Stay With Me escrita por Alex Bee, Bella Guerriero


Capítulo 19
Procurando uma luz no fim do túnel


Notas iniciais do capítulo

Antes dos xingamentos, queria pedir desculpas pela demora, mas eu e a Isa estavamos focadas nos estudos para a Etec - sou mais velha que ela, mas ano passado vagabundeei e não entrei ai esse ano eu ralei - enfim, esse capítulo é meio curto perto dos outros e traz muitas lembranças do Sthefan em relação a como conheceu cada um, revela um pouco do passado desconhecido de Ashely e um pouco do Christopher em Malditas Mudanças, vai ajuda-los a matar a saudade e dar uma atualizada no desespero de cada um.



PDV – Sthefan

Não sei como ou porque tudo saiu dos eixos. Não compreendia porque tudo o que era bom havia se tornado nosso maior pesadelo. Nossa amizade não prevalecia mais, pelo contrario, nossas brigas falavam mais alto, nossos gênios explosivos dominaram nossos corpos e era impossível ter uma convivência sadia.

Lembro-me da ultima vez que vivemos juntos por um tempo, foi quando a mãe de Alice teve seu ultimo filho e passou um ano inteiro afastada de seu trabalho então nos convidou para passar alguns meses em seu sitio para brincarmos com sua filha e vivermos nossas aventuras.

Isabella e Alice eram muito apegadas, pareciam Felipe, Christopher e eu. Ambas não conseguiam viver separadas e quando Felipe e eu íamos falar com uma delas a outra sempre estava junto apressando a conversa. Ciúmes de criança, mas sempre tivemos uma boa convivência e nos divertíamos até nos cansarmos.

Entretanto, não ficamos muitos meses com elas, afinal passamos um bom tempo com Christopher aproveitando o mês de férias que ele passou na Itália antes de voltar para os Estados Unidos devido ao trabalho árduo de seu pai o qual não obtinha folgas ou férias prolongadas, mas quando a tinha, utilizava-a ao máximo.

Um bom tempo depois, durante uma curta viagem para Londres, aos 16 anos junto de Felipe, encontramos Ashley isolada em um pub se divertindo sozinha até encontrar um grupo da escola com o qual começou a brigar e ser expulsa do local

– Cara, aquela garota é foda demais – Felipe disse quicando na cadeira assistindo de camarote a morena jogando um copo na direção de uma loira.

– Ela é maluquinha – Ri me divertindo com a briga, aquilo estava ficando intenso.

A morena rodopiou para trás, desviando das unhas da loira molhada de whisky e virou rapidamente de costas, pegando uma cadeira com suas mãos, dando um giro em 180º atingindo o objeto nas costas da outra.

– Você viu isso? – Felipe estava boquiaberto com aquele golpe. Ele levantou a cadeira de madeira maciça ao seu lado com um pouco de dificuldades para tentar ver com quanta intensidade ela foi atingida – Cara, é pesado, como ela virou isso como se fosse uma folha de papel?!

– Sei lá, agora cale a boca que está ficando interessante – Apoiei meus cotovelos em cima dos joelhos e fiz um apoio para o meu queixo assistindo atentamente aos outros golpes.

Uma ruiva entrou na briga, trazendo consigo uma garrafa de vidro e partindo para cima da morena enlouquecidamente que se defendeu colocando um de seus braços na frente. A garrafa se estilhaçou no meio deixando alguns pedaços de vidro entrarem na pele da garota arrancando-lhe um gemido alto e imobilizando-a por alguns segundos pressionando a região com força na tentativa de fazer a dor parar.

Alguns segundos depois, parecia ter se recuperado de tudo e ter recebido o dobro de força e agilidade, pois desviou das duas inimigas rapidamente deslizando para trás delas e batendo a cabeça de uma contra a outra deixando-as zonzas.

Um dos garotos que entraram com elas decidiu protegê-las e atacar a morena. Em um rápido impulso, me dei conta de não estar mais sentado em meu lugar e estar no meio dos dois, salvando-a de um soco em seu rosto levando o mesmo em meu peito jogando-me para trás. Fui impedido de me mover mais devido ao balcão em minhas costas.

Fui para cima do loiro dando um soco de direita em seu rosto tirando seu senso de direção. Aproveitei para dar-lhe um chute quando senti meus braços sendo presos por alguém mais forte do que eu. Olhei para trás e me deparei com um cara quatro por quatro, prestes a espremer meus braços em suas mãos enquanto o loiro batia em mim.

A morena foi na direção dele, deixando de lado as duas garotas bem machucadas, o acertando com uma joelhada na boca do estomago, seguido de um chute com o peito do pé em suas costelas e finalizando com um soco de esquerda passando os braços ao redor de seu pescoço o esganando. Foi um golpe de muay thai perfeitamente executado, mas agora ela se encontrava agarrada nas costas dele esmagando seu pescoço em seus braços.

Felipe pulou atrás do homem que me prendia derrubando-o de lado, nossa deixa para escaparmos dali, esperava que ela fizesse o mesmo para não se machucar mais...

Decidi reunir todos no sitio que ganhei de presente de 18 anos do meu pai, queria reaproximar todos os meus amigos e reviver todas aquelas aventuras, mas parece que a idade e o amor tornaram a inocência pura e sadia em uma guerra cheia de feridos e mortos...

Regressei dos meus mais profundos pensamentos e notei estar parado na entrada da porta observando Alice pálida e sem vida naquela cama de hospital sendo alimentada por uma sonda e tendo seu coração batendo com a ajuda de uma maquina. Jamais a vi tão ferida daquela maneira e quando ela soubesse do filho... Me recuso a pensar na maneira que ela ficará quando descobrir.

Sentei-me na poltrona branca ao lado de sua cama de ferro branca e prata, assim como todo o resto do quarto que não possuía nada mais além de duas poltronas de couro branco, sua cama e os equipamentos que a monitoravam segundo após segundo.

Coloquei minha mão sobre a dela sentindo-a terrivelmente gélida como um cadáver e imóvel, meus olhos marejaram imediatamente e não demorou para eu me afogar em lagrimas sobre sua barriga molhando sua pele abaixo do meu rosto.

– Não sei se você me ouve, ou me sente, mas, por favor, volta para mim... – Disse em meio lágrimas. – Me perdoe por ter sido um idiota e ter aparecido na sua vida, por não ter sido rápido o suficiente para te salvar, por não ter arrebentado a porta do carro e ter te tirado de lá – Disse às apressadamente em um desabafo profundo. Meu coração palpitava dentro de mim como se levasse uma facada a cada pulsar, queria apenas voltar no tempo e revê-la cheia de vida, queria ter impedido que aquilo acontecesse. – Se eupudesse trocar de lugar com você e estar em coma eu o faria... – Apertei sua mão contra a minha com todas as minhas forças

– Sthefan, nada que você fizesse iria mudar o destino dela... O que aconteceu era para ter acontecido... – Ashley surgiu na porta do quarto de braços cruzados e com os olhos vermelhos e secos de ter chorado tanto.

– Claro que sim, ela poderia estar bem! – Estava indignado com seu comentário.

– Não... Tudo tem seu motivo para acontecer... – Manteve o mesmo tom calmo em sua voz. Ela dizia aquilo como se precisasse acreditar em suas próprias palavras para não chorar ainda mais.

– Como você pode ter certeza disso...? – Perguntei mantendo minha cabeça deitada sobre o corpo de Alice.

– Se eu nunca tivesse brigado naquele bar, aquele dia, você acha que eu estaria aqui? – Perguntou caminhando lentamente até o meu lado. Por um momento, diria que ela cairia de joelhos e desmaiaria, mas ela se manteve firme e forte até se sentar na beirada da cama da amiga.

– Não...

– Então... Para tudo tem seu motivo e ele é desconhecido até chegarmos em seu ponto final e recomeçarmos mais uma vez, pois a vida é feita disso: Recomeços. – Ela colocou a mão na perna de Alice e disse: - Sim, eu briguei em um pub de Londres e sai com um olho roxo de lá, pode rir da minha cara – Ela abriu um leve sorriso distante e não evitei fazer o mesmo em seguida.

– Eu me lembro... – Voltei para aquele dia me divertindo um pouco com a memoria, mas ela não conseguia me fazer esquecer da situação atual. – Você estava de boa lá quando entrou um grupo que puxou briga com você e enquanto você descia o pau em uma garota à amiga dela chegou para protegê-la e você a acertou – Aquela cena foi uma das mais divertidas de todas e muito memorável em relação a como conheci cada um deles, sem contar que era a lembrança mais forte de todas por ter sido recente.

– Pois é, mas nisso a outra virou e me deu um soco no olho e logo depois me jogaram para fora como se eu fosse um saco de lixo – Revirou os olhos se divertindo um pouco também. Não tinha visto como ela machucou o olho, apenas o roxo profundo em seu contorno – E também tenho isso aqui! – Levantou a manga de sua camiseta délavé exibindo algumas cicatrizes profundas em formatos simétricos seguindo as pontas da garrafa. Ainda era um corte feio. - Logo depois o Feli... – Ela cortou o nome do garoto evitando me deixar irritado, ou talvez não quisesse cita-lo mesmo em atual situação, afinal, tudo o que aconteceu ali tinha muita culpa sobre ele e prosseguiu: - Arranhava seu péssimo inglês enquanto você só observava e logo depois ficaram algumas semanas no meu quarto minúsculo e frio em Londres antes de voltar para cá. – Imitou um calafrio ao se lembrar daquele quarto. Mas era digno de tal reação, uma vez que nele só existia um pequeno sofá cama, uma televisão, balcão e geladeira junto de um guarda roupas no lado oposto.

– Você nunca nos contou o motivo daquilo... Nem nada sobre sua família... – Fiz essa observação agora relembrando-me dessa curiosidade deixada de lado há muito tempo atrás quando ela me ligou querendo saber se o ensino na Itália era bom e se ela poderia morar comigo quando viesse para cá.

– Nunca contei porque sempre foi desnecessário e minha família não vem ao caso agora... – Murmurou meio incomodada. Suas respostas me deixavam sempre ainda mais curioso.

– Enfim, depois desse rolo ai ela ligou para mim e veio para a Itália para entrar oficialmente no nosso grupo. – Nessa altura da conversa, minhas lagrimas haviam cessado e eu encarava o rosto adormecido de Alice enquanto contava as historias.

– E como você os conheceu?- Ashley perguntou. Ela estava conseguindo me distrair e tentando me divertindo um pouco apesar de tanta dor e sofrimento.

– Felipe é filho do melhor amigo do meu pai então passamos toda a infância juntos sendo tratados como irmãos, uma vez que nem eu nem ele possuíamos um irmão... – Suspirei profundamente com milhares de lembranças de Felipe e eu brigando por culpa de jogos de vídeo game, ou rindo enquanto descíamos a colina de nossa casa em um skate. Machucava saber que agora não passávamos de conhecidos.

– Prossiga... – Ash pediu ao notar minha reação distante e inquietação.

– Christopher conheci em um parque de diversões. Ele estava nervoso porque não conseguia acertar as latinhas e ganhar o premio Ele e seus pais estavam em Nova Iorque naquela semana e eu e o Felipe estavamos lá também, comemorando meu aniversário de 13 anos,quando cruzamos nossos caminhos e viramos melhores amigos logo de cara. Isabella estudou comigo no colégio e por alguns anos seguidos caímos na mesma sala, admito tê-la amado por um bom tempo e até mesmo quando ela chegou no sitio... – Novamente me perdi nas lembranças me perguntando como poderia ter gostado de Isabella sendo tão diferente dela, mas antes que Ashley chamasse minha atenção prossegui: - E, consequentemente conheci Alice, uma vez que ela sempre foi melhor amiga de Isabella... Éramos muito apegados, mas então cada um teve que ir para o seu canto e quando completei 18 anos e ganhei o sitio decidi reuni-los, mas parece que os romances do passado dominaram o presente de tal maneira que nos destruiu...

– Shiu... Sthefan, apenas pense nas coisas boas...

– Como você quer isso? – Indaguei novamente.

– Pelo menos na frente de Alice, tente ser alegre para ela não acordar de mau humor – Deu uma pequena risada e um leve tapa na perna da garota. – Você vai se divertir e se preocupar menos garota. Temos que irritar Christopher! –Riu. Abri um sorriso logo em seguida e puxei assuntos variados sobre nosso passado rendendo muito tempo de distração e sorrisos perdidos.

PDV – Christopher

Eu não me divertia há muito tempo como hoje. Era perfeito estar no sitio com os meus amigos de infância e também os novos, mas o clima havia ficado muito pesado e estranho devido aos novos relacionamentos e problemas de estarmos nos tornando adultos independentes. Entretanto, ter reencontrado minhas melhores amigas aqui nos Estados Unidos e ter passado essa tarde maravilhosa me lembrou da época de criança como jamais antes. Claro que, jamais seria a mesma sem John, mas foi especial desse jeito...

Ruby sempre dando em cima de mim, ela parecia um pouco com Isabella, além do físico e dos traços finos de seu rosto e também do jeito atirado, mas ela parecia ser uma boa pessoa. Alex estava apaixonado por ela, era possível ver em seus olhos e a maneira com a qual ele age ao seu lado. Andrew, ex namorado de Taylor, um completo idiota sem os menores escrúpulos e moral. E, por fim, Taylor, a atual namorada da minha amiga Kristen – se é que elas estão mesmo tendo algo sério assumido – apesar de estar completamente em evidencia o que sentiam uma pela outra, pois pareciam estar ligadas por um imã.

Allyson criou uma guerra contra Taylor, afinal, elas eram rivais quase mortais por gostarem de Kristen e a desejarem para si, entretanto, apesar de amar minha amiga, não acho que ela seria mais o certo para Kris... Tudo mudou tanto e ela sofreu muito com a perda da garota há algum tempo atrás, não acho que conseguiriam apagar isso e viver como se nada houvesse acontecido e Taylor parecia completá-la de uma maneira que jamais vi antes.

Depois de passarmos bom tempo jogando vídeo game – um ritual particular nossa toda véspera de natal – saímos para brincar na neve nos separando em dois times. Nós vencemos, no final das contas, depois de muita batalha e tombos – afinal, cai da arvore após ser acertado por uma bola de neve – dando um gosto ainda maior de vitória para nós.

Voltamos para o estacionamento com alguns galhos secos na mão e criamos uma fogueira debaixo de um telhadinho que nos protegia da fina garoa de inverno. Nos sentamos em uma roda e assamos marshmallows e bebíamos enquanto eu tocava algumas musicas no violão customizado de Kristen – por sinal muito lindo com seu dragão oriental no braço e cartas de um baralho envolto por uma chama branca -.

Estávamos imerso no nosso mundo particular onde parecia não existir mais desavenças, onde Taylor e Allyson, Andrew e Alex interagiam entre si com a maior naturalidade o possível dando-nos a impressão de serem amigos há muito tempo. Seria uma pena acordar amanha e vê-los brigando como cães e gatos.

– Chris... – Kristen me chamou em um canto afastado da fogueira.

Deixei o violão sob os cuidados de Allyson e segui até ela em passos largos ostentando um sorriso largo de tanta animação por estar ali com eles compartilhando aquilo.

– É tão bom ter você aqui! – Ela me deu um longo abraço apertado. Retribui-a na mesma intensidade matando a saudades dela.

– Me desculpe por ter ido embora sem falar nada... – Disse em seu ombro sem solta-la de mim. – Mas tive alguns problemas tensos também em Nova Jérsei e incêndios envolvidos... – Lembrei nitidamente daquela noite como se fosse ontem e desfiz imediatamente o sorriso de meu rosto. As pessoas ali perto corriam de um lado para o outro aos berros. Foi um caos enlouquecedor.

– Esqueça isso... – Ela se afastou de mim e fitou meus olhos de maneira compreensiva e acolhedora como só ela conseguia – Lembra-se disso? – Ela estendeu sua mão na frente de meus olhos exibindo uma asa entalhada de prata com miolo, em forma de escudo, feito de ouro com um “C” meio apagado escrito em seu centro. Ela não precisava dizer mais nada, reconheceria aquilo em qualquer lugar que fosse.

– Eu te dei isso quando você voou pela primeira vez... – Murmurei distante voltando para aquele dia.

– Olha só o que eu ganhei John! – Disse quicando na poltrona do avião de tão animado que estava por ter recebido uma asa do capitão logo ao embarcar.

– Que maneiro! – Ele puxou de mim o broche olhando com desdém o pequeno objeto a sua frente.

– Da para você parar de se mexer? – Kristen gritou do meu lado direito encostada na janela do avião – Ele pode ficar instável e cair! – Ela estava pálida e suando frio, parecia que iria arrancar os braços da poltrona de tão forte que a apertava sob seus dedos.

– É verdade e ai iremos cair no meio do nada e explodir! – John piorou a situação arrancando mais choro de sua irmã.

– Pare de ser tão mau! – Dei uma cotovelada nele. – Tome, se você cair, as asas irão te proteger e te reerguer quando você cair – Entreguei para ela o objeto que ganhei interrompendo instantaneamente seu choro, substituindo-o por um olhar curioso.

– As asas irão te proteger e te reerguer quando você cair... – Ela sussurrou perfeitamente o que lhe disse há doze anos atrás durante uma viagem de férias de nossos pais para Nova Jérsei.

– Não posso aceitar, você precisa disso... – Empurrei sua mão de volta contra o seu corpo.

– Ela já fez o que devia e eu já tenho tudo o que preciso... – Ela lançou um olhar perdido para Taylor que empurrava Alex para trás para conseguir pegar um marshmallow no saquinho e assá-lo.

– Você teve sorte em conhecê-la... – Ela me contou como ambas brigavam logo no começo, mas como tudo foi se tornando diferente com o passar do tempo e elas começaram a se entender de uma maneira surpreendente. Isso me lembrava de meu relacionamento com Ashley.

– Eu não acho merecê-la... – Murmurou desapontada consigo mesma.

– Se fosse assim ela não estaria ali te esperando.

– Mas eu sou como um soldado. Fui para uma guerra, me machuquei muito e passei por coisas inimagináveis. Tive o direito de voltar para casa aos pedaços, cheia de traumas e lembranças, da quais gostaria de esquecer, e tento ter alguém digna de algo melhor... – Seus olhos estavam marejados. Ela sempre ficava emotiva ao se lembrar de como foi perder sua mãe, mesmo muito nova ela possuía uma ótima memória, e quando tudo parecia se encaixar perdeu o irmão diante de seus olhos e desde então ela jamais se considerou digna de amar alguém, pois, hora ou outra, ela se pegava sozinha chorando pela perda deles e não queria ninguém por perto vendo aquilo. – Como ela pode amar os cacos de uma pessoa? – Indagou.

– Ela te ama pelo o que você é... E se ela não desistiu de você é porque acredita que pode juntar seus pedaços e te reerguer... – Soava irônico e estranho, ao mesmo tempo, conversar sobre isso com ela, uma pessoa decidida e forte, mas era só aparência, afinal, ninguém pode ser de aço por toda a eternidade.

Peguei a asa de sua mão e a quebrei, com um pouco de dificuldades, exatamente no meio onde o C se encontrava, junto de uma dobra do próprio broche, segurando uma parte em minha mão esquerda e colocando a outra metade em sua mão aberta.

– Separadas fisicamente sim, mas para sempre unidas na memória. Jamais serão como antigamente, mas servirão para nos mostrar que, mesmo quebradas, são lindas – Queria fazê-la entender que o ouro e a prata jamais deixariam de brilhar mesmo após ter partido algo bonito. Queria mostrar, que mesmo quando não há saída, podemos criar uma e fugir por ali - Sempre sendo um ótimo amigo... – Ela abriu um sorriso torto ao ouvir aquilo e fechou a mão com força.

– Claro, afinal sou Christopher! – Respondi enchendo o meu peito de orgulho e batendo no mesmo com força assim como fazia quando criança arrancando uma risada dela.

O celular no meu bolso começou a vibrar freneticamente. Peguei-o e olhei no visor Ashley me ligando.

– Christopher você precisa voltar logo para a Itália, o quanto antes melhor! – Disse em um tom apreensivo e com a voz rouca. Parecia que ela havia passado horas chorando por alguma coisa.

– O que aconteceu? – Perguntei assustado.

– Quando você chegar eu te conto. - Foi firme em sua resposta. Se bem a conhecia, sabia que ela não iria ceder e me dizer mais nada.

– Tudo bem, irei essa noite.

– Obrigada... E cuidado... – Disse desligando sem nem me dar à oportunidade de respondê-la.

– Preciso voltar... – Guardei o celular no bolso. – Aconteceu algo sério... – Conhecia muito o bem o tom de voz dela e ela só agia daquele jeito quando algo muito de ruim acontecia.

– Vou sentir sua falta... – Sussurrou me abraçando da mesma maneira que há alguns minutos atrás.

– Também vou sentir a sua...

– Não deixe a Ashley escapar – Disse me dando um tapa no ombro. Eu a havia inteirado do assunto há alguns dias atrás em relação ao meu relacionamento com a garota e ela parecia dar total apoio a minha luta por ela.

– Não deixe seu passado te impedir de ser feliz com a Taylor – Respondi fitando-a seriamente no fundo dos olhos.

– Eu não vou... – Assentiu.

Voltamos para a roda onde tive a chance de me despedir de todos carinhosamente e também recebendo milhares de convites para voltar para cá qualquer dia desses e outros auto convites sabendo se poderiam ficar um tempo no sitio quando tivessem a oportunidade. Claro que aceitei a todos, afinal, eles haviam se tornado meus amigos e gostaria de passar mais tempo com eles quando possível.

Allyson se despediu de todos também e me levou de carro até meu apartamento, o qual estava hospedado há alguns dias, para pegar minhas malas e me carregou até o aeroporto onde peguei o primeiro vôo de volta para a Itália enquanto me distraia com o pedaço daquela asa trazendo muitas lembranças de volta a mente.



Notas finais do capítulo

É isso ai, as lembranças foram um pouco divertidas, particularmente a de Ashley e a zoeira deles nos Estados Unidos, para descontrair um pouco esse clima tenso e caótico, mas é isso, espero que tenham adorado e matado a saudades.
Até mais



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