Ele E Ela escrita por Maitê


Capítulo 25
Segunda chance


Notas iniciais do capítulo

Gente, tô em semana de provas por isso o capítulo não saiu tão longo como o planejado. Mas no próximo recompenso vocês, meus amores *-*



O corredor agora estava vazio.
Só Miguel estava ali. Sentado no chão, ainda vestido com o uniforme do time sujo de sangue, seus braços estavam manchados de sangue.
O sangue dela.
Tinha o olhar perdido, nem percebia quando algum enfermeiro ou médico passava apressado pelo corredor. Não sabia a quanto tempo estava sentado ali. Não sabia que horas eram. Não sabia o que fazer, não sabia de nada.
Nem mesmo percebeu quando Brooke Davis apareceu no início do corredor e respirou aliviada quando o viu. O procurou pelo hospital inteiro e já tinha começado a pensar que ele talvez nem estivesse mais no hospital. Brooke não sabia o que tinha acontecido naquele corredor, mas Miguel sabia. Não conseguia esquecer..
Brooke encostou as costas na parede e deslizou para o chão, ficando bem ao lado de seu melhor amigo. Arrumou a longa saia preta, espera alguma palavra de Miguel. Porque ela mesma não sabia o que dizer. Depois daquela manhã, ninguém sabia o que pensar.
– Miguel? - ela chamou, mas ele não respondeu.
Ele continuava olhando para o nada, as pernas esticadas a sua frente, o cabelo bagunçado o rosto e alma cansados.
– Miguel? - ela chamou novamente.
Nada.
Ele parecia nem mesmo estar ali, era desesperador. Brooke pôs uma mão sobre o ombro dele, e apertou levemente.
– Miguel fala comigo. - pediu com suavidade.
Mais alguns minutos se passaram em silêncio, até que ele finalmente respondeu.
– O que você quer que eu fale, Brooke? - respondeu com a voz cansada.
– O que está sentindo é uma opcão.
– Ela morreu Brooke.
Brooke sentiu seu coração despedaçar, queria tanto que Miguel falasse e agora ela não sabia o que dizer. Por sorte, Miguel continuou.
– Foram oito segundos Brooke. Tem noção do que é isso? O coração da minha Flor parou por oito segundos. Ela esteve morta por oito segundos. Como eu faço pra lidar com isso?
Oito segundos.
Muito pouco não é? Dependendo do ponto de vista. Para ele foram os oito segundos mais longos de sua vida. Oito segundos que poderiam facilmente ser transformados em oito anos. Oito segundos, sem aquele maldito equipamento que monitorava os batimentos cardíacos indicar que o coração de sua Flor tinha desistido.Oito segundo até que reanimassem sua Flor. Oito segundos que mudaram sua vida para sempre.
– Mas eles conseguiram traze-la de volta, e ela está bem não é?
– Não Brooke. Ela está viva, mas não está bem. Quando ela acordar, talvez as coisas sejam muito piores. - Miguel encostou as costas na parede e ficou encarando o teto em busca de respostas, nunca tinha se sentido tão cansado na vida.
– O que seu pai disse? - Brooke perguntou enquanto olhava para ele, nunca tinha visto Miguel daquele jeito. Era como se eles estivesse cansado até mesmo de sentir.
Robert Collins, pai de Miguel era médico no hospital da cidade e tinha atendido Maria. Cuidou com todo o carinho da garota tão frágil que tinha conseguido fazer seu garoto sorrir. No meio da tarde Robert tinha vindo ao encontro de Miguel e se sentado no chão ao lado dele no corredor, abraçou o filho e o deixou chorar em seu colo como fazia quando era criança. Permaneceu em silêncio, somente fazendo carinho no cabelo de Miguel e tentado passar segurança a ele.
Depois falaram sobre o estado de Maria Flor. Os cortes tinha sido profundos, e graves, mas com a ajuda de Deus a equipe médica voltada para o caso conseguiu controlar a situação. O corpo de Maria estava implorando por nutrientes, seus ossos estavam fracos, o cabelo caindo, as unhas amareladas. E Miguel perguntou como nunca tinha notado isso antes, ela escondia tudo muito bem é claro, mas ele devia ter notado. Tudo no corpo dela precisava de cuidados.
Ele queria muito vê-la, mas ainda não podia. Ela tinha que ficar internada por um tempo, e enquanto ela não saísse dali. Miguel também não sairia.
– Nós vamos cuidar dela Miguel. Eu, você e a Berta também.
– Berta ainda está aqui? - Miguel nem tinha dado falta dela, depois que levaram Maria do corredor os dois tinham se separado.
– Ela está na sala de espera, Rachel também está lá...
– Rachel está aqui?! - Miguel perguntou indireitando o corpo para poder encarar Brooke.
Por quais motivos Rachel estava ali? Ela tinha sido a gota de água que fez o copo transbordar. Se não fosse por ela, Maria não estaria no hospital agora. Miguel teria jogado com o time, teriam vencido e depois teria ido até a casa de Maria e resolvido as coisas. Mas Rachel e todo seu egoísmo e maldade estragaram tudo. Miguel sentia raiva dela, muita raiva. E Brooke conseguiu ler isso claramente em seu olhar.
– Miguel ela está arrependida... Bem, eu não sei direito o que é aquilo. Ela só se sentou lá e ficou olhando pro nada, acho que está assim até agora. Não disse uma única palavra desde que entramos no hospital e ela finalmente acreditou que era sério.
– Ela chegou a desconfiar?
Brooke somente fez que sim.
– Não sei porque ainda me surpreendo. - Miguel balançou a cabeça, e se encostou na parede novamente. Fechou os olhos e tentou deixar a mente vazia.
Mas não conseguia. Só conseguia pensar em todas as pessoas que fizeram mal a ela, e se incluiu nessa lista porque não deveria ter sido tão duro e ter terminado com ela naquela tarde. Queria brigar, bater, gritar com todas as pessoas que fizeram mal a sua Flor. Mas na verdade, só queria voltar no tempo e ter a oportunidade de cuidar dela antes de toda essa confusão.
Primeiro ele ouviu passos, pensou que era mais um médico passando por ali. Mas depois ouviu uma voz masculina e abriu os olhos procurando pela imagem.
– Maria Flor? Onde está minha filha? - Jack vinha falando alto pelo corredor, andava apressado olhando para todos os lados, desorientado sendo seguido por Berta.
De repente Miguel foi tomado por uma raiva, um descontrole sem tamanho. O nome de Miguel estava na lista de pessoas que fizeram mal a ela. Levantou-se rapidamente e antes que pudesse retomar o controle novamente sentiu o rosto de Jack contra seu punho.
O pai de Maria foi ao chão com o soco de Miguel. Manteve a mão no rosto, não olhou para ele, não olhou para ninguém.
Brooke logo alcançou Miguel e plantou suas mãos no peito do rapaz o afastando do homem caído ao chão, Berta ajoelhou-se ao lado de Jack procurando saber se ele estava bem.
– Miguel você tá maluco? Ele é o pai da Maria! - Brooke falava alarmada enquanto tentava mante-lo afastado.
– Eu sei, mas ele nunca foi pai de verdade. Ele tem culpa. Você tem culpa! - ele gritava com o dedo apontado para o homem ao chão na sua frente.
– Miguel para! - Brooke gritava numa tentativa de calá-lo.
– Eu sei. - Jack falou.
Todos ficaram em silêncio. Só se ouvia a respiração ofegante de Miguel, todos olhavam para Jack. Até que o homem tirou as mãos do rosto, e se pôs de pé. Só ai Miguel percebeu que o homem chorava. Jack chorando?
– Ela é minha filha, minha pequena Maria. Mas a muito tempo eu não venho sendo o pai dela. E agora olha só o que aconteceu? Minha menina está nesse hospital, tentou se suicidar e eu não estava por perto! - ele falava com tanto desespero, quase convenceu Miguel.
– Você não está por perto a muito tempo Jack.
– Eu sei! Eu sei! Isso me mata, está me matando nesse momento. Depois que nossa família se destruiu e só restamos eu e ela, não soube como agir. Como iria cuidar dela sozinho? Como fazer com que ela me perdoasse? Eu preciso da minha filha, preciso que ela fique bem e volte pra casa, para eu poder consertar tudo. Eu preciso ser pai novamente. Preciso da minha Flor porque ela é a única coisa que me restou! - e caiu em lágrimas novamente.
Oque dizer depois disso? Como julgar um homem que só sabia chorar agora? Miguel não tinha esse direito, e pra falar a verdade até acreditava nele. Nunca iria conseguir nem ao menos imaginar toda a dor pela qual aquele homem passou. Não tinha o direito de julgar ou ficar bravo. Sentia compaixão por ele e imediatamente se arrependeu de ter batido nele.
Os quatro no corredor se viraram quando ouviram passos firmes no corredor. Quem mais resolver aparecer agora?!
Era Robert Collins. Vestido em seu jaleco branco, vinha com um sorriso no rosto que imediatamente sumiu ao sentir o clima tenso no lugar. Parou ao lado do filho e olhou o rosto de todos presentes, reconheceu Jack, mas não se dirigiu a ele. Enquanto chorava em seu colo, Miguel ficou repetindo o nome de todas as pessoas que poderiam ter evitado aquilo. Inclusive o próprio nome.
Por isso se dirigiu somente ao filho.
– Miguel, a Maria já pode receber visitas. Mas somente uma pessoa por vez.
– Ela já está acordada? - Miguel perguntou esperançoso.
– Não, ainda não. Mas o efeito dos remédios está passando e logo ela vai acordar. É bom que alguém esteja lá quando acontecer. Você quer ir?
Claro que queria. Mas não podia, ainda não. Olhou para o rosto de Jack Santino, um homem tão poderoso que estava sendo destruido pela culpa. Ele merecia perdão, merecia uma chance, e Miguel a daria.
– Vai.
– Oque? - Jack perguntou surpreso.
– Você é o pai dela. Tem que consertar as coisas e fazer com que ela se sinta segura quando acordar. Consegue fazer isso?
Jack não tinha certeza se conseguiria, mas confirmou mesmo assim. Secou as lágrimas do rosto, passou a mão nos cabelos e endireitou a postura. Respirou fundo e lançou um olhar grato a Miguel, para só depois seguir Robert até o quarto de Maria.
Sua filha.



Notas finais do capítulo

ELA NÃO MORREU O/
KKKKKKKKKKKKK, gente, novamente um muito obrigada pelo apoio, recomendações e comentários. Vocês me incentivam! Muito obrigada mesmo!
Que Deus abençoe, muitos beijos e até o próximo!