About Sirius Black escrita por Ster


Capítulo 50
Depois - 1978


Notas iniciais do capítulo

COOOOOOOOOOOOOOOOMO eu recebi uma bela de uma recomendação de uma leitora que leu a 49 capítulos em três dias, me dando ânimo para escrever e postar mais e mais, vamos finalizar esse maravilhoso ano com CHAVE DE OURO ♥1979 nos aguarda.



THE LONELY GIRL II

1978

Eu amava minha aparência.

Piper estava certa afinal, nomes não são precisos uma vez que está estampado em meu rosto. Um Black e corpo e alma. Olhos grandes, maçãs do rosto muito bem marcadas, características aristocratas como o nariz e o queixo longos. Eu sou um Black. Talvez eu sempre venha a ser. E na arte de ser um, nas batalhas não tinha um sobrevivente a mim.

Mas um Black sabe matar.

E eu, o Black defeituoso, não sabia.

Quando McMillian matou Piper, eu quis mata-lo, quis fazê-lo sofrer, quis matar toda a família dele, a pessoa mais importante que existisse no mundo para ele. Mas eu não tinha coragem de tentar fazê-lo sentir a dor que eu senti. Eu simplesmente não conseguia. Mas estávamos em uma guerra e simples segundos podiam ter consequências por uma eternidade, como dizia Lily. Medo. Todos assustados com os assassinados, os atentados que a Ordem estava sofrendo dos Comensais. Voldemort estava conseguindo se fortalecer mais e mais e não havia nada que pudéssemos fazer. Eu tinha a leve impressão de que Dumbledore não compartilhava conosco o que ele realmente achava. Ele sabia que algo que nós não sabíamos e pelo jeito ele não tinha planos de compartilhar.

– Como eu posso querer ter filhos e uma família na época em que estamos? – questionou Dorcas assim que achamos um lugar seguro. Os Comensais estavam no nosso pé há mais de três semanas, simplesmente nos achando nos lugares mais inusitados. A família de Dorcas mora perto dos Lovegood, no meio da puta que pariu, difícil localização. Como uma família de puro-sangue, Voldemort tentou alistá-los, mas foi rejeitado.

– Não tendo. – retruquei mal-humorado. Eu estava cansado das perseguições, mal podia andar de moto ou beber algo em um bar qualquer que eu era atacado. Eu estava sendo praticamente obrigado a conviver com os trouxas.

– Ah, obrigada. – sorriu ela, debochada. Continuamos andando pela rua movimentada, prestando muita atenção no movimento e nas pessoas de negro. Toda vez que eu me pegava em um duelo, eu me questionava se estava lutando contra Lucius, Bella ou Bartô. Era uma dúvida cruel que assombrava minha mente. James uma vez jurou de pés juntos que duelou com Snape, o que fez Lily chorar a semana inteirinha. Deve ter sido verdade, porque ele não desmentiu ao vê-la chorar.

– Coelhos! – Dorcas aproximou-se de uma loja e sorriu para mim daquele jeito aéreo que ela tinha. – Eu adoro coelhos.

– Eu adoro cozido de coelho. – rebati, um pouco chateado por estar com Dorcas. Eu não entendo metade do que ela fala.

– Olhe só. – a mulher loura apontou para uma loja de vestidos de casamento. – Vestidos!

– Dorcas, temos que voltar...

– Por favor, Sirius, é rapidinho! – acabei cedendo, afinal, tínhamos mesmo que despistar os idiotas que estavam nos seguindo. Entramos na loja e eu senti náuseas só de ver tantos vestidos estranhos e brancos. A música era irritante, o sofá era duro e a cara de vaca da vendedora só estava aumentando meu tédio e mal-humor. Ai meu Deus, eu quero ir pra casaaaaaa! Dorcas enfiou-se no provador com um dos vestidos que ela gostou e eu pensei na possibilidade dela ter sido morta de tanto que ela demorou.

Então, Merlin ouviu minhas preces e ela abriu a porta. Eu pensei que ela já estaria pronta para irmos embora, porém ela estava vestida de noiva. Ele cobria seus braços em rendas até o torso que tinha uma espécie de tomara-que-caia. A saia era longa e muito branca com rendas por cima da seda. Eu nunca tinha visto Dorcas tão bonita.

– Então? – sorriu dela, empolgada.

– Legal. – dei de ombros.

– Legal? – ela parecia decepcionada.

– É, eu disse que está legal!

– Sirius, estou vestida pra casar, como pode dizer apenas “legal”?

– Ok... Muito legal? – Dorcas girou os olhos. – Ok... Desculpe, você está muito bonita mesmo. De verdade.

Ela sorriu e girou. Por um momento, entre seus cachos bagunçados e embaraçados. O louro escuro de Dorcas pareceu platinado por conta da iluminação e por um segundo, apenas por um segundo, eu vi Marlene. Meu coração bateu tão forte que eu tive que fechar os olhos para poder acalmar-me. Dorcas decidiu levar o vestido e me fez jurar que não contaria a Remo como era e que ela já tinha comprado o vestido. Fomos atacados novamente quando aparatamos quatro quarteirões antes da Sede e por pouco Dorcas não foi atingida por uma maldição da morte.

Aparatamos novamente para dentro de minha casa e achamos o Patrono de James vagando pela sala, repetindo a mesma frase:

“Os McKinnon estão sendo atacados... Os McKinnon estão sendo atacados...”

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Era véspera de ano novo.

Eu mal conseguia acreditar que em menos de um ano tudo aquilo havia acontecido. Alice e Frank se casaram, James e Lily, Dorcas e Remo estavam noivos, Pedro continuava gordo e eu perdi uma pessoa que eu não notei que era importante para mim até perdê-la. Se eu fechasse os olhos, eu ainda conseguia ver o azul forte nas pontas do negro cabelo de Piper. Seus óculos, os olhos acinzentados, as tatuagens e a linda curva de sua cintura. Eu sentia muita falta dela pois ela estava em mim. Fora Piper quem fizera o Sirius Black de hoje.

Por mais que tentemos esconder, abafar, encolher ou simplesmente fingir que nunca aconteceu, ele está ali. Espreitando, observando, aproximando-se lentamente, pronto. Por mais que tentemos correr contra a corrente, somos incessantemente levados ao passado. Mas ele sempre esteve ali. Pronto para bagunçar o futuro.

A casa dos McKinnon estava em chamas.

Era uma confusão de pessoas, então eu não conseguia ver quem era quem naquela multidão, mas eu conseguia ver Lily duelando com Voldemort. E meu coração batia tão forte ao ver aquele homem alto, com o cabelo reluzente e o terno escuro como a noite iluminado pelos raios verdes de sua varinha contra Evans, que tentava defender-se desesperadamente. Aquela era a segunda vez que Lily duelava com ele e tinha proeza de sair viva, pois James empurrou-a longe e jogou uma azaração atrás da outra contra o mesmo.

– SIRIUS! SE MEXA! – berrou Emmeline, lutando contra quatro comensais ao mesmo tempo. Ajudei-a, jogando algumas azarações contra dois deles. A gargalhada insana e doente de Bella fez eu apavorar-me de vez ao vê-la voando pelo ar em forma de vulto negro, ateando fogo ao nosso redor.

– NAOMI! – uma mulher estava correndo desesperada entre as pessoas, seus cachos louros voavam pelo ar enquanto ele empurrava e azarava todos que estavam a sua frente. – KEVIN!

– Onde estão os McKinnon? – perguntou Dorcas, finalizando um dos comensais. Ela encostou-se em minhas costas para podermos falar enquanto duelávamos.

– Acho que vi a Sra. McKinnon... Estava correndo atrás de Kevin e Naomi. – retruquei, tentando segurar com todas as minhas forças a forte maldição que o Comensal me jogou. – Estupefaça! Jesus, Voldemort está precisando treinar vocês melhor.

PROTEGO! – Merlindocéu! Os McKinnon tem um sangue poderoso, pois a mulher loura que procurava os irmãos de Marlene entre a confusão jogou uma barreira tão forte que jogou o Comensal do outro lado da rua. Quando eu vi em sua mão, apenas de relance, uma varinha curvada, e então eu esqueci de respirar.

– JAMES! – urrou Remo. – JAMES, APARATE AGORA!

Voldemort ria ao jogar maldições fortes em James, que parecia estar fraquejando. Lily o ajudava, mas estava impossível. Respirei fundo e fui em direção deles e joguei minha primeira maldição em direção de Tom Riddle. Ele pareceu me reconhecer por um segundo, e então sorriu. Mas não era para mim. Fui ágil o suficiente para virar-me e ver um Comensal pronto parta atingir-me. A confusão de luzes, gritos e azarações ditas em voz alta era um caos. A única iluminação era a grande casa dos McKinnon ardendo diante de nós. Era um pouco triste pensar aquilo, mas eu estava mais feliz por saber que Marlene não estava ali.

– Tire a máscara e lute como homem! – gritei. Meus feitiços não estavam funcionando direito, saiam mais fracos ou fortes demais e dava uma vibração assustadora quando entrava em choque com a varinha do Comensal. – Quem é você? Malfoy, Lestrange, Nott...

– Esqueceu seu sobrenome. – Régulo Black passou a varinha na frente do rosto e sorriu para mim. – Esteve me procurando, maninho?

– Pode acreditar que sim. Queria te dar um abraço. Everte Statium!

Protego! Ah Sirius, qual é, ambos sabemos que é melhor do que isso. – sorriu ele. Já não era Régulo, era um fantasma do mesmo, uma lembrança do garoto com uma boa saúde e aparentemente mimado. Tinha olheiras e lábios rachados, bem diferente do que eu me lembrava.

– Régulo, não me force...

– A me matar? Não antes de eu fazer isso com você...

Estupefaça! – um homem corpulento nocauteou meu irmão com um sorriso no rosto. Ele tinha um rosto brincalhão e um sorriso fácil, bem humorado. Os fios castanhos e os olhos da mesma cor parecia ter vida própria. – Odeio encontros familiares.

– Eu estava cuidando dele. – deixei claro, um pouco ofendido. Ele diminuiu o sorriso e ergueu as mãos em sinal de rendimento.

– Oh, desculpe, quer que eu o reanime? – Quando eu ia responder, os olhos dele foram para um ponto da luta. – Puta que pariu!

E então saiu correndo em direção de uma batalha que estava chamando mais atenção que a acirrada entre Voldemort e James. A possível senhora McKinnon estava dando uma porrada em forma de feitiços em Bellatrix. Ela era a única comensal que não usava máscara, por isso eu a identifiquei facilmente apesar de não conseguir ver nada direito. Apenas raios coloridos, varinhas curvadas e feitiços muito, mas muito fortes saindo da varinha da senhora McKinnon. Bella parou de rir ao ver que poderia ser vencida e começou a jogar feitiços mais ofensivos, apesar de nenhum conseguir atingi-la.

Poderia ser uma auror da melhor qualificação.

Quando uma explosão verde atingiu o céu escuro e uma nuvem verde começou a se espalhar, os comensais desapareceram junto com Voldemort e então o jardim estava infestado de mortos. Emmeline estava ofegando ao lado do corpo morto de Mary MacDonald e abraçou-me fortemente quando eu cheguei mais perto. Entre o cabelo de Emmeline, conferi se James e Lily estavam bem, só relaxei ao vê-lo analisar sua varinha enquanto Lily abraçava a senhora McKinnon fortemente, e ao lado delas, o homem que estuporou Régulo. Será que ele era o pai de Marlene? Mas era muito jovem para ser ele, assim como a Sra. McKinnon também estava aparentando ser muito nova a julgar pelos seios volumosos e a cintura fina.

– Vamos, vou te levar para casa. – Emmeline assentiu e então aparatamos.

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A Ordem estava de luto.

Três dos nossos morreram no atentado aos McKinnon, e já haviam se passado uma semana até que decidimos nos reunir novamente. Todos muito abalados e assustados com o acontecido, preferiram se esconder na pouca segurança de suas casas e aguardar a poeira abaixar. Mas pelo pouco que fiquei sabendo, todos os McKinnon estavam bem. Durante essa semana inteira, eu estive bem ocupado com uma certa pessoa.

– Você fica linda nesse vestido. – Emmeline estava meio borrada pela minha visão, mas ainda continuava linda. Estávamos em uma reunião de “comemoração” para os novos integrantes da Ordem, cujo eu nem vi quem são, apenas um deles, Cadaroc Dearborn (tenho certeza que já vi esse nome em algum lugar), que foi o cara quem estuporou Régulo. Eu gostei dele, é muito engraçado e gosta de música boa. Mas, voltando para Emmeline, ela pareceu não gostar dos nossos encontros. Olhou-me séria diante do meu sorriso debochado.

– Não vou transar com você. – avisou ela, como sempre avisava, terminando sua vodka. Dei um risinho, tentando controlar minha alegria repentina. O pequeno salão da Ordem estava movimentado e a música ambiente parecia ser mesma desde que comecei a trocar as pernas quando andava. – Eu não vou transar com você!

Em menos de cinco minutos depois, lá estava Emmeline e eu no armário de vassouras, um pouco preocupados com o validade do Abaffiato, um pouco preocupados com o orgasmo. Ela segurava-se na prateleira, com as pernas envolvidas na minha cintura enquanto eu ofegava, sentindo minhas pernas formigarem quando finalmente alcançamos o ponto que estávamos há minutos tentando chegar. Ela finalmente descansou com um sorriso satisfeito e beijou-me, como sempre fazia entre arquejos e gemidos. Nos desgrudamos e eu tive dificuldades em abotoar a calça. Porra, bebi demais...

– Essa foi a última vez. – avisou ele, como sempre dizia.

– Você já disse isso umas sete vezes e nas sete vezes eu continuei te comendo. – nem notei que tinha recebido um forte tapa na cara. Acabei gargalhando.

– Idiota. – Emmeline abriu a porta bruscamente e fechou. Encostei-me na parede e aguardei um pouquinho para que ninguém notasse que estávamos dentro do armário. Fiquei um pouco mais sóbrio, pelo menos eu acho, pois as coisas ainda estavam engraçadas. Assisti o beijos de James e Lily e quase fiquei cego com o reluzir do anel de compromisso dos dois. Desviei o olhar, incomodado e senti as pessoas pararem ao meu redor.

LOVE IS BLINDNESS - JACK WHITE

Encostada no balcão, havia uma mulher.

E ela era linda.

Tinha curvas incríveis e seios volumosos sob o vestido negro justo. Sua boca era avermelhada como se ela tivesse beijado o dia inteiro. Cachos comportados caiam até seus ombros, em um louro único. Suas sobrancelhas expressivas e os olhos verdes sob o lado direito da face, que era levemente mais pálida, como se ela tivesse machucado aquele lado e ele se recuperava lentamente. Ela tragava um cigarro e expirava lentamente, aproveitando a sensação. Deu mais um gole em um copo de conhaque e notou meu olhar.

Deu-me um sorrisinho mínimo e maliciosa, voltando para seu cigarro.

Quando uma música lenta começou a soar pelo ambiente, minhas pernas agiram por conta própria indo em sua direção. Curvei-me levemente para tirá-la para dançar e ela pareceu pensar, um pouco assustada. Então apagou seu cigarro e deixou o copo sob a bancada, dando-me sua mão. Era pequena e delicada.

A sensação confortável e hipnotizante que eu estava ao fita-la era incrível. Coloquei minha mão sob sua fina cintura e rodamos pela pista vazia, lentamente. Não existiam passos, eram algo sobrenatural. Era como se tivéssemos feito aquilo a vida toda. Eu não conseguia desviar o olhar, imerso demais em seus olhos. Lentamente envolvi meus dedos no seus, ainda encantado.

– Me daria o prazer de saber seu nome? – perguntei, ainda hipnotizado.

– De que adianta se não vai lembrar no dia seguinte? – sua voz era doce e aguda, me trazia lembranças que não condiziam com ela.

– Será difícil me esquecer de você.

– Pago pra ver. – disse ela. – Na verdade, estou impressionada.

– Você fala como se me conhecesse.

– Bem, você é famoso.

– Sou?

– Certamente sabe disso.

– Tenho meus momentos. – sorri, girando-a lentamente. Fiz todo meu possível para não deixar meus olhos caírem sob seu decote. – Não vemos muitas mulheres bonitas na Ordem... E as que tem, são casadas.

– Você parecia confortável com a Vance no armário de vassouras. E eu, bem, eu não fujo do padrão. – fiquei impressionado com o choque que eu fiquei ao saber.

– É casada?

– Noiva. – ela apontou para o cara gordo que eu tinha conversado há minutos atrás. De repente eu, que tinha adorado o cara, queria que ele morresse.

– Senhora Dearborn? – tentei manter o sorriso.

– Não gosto muito desse sobrenome... Mas será meu em breve. Porém, sempre vou gostar do meu sobrenome verdadeiro.

– E posso saber qual é? – então ela sorriu. E eu soube. Eu soube que algo estava errado ali. Era um sorriso que eu conhecia e muito bem. Transmitia conforto. Derramava amor e era como se todas as infelicidades e problemas do mundo pudesse simplesmente sumir apenas com esse sorriso. Que acredita em você de uma forma que você daria tudo para acreditar também. A beleza escondida na Fera finalmente fora revelada.

– Marlene McKinnon.



Notas finais do capítulo

SHEISBACK.Até o próximo capítulo.