Westover Hall escrita por Fe Valdez


Capítulo 32
Encontros e desencontros a meia-noite


Notas iniciais do capítulo

ÚUUULTIMO CAPÍTULO DE WESTOOOVER
Quem aí ta feliz? hehehe na verdade eu estou, muito contente por saber que vocês me apoiaram tanto em toda essa fic, alguns aqui se tornaram muito importantes para mim e eu queria agradecer :')
A Snowdon, Thalia Grace, Annie Chase Jackson, Gossip Girl, ItsMeMike, Juh McLean, Lais Naldail, Filha de Netuno, Mandy, Lu, Katherine Herondale Jackson e Dudinha Valdez um beijo e um abraço especial, vocês sabem o quanto mexeu comigo a recomendação de vocês.
Aos meus leitores que comentam, já comentaram ou pelo menos pensaram, muito obrigada também de coração, vocês são tão importante quanto. Enfim, a todos que acompanharam e leram essa fic, todos são lindos e estão guardado no meu coração do mesmo modo, mesmo aqueles "fantasminhas" haha vocês são demais!
E esse é o fim de Westover Hall :)
Se não gostarem desse capítulo... bem, finjam que a fic acabou no cap 30 haha

Créditos do desfecho da fic ao Mike, que sempre me ajudou, ele também escreveu uma parte desse capítulo, então um agredecimento especial a ele, desculpem os outros aushauhsu



Havíamos acabado de entrar na 7-Eleven, a loja de conveniência que tínhamos parado, o barulho costumeiro do sininho acima da porta tocou, indicando nossa entrada .A senhora atrás do balcão se escondia atrás de um gibi, ela levantou os olhos e logo os abaixou, para logo em seguida nos fitar, alarmada. Abaixei a cabeça para ver minhas roupas e as de Jason. Não, não pareciam roupas de assaltante. Então por que essa senhora se assustou assim conosco?

Jason nem percebeu, é claro. Ele estava vidrado com algo no fundo da loja. Segui seu olhar e encontrei uma daquelas máquinas que fazem aquelas raspadinhas que não sei o nome, a bebida que gela o cérebro.

– SLURPEE!

Jason correu até lá. Revirei os olhos e dei uma olhada no lugar, havia poucas pessoas rodando por ali. Comecei a percorrer as prateleiras de porcarias, peguei um tubo de Pingles, uma caixinha de Pretz, um pacote de bolacha Oreo e outro de Brownie, na outra prateleira peguei mais uns 3 de doces aleatórios, assim está bom. Uma das paredes da loja era inteiramente de refrigeradores, fui para lá peguei uma garrafinha de suco de morango leve, pois alimentos saudáveis são importantes. Segui para o caixa e despejei tudo no balcão, Jason apareceu do meu lado sugando o gela-cérebro e com uma mão na testa.

Tinha um pequeno rádio ao lado da senhora do balcão, ele parecia estar no meio de um aviso, mas havia algumas interferências de sinal:

“...elos claros... acompanhado por uma ga... (radio fazendo ruído)... recomp... de ...centos dólares...( porque ninguém coloca um Bombril na antena?) familiar... busca ...texas e califó... ligue para a polícia se...”

Espere, algo nessa notícia me incomodava... Porém logo parei de pensar nisso, pois Jason soltou um gemido ao meu lado.

– Aaaaah cé-re-bro con-ge-la-do!

Soltei um risinho. A atendente logo se apressou a dizer o valor das compras, seu olhar apreensivo em direção a Jason.

Sorri e disse abanando a mão:

– Relaxa, o cérebro dele já não era tão bom mesmo, ele ficará bem.

Ela riu.

– Não era com isso que eu estava preoc... – ela parou de falar de repente – Quer dizer, que bom, hm... que ele ficará bem.

Olhei para ela com uma sobrancelha erguida, mas dei de ombros e peguei algumas balas de menta do balcão, para deixar o hálito fresco (Se é que você me entende).

– Acrescente mais isto, por favor, para podermos ir logo – fiz um meio sorriso.

–Mas vocês já vão? – Perguntou a senhora incomodada.

– Ham... Já compramos, não é?

– Não preferem consumir aqui? Ahmm, no carro é desconfortável.

– Como pode saber se iremos ou não consumir no carro? – falei desconfiando dessa mulher.

Jason se virou para mim, com aquele sorriso malandro nos lábios.

– Pipes, eu estava aqui imaginando... sempre quis jogar isso aqui – ele levantou seu copo de raspadinha – na cara de alguém. Tipo aquela série Glee, sabe?

– Nem pense em jogar em mim!

– Eu estava só imaginando, ok?

Eu ri mais uma vez, mas parei quando percebi que a senhora ainda não tinha devolvido meu troco. Por que será que ela está demorando tanto? Será que é de propósito? BOSTA! Tudo começou a passar na minha cabeça, desde que entramos na loja, foi então que percebi.

– Jason, vamos! – o puxei pelo pulso, mas ele permaneceu parado.

– Por que a pressa instantânea?

– O rádio! Estão nos procurando! Aposto que seu pai ofereceu recompensa pra quem te achar! Ele está a nossa procura, precisamos sair da Califórnia AGORA!

Olhei para a senhora que parecia assustada.

– Essa mulher – apontei para ela – Você nos denunciou não foi?! Você sabia! Eles já estão vindo?!

– Desculpem crianças, eu precisava do dinheiro...

– Vamos Jason!

– Acho que já é tarde – a mulher informou.

Jason olhou chocado para mim, depois olhou para a senhora, olhou para seu Slurpee, e em um movimento simples, atirou todo o conteúdo do copo na cara da mulher.

– Sua recalcada – ele disse, então saiu correndo da loja comigo.

Porém a mulher estava certa, quando saímos escutamos o som da sirene da viatura, parando ao lado do nosso carro. Tentamos alcançar o carro, correndo. Porém um policial já havia saído da viatura e nos interceptou. Tentamos lutar, sem sucesso. Fomos apenas jogados na parte de trás da viatura como dois criminosos.

– Ei! Não fizemos nada! – Jason gritava – Está na lei que é proibido fugir de casa? Policiais medíocres! Estão fazendo isso por dinheiro, não é? Que eu saiba, só são entregues menores que fazem algo contra a lei!

– Quieto pivete. Isso se chama busca de filho desaparecido, vamos levar você a seu pai, ou prefere ir para cadeia por desacato à autoridade?

Já eu não conseguia falar nada, apenas pensar, havia um bolo de pensamentos na minha cabeça no momento. Abaixei a cabeça e fechei os olhos.

Viajamos naquela viatura até aonde? Até a porta da casa do pai de Jason!

Ele mora em Nova York, a distância é muito grande.

Descobrimos pelos policiais que a cidade onde estávamos se chama Truckee, ou seja, acabamos parando na delegacia de Sacramento, capital da Califórnia. Sacramento ficava a 160km de Truckee, portanto, ficamos duas entediantes horas viajando naquela viatura. Agora eram quase 23:30.

Já na delegacia nos mandaram sentar em uma fileira de cadeiras na primeira sala da delegacia, com um guarda ao nosso lado. Eu e Jason cada momento nos fitávamos, balançando a cabeça negativamente, a mensagem era clara “isso está totalmente errado”.

– O que eles estão fazendo? Vamos mofar aqui até morrer – falei.

– Ao menos morreremos juntos – Ele falou, fitando os pés, mas depois suspirou e falou, um pouco mais sério – Eles devem estar procurando nossas fichas criminais, procurando saber quem somos, de onde somos, nossa filiação.

Mas ele se calou ao ver o olhar sério do nosso guarda. Após alguns minutos de silêncio, respirei fundo. Minha cabeça ainda estava um mar de confusões, mas tomei coragem e o olhei.

– Jason, sabe o que virá agora, não é?

Então ele levantou os olhos, e pela primeira vez eu os vi marejados, algumas lágrimas escapando-lhe pelo rosto.

– Piper, eu não conseguiria fugir de novo, minha vida será um inferno, serei monitorado 24h por dia, como uma prisão... na verdade minha vida sempre foi – ele deu de ombros triste – Oh, Pipes, eu não conseguiria te ver de novo. Não era para ser assim. Não quero que isso aconteça. – Ele soluçou, então senti minhas próprias lágrimas rolarem também – Eu não consigo suportar a dor de te perder uma segunda vez.

Sequei minhas lagrimas, eu precisava ser forte por nós dois, embora eu tivesse que usar toda minha força para evitar que as lágrimas caíssem. Levantei o rosto dele com as duas mãos, deixando nossos olhos à mesma altura e tentei sorrir, então selei seus lábios e sussurrei.

– Ei, conseguiremos dar um jeito. Sempre damos, não é? Vamos nos reencontrar, guarde minhas palavras, Jason Grace.

Jason segurou minhas mãos no rosto dele.

– Você não conhece meu pai, Pipes. Assim que eu botar os pés dentro de casa, irei estar em um cárcere privado, adeus tudo o que eu mais prezo. Adeus escola normal, adeus contato com o mundo exterior. Adeus, Pipes. Olá, seguranças me vigiando. Olá, intimidações, ameaças e “família aparentemente estabilizada”.

Eu não soube o que responder, ficamos em silêncio, que foi interrompido pelo barulho de uma hélice de helicóptero sobrevoando sobre nós, poucos minutos depois, a porta da nossa sala foi escancarada com uma batida forte, um homem robusto, cabelos e barbas grisalhos e grandes, perfeitamente aparados, entrou, ele vestia um terno risca-giz cinza, seus olhos eram da cor de uma tempestade, só podia ser o pai de Jason.

Jason por ser um desaparecido, não era entregue na casa do pai, portanto o Sr. Grace veio lhe buscar, já eu que não estava classificada como “desaparecida” serei mandada de volta à Westover Hall. O olhar de pai de Jason recaiu em mim, por alguns segundos, mas depois foi em direção a Jason, e com a voz firme, falou.

– Você tem apenas cinco minutos para se despedir dessa garota, Jason. Vamos direto para Nova York, e ai de você, se tentar fazer algo para fugir.

– Não – Jason disse se levantando e encarando o pai – Não a deixarei, pai.

O homem semicerrou seus olhos eletrizantes e passou uma mão pelo paletó, o abrindo levemente.

– O problema então é essa garotinha, sim? Seria uma pena se ela não estivesse mais presente em sua vida – sua mão repousou sobre um objeto preto, preso em sua cintura e escondido pela sua roupa – Mas acho que isso é o que tem que ser feito, por bem ou por mal. Não é mesmo, Jason?

Jason se encolheu e acenou com a cabeça. Eu estremeci por ter vivenciado essa cena. O pai de Jason mostrou a palma aberta para nós, representando os cinco minutos que teríamos e fomos deixados sozinhos. Ele segurou em minhas mãos e me puxou pra ele, me apertando em seus braços, seus lábios em minha testa.

– Pipes, me desculpe. Saiba que eu te amo, eu ainda procuro palavras para tentar explicar o que é isso que eu sinto.

Eu coloquei um dedo em seus lábios, em sinal de silêncio, em seguida peguei a mão dele e levei em direção ao meu peito, bem em cima de onde fica o coração, isso bastava para mostrar o que eu sentia. Meus batimentos estavam acelerados e descompassados, ele sorriu tristemente e foi aproximando seus lábios nos meus, a porta voltou a se abrir, ele colou nossos lábios em um beijo rápido e intenso, um policial o segurou pelo braço e o vi ser afastado de mim, novamente.

Não contive o impulso e tentei correr em sua direção, mas um outro policial estava preparado para isso e me segurou pela cintura (acho que eles sabem o que eu fiz no aeroporto) e chutando o ar, deixei as lágrimas rolarem pelo rosto, gritando o nome de Jason, e dessa vez, ele olhou para trás, mas foi impedido pelo policial de correr de volta a minha direção, ambos sendo segurados para não correr um para o outro.

E foi assim que ele se afastou de mim, nem tendo a chance de reclamar pelos 5 minutos que não haviam terminado. Quando o helicóptero levantou voo, olhei desolada para o relógio na parede, era meia-noite, em ponto.

*

*

*

Cinco anos se passaram, havia me mudado para Nova York há um mês, a trabalho e sem lembrar ou pensar no que aquela cidade significaria para mim. Peguei o meu celular, que vibrava na cabeceira da cama e atendi.

– Não, tudo bem, estou descendo.

Confraternização com colegas de trabalho até que cairia bem, hoje. Não havia um ano que, ao chegar nesse dia, eu não lembrasse daquela delegacia e daquela partida.

Ajeitei o colar que ele me dera e suspirei.

– Piper McLean, tente se divertir um pouco hoje – Disse a mim mesma, guardei o celular e sai de casa.

Até que o barzinho que o pessoal havia escolhido era agradável, a luz tênue do ambiente combinava com a música calma e suave que tocava no espaço. Olhei para meu celular que já marcava quase meia-noite. Precisava ir ao banheiro, então pedi licença e me levantei.

Senti que havia esbarrado em alguém e que havia derramado a bebida que a pessoa estava segurando.

– Mil desculpas, por favor.

Era um rapaz alto, forte e de cabelos claros.

– Desculpa eu, eu sou desajeitado.

Ele se virou para mim e meus olhos se arregalaram, surpresa, havia uma pequena cicatriz acima do seu lábio, tão pequena, mas era uma das coisas que eu mais gostava de observar, a pequena imperfeição que fazia de Jason Grace perfeito para mim. Seus olhos me fitavam, também com uma surpresa notável.

– Ja... Ja-son?! – eu sorri para ele, que acenou, em seguida colocando seu dedo indicador por sobre meus lábios, meu corpo inteiro se arrepiou com aquele toque.

– Só me diga uma coisa, Pipes – meus deuses, como eu senti falta dele me chamando assim – Diga que está solteira.

Fiz que sim e pude ver ele aliviado. Eu não havia me interessado por mais ninguém tão profundamente nesses últimos anos, e pude ver em seus olhos que ele também não havia feito isso, então como se nossos corpos tivessem vida própria, senti meu corpo colando ao dele e seus braços me envolverem, seus lábios roçaram os meus.

– Senti tanta sua falta, Jason.

– Pipes, não fale nada, só me deixe fazer o que mais tenho querido fazer nesses últimos cinco anos.

Então ele me beijou, com vontade e carinho, intensamente e com leveza, em meio ao beijo pensei que nada mais nos impediria, e não pude deixar de sorrir perante o beijo.



Notas finais do capítulo

Hasta la vista, baby!