Meus Dias Com Ela escrita por Samazing


Capítulo 6
Surpresas.


Notas iniciais do capítulo

Bom, aqui estou eu com mais um capítulo da fanfic, espero que gostem, de verdade, me desculpem pelos erros. Bom, eu não estou conseguindo justificar o texto, não sei se o nyah não deixa mais ou eu que não lembro como faz, então se souberem, podem me dizer, obrigada.



Sasuke's POV.

O dia chegou rapidamente, acordei e tomei um banho para que pudesse despertar como na maioria das manhãs. Vesti-me rapidamente, usando tanto uma camisa — cujo símbolo do clã Uchiha encontrava-se na manga direita — quanto uma bermuda preta e segui em direção à cozinha para tomar meu café da manhã. Terminei de me alimentar e fui direto em direção ao local do exame Chuunin, e, por mais estranho que fosse, parecia que quanto mais tempo eu passasse na missão, mais tempo demoraria para acabar. Isso me irritava profundamente, mas teria que lidar com tal coisa.

Durante o percurso, alguns olhares críticos ainda se dirigiam a mim, mas eu não me importava. Cheguei ao local, algo que não demorou muito, o considerável tempo de todos os dias, na verdade. Ao chegar, Hinata não estava lá, algo que mais uma vez me surpreendeu, foi quando acabei me lembrando da conversa que havia ouvido há pouco tempo, porém mesmo assim decidi ignorar. Apenas continuei meus afazeres de onde tinha parado no dia anterior, sem pensar muito na Hyuuga, apenas queria terminar aquilo logo, e, sinceramente, queria que o dia acabasse logo, era sexta-feira, no dia seguinte não teria que trabalhar, o que me parecia bom.

Cerca de uma hora já havia se passado desde que eu havia chegado naquele lugar, até que deparei-me com a figura da menina de fios azulados adentrando o local, ainda mais ofegante do que da última vez que chegou atrasada. Estranhei o fato dela estar com duas malas em suas mãos, mas nada disse. Notei que ela se aproximava e resolvi continuar a fazer minhas tarefas, ignorando o fato dela estar próxima ou algo do tipo.

— Sasuke, me desculpe. — Esperou sua respiração acalmar para que pudesse dizer.

Eu apenas dei de ombros e nada disse, então ela simplesmente se afastou com um pequeno sorriso em seus lábios, voltando a fazer o que lhe fora mandado anteriormente. Cerca de meia hora se passou desde que Hinata havia chegado e já havia terminado de fazer suas coisas, portando decidiu me ajudar, mais uma vez, eu dei de ombros, mas simplesmente aceitei toda a ajuda que ela me oferecia, afinal, assim eu terminaria mais rápido, ou pelo menos, era isso o que eu pensava.

Uma figura familiar apareceu em nosso lado enquanto trabalhávamos, tinha olhos perolados, tal como os de Hinata e fios tinham um tom de castanho — era Ko. Ignorei o fato dele estar parado ao nosso lado, feito um poste, e a princípio, Hinata parecia fazer o mesmo, porém ela era agradável demais para fazer algo como aquilo, não conseguiu fingir ignorá-lo por muito tempo, portanto se levantou para que pudesse falar com o mesmo. Mais uma vez, o tom de voz deles era baixo, mas não baixo o suficiente para que não pudesse ouvir, talvez eu realmente escutasse bem.

— Hinata-sama, não pode simplesmente ir embora assim. — Ele proferiu, parecia preocupado.

— Tudo bem, eu vou conseguir um local para ficar, não se preocupe. — Olhei ligeiramente para os dois, ela tinha um pequeno sorriso em seus lábios, mas por algum motivo, ele não era doce como seus outros sorrisos. E eu, sinceramente, não sabia porque estava pensando nisso.

— Eu te ofereci minha casa, a senhorita não aceitou. Você não pode pedir para Sakura e Ino, elas estão em uma missão fora da vila, Tenten e Lee estão em Sunagakure, também em missão, a senhorita sempre diz se sentir um incômodo para Kiba e Shino, não irá pedir para eles, então onde irá ficar? — Perguntou, com o mesmo tom preocupado anterior.

— Eu já disse para não se preocupar, eu vou conseguir um lugar. — A Hyuuga insistiu em dizer.

— Hinata-sama... — Suspirou, e por fim, pareceu desistir. — Mas se não conseguir nenhum lugar, por favor, fique em minha casa, não pode ficar brigada com seu pai para sempre.

— Tudo bem. — Concordou, olhei rapidamente para ela novamente, mais uma vez estava sorrindo. — Obrigada.

O Hyuuga foi embora, Hinata voltou a me ajudar, como se nada tivesse acontecido, provavelmente ela pensava que eu não havia escutado nada, o que deveria ser o certo, mas não era minha culpa. Fingi não ter ouvido nada, ela nada me disse sobre as malas também. Era do tipo de pessoa reservada, talvez não tanto quanto eu, ou não do mesmo jeito, reservada de sua própria maneira tímida, enquanto eu preferia não falar, mesmo que as pessoas considerassem isso insensibilidade de minha parte ou algo do gênero.

O silêncio se instaurou entre nós como em grande parte de nossos dias, eu não me importava, pelo menos, era disso que eu me convencia. Nesses últimos dias, eu estava impulsivo, e era algo que eu realmente odiava, então decidi que pararia com isso a qualquer custo, principalmente quando se tratasse da Hyuuga, eu odiava aquilo. O silêncio permaneceu até que a hora do almoço finalmente chegasse e ela, finalmente, conseguisse quebrar o silêncio, mesmo que parecesse contra sua vontade.

— Sasuke-san, almoço. — Por mais que suas palavras soassem monótonas, ela ainda carregava um sorriso no rosto, por mais que não parecesse muito feliz, e isso, por algum motivo, fazia com que eu me sentisse estranho, não sabia bem como definir, mas não era algo bom.

Levantei-me, ainda sem nada responder e comecei a caminhar com ela na direção do restaurante em que íamos sempre. Eu não disse uma palavra — como sempre —, nem ela e ela não parecia se preocupar ou se importar, parecia estar pensando em outras coisas, pelo menos era isso que sua feição me revelava. Desviei meu olhar dela e passei a caminhar andando para frente, ignorando o fato de como ela estava, eu não me preocupava, afinal, não havia motivo para isso.

Ambos pedimos ramen naquele dia, um prato simples, porém que eu comia quase sempre, estava acostumado e eu gostava. Comecei a me alimentar, sem dar muita importância para a menina de olhos perolados ao meu lado, até que eu terminasse de comer, algo que fez com que eu olhasse para ela para ver se ela também estava terminando. Ela comia devagar, sua mente ainda parecia estar perdida em seus devaneios pela sua feição, parecia preocupada e ao mesmo tempo cansada. Eu não entendia bem, emoções não são o meu forte, quanto mais de pessoas como Hinata — meu oposto.

Levantamos e começamos a caminhar, continuei a ignorar o comportamento dela durante aquele dia, na verdade, todo aquele silêncio me favorecia, eu gostava de silêncio, e naquele dia, havíamos trocado ainda menos palavras do que o normal, se é que isso era realmente possível, afinal, nossas conversas normalmente se resumiam a Hinata falando quando necessário e eu respondendo sempre com o mínimo de palavras possíveis, nosso maior diálogo ainda havia sido no dia em que havíamos ficado trancados.

Voltamos a trabalhar, o dia passou naturalmente, não tão rápido e não tão devagar, mas pelo menos, no dia seguinte, eu não precisaria ir àquele lugar, teria um dia só para mim, e como Naruto e Sakura estavam em uma missão importante fora da vila junto com o trio InoShikaCho, não viriam me irritar ou coisa do tipo, algo pelo qual eu realmente agradeceria. Eles eram meus amigos, mas sabiam como me irritar profundamente quando queriam e eu odiava isso. Finalizei tudo o que tinha que fazer, e levantei-me para ir embora.

A Hyuuga já não estava mais do meu lado, parecia pensativa sentada próximo a saída do local. Enquanto eu passava por ali, ela mal parecia notar minha presença, na verdade, era isso o que eu pensava até ouvir o som baixo de sua voz dizer duas palavras: "Adeus, Sasuke-san". Suspirei, não queria responder, afinal, meu orgulho era uma coisa notória em mim, mas seu dia já não estava bom, não queria piorá-lo. Eu não me importava em perguntar para onde ela iria, afinal, eu já sabia que ela precisava de um lugar para ficar, mesmo que tivesse que fingir que não sabia de nada.

— Adeus, Hinata. — Eu proferi, em meu tom frio e baixo como o habitual.

Por incrível que pareça, o caminho de volta até minha casa foi solitário, se eu não me conhecesse bem, diria que senti falta dela. Mas eu não ligava, todos os dias eram assim para mim, eu já não me importava mais com esse tipo de coisa, estava acostumado, e o caminho de volta para casa não faria com que eu mudasse isso. Cheguei em casa, o caminho pareceu mais longo do que o normal por algum motivo, outro fato que ignorei. Tomei meu banho e troquei de roupa rapidamente, vestindo uma calça branca e larga de moletom.

Em seguida, fui até o armário da cozinha, de cor tabaco — tal como grande parte dos móveis —, a procura de ramen para que pudesse jantar, eu estava com fome, foi quando descobri que o ramen havia acabado. Suspirei, era a comida mais prática e uma de minhas favoritas, talvez pela própria praticidade na hora de preparar. Fui até o banheiro, troquei de roupa novamente, havia um mercado próximo a minha casa, não demoraria muito até comprar o que eu precisava. Vesti uma camisa azul marinha, com o símbolo do clã Uchiha nas costas, sendo escondido pelo casaco preto que usava, estava frio, e uma calça da mesma cor.

Saí de casa, segui até o mercado, não demorei muito a chegar, em seguida, fui até onde o ramen ficava e peguei alguns pacotes, não demorando muito a comprar. Voltei a caminhar para casa e senti alguns pingos de chuva começarem a cair, estava começando a chover e a chuva apertava conforme o percurso. Enquanto caminhava, debaixo da marquise de uma loja, avistei a figura feminina da Hyuuga com a qual trabalhava. Estava sentada em cima de uma das malas, com o rosto abaixado, afundado em seus joelhos. Eu a reconhecia, pois além da cor dos fios de cabelo, usava a mesma roupa de hoje mais cedo.

Pensei em continuara caminhar, como se nada tivesse acontecido, algo que eu faria naturalmente com qualquer um, mas havia aquele aperto estranho em meu coração e minha impulsividade repentina, e que eu tanto odiava, fez com que eu me aproximasse dela e encostasse a cabeça na parede que havia atrás de mim, apenas analisando aquela imagem por alguns segundos, ainda pensando em apenas continuar meu percurso, como se nada tivesse acontecido. Suspirei, sabia que me arrependeria disso futuramente e não fazia ideia de que merda estava fazendo naquele momento e nem o por quê disso. Meu suspiro acabou voltando o olhar perolado e marejado para mim, com uma feição surpresa em seu rosto.

— S-Sasuke-san. — Ela gaguejou, ainda me olhando surpresa.

— Se quiser pode ficar na outra casa do clã Uchiha que tem construída. — Dei de ombros, o mesmo tom frio habitual estava em minha voz.

— Eu não quero incomodar, desculpa... — Mais uma vez escondeu o próprio rosto nos joelhos.

— Tudo bem, não tem ninguém lá. — Conclui, em seguida, tirei meu casaco e joguei sobre ela, para que pudesse se proteger da chuva com ele.

Eu ainda não fazia a menor ideia do motivo de estar fazendo tudo aquilo, que soava gentil de mais para alguém como eu, ou do aperto no coração que sentia, mas eu não gostava nem um pouco. Estava surpreso comigo mesmo. O olhar de Hinata se voltou para mim após sentir meu casaco cair sobre ela.

— S-Sasuke-san... Obrigada. — Ela agradeceu.

Não respondi, dei de ombros. Ela vestiu meu casaco, em seguida, pegou suas malas e começou a caminhar comigo, o silêncio voltou a se instaurar entre nós, mas eu não me importava, como sempre. Não demoramos para chegar, mas ao invés de seguir para minha casa, segui para a outra, era bem próxima da minha, e abri a porta para que ela pudesse entrar. A casa não era muito grande, mas para alguém que moraria sozinha, era um espaço razoável, o suficiente ou um pouco mais do que isso, mas isso não era importante naquele momento. Encostei-me na porta da entrada depois que ela adentrou o local, deixando as malas em um canto qualquer e voltando-se até mim novamente.

— Eu nem sei como agradecer. — Ela disse, voltando o olhar tímido para o chão.

— Tsc. — Disse, um hábito antigo meu que havia adquirido para responder as pessoas. — Toma, pode jantar isso. — Abri a sacola e estendi um saco de ramen para ela, entregando-o juntamente com a chave da casa.

— Boa noite. — O tom baixo de sua voz disse enquanto eu voltava a caminhar até minha casa.

Ignorei seu boa noite e voltei para minha casa, minhas roupas estavam completamente molhadas, então a primeira coisa que fiz foi trocá-las, colocando a mesma calça larga e branca que vestia anteriormente, e em seguida me deitei, estava cansado naquele dia, o que favoreceu para que não demorasse muito para dormir naquela noite que havia sido mais longa do que eu esperava, por mais que eu realmente não quisesse daquela forma.

Hinata's POV.

Acordei quando os raios de sol que entravam através da janela, alcançaram meus olhos, incomodando-me e interrompendo meu sono. Meus olhos se abriram aos poucos, conforme me acostumava com a luminosidade do ambiente. Primeiramente, estranhei, por um momento havia me esquecido do que havia acontecido ontem. Era bom ter um lugar para morar, graças ao Sasuke, o que era surpreendente, mas eu não podia negar, sentia falta de casa, isso era um fato.

Levantei-me, fui até minha mala e separei uma roupa simples. O dia estava um pouco frio, portanto peguei um casaco com um leve tom de lilás e uma calça azul, em seguida, fui até o banheiro para que pudesse tomar meu banho e despertar. Assim o fiz, terminei de me arrumar e abri a cortina que cobria quase toda a janela, deixando toda a luminosidade do dia — que não era tanta, por estar nublado —, adentrar o quarto, tornando-o um ambiente mais agradável para mim. Olhei pela janela, todas as janelas da casa da frente, ou melhor, da casa de Sasuke, estavam fechadas.

Fui até a porta e saí da casa, estava curiosa, queria ver o lugar em volta da casa. E eu odiava ficar curiosa. Encostei na porta por alguns segundos, analisando apenas a parte de fora do campo de visão de onde eu estava, coisa que não havia feito no dia anterior, provavelmente por estar abalada demais, ou cansada demais. Havia um pequeno jardim em volta da entrada da casa, era simples, pequeno, mas bonito ao mesmo tempo. Em frente, estava a casa de Sasuke, que ficava tanto de frente para a porta quanto de frente para a janela de meu quarto. Saí dali, começando a caminhar para o lado esquerdo da casa, onde parecia haver uma espécie de floresta, afinal, algumas árvores tomavam conta da região ao lado, era simplesmente lindo.

Caminhei em meio aquela mata, não era difícil, havia um bom espaçamento entre as árvores, algo que tornava mais fácil para que eu pudesse me movimentar naquele lugar, que tinham plantas simplesmente lindas, por mais que também fossem simples. Andei um pouco mais, encontrando um lugar onde não haviam tantas árvores, com alguns alvos simples, provavelmente para treinamento ninja, e acabei me deparando com Sasuke. Ele provavelmente não havia me visto, eu não sabia se deveria interromper ou não, afinal, ele não gostava muito de ser interrompido ou de conversar, portanto apenas fiquei escondida ali por alguns segundos, observando-o treinar. Ele era bom.

Aproximei-me um pouco mais para que pudesse observá-lo melhor, eu não sabia há quanto tempo ele estava ali, não julgaria muito tempo, pois suas roupas estavam limpas demais para um treinamento tão longo, mas sua respiração estava extremamente ofegante, algo que me causou certo estranhamento. Observei que ele havia encostado em uma árvore e sentado abaixo dela, abaixando o rosto, ainda parecendo ofegante, o que fez com que eu estranhasse ainda mais, então acabei me aproximando dele com cautela, ainda sem nada dizer, e abaixando-me ao seu lado.

— A-Ano... — Eu disse, tentando chamar sua atenção, mas minha voz saiu falha. Seu olhar frio voltou-se para mim, sem uma palavra sair de sua boca, já estava acostumada com esse tipo de atitude vinda dele. — Está tudo bem?

— Tsc. — Respondeu, notei que ele tinha esse hábito, não sabia bem o por quê, mas por algum motivo, não me incomodava, era o jeito dele, eu respeitava isso. — Não é nada. — Voltou a abaixar o rosto, ainda com a respiração ofegante.

— Sasuke-san... — Eu disse, a julgar pela sua respiração ofegante e pela voz minimamente diferente que eu havia identificado, mesmo com suas poucas palavras, cheguei a uma conclusão.

Quando o chamei, ele levantou o rosto novamente, então eu apenas levei uma de minhas mãos até sua testa para que pudesse verificar sua temperatura, estava quente demais, como eu suspeitava. Ele tentou afastar minha mão, mas não conseguiu.

— Eu já disse que não é nada. — Um tom extremamente sério estava presente em suas palavras.

— Mas você está queimando em febre. — Lembrei-me da chuva que ele havia pegado ontem. Provavelmente estava doente por minha causa, afinal, ele me emprestou o casaco e acabou ficando doente por causa disso, me senti culpada. — Por favor, pare de treinar, não está em condições. Isso foi por minha culpa, não foi? Por causa de ontem. — Por algum motivo, eu estava constrangida, provavelmente pela culpa, então acabei voltando minha atenção para meus dedos indicadores que se batiam delicadamente um contra o outro, uma mania que eu tinha. — M-Me desculpe.

— Não se importe com isso, eu estou bem. — Proferiu, no mesmo tom habitual, em seguida se levantou e começou a caminhar, sem nada mais dizer.

Pensei em ir atrás dele, mas sabia que isso o incomodaria, então apenas fiquei ali por mais um tempo, analisando o local sem prestar muita atenção. Eu estava preocupada com Sasuke, embora ele fosse difícil ou agisse de uma maneira fria, não era má pessoa, na verdade, mais gentil do que eu mesma esperava, e eu me sentia culpada por ele estar daquela forma. Voltei para casa, não muito tempo depois de me perder em meus próprios devaneios sobre Sasuke, e passei a arrumar minha mala para ocupar parte do meu tempo e para que eu não precisasse pensar em muita coisa.

Sasuke's POV

O fim de tarde já havia chegado, um tempo considerável já havia passado desde minha última conversa — se é que pode ser chamada assim — com a Hyuuga havia passado, já que havia ocorrido de manhã. Eu estava deitado em minha cama, talvez se eu descansasse, eu acabasse melhorando, mas a verdade é que a febre estava piorando, mas sabia que isso melhoraria logo, então não me importava. Permaneci deitado por mais alguns minutos, até ouvir o soar de alguém bater na porta, Naruto e Sakura estavam em missão, eram os únicos que me visitavam, por isso restava apenas mais uma opção, Hinata. Abri a porta, fitei-a por alguns segundos, enquanto um silêncio tomava conta do local, até que ela decidisse, por fim, falar.

— S-Sasuke-san, eu preparei algo para você jantar. — Ela disse, estendendo um saco com uma vasilha dentro. — Você ficou doente por minha culpa, acho justo que eu tente te ajudar, então por favor, aceite. — Seu olhar se voltava para qualquer lugar que não fosse eu.

Suspirei, aquilo me incomodava um pouco, mas eu estava cansado demais para preparar comida, então simplesmente decidi aceitar. Estendi minha mão em direção ao saco, pegando-o, o que fez com que seus olhos perolados me encarassem de forma surpresa. Desviei meu olhar para a vasilha, havia uma quantidade grande demais de comida, o que me levou em pensar a convidá-la para jantar, não porque eu queria sua companhia, mas porque era justo, já que ela havia preparado, ou era disso que eu me convencia. Antes que eu pudesse dizer qualquer palavra, senti a mão gélida da Hyuuga tocar minha testa pela segunda vez naquele dia.

— Está muito quente, tem que se cuidar... — Voltou seu olhar tímido para o chão. — S-Se quiser eu posso te ajudar, é o mínimo que posso fazer para agradecê-lo.

— Entre, divida a comida comigo e depois vá embora. — Dei de ombros, não me importava com o fato dela querer me agradecer ou me ajudar. Adentrei a casa, esperando que ela fizesse o mesmo.

— T-Tudo bem... — Seu olhar se manteve baixo enquanto ela entrava na casa.

Levei-a até a cozinha, peguei dois copos, dois pratos e um suco de laranja que havia pronto, em seguida, dividi a comida para nós dois e enchi os dois copos da bebida e sentei-me na frente de onde Hinata estava sentada, começando a comer a sopa que ela havia preparado, sem me importar com ela naquele local, apenas fingia que ela não estava ali, como se fosse um dia normal, ou era isso o que eu fazia até ouvir sua voz tímida e baixa falar algo.

— E-Espero que esteja bom. — Ela disse em tom baixo, como se não quisesse exatamente chamar minha atenção ou me incomodar.

— Nada mal, Hyuuga. — Respondi, ainda sem dar muita atenção para ela.

— Hyuuga... — Ela murmurou baixinho, em seguida, ouvi um suspiro. Não sabia bem no que ela estava pensando, mas não parecia coisa boa. — Eu sinto muito por estar sendo um incômodo, não vou mais atrapalhar seu dia a dia. — Voltou seu olhar para mim, com um pequeno sorriso, não tão feliz, presente em seus lábios.

— Achei que a família principal era perfeita, estou surpreso. — Disse, no meu tom habitual, porém levemente sarcástico, sem mal olhar para ela. Era isso o que a maioria dizia, que só quem tinha problemas sérios entre o clã era a família secundária.

— É isso o que falam por aí? — Não respondi, ela parou por alguns minutos, parecia incomodada com o assunto, mas mesmo assim prosseguiu. — O papai desistiu de mim, totalmente, ou é isso o que parece, então acabei saindo de casa. — Disse, sem explicar os detalhes do que havia realmente acontecido.

Terminei de comer, o silêncio tomou conta do nós mais uma vez, até que ela terminasse de comer e se levantasse. Levantei-me depois dela, sem nada dizer, seguindo até a porta da casa com ela, apenas para trancá-la depois que ela fosse embora. Ela abriu a porta, mas antes que pudesse sair totalmente, se virou para mim, surpreendi-me um pouco, mas não deixei que isso transparecesse, apenas permaneci a fitá-la, como se esperasse por algo, mas sem muita expectativa.

— Sasuke-san, você ainda estava quente quando eu cheguei, acho que deveria ir ao médico. — Disse, parecia ter cuspido as palavras pela rapidez com a qual havia falado, talvez fosse melhor para ela.

— Eu estou bem, já disse. — Dei de ombros mais uma vez, não era para tanto.

— M-Mas... — Pela terceira vez naquele dia, senti sua mão gélida tocar minha testa, isso já estava me irritando. — Olha, está quente demais. — Por mais que estivesse me irritando, ela parecia estar preocupada de verdade comigo.

— Se eu não melhorar, eu vou. — Eu com certeza não iria ao médico, mas talvez se eu falasse aquilo, ela parasse de insistir com aquela ideia.

— Coloque uma toalha molhada na testa, vai se sentir melhor amanhã quando acordar. — Sorriu, dessa vez, seu sorriso era realmente sincero. Ameaçou se virar, mas antes de o fazer, disse algumas palavras. — Obrigada, Sasuke-san... E boa noite. — Por fim, se virou, seguindo até a outra casa.

— Hinata. — Eu disse baixinho, mais uma vez, devido a minha impulsividade repentina, acabaria ferindo o meu orgulho. Esperei ela se virar, para que pudesse me fitar com aqueles olhos perolados, havia sido rude com ela quando ela estava tentando me ajudar, e embora eu fosse uma pessoa fria, não costumava ser tão rude assim, ainda mais quando ela não havia feito nada de ruim. — Obrigado e... Boa noite.

Consegui ver um sorriso se formar em seus lábios, seu sorriso, pela primeira vez naquele dia, parecia realmente feliz, e, por algum motivo, isso fez com que eu me sentisse bem, por mais que eu odiasse ter que admitir isso.

Fechei a porta, segui até a cozinha, lavando a louça que estava suja, em seguida, fui até meu quarto, trocando minha roupa para um calça preta larga e caminhei até a janela, que dava de frente para a janela do quarto de Hinata, que por consequência, estava aberta. Eu conseguia vê-la, terminando de arrumar o quarto, provavelmente para depois ler o livro que se encontrava em cima da cama, livro o qual eu não conseguia identificar. Não sabia bem o por quê de ter ficado ali, observando-a. Fechei a janela, em seguida, ajeitei a cortina para que a cobrisse. Olhando-a, lembrei do que havia me dito hoje cedo, fui até o banheiro, peguei uma toalha e a molhei, em seguida, deitei-me em minha cama, colocando em minha testa como ela havia dito, e acabei rapidamente pegando no sono.



Notas finais do capítulo

Espero que tenham gostado, peço desculpas pelos erros, deixem reviews por favor.