – agonizou James.

– Mas é o nome do seu pai. – Lily enrugou a testa e continuou a acariciando sua grande barriga de seis, ai que inferno, ela não para de fazer isso. Que necessidade doente que essas grávidas tem de ficar acariciando a barriga o tempo inteiro, pra que meu Deus do céu.

– Porque é nome de velho, não quero meu filho com nome de velho.

– Lily, vamos ser sinceros aqui, esse palhaço vai arranjar um defeito em todos os nomes que nós dissermos até alguém falar que ele poderia se chamar James, então ele vai se fazer de surpreso e dizer que esse será o nome. – James gargalhou.

– Almofadinhas, você é um clássico.

– Você realmente quer que seu bebê se chame James? – Lily parecia temerosa.

– Não é seguro. – Emmeline apareceu da cozinha apenas para dizer isso. Todo mundo riu enquanto James fechava a cara para nós. Ele nunca aguentava ser zoado.

– Iria ser James Potter Junior e todos o chamariam de Junior e esse nome é tão... Sei lá. – Emmeline finalmente terminou de fazer o que fosse que estava fazendo na cozinha e acomodou-se na sala, sentada em meu colo. – E vocês não sabem se é um menino mesmo.

– Se for menino vai ser Emma.

– Ou Samantha. – emendou James em Lily.

– Se eu tivesse filhos um dia... Se fosse uma menina, seria Elizabeth, para que a chamassem de Effy, e se fosse um menino, seria Anthony, para que seja chamado de Tony. – Emmeline virou-se de supetão, admirada.

– Eu amei! – sorriu ela.

– Anthony Potter... Oh, essa é boa! Todos o chamariam de Tony! – JAMES, SEU SAFADO!

– Não, porra, não é pra roubar meu nome! Esses são os únicos nomes que ficam bonitos com Black!

– Você nunca vai ter filhos, sejamos realistas. – retrucou James, ainda animado. Emmeline se mexeu rapidamente, incomodada. Lily abaixou os olhos, percebendo o que seu marido idiota fez.

– Se você roubar meu nome, eu vou sequestrar essa criança e ir até o Ministério trocar o nome dela. Estou falando sério. – James girou os olhos e voltamos a estaca zero.

– Eu gosto de Emily. – soltou Lily.

– Emily Potter... Bonito. – admirou Emms.

– Andrew Potter.

– James, que inferno, para de roubar o nome dos outros, por favor? – pediu Lílian.

– O quê? Ela nem pode ter filhos mesmo! – a sala silenciou-se. – Sendo realista. Que nome seria se fosse uma menina mesmo?

– Franchesca McKinnon. – responder Emms.

– Uau, esse tem classe. – admirou-se Lily.

– Iriam chama-la de Franky.

– Olivia Potter, esse é bonito.

– Harry Potter. – CARALHO! – Uau, eu adorei como esse soou.

– É tão... Perfeito. Combinou totalmente com o sobrenome. – pensou James, ele ergueu a mão para mim e apertou com força. – Obrigada, Sirius.

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Emmeline e eu viajamos até os arredores de São Francisco, mais diretamente no deserto.

Ela abria seus braços para o ar enquanto eu pilotava pela longa estrada rodeada de montanhas e areia. Suas madeixas voavam conforme a velocidade e era minha única visão pelo retrovisor. Os cachos e seu grande sorriso. Ela apertou seus braços sob meu abdômen e eu acelerei, sentindo seus beijos sob minha nuca.

Nós demos uma pausa perto do mar, tirei minha jaqueta enquanto Emms abaixava seus shorts e entrava no mar apenas com minha camisa do Black Sabbath. O mar ao redor dele tinha o azul mais bonito que tínhamos visto em toda nossa vida. E se ficasse olhando por muito tempo, parecia que o tempo estava em uma velocidade reduzida. Emms corria pela areia, rindo para o céu. E ao redor de nós, as montanhas assistiam dando um contraste perfeito com o sol escaldante daquele lugar. Era incrível a sensação térmica acompanhada do riso infantil de Emmeline, me fazia lembrar do quão bonito o mundo pode ser.

Me fazia lembrar da liberdade.

A sensação que batia em meu peito cada vez mais forte quando eu era mais novo. De que o mundo é meu e eu sou do mundo. Não há barreiras entre isso. Posso dormir aqui, acordar no México. Passear pela França e construir uma casa em Roma. E realmente, eu tinha escolhido a pessoa perfeita para isso. Emmeline nunca teve a personalidade certa, era uma bússola quebrada que apontava em várias direções. Não tínhamos nada, porém queríamos tudo.

Eu não tinha nada a perder.... Nada a ganhar.

Foram noites intensas onde por vezes eu me pegava em uma briga de bar onde no fim da noite Emmeline sempre estava curando minhas feridas. Íamos a festas na praia, a encontros de hippies, participávamos de manifestações pela homossexualidade, direitos das mulheres e libertação da maconha. Nos misturávamos entre os trouxas, aprendíamos sua cultura, comíamos de sua comida. Dormíamos na casa de estranhos, no deserto, em praças ou em motéis baratos. Transávamos na praia, no mar, e em banheiros de lanchonetes... Éramos selvagens, vivendo um dia de cada vez.

Viva rápido e morra jovem.

Seja selvagem, se divirta.

“Eu não quero um relacionamento porque ninguém chega ao meu nível”

– Eu te amei uma vez, te amei duas vezes, te amei mais que arroz e feijão.

– Puta merda, o que? – gargalhei com seu poema.

– Eu fiz pra você, seu cabeção! – riu ela. – Eu te amo, te amo, te amo...

Mesmo de olhos fechados, eu conseguia imaginar a forma como os lábios de Emmeline se moviam enquanto ela repetia essas palavras que me faziam sentir tão bem. Podemos parecer os mesmos, provavelmente somos. A mudança não é visível, pelo menos não para a maioria. Mas todos mudamos, completamente.

Para sempre.

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Após aqueles dois meses de viagem, eu dormi durante anos.

Tanto que eu só notei aquela barulheira na sala quando acordei. Novamente os parentes de Emmeline, ninguém merece. Continuei deitado por um tempo até decidir ver algumas fotos. A mãe de Emms deu uma ótima ideia de colocarmos fotos nossas na recepção e eu tinha quase certeza que nós tínhamos mil fotos juntos no tempo de Hogwarts. Abri uma das gavetas e Emmeline e procurei um álbum, achei um dos grandes, mas deixei-o de lado com o atestado do St.Mungus em cima.

“Confirmação da cirurgia do (a) paciente: EMMELINE JOHANNA VANCE para 21/12/1979,

PROCESSO DE EXPULSÃO DE EMBRIÃO

Gestação interrompida: 12 semanas.

Feto: 450 gramas, 15,2 centímetros.”

Não consegui terminar de ler. Parecia que o quarto tinha diminuído, nossa... Abri a janela, buscando ar. Meu Deus... Eu não preciso ficar tão nervoso, não preciso ficar tão nervoso... Uau, ela fez um aborto. Guardei seu papel no mesmo lugar e respirei fundo, ainda sufocado. Fiquei alguns minutos parado, fitando o nada. Pensando em nada.

Apenas respirando.

Então finalmente abri a porta e fui até a sala. Toda a sua família estava lá e Emmeline estava em um vestido de noiva. Ela virou-se com um grande sorriso, mas eu só conseguia pensar em como ela fizera aquilo. Como ela conseguiu olhar para mim e não dizer nada. Ela estava tão deslumbrante, mas aquilo não conseguia impregnar na minha mente quando eu me lembrava. Eram coisas desconexas, era estranho eu estar com a mente tão vazia, com o coração tão calmo.

– Quero te fazer uma pergunta. – a sala vibrou.

– Ele vai fazer a pergunta! – gritou Senhora Vance para todos os familiares. Mas Emmeline conseguiu enxergar que não era nem perto disso.

– Mãe! – cortou Emmeline, seca. A sala voltou a ficar em silêncio e Emmeline tentou sorrir. – O que você quer perguntar?

– Você fez um aborto? – foi uma surpresa a sala ter continuado em silêncio enquanto o rosto de Emmeline se transformava em pavor. Ela primeiro pareceu curiosa, em seguida pensou em negar, maneando a cabeça negativamente e repetidamente, mas então engoliu seco.

– Eu...

– Sim ou não?

– Você sempre disse que odeia crianças e... Que tem pena de James...

– Sim ou não, Emmeline? – Ela respirou fundo, séria como sempre foi. Assentiu lentamente e ergueu o queixo, em desafio.

– Sim. – sua voz era um fiapo.

– Você... Você matou meu filho e sequer me deixou dizer adeus? – eu não disse aquilo com maldade ou com ressentimentos. Eu acho que era isso, afinal. Eu estava assustado, porque aquilo significava que por algum tempo da minha vida eu fui tão pai quanto James ou Frank. Eu também tinha um futuro, um pequeno galho se formando através do meu na Árvore Genealógica dos Black. Eu não estava triste ou com raiva, eu estava assustado.

– Eu... Oh meu Deus. – Emmeline começou a chorar escandalosamente, era óbvio que ela segurou por tanto tempo que simplesmente explodiu. Fiquei com pena, mas não olhei para trás quando sai da casa e fui em direção da moto estacionada em frente dela. Mesmo de vestido, e com metade da vizinhança na rua, Emmeline saiu correndo atrás de mim. – Eu não fiz pra te machucar eu... Eu não... Eu não fiz com maldade. É meu corpo, meu futuro, minha vida, Sirius! Eu sei que... Eu sei que deveria ter te dito, mas eu não consegui, agora que você sabe, por favor, podemos conversar? Sirius!

– Emmeline, está tudo bem. Eu entendi. Nós acabamos aqui.

– NÃO! – ela entrou na frente da moto. – Por favor, não....

TO BUILD A HOME - THE CINEMATIC ORCHESTRA

Olhei ao redor. Algumas pessoas riam, outras comentavam, venenosas. Eu estava tão alheio. Tranquilo, talvez. Ela continuou segurando a moto, enquanto tentava controlar seu choro. Aquela não era Emmeline, definitivamente. Feminista demais para se humilhar, mas ela já fez algo parecido com aquilo uma vez. Por Remo.

Isso significava que ela realmente estava apaixonada por mim.

– Eu ferrei tudo, ok? Me desculpa, me deixa concertar isso, por favor, Six... Eu te amo. – ela soluçou mais uma vez antes de eu ligar a moto. Dei ré lentamente e dei partida, vendo Emmeline tentar correr atrás de mim enquanto segurava seu vestido de noiva. Eu não sei para onde eu estava indo ou o que eu estava sentindo. Eu só estava terrivelmente assustado com a minha tranquilidade.

Eu devo ter pilotado por horas, não sei, tudo parecia muito igual.

Parei na ponte de Londres e observei o movimento dos carros abaixo dele. Sentei-me e continuei observando o sol e como tudo era bonito. Dores dissipam. Sangramentos param de escorrer e pessoas, pessoas somem. Se algo que a gente não sabia que tinha, desaparece… a gente vai sentir falta? Tem mais coisas que eu gostaria de dizer, tanta coisa, mas…

Eu desapareci.



Notas finais do capítulo

Estou me sentindo tão ausente, de verdade.
Vocês me perdoam? É que eu fiquei super desanimada quando perdi todo o arquivo do word onde ficava ABS. Obviamente eu não vou desistir, mas putz, eu estou tendo que escrever TUDO de novo e com aquela sensação de que está horríble.
De qualquer jeito, vou responder vocês em breve, me perdoem.

MUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH