D.N.A Advance: Nova Ordem do Século escrita por Sensei Oji Mestre Nyah Fanfic


Capítulo 140
Domo - O Conluio de Marimo


Notas iniciais do capítulo

Vamos dar uma parada para um mini-arco na próxima ilha. Serão 3 capítulos contando com este. Vamos conhecer mais um pouco daquele garoto misterioso que apareceu perto do laboratório de Weiz e sua verdadeira face. Teremos o final da ilha Sand e o começo da nova aventura. E um mistério envolvendo o Chanceler com um prisioneiro. Vem gente. Vem ler!



— Algo está ocorrendo com o governador — disse Lucas ao ver o monstro bastante estranho.

Paulo não teve dúvida alguma. Seu pai estava lutando dentro daquele impiedoso digimon. O ápice foi quando o peito de Pharaohmon começou a sair luz e uma rachadura como se tivesse sendo quebrado como vidro. Duas mãos saltaram para fora até o homem pôr a cabeça para que todos vissem. Um grito de surpresa foi dado pelos digiescolhidos, porque depois de tantos anos protegendo o Digimundo, nunca viram algo igual. E o governador continuava incrédulo quando viu que o herói saía por seu corpo.

— Isso... isso é impossível. Ele conseguiu fugir do meu tártaro?

Pela aparência, Beelzebumon ativou o seu modo turbo, o mais poderoso. Aos poucos foi saindo e saindo até que finalmente conseguiu a liberdade. Pharaohmonainda estava com a grande abertura no peito.

— Como conseguiu sair? — perguntou Paulo.

— Quando eu fui sugado, acordei num hospital. Tudo parecia realidade, como se o Digimundo fosse o sonho. Eu vi sua mãe com você e Lúcia ainda pequenos. Eu quase desisti de tudo, porém vi uma luz que me puxou de volta para a realidade. Os outros eram monstros que tentaram me puxar para baixo, mas quando ativei meu modo turbo consegui me livrar. Aquela luz me salvou.

Lucas sorriu para Paulo. Eles sabiam que a luz veio do digivice.

— Você tentou acabar com a minha esperança, cara. Só que aquela poderosa luz me salvou da escuridão eterna — apontou o braço e fez surgir o canhão. — Vai saber o que é a força dessa luz.

Beelzebumon ficou em pé na moto e foi na direção do governador. Pulou e apontou a arma bem perto dele. Com apenas um impacto, o corpo de Pharaohmon explodiu em dados e virou poeira. A força foi tanta que causou uma cratera no lugar.

— Ele conseguiu. Ele venceu — disse Lúcia.

— Até que enfim vamos voltar para o Digimundo... o que foi, Aiko?

— Não voltamos para o Digimundo.

Paulo comemorou a suposta derrota do governador Akenathon junto com Lucas e Wesley. Os três sorriram com a vitória.

— Nunca pensei que fosse fácil derrotar aquele governador. Beelzebumon ficou mais forte do que eu imaginava.

— Não foi nada, Lucas. Eu treinei muito para chegar nesse nível. E também aquele digimau estava enfraquecido.

Mas Paulo não conseguiu mais sorrir. Deu alguns passos para trás e o seu rosto era uma mistura de incredulidade com espanto. E não era para menos pois eles ainda estavam no purgatório.

— Não voltamos — disse Paulo.

Eles observaram uma nuvem preta acima deles. O objeto escuro era totalmente feito de trevas. Logo uma risada maligna surgiu em todos os lugares. Dois olhos vermelhos surgiram na nuvem.

— Nunca vão me destruir por completo pois sou um ser imortal.

— Cala a boca. Vou te matar pela segunda vez — Beelzebumon soltou o mesmo poder de antes, mas ele voltou para si. Logo o homem caiu no chão um pouco ferido. — Isso não pode ter acontecido. Eu pus a mesma força e nada aconteceu com ele. Será que é imortal?

Paulo percebeu que o seu legacy e o de Ruan brilhavam incessantemente. Os dos demais digiescolhidos também brilharam para valer. Era algo muito inédito o que estava acontecendo.

— A minha energia voltou — disse o motoqueiro.

MetalSeadramon, RizeGreymon, Lilimon e Lucas também se encheram de energia.

— Vamos amigos. Vamos mostrar para ele a luz desse mundo — falou Paulo.

O canhão do Beelzebumon, o poder de luz do Lucas, o raio de MetalSeadramon, as bombas de RizeGreymon e o canhão flor de Lilimon. Todos esses poderes se misturaram e foram com tudo para cima do espectro de Akenathon. Por um momento ele teve forças para repelir, mas os digiescolhidos tiveram mais força ainda para continuar. E assim a explosão de poderes combinados destruiu por completo o terrível governador da Ilha Sand.

 

O purgatório sumiu e logo a ilha Sand voltou a ser o que era anteriormente. Para completar, as almas de todos os digimons que estavam dentro da alma de Akenathon voltaram para a ilha dos bebês. Elecmon terá um gigantesco trabalho pela frente.

O céu começou a clarear. Já estava amanhecendo naquela parte do Digimundo e como era bom a sensação de um dia novo.

Impmon ficou deitado na areia da duna sentindo a satisfação de mais uma grande vitória. Cinco governadores, famosos por serem invencíveis, sucubiram quando confrontaram os digiescolhidos.

Ogremon chorou ao ver que ficou livre da influência daquele malvado faraó. Os demais digimons ficaram livres e saíram de debaixo da areia. Lembra daquele candelabro vivo? Pois é. A sua forma original era de um Gladimon e logo se apresentou para os heróis.

— Não sabemos como agradecer plenamente a vocês. O que fizeram não tem preço.

— Bom, eu não faço ideia — disse Paulo.

— Pois eu sim — falou Rose. — Queremos alimentos e muita água. Acham que conseguem?

— Acho que sim.

E assim eles retornaram para onde a arca prateada estava. Os digimons moradores pegaram tudo o que foi de comida e água que estava estocada no QG do governador e levaram para eles.

— O que houve com ele? — perguntou Palmon ao ver Kotemon deitado.

— Ele lutou contra um dos generais e venceu. Antes, porém, foi golpeado e por isso eu tive que enfaixá-lo e deixá-lo descansando.

— Não é para menos. Dessa vez nossa luta foi um pouco mais difícil. Será que os outros governadores são mais fortes? — indagou Betamon.

Enquanto isso, Mummymon e Arukenimon agradeceram ao pouco de aventura que tiveram desde a Ilha Linux, mas não quiseram continuar.

— Mummymon e eu vamos ficar. Decidimos parar por aqui pois achamos que atrapalhamos mais do que ajudamos.

— Vou sentir saudades... — chorou a múmia.

— Que vergonhoso. Um macho chorão! — gritou a mulher.

Ogremon foi outro que preferiu ficar a ir com eles.

— Quero que tomem muito cuidado com o inimigo. Mas não estou falando do Chanceler, e sim do imperador. Ele é bem mais forte e seus três filhos também.

— Peraí, eu escutei direito? Aquele Matsunaga tem filhos? Desde quando? — perguntou Aiko.

— Os filhos do imperador aparecem muito pouco, mas são do mesmo nível ou mais fortes que o Chanceler.

Impmon se lembrou do dia que perdeu aquela luta para o Chanceler. O cara era duro feito diamante e forte feito um deus. Não havia acertado um golpe nele e quase morreu. Agora ouviu uma história de uns filhos do imperador que estavam no mesmo nível do Chanceler? Era o fim.

— Eu conheço apenas dois. Um deles tem influência com o idiota do Leomon. Argh. Aquele burro me dá nojo! Ele simplesmente faz as vontades daquele cara.

— Mas?

— Mas o pior é o tal de Cranos. Aquele cara parece um ser humano comum, só que destruiu muitas civilizações com apenas seu poder. Com certeza o mais terrível de todos. Por isso desejo sorte. Se querem derrotar os filhos e o imperador, primeiro precisarão acabar com os governadores restantes e o Chanceler.

— Obrigado pelo aviso, Ogremon.

Agradeceram ao digimon e às suas explicações, embarcaram na arca e se despediram de quem ficou. 

— Que soninho. — Rose se deitou ainda no convés com Palmon.

Aiko guiou a arca para fora da ilha Sand. Os digimons que ficaram migraram para fora dela.

Paulo ficou em pé, olhando para o horizonte, para o próximo destino e talvez o final que eles terão: a ilha do Chanceler.

No final de mais uma missão, os digiescolhidos novamente puderam ver a luz da esperança, os raios do sol da manhã. O fim de mais uma pequena jornada, mais um passo para a vitória. E tome o descanso merecido. A arca viajou sozinha enquanto os digiescolhidos dormiam tranquilamente.

— Quando fiquei dentro do corpo do governador, eu vi a sua mãe. Por um momento eu pensava que era tudo verdade, já havia me esquecido de tudo isto. Por um momento pensei que aquilo era a realidade.

— Mamãe nunca mais foi a mesma quando você desapareceu. Ela se culpava por tudo — disse Lúcia.

— Márcia sempre foi assim. Os pais dela... seus avós nunca foram com a minha cara e ela sempre achava que era a culpada de alguma coisa.

— E você ainda a ama?

Impmon olhou de lado, surpreso com a pergunta da garota. Negou sentir amor por Márcia, mas disse que gostava dela.

 

Um binóculo. Uma pessoa com um binóculo observava a partida da arca de prata. Para falar a verdade, a pessoa misteriosa sempre esteve ali observando toda a luta. Vestida num casaco preto com capuz, a pessoa misteriosa utilizou um aparelho no mesmo estilo digivice, porém completamente diferente.

 

Arquipélago Firewall - Castelo Dragomiroff

— Esses humanos devem ter nascido com o deus da sorte ao lado, porque nunca vi pessoas tão sortudas quanto eles.

— Pois é, AncientWisetmon. — Uma voz de garota. — Observei tudo, inclusive o fracasso do Astamon em seguir com o plano.

— Aquele inseto! E eu nem sei por que Vossa Majestade ainda quer aquele traste.

— O meu tio gosta de brincar com os outros. Acho que ele está preparando algo mais para frente — uma mecha rosa de cabelo saía do capuz, ela mexia com o dedo.

— Tipo o quê?

— Eu sei que Astamon e aquele humano viraram parceiros naquele fatídico dia. Também sei que Astamon fora humano igual o cara que é Beelzebumon hoje. A tecnologia daquele tal Matsunaga em serviço do propósito maior.

— Que é?

— O rei vai querer um novo Shadowlord no pedaço, tal como aquele outro humano que era manipulado, sabe? Com a derrota desses governadores inúteis, o Digimundo entrará num período de paz e o rei vai querer alguém em seu nome governando aqui. Enquanto isso ele vai reunindo os code crows para refazer Yggdrasil. Estou errada?

— Não. Como você é esperta.

— Obrigada. Tenho que desligar, preciso segui-los para a próxima ilha.

— Não precisa.

— Por quê não?

— Um outro espião foi para o próximo local em que eles irão. Digamos que será uma parada obrigatória. Uma cortesia da Aranha.

— Está falando de quem?

— Daquele rockstar narcisista.

— Ele? Meu priminho lindo? Agora que os digiescolhidos vão penar.

— E não só isso. O rei permitiu que a 13° Divisão do Exército Negro atue nesse caso. Sabe que eles são bem mais fortes que a 14°, não é?

— Uhum. Aquele Trojamon foi um completo inútil, por isso perdeu. Se o meu primo resolveu ir até os digiescolhidos, eu voltarei para a Terra.

A moça desligou a conexão que estava fazendo. Retirou o casaco preto e foi embora.

...

Os eventos na Ilha Sand acabaram, mas naquela ilha de gelo do Chanceler estava apenas começando. Os hunters mais Reaper conseguiram chegar até o local em que os revolucionários se escondiam com os exilados. Nesse meio tempo, os revolucionários mais os digiescolhidos descobriram que Capitólio era uma cidade extremamente vigiada e que para entrar precisavam se disfarçar com dados diferentes. O plano estava seguindo o curso, pois o primeiro passo era exterminar Reaper e pegar os seus dados. Entretanto, não será nada fácil pois os invasores foram preparados e até derrotaram alguns soldados resistentes que ficavam perto da entrada. Agora Panjyamon e Gokuwmon resolveram ajudar os aliados nessa batalha.

— Cadê o líder de vocês? Por acaso está com medo de vir aqui e me enfrentar?

— Ele não precisa enfrentá-lo. Eu mesmo farei isso — disse Gokuwmon.

O macaco usou o seu poderoso bastão para levantar uma enorme pedra e jogá-la contra Reaper. No entanto, o vilão partiu-a no meio com a sua foice e jogou os pedaços para os soldados. Panjyamon usou o seu soco gelado para parar um pedaço e Gokuwmon parou o outro.

— Isso foi interessante. Vocês são fortes. Só que agora vou pegar pesado. — Ele fez com que várias pedras iguais a anterior surgissem no céu. Soltou com tudo.

— Não vamos poder contra aquilo — disse Panjyamon.

Freddy fechou os olhos quando Gokuwmon o segurou no braço já se preparando para fugir. As pedras, porém, pararam no ar.

— Que foi isso? — perguntou Reaper.

— Hahahahahaha... Esqueceram de mim — a silhueta apareceu por trás dos outros. Pinocchimon finalmente apareceu ao lado de Jin.

— Não acredito. Ele conseguiu evoluir — disse Freddy surpreso.

— Mushroomon já foi bem treinado a utilizar warp evolution. Um jeito mais eficiente do que passar pelas duas fases anteriores.

Pinocchimon começou a tremer de frio e seu nariz ficou congelado. Jin ficou surpreendido com aquilo.

— Parece que ele não é tão forte assim. Ficou com frio muito rápido.Que decepção — debochou Reaper.

 

CAPITÓLIO

A SUPREMA CORTE

Os dois juízes restantes continuaram na corte mesmo com a ausência de um deles. Os julgamentos eram feitos no automático a pedido do próprio Chanceler. Shakamon era o mais pró-Chanceler dos três, Pajiramon o mais velho e sensato e FlaWizarmon o mais novo dos três.

— Flawizarmon ainda não chegou? — perguntou Pajiramon a um digimon assistente.

— Não, excelência. Ainda não voltou.

— O que será que ele tanto faz?

Enquanto isso, Flawizarmon mexia num tipo de notebook na mesa da sua casa. Abriu uma pasta com vários arquivos sobre a cidade, arquivos criptografados, arquivos de segurança da sede do exército, entre outros. Precisava voltar para o grande Quartel General para voltar a se comunicar com os digiescolhidos. Fechou o notebook, saiu de casa e foi pelo caminho até chegar no QG.

— Posso entrar?

— Excelência Flawizarmon, pode sim — disse um soldado abrindo a porta automática de metal.

O recepcionista ficou alegre com a presença de um dos três juízes. O juiz pediu para fazer uma inspeção de rotina.

— Tudo bem, senhor. Venha comigo.

Ele foi levado novamente para uma sala cheia de computadores. Os muito trabalhadores ficavam em suas cadeiras, na frente dos PCs, verificando alguma alteração na ilha ou uma possível invasão na cidade. Flawizarmon sentou numa cadeira vazia e utilizou de um computador.

— Por favor excelência, pode nos mostrar o mandado?

Retirou um papel e mostrou para um dos supervisores. Este se convenceu e permitiu que o juiz usasse o computador. Logo retirou um pen drive e conectou. O mapa de toda a ilha de gelo apareceu e o ponto exato de onde os digiescolhidos estavam.

 

Palácio de Gelo

O mordomo deu boas-vindas para o seu mestre assim que ele voltou. Disse que Ranamon foi bem cuidada durante a sua ausência, mas que aquela "criatura" estava dando mais trabalho ainda.

— Estou de bom humor hoje. O Imperador voltará para a Terra e ele me deixou tomar conta do Digimundo inteiro. Agora tenho muito mais autoridade. Mas tenho que ver aquele traste, não é?

O Chanceler desceu para o fundo da montanha, na masmorra. Ranamon o viu passar e ficar de frente para a cela.

— Como está se sentindo, princesinha? Confortável com seu novo quarto?

— Vá pro inferno.

— Coloquem o pano.

Os subordinados pegaram um lençol preto e tamparam a visão que Ranamon tinha do corredor. Ela não entendeu o porquê daquilo. A única coisa que fez foi ouvir uma estranha conversa.

— O que você quer, hã? Parece que nada está satisfatório para ti. O Norman todos os dias traz comida e bebida e você fica nessas reclamações...

Ela chegou perto das grades, mas o pano escuro era a prova de som. Quase não dava para escutar.

Chanceler na forma Strabimon ficou observando numa brecha da porta. Pediu que abrissem para ele entrar, e entrou. No canto escuro havia alguém acorrentado pelos pés.

— Não vai falar nada, traste? Estou muito ocupado.

— Espere — disse o prisioneiro. Sua voz era quase a mesma do Chanceler.

Ranamon ficou irritada por não poder escutar quase nada. O pano preto foi retirado e Strabimon já havia saído da cela do fim do corredor.

— Norman, espere. Quem é que está preso ali?

— Não é da sua conta.

— Ignorante! Raiva...

Ela ficou olhando para a porta fechada. Ela iria tentar a todo o custo saber qual personalidade estava presa naquele calabouço.

...

JAPÃO

Em cima do Kingdom Palace, Beelzebinho observava a cidade de Tóquio. Piedmon apareceu por trás dele e trouxe mais informações.

— Mestre, parece que King não se encontra no momento.

— Mesmo sabendo que falta pouco para a reunião com a Nova Ordem do Século, ele decidiu ir para o Digimundo.

— Tem mais. Os digiescolhidos estão indo na direção de Domo.

O falso governador balançou o rabo para lá e para cá. Seus olhos vermelhos brilhavam na noite lunar.

— Os meus antigos súditos...

— Não se preocupe, mestre, retirei todos antes de partirmos. Não há mais ninguém lá.

— Digiescolhidos em Domo? Ajudei-os antes em Windows, mas não posso mais fazer nada. Que Domo os teste por conta própria.

Piedmon recebeu uma chamada do vampiro. Beelzebinho logo se apressou para a reunião.

 

Depois de um merecido descanso, os humanos e seus digimons iniciaram uma boa refeição com a comida doada pelos moradores de Sand. A comida ia de frutas, cogumelos, doces e até peixe. Peixe numa ilha desértica! Claro que eles se serviram sem muitas cerimônias.

— Estou satisfeito — disse Impmon com a barriga cheia.

— Já deve passar das nove da manhã. Nosso próximo destino é a última ilha — falou Aiko.

— Mas tem o problema da gente se esbarrar com mais três governadores. Não esquece que são nove governantes — explicou Paulo.

— Sim sim. Mas eu estou conduzindo esta arca para o mais alto possível justamente para pularmos para a última ilha.

— Muito esperto, Aiko.

Os dois ouviram um grito vindo de dentro da arca. Correram e viram um felino grande, como se fosse um tigre branco listrado e cheio de dentes, comendo o piquenique que Rose fizera. O animal logo voltou ao normal e revelou ser Splashmon.

— Esse cara de novo não — lamentou Rose ao reconhecer.

— Malditos digiescolhidos. Eu vou acabar com todos vocês.

Os digimons estavam se preparando para evoluirem quando um explosão faz com que a arca perdesse altitude. Aiko tentou fazer de tudo para que ela subisse, mas era muito pesada e levava bastante tempo. Do lado de fora havia uma nave espacial atirando na direção deles.

— Quem é? — perguntou Mia.

— Um novo inimigo — respondeu Paulo.

De dentro da nave, apenas três criaturas perseguiam. Uma era parecida com um homem vestido num casaco preto e com uma máscara no formato de lua nova, o outro era do mesmo jeito só que com a cor branca e uma máscara de sol.

NOME: TROJAMON LUNNO

FUNÇÃO: SARGENTO;

ORGANIZAÇÃO: SUB-LÍDER DA 13° DIVISÃO DO EXÉRCITO NEGRO;

NPD: 2.750.000

 

NOME: SUNNO

FUNÇÃO: SARGENTO;

ORGANIZAÇÃO: SUB-LÍDER DA 13° DIVISÃO DO EXÉRCITO NEGRO;

NPD: 2.900.000

 

A pessoa que pilotava a nave era bem mais diferente desses outros dois. Sua aparência era bem excêntrica: no rosto não havia face, apenas uma boca vermelha cheia de dentes afiados que estava rindo o tempo todo, roupas coloridas e chamativas como de palhaço e uma capa roxa. Era bem extravagante.

 

NOME: TROJAMON PSYCODELICCO

FUNÇÃO: CAPITÃO;

ORGANIZAÇÃO: LÍDER DA 13° DIVISÃO DO EXÉRCITO NEGRO;

NPD: 3.750.000

 

Psycodelicco atirou várias vezes contra a arca de prata, obrigando os digiescolhidos a descerem bruscamente. Até mesmo Splashmon foi surpreendido.

— O que é aquilo? — perguntou Mia ao ver algo.

A arca foi engolida por uma bolha extremamente grande. Os humanos entraram para a cabine perto do convés para não caírem fora. Toda a arca começou a tremer e a sofrer com a queda.

— Aquilo são nuvens?

Paulo percebeu que as nuvens estavam afastadas, em forma de círculo, como se eles estivesse no olho de um furacão. Era a visão mais incrível quando repentinamente viram uma região, de formato circular, e com quatro sub-regiões — lembrava uma pizza fatiada em quatro. A arca fez uma queda livre até o meio, uma pequena ilha.

— Precisamos parar a arca — disse Impmon virando Beelzebumon e empurrando a arca para não se espatifar com tudo. O Kotemon aguentou virar Crusadermon e ajudar o companheiro. A queda fora amortecida e puderam cair sobre um lago central.

— Onde estamos? — indagou Rose.

— Acho que estamos numa ilha nova — respondeu Palmon.

Eles olharam para cima e viram o céu aberto, mas as nuvens rodeando as bordas. De fato era uma nova ilha, contudo não se sabia se era a ilha do Chanceler ou outra.

— Seus merdinhas, por culpa de vocês acabei parando aqui. Não vou ficar parado enquando me perco aqui. Depois que me separei daquele cara de polvo, já não me importo mais com ninguém. — Splashmon deu um pulo no lago e se camuflou na água.

— Deixa ele. Melhor não termos um inimigo por perto, não é? — disse Mia.

— Com certeza. Agora precisamos investigar esta ilha e sabermos se é o local do Chanceler — falou Lúcia.

— Não creio que seja a ilha dele. Se prestarem mais atenção, esta ilha parece mais um círculo e é menor que a anterior. Se fosse a sede do governo mundial, acho que seria uma ilha bem maior — ponderou Aiko. — E não podemos sair, porque a quilha do navio ficou preso num tipo de alga pegajosa.

— Eu me lembro dessa alga. Nashi e eu vimos algo parecido no oceano. Elas são muito resistentes e apenas um tipo de produto pode desgrudá-las — informou Kotemon.

Beelzebumon atirou contra as algas, mas nada abalava as algas com ventosas.

— Hahaha. Tem razão. Meus poderes não são páreos.

— Precisamos então procurar o óleo de unção salgado. É um tipo de óleo vegetal. É o produto mais escorregadio de todos — disse Kotemon.

Paulo chamou a atenção de todos. Uma votação seria feita. A primeira opção era de se dividirem, a segunda era de seguirem juntos. Obviamente, e dada às experiências anteriores que o grupo passara com separações, eles foram unânimes e escolheram todos juntos.

O bote estava pronto para que todos pudessem se sentar e navegar até a ilha central. Não estavam muito longe, uns cinquenta metros chegariam lá.

A tal ilha tinha uma pequena praia, uma parte mais florestal ao fundo e algo parecido com uma torre mais afastado.

— Vamos caminhar até aquela torre. — Sugeriu Lucas.

Eles caminharam normalmente, sem contratempos, passaram pela floresta e chegaram a um campo aberto. Uma torre de comando, feita de pedra, ficava bem ao centro. Ela era alta, tinha provavelmente uns dez andares, com o andar superior no formato de uma esfera.

— Todo o cuidado é pouco, gente. Até agora não encontramos ninguém. — Advertiu Aiko.

Calmamente os doze foram a esmo por dentro da torre. Certos corredores davam para salas e outros cômodos. Uma escada espiral dava aos demais andares, inclusive o topo. Neste andar dava para ver absolutamente tudo. A ilha era circular, parecida com um disco. As outras quatro regiões tinham suas singularidades: uma lembrava uma terra de gelo, a outra era feita de floresta, a outra era totalmente branca, mas não dava para saber se era neve, e a última região era um campo com poucas árvores. Neste campo havia algo que interessou todos eles.

— O que tem ali? — perguntou Rose.

Nashi verificou no binóculo. Uma residência parecida com uma pousada no estilo japonês. O garoto confirmou aos colegas.

— Será que é muito longe? Aquele lugar fica do outro lado onde está a arca.

— Mia tem razão, Nashi. Se formos para lá, pode ser que deixemos a arca exposta a qualquer tipo de ataque. — disse Paulo.

Nashi sorriu. Pouco tempo depois, ele fez a arca ficar totalmente invisível pelo poder do seu legacy.

— Agora sim. Vamos, temos umas duas horas até o efeito acabar.

O grupo foi de bote para a parte onde há o campo. Algumas poucas árvores existiam naquela parte. Para falar a verdade, os garotos não sabiam dizer o motivo da ilha ser erma e por que é dividida em quatro regiões. Pouco tempo depois, passando por um bosque cheio de flores, viram a construção de madeira. Uma pousada grande, com dois andares, e cheia de janelas. Na parte superior havia uma grande varanda, na parte de baixo, na porta de entrada, uma outra varanda.

Rosemary correu para a pousada e a viu com a porta aberta. Palmon a seguiu.

— Venham, gente. Aqui dentro é espaçoso.

No hall da recepção havia algumas poltronas, o balcão, algumas janelas, portas que acessavam para outros quartos inclusive a escada dos andares superiores. Rose ficou escorada no balcão.

— Será que existe alguém neste estabelecimento? Será que estamos sozinhos?

— Rose, olhe ali. Parece que há alguém aqui — disse Palmon apontando para um copo sujo de leite.

Os outros chegaram logo em seguida. Foi muito frustrante para todos saberem que estavam sozinhos e que não havia como saber onde o tal óleo especial se encontrava.

— Não pode ser uma ilha de algum governador. Tem que ser outra coisa — disse Paulo enquanto mexia no legacy.

Um barulho de motor foi ouvido. Eles correram para fora e avistaram um rapaz numa moto de propulsão. Todos ficaram num silêncio sinistro ao presenciarem um humano ali.

— Palmon me belisque pois devo estar sonhando. Um outro adolescente aqui. Será que é digiescolhido como nós?

Ele desceu da moto com uma mochila nas costas. Sua atenção foi voltada para os recém chegados.

— Ei você. Quem é?

Paulo se adiantou. O rapaz da moto se aproximou dele. Era um adolescente, branco, usando uma calça jeans azul com camisa polo e tênis, sobre a sua cabeça havia um boné preto, além de um óculos em seu rosto.

— Incrível. Vo-vocês são digiescolhidos de verdade. Que grande surpresa.

— É humano. É digiescolhido? — perguntou Paulo.

— Nã-não... Eu trabalho pro Gennai... trabalhava... Agora tomo conta de certas partes desta região. Parece que o governo desistiu daqui.

Todos acreditaram.

— Vamos entrar? — entraram. — Fiquem à vontade. Nenhum governador mora aqui faz pouco tempo. Então, como programador, me apoderei da ilha.

— Então é uma ilha, hein? — disse Mia.

— Uma ilha chamada Domo. É a sexta ilha, mas como eu disse não há inimigos aqui. Eu moro aqui há poucos dias e decidi que este local será a minha casa. Aqui é uma pousada... 

— E qual é o seu nome? — perguntou Lúcia.

— Miro O'Reily, mas meu apelido é Marimo.

— Marino? Que interess...

— Não, senhorita, Marimo. Com M mesmo. É uma gíria japonesa, eu acho.

Rose gostou desse tal Marimo, porque parecia ser o sujeito inteligente. Uma pena não ser digiescolhido.

— Bom, na verdade sou da Terra, porém trabalho pro Gennai como voluntário.

— Bom, senhor Marimo, peço que nos ajude a sair da ilha. Nosso transporte ficou preso nas algas e precisamos achar um óleo especial que desgruda-as da quilha da arca — explicou Nashi.

— Vocês têm sorte. O óleo existe nesta ilha. Eu vou ajudá-los, mas quero que descansem um pouco. Daqui a pouco eu volto.

Do lado de fora da pousada, uma pessoa observava a movimentação dos digiescolhidos. Tratava-se de Shoutmon, um digimon que ajudou Rose numa luta contra os Trojamons.

— Ele está com os digiescolhidos? O que eu faço?

— Merda. Marimo é extremamente precavido. Não faça nada até eu chegar aí, entendeu?

— Certo, Oliver.

Shoutmon continuou observando.

Enquanto isso, no alto da torre, os três trojamons ficaram de vigia para onde estava aquela arca de prata. Um transporte enorme daquele não poderia simplesmente sumir.

— Capitão, o Marimo nos disse que os digiescolhidos já estão no local — disse Sunno.

— Agora só falta saber onde está aquele navio — disse Lunno.

Psycodelicco apenas sorriu. O seu rosto sem face, apenas com boca era amedrontador. Balançou seus braços magros como se fosse um maestro dum grupo musical. Um poder invisível saiu daquele gesto.

— Agora sim os digiescolhidos sofrerão o terror — falou Lunno.

— Pode crer — concordou Sunno.

O capitão era mudo.

Marimo ficou sentado no chão, concentrando-se. O rapaz era o mesmo que estava no local das batalhas no laboratório de Weiz. O garoto misterioso chamava-se Miro O'Reily ou Marimo, primo daquela espiã na ilha Sand e sobrinho de King. Ele aguardou ansiosamente o golpe que o Trojamon dará nos escolhidos. Retirou o boné preto, revelando um cabelo verde escuro com um pequeno topete, retirou o óculos, passou algodão no rosto, retirando a maquiagem pálida e se revelando mais bronzeado, pegou um brinco argolinha e enfiou no já existente buraco da orelha esquerda. Mudou completamente de expressão, com um sorriso no rosto. Trocou de roupa, vestindo-se com uma calça militar, botas pretas, uma camiseta branca e um casaco de couro preta com uma caveira nas costas. Colocou uma bandana preta com caveiras na cabeça.

— Hahuahuahua. Consegui. Peguei seis dos nove.

 

Paulo abriu os olhos. Sua vista ainda era turva, mas deu pra notar que estava numa floresta. Não se lembrou depois de ter se hospedado naquela pousada. Apenas que um rapaz havia chegado e só. Levantou-se. As árvores pareciam mais altas que o normal.

— Onde estou?

Um dinossauro apareceu bem na frente dele. Um tiranossauro. Ele correu com tudo e se atirou na água. Segurou o fôlego ao máximo até o dinossauro ir embora.

— Argh... quase morro. Mas ainda bem que continuo na ilha. Preciso reencontrar os outros. Que foi que aconteceu?

Ao andar, viu sua sombra diferente. Voltou para a água e viu o seu reflexo nela. O que viu o deixou completamente atordoado. Verificou seus braços, seu corpo, tudo havia mudado. O pior era que seu corpo mudou para algo que ele já conhecia.

— Não, não, não, não, não! Puta merda, o que porras aconteceu?

No reflexo apareceu o rosto de Impmon. Paulo Victor havia se transformado em Impmon de uma forma misteriosa. E agora?

Continua...



Notas finais do capítulo

A ilha Domo foi inspirada na Terra Plana. Apenas a divisão entre 4 regiões foi uma ideia original minha.
No próximo capítulo teremos algo RARO nesta fanfic: todo o capítulo se passará na ilha Domo, sem as outras cenas.

Até mais.



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