Invisível escrita por Carolina Fernandes


Capítulo 26
Arriscar


Notas iniciais do capítulo

Oiiiiiiiii Galeraaa linda do meu kokoro! ♥
Primeiramente,
Lally, sua coisa mais linda! Que recomendação maravilhosa *------* Estou sem palavras.
Sério, menina, fico tão extremamente feliz que goste tanto assim da minha fiction *--*
A cada palavra sua que li meu sorriso foi aumentando :D haha' Obrigaaada mil, um milhão de vezes!
Mesmo, MUITO OBRIGADA, fiquei muito feliz e honrada :} Sem contar que você falou que sou divertida e bem-humorada e tal haha'
Obrigada, faço o que eu posso para trazer sorrisos a todos meus leitores ^^
O capítulo de hoje é dedicado a você ♥ Linda, sua linda! xD (sério, ainda estou meio tonta de tão feliz kkkk')
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Agora, algumas coisas importantes para o capítulo:
Quando começar uma música, será essa.
http://www.youtube.com/watch?v=m0xg8_VvFFI
O nome da música é "let me love you", ela é do Ne-yo, porém eu utilizei a versão do glee. :)
Quando a cena chegar ouçam a música junto, sério messmo, ouçam u.u
Outra coisa.
nunca mostrei como sempre imaginei a Ayame, então, aí está:
https://fbcdn-sphotos-b-a.akamaihd.net/hphotos-ak-prn1/563779_582263865134506_1495022580_n.jpg
Só que ela estaria de cabelo curto :}
E quando falar de uma estrada, será algo parecido com isso.
https://encrypted-tbn3.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcThxEnHtpDSWTht_fBsK1GK_qX1YNSYThQk3K1c8tQ0NxbNhWD6
Bem é isso. :} Converso mais nas notas finas.
Enjoy :}
(o cap nada enorme)



A nova empregada servia-lhe uma xícara de café. O líquido marrom estava tão concentrado que podia sentir a cafeína no ar. Havia sido mais uma noite mal dormida, pois Ayame não parava de se remexer na cama e ele ficava com medo de que toda aquela movimentação atrapalhasse a recuperação da mesma. Suspirou pesadamente e ingeriu a bebida quente. A boca ficou amarga logo no primeiro toque do café com sua língua. Ouviu passos pesados vindo em direção à cozinha e revirou os olhos, pois sabia que era seu pai, que por algum infortuno motivo havia acordado mais cedo.

Fugaku, logo ao entrar no cômodo, olhou o filho dos pés a cabeça tanto de um modo desapontado como de um de desprezo. Itachi trincou os dentes e ignorou. Iria se mudar daquela casa assim que tivesse a chance, apenas se preocupava com o bem estar da mãe, única razão para ainda não ter feito as malas.

-Vejo que já está percebendo o mato sem cachorro no qual se meteu com aquela mulher... – o pai comentou enquanto esperava a empregada trazer seu café da manhã. O Uchiha mais novo apenas respirou fundo e tentou recuperar a calma que nunca lhe faltara. Não queria brigar com o homem tão cedo no dia.

-E eu imagino que isso seja apenas problema meu. – lançou um olhar feroz para o velho, quem torceu o nariz e apressou a pobre da serviçal rudemente, apenas para descontar a raiva.

-Itachi... – uma voz sonolenta e embargada chamou o moreno pelas costas. Ao se virar, deparou-se com a namorada, ainda de pijamas, com os olhos chorosos.

-Ayame-chan, não deve ficar descendo as escadas... – Mikoto, que acabara de chegar à cozinha, já se aproximou da nora com preocupação e cautela.

-Está tudo bem, eu já me sinto bem melhor... – a pequena sorriu com delicadeza, porém seu sorriso ainda não era iluminado ou cheio de vida.

-É claro que sim, daqui a pouco poderá ser confundida com uma rainha devido a tantos cuidados. – Fugaku soltou o comentário maldoso, fazendo com que Ayame corasse e se encolhesse. A jovem já se sentia extremamente intrusa na casa e odiava depender tanto do namorado. Sentia-se uma inútil tendo os cuidados do homem vinte e quatro horas todos os dias.  A esposa lançou um olhar furioso ao marido e, sem dizer nada, foi até ele, pegando-o pelo pulso e arrastando para algum outro lugar. A mulher estava decidida a contar tudo ao companheiro para ver se conseguia colocar algum senso em sua cabeça dura.

Itachi passou a mão pelo rosto cansado no intuito de esquecer o que seu pai havia dito. Ignorar era sua melhor opção no momento. Voltou-se a namorada e pegou em sua mão com gentileza.

-Quer alguma coisa? Está com fome? – perguntou encarando os olhos opacos.

-Quero água. – e logo depois que respondeu, ela se desvencilhou do toque do Uchiha, algo que o incomodou profundamente. Este pegou um copo de água e esperou que ela terminasse de beber.

-Vem comigo. – disse já levando a jovem para longe do local. Eles entraram por uma porta bem nos fundos da casa e, após descerem uma escada de madeira, saíram no porão. O local estava um pouco empoeirado e guardava uma grande quantidade de caixas, cujas maiorias eram de antigos documentos e contratos preservados para eventuais consultas.

Itachi se aproximou de um grande móvel coberto por uma manta, enquanto Ayame apenas observava tudo a sua volta. Quando o moreno retirou a manta, revelou um belo piano baú preto, que, mesmo um pouco empoeirado, ainda reluzia de beleza. Ele encarou o instrumento por alguns instantes e depois tornou a olhar para a namorada.

-Quando eu era criança, eu queria ser um cantor. Era o meu sonho. – seu olhar ganhou um brilho nostálgico e saudoso. – Eu pedi a meu pai um piano, dando a desculpa de que aprender a tocar um instrumento de tanto prestígio era algo nobre. Ele caiu direitinho. – um riso travesso brotou nos cantos de seus lábios ao relembrar – Eu tocava e cantava toda hora em que não estava estudando... – ele acariciou a madeira negra e pareceu desejar que tais tempos voltassem.

-Por que não seguiu seu sonho? – Ayame perguntou já se aproximando do namorado, porém, mesmo querendo tocá-lo, evitou tal atitude. O Uchiha apenas suspirou.

-Conforme Sasuke foi crescendo, eu percebi que ele não assumiria os negócios da família. Para tirar um pouco da pressão de nosso pai dele, eu disse que assumiria tudo. Com isso, cada vez fui ficando mais ocupado e depois de um tempo eu já não tinha tempo para o piano, que foi guardado aqui. – sorriu com tristeza – Eu poderia ter seguido em frente com meu sonho, sabe? Ser rebelde e coisas do tipo, porém isso acabaria tirando toda a liberdade que sempre fora parte da essência de meu irmão.

A jovem encarava-o com certa compaixão no olhar. Era fácil notar que Itachi sempre colocava os outros acima de si. Ele abria mão das coisas as quais amava apenas para não deixarem as pessoas que amava terem de tomar tal atitude.

-Eu quero cantar uma música para você. – disse com intensidade nos olhos. Intensidade que fez o corpo de Kurumizawa tremer de leve.

-Tudo bem.

O moreno iria tentar uma última coisa para que a moça abrisse seu coração para ele. Sabia que muitas vezes a música comove muito mais que palavras, talvez por uni-las com melodia. Às vezes, apenas nos emocionamos com uma cena de filme, porque a trilha sonora foi bem escolhida. De qualquer forma, não custava tentar, afinal sabia que o espírito conturbado de Ayame acalmava-se quando ele cantava para ela durante seu sono.

-Você é fluente em inglês, certo? – ela assentiu com a cabeça. – Então, por favor, preste atenção em cada palavra e saiba que elas representam o que eu verdadeiramente sinto.

Itachi respirou fundo e sentou-se a frente do piano. Posicionou os dedos nas teclas e apenas sentiu-as por alguns momentos. Havia ensaiado a música nas semanas após ter saído do hospital. Limpou a garganta e acalmou a respiração. A pequena sentou-se em uma caixa qualquer e ficou olhando para ele com certa ansiedade e curiosidade. Então ele começou a tocar.

Seus dedos deslizavam pelas teclas como se ambos pertencessem juntos. E no momento em que começou a cantar, Ayame pensou ter sentido o coração parar devido à voz aveludada e melodiosa, que apenas saía, sem precisar de esforço.

Much as you blame yourself  (Por mais que você se culpe)
You can't be blamed for the way that you feel (Você não pode ser culpada por como se sente)
Had no example of a love (Não teve exemplo de um amor)
That was even remotely real (que foi apenas remotamente real)
How can you understand something that you never had?
( Como você pode entender algo que nunca teve?)
If you let me I can help you out with all of that (Se você me deixar, eu posso te ajudar com tudo isso)

Conforme as palavras saíam de sua boca, a jovem podia sentir um arrepio percorrer todo seu corpo. Sua respiração se desregulou um pouco por sentir cada letra dar um tapa em seu ser e fazer seu coração acelerar uma batida. A voz do moreno não podia ser mais perfeita aos ouvidos e ela podia sentir o corpo aos poucos começar a ficar mais leve a ponto de flutuar.

Let me love you ( Deixe-me te amar)
And I will love you (E eu vou te amar)
Until you learn to love yourself (Até que você aprenda a se amar)
Let me love you (Deixe-me te amar)
I know your trouble (Eu conheço os seus problemas)
Don't be afraid, oh, I can help (Não fique com medo, eu posso ajudar)
Let me love you (Deixe-me te amar)
And I will love you ( E eu vou te amar)
Until you learn to love yourself (Até você aprender a se amar)
Let me love you (Deixe-me te amar)
A heart of numbness, gets brought to life (Um coração entorpecido é trazido de volta a vida)
I'll take you there (Eu te levarei até lá)

Itachi podia sentir que cantava com toda a força de seus sentimentos. Queria desesperadamente que sua voz conseguisse atravessar cada barreira que pudesse existir em volta das dores e sofrimentos de sua namorada. Desde o primeiro momento que ouvira a música, soubera que não poderia existir outra mais perfeita para explicitar o que tanto queria falar, mas que era impedido toda vez pela mulher.

I can see the pain behind your eyes (Eu posso ver a dor por trás dos seus olhos)
It's been there for quite a while (Está lá há algum tempo)
I just wanna be the one to remind you what it is to smile (Eu só quero ser aquele que te lembrará o que é sorrir)
I would like to show you what true love can really do (Eu gostaria de te mostrar o que amor verdadeiro pode realmente fazer)

Ayame sentia seu corpo entorpecer com rapidez. Seu coração parecia aquecer ao ouvir e ao olhar o homem que amava abrir o coração com tanta sinceridade para ela. Ela podia sentir com todos os sentidos que ele cantava com toda a alma e honestidade que podia. Ela havia sido cega esse tempo todo? Os fracassos de sua vida a haviam impedido de acreditar que alguém poderia estar assim tão disposto a curá-la? Apertou a mão contra ao peito. Realmente tinha sido estúpida. Era só deixar a maldita muralha cair que tudo ficaria melhor. Era só ser vulnerável e deixar Itachi alcançá-la, consolá-la e ao poucos tratar as feridas de seu coração. Nunca fora assim tão difícil. Ela não precisava ter medo, ele ainda estava ali, ainda persistia, ainda olhava-a da mesma maneira. Deixara seus medos cegá-la. Tantas conclusões e pensamentos passavam pela cabeça da morena, que seus olhos começaram a lacrimejar.

Let me love you ( Deixe-me te amar)
And I will love you (E eu vou te amar)
Until you learn to love yourself (Até que você aprenda a se amar)
Let me love you (Deixe-me te amar)
I know your trouble (Eu conheço os seu problemas)
Don't be afraid, oh, I can help (Não fique com medo, eu posso ajudar)
Let me love you (Deixe-me te amar)
And I will love you ( E eu vou te amar)
Until you learn to love yourself (Até você aprender a se amar)
Let me love you (Deixe-me te amar)
A heart of numbness, gets brought to life (Um coração entorpecido é trazido de volta a vida)
I'll take you there (Eu te levarei até lá)

Let me love you ( Deixe-me te amar)
And I will love you (E eu vou te amar)
Until you learn to love yourself (Até que você aprenda a se amar)
Let me love you (Deixe-me te amar)
I know your trouble (Eu conheço os seu problemas)
Don't be afraid, oh, I can help (Não fique com medo, eu posso ajudar)

 

O Uchiha terminou a música, contudo continuou com as mãos nas teclas por alguns minutos. Não queria olhar para namorada e ver o mesmo olhar distante e opaco de sempre. Não queria descobrir que havia falhado mais uma vez. Respirou fundo e apenas continuou olhando para o piano.

-Itachi... – a voz sussurrada de Ayame atingiu seus ouvidos. Ao perceber o som extremamente próximo de si, virou a cabeça, surpreendendo-se com uma figura abalada e trêmula, já com grossas lágrimas descendo pela face. A boca do moreno abriu um pouco para emitir palavras, todavia, antes que pudesse dizer algo, a jovem se jogou em seu colo e o abraçou com força. Podia sentir a água salgada molhando sua roupa. Envolveu a pequena em seus braços com cuidado e deixou-se embriagar pelo cheiro de amoras que tanto gostava. – Eu preciso de ajuda, Itachi... Por favor, me ajuda. Faz essa dor passar, por favor. – ela murmurava entre soluços.

Uma felicidade profunda se instalou no peito do namorado. Ele sorriu e uma lágrima de alívio escapou por um de seus olhos. Puxando o rosto de Kurumizawa para encará-la, limpou as lágrimas que escorriam e beijou-a com paixão.

-É tudo o que eu mais gostaria de fazer.

E abraçados ficaram por um longo tempo. Do mesmo como ficavam antes de Hiruzen aparecer.

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Muito certamente iria tirar a Sakura da cama, porém não conseguiria esperar até de tarde. Acabou acordando cedo e indo para o apartamento da rosada. Tinha medo que se demorasse demais acabasse perdendo a coragem. Parou em frente à porta branca e respirou fundo. Após bater, não teria como voltar atrás. Olhou para os dois lados do corredor como se procurasse uma excelente desculpa para não fazer aquilo, contudo não havia alguma. Respirou fundo mais uma vez e tocou a campanhia.

A Haruno demorou em responder e, quando apareceu diante de Sasuke, estava um pouco descabelada e com pálpebras pesadas. Ela esfregou os olhos e franziu o cenho ao ver o Uchiha tão cedo na manhã de um domingo.

-Sasuke, o que faz aqui tão cedo? – murmurou com a voz ainda embargada e rouca.

-Será que podemos dar uma volta? – foi direto ao ponto, pois se enrolasse poderia sair correndo a qualquer instante. Sakura arqueou uma sobrancelha. Queria muito voltar a dormir, estava morta do trabalho no hospital e da residência que fazia, porém toda vez que olhava para o moreno seu corpo simplesmente gritava para ir onde quer que ele fosse.

-Tudo bem, só deixa eu tomar um banho. – então abriu caminho para o rapaz entrar. O Uchiha foi direto para o sofá, agora muito familiar.

-Agasalhe-se bem, vamos de moto.

A rosada apenas assentiu com a cabeça ainda meio desnorteada. Foi direto para o banheiro e tomou um banho quente e razoavelmente rápido. Pode se sentir bem mais acordada após terminar. Trocou-se, colocando uma grossa calça jeans, uma cacharrel de lã branca por cima de uma blusa de algodão de mangas compridas. Vestiu um bota caramelo, mesma cor de sua jaqueta de couro. Quando pronta, voltou à sala e olhou para o moreno, que parecia muito concentrado em pensamentos enquanto encarava o teto.

-Estou pronta. - Sua voz pareceu despertar Sasuke de um transe. Ele se sobressaltou um pouco, mas voltou rapidamente à compostura.

-Então vamos.

Os dois trocaram poucas palavras durante o curto caminho até onde a moto estava estacionada. Sakura estava curiosa, pois o Uchiha parecia inquieto e até mesmo inseguro, se isso fosse possível, refletia. E as observações dela estavam corretas, pois era desse modo que o jovem se sentia. Tudo em seu corpo parecia agitado, como se ele precisasse desarmar uma bomba ou algo do tipo. Até suas mãos suavam, por Cristo! Ele trincou os dentes de raiva, afinal nada nunca o havia deixado de tal maneira.

Quando chegaram ao destino, Sasuke voltou o olhar a Sakura e abriu a boca algumas vezes, como se estivesse tentando encontrar palavras adequadas, mas depois de algumas tentativas acabou desistindo e apenas entregou o capacete para a mulher um pouco bicudo.

Os olhos esmeraldas se arregalaram ao ver o objeto estendido. O que antes era completamente preto estava agora customizado com delicadas flores de cerejeira. Era um modo de dizer que o capacete era dela e somente dela. Sentiu os olhos lacrimejarem, porém piscou várias vezes para dissipar a água, não queria chorar. Pegou o que lhe pertencia das mãos do Uchiha e sorriu para ele, quem pode sentir o universo se mover ao presenciar o sorriso reluzente e lindo que Sakura o oferecia. Seus dedos formigaram e ele teve de desviar o olhar, pois sabia que deveria estar com uma feição estúpida e corada.

-Você fez para mim? – ela perguntou sentindo um calor de alegria preencher seu ser.

-Gostou? – perguntou apenas olhando-a de canto. Estava envergonhado e ficava maravilhosamente fofo de tal forma, pelo menos era o que a Haruno pensava. Esta apenas balançou a cabeça afirmativamente para respondê-lo e enfiou a proteção na cabeça, ainda com o sorriso contagiante em face.

Sasuke subiu na moto e, depois de sentir os braços finos envolverem sua cintura provocando-lhe um arrepio pela espinha, deu partida e saiu em disparada. Eles andaram por vários quilômetros. Após passaram do centro da cidade, Sakura começou a se perguntar onde ele poderia estar a levando. Acabaram por sair da cidade. O moreno, em determinado ponto, pegou uma saída na movimentada rodovia principal e alguns minutos depois parou no meio de uma estrada deserta. O asfalto estava coberto por um pouco de neve e grandes árvores secas e brancas acompanhavam o caminho por uma grande distância. Era uma estrada extremamente bela. A rosada apenas conseguia imaginar o quão mais bela ela ficaria na primavera.

-Fique em pé. – Sasuke disse provocando certa confusão na Haruno, quem franziu o cenho e encarou cintos parecidos com os utilizados em paraquedismo os quais o moreno segurava nas mãos. – Você disse que queria voar, não foi? Agora, apoie os pés ao lado da moto e fique em pé. Ah, e tire o capacete. – ela apenas obedeceu às ordens, ainda confusa. Ele começou a amarrar o corpo dela a si, sua cabeça batia no ventre dela. – Quando eu começar a acelerar feche os olhos e abra os braços.

-Sasuke, eu vou cair. – disse com medo ao perceber a loucura que estava prestes a fazer.

-Não se preocupe, não vou deixar isso acontecer.

O tom protetor na voz dele foi tão sincero que ela só conseguiu respirar fundo e fechar os olhos. Sentiu um frio na barriga ao ouvir o som do motor ligando, porém, conforme a velocidade foi aumentando, um sentimento de liberdade foi inundando todo seu ser. O vento frio bagunçava seus cabelos e esfriava suas bochechas, era tão forte sobre seu corpo que realmente parecia carregá-la. Ela sentia estar voando. Sorriu e abriu os olhos. As arvores passavam ligeiras por sua visão, contudo não perdiam a beleza. O céu estava límpido e azul e, ao olhá-lo, sentiu-se tão livre como um pássaro. A felicidade preencheu seu espírito e ela começou a gargalhar. Um grito de animação cortou o silêncio da manhã.

Sasuke também sorriu por debaixo do capacete. Adorava vê-la feliz, do mesmo modo como adorava sua cara emburrada. Percorreu alguns quilômetros em alta velocidade e depois foi reduzindo ao poucos até parar na beira da estrada. Desamarrou Sakura de si. Ela desceu da moto um pouco zonza e gargalhando feito uma criança enquanto rodopiava de braços abertos. Ele sorriu por saber que havia sido o responsável por tal alegria.

Então a rosada se jogou na neve que cobria o terreno ao redor. O moreno se aproximou e sentou-se ao seu lado, observando o sol brilhante e frio.

-Isso foi maravilhoso, Sasuke! – ela parou de rir para encarar o Uchiha, que passara a olhá-la. – Obrigada. – e o sorriso que ela expressou foi ainda mais brilhante que o sol.

Sasuke virou o rosto, pois sentiu as bochechas esquentarem. Começou a remexer os dedos, perguntando-se como começaria a falar. Encarou o horizonte e decidiu apenas soltar as palavras de uma vez só.

-Então, Sakura... Em fevereiro eu vou me mudar para Tóquio... – ela voltou toda a atenção para ele – Eu sei que nós... Quer dizer, que ainda não existe um nós, mas eu... – podia sentir as mãos suarem. O discurso que havia ensaiado mentalmente havia se embaralhado completamente em sua cabeça – Mesmo não estando no direito de pedir algo assim... Será... Será que você gostaria de ir comigo?

Um peso pareceu ser retirado de suas costas e ele respirou aliviado por conseguir falar, mesmo que ridiculamente. Sakura sentiu o queixo cair. Do nada, ela se esqueceu como falar. Sasuke havia mesmo pedido para ela se mudar com ele? O que isso queria dizer? Que ele a estava pedindo em namoro ou algo do tipo? A única coisa que sabia era que não sabia o que o homem sentia por ela. Mordeu o lábio e desviou o olhar que mantinha. Apertou as mãos e se arrependeu antecipadamente pelo o que iria falar.

-Sasuke, por que exatamente quer que eu vá? Sabe, eu não quero abandonar minhas amigas e pedir transferência do hospital para me arriscar em algo que nem ao menos sei o que é. – exalou um ar que não sabia que segurava.

Sasuke foi pego de surpresa. Amaldiçoou-se mentalmente. Era claro que ela iria querer algo mais concreto para assumir tamanho risco! Ele era um idiota. Estava tentando de todo modo fugir das palavras necessárias, porém teria que dizê-las. Respirou fundo e reuniu toda a coragem que conseguiu.

-Eu... Eu quero estar com você. Na verdade, quando estou longe, não paro de pensar em você. – o som de sua voz ia abaixando gradativamente. Sakura começou a se aproximar para ouvir as palavras. – Eu quero que venha junto comigo, porque... Quero... Quero ser seu namorado... Porque... Amo você. – as duas últimas palavras saíram sussurradas e o moreno enterrou a cabeça no meio dos joelhos.

A Haruno paralisou. Pensou ter ouvido fogos de artifício em sua cabeça. Sua respiração ficou descompassada e seu coração começou a bater fortemente contra seu peito. Lágrimas de alegria escorreram por sua face ainda gelada. Ela riu de sua reação boba e adolescente só por ter ouvido aquelas duas palavras. Enfiou as mãos nos meios dos joelhos de Sasuke e pegou seu rosto, levantando-o apenas para poder unir seus lábios com os do homem quem amava. Sim, amava-o mais do que tudo.

Ele se surpreendeu no primeiro momento, porém não demorou a corresponder ao beijo, envolver a cintura de Sakura e aprofundar a carícia. Suas bocas já se conheciam, todavia o sabor parecia estar diferente, mais quente e doce. E a pressa, a voracidade, não estava mais presente, porque o que compartilhavam agora não era apenas desejo, era amor. Ao se separaram, por precisar repor o oxigênio aos pulmões, deixaram as testas encostadas com as respirações tornando-se apenas uma.

-Eu vou... Eu me mudo com você, como sua namorada... Porque eu também te amo.

Sasuke nunca imaginou que simples palavras poderiam o aquecer tanto de felicidade. Ele sorriu como raramente sorria e a rosada corou ao vê-lo com uma feição tão esplêndida. Seus lábios não ficaram separados por muito tempo. E no frio da neve, seus corpos se aqueceram de amor, de felicidade e de paixão.

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-Moço, essa pista está demorando demais para ficar livre! – Hanabi continuava a importunar o atendente do boliche, quem apenas revirava os olhos e tentava responder com simpatia pela milésima vez.

-Pare de aporrinhar o homem, Hanabi. – Neji pronunciou-se de mau humor. A prima fuzilou-o com o olhar. Hinata esperava começar a ouvir alguma troca de simpatias, porém se surpreendeu quando ambos viraram o rosto emburrados. O que havia acontecido? Perguntou-se. Seus pensamentos foram interrompidos pelos braços fortes de Naruto envolvendo sua cintura.

-Finalmente eu saí de casa! – quase gritou a frase para em seguida roubar um beijo estalado da namorada, que corou com o gesto feito tão publicamente.

-Verdade, né, já posso ver a flacidez no seu pescoço devido a sua síndrome de bunda molisse! – a Hyuuga mais nova não deixou o comentário maldoso escapar, mostrando uma feição vitoriosa quando o loiro fechou a cara.

-Hana, não pegue no pé do meu namorado!

-Você é muito boa para ele. Não sei o que ela viu em você, loiro oxigenado!

-Concordo com esta parte. – Sasuke, que havia se atrasado por estar com Sakura, chegara já dando um cascudo na cabeça de Naruto e um beijo na bochecha da vizinha.

-Olha se não é o mala Uchiha!

-Olha se não é a peste Hyuuga!

Estática pareceu ser trocada entre os olhos de Sasuke e Hanabi. Hinata apenas suspirou pesadamente e se agarrou mais ao namorado. Alguns minutos depois, uma pista foi liberada e o grupo se acomodou. O Uzumaki colocou todos os nomes no placar rapidamente e iniciou a partida, enquanto os outros vestiam os tênis adequados.

-Hey! Pode arrumar meu nome, loiro dos infernos! – o Uchiha já foi puxando a orelha do amigo após ver seu nome escrito “Gaysuke”. O loiro arrumou, porém não parava de gargalhar do vermelho raivoso que havia tingido as bochechas de seu agressor.

-Oras, pensei que esse fosse seu nome verdadeiro, flor do dia.

-Cala a boca, Hanabi! – vociferou Sasuke quase voando no pescoço da morena.

-Parem de brigar, vocês parecem crianças! – Hinata deu uma bronca cheia de delicadeza e os três resolveram passar a expressar o ódio apenas com olhares e gestos obscenos, que eram verdadeiramente obscenos. Muito obscenos.

Neji e Hanabi quase não trocavam uma palavra sequer, algo que deixou a azulada intrigada, afinal os dois estavam sempre trocando ofensas e a irmã nunca perdia uma oportunidade de atormentar o primo. Naruto e Sasuke já competiam para ver quem conseguia mais strikes. O primeiro ainda sentia um pouco de dor para fazer os movimentos necessários para jogar, porém seu orgulho fazia com que engolisse a dor, pois não se permitia perder para o segundo. A pequena era quem possuía o pior placar. Só conseguia derrubar no máximo três pinos, isso quando sua bola não caía na vala.

-Ah, eu sou péssima! – murmurou, sentando emburrada na cadeira.

-Você só não tem prática, meu amor! – Naruto já foi abraçando a namorada e depositando carícias divertidas por seu rosto para consolá-la.

-Arrumem um quarto! – Sasuke gritou enquanto fazia outro strike. O casal revirou os olhos e Hinata jogou uma batata frita na cabeça do vizinho, quem se virou irritado pronto para ofender o inútil responsável por tal ato, mas, ao ver que a responsável havia sido sua irmãzinha, apenas franziu o cenho e jogou a batata de volta.

Quando a vez da Hyuuga mais velha chegou novamente, o Uzumaki a acompanhou e deu diversas dicas para a morena, tentando garantir que a mesma derrubasse todos os pinos. Ele mostrou como ela deveria segurar a bola, como deveria posicionar os pés, o tipo de impulso que deveria pegar e aproveitou para tirar proveito do corpo da azulada no meio tempo. Ela se concentrou e jogou a bola com toda a força que possuía. Todos ficaram apreensivos e na torcida, porém, logo que a bola foi para a vala, quase foram ao chão de decepção. A pequena ria envergonhada. Naruto, por impulso ou loucura, pegou distância e se jogou na pista, escorregando de barriga e fazendo um strike com a cabeça.

Primeiramente, os queixos caíram e os olhos arregalaram, mas depois o grupo não conseguiu evitar cair na gargalhada, afinal só o loiro para fazer tal coisa.

-AE HINA, VOCÊ FEZ UM STRIKE! – ele berrava. Hanabi estava prestes a se contorcer no chão de tanto dar risada, porém encontrou forças para falar.

-NARUTO, VOCÊ PISOU NA LINHA! – intercalou a fala com mais risadas. – O STRIKE NÃO VALEU! – então a morena se jogou no chão, ao ver a feição estúpida que o loiro adquiriu. Ate mesmo Sasuke e Neji se rasgavam de rir da estupidez do amigo.

-Ei! Saia da pista! – um funcionário do boliche começou a dar uma bronca no jovem, quem pediu desculpas e fingiu ser a pessoa mais educada e polida da face da terra.

Hinata também ria do namorado, contudo não conseguia parar de achar a atitude extremamente fofa. Aproximou-se dele e beijou-lhe com carinho.

-Pode ter certeza que nunca vou esquecer meu primeiro strike. – sorriu e recebeu um largo sorriso iluminado de Naruto, quem a agarrou e rodopiou pelo ar, fazendo a mesma rir mais um pouco. – Ai meu Deus, ri demais. Preciso ir ao banheiro, já volto.

Deu mais um selinho rápido no loiro e saiu, deixando-o ser caçoado pelo resto do grupo. Sabia que devia ter borrado o lápis de olho, assim como o batom. Entrou no banheiro e foi direto para frente do espelho, tirando o que precisava da bolsa e iniciando os retoques necessários. Lembraria-se de sair para mais lugares com Naruto. Talvez, na primavera, pedisse a ele para levá-la a um parque de diversões. Sempre quisera se divertir em um fliperama também. Até poderia pesquisar alguns esportes radicais para praticar. Sorria com os planos futuros. Sentia as portas se abrindo frente a seus olhos, sabia que poderia fazer qualquer coisa com o namorado, porque nada seria chato ou sem graça. Sem contar que ele aceitaria fazer até a coisa mais louca.

-Vejo que Naruto está te fazendo muito feliz. – a voz um tanto tenebrosa fez com que Hinata se virasse para o corredor dos banheiros. Sentiu o ar sumir ao ver a bela loira e também ex-namorada do Uzumaki, parada a alguns metros de si, encarando-a com olhos vidrados e com, definitivamente, um tom psicótico.

-Você é a Shion, certo? – tentou ser simpática, mesmo com algo em seu interior gritando para correr para longe o mais rápido possível. Podia sentir o medo escapando pelos poros em forma de suor.

-Não me venha com esse sorrisinho cínico. Sim, eu sou aquela que não tem mais o namorado por sua causa. – um sorriso maldoso brotou nos lábios da mulher e a Hyuuga deu um passo involuntário para trás.

-Eu... Eu realmente não fiz nada... Não tive nada com ele enquanto ele estava com você. – tentava explicar alguma coisa. Livrar-se de Shion da melhor maneira possível, porém já traçava uma rota de fácil fuga em caso de emergência. A risada histérica da loira a fez dar um sobressalto.

-Você apareceu na vida dele, fez o suficiente. – ela se aproximou da azulada, de ombros explanados e peito estufado. O olhar penetrante fez a pequena encolher e começar a orar para todas as divindades conhecidas. – Só te avisando, devolva ele para mim e tudo fica bem.

-Isso é uma ameaça? – tentou falar com a voz mais firme e destemida possível, mesmo que interiormente estivesse com o corpo todo bambo.

-É. – a convicção na voz de Shion deixou bem claro para Hinata que ela não estava brincando. A morena engoliu em seco e reuniu toda a coragem que possuía.

-Eu não posso fazer nada se ele ama a mim e não a você. Desculpe-me, mas te aconselho a seguir em frente e procurar outro namorado, por que o Naruto já tem dona.

E com o nariz empinado e a postura impecável, ela saiu do banheiro. Engoliu toda a tontura e aperto no coração que tentava dominá-la. Não deixaria uma ex-namorada maluca assustá-la. Amava Naruto e não permitira que qualquer coisa a separasse dele de novo, nem que para isso tivesse que lidar com ameaças. Sabia que a louca desistiria uma hora ou outra, certo? Ela não seria capaz de cometer algum crime. Ou seria?



Notas finais do capítulo

EEEE AÍIIIIII?
gostaram? Gostaram? *----*
Aychi está se resolveeendo! Uhu, alegriaa. Mas isso não quer dizer que eles vão aparecer menos, nananinanão u.u
Eu juro que não ouvi essa música do ne-yo antes de criar a historia deles, eu simplesmente ouvi há algumas semanas e fiquei assim :O OMG, o meu rapper lindo fez essa música para Aychi, só pode! hahaha'
Espero que tenham gostado :}
Agora SasuSaku minha geeeente! Aposto que mais do que nunca todo mundo quer uma Sasuke xD Fofo ele, não? Fazendo a Sakura ter a impressão de estar voando, personalizar o capacete só para ela e ainda ser todo fofo para falar dos sentimentos *--* ooount, lindinho vem ni mim >3<'''
E a galerinha no boliche! Naruto super fofo se jogou na pista só para a Hina-chan ter um strike x) hahaha', NaruHina lindos como sempre.
Certa tensão entre Hanabi e Neji, já viu... e.e kkkkk'
E a Shion começou sua perseguição psicótica! OMG OMG shaiushdasudhashu' Todo mundo bravo comigo porque não dou paz para o casal principal.
Lally falou que minha fic tem tons de novela mexicana e está totalmente certa kkkk xD
Bem galerinha, é isso por hoje amores.
Espero que tenham gostado do capítulo e vejo vocês no próximo.
Se der algum problema com os links, me avisem ;)
Reviewem-me! ♥
Love.
XOXO



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