Nemela escrita por Metan


Capítulo 2
A Fuga


Notas iniciais do capítulo

Peço desculpas pela demora no capítulo. Era para ter sido entregue ontem, mas por alguns imprevistos relacionados ao meu tempo, tive que atrasar um dia.

Quanto aos erros apontados nos comentários, procurei corrigí-los neste capítulo. Isso não quer dizer que ele está impecável; continuem comentando e apontando falhas construtivas, sejam elas gramaticais, sejam elas na história! :)

Aproveitem o capítulo.



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– Arqueiros, atirem! Precisamos matar aquele dragão, se qui…




Yol… Toor Shul! – interrompeu o dragão. Uma rajada de fogo atingiu uma dúzia de arqueiros que carbonizaram na hora. Um outro arqueiro soltou uma flecha em sua direção, mas a criatura levantou vôo. O bater de suas asas criou um poderoso vento que derrubou quem estava perto da base da torre, inclusive o executor, que perdera o machado de suas mãos.




É a minha chance, pensou Nemela. Com bastante esforço e os braços amarrados, se levantou de joelhos e conseguiu se manter em pé. Quando a mão do homem tentou chegar ao seu machado, Nemela pisou com força em suas mãos. Um chute atingiu a sua boca enquanto ele urrava, e alguns dentes saíram junto com o pé. O executor caiu desacordado.


Pôs-se a correr, quando sentiu uma mão nas suas costas, e pensou no pior. Porém, essa mesma mão não tentou lhe estrangular nem mostrou ameaças. Virou-lhe para a frente de quem a puxou.

– Não se preocupe, já sei como retirar esse amordaço – disse Ralof. Mesmo com as mãos amarradas, conseguiu segurar o machado orc com as mãos perto da lâmina. – Primeiro, vamos sair daqui, antes que alguém nos perceba.

– E quem vai nos perceber? Tem um dragão queimando a todos pelos céus.

– Esse é o meu medo. – Desatou a correr na direção de uma torre cuja porta estava aberta, provavelmente por sentinelas procurando por um lugar melhor para atacar. Nemela o seguiu até a porta e, então, a fecharam em conjunto.

– Ótimo. Agora, estique os braços – e Nemela o fez. Ralof manuseou o machado como uma faca, e cortou os panos como se fosse um pedaço de pão. Assim que os panos se separaram, deu o machado para Nemela. – Faça o mesmo comigo – e esticou os braços, enquanto Nemela fez o resto do trabalho. – Pode ficar com ele, se quiser.

– Não faço questão. Não sou boa com armas de duas mãos.

– Prefere o velho escudo e espada, hã? Não sou desses. Não há nada melhor do que cortar alguém com um grande machado ou espada – deu um sorriso. Subitamente, sua expressão mudou para uma séria. – Ulfric sumiu, e eu temo que o pior possa ter acontecido a ele, no meio deste caos. Preciso de sua ajuda – sua voz agora denunciava medo.

– Vamos subir ao alto desta torre. Assim, teremos visão privilegiada – sugeriu Nemela.

– E se os arqueiros estiverem por lá? Só eu estou armado.

– Um soco e um empurrão daquela altura também mata. – Abrindo e fechando as mãos, começou a subir os degraus espiralados da torre. Ralof a seguiu até o topo.

Quando chegaram, dois arqueiros estavam ocupados demais mirando no dragão para perceberem o que estava acontecendo. Vestiam a armadura leve tradicional dos Imperials. Apesar do vestuário ser vermelho aonde é azul no uniforme dos Stormcloaks, ambos são parecidos.

– Um pra cada um. Achei que teríamos que lidar com mais do que isso – sussurrou Ralof.

– Deixe-os ocupados. Foque no Ulfric – respondeu no mesmo tom de voz e começou a procurar pelas bordas.

Além de todo o caos e correria pelo vilarejo, avistou um homem de mesmo rosto e trajes atrás da torre, porém, sem algo que lhe tampasse a boca ou prendesse as mãos. Parecia ofegante e estava sentado, recostado na torre.

– Eu o achei! – avisou, um pouco alto demais. O grito chamou a atenção dos arqueiros.

– Aí estão os sentenciados à morte! - reconheceu um deles, com a mão pousada no aljave em sua cintura. - Vamos matá-los nós mes…

Um rasante cortou a fala do arqueiro. O dragão prendeu os dois sentinelas pelas patas que quase colidiram com Ralof e Nemela no processo. Como se não fosse por isso, o vento criado foi tão forte que fizeram ambos rolarem. Nemela conseguiu rolar até uma das extremidades da torre com uma pequena parede, mas Ralof não teve a mesma sorte. Rolou até cair, mas não sem segurar o pé de Nemela, em busca de salvação. Foi puxada de surpresa, porém, e não conseguiu ter reação para se segurar.

Não vou morrer na queda, pensou, mas no mínimo não poderei mais andar. Tentou se agarrar a alguma pedra enquanto se segurava, mas só fez quase quebrar os dedos com o impacto. Não era assim que ela queria terminar: aleijada, desmaiada e com um dragão cuspindo fogo em seu rosto.

Wuld… Nah Kest, ouviu. Virou-se, e viu uma silhueta correndo em sua direção. Essa mesma silhueta pulou, a segurou por um braço, e Ralof por outro. Quando foram postos no chão, viram ninguém menos do que Ulfric.

– Pelos Nove – Ralof mal estava acreditando. A um passo para a morte, o homem por quem procuravam os salvou. – Ulfric, você…

– Sim, sou eu – cortou Ulfric. Olhou para Nemela. – Entende agora por que estava amordaçado?

– E como conseguiu se soltar? – perguntou.

– Aproveitei o fogo e o caos para fugir e queimar os panos que prendiam minhas mãos. Depois, foi fácil voltar a falar – mudou o seu olhar para o vilarejo. – Olhem o desastre que virou Helgen.

O que mais tinha, além do fogo, eram corpos carbonizados. Os dois soldados que o dragão capturou foram arremessados na direção da muralha, que estava repleta de arqueiros, mas, por um erro de cálculo, suas cabeças encontraram a própria muralha, e uma explosão de sangue tomou conta do local. Outros desafortunados que tiveram a experiência de voar estavam com as peles rasgados e ensanguentadas, alguns não exatamente inteiros. Casas inteiras foram destruídas, ao passo que outras estavam no processo. Choros e gritos de crianças e adultos cujas vozes foram destroçadas pelo fogo eram ouvidos ainda dentro das casas que remanesciam, clamando por socorro. A mulher Legates ainda comandava os soldados, enquanto o dragão rasgava os céus com os seus rasantes. O outro embaixador estava sumido.

– O que são aqueles dois corpos congelados ali? – notou Nemela. No meio do pátio, dois retângulos de gelo jaziam no chão, junto com restos do que eram corpos humanos.

– Eles tentaram me parar – e deu um sorriso. Lembrou-se de como tentou correr, do momento em que fora parado pelos dois soldados e de como se livrou deles. Iiz… Slen Nus, foi o grito que saiu, e os dois soldados congelaram instantaneamente. – Este tipo de gelo, porém, não os matarão. Não realmente congela os corpos, é apenas uma espécie de selo. O fogo não pode derreter o selo daqueles dois, por exemplo - explicou. - É claro que a execução torna-se mais fácil quando o seu adversário chega a tal ponto de vulnerabilidade, mas eu achei mais justo deixá-los para o dragão. Aliás, aquele selo vai terminar logo. Será melhor se formos embora o quanto antes.

– E por onde iremos? Por onde entramos ainda tem guardas.

– E ainda há mais uma saída a sudoeste desta que deve estar mais vulnerável. Só precisamos esperar por uma chance. Fica ao sul daqui, mas fiquem atentos aos guardas nas muralhas. Venham – e mostrou o caminho.

Foram colados às muralhas que ficavam logo à frente da torre aonde estavam. Um dos arqueiros tentou olhar para baixo, mas o rugido do dragão mudou a sua atenção. Ocasionalmente uma flecha caía dos céus nas proximidades, mas não pareciam intencionadas a alvejá-los. Por onde andavam, só viam restos de corpos carbonizados e destroços. Não foi preciso muito até avistarem o local: uma construção feita de pedra com o teto de madeira em chamas, assim como o portão. Uma dúzia de soldados guardava aquela parte. Se esconderam por trás de um monte de pedras acompanhadas com o que fora antes uma casa de madeira.

– Vamos ter que esperar o dragão matar a todos – imaginou Ralof.

– Isso se não formos vistos primeiro, mas não temos muita opção. Vamos ter que ficar atentos.

Enquanto isso, o dragão dominava os céus e também os homens no chão, com rajadas de fogo, rasantes e, ocasionalmente, escolhia alguns para ter uma nova perspectiva do mundo, por um breve momento. A partir dali, os soldados geralmente tinham ataques cardíacos no meio do trajeto, enquanto outros, mais desafortunados ainda, descobriam a morte ao beijar a primeira coisa sólida que aparecesse na sua frente. O dragão negro, aparentemente, estava apenas brincando com os soldados, enquanto avisava a todos o que estava por vir.

Um chamado do Ulfric chamou a atenção de todos.

– Olhem pro portão - sussurrou, e assim o fizeram.

Um dos embaixadores corria até o grupo de soldados. O homem segurava dois pedaços de papéis, um em cada mão, ambos enrolados e selados por cera com uma espécie de assinatura que cada embaixador tinha que adicionar ao selo para informar e confirmar o remetente. Uma das mãos também acompanhava um saco de moedas.

– Entreguem esta carta ao General Tullius, em Solitude - entregou a carta em sua mão direita para um dos soldados -, e esta, ao Jarl Balgruuf, em Whiterun. Dividam-se em um grupo de seis. Quando ao grupo de Solitude, acompanhem o grupo de Whiterun e usem este dinheiro para contratar algum ambulante nos arredores para que sejam transportados com segurança - entregou as moedas ao receptor da carta. - Não falhem nesta missão. Não permitam que desacreditem nas palavras destas cartas. Isso pode significar as nossas vidas - preveniu. - Agora vão. Que os Oito guiem os seus caminhos.

Os soldados fizeram reverências e partiram. O Legate olhou para trás, sem razão, e viu três cabeças se abaixando.

– Quem estão aí? Soldados com medo, hã? Saiam daí - ordenou. Não houve resposta. - Nada? Eu mesmo vou aí - e sacou a sua espada.

– O que faremos? - perguntou Ralof.

– Me dê este machado, e lhe mostrarei o que fazer - pediu Ulfric. Ralof ergueu as suas mãos para lhe entregar o machado, e Ulfric o segurou.

Quando o Legate se aproximou e tentou segurar uma das cabeças, uma machadada mutilou a sua mão. Urrou de dor e recebeu mais uma, desta vez no crânio. A cabeça se partiu em duas até o pescoço, e o homem caiu no chão inerte. Sangue jorrava pelas aberturas e rapidamente infestara o chão.

– Vamos - ordenou Ulfric, com pressa -, com certeza os arqueiros devem ter ouvido. Já devem estar mirando em nossas cabeças.

O grupo saiu com pressa pelos portões. Como Ulfric previu, alguns arqueiros começaram a tentar alvejá-los. Algumas flechas passaram zunindo pelas suas orelhas enquanto corriam pra fora do vilarejo.

– O que faremos? Se formos pela estrada, daremos de cara com os soldados - Nemela se adiantou.

– Eu conheço uma parte deste local. Se cortarmos caminho pela floresta, chegaremos mais rápido à estrada do que eles. Sigam-me - e adentrou a mata.

Ao invés de seguirem o caminho pela estrada a noroeste, subiram pela densa floresta. Seus temores eram encontrar alguma criatura perdida, como um dente de sabre ou quem sabe uma vila de gigantes. Felizmente, o maior problema que enfrentaram foram dois lobos. Ralof cravou o seu machado em um, enquanto Ulfric fez o outro arder em chamas. Yol... Toor Shul, gritou.

– Vamos aproveitar para descansar um pouco e comer de suas carnes - sugeriu Nemela. - Me emprestem o machado que eu posso esfolá-lo. Tive que passar por situações parecidas, quando morava na fazenda. Se possível, façam fogo, acho que isso não será uma dificuldade - olhou para Ulfric e sorriu. Este, por sua vez, riu.

– Aprecio a ideia, mas não a acha arriscada? Fogo chama a atenção; carne assada, ainda mais - observou Ralof.

– Podemos morrer de fome ou podemos ser mortos por outros. Eu prefiro morrer de barriga cheia - e riu. Ralof a acompanhou na risada e, decidido, foi buscar galhos na floresta.

Enquanto Nemela esfolava o animal, Ralof voltou com alguns galhos secos. Amontoou-os, e Ulfric preparou a fogueira. Yol, gritou, apenas, para não causar um incêndio. Com mais um galho grosso, espetaram a carne de um dos lobos e o mantiveram pendurado por outros dois. Passado algum tempo, o cheiro agradável os convidaram à ceia. Enquanto Ralof e Ulfric dividiram o corpo entre eles, Nemela pegou as quatro patas. Não satisfeita, porém, petiscou mais alguns pedaços.

– E quanto às pelagens? - perguntou Ulfric.

– Podemos vender em algum vilarejo que encontrarmos pelo caminho. Conhecem algum pelas proximidades? - desta vez, foi Nemela quem perguntou.

– Minha família mora em Riverwood. Podemos dar uma parada por lá, antes de voltarmos à Windhelm. Tenho certeza de que oferecerão a nós alguns dias de descanso - apontou Ralof.

– É verdade - lembrou-se Ulfric da irmã de Ralof e de seu marido. - Como eles estão?

– Estão vivendo da maneira que podem. Acredito que melhor do que antes. Sinto falta de brincar com o meu sobrinho, aquele pirralho com o seu cachorro - desatou a rir com as suas memórias. Ulfric o acompanhou com um sorriso.

– E quanto a você, Nemela? O que fará, daqui em diante? - perguntou Ulfric.

É verdade, pensou. Agora que parei para pensar, eu não tenho para onde ir. Não tenho mais família, nem casa, nem rumo... Aquele pensamento a fez segurar as emoções. Não queria chorar na frente dos dois. Também não pôde responder, porque não sabia o que faria dali em diante.

– Eu sinto muito pela sua mãe - lamentou Ulfric, com pesar em sua voz. - Você viu a verdadeira face dos Imperials. Viu o que fazem com a população que pretendem governar. É para libertar a nossa nação que eu luto. Para que mais pessoas não sofram em suas mãos. Venha conosco, Nemela, e nos ajude a vencê-los.

Irá minha mãe voltar à vida se derrotarmo-nos?, pensou. Mas, acima de tudo, ele tinha razão. Mais famílias sofrerão e mais desastres ocorrerão, se nada for feito.

– Tudo começou quando tentei fugir de Skyrim - começou. - Minha mãe me interveio, e insistiu para que eu ficasse. Para que eu lutasse em minha terra natal como uma verdadeira Nord, ao invés de fugir para alguma outra nação. Eu fui uma covarde - confessou, com os olhos úmidos. - Quis fugir da minha terra natal e deixar que outros sofressem, desde que eu ficasse em segurança em um local remoto.

– Não há vergonha em querer o próprio bem - apontou Ulfric -, a menos que você passe por cima de quem estiver no seu caminho; sejam pessoas, sejam os seus próprios valores. Mas também não há vergonha em assumir os seus erros e procurar consertá-los.

– Você tem razão - afagou os olhos. - Eu vou me juntar aos Stormcloaks, sim. Mas, primeiro, preciso me resolver. Preciso treinar mais para o combate, e arranjar equipamentos melhores.

– Podemos lhe oferecer treinamento e armaduras, se este for o problema.

– Eu mesma quero arranjá-los. Sempre sonhei em ser uma ferreira, sabe? Sempre que passava por Riften para comprar suprimentos para a fazenda, observava o ferreiro da cidade e invejava o seu aço, a sua experiência com os equipamentos... Eu quero me especializar nisso, antes de mais nada. Espero que entenda.

– A liberdade é sua - respondeu Ulfric -, mas não se esqueça dos seus objetivos no meio do caminho. Vamos seguir caminho até Riverwood, e depois nos separamos - olhou para o céu. O sol começava a nascer. - Será melhor se formos agora.

– E quanto ao outro lobo?

– Deixe para algum outro animal como oferenda. Leve apenas as suas pelagens. Até o sol poente, já estaremos em Riverwood - apagou a fogueira com um de seus gritos. Fo... Krah foi o suficiente para o gelo derreter e apagar o fogo.

Enquanto caminhavam, a luz da alvorada começou a invadir alguns espaços que os galhos das árvores deixavam. Ao sairem da floresta, a luz solar tomava conta dos campos. Subiram até o pico da montanha e observaram os arredores. Riverwood podia ser vista de muito, muito longe. O céu estava limpo, sem sinal algum de nuvem, como se não quisesse denunciar o inferno que tomara conta de Helgen há poucas horas. Uma infinidade de flores se espalhava pelos campos abaixo, e o rio que caracterizava o nome do vilarejo também podia ser visto, tão limpo como o céu que é refletido pela água. Não haviam sinais de guardas imperiais nas estradas, e um conjunto de três pedras que formavam um triângulo se estendiam a oes-noroeste daonde estavam.

– Que pedras são aquelas? - apontou Nemela, na direção das esculturas.

– São as Pedras Guardiãs - explicou Ralof -, assim como várias outras pedras espalhadas pela nação de Skyrim e pelo continente de Tamriel. Cada pedra representa uma benção a um astro diferente. Aquelas três ali, por exemplo, caracterizam os astros do Guerreiro, do Mago e do Gatuno. Só se pode pedir benção a um astro por vez e, aqueles, no caso, representam as habilidades de cada um. Suas benções aumentam as suas habilidades como tal, por exemplo.

– Poderíamos passar por lá? Acredito que o Guerreiro possa me ajudar.

– Sem problemas. Há uma estrada que leva para lá, e outra que continua a levar para Riverwood.

Desceram a montanha com cuidado, e seguiram pela estrada até as Pedras Guardiãs. No meio do caminho, uma sombra gigante bloqueou a entrada do sol. Apesar de ter passado rápido, o formato que a sombra formou foi o suficiente para darem conta do que era.

Escondam-se– gritou Ulfric, que se meteu no meio de uma moita de flores da montanha. Ralof e Nemela fizeram o mesmo, com moitas diferentes. O dragão passou pelo local impassível, e o urro que se distanciava cada vez mais revelara o perigo que se foi.

– Essa foi por pouco - suspirou Nemela.

– Ele está indo em direção a Whiterun - apontou Ralof. - Que os Nove os salvem.

– Não há tempo para preces - cortou Ulfric. - Vamos prosseguir.

Coincidentemente, borboletas, alces e raposas começaram a aparecer com mais frequência do que antes da chegada do dragão, enquanto caminhavam pelas estradas. Será que eles sabiam do perigo que estava por vir?, imaginou Nemela. Não demorou até alcançarem as Pedras Guardiãs.

– Aqui estão elas - mostrou Ralof. As Pedras se estendiam até uma altura de três metros e um buraco um pouco abaixo das suas pontas, cada uma com um desenho diferente. Nemela rapidamente notou qual era a do Guerreiro: a da direita, com o desenho de um homem com um machado. - Eu lhe ensinarei as palavras, venha - e a acompanhou.

Parou diante da Pedra, e se ajoelhei. Ralof, então, a guiou com os versos:

– Repita comigo - parou para respirar. - Eu, Nemela, declaro todas as minhas preces...

– Eu, Nemela, declaro todas as minhas preces...

– ... Deste momento em diante, até o distante futuro...

– ... Deste momento em diante, até o distante futuro...

– ... Ao astro do Guerreiro. Que a sua benção me acompanhe até onde as minhas palavras lhe alcançarem.

– ... Ao astro do Guerreiro. Que a sua benção me acompanhe até onde as minhas palavras lhe alcançarem.

A Pedra, então, começou a brilhar na altura do buraco. A luz subiu até os céus, e então caiu sobre Nemela. Porém, não sentiu nenhuma mudança.

– O Guerreiro aumentará as suas habilidades durante a batalha. Isso não significa que de agora em diante será mais forte, mas que, de agora em diante, suas habilidades aumentarão mais rapidamente do que o normal.

– Ao rezar para um astro, o faça de coração - interveio Ulfric. - Você pode mudar as suas preces para outros astros, mas perderá as benções do astro anterior.

– Isso quer dizer que, se eu rezar para outro astro que não o Guerreiro, perderei minhas forças?

– Não. Se não rezar mais para o Guerreiro, suas habilidades continuarão as mesmas, mas suas habilidades não aumentarão da mesma forma.

– Para quais astros vocês rezam?

– Para o Guerreiro, também - respondeu Ralof, de imediato.

– Para o Lorde - Ulfric respondeu, logo depois.

Antes que pudesse perguntar qual astro era, Ralof interveio:

– Melhor se irmos rápido para Riverwood. Fica no caminho de Whiterun, e temo que o dragão possa ter passado por lá também.

Adentraram a estrada na beira do rio e seguiram caminho.


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