Chasisty escrita por piinllify


Capítulo 8
Capítulo Sete - Dia 02


Notas iniciais do capítulo

Esse capítulo tem um formato diferente:
Rosalya's POV - POV é um lado da história visto pela Rosalya, ou seja, POV é ela como narradora =3



Gostaria de acreditar que ele me amava de verdade...

Rosalya's POV– Voltando algumas horas no tempo...

Nós passeamos e rimos ao decorrer do passeio que tivemos naquela tarde, estava ficando frio e comecei a ter a leve impressão de que uma tempestade vinha vindo.

Ele estava tão carinhoso, mas... Eu não posso me entregar, não de novo. Não igual da última vez... Além do mais, esse idiota só está me usando como uma boba para fazer parte da empresa da minha família; como todos os outros. Ha! Mas esse era mais insistente do que o normal, e mais inteligente também (o que me irritava de certa forma) ele conseguia me contradizer sem esforço algum.

Caminhamos um longo período sem dizer nada, mas não era o tipo de silêncio desconfortável... Era como se não houvesse a necessidade de dizer uma só palavra para preencher o vazio do momento. Ele pegou na minha mão, eu hesitei mas desisti (pelo menos um pouquinho) de lutar por hoje.

Ping...

Algo gelado e úmido tocou a branca superfície de minha pele, - branca e sensível pelo fato de quase não sair daquela prisão que chamam de casa - arrepiei um pouco, depois desta milhares caíram sobre nossas cabeças:

– Vamos! - ele pegou meu braço e foi me arrastando.

Já devia ser, no mínimo, quatro da tarde. Fomos para debaixo de um toldo, toldo da sorveteria fechada. Ele tirou seu casaco e colocou em mim, cobrindo meus ombros nus:

– Atchim!

Droga, doente de novo... Minha imunidade já estava baixa por causa da... Esqueça, esqueça, esqueça isso Rosa. Lembra do que você se prometeu? Não gastar seus últimos minutos em coisas desnecessárias:

– Pensando em algo? - ele apertou minhas sobrancelhas rígidas com o indicador.

– Nada de mais...

– Você está tremendo, sabia? Vai pegar uma gripe...

– Eu posso lidar com isto.

Ele suspirou, antes mesmo de que eu conseguisse fazer algo ele envolveu seu enorme braço na minha cintura e, com força, me puxou contra seu corpo:

– E-ei!

– Calor humano, já escutou sobre isto?

– ...

– Você está vermelha.

– O-ora, calado!

Eu me aconcheguei, quente... Sua pele estava tão quente e confortável. Era como os braços da mamãe, eu ainda me lembro; ela com uma xícara de leite quente e com um livro na outra mão, sentada na beirada de minha cama enquanto lia alguns contos. Eu me encolhi sobre seus extensos braços e encostei minha cabeça sobre seu ombro - largo e grande:

– Você cheira... - ele puxou o ar pelo nariz com força - ... Bem...

– Hm... - quente, minha bochecha ficou quente.

– Você é tão contraditória...

– ...

– Você está me deixando confuso.

– E-eu não estou fazendo nada!

– Este é o problema, só fica quieta sem ao menos me empurrar!

– Espera... - me afastei - Você me diz para facilitar nossa relação já que somos noivos, depois me diz para ser difícil... Que tipo de masoquismo é esse afinal?!

– Olha aqui eu... Espera.

– O quê?!

– Você disse que somos noivos...

– E-eu disse? E-eu não, pare de tirar conclusões precipitadas... Você é um problema na minha vida!

Ele se debruçou em mim de forma bruta, perdi as forças, meus braços pararam de afastá-lo e começaram a trazer o rapaz para perto, envolvi meus braços em seu pescoço. Ele foi saindo de cima do meu pequeno tronco, tentei puxá-lo de volta para o meu corpo que pedia por mais daquela sensação e Tora riu, mas parou para me olhar:

– Eu tenho um acordo para propor.

– ...

Ele me puxou do chão gelado e me sentou como uma criancinha em seu colo, ele contornou seu braço pelo meu quadril e me deu mais um beijo para provocar:

– Vou fazer você se apaixonar por mim dentro de dez dias.

– Hã?

– Durante esse tempo, se você se apaixonar vai se casar comigo...

– O quê...?

– Caso contrário você pode me rejeitar e eu nunca, nunca mais - ele hesitou - Nunca mais vou sequer pensar em você.

Meus olhos se arregalaram, fiquei equivocada diante da situação em que ele havia me colocado. Ele estava apaixonado por mim? Não, esqueci que havia uma pilha de dinheiro em cima do nome em que carregava: Usui. Uma das empresas mais cobiçadas no mercado mundial, com a família Igarashi não seria diferente.

Só gostaria de pensar na hipótese de que ele continuaria comigo depois de saber... Mas dane-se, pois eu não dou a miníma para esse assunto afinal, que diferença a minha morte faria (que clichê... Mas o clichê sempre é a verdade). Meu tio só quer me casar porque sabe que eu nunca pensaria em me tornar a prisioneira de certo alguém, e sempre que tento rejeitar a situação ele me diz que estou sendo ingrata a palavra de meu pai... Ele só está me casando com essa pessoa porque sabe, que mesmo que a empresa Igarashi seja inferior a dos Usui, vai prosperar no futuro por ter potencial; sendo assim pode se tornar uma concorrente. E meu tio não vai perder a chance de lucrar em cima disso, me usando é claro. Que pena que eu tenho desse homem, mal sabe ele que eu entendo muito bem o que se passa naquela cabeça doentia que necessita de algo que o faça superior aos outros.

Ainda estávamos naquela posição, ele não me largou por um só minuto e ao mesmo tempo passava a mão, cuidadosamente, em meu extenso cabelo. Me segurava como se eu fosse algo frágil que iria quebrar a qualquer momento. Ele desencostou o queixo do meu ombro e ficou de frente para mim:

– Qual é a sua resposta?

Fiquei em silêncio e virei a cara com bico. Ele sorriu e segurou meu rosto para manter meu olhar nele:

– Ótimo, vamos selar este acordo.

– O qu...

Repentinamente senti algo invadindo minha boca, uma leve pressão dominou a carne da minha boca quando ele a mordeu. Foi intenso, mesmo que por poucos minutos ele continuou roçando seus lábios nos meus. Fiquei sem fôlego mas ele continuará a apoderar-se do local com sua língua, que dançava no lugar. Eu o empurrei:

– Você é maluco!?

– Se não tivesse gostado já teria me batido.

– Ora seu...

Levantei irritada por ter me entregado, fui batendo os pés pela trilha do parque, mesmo que na garoa:

– Rosalya...

Virei zangada, ele estava ali debaixo do toldo em pé. Coçou a cabeça e restaurou o ar em seus pulmões, levantou o braço e o entendeu para o lado oposto do qual estava indo em direção:

– A saída é para lá... - ele riu.

Eu chacoalhei e cabeça e disparei indo antes dele, que raiva. Enquanto eu estava séria ele brincava o tempo todo, estou ficando sem paciência. Mas não posso negar que esse cara me salvou hoje, se não fosse por ele... Meu tio é um maluco, eu não o entendo. Ele disse que se eu ficasse grávida seria um problema e eu teria o mesmo destinho que minha tia, mãe do meu primo Takumi. Eu nunca soube direito essa história, apesar do meu forte laço com ele meu primo se recusava ou ignorava quando eu perguntava sobre seus pais. Mas admito que fiquei contente quando o vi com aquela garota, ele finalmente havia encontrado alguém. Sempre fiquei preocupada em relação ao meu primo, ele disse que não ligava para a solidão mas creio que era mentira; eu conheço aquele garoto muito bem.

Foi ele quem me ajudou quando meus pais morreram, ele vinha me visitar todo dia para brincarmos; passávamos a tarde inteira juntos, éramos quase inseparáveis. Me lembro do dia em que ele foi embora para o Japão por causa da vida infernal que ele levava ao lado de Gerard, seu irmão. Chorei por vários dias mas consegui superar quando encontrei Leigh. Sinto falta deles... Ah, que saudade daquela escola!

Não faz muito tempo, eu conheci Leigh na loja de roupas que eu visitei por acaso e conversamos por horas, quando me dei conta estava indo o vistar todo dia. Não sei ao certo como aconteceu mas se apaixonamos, logo depois fui morar com ele e com seu irmão no apartamento em que eles viviam; eu fugi de casa. Foi a melhor época da minha vida inteira, sem nada para se preocupar: só eu e meus amigos perdidos por aí. Mas um dia isso acabou, Leigh terminou comigo sem me dar nenhuma explicação, me mandou voltar para casa. Lembro-me da expressão estampada no rosto dos dois quando fui embora, Leigh estava rígido e Lysandre tinha um olhar triste e eu nuca entendi ao certo o que aconteceu, mas isso acabou comigo. E lá estava eu de volta naquela vida, por sorte conseguia escapar nas férias com a desculpa de visitar a vovó do Japão e assim podia ver meu primo.

Quando completei 16 anos, foi um pesadelo. Meu tio me arranjava milhares de pretendentes para esses casamentos forçados. Igarashi-san não é nada mais que um deles, coloque isso na sua cabeça Rosa! Ele é só mais um riquinho que quer dinheiro fácil, você não pode se entregar, você não pode se entregar, você não pode... Eu não posso, vai ser igual com Leigh? Ele vai me deixar, ele vai ter nojo... Ele não vai querer tocar em mim sem ter pena quando entender o futuro que me espera. E-eu... ''Rosalya!'', o quê? ''Rosalya, acorda!''. O cenário pela janela afora passava rápido, eu estava dentro de um táxi com Igarashi-san que envolvia meu pequeno corpo em seu braço:

– Você estava tendo um pesadelo pelo que parece...

Acordei assustada, minha respiração ofegante, eu estava vendo dobrado... Ele acariciou meu rosto, quente. Eu estava um pouco quente:

– Você está mais pálida do que o normal.

– Droga... E-eu - as palavras simplesmente não saiam, minha respiração estava piorando - E-esqueci, e-esqueci...

– O quê?

– M-meus remédios, eu e-esqueci de tomar...

– Idiota! Vamos ao hospital agora mesmo e...

– N-não! P-para casa... C-casa!

Ele rangiu os dentes, virou para o motorista e o cutucou no ombro:

– Vá mais rápido!

– Não posso passar do limite, senhor...

– Droga... Mas que droga, Rosalya!

Eu me aconcheguei nos braços dele, não demorou muito para o carro brecar. Tora me pegou no colo e subiu rapidamente para me colocar a cama, ele desceu; fiquei confusa. Quando a porta abriu novamente ele vinha em minha direção com um copo de água na mão e a caixa de comprimidos em outra:

– É esse o remédio?

– C-como sabe...?

– Aquele dia, sabe? Eu lembrei onde você havia guardado...

Peguei o copo e a cartela de remédios, peguei um dos comprimidos e o joguei na boca, em seguida tomei a água. Me deitei na cama cansada, sem mais forças para nada. Tora desceu e pagou o taxista, ele subiu novamente e trancou a porta já tirando sua camiseta e se jogou na cama bem ao meu lado:

– V-vá para o seu quarto...

– Prefiro ficar aqui com a minha namorada - o rapaz abriu um largo sorriso.

– V-você ainda tem tempo para b-brincadeiras?

– Me desculpe, hm?

Ele me abraçou, não tive a chance nem de lhe dar um gelo. Estava mais fraca a cada dia que passava, isso me irritava... Eu odiava o fato de que precisava de alguém por perto, talvez todos precisem...

Um celular começou a tocar, Tora bufou mas foi ver que número estava encaminhando a chamada. Ele balançou a cabeça e desligou o celular:

– Quem era?

– Só uma menina idiota...

– Ah...

– Está com ciúmes?

– O-ora, vá para o inferno...

Fui mudando de posição para me afastar dele mas foi inútil pois Igarashi me puxou de volta, eu bufei irritada. Ele me deu um beijo na cabeça:

– Boa noite, Rosalya.

Ao escutar aquilo meu coração se acalmou, eu relaxei e fechei os olhos sem esforço. Pela primeira vez em meses pude sentir uma paz novamente...

Rosalya's POV



Notas finais do capítulo

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