Meu Príncipe Às Avessas escrita por Puella


Capítulo 18
Capítulo 18- O arremesso do Buquê - parte 2


Notas iniciais do capítulo

Hoje não tive aula hahahaha (dia do funcionário público) e como não terminei no fim de semana eu postei hj! Semi recuperada em parte do bloqueio... sem mais delongas... boa leitura!Notas ao final do capítulo!



“Um dos momentos mais esperados do casamento certamente não é o beijo dos noivos, mas sim o momento em que a noiva entra. Entretanto, outra coisa que acho interessante é quando chega a hora de saber quem irá pegar o buquê, basta observar quando no referido momento, a noiva se prepara para arremessar ramalhete de flores, e então, procure reparar nas expressões no rosto e nos gestos de cada mulher daquele montueiro: os olhos focados no buquê, como leoas famintas admirando sua “presa”, as mãos e braços empurrando umas às outras freneticamente a fim de pegá-lo. E o porquê de tudo isso? Simples, uma tradição boba, que segundo elas quem fica com o buquê é porque em breve irá se casar ou encontrar um amor...”

Sono, era tudo o que eu sentia naquele momento, mas meus olhos eram impedidos de se fechar, isto porque os beliscões no meu braço não me permitiam faze-lo. Mas, quando eu disse para Sigyn que ela poderia fazer qualquer coisa para me manter acordado eu não havia dito nada sobre sentir seus beliscões tão fortes, meus olhos estavam levemente lacrimejados, quem me observasse de longe acharia que eu estava deveras emocionado por meu querido – e insuportável – irmão Balder, porem a realidade era outra, primeiro que eu estava com sono, segundo que os beliscões doíam.

Depois que eles chegaram na parte do sim – o que na minha opinião demorou muito – o padre veio com aquele discurso em que ele pergunta se há alguém que impeça essa união e blá, blá, blá... como não apareceu ninguém o velho padre disse aquela famosa frase clássica que todo mundo já manjou em qualquer casamento e então o casal se beijou.

– E já vai tarde – disse suspirando.

Em resposta minha namorada me deu um cutucão.

– Não gostaria de imaginar você com essa má disposição quando nós nos casarmos.

Eu virei todo o meu rosto em sua direção. Sigyn havia falado em casamento?

– Casarmos?

Ela me olhou e sorriu descontraída.

– O quê? Você não casaria comigo?

– Não é meio cedo para pensar nisso?

– Eu não tava falando sério Loki – ela encarou-me parecendo divertida.

Não lhe dei uma resposta definitiva, apenas lhe encarei com um meio sorriso e depois tornei a ficar pensativo.

O resto da festa transcorreu tranquilamente, Nana e Balder estavam mais felizes do que nunca, eu e Loki ficamos sentados próximo aos meus pais, agora mesmo os dois trocavam juras de amor eterno, era lindo de se ver.

– Ah, isso é tão lindo que eu estou quase vomitando arco-íris – disse Loki com a voz sem expressão.

– Falou o senhor-não-gosta-de-nada.

– Sério, eu acho que vou vomitar de novo – ele fez uma careta que acabou por me fazer gargalhar.

– Seu bobinho! – eu falei puxando-o pelo terno – Nem pense nisso!

– Certamente que não – ele cochichou em meu ouvido – não faria isso aqui perto dos seus pais – nisso ele alargou o sorriso – mas certamente vomitaria em Balder outra vez – nós dois rimos.

Depois a festa continuou rolando, e assim como Loki, eu também já estava achando que tudo aquilo estava começando a ficar entediante, e quando as coisas estavam começando a ir para o tédio eu me vi pensando na conversa que havia tido horas antes com Loki. Eu ainda não conseguia imaginar que ele era adotado.

Flashback

– Como foi que você descobriu que era adotado?

– Eu sempre me achei diferente – Loki olhou para o lado – mas nunca tinha me passado essa hipótese pela cabeça, e Odin e Frigga souberam disfarçar isso muito bem. Porem quando eu estava mexendo em meus documentos pessoais eu descobri algo muito interessante.

Ele pausou e por fim me encarou, eu estava atenta e curiosa pelo que viria a seguir:

–Notei algo estranho na minha certidão de nascimento, ela tinha sido feita quase um ano depois da minha data de nascimento, achei estranho e certa noite eu questionei os dois, Odin é claro tentou me contornar porem Frigga achou melhor expor a verdade, e foi então que ela me disse no ano em que eu nasci ela também havia tido uma filha que porem nascera morta no parto, e eu havia nascido no mesmo dia, minha mãe verdadeira também havia me tido no mesmo dia, e pelo que Frigga me contou ela me entregou para que eles cuidassem de mim como meus pais, pois a mesma não tinha condições, e que a certidão demorou a sair por causa de procedimentos burocráticos.

– Oh céus!

– Me senti enganado, traído e saí de casa sem pensar duas vezes, mas preferi manter as aparências, afinal ninguém gosta de um escândalo – Loki dera um sorriso amargo – Mas, ainda acho que essa história está muito mal contada, acredito que tenha algo mais fundo.

– E você não pensa em descobrir se algo a mais? – eu perguntei segurando sua mão.

– Não, eu não quero pensar nisto, já não me importo mais...

Eu sabia que ele tinha mentido, mas eu achei melhor não dizer nada, eu só queria abraça-lo. Sim, eu sou muito sentimental com essas coisas, e ainda mais com ele. Nunca poderia imaginar que meu chefe e namorado poderia ser tão sensível – detalhe, não é o sensível que as pessoas imaginam – por baixo daquela muralha de gelo autoconfiante. Apesar de as vezes não gostar e gostar do seu jeito “frio”, ele me faz sentir-me especial por conhecer esse seu lado mais aquecido.

Olhei para o lado e vi que Loki não estava ali. Para onde ele tinha ido? Não tive com responder a essa pergunta porque logo senti minha mãe me puxando, ela tinha um sorriso largo no rosto.

– Mãe posso saber o que você está fazendo?

– Eu lhe chamei várias vezes querida – ela disse – Nana irá jogar o buquê! E você deve pegá-lo e mais ninguém!

– Mãe... – eu revirei os olhos – isso é bobagem...

– Bobagem nada! Pegar o buquê da noiva é sinal de bom pressagio!

Quando vi eu já estava no meio de um monte de mulheres que se empurravam umas nas outras, velhas, novas, solteiras, encalhadas, noivas e até casadas! Nana estava de costa para nós, ela deu o sinal para arremessar o buquê, pensei por um momento, será que mamãe estaria certa?

– Lá vou eu – disse Nana – 1...2...3!

O buquê voou alto, eu nem consegui velo, Nana deve ter exagerado na força porque ele caiu bem atrás de onde o montueiro de mulheres se encontrava, deu apenas para ver o momento em que ele caiu certeiro em uma mão que o pegou. E não era qualquer mão, era mão de ninguém mais, ninguém menos que Loki.

O que acontece quando é um homem que pega o buquê da noiva?

Todos olharam para ele, Loki que estava aparentemente confuso havia segurado o buquê por puro reflexo, ele encarou o ramalhete de flores que segurava e deu um breve meio sorriso, e então me fitou. Segurando o buquê ele caminhou devagar entrando no aglomerado de mulheres que iam dando passagem até finalmente ficar próximo a mim, ele estendeu o buquê dizendo:

– Então, acho que isso era pra você – ele tinha um sorriso discreto nos lábios – Você aceita?

Eu sorri de lado e segurei o buquê, inalei o cheiro das flores e mirei meus olhos nele para uma pausa dramática.

– Aceito.

Depois disto apenas caminhei de mãos dadas com ele para fora do bolo de gente, minha mãe dava pulinhos de alegria e meu pai apenas olhava tudo com sua calma engraçada.

Algum tempo depois Nana e Balder se despediram de todos e rumaram para a sua lua de mel. Meus pais e meus sogros ficaram na sala principal conversando, os convidados tinha praticamente evaporado dali, devia ser mais de duas da madrugada agora. Eu e Loki estávamos sentados na grama do jardim fazendo o que os casais de namorados geralmente fazem.

– Ei – eu falei após mais um beijo – aquilo era sério?

– Aquilo o quê?

– O buquê?

– Como assim? – indagou confuso.

– Quando você falou “você aceita”?

– Que tem isso?

– Loki – eu disse paciente – é que você falou aquilo como se estivesse me fazendo um pedido...

– Ah, sim – ele riu – mas você respondeu prontamente aceitando.

– Mas era sério?

– Quando você disse que aceitava também estava falando sério?

– Sim.

Eu o encarei agora confusa. Ele deu um meio sorriso divertido.

– Qual é a graça? – eu perguntei.

– Nada – ele riu – mas, suponhamos que fosse realmente um pedido, você teria aceitado? Responda com sinceridade.

Eu demorei alguns segundos até abrir a boca.

– Claro, eu teria aceitado seu pedido.

Ficamos algum tempo sem falar nada até que ele levantou.

– Acho que vou fazer um chá, você me acompanha? – ele falou.

E assenti e nós dois voltamos para casa, já não tinha mais ninguém acordado ali naquela hora, então formos até a cozinha.

– E então? Do que vai ser o chá? – eu perguntei.

– Não sei, pensei em chá de casamento...

– Como? – eu achei que havia ouvido algo errado.

– O que o chá?

– Não, você disse casamento.

– Casamento?

– É, você disse chá de casamento.

– Ah, eu disse mesmo – ele respondeu coçando a parte de trás da cabeça – e então... você aceita?

– Se eu aceito...

– É, se você aceita casamento – ele disse agora me olhando nos olhos – aceita?

– É sério? – eu perguntei.

– É sério – Loki respondeu tão sério quanto a palavra da resposta.

E ri um pouco.

– Eu... aceito o chá.



Notas finais do capítulo

E então o que acharam, e não me senti muito segura com relação a esse capítulo, então sejam sinceras e me digam o que acharam!Beijos suas lindas... e lindos (isso se tiver algum)!