About Sirius Black escrita por Ster


Capítulo 1
Antes


Notas iniciais do capítulo

Esse capítulo mostra um pouco da infância do Sirius na casa dele e a entrada para Hogwarts. Eu usei essa parte para explorar um pouco a Bellatrix por exemplo, o caminho das Trevas que eles estavam entrando e arrastando Sirius junto.
Espero que gostem!




ONCE UPON TIME

JANEIRO DE 1970

CASA DOS BLACK



Ela tinha umas curvas muito bonitas. Apesar de ser branca demais, não gosto de mulheres brancas demais, porque sempre que como palmito me lembro delas e acabo passando mal. Estranho, não? De qualquer jeito, Andy já era bonita vestida, nua era melhor ainda. O espaço era pequeno então minha visão estava sendo bem limitada, mas já era o suficiente, que pitelzinho essa minha prima, olha só que cabelo lindo...

Um vento gélido passou pela minha nuca quando recebi um tapasso na cabeça tão forte que até bati o nariz com tudo na tranca da porta. Com o impacto e o susto, acabei gritando.

– Ah! Ahhh, mãe! Mãe, a Bella me bateu! – gritei, assustado. A bruxa má era quatro anos mais velha do que eu e nem precisava de muito tempo de convivência para eu odiá-la. Ela alta demais, e apesar de ter um corpo muito aproveitável, ela tinha um rosto assustador com aqueles olhos verdes maldosos e o sorriso sempre irônico. Sem contas aquele emaranhado de cachos com cheiro de veneno. – Ai meu Deus, sai de perto de mim sua cobra!

– Oh, Bella, mais cuidado! – gritou mamãe lá debaixo. Velha imprestável, tinha que subir e me ajudar!

– Desculpe tia, foi um acidente. – ela gritou devolta, dando-me um chute. Dei outro berro e cai no chão, desarmado. A desgraçada tirou a varinha do meio do decote e apontou pra mim. – Só dez anos de idade e já estou farta de você, seu depravado!

– Pare de apontar isso pro meu pinto! – implorei, fazendo minhas mãos de escudo.

– Cala a boca se não eu vou falar pra todo mundo que estava fazendo. – tomei a liberdade de me levantar, ninguém merece ficar aos pés de Bellatriz Black. Estufei o peito e falei olhando diretamente naqueles olhos assustadores.

– Eu tenho uma curiosidade natural para um garoto da minha idade! – Ela agarrou minha orelha direita, uma carinho que eu sempre recebi das minhas três primas. Não só delas, da família toda. Quase sendo levantado do chão, comecei a fazer escândalo.

– Cala a boca! Eu sei que é você quem anda roubando as calcinha e é melhor elas não estarem grudentas quando eu encontra-las! – ela soltou-me, me empurrando contra a parede. Coloquei a mão no meu coraçãozinho, tremendo, essa foi por pouco. Bella guardou a varinha nos seios novamente e deu um soco na porta do banheiro. – SAIA DAÍ LOGO SUA VACA!

Aproveitei e fiquei ali mesmo, é sempre um espetáculo imperdível as brigas de Bellatrix e Andrômeda. Bella era uma vaca invejosa porque a irmã era mais bonita que ela e Andy só devolvia os xingamentos. Andy saiu do banheiro coberta por uma toalha e sorriu para mim, retribuí, eu gostava dela. Andy raramente me batia, diferente de Bella e Ciça, essas duas vacas malditas. Bella entrou no banheiro e descobriu que a água quente já havia acabado e partiu furiosamente para o quarto onde as três estavam dormindo. Eu fui atrás, não sou burro nem nada, mas elas fecharam a porta com tudo e eu só pude ouvir os berros das duas se xingando.

Passei pelo quarto de Régulo, para ver se tinha algo para fazer, mas assim que ameacei entrar em seu quarto ele pulou da cama e fechou a porta na minha cara.

Idiota.

JUNHO DE 1970

CASA DOS BLACK

– Isso é segredo! – falei em tom de aviso. Era páscoa e a praga estava de volta, mas de um jeito bem melhor. Boatos que uma tal de Molly Prewett deu um soco bem no olho direito de Bella e nem feitiço deu solução pra disfarçar aquele olho roxo. Nem preciso grifar aqui que fiquei umas duas horas rindo da cara dela, né? Mas enquanto Ciça e Andy se divertiam paquerando com os garotos asquerosos de outras famílias “puraaaahhssss” vinham para a páscoa, Bella ficava amargurada dentro do quarto, fazendo tramoia. Por exemplo, acabei de acha-la fuçando na caixa secreta de Andrômeda.

– Cai fora seu vermezinho! – ordenou, ainda tentando abrir a caixa.

– Eu só vim dizer que o jantar está pronto, vadia!

– Como é? – ela gritou e eu já ia dar no pé quando ela agarrou minha orelha direita. Essa orelha ia ficar maior que a de Monstro se essa vaca continuasse puxando dessa forma.

– Ahhhhh, me solta! ME SOLTA!

– O que tem na caixa? Eu sei que você sabe a combinação. – hehehehe, verdade. A única vez que apanhei de Andy foi porque eu abri aquela caixa.

– Não sei mais, Andy mudou a combinação depois que eu abri! – ela puxou mais ainda. Eu não queria chorar, pois isso faria Bella gargalhar, mas estava doendo demais.

– O QUE TEM NA CAIXA, SIRIUS?

– É segredo! – gemi de dor.

– Estou esperando. – ela estava começando a girar minha orelha quando eu me rendi. A quentura da mesma estava até me assustando, respirei fundo. Olhei para Bella, um pouco assustado. Se ela já era assustadora sem olho roxo, com ficou pior ainda.

– Flores de madeira! Está cheia de flores! – Bella quase desmaiou, ela pareceu ter acabado de montar um quebra-cabeça e aquela era a última peça. Ela deu um riso que mais parecia um ganido de dor, devagarinho eu fui caminhando em direção da porta enquanto ela sussurrava coisas como “Maldito Ted Tonks... Maldito”.




DEZEMBRO DE 1970

CASA DOS MALFOY



Se já era ruim apanhar só das minhas primas, dos amigos dela então nem se fala.

Era um mais ridículo que o outro, aquele jantar do inferno conseguiu reunir todas as piores pessoas de todas as famílias e eu ainda era FORÇADO a ficar entre esse macacos. Enquanto os adultos ficaram em outra sala falando sobre sangue as crianças ficavam na sala de jogos que na verdade não tinha jogos nenhum. Regulo ficava fascinado quando estava perto dos amigos e Bella. O mais doente mental dali era Bartô, além dele ter um tique assustador de ficar colocando a língua pra fora quando ia rir, ele ficava dando-me um tapa na nuca toda vez que eu fingia estar rindo de suas piadas idiotas.

– Bella, por que não convidou o Lord? – eles falavam aquele nome com um tom de superioridade, como se fosse um segredo muito legal que só eles sabiam. Rabastan fez a pergunta e olhou para mim e Regulo como se fossemos intrusos. O idiota mal sabia que se eu pudesse nem ali estaria.

– Até convidei, mas ele disse que se apresentaria a nossa família de uma forma mais agradável.

– Quem é esse Lord, Bella? – questionou Regulo com aquela vozinha retardada. Bella abraçou o primo e deu-lhe um beijo na bochecha. Desgraça, ela nunca nem me abraçou! Não que eu queira um abraço dessa caveira.

– É alguém muito importante que um dia você irá conhecer e amigar-se. – ela sorriu. Depois olhou para mim e o brilho em seus olhos desapareceram, – Você também, verme.

– Eu o quê? – indaguei, assustado. Eu não quero conhecer Lord nenhum.

– Você também vai conhecer o Lord das Trevas. – disse Lucius. Esse cara era um panaca de primeira qualidade. Se achava muito bonito com aquele cabelo quase branco e os olhos cinzas mas não passava de um babaca quando ficava babando em cima de Ciça que nem queria saber que ele existia.

– Não, valeu. – e todos na sala riram. Eu odiava todos eles. Odiava Bartô por sempre cuspir quando falava, também odiava Rodolfo e seu irmão babaca, odiava Lucius e sua mania de se achar melhor que todo mundo e principalmente Bella.

Eu só gostava de uma pessoa ali.

– Parem com isso. – ordenou Andy quando Aleto puxou minha orelha e eu soquei sua barriga, fazendo a sala toda gargalhar. Eles a olharam, surpresos. – Sirius é só uma criança.

– Não sou não, sou um adolescente! Já vou pra Hogwarts ano que vem! – mas ninguém me deu atenção. Andy parecia ter atiçado o veneno de Bella, que a atacou sem piedade.

– Está na hora de você conhece-lo também, Andy. – ela disse.

– Não, muito obrigada. – Andy devolveu.

– Está recusando o Lord das Trevas? Você é uma Black! Está vendo só o que dá andar com aquela nojenta da Pewett?

– Deixe Molly fora disso, Bella. – ordenou Andy, aumentando a voz igual a Bella. Outra coisa bastante provável é que Bella tinha é inveja dessa Molly, pois pela foto de classe que eu vi dela quando fui fuçar o diário de Andy, ela era muito bonita.

– Eu quero dar uns pegas nessa Molly. – constatei, na defesa de Andy.

– Wooooooooooooooooooow! – A sala explodiu na parte dos rapazes. Andy e Bella me olharam assustadas.

– O quê? Eu quero, lide com isso. – sorri para Bella. Ela estava prestes a surtar. Tio Alfardo, a única pessoa da família que gostava de mim, tirando Andrômeda, estava entrando na sala nesse mesmo momento.

– Tio! O senhor ouviu o absurdo que Sirius disse? – Tio Alfardo era um gordo engraçado, professor de História da Magia em Hogwarts, então provavelmente ele conhecia Molly.

– Bem, ela é atraente, Bella. – sorriu meu Tio. Os garotos da sala, metade indignados, a outra metade rolando de rir, Bartô era um desses.

– Pior que é verdade. – riu o doente mental.

– Sirius, seu vermezinho! Escória dessa família! – berrou Bella vindo em minha direção, assustado, saí correndo e empurrei tio Alfardo para fora do meu caminho antes que Bella conseguisse pegar minha orelha.







SETEMBRO DE 1971

EXPRESSO DE HOGWARTS

– Cai fora, sangue-ruim. – Ordenou Bella quando um garoto magro e alto demais colocou a cabeça dentro da cabine deles, ele usava as cores da Lufa-Lufa. Eu fui obrigado a juntar-me à uma cabine com mais de sete pessoas insuportáveis sendo que eu podia estar perfeitamente com pessoas da minha idade.

– Você precisa cortar esse cabelo, rapaz. – sorriu Rodolfo, passando a mão na perna de minha prima. Ugh, que nojo! Sorri para eles.

– E você devia cuidar da sua vida, rapaz. – respondi, fazendo os macacos rirem. Mas cacete mesmo, já não bastava em casa, teria que aguentá-los em Hogwarts também?

– É, já é visto, com essa personalidade forte, esse garoto nem precisa passar pelo Chapéu Seletor, já vai pra Sonserina! – sorriu Ciça.

– Com certeza. – sorri forçado para eles, que me olhavam com uma espécie de orgulho. – A Grifinória também é uma ótima ideia.

– Você só pode estar zoando. – riu Bartô. – Você não pode ir pra Grifinória, moleque.

– Não é você quem mandar, seu retardado, é o Chapéu Seletor!

– Mas que moleque abusado! – falou Lucius colocando a mão na cabeça, sendo abanado por Ciça, ai caracas mesmo.

– Sirius, meu amor, você definitivamente não pode ir pra nenhuma outra casa que não seja a Sonserina. Pois se for, nós te deserdamos.

– Se isso significa me livrar de você, pode crer que vou subir as escadas rezando até mesmo pela Lufa-Lufa. – Bella não aguentou e pulou em cima de mim, agarrando minha orelha. Desatei a berrar e tentar soltar-me dela, mas foi tudo muito rápido, ela abriu a porta e jogou-me contra a parede do corredor vazio. Levantei-me rapidamente quando ela fechou a porta.

Ótimo, eu não queria ficar com esses idiotas mesmo. Fiquei tentado em entrar nas cabines mais barulhentas, só que eles pareciam dos alunos mais velhos. Então fui para o começo do corredor, onde estava mais tranquilo. Pela primeira vez na vida eu notei que estava sozinho, digo, eu passei minha infância toda sozinha, eu brincava sozinho, aprontava sozinho, apanhava sozinho e também falava sozinho. Mas eu estava sempre rodeado de pessoas, que não eram da minha idade, mas era uma companhia as vezes divertida.

Abri uma das cabines.

Um garoto de óculos redondos e cabelo negro bastante bagunçado olhou para mim, surpreso. Ele tinha um rosto brincalhão e era do meu tamanho, estava falando muito alto com um garoto tranquilo ao lado dele, tinha um cabelo castanho e olhos cansados. Também tinha outro garoto, ele era gordo e parecia estar quase morrendo de rir do que o garoto estava falando.

– Posso ficar aqui? – perguntei. Eles se entreolharam e o moleque de óculos sorriu para mim. Retribui com um sorriso amarelo, uma lição valiosa da minha família era que você não deve dar muita liberdade para desconhecidos, só se você quiser algo deles. Sentei-me em silêncio de frente para eles e fingi que não existiam, apenas observando a paisagem. Mal passou dois minutos e a cabine fora aberta novamente, comecei a rezar pra que não fosse a esquelética da Bellatriz. Uma garota ruiva entrou e sentou-se no cantinho da janela, em silêncio, com o rosto molhado de lágrimas. Olhei curioso, ela tinha muitas sardas pelo rosto.

– E aí, qual seu nome? – perguntou o de óculos para mim.

– Sirius, e o seu?

– James. – ele sorriu. Ele gostava de sorrir. – Ansioso?

– Claro que estou! – respondi debochado, mas ele apenas riu empolgado. Ok, eu gostei dele. Ele olhou para a ruivinha encolhida no canto.

– Ei, você gatinha. Qual seu nome? – ela não respondeu. – Quer ver minha varinha?

Os garotos começaram a rir, até o garoto cansado ao lado de James riu, que parecia ser bastante tímido. Acabei rindo também do duplo sentido, mesmo sendo idiota. Mas qual é, eu também sou idiota.

– Você é meio idiota, não? – ela finalmente falou. Sua voz feminina saiu um pouco trêmula.

– Toosh. – James disse, parecia indeciso.

– Você quis dizer touché? – ela debochou. Gargalhei junto com o garoto cansado. Até o gordinho riu. – Idiota.

– Eu gostei de você. – riu James, olhando-a. Aos poucos ele a deixou em paz e começou a falar de coisas banais. Falou de um moleque valentão de sua rua que enchia seu saco e os primeiros sinais de magia em seu sangue saíram quando ele deu um soco tão forte na barriga do garoto que ele voou longe. Remo (o nome do garoto com cara de cansado) também contou sua primeira experiência assim como Pedro, o garoto gordo. Nem notei, mas nós estávamos tão bem enturmados que pareciam-se que tinham se passado horas, mas na verdade só se passaram minutos. Um garoto estranho entrou na cabine sem pedir e sentou-se de frente para a garota ruiva e começou a falar com ela, eles pareciam se conhecer.

– É melhor você entrar para a Sonserina. – disse o moleque estranho. Sua voz era meio estrangulada, assustada.

James soltou um ronco de deboche.

– Sonserina? – ele riu, olhando para o garoto que falava com a ruivinha. – Quem quer ir para a Sonserina? Acho que desistiria da escola! – riu ele. Me senti um pouco ofendido.

– Toda minha família foi da Sonserina. – respondi balançando os pés.

– Caramba! – James replicou. –, e eu tinha pensado que você era legal.

Acabei rindo.

– Talvez eu quebre a tradição. Para qual você iria se pudesse escolher? – James empolgou-se todinho e ergueu uma espada invisível.

– “Grifinória, a morada dos destemidos!”. Como meu pai. – ele sorriu.

O moleque estranho deu um muxoxo de descaso. Nos viramos para ele.

– Algum problema? – questionou James, desafiador.

– Ah, não. – retrucou o garoto, mas o sorrisinho de deboche não enganava ninguém. – Se você prefere ter mais músculo do que cérebro...

Ah não, deixa essa pra mim James, fui muito bem educado na arte de responder.

– E pra onde espera ir uma vez que não tem nenhum dos dois? – debochei, risonho.

James gargalhou tanto que ficou até vermelho. Remo e Pedro não ficaram para trás, também rindo. Continuei olhando com descaso para o garoto estranho, que ficou sem fala. A ruivinha pareceu chateada.

– Vamos, Severo, vamos procurar outra cabine.

– Awwwwwwwn – debochamos em coro. Empolguei-me demais e acabei imitando o esquisito, estufando o peito e fazendo cara de Bellatriz, impondo superioridade.

– A gente se vê, Ranhoso! – gritou James antes da porta fechar. E ele olhou-me risonho, e eu retribui, ainda rindo.

Meu primeiro amigo.











Notas finais do capítulo

O que acharam? Postem sua opinião. Diga o que devo melhorar ou o que você mais gostou.Até.