Diário Dos Sonhos escrita por vickiemd


Capítulo 2
Capítulo 2




Há muito tempo, quando eu aprendi sobre espaço, planetas e tudo mais, entrei em uma crise existencial pensando "ah, não sou nada comparada com o universo". Afinal, tudo era grande demais, e mesmo alta, era menor que um grão de areia.

Me senti mais ou menos assim quando entrei no Ginásio. Agora entendi porque a escola é tão cara. O lugar é enorme, do tamanho de um campo de futebol, divido entre duas quadras: uma de concreto, com uma grande corda pendurada para aqueles exercícios estúpidos de escalar (já quebrei um braço ano passado por causa disso), dois painéis de basquete em cada lado, e no canto, percebo uma rede de vôlei enrolada.

No outro lado, temos uma grama verde, com duas traves de futebol e 4 losangos desenhados no chão com tinta branca. Beisebol, presumo.

Não que eu não goste de esportes. Na verdade, adoro. O problema é que sou a pessoa mais desastrada do planeta, e quando tento correr, acabo tropeçando nos meus próprios pés. A única coisa na qual sou boa é goleira. Minha péssima habilidade de se esquivar das coisas (indo diretamente contra elas) me ajuda na hora de defender o gol. Por outro lado, sou horrível na queimada.

Andamos com a multidão de alunos. A arquibancada é enorme, e as pessoas vão sentando. Parece que existe uma linha imaginária. Os pequenos, do 6 ano, se sentam no extremo direito, e quanto mais para esquerda, mais altos e assustadores os estudantes ficam.

–Onde vamos sentar? -Sally me acorda dos meus devaneios. -Quer dizer, tem tipo um bilhão de pessoas aqui.

–Deve ser lá-Apontei para onde um grupo de alunos sentavam. Pelos meus cálculos, deveria ser o lugar do 9 ano.

Chegamos. Duas pessoas me chamaram atenção. Dois meninos, na verdade. Sentavam na última fileira. Um era moreno, de olhos azuis com cabelos negros e ondulados e era uma das únicas pessoas do ginásio que estava usando calças jeans (ele se destacava na multidão bege). Do seu lado, tinha um garoto loiro, cheio de sardas e olhos castanhos. Os dois eram bonitos. Mas o moreno exalava charme e rebeldia. Senti minhas bochechas queimarem quando nossos olhares se cruzaram, sem querer.

–Deus, Vivian, não olhe agora, mas olha aquele cara! -Ela apontou discretamente para um menino do 10 ano, alto, que ria com os amigos. Ele era muito bonito. -Acha que tenho chance com um menino mais velho?

–Hahaha, mal chegamos Ally! Tente se concentrar nos estudos.

Ela revirou os olhos. Não que Sally fosse burra, só não gostava de estudar. Na véspera das provas ela sempre corria pedindo uma revisão de última hora (sempre fui a aluna mais inteligente).

Nos sentamos na primeira fileira. Queria olhar para trás, e ver o garoto bonito. Amarrei meu cabelo em um rabo-de-cavalo alto com o elástico no meu pulso.

–Sabe, Vi, se tivesse seu cabelo, eu seria a pessoa mais feliz do mundo. Olha isso. -Ela pegou um pequeno cacho e enrolou no dedo.

–Diz a garota de cabelos azuis! Eu que tenho inveja do seu.

Sorrimos.

Olhei em volta discretamente. Fiquei assustada. Um grupo de garotas da nossa série aparentavam 17 anos. Uma loira olhou para mim. Deus, ela era pateticamente linda. Seus cabelos eram cacheados e macios, que davam uma vontade inexplicável de tocar. Mas não cachos definidos como os meus. Eram ondas largas e charmosas. E, oh não, ela tem olhos verdes. Eu também tenho, mas os meus são de um verde oliva, aquele sem vida e que parece um castanho quando está escuro. Os dela eram charmosos, formavam uma curva para cima na ponta, e aqueles eram os maiores cílios do mundo! Para piorar, ela usava o uniforme tão perfeitamente que parecia que ela saiu do America's Next Top Model e simplesmente calçou um tênis para ficar "adequado para a escola". A blusa bege estava cortada em um decote canoa, e uma gravata escura estava amarrada de qualquer jeito em seu pescoço, parecendo aquelas britânicas de seriados de TV. A saia xadrez era igual a de Sally, mas 10 vezes mais curta. Ela estava com um vans vermelho de cadarços brancos, e não usava meia. Como ela conseguia? Ninguém consegue ficar bem de uniforme.

Corei quando percebi que estava encarando ela há uns cinco minutos. Ela levantou uma sobrancelha e cochichou algo para a amiga de cabelos castanhos, igualmente bonita, porém com uma boina ridícula. Elas riram. Eram umas cinco garotas. Revirei os olhos. Esse lugar deve ser um Upper East Side. E aquela era Blair. Ou Serena? Não consigo me decidir.

Sally sorria enquanto encarava o garoto mais velho. Sally arranjava um novo amor há cada semana. Já levou milésimos foras, mas não se importa. Acho que nunca me apaixonei de verdade. E confesso que acho que não estou pronta para isso.

Um microfone fez um barulho insuportável, aqueles que explodem seu tímpano, e todos se sentaram. Uma senhora elegante, magra, e de cabelos grisalhos presos em um coque firme chegou no púlpito e agarrou o microfone. Atrás dela, uns 30 adultos, que presumo seres os professores.

–Bem-vindos há mais um ano em St. Edwiges! Para os novatos, meu nome é Theodora Anette. Fiquem a vontade para perguntar qualquer coisa ao corpo docente -Apresentou os professores com um aceno- ou aos veteranos. Todas as turmas foram divididas em duas salas. Os papéis contendo os nomes dos alunos estão no mural do corredor principal. Peço, por favor, que os representantes de cada turma venham aqui.

Olhei para trás. A garota loira que parecia uma modelo se levantou, recebendo aplausos das amigas. Um outro garoto, oriental, que usava óculos, também se levantou. Ele tinha um rosto fofo, mas nada comparado ao moreno de olhos azuis (seria ele o Chuck Bass da escola?).

Duas pessoas (um menino e uma menina) de cada turma se levantaram, e foram até o palanque improvisado.

Cada um dizia seus nomes, e suas respectivas turmas. A garota loira pegou o microfone e disse em alto e bom som:

–Sarah Satterson, 9A.

Droga. Ela tinha sotaque inglês. O jeito como pronunciava "Sarah" (Sah-rah) era super britânico. Ah, que ótimo. Por que meninas bonitas tem que ser inglesas? Isso é completamente injusto. Quer dizer, é o sotaque mais charmoso do mundo. Bem melhor que o meu "ar" do Texas.

O japonês também falou:

–Andrew Isao, 9B -Falava com um sotaque engraçado. Presumo que seja japonês.

–Aposto que é o mais inteligente da turma -Sally sussurou. -Até mais que você. Se isso for possível.

–Isso é completamente possível.-Ri-Ele é oriental.

–Será que ele me ensina a fazer sushi?

–Pare de ser boba, Sally. -Dei um empurrão no seu ombro. Rimos.

Depois que todos os representantes se apresentaram (eu e Sally discutimos em sussurros como e quando eles são escolhidos) a diretora mandou todos irem para suas salas.

Levantamos. Fomos empurradas pela multidão de alunos, e tropecei sem querer em alguém. Me desculpei e vi que era o garoto de olhos azuis. Ele me olhou com deboche e disse:

–Legal o cabelo, ruiva.

Corei. Sally me empurrou para frente.

–Quando vou parar de ser desastrada? -Lamentei.

–Nunca, se depender de você, hahaha. -Revirei os olhos.

Todos estavam indo para o corredor. Uns 100 alunos se amontoavam para ver em qual turma estavam. Esperamos sentadas em um banco. Quando o movimento passou, levantei-me.

–Ei, torça para estarmos juntas -Ela sorriu.

Vamos estar. Nunca ficamos separadas. Nunca. Era uma questão de sorte.

Fique na ponta dos pés (Sally não alcançava) e olhei os papéis escrito "9 ANO". Procurei meu nome. Estava em segundo na turma A. "Campbell, Vivian".

–Droga, estou com aquela loira.

–Onde estou? -Disse ela, ansiosa.

–Calma aí - Procurei o J, passei pelo C, D, D, D, E, G, G, H, I, L, L, M. Espera. Nenhum J estava lá. Olhei aflita no papel da outra turma. "Johnson, Sally". Droga.

–E aí? -Disse ela, com os olhos brilhando.

Mordi meu lábio.

–Unm, você está na turma B.

–Isso é bom?

–Eu estou na A. -Ela fez cara de confusa- Não foi dessa vez.

–Oh, meu Deus! Que droga! Vamos pedir para trocar!

–Ei, calma Ally, só são turmas. Isso não significa nada.

Ela fez cara de choro.

–Vamos sentar juntas no almoço, tudo bem?

–Claro-dei meu melhor sorriso.

Olhamos nos horários. Eu tinha literatura, e ela matemática.

–Que droga. Hoje não é mesmo meu dia de sorte-Colocou a língua para fora.

O sinal tocou. Fomos até o armário. Peguei meu caderno roxo, estojo e a minha mochila de poá.

–Tchau. -Ela disse com um sorriso.

–Tchau-Dei um abraço.

Nos separamos. Andei procurando a placa "LITERATURA INGLESA". Estava triste de me separar da Sally, mas talvez isso fosse exagero. Nada iria mudar, não é mesmo? Quer dizer, iríamos continuar juntas, de qualquer jeito.

~



Notas finais do capítulo

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