Skyfall - Fic Interativa escrita por Duquesa de Káden


Capítulo 7
Um Lugar Seguro


Notas iniciais do capítulo

Demorei um pouquinho, mas Deus perdoa as almas frágeis. Aqui está o novo capítulo feito especialmente para vocês, seus lindos :*
Um aviso. Seria uma boa que vocês prestassem atenção nas datas. Não sei se alguém percebeu, mas a história começa no dia 02 de fevereiro, volta para o dia 30 de janeiro, prossegue no dia 31 e agora está retornando novamente para o dia 02.
Boa leitura hunters ^^



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02 de fevereiro, ano 2013.

Julie mordeu os lábios, apreensiva, enquanto os seus olhos vagueavam pela rua. Roselind estava dirigindo ao seu lado, o rosto também quase compacto de apreensão, enquanto as rodas esmagavam as cabeças daquelas coisas e o capô se tornava um festival de sangue e vísceras. Tudo o que ela queria era fugir daquele mundo. Adentrar fundo em seu próprio inconsciente e nunca mais sair. Já tinha visto de tudo desde que fugira de Nebraska com o grupo de resgate, acabou se perdendo do pessoal e parecia ter sido a única sobrevivente. Até mesmo o cara que salvou a sua vida, ele poderia estar... Morto.

– Você está bem? – era Rose quem perguntava. Tinha uma voz doce, num timbre bem perto do seu, mas parecia tão madura quando falava que Julie quase sentiu inveja dela.

Quase.

– Sabe, eu sei pelo que você está passando. Quer dizer... Eu não sei exatamente, mas eu acredito que agora não importa tanto, não é? – Rose olhou-a com os olhinhos compreensivos – Não poderia ter feito diferente. Imagine só: eu me preparei uma vida toda para isso, e agora não sei o que fazer.

– Você sabia? Sobre tudo isso?

– Ah, não. – ela deu um sorriso, enquanto voltava a sua atenção às ruas – Meu pai. Ele é meio paranóico, sabe? Esteve se preparando para uma Terceira Guerra Mundial desde que saiu do exército. Eu também estive, desde que era garotinha. E você? Como tem sobrevivido?

– Eu aprendi a usar o arco e flecha com a minha mãe. – voltou a olhar para a rua, engolindo em seco – Talvez não tenha praticado o bastante. Ela está morta agora.

– Lamento. Mas você ainda tem a sua irmã, não é?

Julie olhou para Rose e sorriu fraco, lembrando-se com certa nostalgia que a praticamente desconhecida Yeva era a sua irmã mais velha agora. Era bom ter uma irmã novamente, ainda mais porque ela confiava na jornalista. E como não confiar? Yeva poderia tê-la deixado naquela casa. Ela estava com uma perna machucada, mal podia andar, e mesmo assim não desistiu de fazer a sua boa ação do dia. Às vezes Julie pensava se a sua irmã gêmea estivesse viva naquele momento, também teria feito a mesma coisa.

“Tia Mary falou que atrás da casa dela tem um rio congelado. Nós podemos patinar?”

A Srta. Noir sorriu. Aquele belo e reconfortante sorriso de mãe que aquecia o coração de suas garotas em meio de toda aquela neve. Jude olhou-a de rabo de olho, enfezada, daquele modo que sempre a diferenciava da irmã gêmea, sempre tão doce e sorridente.

“Está falando isso porque só você ganhou patins de natal.”

“Eu poderia te emprestar o meu.”

“Mas aí não vai ser ‘nós’, Julie, vai ser ‘eu’ patinando.”

A mulher ainda sorria com a briga sem fundamento de suas meninas. Jude, a mais teimosa e pirracenta com ranho saindo pelo nariz e Julie, dois centímetros mais baixa e um tanto quanto delicada. O Sr. Noir dirigia o carro com outro sorriso de acompanhante, e o cachecol grosso de lã quase lhe cobria a boca e o nariz. Jude havia lhe dito que o tecido era ridículo, mas nunca se podia dar ouvidos àquela garotinha.

Foi então que aconteceu. Julie viu um cervo na pista. Ele era grande, parecia mais com um veado, e tinha grandes chifres semelhantes a marfim. Os olhos brilhantes quase pareciam chorar, uma cena linda se desenrolando através da neve e do nevoeiro. E então o carro derrapando para fora da pista, dando uma volta inteira pelo barranco e capotando depressão abaixo. A última imagem que teve antes de fechar os olhos enfermos foi a de Jude, o corpo inteiro desmontado, com o sangue rubro escorrendo pelo pescoço quebrado e a boca aberta em um grito mudo.

Aquela noite sonhou com um rio congelado. Sonhou com Jude deslizando pelo gelo com os seus patins. Sonhou que havia um veado albino galopando pelo nevoeiro e com o som de um milhão de guizos sorridentes. Sonhou com um milhão de coisas juntas em um só coma, num sono que durou sete anos.

– Cazzo l’inferno! – despertou do seu transe com um grito de Rose, que provavelmente havia atropelado um zumbi mais gordinho enquanto tentava estacionar a caminhonete – Chegamos.

Julie desceu do carro depressa. Havia alguns zumbis caminhando pela rua, uns insolentes que nem os perceberam e uns dois ou três que vinham naquela direção. Ajudou Yeva a descer da carroceria junto com Rudolph, que a carregou no colo feito uma noiva até dentro da casa.

Era uma casa simples também. Amarela, com uma porta reforçada por dois trincos adicionais e grandes barricadas nas janelas, mas fora isso, nada que chamava a atenção.

Kono adentrou a porta aberta antes que Rose a fechasse. Notando que a dona estava impossibilitada de sustentar as suas pequenas garras, escalou as costas de Julie e se amparou em seu ombro, enquanto a morena acariciava seus pelos negros. Sempre gostou de animais.

– A casa é segura, temos um gerador no sótão e água quente. – informou Rudolph, ainda com Yeva no colo – Mas o trunfo mesmo está lá embaixo, no subterrâneo. Construí uma fortaleza quando saí do exército. E você acha que eu sou bobo? Sempre soube que aqueles putos dos russos estavam aprontando alguma coisa, mas sabe, disseram que eu era um velho louco e paranóico. Azar o deles! Estão todos mortos ou andando como uma daquelas coisas por aí. – ele fez sinal para que Rose arrastasse o sofá e retirasse o tapete, revelando que tinham ali um alçapão – Nós durmimos lá embaixo, onde é mais seguro. Temos comida, armas, munição e também temos bons amigos, para o caso de algumas das duas planejarem trazer mais gente para saquear os nossos mantimentos.

– Papai!

– O que foi? – Rudolph lançou um olhar severo para a filha – Temos que ser cuidadosos hoje em dia.

Rose foi na frente, sumindo de vista. Julie foi logo atrás de Rudolph, descendo uma longa escadaria mal-iluminada que dava para o subterrâneo. O lugar fedia a fungo, tinha muita umidade e o ar era escasso, como geralmente é todo porão estendido. Mas quando chegou lá embaixo, esqueceu todos esses mínimos detalhes e se permitiu sorrir, mesmo que sem motivo.

O lugar não era tão grande. Parecia um estacionamento de um bom hotel, nada mais que isso. Havia grandes prateleiras e armários, onde era armazenada comida e água, além de um refrigerador aparentemente bastante antigo, que gasta menos energia. Colchões e redes estavam espalhadas por todo o canto, além de arsenais de armas empilhadas uma sobre as outras no meio do lugar, obviamente no caso de alguma emergência onde o que menos precisam é buscar. Ventiladores empoeirados rodavam, refrescando todo o ambiente, e pequenas trincheiras se erguiam aqui e ali. Era bastante semelhante a um acampamento de guerra.

Ali embaixo tinha mais outras três pessoas. Um aparentava ser mais velho que Rudolph, meio pançudo, cabelo preto e barba cinzenta por fazer. O outro era um rapaz na base dos dezoito anos, negro, de cabeça raspada – cara de bom moço – que estava perto de um garotinho esguio, dez ou onze anos, no máximo, de cabelos ruivos flamejantes e cheio de sardas no rosto.

– Jared, me ajude aqui.

O tal Jared, com cara de bom-moço, correu rapidamente para ajudar Rudolph a colocar Yeva sobre o colchão. O pedaço de tecido da calça que ela amarrou para estancar o sangue do machucado estava simplesmente encharcado e pingando, além do vidro que antes era uma ponta na frente da panturrilha, atravessara a carne e agora saía pelo outro lado. Julie estava trêmula e passando mal. Tinha uma aversão gigantesca a sangue.

– Você está bem? – o velho pançudo (e até meio charmoso, Julie diria) perguntou – Meu nome é Bobby. Eu sou irmão do Rudolph.

– Julie De Noir. – ela respondeu, a voz saindo meio esganiçada – Eu estou bem.

Ouviu um grito agudo de Yeva e percebeu que Rudolph estava retirando o vidro de sua perna com um alicate, enquanto Jared pressionava a ferida com algodão. Parecia que quando mais ele puxava, maior aquela coisa ficava, como se nunca fosse sair de dentro da perna dela, apenas enrolar-se e repuxar-se como uma cobra. Respirou fundo, em busca de mais ar do que o pulmão poderia aguentar. Ou era isso, ou ela ia acabar desmaiando ali mesmo.

– Tudo bem, tudo bem. – Rudolph acalmou a situação, mostrando a Yeva que havia retirado o caco – Eu vou enfaixar a sua perna, tudo bem? Você vai precisar de uma semana para voltar a andar.

– Espere! – a russa se agarrou ao braço do homem quando ele fez menção de levantar-se – Uma semana? Eu não posso ficar uma semana sem andar, é uma sentença de morte.

– Não se preocupe. Você está a salvo agora.

– Tia Rose... – o garotinho ruivo murmurou – Você trouxe mais alguém com você?

Rose franziu as sobrancelhas.

– Não, Phill.

– Eu acho que ouvi um homem. Um homem gritando... Lá fora.

Roselind pareceu pensar sobre isso por alguns instantes; os seus passos retrocedendo à medida que ela decidia o que fazer. Ia começar a correr escadaria acima, mas Rudolph a segurou pelo braço e lhe lançou o melhor dos olhares de “você não vai” sendo retribuído com um olhar a altura. O mais gozado de tudo era que parecia que somente o garotinho estava ouvindo a balburdia.

– Ele está xingando. – ambos olharam para o menininho, meio perplexos – Está chamando alguém. Jane... Jinny... Julie.

Os olhos de Julie se arregalaram por um milésimo de segundos. Pareceu que tudo ao seu redor se apagou como fogo fátuo sob a chuva e ela saiu correndo pela escadaria como se a sua vida dependesse disso. Ajeitou a flecha na corda do arco quando estava subindo, o que lhe rendeu um tropeço num degrau que fez um pequeno corte em seu joelho, quase nada diante do turbilhão de emoções que estava sentindo. Irrompeu pelo alçapão e, de cabeça erguida, saiu correndo em direção a rua, abrindo a porta num embalo no processo.

Era ele. O homem que salvou a sua vida na invasão de Nebraska. O homem que continuou gritando o seu nome quando o grupo deixou-a covardemente para trás. Seu coração falhou uma batida.

– Ross!







Mais cedo naquele mesmo dia

Agora era oficial, Sasha, decididamente, era um problema. Claro que Katharine sabia que não havia ninguém naquele grupo que não fosse um problema, ou você realmente acha que ela não via como Ross era um maldito homicida insandecido e o modo como Meg dobrava e desdobrava ambos como uma psicopata de elite? Se ela não fosse uma, claro. Mas Sasha era pior, porque não tinha como escapar do “problema Sasha” sem parecer a pior pessoa desse mundo, e isso inclina todo mundo a se enfiar no perigo junto com ele.

Ross quis atirar em Carter – o que não é novidade, estranho seria se ele não quisesse. Meg já fora mais diplomática, opinou que os deixassem na farmácia e levassem metade dos remédios. O taxista e a namoradinha dele – que se descabelou falando que não era namorada do dito cujo, mas ninguém ouviu – se meteram na conversa e fizeram proposta melhor: 33% para cada grupo. Katharine logo se aborreceu com as ameaças de morte e os olhares tortos, e resolveu se juntar a Melissa ao time neutro, deixando-os em seus negócios frustrantes enquanto procurava anticoncepcionais com a cantora e a ouvia dizer o quanto estava envergonhada de ser chamada de “holofote de zumbi”. Até aí tudo bem. A porra resolveu ficar séria mesmo quando Sasha, impaciente de estar perdendo sangue no meio daquela confusão e com uma dor dos diabos no ombro, deu a sua cartada final:

– Eles vêm com a gente.

Aquele tom só queria dizer uma coisa: ou eles vêm, ou eu fico. E na dúvida, para quem não quer ser devorado num apocalipse zumbi porque ficou para trás, abandonar Sasha por causa de medicamentos era a coisa mais estúpida a se fazer no momento.

No final das contas Carter e Klaus se enfurnaram no Aston de Meg, que passou a ser conduzido por Katharine, tendo como co-piloto um furioso Ross. Sasha roubara uma moto na rodovia, fez ligação direta e aproveitou para levar Meg na garupa – evitando assim alguns homicídos misteriosos que Katharine não daria conta de averiguar. Rafael se rendeu aos encantos de Cammy, e a pedidos de Sasha resolveu levar a garotinha em seu táxi. Alley foi junto, óbvio, o que rendeu a Melissa algumas indiretas silenciosas de que Rafael não estava nem um pouco contente de ter aquele bando de “holofote para zumbi” em seu carro.

Resolvido o assunto, eles voltaram para a rodovia com os medicamentos e continuaram dirigindo rumo as entranhas de Seattle. Tudo estava aparentemente bem, Ross e Katharine trocavam ameaças e olhares furtivos, mas nada muito significante. Até que Ross resolveu subir o freio de mão com tudo e quase capotar o carro.

– Você enlouqueceu? – fora o berro quase possesso de Katharine diante da situação.

Mas essa ainda não foi a parte alta do dia. Sasha parou a moto para perguntar qual era o motivo daquele quase acidente. Não teve tempo.

– Eu sempre fui, docinho.

Ross saiu do carro, sacou a arma que antes estava presa a borda da calça de Katharine, e antes que alguém pudesse fazer qualquer coisa, disparou um tiro certeiro e direto.

– Sasha!

E, de repente, o loiro estava caído.


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Notas finais do capítulo

Os momentos tensos estão começando a despontar, meus queridos. Será que Sasha morreu? O que a Julie viu quando saiu da casa? Dúvidas... Dúvidas...
Bem, como hoje é dia de tédio, eu queria fazer uma brincadeira. A brincadeira do "quem lembra". É simples. Cada dia eu vou falar um personagem e vocês vão dizer que outro personagem esse personagem lembra.
Tipo a Megan. Ela me lembra a Viúva Negra de Os Vingadores.
E então, quem te lembra a Yeva e a Megan? Só quero ver as respostas xD