The Girl Of Cutting escrita por Fafa Moraes


Capítulo 55
4 - I'm innocent. Maybe not so much...


Notas iniciais do capítulo

Olá, mortos vivos! Posso ter demorado, mas, esse capítulo vale a pena! ahahah
Boa Leitura e Feliz Dia internacional da mulher! (=
Link do blog oficial: http://thegirlofcutting.blogspot.com




Uma semana se passou, e eu já estava prontinha para colocar novamente meu lado malvado em ação, com aquele tempo eu já tinha conseguido provar que estava realmente tentando mudar e que estava arrependida do que fiz, cada vez mais a Marta e as enfermeiras em geral tinham pena de mim, e ficavam cada vez mais dispostas a tentar me ajudar. Tão inocentes, tão tolas...Elas já deveriam saber que não se deve confiar em ninguém com sangue frio, principalmente confiar em uma serial killer...A cada dia eu fico mais impressionada com a idiotice e a bondade humana, coisas tão nojentas e inúteis, mas, os seres humanos continuam insistindo nisso tudo; é aí que eu pergunto: Onde a humanidade quer chegar com toda essa bondade, inocência e caridade? Provavelmente eles pensam que estão chegando a algum lugar útil, bom a vida deles, mas, eu respondo em qual direção eles estão indo: com isso tudo eles estão apenas caminhando direto á suas sepulturas...

Hora certa e momento certo. Essa frase definia o momento, era a hora e o momento certo de agir, primeiro você conquista a confiança do inimigo, e depois crava a faca em suas costas, gole baixo? Sim. Sujo? Mais ainda. Quem disse que eu jogo limpo?!

A hora certa era o inicio da noite, a maioria dos pacientes já estavam em seus quartos, mas, eu podia sair á qualquer hora, contanto que não passasse da meia-noite; as enfermeiras em sua maioria estavam tomando banho e limpando a ‘bagunça’ que os pacientes fazem.  - isso se torna até meio engraçado, porque se eu realmente resolvesse fazer bagunça naquele lugar, hahaha, só Lúcifer sabe o que seria necessário para limpá-la -  A maioria das enfermeiras dormem aqui algumas noites, até mesmo porque elas saem do trabalho bem tarde, e, sabe como é, não se pode andar sozinho muito tarde da noite, é a hora em que vários assassinos estão espalhados por aí...

Por algum motivo não identificado, o jantar dos funcionários e servido uma hora depois do dos pacientes; uma hora? Tempo perfeito para uma linda garotinha com a mente totalmente maléfica entrar em ação, com todos os funcionários ocupados fazer algo bem malvado não seria nem um pouco difícil, e eu ainda tinha os comprimidos - que eu acabei descobrindo serem soníferos - comigo, é, parece que Lúcifer gosta de dar uma chance para as almas mais demoníacas plantarem o caos por aí...

Dei um jeito de entrar na cozinha arrombando a porta, driblar câmeras de seguranças é a coisa mais fácil do mudo pra mim, e depois de começar o meu pequeno serviço eu faria uma visita á sala de vigilância, nada muito complicado, apenas daria um jeitinho em algumas câmeras indesejáveis que não facilitam muito o meu trabalho nesse inferno.

Dilui todos os comprimidos nas panelas que continham a comida das enfermeiras, logo, logo elas estariam apagadas, e eu teria mais uma oportunidade de fazer o jogo ficar mais um pouco ao meu favor, o que seria mais um passo para finalmente sair desse lugar, realmente seria uma pena para a maioria da sociedade, mas, eles teriam que conviver comigo de uma forma ou de outra, deve ser ruim para eles saber que eu tenho tudo perfeitamente calculado aos mínimos detalhes, e que meus planos nunca falham.

Em menos de uma hora as enfermeiras estavam todas dormindo, algumas até mesmo desmaiadas, largadas em qualquer canto, junto com todos os funcionários, realmente um plano perfeito, e o melhor, não havia nenhum babaca, ops, eu quis dizer paciente, para me atrapalhar nessa hora, como eu adoro ser uma garota má!

Fui até a enfermaria, onde peguei um par de luvas, eu ia fazer um grande estrago, mas, ninguém saberia que fui eu é claro, sou uma serial killer organizada, sempre sei o que fazer, e tomaria todos os cuidados necessários para que a culpa não caísse sobre mim. Coloquei as luvas e fui até a sala de vigilância, onde apaguei todas as imagens das câmeras nas ultimas duas horas, e no lugar das verdadeiras imagens coloquei apenas uma frase: “Bons sonhos, queridos funcionários, é uma pena que vocês acordem novamente..”

Peguei um notebook que achei lá,  e também anotei a senha do wi-fi daquele inferno, seriam coisas muito úteis daqui a alguns tempos, novos planos entrariam em ação bem em breve, mas, o dessa noite ainda não havia acabado, eu não faço nada tão bonzinho assim...

Cortei os fios de todas as câmeras de segurança, todas mesmo, sem isenção, peguei os extintores de incêndio pendurados nas paredes e...Bom, eu só sujei todas as paredes, quebrei todas as janelas e portas, não dos quartos dos pacientes é claros, eles podem ser loucos, mas não são surdos nem cegos, saberiam perfeitamente que fui eu que fiz aquilo tudo se me vissem, e, além do mais eu tinha que dar um belo jeitinho de fazer com que ninguém dissesse que eu era a culpada.

Fui até o meu lindo quartinho, quebrei a janela dele e utilizei mais um extintor para causar o caos por alí,  deixando tudo jogado, sujo e quebrado, depois disso, peguei meus remédios - que por loucura ou idiotice a Marta  deixava no meu quarto, ao meu lado - e formei com eles uma frase de ameaça á mim mesma: ‘’Você morre em breve, Alicia.”

Depois, é claro, eu eliminei a luva que tinha usado para o trabalho todo, colocando fogo nelas do lado de fora do meu quarto.

Como eu tinha que parecer totalmente inocente, peguei o sonífero e tomei um comprimido, definitivamente eu não fui feita para dormir, e sim para matar, dormir pode ser considerada a coisa mais chata do mundo, que eu não faria nem sob ameaça de morte sem um sonífero, até mesmo porque eu não tenho medo da morte.

No dia seguinte, fui acordada pela Marta, que estava com a expressão horrorizada:

- A-Alicia, o que houve aqui?

- Aqui? - Falei, totalmente sonolenta, bom, fingindo estar totalmente sonolenta e olhando em volta, reparando todo o belo caos que eu havia feito, mas, é claro, sempre existe atuação, então eu fingi também ficar horrorizada -

- E-Eu juro que não sei de nada, Marta! Eu dormi a noite inteira...O-o que houve? E o que é isso escrito alí no chão? - Levantei da cama rapidamente, indo até perto de onde eu tinha escrito a frase - Marta, o que é isso? Q-quem escreveu isso? Q-quando? Eu, eu vou ser morta?! Isso é, é verdade?!

- Se acalme, Alicia...Estamos todos tão horrorizados quanto você, a clínica foi invadida ontem a noite, quem fez isso deu sonífero á todos os funcionários, e destruiu boa parte do lugar, o estranho é que os quartos dos pacientes estão intactos, menos o seu...

- E todos acham que fui eu que fiz isso, não é?!

- Alicia...Não é bem assim.

- Fale a verdade, Marta, eu sei que acham, até mesmo porque todos pensam que tudo o que acontece é culpa minha, não é? Isso aconteceu, Deus, quem vamos culpar? A Alicia. Uma posto  de gasolina explodiu porque deixaram cair um fósforo perto do álcool, quem culparemos? A Alicia. Alguém caiu da escada do outro lado do mundo e quebrou o braço, quem vamos culpar? A Alicia. Marta, por favor, eu não fiz nada... - nesse momento eu já comecei com o meu choro fingido, ah, como as pessoas são tolas... -

- Ah, Ali... - Marta se comoveu e me abraçou, em um ato de pena -

- Marta, por favor, acredite em mim, eu não fiz nada! Você acha que eu mesma me ameaçaria? Destruiria as minhas coisas?! Eu te juro que realmente estou tentando mudar, te juro que eu realmente me arrependi do que eu fiz...Só de pensar naquilo tudo eu começo a sentir nojo de mim mesma, e o que mais me assusta nisso tudo é que todos me odeiam, Marta! Qualquer um poderia fazer isso, todos querem me ver morta, e eu realmente tenho medo, por favor, diga que nada vai acontecer, por favor, diga que esse idiota não vai conseguir o que ele quer, por favor! - comecei a chorar cada vez mais, é uma sensação tão boa ver as pessoas acreditando em uma mentira e em uma atuação tão bem feita... -

- Eu prometo, Alicia, nada vai acontecer, ok?  Mas, agora precisamos sair daqui, a policia quer investigar o lugar, e, eu sei que você não fez nada, mas, tem gente que acredita que foi você, mesmo a maioria, isso se não todos os funcionários, dizendo que você já mais faria isso e que é de verdade uma garota diferente agora.  - Antes que me perguntem, mesmo olhando centímetro por centímetro do quarto, os policiais não achariam nada, nem o notebook que eu roubei, eu sei perfeitamente como esconder as coisas -

- Ok...Mas, eu vou poder voltar para o meu quarto hoje, não é? Eu não quero ficar lá fora com todos me olhando e me acusando, por favor, diga que eu só vou responder á algumas perguntas e vou poder voltar a me isolar, por favor, eu não quero ver todos aqueles olhares acusadores...

- Tudo bem, Ali, você não vai fazer nada de mais, e vai poder ficar comigo o dia todo, onde você quiser, agora vamos, os policiais tem muito trabalho á fazer, ok?

- Ok.

XXX

Tolos, policiais são os seres mais tolos do mundo, acreditam em lágrimas falsas, e uma cara de inocente totalmente assustada, é tão fácil enganar as pessoas, e tem gente que ainda não consegue mentir...

Depois de minha linda ceninha comovente, Marta e eu fomos para um dormitório vazio, onde eu ficaria até que os policiais finalmente percebessem que eu sempre trabalho com perfeição e que mesmo eu tendo feito o que fiz - o que agora não é o que eles acham - ninguém acharia nenhuma prova que pudesse me incriminar verdadeiramente. Um único problema sobre o meu novo  quarto temporário era que ficava no mesmo lugar onde eram os quartos dos outros pacientes, não que fosse algo realmente tão relevante assim, já que agora eu sou uma boa garota e blablablá, mas, é evidente que ao me virem passar pelo corredor todos ficaram me encarando, até mesmo porque eu não costumava freqüentar aquele lugar. Minha verdadeira vontade naquele momento? Provocar á todos da forma mais cruel possível, como sedutora masoquista eu adoro quando sou o centro das atenções, principalmente quando isso significa que eu estou sendo má e sexy, definitivamente eu não nasci pra ser uma boa garota, e, qual é a graça disso?

Algumas horas entediantes passaram, por mais importante que fosse eu fazer toda a minha atuação como boa garota que quer realmente mudar e blablablá, isso consegue ser a coisa mais chata do mundo, principalmente quando a minha única vontade era cravar um canivete na garganta da primeira pessoa que eu visse pela frente; outra coisa que estava me enlouquecendo era o fato de não beber, fumar, me drogar ou, principalmente transar a praticamente um mês, sem meus vícios minha mente poderia começar a beirar a insanidade -embora para muitas pessoas eu já fosse insana por completo - mas, não, eu consegui me controlar, me controlar ao suficiente para saber que em pouco tempo eu estaria livre, e, dessa vez pior do que nunca, grandes sacrifícios precisam ser feitos por grandes causas, e, ser  a primeira página do jornal todos os dias, com todos me temendo e ter o prazer de matar pessoas todas as noites de forma sangrenta, macabra e totalmente perfeita sem dúvidas é uma grande causa.

Finalmente os policiais pararam de investigar o meu quarto, então eu pude voltar pra lá, e é claro que como uma garota super preocupada com suas coisas e com seu status atual de inocência eu tinha que verificar se as coisas continuavam no mesmo lugar, mesmo não tendo nada que realmente faria falta ali, e, é claro, eu tinha que tirar proveito da situação para ganhar mais alguns pontinhos ao meu favor com a Marta, certo? Um bom jogador sempre sabe quando tem as chances, e, sabe melhor ainda em que hora aproveitá-las.

- Marta, você tem certeza que não levaram nada daqui? - Perguntei para a mulher, vasculhando rapidamente vários pontos do quarto, como se realmente estivesse preocupada -

- Sim, bom, a não ser que levaram algo e não contaram a ninguém, você sabe como são essas coisas...

- Eu sei, mas, eu realmente tenho medo...E-eu não sei quem pode  ter feito isso, e, eu tenho medo que possam arrumar alguma forma de me culpar, mesmo eu não tendo feito nada... - Acabei bolando mentalmente um plano rápido, que, talvez desse certo, apenas um teste para ver o quanto eles confiavam em mim agora, ou, na minha versão muito mais verdadeira e divertida, ver o quanto eles eram babacas inocentes.

No meio da minha busca incessante por algo que talvez tivesse desaparecido, fui até o armário e abri uma gaveta, pegando uma foto do Mike que estava lá junto com algumas outras coisas; fui até a cama e me sentei, observando atentamente a foto e logo lágrimas começaram a brotar dos meus olhos, não posso dizer que eram totalmente falsas, eu realmente sentia falta dele, mas, o foco agora era o meu plano e não meus verdadeiros sentimentos. - não que eu realmente tenha isso em abundância - Marta, notando o que estava acontecendo sentou-se ao meu lado e me abraçou, como se tivesse algum laço afetivo comigo, awn, que fofa, uma mulher fofa que daria uma ótima vítima...

-Ali...

- O que foi? - respondi, entre lágrimas -

- Você gosta mesmo dele, não é?

- Mais do que da minha própria vida...

- Nesse caso, eu preciso de contar uma coisa...

- Que coisa?

- O Mike te mandou uma carta a uns dias atrás, não é realmente uma carta, é um origami, provavelmente á algo escrito nele, e...

- Pera aí, o Mike mandou algo pra mim que chegou á dias atrás, ok, porque isso não está comigo ainda?

- Você sabe, o Mike não tem as mesmas restrições dos outros alunos do reformatório, os alunos podem falar com pessoas de fora, amigos, família, namorado (a), pelo telefone, pelo correio, etc, o Mike é claro, está privado dessas coisas, porque, você sabe...Mesmo assim, ele tentou fazer isso, e, eu achei fofo da parte dele, só tem um problema, o Taylor descobriu isso, não puniu o Mike, mas,  me impediu de entregar o que ele mandou á você, já que não queria que vocês dois tivessem contato um com o outro...

- Ah, agora eu entendi. - eu já tinha entendido o que ela queria dizer a muito tempo, mas, o quanto mais inocente eu mostrar que eu sou melhor meu plano irá se sair. -

- Ali, eu realmente sei que não deveria fazer isso, mas, eu vou te entregar o que o Mike te mandou, ok? Os policiais e outros funcionários devem estar ocupados por causa do que aconteceu, volto em instantes...  - Marta saiu apressada do quarto, eu não esperava receber nada do Mike, mas, eu realmente gostei de saber que ele havia se arriscado por mim, assim como eu estava fazendo por ele, não que eu não fizesse aquilo se não estivesse namorando ele, mas, o Mike era um grande motivo para fazer o que eu fiz, e o que iria fazer para sair daquele inferno -

Alguns poucos minutos depois Marta voltou ao quarto, entregando-me o prometido depois de fechar a porta, é claro...

O que o Mike tinha feito pra mim era um origami em forma de cisne -ele sempre foi ótimo com trabalhos manuais - eu desdobrei o papel - mesmo com pena de estragar aquele trabalho tão perfeito -  eu sabia que ele havia escrito algo dentro, não me perguntem como...

“Eu amo você” era o que estava escrito naquele pequeno pedaço de papel ao qual o Mike havia feito um origami, poderia não ser uma grande mensagem romântica, mas, era o bastante pra mim; ele, sem dúvidas sabia - assim como eu - que o Taylor havia ‘confiscado’ aquele bilhete por que não queria que nos comunicássemos pensando que estaríamos bolando algum tipo de, sei lá, apocalipse, e, também sabíamos que se aquele pequeno pedaço de papel na verdade fosse uma enorme carta o Taylor leria, pensando que era também um plano, um segredo, ou algo muito importante, e, não queríamos aquilo de forma alguma. Aquele ‘’Eu te amo’’, embora não parecesse muita coisa, me fez realmente lembrar que alguém no mundo ainda gostava de mim, de verdade, e que se dependesse do Mike, eu já mais estaria sozinha.

Comecei a chorar bastante observando o origami desfeito, o que fez Marta me abraçar novamente, em um ato talvez de carinho, embora eu acreditasse que aquilo não passava pena.

- Acalme-se, Alicia, tudo vai ficar bem...

- Me acalmar?! Eu não vou conseguir me acalmar! O Mike é tudo o que eu tenho, Marta, a única e a primeira pessoa que realmente gosta de mim, independente do que eu tenha feito; e agora eu não sei quando, nem se eu vou vê-lo de novo, não me peça para ficar calma!

- Ali, eu sei que isso é muito difícil pra você, na verdade seria pra qualquer um de nós, mas, eu te prometo uma coisa, prometo que vou conversar com o Taylor e tentar fazê-lo deixar você e o Mike se falarem.

E finalmente o peixe mordeu a isca...

Não era exatamente alí que eu estava tentando chegar, mas, aquilo era realmente algo muito, muito bom!



Notas finais do capítulo

Reviews ou eu terei que fazer uma ameaça de morte á vocês? Só que essa ameaça será verdadeira, e, também, com certeza será brutalmente cumprida...