About Sirius Black escrita por Ster


Capítulo 58
Depois - 1979




BANG, BANG, MY LOVE SHOT ME DOWN

1979

POV EMMELINE

– Emmeline?

– Você vai ser uma linda mulher. – eu ainda conseguia ver o rosto da linda Isobel Vance diante do espelho. Será que meu rosto seria como o dela aos trinta anos? Ela penteava meu cabelo com delicadeza, com um sorriso forçado. – Quando fiquei sabendo que estava grávida de você, rezei para que fosse uma menina. Uma linda menininha burra. Porque essa é a única coisa boa que você pode ser nesse mundo... Uma linda menininha burra.

– Emmeline?

Despertei, observando o rosto da curandeira diante de mim. Uau, como eu viajei desse jeito? Ela me fitava com aflição, e tudo que eu podia fazer era fitar minhas mãos. Eu sempre fui uma mulher de decisões, eu nunca ficava indecisa ou perdida, eu simplesmente escolhia e fim de conversa, que sofresse as consequências depois, mas nada de palhaçada.

– Já tomou sua decisão? – perguntou ela. O consultório era tão branco. Por que será que o hospital era tão branco e verde? Outras cores são proibidas ou algo do tipo? – Precisa ser honesta consigo mesma, Emmeline. Honestidade é a melhor saída.

– Você acha? – perguntei, quase desesperada.

– Sim. Já contou ao pai? – continuei em silêncio. – Já contou a alguém?

Continuei muda.

– Emmeline, muito em breve seu corpo vai começar a mudar. – girei os olhos, tentando fugir da acusação e pressão no rosto da curandeira. Será que custa ela parecer inexpressível?

– Eu sei. E vou fazer uma escolha. Eu prometo.

– Quando?

– Logo. Honestamente. – ela pegou um pacote de panfletos com cores extravagantes e grandes com as palavras “Aborto é uma saída?” e me deu. Fitei a placa “O que Jesus faria?” na porta do consultório enquanto guardava aquele pacote em minha bolsa. Evitei fitar as crianças brincando no consultório e desci as escadas rapidamente, saindo daquele ambiente o mais rápido que eu conseguia.

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– Ninfadora! – Fiquei na ponta dos pés para tirar a garota de cima da geladeira quando ela deu um salto e pulou na mesa, quase a quebrando em pedaços. O que eu fiz pra merecer uma coisa dessas? – Sirius! Sirius, Ninfadora enlouqueceu!

– MEU NOME É TONKS, MEU NOME É TONKS, MEU NOME... – Tapei os ouvidos com força a beira de um colapso. Eu detestava quando Os Tonks tinham que deixar aquela pirralha conosco e eu era obrigada a cuidar dela sendo que só Sirius sabia lidar com aquele mini demônio.

– Ok, ok, eu sei que seu nome é Tonks! – Sirius apareceu, com o Gui Weasley grudado em suas costas como uma mochila, com sua camisa toda suja de algo que eu preferi ignorar. Para fugir do tio, Ninfadora agarrou meu cabelo com força, como se eu fosse um escudo. – AII!

– Tonks, solte Emmeline. – a voz de Sirius era profundamente autoritária. A demônia maneou a cabeça negativamente, parecendo a ponto de chorar. – Tonks.

– Hmmmm... – e abriu o berreiro. Até eu fiquei um pouco assustada, afinal, nunca ouvi Sirius falando naquele tom. Mas com muita habilidade, ele a pegou no colo, com Gui ainda em suas costas, e agachou para que o garotinho pudesse descer, e nisso ainda estava embalando Ninfadora em seu colo, que chorava desesperadamente.

– Emms... – Ele respirou fundo. – Pega a caixa de biscoitos no armário com a porta quebrada.

– Eu quero biscoito. – pediu Gui. Esse eu aturo pois era educadinho e doce, mas eu tinha medo de Ninfadora, não sei o que me deu quando aceitei ficar na mesma casa que ela. Peguei caixa de biscoitos e dei alguns nas mãozinhas de Gui enquanto via Sirius brincar com Tonks. Era uma afinidade tão... Absurda. Ele a pegava como se fosse uma bonequinha de pano, a colocando de cabeça para baixo, balançando e girando no ar. – Suco.

– Ah... Sim, claro, espere... – despertei da visão e levantei-me, indo até a geladeira para pegar uma caixinha de suco para o Weasley.

– Você é o problema. – sorriu Sirius, enxugando as lágrimas da garotinha enquanto ela agarrava seu pescoço como se fosse um pedaço de ouro. – Ela te odeia.

– Oh. – bem, eu também te odeio. Mas acho que não seria adequado eu dizer isso a uma criança de seis anos. – Por que?

– Porque sim, não é o suficiente? Bigode, Gui e eu vamos preparar o chá, diga quando os convidados chegarem. – Ninfadora virou a cara para mim e chutou a barriga de Sirius para que ele a colocasse no chão. Ela e Gui Weasley subiram as escadas e Sirius pegou um pano para tentar tirar aquela gosma de sua camiseta. Alisei minha camiseta e respirei fundo, observando o lugar.

– Chá?

– É o chá das princesas. – disse Sirius, como se solucionasse tudo. – Graças à Andrômeda, vai ter que ser aqui.

– Aqui? E o que acontece nesse chá das princesas?

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Sirius estava com uma coroa na cabeça.

Estávamos na sala de estar, rodeados de pratinhos, colherinhas, copinhos e tudo que há de mais pequeno, rosa e “fofo” que posso existir. Marlene também estava lá e eu me sentia uma espécie de fantasma, já que eu só observava e Ninfadora nunca me servia chá de mentira, pois nem água tinha naquele bule roxo. Carlinhos e Gui quebraram algumas colheres de plástico, Percy e Naomi ajudavam Ninfadora a preparar os biscoitos que não existiam, Kevin tomava o chá que não existia e Amanda Scamander, a única menininha além de Ninfadora e Naomi, também estava vestida de princesa.

– Agora é chá de morango. – Não existe chá de morango, garota estúpida!

– Ohhhhhhhhhhh, eu amo chá de morango! – Marlene deu um pulinho com sua tiara de fada e deu seu copinho para Ninfadora encher de vento.

– Eu prefiro o chá de uva, era muito melhor. – Sirius estava ridículo com a tiara de princesa, mas ele parecia não se importar nem um pouco.

– Mandy, faça mais chá de uva para o meu marido. – mandou Ninfadora, servindo bolinhos para Gui. – E mais bolinhos para o cabeça de cenoura.

– Ela é perfeita. – sorriu Sirius, tomando seu chá de vento. – Emms, peça um chá. Peça um chá e ela vai esquecer que te odeia.

– Não tem chá. Não tem chá! – repeti pela décima vez, assustada com Marlene e Sirius. Que no caso, minha amiga não parava de fingir comer e tomar coisas que não existiam.

– E se Andrew for um monstro? – Marlene acariciou sua barriga. – E se ele roubar os brinquedos de Ninfadora, Kevin e Gui?

– Ele pode até roubar dos outros, mas não de Ninfadora. Bem, não se ele quiser apanhar. – tranquilizou Sirius. – Pirralha, mais um pouco de chá, dessa vez eu quero sabor pizza.

– Não existe chá sabor pizza. – eu disse, horrorizada.

– Caso sua convidada não vá tomar nenhum dos meu chás, Bigode, ela pode se retirar. – Ninfadora empinou o nariz e continuou acenando sua varinha de brinquedo como se estivesse enchendo seus copos de chá.

– Digo, Naomi e Kevin são tão felizes. Eles nem tem ideia de que vem um bebê por aí. – sorriu Marlene, fingindo comer um biscoito.

– Eles vão adorar. – Marlene sorriu para Sirius.

– Você está vestindo uma coroa. Posso tirar uma foto?

– James te mandou fazer isso, não é? Pois eu rezo todos os dias para que seja uma bambi e ele tenha que usar coroas de princesas.

– Você usa porque gosta. – brinquei.

– Não, eu uso porque da última vez que eu não usei, Tonks arrancou um chumaço de cabelo na minha nuca. Prefiro a coroa. – ele terminou seu chá e pediu mais um pouco. Enquanto eu cutucava minhas unhas até eu cansar de ser excluída e pedir um pouco de chá para Ninfadora. E quando eu experimentei tomar um pouquinho de vento, eu tive que assumir...

Eu gostei.

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Acredito que finalmente entendi o significado de ser adulta. Sempre fiquei me perguntando... Mas é fácil. Ser adulta, é quando tem que tomar uma decisão e nada nem ninguém pode te ajudar. O vestido de madrinha ficou um pouco mais justo no meu abdômen, apavorando-me com a ideia de alguém notar algo. Qualquer pessoa que não fosse Sirius, já que ele não enxerga muito além de seu umbigo.

O casamento de Hestia Jones iria ser casual, então eu me permiti vestir algo mais simples. Havia muita gente e os noivos não apareciam. Era em uma casa de bombeiros, e diante da grande janela havia um altar cheio de flores. Dei mais um gole no meu champanhe e observei o térreo quando vi a cabeça de Sirius. Pisquei oito vezes antes de acenar.

– Consigo por debaixo do seu vestido. – ele disse.

– Suba aqui. – Sirius subiu as escadas, estava bonito com aquele terno, mesmo sem a gravata. Ele parou no meio da escada a avaliou-me.

– Você está muito bonita.

– Obrigada. Você também. – Ele mal terminou de subir as escadas quando a cerimônia finalmente começou. Um homem de dois metros de altura e negro apareceu, quase matando-me de paixão. Que homem mais lindo! Segurei-me na base, totalmente apaixonada pelo noivo de Hestia, que foi com ele até o altar de mãos dadas, com um simples vestido branco batendo em seus joelhos. Ai que inveja!

– Esse é o noivo dela? – engasgou-se Sirius. Beatles começou a ressonar pelo local quando o padre abriu seu livro. Um casamento bem descontraído mesmo. O homem pegou nas pequenas mãozinhas de Hestia, que era quase cinquenta centímetros mais baixa que ele, e sorriu, Jesus Cristo, que dentes perfeitos!

– Hestia, a primeira vez que nos conhecemos, pensei que faríamos um ménage com sua amiga, Rita. E aí Rita. – A Skeeter escondeu o rosto quando todos prenderam risos ao olhá-la, bem constrangedor, queria que Hestia tivesse me chamado. – Mas, não fizemos. Mas você me passou uma energia que nunca senti antes. Então eu pensei, se eu visse aquela vaca louca novamente, eu me casaria com ela. E aqui estou.

– Meu Deus. – riu Lily baixinho, escondendo seu rosto no braço de Sirius, que olhava tudo petrificado. O complexo de abandono dele sempre bate mais forte quando vê que pessoas que dependiam dele se libertaram. Que conseguem viver sem ele. Hestia parecia radiante quando respirou fundo e olhou o noivo.

– Thomas, quando você veio a minha casa com aquela flores e tal, eu estava pronta para chamar a polícia. Além de eu te achar assustador, eu também te achava chato e grudento.

– Realmente, ele é muito chato. – riu um dos amigos de Thomas.

– Mas por alguma razão eu aceitei jantar com você, e você pediu para mudar de mesa duas vezes, Merlin... – Hestia riu por alguns segundos. – Eu admiro você, admiro seu trabalho e seu espírito bondoso, admiro tudo que você não sabe. Eu amo você.

– Puta que pariu. – murmurou Sirius, parecendo estar passando mal. Ele ficou da mesma forma no casamento de Marlene, e se Cadaroc realmente tivesse aparecido, provavelmente ele teria enfartado.

– Está tudo bem? – apertei seu ombro. Ele assentiu freneticamente.

– Estou emocionado... Sabe, pessoas achando outras pessoas... Com licença. – Será que se eu me casasse, ele também se sentiria assim? Sufocado? De qualquer forma, Hestia deu um sonoro gritinho quando o padre disse que estavam casados. Eles se beijaram sensualmente por um minuto inteiro e todos bateram palmas para os recém-casados. A festa realmente começou com uma música bem pornográfica e o álcool foi distribuído. Sirius foi tomar ar e não voltou mais, então eu tomei uma garrafa inteira de champanhe e dancei sozinha até mesmo na hora em que havia apenas casais na pista.

– São só quatro meses e eu já estou exausta! – Marlene abraçou-me por trás, fazendo eu sentir o relevo duro em seu abdômen. – Quero esse bebê fora de mim!

– Cinco meses passam voando. – virei-me para ela sorrindo, e abrimos espaço para Lily se juntar a nós com Alice. Nós quatro, grávidas exatamente na mesma época. Potter, McKinnon, Longbottom e Black juntos em Hogwarts em 1991. Quem imaginou que seria assim? Logo eu que não queria ter filhos. E continuo não querendo. É loucura pensar nisso, sabendo que talvez esse bebê nem venha a nascer.

– Emms, temo inveja de você. – riu Alice. – Pode beber, tem o corpo deslumbrante e ainda cabe em todas as suas roupas.

– Faço meu possível. – sorri.

– Você e Sirius precisam ter um bebê! – comentou Lily, e de canto de olho eu pude ver o sorriso de Marlene diminuir um pouco. – Imagine só o filho de vocês. Meu Deus!

– Nem quero imaginar. – ri sem humor.

– Aliás, Sirius e Remo precisam de filhos, a segunda geração de Marotos precisam chegar! – riu Alice. Me esquivei do meio delas caminhei até Sirius, sentando-me em seu colo. Ele parecia emburrado com algo, com raiva.

– Obrigado por não ter pegado o buquê.

– Bem, eu fiz isso porque eu te amo. – Simples e fácil. Eu não tinha dificuldades com palavras fortes, na verdade eu era bem simples. Mas Sirius parecia chocado ao ouvir aquelas palavras pela segunda vez. – Por que está tão surpreso?

– Eu só pensei que não era desse tipo. – levantei-me.

– O quê? Você acha que eu não amo ninguém, é isso?

– Emmeline, eu só acho que você está indo rápido demais.

– Eu não consigo acreditar em como você pode ser tão imbecil. – tirei todos do meu caminho em direção da saída da festa e caminhei pela rua escura sem medo algum. Eu estava tão irrita, ele é tão cego, tão... Transparente! Não sente, não se envolve, não enxerga! Não deixa as pessoas atravessarem aquela maldita muralha ao redor dele.

– Emmeline!

– Olha, se você se ama tanto, então porque é loucura que os outros te amem, hein? – gritei, exasperada. Sirius parou de supetão, assustado. Ele levou alguns segundos para digerir o que eu tinha dito e então disse lentamente, colocando as mãos no bolso.

– Eu não me amo. – disse Sirius.

– Você é o pior tipo de gente, sabia? Porque você sabe que é bonito, sabe que é inteligente e talentoso, mas finge que não é! – Sirius pareceu ficar vermelho.

– Obrigada. – murmurou dele.

– É esse o jogo? Você me persegue como se eu fosse a porra de um dos Beatles por anos e quando eu finalmente me acostumo, você sai fora? O QUE TEM DE ERRADO COM VOCÊ, SIRIUS?

– Eu... E-e-eu tenho... Tenho medo.

– TODO MUNDO TEM MEDO, SIRIUS BLACK! Você perdeu a Hestia, perdeu a Marlene, Piper e você quer saber por que todas elas vão embora? Porque você é um completo idiota!

– Eu não sei, eu... Eu só sinto medo.

– Você pediu por isso, você pediu e agora age como uma vadiazinha! – empurrei Sirius para fora do meu caminho e recomecei a andar.

– Olha... Vamos parar com isso, ok? Vamos pra casa. Eu te conheço, sei que quer ir pra casa e tomar um bom banho. Então vamos.

– NÃO! Você não se atreva a fingir que me conhece! Você não sabe nada sobre mim, não me conhece e não se conhece! Só porque a mamãezinha e o papaizinho foram duros com você acha que sabe o que é dificuldade?

– Você não sabe como é a minha família!

– Vá pra casa, Sirius. Melhor pra você. – voltei a caminhar em direção do fim da rua para poder aparatar.

Eu já tinha tomado minha decisão.

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AGNES OBEL - RIVERSIDE

É doloroso, mas eu penso em como seria meu bebê.

Talvez ele fosse uma menina. Eu realmente queria que fosse uma menina. Ela teria meus cachos, em um tom mais claro, igual ao de minha mãe. Os olhos seriam os de Sirius e eu ficaria feliz se ela tivesse sua boca e minhas bochechas magras. Ela seria irônica e sincera, todos gostariam de ficar perto da alegre e divertida Emma Black.

– Desculpe. – encarei os olhos de Sirius pela clara fresta de luz que a janela proporcionava ao quarto. Ele estava sério como poucas vezes na vida. – Eu fui um babaca.

– Ok.

– Pensei muito durante essa semana e... – E às vezes, enquanto Sirius dormia ao meu lado, eu ficava acariciando minha barriga, fingindo que ela ainda estava lá, esperando. Mas eu quase conseguia sentir o vazio em meu útero, como se fosse possível enxerga-la. E aquela filha que nunca nasceu conseguiu atingir tudo ao nosso redor. Nossos risos, olhares, conversas... Até Sirius parecia senti-la, por mais que nunca tenha sabido sobre sua existência. – Eu vejo. Eu... Eu não me entendo. Eu não faço ideia do porque eu sou desse jeito ou porque faço essas coisas, mas... Eu sinto, vejo, amo... E eu quero pedir desculpas antes de te perder, porque das últimas vezes, eu não tive essa chance.

– Sirius...

– Mude-se para cá. Vamos desenhar a planta de uma casa e construí-la. Vamos plantar uma árvore bem alta... Para nossos filhos. Vamos recolher nossas histórias e memórias... Eu vejo um futuro. E você está nele.

Eu não consegui ver o rosto de Sirius por conta das lágrimas, e minha mente estava muito distorcida imersa no pensamento que, às vezes, no silêncio da noite, eu conseguia senti-la sair de meu útero e acomodar-se entre nós dois.

Como uma criança recém-nascida.



Notas finais do capítulo

Ster, que viageeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeemmmmmmm, coloca esses pézinhos no chão!

MUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH