In Wonderland escrita por Cigarette Daydream


Capítulo 4
Conselho de lagarta e uma conversa com a duquesa.


Notas iniciais do capítulo

Oi, desculpem a demora. Demoro, pois tento fazer o meu melhor!
Enjoy,
xoxo




 Alice e a lagarta ficaram olhando uma para outra algum tempo em silêncio. Alice estranhou aquilo, mas o dia estava tão estranho que Alice jurou que a qualquer hora a lagarta iria começar a falar. Finalmente a lagarta tirou o narguilé da boca e começou a falar em uma voz arrastada e sonolenta.

 – Quem é você? – a lagarta perguntou.

 Não foi um começo de conversa muito animador, mas não podia ser de qualquer modo; ora, uma conversa com uma lagarta não pode ser animador para alguém que tem medo de estar insana.

 – Sou Alice – a menina respondeu engolindo o pavor por estar falando com a lagarta.

 A lagarta a encarou alguns minutos e finalmente disse: – Perguntei quem és, e não seu nome.

 – Desconfio... – Alice disse com alguma coragem. – Que queira dizer a mesma coisa não?

 – São coisas completamente diferentes – a lagarta respondeu-a. – Então... Quem é você?

 – Talvez se me disser quem é antes, eu saiba responde-lo – a menina falou timidamente.

 – Sou sem tirar nem por um conselheiro – a lagarta falou. – Todos no reino me pedem conselhos, cara Alice.

 – Tem algum conselho para mim? – a menina perguntou.

 A lagarta encarou os olhos de Alice como se estivesse vendo toda a vida de Alice neles. E, ora, ela realmente estava.

 De repente a lagarta apenas encarou o horizonte e colocou o narguilé na boca novamente. Ao notar que a lagarta não dava mais a mínima atenção para ela, Alice virou as costas e começou a seguir em direção a casa.

 – Espere – a lagarta de repente falou.

 Alice se virou feliz internamente, mas a menina ainda não conseguia expressar um sorriso.

 – Sim? – a menina falou.

 – Se controle.

 Alice sentiu certa raiva interna. – Isso é tudo? – quis saber Alice, engolindo a raiva o melhor que podia.

 – Não fuja do inevitável – a lagarta disse e simplesmente voltou a fumar seu narguilé.

 Alice murmurou uma despedida e rumou para a casa pensando no que a lagarta disse. Alice bateu três vezes e aguardou.

 Uma mulher abriu a porta; ela usava trajes de criada.

 – Bem vinda a casa da duquesa – a mulher falou polidamente. – Ela está a aguardando.

 – Imagino que não... – a garota disse. – Vim sem avisar.

 – Então creio que não... – a criada começou.

 – Deixe-a entrar – uma voz bonita falou de dentro da casa.

 A serva se afastou e conduziu Alice pela bonita casa, até uma sala de estar. Uma moça estava de costas olhando para a janela. Assim que a moça se virou Alice teve que se esforçar para ser educada. A duquesa sem duvida fora bonita um dia, mas seu rosto possuía cortes profundos cicatrizados e um dos olhos estava sem duvidas cego. Era sem duvida um rosto feio.

 – Sente-se – a duquesa indicou a mesa ao canto e se sentou ali também. – O que a traz aqui?

 – Receio não saber – Alice respondeu-a.

 A duquesa analisou-a se perguntando se aquela conversa valeria a pena e por fim, decidiu-se.

 – Charlote, traga alguma coisa sem pimenta, por favor – a duquesa pediu e se voltou para Alice novamente. – Explique-se.

 – Acho que quero sair desse País Das Maravilhas – Alice falou finalmente. – É tudo muito assustador para um “País Das Maravilhas”.

 – Creio que não merecemos mais esse título, é verdade – a duquesa começou. – Desde que o rei faleceu e a rainha casou-se novamente caímos em desgraça. Ao que parece, ela nunca foi bondosa como pensávamos ser... – a duquesa refletiu. – E a moral disso é: “Nem sempre somos o que parecemos ser”.

 – Acredito que seja, mas sabe como faço para sair daqui? – a menina perguntou, enquanto a criada entrava na sala, trazendo brioches e chá numa bandeja.

 – Obrigada Charlote, pode ir descansar – a duquesa falou, e esperou a criada sair para continuar. – Creio que o chapeleiro saiba, mas dizem que ele enlouqueceu por completo. – a duquesa falou servindo o chá. – Porém ele costumava conhecer todos os caminhos desse local! Ah, costumava.

 – E onde vive esse tal chapeleiro? – Alice perguntou.

 – Eu não sei – a duquesa respondeu. – Não sou permitida a sair desta casa sem o convite da rainha, mesmo sendo uma duquesa.

 – E por que não? – Alice perguntou bebendo um pouco do chá.

 – Oh, desconfio que a rainha estivesse com receio de seu marido a trair – a duquesa começou com uma voz muito infeliz. – Mas eu não faria isso, francamente!

 – Importa-se de explicar melhor? – Alice pediu delicadamente.

 – Não... – a duquesa respondeu. – O atual rei havia apaixonado-se por mim. Eu o rejeitei é claro! Era um homem casado e meu luto será eterno, receio. Assim, a rainha me proibiu de sair de casa. Mas na calada na noite ele viera me bajular.

 “Em pouco tempo os soldados da rainha e a própria rainha estavam aqui!”, a duquesa soluçou, “E ela ordenou que eles rasgassem toda a minha face; ela não se importou com o fato de eu a conhecer desde que era uma garota, ela simplesmente me implicou a maior dor física de toda a minha vida”.

 – Sinto muito... – Alice falou.

 A duquesa sorriu levemente.

 – Se quer meu conselho querida... Não deixe seu caminho e o da rainha se cruzarem nunca! Não a contrarie, não a provoque ou se envolva com o rei – a duquesa falou. – Se quer sair daqui, o gato de Cheshire te mostrará o caminho.

 Ao falar isso a duquesa estalou os dedos e um gato apareceu sobrevoando acima da mesa; o gato tinha um grande sorriso no rosto.

 – Não sabia que gatos podiam sorrir! – Alice exclamou exaltada.

 – Você não parece saber muito daqui e isso pode ser perigoso... – a duquesa refletiu um pouco. – E a moral disso é: “Saiba por onde andas e estarás salvo”.

 – Tenho certeza de que é – a menina concordou. – Devo partir?

 – Acho que deve – a duquesa falou e balançou um sininho; em poucos segundos a criada estava ali. – Acompanhe Alice e o gato até a porta, eles farão uma visita ao chapeleiro.

 Alice sorriu e agradeceu a duquesa. A menina refletiu que ou a rainha era muito ciumenta, ou era muito malvada; a menina não imaginava como alguém podia fazer mal a alguém tão bom.

 Assim que estavam fora da casa o gato se dirigiu a Alice, que não se surpreendeu nadinha, afinal Alice estava se acostumando com animais que falavam.

 – Vai jogar croqué com a rainha hoje? – o gato perguntou ainda sorrindo.

 – Espero que não... – a menina respondeu sinceramente.

 – Eu irei causar um pouco de confusão – o gato admitiu. – Tem que ver isso! A rainha ficará uma fera!

 – Receio que não a queira ver com raiva – Alice falou. – Sabe o que ela fez com sua dona.

 – Por isso mesmo! – o gato exclamou. – De todo modo, ela não pode fazer nada a mim.

 – Por que não? – Alice perguntou curiosa.

 O gato se limitou a desaparecer.

 – Gato? Gato? – a menina chamou.

 Um sorriso grande apareceu e depois o gato.

 – Viu só? – Ele perguntou.

 – Vi – a menina respondeu. – Como faz isso?

 – Nasci sabendo – o gato respondeu e então indicou uma trilha. – Esse caminho leva até a casa do chapeleiro. Se precisar de mim, sabe onde me achar.

 Ao falar isso o gato desapareceu. Alice simplesmente sorriu e seguiu a trilha até chegar a uma pequena casa pintada de azul e verde. Em frente a casa havia uma mesa posta sob uma árvore.

 Um homem com uma cartola roxa muito engraçada olhou para Alice sorrindo de um modo um tanto insano.

 – Gostaria de sentar-se minha cara? – o chapeleiro perguntou. – Há lugares de sobra.

 Alice deu um passo receoso e involuntário para trás, mas então seguiu em frente e sentou-se. Afinal, nada poderia ser pior do que o que já acontecera.



Notas finais do capítulo

Espero que tenham gostado!
xoxo