About Sirius Black escrita por Ster


Capítulo 45
Depois - 1978


Notas iniciais do capítulo

Oi.Voltei.Rapidinho.Com um capítulo bem grande e com informação demais.Até.



THE REALITY DEATH

1977 - 1978

POV OFF

Entre pensamentos soltos e idéias fixas
Entre holocausto urbano, ventura e dwitza
Entre dedos cruzados (figa), punhos cerrados
E mãos unidas em prece pra que nada dê errado
Entre o tempo curto e missões cumpridas

– Quem é essa garota das fotos?

O nome Black tem muitos significados.

Mas o que se encaixava perfeitamente em Sirius, era o de “ovelha-negra”. Ele sentia-se o errado no meio do certo. O negro no meio do branco.

Se Sirius fechasse seus olhos e se esforçasse, ele conseguiria ver, mesmo que desbotado, seu antigo quarto quando tinha dezesseis anos e os diversos posters que tinha nele. Eram muitos cds nas gavetas e tantos livros que a estante estava aos poucos quebrando, implorando para que ele tomasse uma atitude, mas ele sempre ocupado lendo algum gibi, folheando uma revista pornográfica ou de motos. Quando se mudou para a casa dos Potter, ele já não tinha a mesma liberdade e apesar da curta passagem de tempo, apenas para seus dezessete anos, ele amadureceu um pouco. Já não tinha vontade de pendurar seus posters naquela parede bege. Ele já não lia tanto seus gibis e agora andava mais fissurado por músicas diferentes e tinha pegado um gosto especial por fotos.

– Ela é só uma garota que ficou bonita nas fotos.

Agora sua casa (Pois é, agora não era somente mais um quarto para limitá-lo) tinha quadros de artistas anônimos que ele comprava na rua. Agora ao redor de seu rádio os cds faziam pilha, uma quantidade grande demais para ser guardada em uma simples caixinha. Seus dvds de vídeo games também ocupavam um bom espaço ao redor da televisão e havia uma grande lousa atrás do sofá amarelo ovo, onde Sirius vivia desenhando prédios e coisas que lhe vinham na cabeça. Havia um quadro em especial, que ficava virado para a parede. Sirius teve o trabalho de mandar revela-la em um tamanho maior para caber no caro quadro que comprara para ela, mas simplesmente não conseguia virá-la. Por mais que quisesse, não conseguia.

– É sua namorada?

Era como se fosse em Hogwarts.

Só que muito melhor. Os Marotos viajavam para florestas diferentes todas as noites de Lua Cheia. De manhãzinha eles tomavam café em alguma padaria e paqueravam as executivas trouxas que passavam por lá. Então Remo ia para seu estágio, Pedro para o seu, e James e Sirius iam para casa fazer absolutamente nada.

Às vezes Lily ia para lá.

Mas eles pararam de se pegar no sofá quando Sirius ficou traumatizado ao vê-los em uma pegação pesada um dia desses. Sirius também pega algumas garotas, mas nunca se lembra do nome delas no dia seguinte. Então simplesmente as chama de “amor” enquanto diz que tem que voltar para o país onde mora, as empurrando em direção da porta. Sua última gaveta tinha uma coleção de calcinhas. Quase um prêmio. Era exatamente como na carta que lera no último dia de aula.

– Não.

A casa de Sirius era escura, com uma iluminação azulada.

Algumas pessoas ficavam nos cantos, conversando sobre F. Scott Fitzgerald e sobre como a sociedade bruxa atua sobre o consumismo enquanto fumavam e bebiam uísque de fogo, apenas mexendo a cabeça levemente com a música agitada que ecoava na sala da casa do solteiro Black. Dorcas Meadowes comia os docinhos e beijava seu namorado, que ouvia atentamente sobre seu trabalho no zoológico.

E Sirius, bem, o dono da festa estava louco demais para pensar em algo.

Havia três lustres de luz e ele estava encantado com eles, ficava os empurrando para que ficassem balançando de um lado para o outro e ele erguia o pescoço conforme ele balançava. Os piscas-piscas azuis em toda volta faziam a visão dele ficar turva enquanto ele abraçava e ria com pessoas que nunca viu em toda vida. As vezes sua priminha de seis anos também ia, ficava na cozinha conversando com os drogados.

– Aí você enrola o papel assim. – Sirius lambeu o papel e enrolou o baseado perfeitamente. Ninfadora assistia com muita atenção.

– Que papel é esse? Pois eu ouvi falar que seda é mais branca. – disse ela, unindo a sobrancelhas.

– Seda é boa, mas... A densidade é ruim, muitos resíduos de fibra.

– Cara esse lugar é a maior concentração de drogados que já vi. – disse Pontas, indo até a cozinha pegar uma cerveja amanteigada. – Não conheço ninguém!

– Nem eu. – Sirius deu de ombros.

– Eu posso ganhar dinheiro com esse bagulho. Conhece um fornecedor decente? – perguntou Dora para Pontas.

Então ele terminava sua décima cerveja e vomitava.

Aí a festa acabava e Sirius tinha a leve impressão que uma etapa fora pulada.

– Sua irmã?

Ela era diferente.

Sirius estava virando um uísque de fogo quando uma garota sentou-se ao seu lado, pedindo uma Vodka. Primeiramente ele só conseguiu fitar a tatuagem em seu braço direito, uma linda flor azul que cobria toda a região abaixo de seu ombro. Logo em seguida ele viu as outras tatuagens, números, frases em italiano, a garota era quase um gibi humano. Então ele viu longas madeixas negras com as pontas de cor azul e sua franja encaracolada como se estivesse em 1920. Ela usava um óculos negro que abafava um pouco seus olhos acizentados e deliniados e a boca vermelha era uma fina linha de “Não fale comigo”.

Mas Sirius nunca fazia o que lhe mandavam.

– Meu nome é Sirius. – disse ele, com um torto sorriso. Ele não pode evitar de olhar o grande decote.

– Que bom pra você. – retrucou, seca. Sua voz era grave e imponente, fazendo o sorriso do jovem homem crescer mais e mais.

– Hm, curta e grossa. Do jeitinho que eu gosto. – ela virou-se para ele, cinicamente.

– Teremos um problema aqui ou você vai calar a boca?

– O que vai acontecer se eu não calar? – desafiou, admirando-a. A garota misteriosa com madeixas azuis olhou-o como se fosse o ser mais repugnante que já pisou na terra dando um bom gole em sua vodka, o analisando meticulosamente.

– Você é o dono da Guzzi lá fora? – perguntou ela, debochada.

– Eu mesmo. – ela riu sem humor.

– Já perdeu respeito.

– Quê? Não tem todo mundo que tem poder o suficiente pra ter uma Guzzi.

– O que é uma Guzzi perto de uma Harley Davidson Chopper? – ela arqueou a sobrancelha, finalizando seu copo enquanto Sirius arregalava os olhos, chocado.

– Você... Você é a dona da Harley vermelha lá fora?

– A própria. – ela girou um anel negro nos dedo mínimo. – Qual seu nome mesmo? Sirius? Seus pais estavam com raiva de você ou muito bêbados?

Sirius engoliu seu sorriso, contrariado.

– É o nome de uma estrela. Da constelação Canis.

– Continua ridículo. – sorriu ela, apenas com os lábios. Porém, Sirius estava muito ocupado a admirando para conseguir formular uma resposta cabível.

– Ok, qual seu nome então? – ela começou seu segundo copo de vodka.

– Por que precisamos de nomes? Não pretendo me lembrar de você amanhã de qualquer forma.

– Sou um cara difícil de esquecer.

– Duvido. Não é relevante o suficiente sequer para ser lembrado. – retrucou ela. Sirius soltou um assobio baixo, segurando um sorriso descarado.

– Você é bem difícil hein?

– E você é insuportável. Se me dá licença. – e virou a vodka em um só gole. Ela tinha um gingado sexy e sério ao mesmo tempo, que não dava liberdade para os homens se aproximarem dela. Tinha longas pernas muito bem torneadas pela calça de couro apertada e o corpete tinha detalhes em prata, ela tinha classe e deixou o jovem Sirius apaixonado. Ele a observou caminhar até sua Harley pela janela e dar partida com suas madeixas azuis ondulando pelo ar.

– Não.

Ordem da Fênix.

Sirius não tinha palavras para descrever o quão feliz ficou quando Dumbledore deixou que ele entrasse na organização secreta. Falar como homem com o senhor que era seu superior a poucos meses atrás era quase anestesiante de bom. Ele conheceu pessoas novas, feitiços e poções novas. Soube de informações que jamais sequer imaginara que existiam. Alastor Moody ficou contrariado ao saber que o Black havia entrado para a organização, ainda desconfiava dele desde o natal de 1975, mas ao ver as habilidades do garoto, acabou cedendo. Dumbledore ficou preocupado com a entrada dos jovens na Ordem, pela idade e mentalidade dos Marotos, mas tinha que admitir que eles eram os melhores alunos de Hogwarts em sua época.

– Agora, eu tenho alguns detalhes muito importantes para compartilhar com vocês. Primeiro de tudo, a Ordem está protegida por um feitiço Fidelius. Eu sou seu Fiel do Segredo, que é como você veio a saber disso, apenas por mim. É imperativo que a Ordem seja mantida em segredo de Comensais da Morte, e de Voldemort. A maioria dos membros da Ordem são alvos de alto perfil para os Comensais da Morte, mas eles estão arriscando suas vidas de qualquer maneira. É essencial que nós removamos Voldemort com o menor número possível de vítimas.

“Você estragou.”

“Desculpe”

“Não quer que ninguém se importe.

Tudo é tão... Frágil.

Não percebe?”

“Marlene?”

“Nós éramos especiais.”

Pedro sentia medo, não gostava de fazer missões, achava perigoso demais. Então James lhe dava um tapa na cabeça e dizia que o mundo estava perigoso, então que antes ele morresse tentando resolver o problema do que fugindo. Remo até gostava da Ordem, mas era perigoso demais, ele tinha que concordar com Pedro.

Mas Sirius amava o perigo.

Era totalmente encantado com a sensação que vinha em seguida dela, tanto nos duelos como nas missões que era encarregado a fazer. Gostava da palpitação em seu peito, da adrenalina batendo forte em suas veias, ele simplesmente se sentia vivo. Não tinha medo, não tinha receio, tinha apenas coragem e adrenalina.

Significado oculto e lições aprendidas

Entre meus lemas e dilemas

Entre meus temas e estratagemas

Entre memórias, lembranças

Histórias de andanças e novas esperanças

Entre idéias e ideais

Poucos verdadeiros e alguns reais

Entre experiências e decepções

Entre boas ações e reações

– É sua prima ou algo do tipo?

Encontrou a garota da Harley pela segunda vez na véspera de seu aniversário.

Estava no Caldeirão Furado, escrevendo a Dumbledore sobre as últimas pessoas que vira entrando em sua antiga casa. Estava rondando o Largo Grimmauld, aguardando a ordem de Dumbledore para poder entrar e ver se consegue alguma informação relevante. Mas assim que terminou a carta e olhou ao seu redor, havia uma garota com um vestido vermelho berrante e decotado, coberto por uma capa grossa e negra, observando o frio incessante que estava fazendo do lado de fora do bar. Pediu um uísque de fogo e caminhou até a mesa dela, sentando-se.

– Pensei que nunca mais nos veriamos. – ela notou sua presença e revirou os olhos.

– É sonhar alto demais. – ela retrucou, seca. Sirius sorriu ao ouvir novamente sua voz rouca e grave.

– Ficaria mais fácil de te localizar se eu soubesse seu nome, garota da Harley. – ele sorriu, olhando em seus olhos. – Pensei em você todo o verão.

– Sinto dizer que nem me lembrava que você era vivo.

– Ah, qual é, eu não sou tão ruim assim. Me diz seu nome vai, por favor.

– Sem nomes. – retrucou ela.

– Ok... Então vamos jogar um pouco. Você é casada?

– Viúva. – Sirius lambeu os lábios, sem graça.

– Lamento.

– Eu não. Matei ele e a vadia que estava na minha cama. O lençol era de seda e eles não estavam tendo cuidado. – sorriu ela, maliciosa. Ela ergueu o copo de vodka rapidamente antes de finalizá-lo. Assenti, tentando digerir o fato que eu estava conversando com uma assassina.

– Bem... E o que você faz?

– Sou uma traficante internacional de narciso. – respondeu, séria, apoiando seus braços na mesa e fitando-me como se enxergasse minha alma.

– Você está me zoando. – maneei a cabeça negativamente.

– Se é o que acha. – sorriu ela. – Sou tatuadora em meio período também.

– Ah, uma verdade. – terminei meu uísque.

– Nada que eu disse até agora é mentira.

– Então você é uma Comensal da Morte? – perguntou Sirius, inclinando-se nos pés de sua cadeira com um sorriso debochado. Ela deu de ombros.

– Eu daria uma ótima Comensal, mas não. Tenho mais o que fazer.

– Sabe que está rolando uma guerra, não sabe? Tem que escolher um lado.

– Eu já escolhi há muito.

– Então você apoia Voldemort. – ela arqueou as sobrancelhas, assustada por ele ter dito aquele nome. As pessoas não diziam o nome dele assim. Tinham medo.

– Minha família sim.

– Um avanço significativo, você é puro sangue. Logo foi da Sonserina em Hogwarts.

– Fui educada em Durmstrong. – Sirius soltou um assobio baixo. Ele se perguntava como não notou seu sotaque fraco.

– Então você é da Bulgária.

– Não.

– Lestrange? Parkinson? – chutou ele. A garota suspirou.

– Você é um Black. – Sirius segurou o riso.

– Como sabe?

– Suas feições, seus olhos, sua cara de pau e prepotência gritam isso. Blacks acham que são os donos do mundo. – retrucou.

– Você disse que é tatuadora. – ele trocou de assunto, um pouco incomodado por ser tão facilmente reconhecido.

– Profissional.

– Quero fazer umas tatuagens. – ela olhou-o debochadamente.

– Desculpe?

– Você me ouviu. Quero ficar tão estiloso quanto você. – ela gargalhou e Sirius ficou encantado com seu riso alto e rouco.

– E se eu for uma Comensal da Morte... Você está traindo seu movimento. – disse ela.

– Mulheres bonitas são meu ponto fraco. – ele olhou-a profundamente antes de dizer. – Greengrass.

A garota arregalou os olhos rapidamente, assustada. Não havia nenhuma pista, como ele conseguira adivinhar seu sobrenome? Mas ela não contava que Sirius fosse tão inteligente quanto ela, talvez até mais.

– Eu cobro caro. – ela deixou claro.

– Dinheiro não é problema comigo. – retrucou. A garota da Harley ajeitou seu cabelo antes de se levantar.

– Piper. – disse ela. – Meu nome é Piper.

– Não.

Sirius fechou seus olhos para o Largo Grimmauld.

Por medida de segurança, seus pais estavam disfarçando a casa. Ele subiu as escadas e bateu na porta com três batidas rápidas. Não demorou muito para que um elfo doméstico velho abrisse a porta de mármore. O pequeno elfo assustou-se ao ver o homem diante dele, com um sorriso sarcástico, capa negra quase escondendo a camisa de AC/DC. Havia um grande machucado perto de sua testa por conta de uma briga de bar.

– Que saudade que eu senti de você. – sorriu Sirius, chutando o elfo para longe e entrando dentro da casa, tirando a capa.

– Saia daqui! Não pode entrar, Senhora Walburga...

– Ei, ei, ei, quem você pensa que é para falar dessa forma com um Black, seu elfo asqueroso do inferno! – Sirius deu-lhe outro chute. – Me traga um uísque, preste para algo!

– Mas o que diabos... – Régulo apareceu no longo corredor, chocado ao ver o irmão.

– Régulo, meu irmão. Quanto tempo. – Sirius continuou andando pelo corredor, acenando para seus antepassados que o olhavam assustados pelo quadro. – Vim conversar sobre sua marca negra.

– Você enlouqueceu? Não pode entrar aqui!

– É minha casa também. – ele sentiu um misto de enjoo e nostalgia ao finalmente chegar na gélida sala dos Black. – MAMÃE, CHEGUEI.

– Sirius, vá embora! – pediu Régulo, tentando impor. Walburga Black desceu as escadas, com o rosto petrificado de choque.

– Não...

– Eu mesmo. Pensou que só me veria no inferno, não é? – sorriu seu filho mais velho. – Voltei para combinarmos o ponto de encontro.

– Saia da minha casa, garoto! – ordenou ela, pegando a varinha. – SAIA!

– Que drama desnecessário, é só uma visita. – Sirius sentou-se no sofá e sorriu para sua mãe e irmão, que o olhavam apavorados. – Decidi me alistar a vocês.

– O quê?

– É, tentei achar Voldemort pra ele tatuar isso aí em mim, mas não achei. Podem me informar onde ele está?

– Sirius, acha que eu nasci ontem? – riu Régulo, cruzando os braços.

– Se eu julgar por sua estupidez, sim. – retrucou o irmão. – Estou com fome, não vão me negar um prato de comida, vão?

– Saia daqui agora. – Walburga encostou sua varinha na testa do filho. – Saia.

– Mãe...

– Não sou sua mãe. – O sorriso de Sirius se desmanchou. Por um momento, ele havia esquecido de tudo que havia acontecido, mas ao olhar aqueles frios olhos sem um pingo de compaixão, ele pode se lembrar de tudo que aconteceu entre eles. Seus olhos correram contra vontade para a árvore genealógica dos Black onde seu nome ainda estava queimado. Antes que seu peito sufocasse, ele maneou a cabeça positivamente.

– Ok... Tudo bem.

– O que ela é sua afinal?

A primeira tatuagem de Sirius foi o símbolo alquímico para a Consolidação.

Piper por maldade fez ser um pouco mais doloroso do que deveria ser, mas ele ficou muito orgulhoso quando se viu com a tatuagem pela primeira vez. Bem que ela dissera que é viciante, que devia que tomar cuidado, pois a segunda foi bem no centro de seu peito, o símbolo do planeta Netuno, seu preferido nos estudos de Astronomia. Pediu para que Piper não fizesse o tridente final, e que colocasse toda a constelação Canis ao redor dela, menos Sirius.

Ele gostava da filosofia dela em relação Gelo e Rocha.

Em suas costelas, pequenas patinhas, representando seu verdadeiro interior. Nas nuca Sirius escreveu “Eu celebro a mim mesmo” e em seu ombro, em latim, Piper tatuou a frase: “Quando as neves caem e os ventos brancos sopram, o lobo solitário morre, mas a martilha sobrevive

– Já chega de tatuagens, não? – sorriu Piper na sexta vez que ele entrou em seu estúdio. Mas Sirius nunca estava satisfeito. Outro na costela que dizia em latim “O que me nutre também me destrói” e outra nas costas, uma âncora ao contrário, relacionada a deusa da Justiça, Astreia. Em cada dedo, atreveu-se a escrever “Paciência”, que era algo que faltava nele incansavelmente por mais que buscasse. Atrás da orelha, Piper tatuou em Sirius em grego “Vim, vi, venci” bem pequeno. Em seu pulso “Juro solenemente não fazer nada de bom”, na mão, na curva entre seu polegar e o indicador foi escrito “Sirius”. A última que ele fizera foi “Rise” no antebraço.

– Alguém... Ela é apenas alguém.

Ele não conseguia entender como tinham coragem.

Acabaram de sair de Hogwarts, mal começaram suas vidas, como poderiam se juntas se mal acabaram de fazer dezoito anos? Será que não tinha mais a menor perspectiva de vida? Não queriam beijar outras pessoas, conhecer outras culturas, ir a festas, trabalhar nos piores empregos possíveis, ler livros diferentes, aprender uma nova língua... E quando finalmente estivessem satisfeitos se casassem? Por que agora então? Sirius não conseguia entender o olhar hipnotizado de Frank Longbottom para Alice Wonder com um bufante vestido de noiva, atravessando o corredor para seu noivo. Ele acabaram de começar a namorar, aquilo tudo era muito precipitado.

– É por que não está apaixonado. – explicou Remo. – Não tem com quem se imaginar casando.

– Ainda não desisti de Sasha Grey. – retrucou Sirius, Aluado riu para o amigo, finalizando seu hidromel enquanto via os noivos dançarem pela pista.

– Você se vê casando com Dorcas? – eles fitaram a loira de vestido amarelo ovo. Mesmo após Hogwarts ela continuava bizarramente entranha. Mas sua simpatia, honestidade, e amor incondicional ofuscavam sua aparência duvidosa. Ela acenou para seu namorado sorridente ao ouvir com muita atenção as reclamações de Arabella Figg, uma velha que só sabia falar de seus gatos.

– Sim. – respondeu Remo. – Eu me casaria um milhão de vezes com ela.

– Não é possível. – sorriu Sirius. – Que doença é essa que vocês tem.

– Amor, Sirius. O nome da doença é amor.

– Bem, e onde ela está agora?

Os meses se passavam.

Piper Greengrass, por curto tempo Nott, era uma mulher de vinte anos que nasceu em uma família idêntica a de Sirius. Mas ela até que gostava dos Greengrass, tanto que não se rebelou como o Black. Não via diferença dela para os nascidos trouxas, mas não ligava em ver seus parentes os matando ou amaldiçoando. Ela não era uma boa garota, nunca foi. E sentiu-se extremamente ameaçada quando Sirius começou a acender uma chama dentro dela que jamais fora acendida em vida. E sua flor de gelo passava lentamente para o vermelho, sem que ela notasse, estava sendo totalmente dominada.

– Não gosto de você. – dizia ela, grande mentira, ninguém diz não a Sirius Black, ainda mais uma mulher bonita. Eram noites de risos e gritos de prazer, cumplicidade e histórias engraçadas. Duas almas solitárias descobrindo os prazeres de uma vida a dois. A troca de meias, a mesma escova de dente, Piper gostava de cereais secos, de comê-los como se fossem salgadinhos, mas Sirius gostava de caçá-los no lente como se fossem peixes.

Como presente de natal, ela fizera uma surpresa a ele.

Quando Sirius montou em sua Guzzi e Piper em sua Harley, ela mandou que ele engatasse determinada marcha até o fim, e ele confiou nela plenamente quando o fez e em questão de segundos ele estava flutuando no ar com sua moto. E Piper vinha atrás, gargalhando. Sirius nem soube como agradecê-la por tal feito, como dizer obrigado. Ele voaram em suas motos a noite inteira e Sirius até mesmo se esqueceu que era noite de Lua Cheia.

Mas então ela tinha que deixa-lo para cumprir seus deveres. Entregar uma grande encomenda em New York. Afinal, ela era mesmo uma traficante. E uma assassina também. Ainda há grupos de buscas que a própria Piper ativou atrás de Preston Nott e Meredith Parkinson, ela foi uma boa atriz ao fingir que não sabia de nada sobre o suposto “desaparecimento” de seu marido, que na verdade jazia nas cinzas de sua lareira.

Em latim, Piper significava “esquecer, deixar partir”.

Lily disse a Sirius um dia que as pessoas que conseguem andar sob quatro patas, estão amaldiçoadas a viver vagando pela terra em busca de sua metade. E talvez seja por isso que os deuses ou quem for que fosse o ser superior acima deles tirava tudo que Sirius tinha de bom em sua vida.

“Eu tive medo.”

“Você sempre está com medo, Sirius.”

ATLAS - DAVE DEROSE

Ele aqueceu tanto o coração de Piper que ela própria não se reconheceu quando se pegou duelando com Comensais da Morte quando foram encurralados em um beco. Uma Piper diferente teria aparatado na hora e deixado Sirius sozinho, nunca, jamais ficaria para ajuda-lo, salvaria apenas sua pele que era a única que realmente tinha importância. Mas não... Não era verdade. Ela estava apaixonada. Loucamente apaixonada, como nunca estivera em toda sua vida. Amava seu sorriso, sua voz, seu corpo e sua inteligência. Gostava de cada centímetro dele, ama o mistério ao redor dele, a sensação de que na escuridão das chamas em seu peito, ele escondia algo tão puro que não conseguia mostrar.

Piper sorria para Sirius quando foi atingida pela maldição da morte.

Willian McMillian sorriu triunfante quando viu a garota cair morta e se preparou para atingir o rapaz petrificado. Ele parecia fraco, vulnerável, facilmente vencível. E quando ele preparou-se para dizer, foi atingido por uma azaração tão forte que sentiu sua perna quebrar ao ser jogado para trás. Em seguida, Willian não sentiu azarações, e sim socos quebrando seu rosto, o desfigurando, um atrás do outro. E água. Enquanto era desfigurado, ele sentia as lágrimas quentes do jovem Black caírem sob seu rosto entre socos.

– Essa é pela minha namorada. – ele disse, já de pé. Então McMillian fechou os olhos com força quando Sirius apontou sua varinha para seu rosto. Mas a maldição nunca veio. Porque Sirius não sabia matar. Não tinha essa habilidade. Ele olhou Piper no chão, morta.

Sirius não respondeu.

– Ela era sua namorada, não é?

– Ela foi minha por um tempo... Mas se foi agora.

– E você sente falta dela? – Sirius fitou a foto na mão de Piper. A garota loura se movia rapidamente entre gargalhadas. Seu rosto redondo tinha o lado direito marcado pela Varíola de Dragão. Mal dava para ver seus olhos verdes entre as fendas que seus olhos formavam entre seus risos. Os cachos louros voavam pela brisa de um jardim e ela segurava sua bolsa, enquanto seu material caía no chão. Ele sentiu seu peito sufocar e as memórias o afundarem em seu abismo sem fim.

– Não.

Há algo de animal em todos nós e talvez isso seja algo a ser celebrado. Nosso instinto animal é o que nos faz procurar o conforto, aconchego, um grupo pra andar. Talvez nos sintamos enjaulados, talvez nos sintamos presos. Mas como humanos, ainda podemos achar caminhos para sentirmos livres. Nós somos os protetores uns dos outros. Mais ainda: somos os guardiões da nossa própria humanidade. E mesmo havendo um monstro dentro de todos nós… O que nos separa dos animais, é que podemos pensar, sentir, sonhar e amar. E contra todas as possibilidades, contra todos os instintos…

Nós evoluímos.

Entre os velhos tempos e os novos dias

Entre os novos hábitos e os velhos vícios

Entre finais abruptos e reinícios

Novos indícios de que ainda há pra onde ir

Razões que fazem valer a pena ficar aqui

Entre déjà vus e devaneios

Entre bloqueios, sonhos e anseios

Ordem em meio ao meu caos encontro

Entro, me concentro e saio pronto pro próximo

Piper Greengrass

1954 - 1978



Notas finais do capítulo

Eu acho que sem querer, em uma epifania, criei uma personagem original perfeita para o Sirius.Eu shippo Siper agora. Ou Pirius? Melhor Siper. Por que eu matei a Piper então... Porque ela tinha que morrer. Ou ficar bem longe de Sirius, porque além de atrair coisas ruins, ele é exatamente o que a Lily disse.Ai, esse DEPOIS já começou difícil... Nem me diga. Os amates de ação irão amar o DEPOIS de 78 a 81.E a Marlene, onde está?Beeeeeeeem longe daqui e por muuuuuuuuito tempo.****Não entendi essas frases.Tem as partes da música Entre do MC Kamau, memórias de uma conversa entre a Piper e o Sirius sobre a Marlene e pedaços de uma possível conversa entre a Marlene e o Sirius, agora vocês que se achem hahahahahahaEspero que tenham gostado.Aos interessados em ver mais da beleza de Piper Greengrass:http://about-siriusblack.tumblr.com/tagged/piper%20greengrassMUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH ♥