Tempo De Estrelas escrita por Hanna Martins


Capítulo 7
O passado sempre te persegue


Notas iniciais do capítulo

Nossa minha primeira recomendação!!!! Dando saltos aqui. Dedico este capítulo a Dotynew, que fez até seu namorado ler a fic para ela. Dotynew, nem sei como te agradecer por todo o carinho que tenho recebido de você! E sei que o Lucas vai querer me matar por postar outro capítulo rsrsrs. Foi mal, mas tinha que postar este capítulo o mais rápido possível dedicado a Dotynew. Obrigada, Dotynew!!!



Aquele chantagista do Haymitch resolveu que o melhor é eu não aparecer no set de gravações durante a semana inteira, já que isso poderia causar tumulto nas gravações. Os paparazzi parecem querer flagrar cada momento do novo casal apaixonado, e onde nós estivermos vai haver paparazzi.

Em apenas um dia minha vida parece ter girado de ponta cabeça. De aspirante a atriz, a namorada do ator mais famoso do país. Quem é que imaginaria isso?

– Katniss... – fala Madge, aparecendo na porta de nosso quarto. – O Peeta... chegou. Ele está te esperando na entrada do prédio.

Sim, vou sair com este idiota como Haymitch falou, ou melhor, ordenou. Não falamos nem uma única vez depois de sua confissão diante das câmeras de nosso “namoro”. Até mesmo este encontro, foi arquitetado todo por Haymitch. Foi ele que, me ligou horas depois, dizendo que eu deveria esperar por Peeta às oito horas da noite, pois Peeta viria me buscar. Haymitch também instruiu que eu deveria agir como se não soubesse que há vários paparazzi nos perseguindo.

Peeta me espera no carro. Abro a porta e entro.

– Vamos acabar com isso o mais rápido possível – digo, colocando o cinto de segurança.

– Oi, para você também – resmunga Peeta, ligando o carro.

– A onde vamos? – pergunto, sem olhar para ele.

– Vamos a um show...

– De quem?

– Não faço a mínima ideia. Foi Haymitch que escolheu, deve ser um daqueles cantores que estão na moda.

Ficamos em silêncio. Não temos nada sobre o que conversar, e eu nem faço questão de conversar sobre qualquer coisa com ele.

Chegamos a uma enorme casa de show. Há um movimento enorme de carros e pessoas. Peeta entra na fila do estacionamento, um rapaz aparece para levar o carro até o estacionamento. Eu e Peeta saímos do carro.

– Katniss, alguém avisou para os paparazzi que estaríamos aqui. Isso deve ter sido uns vinte minutos atrás – explica Peeta, se aproximando de mim. – Eles já devem estar aqui – olha em volta.

Peeta se aproxima de mim e passa seu braço por cima de meus ombros. Caminhamos até a entrada. Temos entradas VIPs, por isso vamos assistir ao show de camarote.

Com certeza, ser uma estrela do cinema tem suas vantagens, constato ao chegar ao nosso camarote. A enorme sala está cheia de poltronas de couro super confortáveis, há também uma mesa em um canto repleta de comida e bebidas. Sem pensar duas vezes vou até a mesa. Um garçom se aproxima de mim, perguntando se eu quero que ele me sirva, dispenso o garçom e encho um prato com vários salgadinhos e docinhos (alguns até que nunca vi). O garçom sai do camarote, avisando que se quisermos qualquer coisa é só chamar pelo telefone que está no camarote.

Vou até a sacada da sala que permite que vejamos todo palco e a pista, onde ficam as pessoas que não são VIPs.

– Já estou vendo um paparazzo – diz Peeta se aproximando de mim. Por alguns instantes, havia me esquecido da presença deste ser. – É hora de atuarmos.

Peeta me dá um abraço por trás. Isto é muito estranho, estar nos braços de Peeta Mellark... Levo um dos salgadinhos a minha boca.

– Sério, que você vai comer em uma horas destas? – sorri.

– Estou com fome! – respondo, também sorrindo, afinal todos devem pensar que somos um lindo casal apaixonado.

– Seu romantismo tem mesmo um grau zero! – murmura em meu ouvido. – Vou realmente precisar fazer todo o trabalho duro!

– Eu só não te bato, porque há muitas testemunhas por perto! – digo, sorrindo. – Mas o que é seu está guardado, Peeta Mellark!

– Você é mesmo uma flor de pessoa, Katniss Everdeen.

Não respondo e apenas levo um docinho à boca. Peeta continua a sorrir. Não é atoa que durante estes anos, ele vem enganando seus pobres fãs com a historinha de bom moço. Todos os que vêm ele assim, me abraçando e sorrindo, diriam que ele está perdidamente apaixonado por mim e sussurra em meu ouvido juras de amor...

– E você não oferecer nem um desses a seu namorado? – aponta para meu prato cheio de docinhos e salgadinhos.

– Se você está com fome é só ir pegar – ainda estou brava por ele ficar dizendo que meu romantismo é igual à zero. Não que ele não esteja errado, mas não precisa ficar espalhando por aí.

– Quando digo que seu romantismo é zero, não estou errado! – sorri. – Eu só quero tornar este momento memorável, até vejo nas fotos dos jornais e revistas. Coloca um destes docinhos em minha boca – pede.

– O quê? Você perdeu a capacidade de pegar as coisas?

– Você precisa assistir mais filmes românticos! – ri. – Não sabe que dar comida na boca do namorado está super em alta? Eles vão adorar – diz.

Olho para o prato, suspiro e decido que se vou mesmo fingir ser a namorada de Peeta Mellark preciso fazer isso direito. Sou ou não sou uma atriz? Apanho um docinho em meu prato. É isso, Katniss, você é uma atriz que está atuando em um filme romântico, e está super apaixonada por este cara.

Sorrio, me viro um pouco. Levo minha mão até sua boca. Peeta apanha o doce com os dentes, sem querer toco em seus lábios. Retiro minha mão imediatamente. Os lábios de Peeta são tão... macios?

Volto de costas para ele.

– Feliz? – digo, ainda sorrindo.

– É... não foi a melhor cena romântica que eu já fiz, mas dá para o gasto – fala ironicamente com um doce sorriso nos lábios, me abraçando ainda mais.

Até quando vamos ficar assim? Cadê este bendito cantor que não aparece para acabar logo com isto?

Uma musica começa a tocar.

– Finalmente! – murmuro entredentes.

As luzes da platéia são apagadas, deixando apenas as luzes do palco. Será que posso sair dos braços de Peeta agora? Me preparo para perguntar isso a ele.

– Peeta! – chamo. – Será que podemos...

– Podemos o quê? – pergunta.

O prato que está em minhas mãos cai. Não ouço mais nada. O cantor acaba de aparecer. Meu coração para, o tempo para, eu volto a ter dezessete anos... No palco está a pessoa que mais me magoou em toda a minha vida, a pessoa que partiu meu coração há quatro anos da pior forma possível, a pessoa que jurei que me vingaria...

Levo minhas mãos até o braço de Peeta que está me envolvendo, e o aperto com toda a força que tenho.

– Katniss? – Peeta me olha. – Você está bem? Katniss?...

Nada respondo, é como se eu vivesse todo aquele pesadelo novamente. Eu tinha apenas seis anos quando conheci ele. Naquela época, era apenas uma garotinha triste pela perda de seus pais que haviam morrido há mais de um ano. Eu ainda não havia aceitado totalmente que meus pais haviam partido. Todas as noites, eu chorava silenciosamente em meu quarto, enquanto meus tios assistiam TV na sala.

Na escola não tinha muitos amigos, preferia ficar sozinha em meu canto vendo as outras crianças brincarem. Um dia, no intervalo, brincava no balanço do parquinho da escola, sozinha, quando vi dois garotos da segunda série, empurrando um garotinho. Um dos garotos da segunda série balançava os óculos do garotinho.

– Vem pegar! – zombava do garotinho.

O garotinho apenas chorava, era um menino magrinho e baixinho, até mais baixo do que eu. Sabia que aqueles dois garotos não deixariam o pobre do garotinho em paz.

– Professora! – gritei.

Os dois garotos ficaram apavorados e saíram correndo. Sai do balanço e fui até onde o menino estava.

– Você está bem? – perguntei, me agachando perto dele.

– Estou – respondeu o garotinho, limpando o seu rosto cheio de lágrimas. – Meus óculos?!

Olhei ao redor e vi os óculos, que os dois garotos apavorados com a possibilidade de serem apanhados por algum professor, deixaram cair. Peguei os óculos e dei para o menino.

Ele me olhou e sorriu. E eu vi os olhos mais lindos, eram verdes, igual ao mar.

– Como você se chama? – perguntou o menino.

– Katniss, e você?

– Finnick.

E assim conheci Finnick Odair. Nos tornamos amigos, melhores amigos, na verdade, éramos inseparáveis. Os pais de Finnick eram donos de um pequeno restaurante, cuja especialidade era frutos do mar. Eu parava mais no restaurante do que em casa. Porém, meus tios não se importavam, acho que até gostavam, era menos um problema. Os pais de Finnick sempre me tratavam como se fosse da família.

Os anos passaram, enquanto eu e Finnick nos tornávamos cada vez mais amigos. Até que veio aquele verão, em que tudo mudou...

– Katniss? – me chama, Peeta me sentando em uma das poltronas do camarote.

– Peeta, por favor, me leva embora daqui! – suplico, olhando em seus olhos.

Não estou preparada para me encontrar com ele tão cedo. Pensei que depois de quatro anos, toda minha dor havia passado, mas ao vê-lo, sei que minhas feridas estão mais abertas do que nunca. Finnick Odair, eu te odeio!

– Você está bem? Está passando mal?

– Por favor, vamos sair daqui! – peço.

– Está bem.

Peeta me ajuda a levantar.

– Olha só! – diz Haymitch, entrando no camarote. – Não sabia que ia encontrar com vocês aqui!

Eu e Peeta olhamos para Haymitch tentando entender a sua expressão de surpresa. Afinal, foi que ele que planejou tudo isto.

– Nossa! – exclama Cressida, entrando no camarote. – Não acredito que tenho vocês aqui! Pessoal! – chama na porta.

Imediatamente, o camote é invadido por algumas pessoas com câmeras na mão.

– Vocês não vão recusar uma entrevista para mim, não é mesmo?

Peeta sorri para Cressida, e puxa Haymitch do lado.

– O que está acontecendo aqui? – murmura.

– Cressida está acompanhado de perto as filmagens para um programa – diz em voz alta. – Ideia do presidente Snow – acrescenta em voz baixa.

– E você precisava trazer ela aqui? – pergunta Peeta.

– Vocês, agora, são a atração principal do meu filme... – lança um olhar sugestivo.

Entendi, Haymitch, é hora do show.



Notas finais do capítulo

O que acharam do capítulo? Gostaram? Odiaram? Críticas? Curiosos para saberem qual é o passado de Katniss e Finnick?