Confidências escrita por Kori Hime


Capítulo 1
Capítulo Único - Confidências


Notas iniciais do capítulo

Porque esse casal é minha paixão ♥



Após a festa de comemoração no palácio, Robin afastou-se da agitação e caminhou por alguns corredores. Ela parou diante de uma porta entre aberta, abriu a porta e o local estava na penumbra, senão por uma parte próxima da janela, de onde vinha a luz amarelada do lado de fora.

De frente para a vidraça, havia um sofá grande de quatro lugares. Nele, Nami estava deitada, com as pernas esticadas sobre as almofadas. Ela observava o lado de fora da janela, alguns peixinhos passavam por ali. A ruiva estendeu a mão, movendo os dedos e os peixinhos seguiam seus movimentos como se estivessem hipnotizados.

Robin fechou a porta silenciosamente e caminhou até o sofá.

Ainda inerte a imagem do lado de fora do palácio, Nami não percebeu a aproximação da arqueóloga. Quando deu por si, Robin já estava ao lado do sofá, olhando os peixes fugirem, nadando em direção da luz.

— Isso tudo é tão maravilhoso. – Nami disse, levando as mãos para trás da cabeça, ela fechou os olhos com um sorriso satisfeito nos lábios. Não pode ver o sorriso de retribuição da morena.

— Sim, é tudo maravilhoso. – ela cruzou os braços, por alguns minutos ficaram em silêncio, ela observando a natureza do lado de fora da janela, enquanto Nami ainda estava de olhos fechados, deitada no sofá.

Robin não quis incomodá-la, era óbvio que a navegadora estava cansada e se afastou da barulheira para descansar, por isso, não seria ela a responsável por importunar seus objetivos. Mas quando alcançou a porta, a morena ouviu a voz de Nami atravessar o aposento e alcançar seus ouvidos.

— Onde pensa que vai? – perguntou, ainda que deitada no sofá e os olhos fechados.

— Deixá-la descansar. – respondeu Robin, virando-se para fitá-la novamente.

— Mas... – Nami ficou quieta por alguns segundos e então abriu os olhos e virou o rosto em direção a porta. Com a claridade vinda do corredor, impedia de abrir completamente os olhos, e assim não conseguia enxergar com nitidez o rosto de Robin. – … eu posso descansar com você aqui. Ou você não quer?

— Sim. – Robin fechou a porta. – Digo, eu gostaria.

— Claro que sim.

Quando Robin se aproximou novamente, Nami ergueu as penas para o alto, dando espaço para que a morena sentasse ali. Assim que sentou no sofá, as pernas de Nami pousaram delicadamente sobre o colo de Robin.

Já havia passado muito tempo desde que tiveram um pequeno momento como aquele, as duas sozinhas, sem nada para incomodá-las. Mesmo antes de se separarem no Arquipélago de Sabaody, elas não tiveram nenhum tempo a sós. Bem, foram dois longos anos, deveriam ter muitas coisas para conversar, ideias e lembranças para trocarem. No entanto, mantiveram o silêncio de antes, apenas o barulho da água do lado de fora, que embalava aquele momento.

Num impulso involuntário, Robin tirou as sandálias dos pés de Nami, para uma massagem. Ela sabia mais do que ninguém que sapatos também poderiam ser inimigos, mas Nami era muito vaidosa e sabia escolher seus calçados, o mais confortável possível.

A ruiva lhe lançou um olhar satisfeito, aprovando a ação de Robin.

Então ela disse:

— Imaginei isso acontecer de diversos modos. Cada noite antes de dormir eu montava essa cena na minha cabeça. Mas nunca parecia perfeito, agora eu sei porque.

— Porque não era? – Robin acariciou as pernas da navegadora, após a massagem. Nami sentou no sofá. Ela podia muito bem Robin agora, e seu rosto familiar. Esticou o braço e com a mão, mexeu nos cabelos longos da morena.

— Porque não era real. Só é perfeito quando é real. – Nami sorriu. – Seu cabelo esta enorme. E lindo. Você esta linda, e eu senti tanto sua falta.

Robin não pode deixar de sorrir aliviada e contente com o que acabara de ouvir.

— Eu pensei que... bem eu pensei que foram dois anos. Não é?

— Que fosse vinte anos. Eu ia sentir sua falta do mesmo jeito. – Nami segurou as mãos de Robin com força. – Qual é? Não tem ninguém aqui. Somos somente nós duas, novamente.

— Sim. – Robin balançou a cabeça. – Eu não pude deixar de pensar que estaria tudo bem quando nos encontrássemos novamente.

— Porque não estaria? – Nami olhou desconfiada. – Aconteceu alguma coisa nos últimos dois anos que você quer me contar?

— Não.

— Tem certeza? Porque você me parece um pouco desconfortável. Diferente. O que aconteceu? – A ruiva moveu os ombros e ajeitou a postura, ficando mais ereta, arrumando uma mecha do cabelo para trás.

— Houve uma coisa. – Robin corou, o que deixou a navegadora muito mais curiosa em saber o que aconteceu.

— Então me conte. – Nami tentou, sem sucesso, não ficar ansiosa. – Na ilha que você estava por acaso conheceu alguém interessante?

— Sim. Haviam muitas pessoas interessante. – a morena respondeu calma.

— Não dessa forma, quero dizer, interessante mas de outra forma. Como nós éramos, sabe. Antes de tudo isso acontecer. Não me faça falar tudo ao pé da letra, por favor.

Robin inclinou a cabeça levemente para o lado, achando graça no embaraço de Nami.

— Ninguém é tão interessante para mim quanto você.

— Robin! – Nami exclamou. – Não me dê um susto desse.

A morena sorriu, abraçando Nami, apoiando sua cabeça sobre o busto dela. Nami a acariciou no pescoço, beijando a testa da arqueóloga.

— Então estamos bem? – Nami perguntou.

— Acho que sim, o que acha? – Robin ainda estava com a cabeça apoiada em Nami, que lhe abraçou. Ela podia ouvir o coração da navegadora trabalhar mais acelerado, a respiração dela também aumentou, causando um efeito nela mesmo.

— Por mim está tudo bem.

— Perfeito. – Robin ergueu o corpo, segurou o queixo de Nami com a mão, aproximando seu rosto, roçaram o nariz. Nami sorria enquanto uma mecha do cabelo caia sobre seu rosto, Robin retirou-o com o dedo.

Não estava com pressa de fazer aquilo. Assim como Nami, havia imaginado de diversas formas diferentes aquele momento, mas concordava que a realidade era mil vezes melhor, e também lhe causava mais arrepios e algumas sensações tão incríveis, que não poderia descrever com nenhuma palavra. Ela segurou o rosto de Nami com as duas mãos, e a beijou. Inicialmente o beijo foi calmo, os lábios se encostaram em um leve toque. Mas logo depois, Nami atirou seu corpo sobre o de Robin, que a segurou com as mãos na lateral do jeans.

Os cabelos de Nami caíam sobre o rosto de Robin, e os óculos da morena estavam no chão. Deitaram no sofá e o beijo alongou-se por tanto tempo que elas não souberam dizer quanto, mesmo porque não interessava saber. Qualquer minuto era tão especial que não poderiam abrir mão.

Passaram a noite ali, compartilhando o sofá, confidenciando segredos e os sonhos de dois anos.