In Wonderland escrita por Cigarette Daydream


Capítulo 3
Pessoas podem quebrar palavras.


Notas iniciais do capítulo

Desculpem o longo intervalo sem postar, é que eu estava sem inspiração! Raphael me pertence.
Enjoy,
xoxo




  Alice não sabia o que fazer. Por que não devia se mexer? E por que ele havia a prendido? Alice não se atrevia a fazer tais perguntar com uma adaga bem apontada para o seu pescoço e o rosto do homem oculto.

 – O que a traz ao País Das Maravilhas? – ele rosnou.

 Alice hesitou. Nunca ouvira falar de um lugar com tal nome!

 – Responda! – o moço ordenou novamente.

 – Eu perdi-me! – Alice exclamou desesperada.

 Raphael finalmente achou seguro revelar sua face e ficou de frente para Alice. A menina olhou a face branca, os cabelos castanhos escuros e olhos verdes do rapaz. Ela o teria achado extremamente bonito se não fosse pelo pavor que ela sentia.

 – Se perdeu de onde? – Raphael perguntou-a.

 – De meu lugar! Eu nem sabia que existia um País Das Maravilhas! – ela exclamou aborrecida por ficar tanto tempo de cabeça para baixo.

 – Ora, e que menina ignorante não saberia do País Das Maravilhas? – perguntou Raphael, fazendo Alice se irritar.

 – Isso nem deve ser real! – a menina falou insolente. – Aposto que é tudo fruto de minha imaginação!

 – Não me pareces muito criativa... – ele debochou e cortou as cordas que mantinham Alice de cabeça para baixo.

 A menina caiu no chão assustada e se pôs de pé num minuto tentando fugir, mas num instante Raphael a havia recapturado.

 – O queres de mim? – Alice perguntou com vontade de chorar, mas não o fez.

 – Que me acompanhe até o castelo – ele respondeu cordialmente. – A rainha deve permitir tua presença no País Das Maravilhas.

 – E caso o contrário? – a menina perguntou tentando parecer confiante.

 – Ela cortará sua cabeça é claro – ele respondeu como se, ora, cortar cabeças fosse algo completamente normal.

 – É claro – Alice concordou pálida, e se a rainha não a desse a permissão?

 Raphael avaliou a menina. Os cabelos louros, a pele delicadamente branca e os olhos azuis de Alice. Ele sabia que não havia chances de a menina ser bem recebida pela rainha sem uma desculpa coerente para estar ali.

 Alice por sua vez se perguntava por que o uniforme do homem era decorado como uma carta de copas.

 – Venha! – ele ordenou a puxando indelicadamente pelo braço.

 Alice suspirou e o deixou guia-la, tentando se lembrar de todos os golpes que já vira em peças representadas em sua cidade.

 Eles caminharam por um longo tempo e Alice não soube exatamente o que iria fazer para fugir. Logo a noite caiu e eles baixaram acampamento em uma grande arvore oca. Alice se mantinha o mais longe possível do moço e tremia de medo; a garota não gostaria de admitir, porém estava muito traumatizada para ficar perto de qualquer homem sem sentir medo.

 Alice desejou, tão ardentemente que inclusive chegou a doer, que seu pai estivesse ali. Ele certamente a daria o conforto que ela precisava. A menina teve que se esforçar para não chorar e manter sua promessa.

 – Então é um guarda? – a voz de Alice finalmente saiu, mesmo que tremula e entrecortada.

 Ele olhou curioso para o medo da menina.

 – Sou, na verdade sou o favorito da rainha – ele disse. – Portanto, não tente nada estupido como me esfaquear e tentar fugir.

 – Certo – murmurou Alice num fiapo de voz.

 A menina foi assaltada por um tremor com o frio repentino e se abraçou em uma tentativa de se aquecer.

 – Devia pegar uma manta – ele disse indicando a sua própria bolsa.

 Alice não se moveu para pegar a manta, ela não queria arriscar nenhuma proximidade. A menina só se encolheu e se abraçou mais. Raphael por fim suspirou e a cobriu com uma manta.

 Alice devia ter sentido medo, mas tudo que ela queria fazer é contar o quão difícil seu dia havia sido. A menina viu a voz saindo antes que pudesse a segurar.

 – Não devia se aproximar de mim – a menina começou com a voz triste. – Não me sinto bem com isso, e como eu poderia? – nesse ponto Alice deu uma risada amarga. – Acho que fiz algo de errado e mereci a punição. Casa o contrário... Por que eu? Por que ele tinha que fazer aquilo comigo em um momento tão difícil?

 A expressão de Raphael era de riso debochado, e a menina se arrependeu de ter dito alguma coisa. O olhar que ele lançava a fazia se arrepender de ter nascido.

 – Um homem a abandonou? – ele riu. – Acha isso ruim?

 – Você entendeu errado – a garota se limitou a lançar um olhar gélido.

 – Então me conte qual seria a interpretação correta – ele provocou. – Pois na minha mente isso me parece um caso de dor pós-abandono.

 – Dor pós-abandono? – Alice se viu gritando, sem controle. – Não sabes nem ao menos o que aconteceu! Aquele homem o forçou em mim! O meu cunhado me estuprou e diz que é simplesmente um caso de dor pós-abandono? Ele me jogou em um buraco esperando minha morte!

 Alice teve que se controlar mais uma vez para as lágrimas não caírem, e se perguntou o que estava acontecendo. Afinal, não chorar era bastante fácil para ela antes daquilo tudo. A menina avaliou a expressão do rapaz.

 Raphael tinha uma expressão de pena e terror ao mesmo tempo. Ele queria dizer uma palavra de consolo para a menina, mas não encontrava nada adequado o suficiente. Imagine o quanto seria estranho: “Sinto muito pela senhorita ter sido estuprada!”, ele pensou, “Se serve de algum consolo eu nunca estuprei e nem pretendo estuprar ninguém”.

 O rapaz balançou a cabeça expulsando a fala ridícula e escolheu a pior coisa que poderia dizer a uma pessoa em um momento de fragilidade.

 – Olha, sempre pode piorar – ele falou. – Quero dizer... Você podia estar morta não é? Pelo menos ainda vai piorar.

 Alice olhou o rapaz sem acreditar no que ele havia dito. A menina semicerrou os olhos e o encarou com a testa franzida. Raphael enfim tomou conhecimento de o quanto havia sido estúpido ao comentar que as coisas podiam piorar.

 – Perdoe – ele falou. – Não quis dizer...

 – Tenho certeza que não quis – a garota falou ainda chateada com a falta de compreensão. Será que nem em outro lugar as coisas mudariam?

 – Sinceramente, deve ter sido horrível – o Raphael falou mais uma vez com uma falta de bom senso. – Qual é teu nome mesmo?

 – Alice – a menina falou já sem medo. Como alguém temeria uma pessoa tão idiota?

 – Sei que não perguntou, mas meu nome é Raphael – ele tagarelou. – Sabe Alice eu realmente estou com sono! Você me faria um imenso favor se me deixasse dormir ao menos um pouco sem fugir.

 – Claro – a menina quase sorriu, mas se manteve inexpressiva para não dar na cara que iria fugir.

 – Vou confiar em você certo? – ele disse. – E eu já mandei uma mensagem a rainha então não pode fugir!

 – Certo – Alice respondeu. – Eu não irei fugir.

 Alice esperou pacientemente que Raphael dormisse profundamente, e quando isso finalmente aconteceu a menina engatinhou para a saída da arvore oca. Ela andou sem emitir som por um bom tempo, mas então simplesmente começou a correr desesperada para se livrar do compromisso com a rainha.

 Alice só parou de correr quando o dia amanheceu e decidiu fazer uma pausa repousando perto de uma arvore. A garota esperou a respiração acalmar e olhou em volta. Era um jardim de uma casa onde havia definitivamente muitos cogumelos.

 Alice olhou para baixo e seu olhar encontrou imediatamente o de uma grande lagarta azul, sentada no topo, de braços cruzados, fumando tranquilamente um comprido nargilé, sem dar a mínima atenção a ela ou a qualquer outra coisa.



Notas finais do capítulo

Me saí bem?
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xoxo