Tempo De Estrelas escrita por Hanna Martins


Capítulo 30
A garota mais batalhadora que conheço


Notas iniciais do capítulo

Vocês realmente não param de me surpreender! Já disse que eu amo ter vocês como leitores? Este capítulo é dedicado a Luah Potter Jackson que me fez muito feliz com sua bela recomendação! Muito obrigada, Luah!



Não acredito que vou ter que beijar Finnick e vou ter que atuar como se amasse este ser! Nunca pensei que minha prova seria tão dura. Estou muito nervosa, não sei se conseguirei passar por esta prova. Meu estômago está todo dolorido. Sinto uma agonia terrível. Tento respirar fundo. Só agora me dou conta o quanto aceitar este trabalho foi arriscado. No que eu estava pensando?

Respiro fundo e me encaminho para o jardim onde será gravado o comercial. Estou com meu figurino todo preparado. Uso um longo vestido branco, de tecido esvoaçante, ele é simples, nada de muita sofisticação. Meu cabelo está solto e minha maquiagem não é daquelas pesadas.

– Vamos começar a gravar a partir do momento em que Finnick tenta descobrir de onde vem o cheiro – a voz de Effie me traz a realidade. – Katniss, você passa por trás de Finnick, mas ele não te vê apenas sente o cheiro, certo?

Faço sinal afirmativo com a cabeça. Effie explica a Finnick como deve ser sua expressão ao sentir o cheiro. A cena é simples de gravar, eu apenas tenho que passar por Finnick. Gravamos a cena diversas vezes, pois Effie precisa de várias tomadas. Este é um trabalho realmente exaustivo... Em seguida Finnick grava a cena em que tenta descobrir de onde vem o cheiro, percorrendo o jardim de rosas. E eu ando pelo jardim sem me encontrar com ele.

– Corta! – grita Effie. – Agora vamos gravar a cena em que vocês dois se encontram.

Sinto um enorme aperto em meu estômago. Esta cena requer que eu demonstre que amo Finnick... Será que minha capacidade de atuação é suficiente para esconder meu ódio por Finnick? Será que eu tenho forças suficientes para isso? O que eu faço? O que eu faço?

– Vocês devem se olhar como se soubessem imediatamente que um é o amor verdadeiro do outro, quero ver isso em seus rostos, quero sentir que foram feitos um para o outro – fala Effie. – Agora vamos gravar a cena!

Me posiciono em meu lugar.

–Todos em seus lugares e ação! – grita Effie.

Olho para Finnick, tentando dar a minha face a expressão de alguém que ama a pessoa que está em sua frente.

– Corta! Katniss, vamos fazer a cena de novo! – diz Effie. – Eu quero ver em seu rosto amor verdadeiro, e isso não foi amor verdadeiro!

Vamos lá, Katniss, você consegue, você consegue!

– Ação! – grita Effie.

Olho para Finnick.

– Corta! Não, Katniss! – Effie interrompe novamente. – Você está olhando para Finnick com uma expressão comum, eu quero uma expressão de alguém apaixonado, vamos de novo! Ação!

Preciso expressar em meu rosto amor. Amor verdadeiro. Mas como se pode expressar um sentimento que você já não tem mais? Tento pensar como era amar... Me lembro de como eu me sentia quando eu olhava Finnick, quando eu o amava e ele era tudo para mim. Olho para Finnick, mas ao olhar em seus olhos me lembro de tudo o que ele me fez, da minha dor, das minhas feridas que nunca se cicatrizaram...

– Corta! – grita Effie. – Katniss, o que houve? Você estava indo tão bem, mas sua expressão de repente começou a expressar algo que não era amor. Vamos de novo.

Respiro fundo. Katniss, você precisa expressar amor em sua face. Amor! Concentre-se. No entanto, não consigo fazer o que Effie quer. Tentamos gravar esta cena mais de dez vezes, mas em todas fracasso.

– Podemos fazer uma pausa? – pergunto, quando estamos na décima sexta tentativa.

– Ok – responde Effie. – Acho que uma pausa seria bem-vinda agora.

O que eu faço? Por que eu não consigo expressar em minha face amor? Já tentei todas as técnicas que conheço de atuação, mas nenhuma funcionou.

– Katniss – a voz dele interrompe meus pensamentos.

– Finnick, por favor, eu preciso ficar sozinha – minha voz não demonstra raiva, apenas cansaço, é isso o que sinto cansaço.

– Katniss... – ele insiste.

– Por favor, Finnick, apenas me deixe sozinha, eu preciso – dizendo isto começo a me encaminhar para o camarim.

Finnick me olha, parece querer me seguir, mas desiste ao ver minha expressão. Dou um longo suspiro e continuo meu caminho para o camarim.

Começo a andar impaciente pelo camarim, procurando me lembrar de alguma técnica que ainda não utilizei. Vamos, deve existir alguma coisa! Meus pensamentos são interrompidos pelo toque do meu celular. É Peeta.

– Alô – atendo ao celular.

– E aí? Como estão indo as gravações? Aquele idiota do seu ex-namoradinho já aprontou alguma?

– Não... – respondo.

– Katniss? O que há com você? – seu tom demonstra preocupação. – Por que sua voz está estranha? Katniss, fala a verdade, o Finnick fez algo? Porque se ele fez eu vou...

– Não, Peeta, sou eu... Eu não estou conseguindo gravar uma cena... Sei lá, o que está acontecendo comigo, mas eu simplesmente travo. Peeta, o que você faria se tivesse que atuar com uma pessoa demonstrando sentimentos opostos do que você sente de verdade?

– Katniss, somos atores, quando estamos atuando nosso corpo não é nosso, mas de nossos personagens. Portanto, eu não estou lá, quem está é meu personagem, e aquela pessoa que está diante de mim, não é aquela pessoa, mas o personagem que ela interpreta. Eu tento compreender meu personagem, expressar o que ele está sentindo...

– Sim, mas...

– Katniss, lembre-se não é você, é a sua personagem. Esqueça todos os seus sentimentos reais, se entregue a sua personagem. Esqueça do mundo, você é agora sua personagem – a voz de Peeta tem algo de confortante, sua voz me tranquiliza, me faz relaxar. – Katniss, eu acredito em você! Você é uma atriz excelente. Sei que você vai conseguir, porque você é Katniss Everdeen, a garota mais batalhadora que já conheci.

– Obrigada, Peeta – desligo meu celular.

Sim, eu sou Katniss Everdeen, a garota que lutou muito para chegar até aqui, a garota que não deixou de acreditar que um dia seus sonhos iriam se tornar realidade.

Vou para o jardim. Me aproximo de Effie que conversa com Boggs.

– Podemos voltar?

– Está preparada? – pergunta Effie.

– Agora estou – respondo de maneira confiante.

– Todos em seus lugares – diz Effie.

Finnick me olha enquanto se coloca em sua posição. Mas agora ele já não é mais Finnick, é o amor da vida de minha personagem, e eu já não sou mais Katniss, sou a garota que está diante do amor da sua vida.

– Ação! – grita Effie.

Olho para Finnick.

– Perfeito! É isso que eu queria! Esta cena ficou tão perfeita que não precisamos gravar mais nenhuma outra tomada – comemora Effie.

Respiro aliviada.

– E agora o beijo! – diz Effie.

Estranho, mas agora já não temo mais gravar a cena do beijo, porque afinal de contas não estarei beijando Finnick, agora eu sou a garota que ama este rapaz que ela tem em sua frente.

Finnick se aproxima de mim e deposita em meus lábios um beijo. Nossos lábios se tocam, mas eu não sinto nada, absolutamente nada, nem ódio, nem amor, apenas um grande nada.

– Corta! – diz Effie.

Eu e Finnick nos separamos. Eu nem olho para ele, apenas ignoro sua presença. O resto das cenas gravamos sem nenhum incidente a mais, comigo concentrada em meu personagem e não dando margem para que Finnick faça qualquer coisa para alterar meu humor. Finalmente as gravações chegam ao fim, vou para o camarim. Me desfaço do meu figurino rapidamente. Já não há mais ninguém aqui, os figurinistas já foram embora. Escuto uma batida na porta... é Finnick. Ele me olha, não consigo decifrar o que ele está pensando.

– O que foi? – pergunto de maneira ríspida.

– Katniss, isso que aconteceu hoje, não te lembrou de nada não?

– Finnick, escuta aqui, eu estava atuando, e era a minha personagem que beijou você, que expressou amor por você. Eu apenas estava representando, não era eu, era a minha personagem. Portanto, Finnick, isso que aconteceu não tem nada a ver com o que aconteceu no passado, e não altera nada o que sinto por você no presente. Eu te odeio, Finnick, lembre-se disso! – minha voz apenas expressa cansaço.

– Eu não acredito que você me odeie tanto assim, Katniss. O que nos vivemos não é algo para que se possa esquecer.

– Tem razão, Finnick, não é algo que se possa esquecer, principalmente, a dor que você me causou, isso eu jamais vou esquecer!

– Katniss, eu... – ele me olha, sua voz está alterada. – Eu não posso mais continuar com isso!

Finnick começa a se aproximar de mim, chegando cada vez mais perto. O que ele está pensando em fazer? Ele não vai... ? Não, ele vai fazer isso! Finnick aproxima seu corpo do meu, e quando percebo seus braços envolvem meu corpo. Seus lábios estão a milímetros dos meus. Não! Ele não pode, ele não!

– Solta ela! – a voz de Peeta ressoa no camarim. Ele está furioso. – Seu imbecil!

A ação se passa em questão de segundos, Peeta se aproxima de Finnick, o puxando para longe de mim e lhe dando um sonoro soco. Finnick cai no chão segurando seu rosto. Este soco doeu até em mim.

– Nunca mais chegue perto dela! Entendeu, Finnick?

Ele olha para Peeta.

– Ah, agora você está preocupado com sua namorada? – ele tem um sorriso de escárnio em seus lábios. Finnick se levanta. – Você está planejando fazer a mesma coisa que fez com a Annie, Peeta?

Peeta tenta controlar sua fúria.

– E o que você fez com a Katniss? Você pensa que é melhor do que eu? Eu pelo menos não usei a garota que eu amava! – seu tom é sarcástico.

A mão de Finnick vai parar imediatamente no rosto de Peeta, lhe dando um soco. Peeta olha furioso para Finnick e revida com outro soco. Tenho que fazer alguma coisa, isso não vai acabar bem, para ninguém. Antes que Finnick resolva revidar o soco, me entreponho entre eles.

– Parem! – digo em um tom elevado. – O que vocês estão pensando? Alguém pode ver isso, e tenho certeza que vocês não vão gostar nenhum um pouco que isso aconteça.

Finnick e Peeta apenas lançam um olhar furioso um para o outro.

– Vamos, Peeta! – digo, pegando em seu braço.

Ele lança ainda outro olhar furioso para Finnick.

– Vamos, Peeta! – insisto, o puxando pelo braço.

Finalmente consigo fazê-lo me seguir. Caminhamos até o carro de Peeta, sem trocarmos nenhuma palavra, só quando chegamos no carro percebo que seguro firmemente o braço dele. Talvez, eu estivesse com medo dele voltar para brigar com Finnick, por isso inconscientemente segurei o braço dele desta maneira.

– Você está bem? – pergunto, olhando para o rosto de Peeta.

– Eu só estou furioso! – responde com a voz alterada.

Olho para ele, começo a rir.

– O que foi? – pergunta surpreso.

– Peeta, você está com um hematoma horrível em seu rosto, se alguma fã te ver neste estado, ela vai ter um ataque do coração.

Peeta me olha, primeiro de uma maneira séria, e aos poucos um brilhante sorriso começa a surgir em sua face.

– Mas ainda eu continuo sendo um cara bonito! – fala em tom brincalhão.

– Ei, vamos logo, antes que alguém te veja – digo, abrindo a porta do carro.

Se alguém ver Peeta neste estado, não será nenhum um pouco bom para ele.

– Ok, mas você dirige! Estou cansado demais para fazer qualquer movimento. Além disso, eu te defendi, acho que mereço uma recompensa.

– Está bem – falo pegando a chave do porsche. – Mas eu sei me defender muito bem sozinha – entro no carro.

– É claro que sabe, ou você pensa que esqueci o soco que você me deu no primeiro dia de gravações do filme?

Começo a rir me lembrando da cena.

Logo chegamos a casa de Peeta. Pego um pouco de gelo para diminuir o hematoma. Peeta reclama do gelo.

– Fica quieto! Até parece criança! – reclamo, enquanto tento aplicar o gelo em seu queixo.

– Mas está doendo! – ele está sentado em na cama.

– Nunca vi, um homem deste tamanho reclamando! Mas se você não tivesse dado aquele soco no Finnick, isso não teria acontecido!

– Aquele cara estava pedindo por um soco há muito tempo! – ele me olha. – E você está me devendo uma recompensa!

Antes que eu possa falar, Peeta me puxa, me fazendo sentar em seu colo. Ele começa a me acariciar com seu rosto. Seus lábios vão parar em meu pescoço, me causando um arrepio.

– Para isso você está bom, né?

– Para isso, eu sempre estou ótimo!

Peeta me faz deitar na cama, enquanto percorre cada parte de meu corpo com seus lábios, me tirando a sanidade e tudo mais.



Notas finais do capítulo

O que acharam? Odiaram? Gostaram? Críticas?