About Sirius Black escrita por Ster


Capítulo 36
Durante - 6º


Notas iniciais do capítulo

Dois dias seguidos, como assim? É porque eu não faço ideia de quando vou poder postar de novo, então vamos acabar com isso né? CHEGOOOOOOOOOOU, POR ISSO VAMOS LER LOGO PELAMOR DE JEUSJDNLDNMSSDSDSLPKD



THE IMPOSSIBLE COUPLE

CASA DOS MCKINNON

QUARTO DA MARLENE

Vestir-te o terno,

Tecer-te o tempo.
Proteger-te do relento
Como sempre fez.

Sorrir-te a prosa,

Caçar-te em poesia,

Como quando sorria,

E alegria era coisa nossa.

Tecer-te o eterno,

Vestir-te o vento.
Carregar-te nos braços

Reconstruir abraços
Soprar carinho aos pedaços

De mansinho.

E lembrar.
De
va
ga
ri
nho



– Esse é seu quarto? – perguntei, maravilhado. As paredes brancas com bolinhas cor-de-rosa faziam o quarto de Marlene ficar feminino entre tantos pôsteres de bandas e seu time de Quadribol. A sua escrivania tinha bonecos de desenho e muitas canetas. Uma parede de seu quarto tinha uma longa estante até o teto repleta de livros e eu fiquei apavorado com a ideia de Marlene já ter lido todos eles. Um quadro na parede perto de sua cama com edredom de arco-íris e unicórnios tinha uma foto de Evans fazendo uma careta atrás da outra.

Depois tinha uma onde Dorcas estava rindo ao lado de Emmeline, que fazia uma cara sexy para a câmera. Lily era a mais descontraída, fazendo o símbolo do rock com as duas mãos ao lado de Marlene que sorria timidamente, elas estavam no quarto ano. Entre tantas fotos dela e seu irmãozinho Kevin e sua família, tinha uma foto minha, no terceiro ano, onde eu sorria para Marlene, de braços cruzados, esparramado no gasto sofá da sala comunal. Acabei rindo, lembrando-me do passado, quando estávamos começando a ser amigos.

– Você chorou no enterro da sua tia? – perguntou Marlene, balançando-se feito uma menininha sapeca. Maneei a cabeça negativamente. – Você não estava triste?

– Na casa dos Black não interessa se está triste ou não.

– Se eu morrer, você vai chorar?

– Bem, vamos esperar que eu nunca descubra isso. – ela sorriu docilmente, olhando-me.

– Eu não estou bêbada, só tomei um copo de uísque de fogo pra tomar coragem. – ela respirou fundo e aproximou-se de mim. – Eu recolhi coragem por anos. Está na hora de eu dizer, ok? E você precisa calar a boca e escutar.

Marlene respirou fundo antes de começar.

– Eu amo você. Minha nossa! Amo você. Isso mesmo. Amo você! E tenho tentado não expressar. Dei duro para esmagar isso dentro de mim e ignorar. Régulo é um cara legal, ele é lindo, mais novo que você, não beijou toda Hogwarts e não é um babaca, ele gostava de mim e era muito, mas muito gentil. Ele gostava de mim. Mas nunca iria funcionar porque eu amo você. Eu amo tanto você. E você está em mim. É como uma doença. Eu estou infectada por Sirius Black! E não consigo pensar em ninguém, nem em nada. Não consigo dormir. Não consigo respirar. Nem comer. Eu amo você. Amo você o tempo todo. Cada minuto de cada dia. Eu amo você. É tão bom dizer isso! Estou me sentindo muito melhor. Eu… eu amo você. Entendeu? Eu amo tanto você, tanto, tanto, tanto que eu posso explodir e a causa que vai no meu túmulo é: “Explodiu de tanto amar Sirius Black!”. Eu não quero explodir, eu preciso colocar isso para fora. Então está dito.

GRAVITY - COLDPLAY

Eu nem sabia o que dizer. Mas eu não queria dizer nada.

O pessoal lá embaixo estava fazendo contagem regressiva para meia-noite como se estivéssemos no ano novo. Marlene passou suas mãos delicadamente por meu peito até meus ombros, cruzando os braços em minha nuca, aproximando seu rosto delicadamente do meu e eu nunca estive tão tranquilo.

Um... Dois... Três...

– Está na minha frente. Mova-se. – mandou Marlene McKinnon, muito mal educada para uma pirralha de onze anos.

– Peça com educação.

– O quê?

– Peça com educação. – repeti. Ela cruzou os braços, debochada. Era uma garota muito bonita com os olhos verdes e as sardas, mas seus cachos pareciam que nunca tinham visto um pente na vida. Ela aproximou-se, rápida como uma gata.

– Eu não vou tratar com educação quem não merece. Então saia da minha frente! – e empurrou-me com força ao passar. Garota insuportável, pirralha asquerosa!

Quatro... Cinco... Seis...

– Marlene, me desculpe por tudo que fiz quando nos conhecemos. – ela olhou-me surpresa. Estava no auge dos seus treze anos e já tinha me derrotado pela quarta vez no xadrez bruxo, tanto que eu já estava até arregando. E então maneou a cabeça negativamente com um sorrisinho vitorioso. Estava diferente da garota do primeiro ano, agora com o rosto marcado pela varíola.

– Bem, você me deve desculpas mesmo. Apesar de eu já saber.

– Saber o que?

– Que você era um babaca.

Sete... Oito... Nove...

As garotas são más com os garotos que gostam.

Pobre James que o diga, um escravo de Lily Evans. Jurei a mim mesmo que jamais me envergonharia da maneira que James se envergonhava por aquela garota.

– Você quer ter filhos um dia? – perguntou Marlene, pintando as unhas de azul. Ela gostava de pintar e tirar o esmalte na semana seguinte, como se fossem pequenos flocos. Tinha acabado de fazer quinze anos e os garotos estavam começando a nota-la.

– Nem que me obriguem. Não vou casar, vou estar muito ocupado sendo rebelde. – balancei meu coturno, sorrindo para ela, que girou os olhos.

– E quando estiver velho, quem vai cuidar de você?

– Uai, você. – Marlene arregalou os olhos.

– Vai se casar comigo? – gargalhei.

– Claro que não. Você vai cuidar de mim quando eu começar a ficar gagá. – Marlene fez uma careta e continuou pintando as unhas.

– Você acha mesmo que vou deixar meu marido e meus netinhos em casa pra ir cuidar de um velho chato e nojento?

– Eu não vou ser chato e nojento!

– Aliás, acha mesmo que meu marido vai me deixar ficar cuidando de um rebelde sem causa?

– Cadê a Marlene feminista que eu conheço? Ela não vai precisa da aprovação do marido!

– Arranje uma esposa Sirius, é sério. – ela terminou de pintar as unhas e fechou o esmalte, colocando de volta na bolsa. – Pois eu não vou cuidar de você.

– Ok, então case comigo. – Marlene riu, olhando-me com descaso. – Não tem graça, é sério!

– Não vou casar com você.

– Por que não? Daríamos um ótimo casal. Eu te dou os filhos que tanto quer, mas não vou cuidar deles, nem tenha esperança! – avisei. Marlene olhou-me, tímida.

– Casaria mesmo comigo? – perguntou ela, baixinho. Beleza era uma dádiva imensa e imerecida, distribuída aleatoriamente e estupidamente. Marlene era a pessoa mais linda da humanidade, mas seu rosto marcado contrariava sua beleza. Poderia eu me casar com ela um dia?

– Não.

Dez!

Eu podia muito bem descrever como foi meu beijo com Marlene, mas era impossível colocar em palavras tudo que eu senti em menos de um minuto.

A sensação de estar fazendo algo certo pairava em minha mente quando eu suguei a língua de Marlene, com uma vontade incontrolável de costurá-la em mim. Eu estava submisso a Marlene. Era simplesmente oficial. Eu amava seu sorriso, seu cabelo, seus pulsos, e simplesmente surtava de paixão quando ela colocava os cachos atrás da orelha, amo como ela ri estranho e quando ela fica tímida.

E eu me lembro quando eu a conheci, era tão clara e única. Primeiro nos odiamos, então nos gostamos, em seguida nos apaixonamos. Ela era carismática, magnética, elétrica e todo mundo sabia disso. Era a melhor batedora da Grifinória, foi líder do Clube de Duelos e a primeira aluna em Feitiços. Ela chorava quando algum animal morria, socava garotos que mexiam com ela e ria de piadas idiotas. Era forte, guerreira e corajosa. Nobre e doce. Incrivelmente e calculadamente planejada e feita para mim.

Essa era minha Marlene McKinnon.

Quando o ar faltou, nos desgrudamos. Marlene respirou fundo e olhou-me, com um sorriso vitorioso. Eu preparei-me para dizer isso a ela, mas um barulho estranho atrás de nós fez com que nos virássemos para a porta.

James, tira a mão da minha perna! – um sussurro raivoso atravessou a fresta da porta. Alguns risinhos atravessaram.

Desculpe Lily, é a posição.

Calem a boca, eles vão ouvir! – estrilou Remo.

– Será que eles vão transar? Não sei se quero ver Sirius pelado. – sussurrou Dorcas. Mas que é isso? Marlene apontou a varinha para a porta, fazendo ela abrir. Então um bolo de pessoas coloridas caiu no chão em um baque. Lily estava em cima de Pedro, e em cima dela estava James, aproveitando a situação. Ao lado deles, Dorcas, Remo, Alice e Frank tentavam se levantar.

– O que estão fazendo? – quis saber Marlene.

– Pensamos... Pensamos que era... A... A cozinha. – disse Dorcas, levantando-se. – É, isso.

– Finalmente vocês se pegaram, caramba! – riu Lily. – Eu pensei que morreria mas não veria esse momento!

Todos riram, até eu, mas Marlene estava envergonhada demais para poder rir. Quando a música lá embaixo trocou para Cherry Bomb de The Runaways, estávamos todos reunidos ao redor do malão de Marlene.

– Caras. – começou Remo – Esse não é o malão do Pedro, mas está ótimo.

– Ok... Eu nunca reparei que minhas mãos eram tão grandes. – disse Dorcas, fitando as mãos. – Parecem luvas de boxe. – ela riu durante um minuto inteiro. – Um, dois três, quatro...

– Pontas, é vergonhoso, mas eu uso aquele suéter que sua mãe tricotou para mim quando vou dormir. É bem quentinho. – admiti, com Marlene sentada no meu colo, quase dormindo no meu ombro. James gargalhou.

– Mamãe tricotou Almofadinhas bem na frente, parece um ursinho. – riu James. – Sabe o que eu lembrei? No aniversário do Sirius quando a Marlene fez aquele piñata que cai doces, aí o Rabicho disse “Bate no burro, Almofadinhas” e o Sirius bateu nele. Foi tão engraçado.

– Não acredito que vocês fumam isso. – disse Evans. – Isso dá câncer, demência e milhares de outras coisas. Até você, Remo?

– Lily, dá um trago. – disse Dorcas. – Ah não, eu perdi minha conta de novo! Um... Dois... Três... Por que será que temos sobrancelhas? E porque elas não crescem?

– Não, quero ter pulmões aos trinta anos. – disse ela.

– Eu sempre soube que vocês iam ficar juntos. Tipo que nem na Bela e a Fera mesmo. – disse Pedro, finalizando o baseado. – Lembra de quando o Sirius chamou a Marlene de pedreira no primeiro ano, quando ela pisou no pé dele?

– Querem um conselho? A base de um relacionamento se formam em três palavras: Eu não sei. São sábias palavras. Onde está indo? Não sei. Quem é essa? Não sei. No que está pensando? Não sei. – expliquei, verificando se Marlene estava prestando atenção na conversa. E estava. Ela olhou-me de canto de olhou, ainda com os braços ao redor do meu pescoço.

– Por que vocês são amigos desse babaca? – perguntou Lily, olhando-me como se eu fosse um idiota.

– Não sei. – sorriu Remo, fazendo todos gargalharem.

– Então era isso que vocês ficavam fazendo no dormitório? Fala sério. – riu Evans. – Meu Deus, já imaginou o diretor descobre?

– Eu estive aqui pensando comigo mesmo... Como cabia tudo aquilo na garrafa da Jane a Gênia? – perguntou James, pensativo. – Cara, é muita coisa.

– Deve ter um feitiço que diminui. – pensou Marlene. – Deve ser isso.

– Vocês são Sandy e Danny. – sorriu Lily, estralando os dedos com a música que tocava alto no andar debaixo. – You are the one I want! Uh, uh, uh!

– Então você e eu somos Johnny e Baby. – sorriu James para Lily. – Dirty Dancing, perfeitos um para o outro.

– Aham, com certeza. – debochou Lily, risonha. O resto da noite foi incrível. Grande parte foi embora poucos minutos depois da meia-noite, mas eu fiquei e dormi lá. Ajudei-a a limpar a casa e arrumar seus discos. Conversamos normalmente como se o beijo e a declaração não tivessem passado de um sonho que nunca aconteceu. Marlene arrumou um colchão ao lado de sua cama e fez questão de colocar todos os lençóis cor-de-rosa que ela tinha. Lá estava eu, deitado entre milhões de ursinhos e um edredom de corações, olhando um álbum de foto de Marlene.

– Quem é essa menina feia vestida de princesa? – perguntei, sorrindo para a linda garotinha de olhos verdes e cachos bagunçados, de sete anos no máximo.

– Sou eu. – riu ela em sua cama. Ela tinha diversas fotos com seu irmãozinho Kevin, tantas posso dizer que ela era a mãe dele.

– Esse Kevin deve ter paciência pra aturar você. – comentei.

– Ele me chama de mamãe. – disse ela, orgulhosa. – Apesar de ficar a maior parte do ano em Hogwarts, sou eu quem mais cuido dele. Aliás, minha mãe está grávida de novo.

– Ah, mais filhos pra você. – brinquei, ouvindo o riso dela.

– É... Mais bebês. Não vejo a hora de ter o meu.

– Não entendo essa obsessão das garotas por bebês. Eles são bonitinhos, mas são muito nojentos e birrentos.

– Sirius, birra não é problema pra mim até porque eu lido com você. E segundo porque... Você não quer pegar no colo um bebezinho que tem o rostinho da sua esposa, mas tem seus olhos e a cor do seu cabelo? Que depois de um tempo vai começar a te chamar de papai, que vai carregar seu sobrenome e tudo mais? – suspirou Marlene, como se estivesse viajando em pensamentos. – Eu sei que é ridículo, mas é isso que eu quero. Um monte de filhos e netinhos perto de mim.

– Vai viver pra isso? Pra cuidar de seus bebês? – perguntei, não vendo sentido.

– Também.

– Marlene, o que você vai fazer depois de Hogwarts?

– Vou ser Curandeira. E você?

– Auror, é claro. – sorri para o teto, fechando o álbum de fotos. – Vou ser um grande auror.

– Eu sei que vai. – disse ela, baixinho. Olhei para a cama e fitei o rosto vago de Marlene. Brinquei com seus cachos pendendo para fora da cama. – Ei, psiu.

Ela olhou-me, reprimindo um sorrisinho.

– Você é linda. – Ela sorriu. – Você é a garota mais linda que eu conheço. A mais inteligente, a mais gentil, corajosa... Você é linda.

Ela assentiu, reprimindo a cara de choro. Quando Marlene fechou os olhos e lágrimas correram por seu rosto, então ela levantou-se de sua cama e deitou-se no colchão, abraçando-me fortemente com o rosto enterrado em meu pescoço. Beijei o topo de sua cabeça e acariciei seu braço enquanto Marlene chorava. Essa garota morria todo santo dia e renascia como uma fênix. Ter uma doença mortal e sobreviver a ela em todos os sentidos da palavra. As pessoas sempre diziam que era um caso perdido, que não havia solução. Não... Não, ninguém lembrava que ela era a solução. Quase um milagre. Eu sentia um misto de orgulho e admiração por conhecer, gostar, ter alguém como Marlene ao meu lado. Era angustiante ver tanto em alguém que não via nada em si mesmo. Trabalhadora, ela era a cabeça do grupo. Acolhedora, era a mãe de todos. Mulher, não tinha um homem que não se encantasse por seu sorriso. Guerreira, a mulher mais corajosa que já conheci. Ela tentou sorrir entre lágrimas e eu quis dizer o que eu sentia. Como eu poderia dizer a ela que morreria por ela se fosse necessário? Que rodaria o mundo, compraria Gringotes, mataria, roubaria... Como posso resumir isso em palavras?

– Obrigada por me escolher. – soluçou ela. Então eu engoli as milhões de palavras que eu deveria dizer a ela naquele momento, eu disse apenas uma, que resumia tudo o que eu sempre guardei no lugar mais obscuro de minha mente.

– Eu sempre escolhi você. – respondi.



Notas finais do capítulo

E aí?