About Sirius Black escrita por Ster


Capítulo 54
Depois - 1979




THIS IS HOW WE DO

1979

– Preciso que transe com Amelia Bones.

– Bom dia. – já se fazia uma semana desde nossa volta da missão suicida no dia do casamento de James. Durou três dias e foi incrível, como eu previa. Nós sobrevoamos todo o acampamento, adestramos alguns Lobisomens, fugimos dos Dementadores e brincamos com uns Trolls, foi inesquecível, com certeza eu contaria aquilo para meus filhos. E agora ali estava eu, andando pelo Ministério em direção do escritório de Kingsley quando James me pede aquilo.

– Só a envolva em algo, ok? Dê algo para ela fazer a noite que não seja ligar para Lílian e ficar a noite toda rindo com ela no telefone com memórias ternas de seu irmão morto! Já basta que ele levou Lily pra cama antes de mim.

– Amelia? Não.

– Ahhh, qual é! – tomei mais um gole do meu café.

– Muito séria, sem graça e focada. Não combina comigo. – James arrancou o café da minha mão e deu um longo gole quando entramos no elevador.

– Vocês combinam! Ela é intensa, inteligente e complicada. Amelia é uma Vodka Congelada Single Malte, muito refinada para você que está acostumado com uma Cerveja Amanteigada. – fiquei extremamente ofendido.

– Meu caro amigo, Piper Greengrass definitivamente não é uma Cerveja. Ela é um Uísque de Fogo Strong. O mais caro e refinado. E o mais fodido de tomar. Você que gosta de Cerveja. – foi a vez de James ficar ofendido. – Desculpe, mas Lily é uma Água de Gilly.

– Quer saber? Você sabe que não tem chance com ela.

– Quê?

– Tente, como um favor.

– Não sou sua vadia, Potter. – saímos do elevador e eu joguei meu copo de café no lixo. – Farei meu melhor.

Subimos os poucos degraus em silêncio e adentramos no Departamento de Aurores. James sentou-se na beira da pequena mesa de Frank enquanto eu cutucava o olho mágico em sua porta.

– E onde está Moody? Tenho alguns recortes de jornais para lhe dar.

– Ele está em missão. Temos uma boa vantagem de um lugar na Escócia, que pode estar escondendo alguns Comensais da Morte conhecidos. Estamos procurando Karkaroff por quase um ano agora. O vimos sem máscara um tempinho atrás.

– E o irmão dele? – sussurrou James, pensando que eu não estava ouvindo. Segurei um riso amargo e continuei fingindo que não ouvia nada.

– A casa dos Black é notoriamente de difícil acesso, a menos que eles queiram que você lá. Aparentemente o velho Orion tornou-se cada vez mais paranóico nos últimos dois anos. Eu não acho que Sirius ainda conseguia encontrar o caminho de lá. Eles realmente limpou o lugar para fora dos mapas.

– Velho esperto. – James disse com um suspiro. – Ei, Almofadinhas, estão procurando seu irmão.

– Eu sei. Marlene está no grupo de busca se não me engano. Ficou maluca quando ficou sabendo.

– Pois é... Mas Moody a liberou? Ela não é a protegida dele?

– Moody já pegou confiança nela. – Frank estendeu a mão. – Vou levar os recortes de papel.

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Os pais de Lílian foram assassinados.

Foi um combate, James suspeita que um deles era um Nott, pelo sotaque escocês. A casa dos Evans estava destruída e Petúnia e Lily tiveram uma briga feia no dia do funeral, e foi tão feia que no final Petúnia deu um tapa na cara de Lily, que aceitou em silêncio. A Ordem colocou alguns de nós para ir atrás deles, mas era só para confortar Lily, afinal, nunca conseguiríamos saber quem foram eles. O casamento de Marlene se aproximava mais e mais, o que a fazia ficar totalmente alheia aos acontecimentos, apesar de ainda estar trabalhando furiosamente sob o caso de Régulo.

– Ah, Bones. – ela adentrou na Ordem e eu fui até ela colocando meu plano em prática. Com a morte dos pais de Lily, a frequência dos telefonemas estavam queimando os neurônios do meu melhor amigo. Aproveitando-me da situação de ser dez centímetros mais alto que ela, enfiei meu peitoral na sua frente como uma parede. Ela avaliou-me lentamente, com um olhar irritado. – Posso saber onde está o relatório da missão na Escócia?

– Ainda não está pronto. – ela parecia concentrada em suas anotações. Soltei um muxoxo, com o corpo ainda perto do dela.

– Bem... Então ainda temos tempo de...

– Com licença, eu tenho que falar com Dumbledore. – e saiu, me deixando falar sozinho. James gargalhou do outro lado da sala.

– Isso não acontece comigo. – murmurei. Era só um olhar e ela caem aos meus pés! Que seja, talvez eu tente mais um pouco mais tarde. Um crack irrompeu pela sala, revelando Kingsley com Dumbledore, sendo que o primeiro parecia muito, mas muito alterado.

– O Ministro Yiddles não deverá sobreviver à essa noite. Ele sofreu lesões graves, além de várias maldições negras que não há como remover. Os advogados de Gringotes estão sendo levados, mas ele poderia estar morto antes mesmo de chegar. – Dumbledore disse calmamente, como se estivesse lendo um artigo do Transfiguração Hoje.

– Então... não há como salvá-lo?

– Depende do quanto ele foi atingido. – Lily interrompeu, lá vai a sabe-tudo que agora é uma curandeira. – Ele poderia ter entrado coma. Mas se ele não acordar...

– Ele também estava sangrando severamente, e não há uma poção realmente potente para ajudar. – Kingsley disse.

– Então Dumbledore será nomeado. – sorri.

– É critério dos funcionários do Ministério da Suprema Corte e outros. Tenho a sensação de que eles não querem Dumbledore no comando agora, visto que a primeira coisa que ele vai fazer é iniciar uma caçada ativa para todos os conhecidos Comensais da Morte e Lorde Voldemort, em seguida, começar a apontar o dedo para os Purebloods suspeitos em seu círculo íntimo. Os Malfoy, Black, Nott, Greengrass, e Lestrange são todos muito grandes apoiadores financeiros do Ministério, e as opiniões de muitas pessoas são influenciadas por eles. Embora saibamos quase sem dúvida que eles são Comensais da Morte, o Ministério não vai querer Dumbledore arrastando seus nomes no meio da lama, se por algum motivo insano, eles são capazes de manter sua filiação em segredo.

Eu tinha esquecido esse detalhe.

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– Bones. – chamei, apoiando-me no balcão da recepção do Profeta Diário. Fiz todo o possível para minha voz sair o mais sexy e rouca possível. – Vim aqui atrás do meu relatório. Você atrasou.

– Perdão, você disse algo? – ela parecia muito distraída com os olhos pregados em seu livro. Marlene estava lá com ela, folheando uma revista para noivas. James observava tudo atrás de mim, de braços cruzados.

– Bones, qual é o seu problema? – ela parecia intrigada.

– Desculpe?

– Mulheres vão ao mesmo bar toda santa noite rezando para ter a chance de serem paqueradas por mim só mais uma vez. Então qual é a sua? – Ela uniu as sobrancelhas e Marlene soltou um muxoxo.

– Não faço ideia do que está falando.

– Porra, eu dei em cima de você a semana toda! – alterei-me, saindo de perto do balcão. Ela parecia chocada, e então segurou uma gargalhada.

– Ah... Sério? Awn... – ela olhou-me docilmente e então maneou a cabeça negativamente, feito uma garotinha. – Com licença.

– Olha, isso nem foi ideia minha! – ela atravessou a porta gargalhando. – Foi ideia do Potter!

– Típico. – resmungou Marlene.

– Ah qual é. Assume que não tem potência pra uma Vodka Congelada. – sorriu James.

– Hã? Ela não é uma Vodka Congelada, ela é um Hidromel barato que te dá tanta dor de cabeça que faz os dentes doerem! – James gargalhou, mas Marlene me olhava como se eu fosse o ser mais desprezível da face da terra. O elevador anunciou sua chegada com aquele barulhinho de cristais se batendo, e sorrindo, Voldemort adentrou no local com cerca de vinte Comensais. Pulei para o outro lado do balcão e empurrei Marlene antes que ela fosse atingida por um feitiço jogado por Voldemort. De mal jeito, caímos no chão um em cima do outro enquanto a batalha começava. Alguém já havia avisado a Ordem, pois cracks invadiram o Atrium do Profeta Diário em segundos.

– IMPEDIMENTA! – berrou Marlene para ninguém em específico, mas atingiu muita gente pelos berros. O caos se instaurou no local enquanto várias pessoas corriam em busca das lareiras ou elevadores. – Oh meu Deus, Sirius... Inferis!

Eu não tive tempo de dizer nada, mal tive tempo de respirar, pois uma maldição atingiu-me com tanta intensidade que meu corpo foi levado para trás. Algo quente e vermelho abraçou meu corpo e ergueu-me do chão, e lá estava eu, voando, rodopiando no ar, em partes eu via o teto em partes eu via a terra e a guerra acontecendo. Após isso eu fui jogado em terra firme e um barulho de algo quebrando prevaleceu quanto toquei o chão. Recebi uma chuva de areia, pedrinhas e água. Eu ficava em dúvida se realmente estava acordado ou sonhando, se eu realmente estava vendo aquela expressa neblina que eu poderia cortar com minha varinha. Tentei me mexer, mas era muito complicado, além de eu não conseguir ver nada, meus olhos não me diziam onde eu estava e meu corpo berrava de dor. Doía respirar, se mexer e até mesmo piscar. Consegui levantar a mão da varinha e era um lindo contraste da mesma entre minha mão ensanguentada.

Maldito seja eu, que não conseguia ficar quieto nem por um segundo.

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Vultos se mexiam ao meu redor. Pessoas estavam falando umas em cima das outras, um rosto familiar pairou sobre o meu e sua boca se mexia, mas eu não sabia o que eles diziam pois eu não conseguia ouvir.

E a escuridão me afundou novamente.

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Novamente, o mesmo rosto aparece falando para mim, mas nada consigo entender, não fica claro. Seu cabelo está caindo sobre seu rosto e ela parece um pouco desesperada.

Outro rosto paira sobre o meu, dessa vez eu posso ver o ruivo em sua cabeça, ela diz muitas coisas ao mesmo tempo, mas depois é afastada por um homem de óculos, ele também diz muitas coisas. Mas tudo sem som. E tudo que eu ouvia era um zumbido constante que nunca parava.

Ele diz mais algumas coisas e então fica em silêncio, apenas me fitando.

E eu volto a escuridão.

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O que você pensa que está fazendo. – a voz era lentamente letal. – Afaste-se desse homem agora!

– Ele precisa disso, Marlene.

– Você ENLOUQUECEU? O coração dele não vai aguentar, sua IMBECIL!

– Lene, você está nervosa, não fale assim com Lílian... – James? Minha cabeça estava girando, e os berros da mulher não ajudavam nada.

– EU TENHO CERTIFICADO EM MEDICINA BRUXA E EU ORDENO QUE SE AFASTE DELE AGORA MESMO, LÍLIAN POTTER!

– Eu também tenho e você sabe que eu jamais faria algo para prejudicá-lo. Precisamos fazer isso para ele recuperar os movimentos... – houve um movimento brusco, como se fosse um soco na parede, e eu identifiquei a voz de Marlene, fria e cortante.

– Faça o que quiser, se ele morrer, arque com as consequências. Termine o que está fazendo que vou transferi-lo para outro hospital.

– Você não vai tirá-lo daqui, ele não te nomeou como família.

– É O QUE VEREMOS! – berrou. E então a porta se fechou, e eu voltei para a escuridão.

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THE NATIONAL - VANDERLY GEEKS

Nascemos, vivemos e morremos. Às vezes não nessa ordem.

Colocamos as coisas para descansar apenas para ressuscitá-las novamente. Então se a morte não é o fim, no que ainda podemos contar? Porque não dá para contar com nada na vida. Vida é a coisa mais frágil, instável e imprevisível coisa que existe. Na verdade, só há uma coisa na vida que podemos ter certeza...

– Vamos, você consegue, você consegue! – Remo e James eram os mais animados. Cadaroc assistia a tudo com uma expressão divertida no rosto. Já se fazia três semanas desde o ataque ao Profeta Diário e eu quase morri. Quebrei grande parte das costelas, pernas e até mesmo os braços. Lily e Marlene, juntas, entre brigas e conciliações, concertaram tudo com o auxílio de Cadaroc. Mas eu ainda não estava conseguindo nem me mover, apesar de estarmos fazendo tudo devagar, eles estavam ali torcendo fortemente para eu conseguir abrir a mão.

– Vai Sirius, força, força, está quase lá! – parecia que eu estava tentando erguer uma casa de vinte andares tamanha força que eu tinha que fazer para tentar abrir a porcaria da mão, que mal se movia. Ela tremia, dava espamos e os dedos se abriam, tentando a todo custo se erguer.

– Foco, ande Sirius, foco! – torcia James, ansioso. Quando você é maior de idade, e tem que renovar todos os seus documentos, há um em especial, onde você entrega para a justiça, dizendo quem era seu responsável caso algo acontecesse com você. Claro que eu não tive que pensar muito, eu poderia nomear Remo, que é responsável, James, que jamais me deixaria vegetando em um hospital, ou quem sabe Pedro, se eu tivesse algum problema mental para nomeá-lo. Mas eu fui mais longe dessa vez. – Anda inferno, abre essa mão!

Quase chorei quando em um dos espasmos, ela se abriu rapidamente e voltou ao seu estado normal, que era semi fechado. Droga... Não consegui esconder a infelicidade de ver aquilo.

– Está indo muito bem. Seu cérebro está reciclando, reaprendendo. Isso é ótimo, acredite, é incrível. – sorriu Lílian, abrindo e fechando a porta do quarto rapidamente.

– Pequenas vitórias, lembra? – disse Cadaroc, anotando algo em meu prontuário. Lílian o ajudou enquanto Remo tentava ler e James me observava seriamente, como se eu fosse morrer a qualquer segundo.

– Ei, Lily... Então? Posso andar um pouco hoje? Um passeio pelo hospital, talvez? – ela pareceu triste.

– Perdão, Sirius, mas você ainda está muito mal. Enquanto não puder se mover e suas infecções não acabarem, não pode sair daqui.

– Pela amor de Deus... – gemi enquanto ela tirava o curativo de meu abdômen para analisar. Ela tentou falar mais algumas coisas, mas eu virei o rosto, sentindo minha cabeça doer com o movimento brusco.

– James, diga a ele que eu deixaria se pudesse. – pediu Lily antes de sair com Cadaroc e Remo. Pontas olhou-me divertido.

– Ela deixaria se pudesse. – repetiu ele. Ergui meu braço novamente, mostrando-lhe minha mão fechada com todo vigor que eu podia. Seria uma grande vitória se eu pudesse erguê-lo.

– Está me mostrando o dedo? – gargalhou James.

– Estou. – James sorriu, mas se conteve quando Marlene McKinnon adentrou no quarto. Ela estava um furacão. Disseram que ficaram com medo de serem mordidos ou mortos, pois ela não queria que ninguém tocasse em mim sem sua “autorização médica”. Ela tirou seu sobretudo e sorriu enquanto se sentava na beira da cama, verificando pressão, batimentos cardíacos e outras coisas. James girou os olhos por estar sendo ignorado e saiu do quarto.

– Sirius...

– Sim? – esperei que ela me olhasse. Nós só queremos sobreviver a tempestade. Nós oramos: “Por favor, Deus, me leve para o outro lado”. Mesmo não tendo ideia do que encontraremos. E se a tempestade passar... E nada sobrar? Eu sempre disse que podia lidar com qualquer coisa. Eu estava errado. Na verdade, eu estava errado sobre muitas coisas. Mas eu estava certo sobre uma coisa.

– Eu amo você. – E todo o choro que ela segurou por semanas desde o acidente, explodiram. E então eu sorri enquanto a abraçava, abafando seu choro alto.

Eu estava certo sobre isso.



Notas finais do capítulo

Esse capítulo