Skyfall - Fic Interativa escrita por Duquesa de Káden


Capítulo 5
Nevada - Drink Para o Diabo


Notas iniciais do capítulo

Aê, para quem queria um capítulo bônus. Esse é o penúltimo capítulo de apresentações, minha gente, fiquem de olhos bem abertos.
Boa leitura para todos vocês.



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30 de Janeiro, ano 2013.

Ela vinha pela estrada, no meio da horda. O rosto coberto de sangue seco, a blusa com o desenho de um coração negro, antes branca, tomara uma coloração vinho, assim como a calça jeans, já rasgata na altura do tornozelo, e a sapatilha vermelha cujo somente um pé tinha o laço de enfeite. Nos cabelos castanhos e trançados uma coroa de dedos, provavelmente dos zumbis, nas costas carregava uma jaqueta jeans com dois botões e, com ambas as mãos, arrastava o corpo definitivamente morto de um zumbi. Se a visse de longe, diria que ela era um deles, pelo modo que se arrastava por trás dos carros na avenida discretamente, sendo que a horda (uma horda imensa, que fique bem claro) nem chegava a notá-la. Mas pelos olhos azuis cristalinos, acentuados por uma maquiagem que antes provavelmente era muito bela, mas agora estava completamente borrada, você veria que era humana. E mais que isso, estava viva.

Megan Richter andava devagar, analisando tudo a sua volta. Carregava consigo o corpo de Greal Bean, um dos sobreviventes de Las Vegas, porque estava extremamente perplexa com o que acontecera.

Greal era um cara chato pra caralho, diga-se de passagem, mas era útil e completamente apaixonado por ela, por isso Megan o mantia vivo. Ele era o seu peão. Não podia negar que só conseguiu fugir de Las Vegas por causa de Greal e eles vinham trabalhando duro até agora, até que o filha da mãe resolvesse fuçar a vida dela e descobrisse tudo o que vinha tentando encobrir desde que viajara para os Estados Unidos. É claro que a culpa não era dela, se o maldito não tivesse metido o bedelho aonde não era chamado ainda estaria vivo, mas como esse não foi o caso, um tiro de uma 9mm já bastava. Só que aí, bem... O filha da puta simplesmente levantou novamente como uma daquelas coisas, e ela teve que meter-lhe uma adaga na cabeça.

Conseguiu chegar no fim da avenida sem ser notada; a horda tinha ficado para trás. Acabou entrando em um beco vazio, onde pode largar aquele corpo pesado e vestir sua jaqueta jeans, tudo sem fazer um mínimo ruído. Se teve uma coisa que ela aprendeu com a invasão de Las Vegas foi que aquelas coisas podem ser cegas como velhinhos num asilo e tem um olfato péssimo, mas quando se trata de audição, eles te pegam no ato. Por isso o melhor era sempre evitar sair atirando por aí e, como ela ainda era a velha “Meg dos pés leves”, tirava isso de letra.

O único problema foi aquela coceira no nariz que lhe abateu quando ela passou o tecido da jaqueta perto das narinas. Aí não teve outra.

“ATCHIIIM!”

Mal havia se recuperado do espirro, Megan ouviu aquele familiar arrastar de pés em seu encalço, e quando virou-se para se certificar do que estava ouvindo, viu um grupo de zumbis vindo em sua direção. Pensou em usar a 9mm, mas havia passado por uma horda e se atirasse iria atraí-la inteira. Seria o seu fim.

Sacou a sua adaga, ficando em posição de ataque. Seus olhos varreram o local: exatamente onze zumbis vindo em sua direção, talvez não fosse tão ruim assim. Pensando rapidamente, Megan se jogou para dentro de uma lata de lixo encostada numa das casas da rua. Sabia que zumbis eram burros e que iriam tentar forçar passagem na tampa e não abrí-la, o único problema em seu plano brilhante foi ter cortado o braço numa escama de peixe. Um pouco de sangue sempre desesperava aquelas coisas. Quase acabou se esquecendo do cheiro insuportável que estava ali dentro, só sentia a morte se aproximando junto com as mãos que iam se arrastando para dentro.

Foi quando, pelas graças de um Deus que sempre desacreditou, ouviu aquele barulhinho de ferro rangendo. As coisas começaram a se dispersar de cima da lata de lixo e ela finalmente pôde sair dali, acertando um na cabeça com a sua adaga no processo.

- Uh, a boneca está despenteada. Vamos cegar nossos olhos antes que ela pense que a achamos feia.

Megan olhou ceticamente para o indivíduo, colocando uma das mãos na cintura. Aquele mesmo sorrisinho confiante no rosto quadrado e os verdes olhos de raposa, que pareciam ver por trás de tudo. O cabelo loiro, quase ruivo, num emaranhado de cachos, terra e folhagem combinando com a cor branca da pele e contrastando com o jaquetão preto, a calça folgada e rasgada por preferência e as botinas de exército. A furadeira vinha na mão direita, com aquela velha pose de ombros largos onde os músculos são tão definidos que parecem provenientes de esculturas gregas. E ela ainda não sabia como tinha feito uma “amizade” com aquele traste.

- Sem essa Sasha. Estava tudo sob controle.

- Até a parte em que você se joga numa lata de lixo para temperar o lanchinho. – ela ia rebater algo, mas ele a interrompeu antes – Eu não estava te ajudando, estava te protegendo, fim de papo. Agora deixa eu ver isso no seu braço e...

- O que é isso?

Ambos viraram-se para Katharine que, ajoelhada ao lado do corpo de Grael, analisava o morto minunciosamente. Os olhinhos azuis elétricos passeavam pelos machucados enquanto amarrava o longo cabelo negro com uma xuxa, para facilitar a análise.

- Eu o trouxe. Aconteceu uma coisa muito estranha lá no supermercado.

- Acho que já estamos meio acostumados com coisas estranhas. – respondeu Sasha, pela primeira vez prestando atenção ao corpo. Os olhos de raposa captaram a sequência, quase como uma simulação, e ele apontou o local com a furadeira. – Tiro no peito. Como isso pôde acontecer?

Megan estancou o sangue do braço com a jaqueta. O machucado havia sido muito superficial, mas como era longo não iria parar de sangrar tão cedo.

- Apareceram uns caras do grupo de Las Vegas. Eles estavam putos com o Grael porque abandonamos eles na fuga, mas putz Sasha! Você sabe como foi difícil para a gente sair correndo de lá. – ela suspirou, numa encenação forçada, enquanto amparava a testa com uma das mãos. – Eles brigaram, disseram que iam pegar os suprimentos e aí quando já estavam saindo atiraram bem no peito dele. Só que não acabou por aí. Eu estava saindo de lá quando eu encontrei o Grael bem na porta da frente como uma dessas coisas.

- Ele foi mordido? – perguntou Katharine, quase que incrédula.

- Ele levou um tiro no peito, não teve contato nenhum com zumbis.

- Como isso pôde acontecer?

- Você é médica, devia saber. – resmungou Sasha.

- Eu não sei, só sei que tive que meter a minha adaga na cabeça dele porque aquela coisa... Aquela coisa não era mais o Greal. – uma lágrima solitária caiu de seus olhos, como se fosse verdadeira.

- Gente!

A horda de zumbis antes tapeados por Megan havia avançado a avenida e consequentemente achado o beco. Lentamente eles se aproximavam, eram tantos que sumiam de vista quase até o horizonte na encruzilhada.

- Corram! – gritou Sasha, sacando o seu lança-granadas – Rápido!

Megan atirou, acertando todas as suas balas na cabeça. Os que estavam mais próximos caíam violentamente contra o chão, atrasando mais ainda os que vinham atrás, mas isso nunca era de muita melhora, pois Katharine não tinha a melhor mira do mundo e sempre os acertava ou na perna ou na barriga.

- São muitos! – berrou Megan, desistindo da ideia de atirar e começando a correr.

- Eu não vejo uma horda dessas desde o Texas. – murmurou Katharine, recebendo um olhar cúmplice de Sasha.

Parecia simplesmente impossível fugir de todos aqueles mortos-vivos. A única vantagem é que eles vinham de apenas um lado do beco, mas ninguém tinha completa certeza se quando chegassem do outro lado, não seriam cercados por hordas de todas as direções.

Katharine tropeçou nos próprios pés no meio da corrida e caiu com o tornozelo torcido. Estava tão desesperada com aquela horda que a única coisa que conseguiu fazer foi gritar. Um zumbi caiu por cima dela, mordendo-a pelas costas, mas conseguiu apenas arrancar o tecido do sobretudo – uma benção grossa e cafona que havia comprado em um brechó. Mesmo Sasha estando mais a frente, fora ele que girou nos calcanhares enquanto Megan continuava a correr sem nem mesmo olhar para trás. A única coisa em que pensava era como não queria se tornar uma daquelas coisas.

- Vamos lá Kathy. – ele incentivou, ajudando-a a se levantar e a apoiando em seus ombros –  Sobrevivemos ao Texas, nós damos um jeito nisso.

- Corra Sasha, eles vão acabar nos alcançando. – Katharine pediu, entre ofegos. Apesar de conseguir andar normalmente, toda a velocidade é precisa para fugir de uma horda daquele tamanho.

- Não aja como uma maldita vadia estúpida, Kathy! – Sasha quase berrou quando sentiu a mão de uma das coisas agarrar os seus cachos, mas a bala da 9mm de Megan passou zumbindo pelo seu ouvido e tirou a morte certa de seu encalço – Ou eu arranco essa sua língua antes que você fale mais alguma besteira.

Megan atingiu o outro lado do beco. O seu temor finalmente ganhou voz, uma segunda horda os esperava na outra avenida, apenas aguardando que seus olhos quase cegos vissem alguma carne viva. Atirou uma última vez num dos mortos-vivos que vinham no encalço de Sasha, mas o bicho estava tão perto que ele acabou tomando metade da potência do tiro de raspão em sua cintura. Acabou tropeçando por baixo de Katharine.

A situação parecia perdida quando o grupo começou a ouvir uma batida frenética. Começou baixo, bem baixo, e depois foi aumentando, e aumentando, e aumentando.

Hey mama! Look at me.

I’m on my way to the promise land.

O Aston Martin preto veio derrapando pela pista, atropelando uns seis zumbis no processo. O carro parecia um necrotério particular, de tanto sangue e partes orgânicas em sua pintura e rodas. Para finalizar ainda tinha quem o estava dirigindo, sentado na janela enquanto conduzia o volante com os pés, ele vinha empunhando a sua tesoura fazendo um verdadeiro massacre pela rua. O cara devia ter matado mais zumbis naquela pequena chacina do que os três em um dia inteiro e Megan prometeu que se ele sujasse ainda mais o seu bebê Aston teria a sua cabeça num pedestal.

I’m on the highway to hell

On the highway to hell

- Bem na hora, Ross! – disse Sasha, com um enorme sorriso no rosto.

Ross desceu do carro, matando alguns zumbis que se puseram em seu caminho. As feições firmes, como os olhos azuis claros – quase um símbolo egípcio – os lábios carmesins, os cabelos curtos e castanhos e o quase imperceptível furo no queixo estavam disfeitos naquela sua já conhecida expressão homicida e quase descontrolada. O jaleco sobre a blusa preta e a calça jeans estava completamente tingido de sangue e havia uma corda de tripas sobre os seus ombros.

Megan se jogou para dentro do automóvel, ligeiramente tentada em arrancar com ele e ir para o mais distante possível. Porém, não sabia se era esse clima de fim do mundo, mas estava ficando irritantemente benevolente nesses últimos tempos, e a única coisa que conseguiu fazer foi cobrir Sasha em sua corrida, atirando nos zumbis mais próximos. Katharine sentou-se no banco de trás na velocidade da luz, uma coisa incrível para quem está com o tornozelo torcido, e Sasha deu cobertura a Ross que havia se metido no meio da horda daquele jeito desenfrado que simplesmente o irritava.

- Vamos logo, Ross!

A horda já passava suas mãos pelo carro, um deles quebrou a janela bem do lado de Katharine, que teve que se jogar no chão.

- Vambora Sasha! – gritou Megan, enquanto atirava nos zumbis que tentavam entrar no carro.

Mas Sasha nunca, jamais, deixava alguém para trás.

Foi preciso que ele se enfurnasse no meio daquela horda e agarrasse Ross pelo jaleco. Num rompante, a tesoura se enterrou em seu ombro esquerdo e ele rosnou de dor, mas nem por isso deixou de arrastar o americano para o carro. Assim que chegaram, Sasha jogou-se junto a Ross no banco de trás e Megan acelerou com tudo, dando partida em direção a Washington, o único lugar seguro da América.

Ou era isso que ela pensava.


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Notas finais do capítulo

Obrigada a Helena Lestrange, a Nanny e a Marymee pelas fichas, gamei de verdade nelas.
E agora, como lidar com os durões de Nevada? Eu sei, mandando reviews, é claro :D