About Sirius Black escrita por Ster


Capítulo 19
Durante - 5º


Notas iniciais do capítulo

Olá pitelzinhos.Infelizmente minhas férias terminaram, então a frequencia de postagem ia diminuir, mas sem desespero porque mais de quatro dias sem postar eu não fico.E claro, espero que vocês não me abandonem.Finalmente chegou a parte que metade de vocês tanto queria ver, sinceramente, eu não sei se ficou bom, falando muito sério. Eu fiz do jeito que eu achei que ficaria melhor e com o tempo eu aperfeiçoo isso, mas por enquanto...Vamos lá?



THE MARAUDERS II

NOVEMBRO

HOGWARTS



A lua cheia se aproximada e o medo invadia meu peito.





Ninguém teve coragem de tentar se transformar desde que tomamos a poção e Pedro vomitou durante uma semana inteirinha. Ninguém nem sequer tentou se transformar, por medo de morrer ou virar um animal para sempre. Mas nós notamos as diferenças. James ficou extremamente mais veloz e quando ele pulava parecia que ia atingir o céu de tão alto que eram seus saltos. Parecia que Pedro havia diminuído e seu riso ficou com um “irc, irc” bizarro, sem contar o crescimentos dos dois dentes da frente.



Já em mim, eu conseguia sentir o cheiro das coisas lá da casa do cacete e eu realmente achava que meus risos pareciam latidos. James e eu não conseguíamos parar de apostar corridas, agora que tínhamos virado mutantes ou algo do tipo. Reza a lenda que Animagia é muito mais do que Transfiguração. É a liberação espiritual do animal dentro de você. Não que você não pudesse se transformar no que quisesse, mas o primeiro animal sempre seria o mais fácil de ser selecionado porque ele sempre esteve ali, nas batidas compassadas de seu peito. Remo observava tudo de sua cama com um olhar pesadíssimo de medo e reprovação. As pernas de Pedro tremiam mais que minhas mãos, mas James nunca pareceu tão tranquilo.

– É isso, concentração. Deixem fluir, nós ensaiamos isso mil vezes, vamos conseguir. – respirou ele, sorrindo.

Fechei meus olhos e concentrei-me. Um vibração estranha atravessou meu corpo quando a tranquilidade atingiu seu ápice. Etimologicamente, do latim, canícula também significa Sirius. Tentei não me apavorar quando senti os ossos do meu corpo engrossarem e uma quentura cobrir-me por inteiro. Uma força sobrenatural me jogou no chão de quatro e eu forcei-me a continuar de olhos fechados quando senti meu nariz alongar-se monstruosamente. Uma leve tremulação percorreu por todo meu rosto quando meus dentes se alongaram e minhas orelhas cresceram. De 206 ossos para 25, quando abri meus olhos, eu via tudo como se fosse uma grande lente que ampliava e desampliava a hora que eu bem entendesse. Eu conseguia sentir cada cheiro, desde aqui até a sala comunal que provavelmente tinha alguém tomando Cerveja Amanteigada. O extinto de sair correndo e tomar também quase não me segurou onde eu estava.

– Uau. – um som rascante saiu pela minha garganta, semelhante a um rosnado. Aquele “Uau” foi como se tivessem berrado em cima de mim. Olhei ao meu redor e puta que paiola! Havia um cervo monstruoso de frente para mim. Os olhos gigantes e castanho esverdeado eram a única lembrança de James naquele bicho. Ele dava uns coices para frente feito um idiota e eu soube que aquele realmente era James. Algo minúsculo rodou o espaço e eu vi o rato gordo percorrer diante de mim e James. Ao mesmo tempo eu vi uma pata negra.

Olha só se não era Almofadinhas.

– Ok, eu... – novamente a voz tímida retornou berrando. Era Remo. Oh meu Deus, eu conseguia ver cada partícula de seu rosto. A pele esponjosa e lisa sob aquele risco atravessando seu rosto, o avermelhado dos poros na região da bochecha, cada buraquinho de onde saia os pelos de sua sobrancelha. Aproximei-me, mas ele correu para trás, assustado. – Calma aí, Sirius.

Tentei dizer algo, mas tudo que saiu foi um latido alto. Ele olhou para a porta desesperado e ao mesmo tempo tentou controlar o enorme cervo que começou a correr pelo quarto como se estivesse fugindo de algum zoológico ou algo do gênero. Segui James pelo quarto, pulando de cama em cama.

– NÃO! Parem com isso, parem com isso! – gritou Remo, mas era muito legal. Eu poderia ir até Hogsmeade e voltar em menos de dez minutos se alguém pedisse. Eu poderia pular da minha cama até a cama de Remo se eu quisesse. A velocidade daquelas almofadinhas eram indescritíveis. – Parem com isso, parem!

James cedeu, parando quieto. Eu o imitei e esperamos Pedro se acalmar também. Remo parecia um pouco assustado, que irônico, o lobisomem ali era ele! De qualquer forma, ele queria que parássemos e voltássemos ao normal em menos de cinco minutos, se ninguém conseguisse, ele forçaria nossa volta. Foi difícil se concentrar com os barulhos de James, acabei rindo, mas só saiu um latidos desesperados.

Fechei os olhos e concentrei-me, porra, isso é muito difícil. Ok, respire fundo Sirius, você consegue fazer o que quiser. Quando a tranquila sensação invadiu meu peito, um espasmo passou pela minha espinha, como se ela estivesse espichando para dentro (Provavelmente meu rabo) e depois esticando. Os ossos se multiplicaram dentro de mim e era desagradável sentir tudo aquilo em segundos. Mal pude respirar quando cai no chão. Sentei-me rapidamente e olhei para James, também na forma humana. Ele deu um pulo e pisou no chão com força.

– Eu pensei em um Dragão! Por que não me transformei em um Dragão?

– Calem a boca! – pediu Aluado. Pedro ainda estava como rato, pobrezinho. Deve ser desesperador tentar voltar ao normal e não conseguir. Se isso aconteceu comigo só por dois minutos e eu quase chorei, imagine Pedro. – Homorfo!

Em menos de um segundo o Rato contorceu-se todo, crescendo absurdamente. Era meio desagradável vê-lo voltar a forma humana. Rabicho deu um suspiro de alívio, com a mão no peito.

– Pensei que ia ficar daquele jeito pra sempre! – ele disse, assustado. – Aquilo foi...

– Clássico. – sorri. – Só queria ter me transformado em um Leão. Ou melhor, um Urso, eu jantaria toda minha família!

– Não é assim que as coisas funcionam. O animal em que você se transforma tem toda uma filosofia por trás. – explicou Remo. – O mais simples é você, Sirius. A espécie que você se transforma é a Akita, esse cão é excepcionalmente leal, briguento e tem um temperamento muitíssimo forte. Mas uma vez controlado, está feito, é seu.

– Ui. – sorriu James para a descrição. – E eu?

– Bem, normalmente, cervos da espécie Pantanal, como o seu, são chefes de suas tribos. Nasceram para liderar, como os leões. São ágeis, inteligentes, porém são muito impulsivos. Entram em brigas facilmente e acabam morrendo fácil pela... Estupidez. Bem sua cara.

Gargalhei com a descrição, enquanto James fechava a cara.

– E Pedro, você se transformou em um rato porque você é introspectivo e tem uma percepção fortíssima. Acho que por isso você sempre sabia de onde Filch iria aparecer. Ratos são alertos, perceptivos, satisfatórios e normalmente aceitam tudo o que lhe é dado. – Pedro sorriu, ficando vermelho.

– Cara, vai ser muito louco quando for Lua Cheia. – comentei, mas Remo fechou a cara.

– Não vai ser não. – disse em tom sombrio.



Mas foi, e como.





Quando a Lua Cheia entrou em cena, já transformados, James ia na frente e eu atrás, ansioso pelo que encontraríamos quando adentrássemos no quarto. O lugar era muito assustador, bem a cara do Remo, que é todo amargurado. Ver um lobisomem de perto era com certeza mais assustador do que ver pela TV ou pelos livros. A raiva nos olhos âmbar de Remo fez minha garganta soltar um ganido lamentoso involuntariamente. Mas James parecia estar adorando, entrou no quarto pulando feito um doido. O suposto Remo foi atrás dele, parecia encantado com aquele cervo absurdamente grande pulando em volta do quarto. Então eu me lembrava que ali já tinha sido um nível avançado, já não éramos os quatro amigos. Já não éramos James, Sirius, Remo e Pedro. Éramos oficialmente Pontas, Almofadinhas, Aluado e Rabicho.



Os Marotos.

Respirei fundo e fui.

A pior parte das transformações, é que normalmente eu não lembrava de muita coisa. Talvez dos barulhos horrendos que Pontas fazia, fingindo ser mais um fantasma da Casa dos Gritos. De Rabicho correr literalmente entre a gralhada de Pontas, enquanto eu fiz questão de deixar minha marca nas paredes da casa. Era assustadoramente divertido, mas o esboços logo acabavam. O desespero que você sente quando acorda e se vê no corpo de um cachorro é indescritível. Nós revezávamos as vezes, somente Pontas ia com Aluado, ou somente eu, Pedro nunca ia sozinho porque ele não conseguia se transformar em outra e coisa e francamente, o que um lobisomem iria ficar fazendo com um rato?




James jogou o Profeta Diário em cima da mesa da Grifinória.







Tomei a liberdade de pegar e ler em voz alta para os três que observavam aflitos:










MINISTRO DA MAGIA É MORTO POR LORD VOLDEMORT E SEUS COMENSAIS





Após o violento atentado no Dia dos Namorados em Hogsmeade, deixando vítimas e a morte de Grace Violet Blood (14), o mundo Bruxo tem se deparado pela primeira vez desde Grinderwald, com uma ameaça que não pode ser ignorada. Auto intitulado Lord das Trevas, ou Lord Voldemort, tem arrasado diversos povoados bruxos deixando claros rastros para quem queira seguir. Sua meta? É desconhecida, mas pelo que ele deixa para trás, é claro seu ódio mortal por nascidos trouxas, onde se encontra o maior índice de mortos. Estamos seguros diante disso? Se já não estávamos com o Ministro da Magia vivo, agora estamos perdidos.





Desta vez, ele foi mais longe. Ignorado pelos amigos e a mulher, o nosso querido Ministro da Magia, Nobby Leach, andava extremamente apavorado com a ideia de estar sendo seguido. E que Merlin perdoe os que não o ouviram, pois quando uma expressa e esverdeada nuvem preencheu o céu sob a casa do Ministro, seu secretário Bagnold, o encontrou morto na sala de estar de forma cruel:



“Não foi apenas a maldição imperdoável!” disse o homem, visivelmente balançado emocionalmente. As informações foram poucas, mas pelo pouco acesso que o Profeta Diário teve à morte de Leach, é que ele foi cruelmente torturado e marcado com palavras.

“O corpo todo estava escrito ‘sangue-ruim’, cada pedaço de sua pele, foi horrível!” disse uma das Curandeiras que foi chamada ao local. Sangue-ruim é um nome extremamente maldoso e desrespeitoso para os nascidos trouxas.

O que podemos esperar? O que será da nossa sociedade com essa ameaça? Não saberemos e tudo que podemos fazer é torcer para que nosso forte exército de Aurores possa nos manter seguros pelo menos por mais um dia. Escondam-se em suas casas, e rezem por um mundo melhor.

Onde não teremos medo de sair às ruas.



O rosto de Remo estava tão branco quanto o leite que Pedro deixou de tomar.





Aquilo era horrendo... Meu peito se contorcia só de pensar que metade dos meus familiares faziam parte daquele grupo, em especial minha prima Bellatrix Lestrange. Por que eu sentia medo se eu era um puro sangue? Melhor do que isso, eu era um Black. Por que minhas mãos tremiam e meu coração disparava só de ler aquele nome?



Você tem personalidade.

A mesma mão que matou várias pessoas bagunçou meus cachos há quatro anos atrás. Sorriu para mim, comeu a comida de minha casa e bebeu o uísque servido por meu pai. Aquela mesma mão tocou os móveis, as pessoas, os talheres e Bellatrix, estava tudo contaminado! Estava tudo sujo, eu estava sujo!

– Sirius? – chamou James. Livrei-me daqueles pensamentos horríveis, olhando-o. – É ele não é? Aquele homem que disse aquelas coisas na sua casa.

Assenti em silêncio.

O que seria agora? O que James iria pensar de mim? Minha família participava e apoiava um doido, um psicopata que matou o Ministro da Magia. Estamos protegidos? Quem me garante que não vou sair no jardim e ser morto?

– Estamos seguros aqui. – confirmou Remo, parecendo ler meus pensamentos.

– Aqui, mas e lá fora? – sussurrou Pedro.

– Eu enfrento esse cara. – disse James, estufando o peito.

– Ah é? Pois você ia tocar a varinha e iria virar presunto, Patetão – disse Alice, sentando-se entre nós, segurando seu prato de cereais. – Eu não passo um dia sequer sem mandar uma carta para meus pais, sabe, só pra conferir.

– Isso é horrível. – lamentou-se Remo. Alice pareceu solidária quando tocou sua mão, com um sorrisinho reconfortante. Remo pegou sua mão a beijou, dando um suspiro em seguida. – Onde vamos parar? Já imaginou ele invade Hogwarts? Eu li que ele tinha massacrado um orfanato trouxa. Doze mortos.

– Com Dumbledore aqui? Nem ferrando. Se aquele cara já derrubou o Grinderwald, imagina o que ele faz com esse Voldermort...

– Não! – Marlene deu um tapa fortíssimo na cabeça de James. – Não diga o nome dele!

James acariciou a cabeça, choramingando quando Marlene sentou-se de frente para mim. O creme desenvolvido para a fase em que a varíola atingia a pele, já não fazia mais efeito. Sua pele ainda estava escamosa e verde escura, mas aquilo era apenas um singelo detalhe sob os olhos dela e a boca rosada. Ela colocou os cachos atrás da orelha e nos olhou.

– Eu li em uma revista que dizer o nome dele é tipo uma convocação, sei lá, é melhor usarmos o termo que todo mundo está usando, sabe, Você-Sabe-Quem...

– Isso é ridículo, você é da Grifinória ou o Chapéu Seletor se enganou? – riu James, procurando apoio em mim. Assenti lentamente.

– Vai pra Lufa-Lufa, Marlene. – sorri para ela, que pareceu um pouco triste.

– Hmmm, alguém está com saudade de Amos Diggory aqui. – sorriu Emmeline, apertando meus ombros e olhando Marlene, sentou-se entre mim e Remo. – Isso é que dá se envolver com gente do último ano.

– Ainda trocamos cartas, mas prefiro não manter esperanças. Tem tanta mulher nesse mundo. – sorriu ela, tristemente. Ela apoiou o lado marcado de seu rosto sob sua palma e desenhou bolinhas na mesa. Acompanhei seu ritmo, desenhando bolinhas perto de seu dedo, assistindo o sorriso dela esticar-se mais e mais.

– Bom dia, princesa. – sorriu James. Lílian ficou sem saída ao ver que todas as suas amigas estavam sentadas conosco e sentou-se ao lado de Pedro.

– Bom dia todo mundo. – sorriu ela, servindo-se de suco. James, sentou-se em cima dos pés para poder vê-la melhor.

– Para com isso, parece que vai mijar nas calças de excitação! – empurrei-o de volta para o banco, mas tudo que ele fez com pegar uma ameixa e comer de um jeito nada sensual, olhando Lílian, que olhava, confusa entre estar enojada ou assustada. – Meu Deus...

– Então, Lily, como vai sua irmã?

– Nossa, nem me lembre dela. Está toda fresca, saiu o verão todo para umas festas com pessoas de sua escola, e chorou quando mamãe tentou fazê-la me levar junto. Aquela capivara burra, como se eu quisesse! – Ui, quem é essa Lílian que eu não conheço?

– Qual o nome dela? – quis saber Remo.

– Petúnia, do latim, Perturbação Constante. Normalmente é encontrada nas florestas pelo seu longo pescoço de girafa. Também apelidada de Tabacuda, está sempre curiando a vida dos outros animais. – acabei rindo, ao ver Lílian insinuando ser uma girafa.

– Eu também tenho uma irmã, ela é tão chata as vezes que a ideia de suicídio não sai da minha cabeça. – revelou Alice. Agitei-me na cadeira, Alice era bonitinha, logo...

– Hm é mesmo? Ela é bonita, é? Em que casa ela caiu? Onde está? Não se sinta mal, é sempre bom ter um amigo como cunhado, sabe como é, vou cuidar dela com muito carinho. – dei-lhe um sorrisinho malicioso quando o rosto dela se transformou em uma carranca de desgosto.

– Ela tem nove anos.

– Esperamos mais um tempo então. – todo na mesa riram.

– Eu penso em suicídio quando eu tiro notas baixas. – revelou Lily. – Tenho medo de me mandarem pra casa e quebrarem minha varinha.

– Será que alguém já repetiu? – questionei, intrigado.

– O que será que acontece? Matam a pessoa? Mandam ela para outro planeta? – indagou Emmeline.

E aos poucos, Tom Riddle, Lord das Trevas ou simplesmente Você-Sabe-Quem foi esquecido.

Não por muito tempo.



Notas finais do capítulo

E então? O que me dizem?